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domingo, 20 de maio de 2012

Apocalipse gastronômico: coma antes que acabe!



A SAC - Sociedade Amigos do Crime, bando de malfeitores que esbulha esta Blogueira, violando há 14 anos seu Direito de Propriedade, entre outros ilícitos cometidos covardemente contra a cidadã, está reunida neste fim de semana para deliberar os próximos passos (e falcatruas?) no sentido de calar a aguerrida Blogueira e o brioso Abra a Boca, Cidadão! 


Quais serão os próximos malfeitos que tal bando, com apoios em setores do Judiciário e da Advocacia, escolherá para promover mais iniquidade ainda?


Mentes criminosas em geral só conseguem pensar em termos de crime.


Peço a todos os meus parentes, da Banda Boa da Família Amorim e da Família Carvalho, gente decente e íntegra, assim como aos meus amigos, presenciais e virtuais, conhecidos, leitores do Brasil e do exterior, que fiquem atentos ao Abra a Boca, Cidadão! 


Aos que quiserem se manifestar a respeito, peço que o façam encaminhando mensagens ao meu email particular: escrevivendo@ig.com.br  Garanto sigilo absoluto.


JUSTIÇA para todos!






Interessantíssima e preocupante a matéria publicada nesta semana que passou, alertando a todos nós sobre o risco de desaparecimento de alimentos importantes, a maioria saborosíssimos, graças às mudanças climáticas, outras catástrofes naturais, desmatamento etc.


Direito à Vida, à alimentação sadia e a um meio ambiente equilibrado é direito humano fundamental e será tratado aqui no ABC! sempre que possível.



Apocalipse gourmet: coma antes que acabe


Estudos apontam 13 ingredientes que o aquecimento global e outras catástrofes naturais podem fazer desaparecer da mesa

Ana Lucia Silva


Aquecimento global, desmatamento e coleta predatória podem fazer 
que o prato fique vazio Foto: Thinkstock

Se a situação ambiental não for revertida, há rumores de que o aquecimento global vai provocar mudanças no cardápio mundial. E não é só ele. Além do aumento da temperatura e as modificações climáticas da Terra, a pesca predatória e o desmatamento também poderão causar modificações importantes no cardápio do homem. Nas próximas décadas, alimentos que fazem parte do nosso cotidiano vão se transformar em artigos de luxo.

Segundo os cientistas, a Terra deve apresentar uma elevação na temperatura de 2 a 3 graus até 2050 e o IPCC (Intergovernamental Panel on Climate Change) prevê um aumento de 5,8ºC nos próximos 100 anos. Se não forem controladas as emissões de gás carbônico, as previsões podem se tornar verdadeiras. Confira 13 ingredientes que vão sofrer com as mudanças e receitas para aproveitá-los enquanto ainda dá tempo.


O chocolate vai se tornar um produto caro. Imagina ficar sem brigadeiro, 
sem bombom, sem bolo... Foto: Dulla

Chocolate
O chocolate já foi bebida sagrada para as civilizações pré-colombianas e se transformou em um grande hit mundial. Mas quem não vive sem chocolate prepare-se. Daqui a 40 anos, segundo estudo da fundação Bill & Melinda Gates, o hábito custará caro.

As principais áreas de cultivo do cacau, Gana e Costa do Marfim, podem sofrer danos definitivos. O problemão é que esses dois países africanos são responsáveis por 2/3 da produção mundial do ingrediente. Para tentar fugir dessa realidade, fazendeiros começaram a procurar regiões mais frias e limitadas para seu cultivo, que precisam de um alto investimento em tecnologia, segundo o Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT), na Colômbia.


Salmão e outros peixes podem sumir do cardápio em 2050
Foto: Edu Cesar/Fotoarena

Salmão
Os peixes são produtos sensíveis que vão sofrer muito com as alterações climáticas e a mudança de acidez dos oceanos. Segundo a National Wild Federation, o salmão terá problemas para se alimentar com os moluscos, cada vez mais ácidos, e também para se reproduzir, já que as ovas serão arrastadas pelos rios.


Nem on the rocks, nem puro. O uísque corre risco de desaparecer
Foto: Getty Images

Uísque
Os amantes da bebida podem sofrer com a falta de quantidade e também qualidade. A Escócia, maior produtor de uísque, poderá ter que enfrentar secas, enchentes e pragas nas áreas de plantio de cereais usados na fabricação da bebida, como o malte. É o que diz uma pesquisa encomendada pelo governo escocês em 2011.


Os tradicionais bolinhos de bacalhau podem ficar só na lembrança
Foto: Tadeu Brunelli/Divulgação

Atum e bacalhau
O atum e o bacalhau também vão sofrer os impactos. Segundo a pesquisa coordenada por Stephen R. Palumbi, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, o cenário em 2050 não será nada bom. O estudo aponta que até lá nenhuma espécie marinha que usamos para fazer nossos pratos será própria para o consumo.

Segundo os pesquisadores, algumas espécies já perderam 90% de sua população total desde 1994. No caso do atum azul e dos peixes conservados como bacalhau, tidos como nobres, a população caiu 92% nos últimos 60 anos. Além da temperatura, essas espécies têm problemas com a pesca predatória.

Foto: Getty Images
Bordeaux, na França, é uma das mais tradicionais regiões produtoras de vinho

Vinhos de Bordeaux
A região francesa de Bordeaux é uma das mais respeitadas quando o assunto é vinho. Nem ela, área produtora das mais antigas e responsável por 1/3 da produção da França, vai escapar. Alguns especialistas dizem que com as alterações do aquecimento global, a área se tornará imprópria para o cultivo das uvas em 2050.

A saída deve ser o uso de espécies geneticamente modificadas, que vão deixar os frutos mais resistentes às mudanças climáticas. O preço, com certeza, vai subir junto com a temperatura.


O arroz é a base da alimentação de muitos povos e pode sofrer com o 
aumento da temperatura Foto: Dulla

Arroz
O arroz é a base da alimentação de muitas culturas. Como falar para um japonês que ele vai ficar sem sushi ou para um brasileiro que ele vai ter que fazer mudanças estruturais em seu PF? A colheita de arroz já tem mostrado quedas de até 20% no rendimento dos últimos 25 anos. Uma pesquisa norte-americana realizada com 227 propriedades rurais das principais regiões produtoras (Tailândia, Vietnã, Índia e China) relaciona a redução com o aumento de temperatura durante a noite. Para eles, as plantas estão gastando mais energia para respirar em noites quentes, afetando a fotossíntese e o desenvolvimento da plantação.


A produção de mel já vem caindo na Europa, América do Norte, África 
e Ásia Foto: Getty Images


Mel
As colônias de abelhas na Europa, América do Norte, África e Ásia começaram a dar os primeiros sinais de problemas. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA, as populações de abelhas diminuíram de 5,5 milhões, em 1950, para 2,5 milhões, em 2007.

Os principais culpados são os agrotóxicos e a poluição, mas uma corrente de cientistas não exclui o aquecimento do planeta que vem alterando a floração como uma das causas.


Parasitas e fungos serão os piores inimigos da banana Foto: Dulla

Banana
A situação para os que gostam de banana também não é das melhores. O alerta sobre a banana-nanica que vinha sido atacada por parasitas, como o fungo sigatoka-negra, já foi dado há alguns anos. Ainda existe uma penca de tipos de banana por aí, mas no futuro não há como prever se uma nova praga não fará estrago maior. As bananas que consumimos hoje têm baixa variedade genética e, por isso, maior vulnerabilidade.


Um simples cafezinho será artigo de luxo nas próximas décadas
Foto: Tricia Vieira/Foto Arena

Café
O café também está na mira. Algumas regiões produtoras na América Latina já mostram indícios de queda na produção de seus melhores grãos. Os cafezais precisam de temperatura e clima adequados, além de um equilíbrio entre dias secos e chuvosos, e isso não está acontecendo. As chuvas fortes danificam as flores e o calor intenso acelera a proliferação de fungos. Segundo a Embrapa, se a situação continuar assim, a produção de café no Brasil pode cair 92% até 2100.


A mandioca pode não sumir de vez, mas as 
variedades vão diminuir Foto: Getty Images

Mandioca
A mandioca pode não sumir totalmente do cardápio, mas com certeza a variedade de espécies diminuirá, segundo estudo do biólogo Nagib Nassar, da Universidade de Brasília. Alguns tipos selvagens já começaram a sumir no cerrado brasileiro. As pesquisas que estudam a região desde 1970 revelam que três espécies já teriam sumido do mapa. Apesar de a mandioca que usamos em casa estar longe da extinção, perdemos muitas oportunidades de fazer cruzamentos genéticos com as espécies selvagens, que são mais ricas em proteínas. O milho e o trigo também podem sofrer com esse problema.

Uma pesquisa da Embrapa, baseada na estimativa do aumento da temperatura do IPCC, é mais pessimista em relação à raiz. Para o órgão, a mandioca corre sério risco de desaparecer ainda em 2020 em áreas cada vez mais quentes, como o semi-árido nordestino. Por outro lado, outras áreas não terão temperatura suficiente para a produção.


O pinhão, tão característico da região Sul do País, está na lista dos 
ameaçados de extinção Foto: Rita Grimm

Pinhão
A associação internacional Slow Food criou uma lista de alimentos que correm o risco de desaparecer nas regiões em que são nativos ou pratos típicos com modo de fazer específico tradicional. A lista brasileira conta com mais de 20 produtos, entre eles o pinhão tradicional da região sul e das serras. A principal ameaça do pinhão é a coleta não sustentável.


O pupunha já é usado no lugar do palmito-juçara, 
espécie muito atingida com a coleta predatória
Foto: André Ctenas

Palmito
O palmito-juçara é outro que está na lista da Slow Food Brasil e pelo mesmo motivo: coleta não sustentável. A planta quase sumiu de vez, até que seu consumo começou a ser substituído pelo do palmito pupunha, de cultivo mais fácil.

Apesar dos esforços, o palmito-juçara ainda corre riscos. Nativo da região Sudeste do Brasil, essa espécie sofre com a extração predatória há anos e tem conseguido se manter graças às reservas indígenas guarani que mantêm as palmeiras nativas e fazem uma coleta sustentável.

Portal iG


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sábado, 19 de maio de 2012

Dilma e o Cardeal Arns: encontro histórico



Dom Paulo Evaristo Arns foi figura-chave, da maior importância, na resistência à ditadura militar, estando lado a lado dos "combatentes", incansavelmente, participando das movimentações todas, protegendo perseguidos, fazendo pronunciamentos.


Eu que vivi estes anos de chumbo como estudante da USP tive a honra de compartilhar muitas destas mobilizações.


O Brasil deve imensamente a este homem extraordinário.


Dilma visita e homenageia cardeal Arns

A presidente Dilma Rousseff visitou, no final da tarde de ontem (18), o cardeal Paulo Evaristo Arns. Foi um encontro rápido, reservado e, sobretudo, simbólico. Dois dias após ter instalado a Comissão da Verdade, o objetivo da chefe de Estado era homenagear o arcebispo emérito de São Paulo por seu trabalho à frente da histórica pesquisa Brasil Nunca Mais.

Realizada entre 1979 e 1985, a pesquisa reuniu e organizou 707 processos do Tribunal Superior Militar. O resultado, um extenso documento sobre torturas e outras violações de direitos humanos ocorridas no período do regime militar, é apontado por especialistas como precursor da Comissão da Verdade.

O cardeal Arns pertence à Ordem dos Frades Menores, fundada por São Francisco de Assis. Tem 90 anos e, com saúde debilitada, vive praticamente recluso em uma residência mantida pelas irmãs franciscanas na periferia de Taboão da Serra, região metropolitana de São Paulo.


O encontro estava marcado para as 16h15, mas Dilma chegou com quase uma hora de atraso. Os dois conversaram no andar térreo da casa das irmãs, acompanhados pelo secretário geral da Presidência, o ex-seminarista Gilberto Carvalho.

Passados pouco mais de 40 minutos, Dilma deixou a residência. Na saída, desceu o vidro do automóvel e, sorridente, acenou para um pequeno grupo de moradores do Parque Monte Alegre que a aguardava na rua.

D. Paulo se manteve no interior da casa. Segundo uma das irmãs que o assistem, ficou cansado e se retirou logo para seus aposentos.

O Planalto não divulgou detalhes da conversa. Em comentário não oficial, um assessor da Presidência qualificou o encontro como “histórico".




Estadão Online


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sexta-feira, 18 de maio de 2012

"Semideuses" do Judiciário não querem divulgar rendimentos



Já imaginávamos. Não é novidade. Eles ainda não entenderam que são Servidores do Povo Brasileiro. Nada mais.


Setores retrógrados, tacanhos, arcaicos, do Judiciário não pretendem adotar a Lei de Acesso à Informação cujo decreto foi assinado pela presidenta Dilma Rousseff, e que obriga o Executivo a cumprir o Princípio da Transparência e abrir publicamente informações de interesse do cidadão.




O "Segundo Escalão do Olimpo", aqueles setores do Judiciário que se comportam como semideuses, que acham que estão acima do Bem e do Mal, resistem a adotar a transparência, e as alegações são risíveis, ridículas. Leiam abaixo.


Queremos todos saber quanto pagamos por este Judiciário caríssimo e muitas vezes ineficiente, em geral moroso, lerdo como tartaruga manca, como dizem. Sobretudo queremos conhecer salários e penduricalhos da Banda Podre, a que é remunerada com dinheiro do povo para promover Iniquidade e Injustiça.


Setores do Judiciário alegam risco a servidores e resistem a publicar salários


Presidente do STF e procurador-geral, porém, defendem ampla publicidade das remunerações

Mariângela Gallucci e Felipe Recondo

BRASÍLIA - Setores e sindicatos do Judiciário vão resistir à publicação dos salários e vantagens pagos a cada um dos servidores da Justiça. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, e o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, porém, demonstraram disposição em dar ampla publicidade aos dados relativos às remunerações. Gurgel afirmou nesta quinta-feira, 17, que o Ministério Público “tem de ser um exemplo de transparência”.

Ao ser indagado se o Judiciário divulgaria os seus salários de forma pormenorizada, Ayres Britto disse que os ministros definirão isso, mas sinalizou que é a favor da medida. O presidente do STF lembrou que foi relator de um processo no qual foi questionada a divulgação de salários da Prefeitura de São Paulo. “Só excluí da publicação os endereços, por questão de segurança.”

Ayres Britto afirmou que há duas formas para regulamentar a Lei de Acesso a Informações no Judiciário. “Uma é cada tribunal fazer a sua regulamentação; outra é tentarmos um regulamento conjunto. Ainda não definimos.”

Vulneráveis. O presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Nelson Calandra [tinha que ser ele], disse que o decreto assinado pela presidente Dilma vale só para o Executivo [!!!]. Ele é contra divulgar o nome de funcionários e respectivos salários porque considera que isso torna as pessoas vulneráveis a ações de criminosos.

“Quem vive no mundo de hoje sabe que divulgar o nome é a mesma coisa que dar endereço e telefone. Pelas redes sociais, Google, qualquer pessoa é encontrada. A Constituição ainda assegura direito à intimidade [!!!] [E os Princípios da Transparência e Publicidade, desembargador???!!!...]. As pessoas têm de ser protegidas. Se você publica na internet o nome da pessoa com o salário, as organizações criminosas vão levantar o endereço e isso torna a pessoa vulnerável a ataques [aqui, rir pra não chorar...].”

O coordenador de administração do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário e do Ministério Público da União no DF, Jailton Assis, concorda: “Não temos divergência quanto à divulgação de salários. Mas a divulgação nominal é muito ruim. Uma coisa é entender o custo do Judiciário para a sociedade. Outra é conhecer nomes de cada servidor, alimentando uma situação de risco real.”



Estadão Online


Destaques do ABC!


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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Lula: agora também no Facebook



Na sociedade planetária e midiática em que estamos todos imersos, o extraordinário Estadista Global não poderia ficar de fora...


Companheiro Lula, também no Facebook!


Veja o vídeo abaixo, anote aí e acesse: www.facebook.com/lula






Link do vídeo


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Como fica a "Turma do Milhão" do TJ-SP?



Segundo o noticiário, 41 desembargadores estão sendo inocentados no que foi chamado certa vez a "Farra dos Milhões" no Tribunal de Justiça de São Paulo. Os adiantamentos que tais magistrados receberam não constituíram infração disciplinar ou ato de improbidade, segundo o Órgão Especial que investiga o caso. Do Grupo dos Cinco, que receberam contracheques que ultrapassaram os R$ 4 milhões, só sobraram três que podem receber sanção: um já faleceu e outro está aposentado.




Certamente a Grande Mulher da Justiça, ministra-corregedora Eliana Calmon, lá no seu gabinete em Brasília, está de olho no que acontece aqui em São Paulo. Mas não custa nada todos nós, cidadãs e cidadãos, que sustentamos este aparato todo, continuarmos atentos, ajudando a combativa Corregedora a monitorar o andamento das investigações e o saneamento de outras tantas mazelas do Judiciário.



TJ-SP inocenta 41 e centrará foco em cinco desembargadores

Juízes da "turma do milhão", como ficaram conhecidos, pagaram a si próprios R$ 4,02 milhões

Fausto Macedo


SÃO PAULO - A cúpula do Tribunal de Justiça de São Paulo isolou nesta quarta-feira, 16, definitivamente os cinco desembargadores que são alvo de investigação por suposta violação aos princípios da isonomia e moralidade porque pagaram a si próprios R$ 4,02 milhões entre 2008 e 2010.


Ao inocentar outros 41 magistrados, que também receberam antecipadamente valores individuais acima de R$ 100 mil e até R$ 430 mil naquele período, os desembargadores do Órgão Especial da corte deixaram evidente a disposição de levar às últimas consequências a investigação sobre os contracheques milionários embolsados apenas pela "turma do milhão", como ficou conhecido o grupo dos cinco.


Uma ala do colegiado vai propor a suspensão dos poderes jurisdicionais de três desses desembargadores ainda na ativa - Alceu Penteado Navarro, presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que recebeu R$ 640,3 mil a título de férias e licenças-prêmio acumuladas; Fábio Gouvêa (R$ 713 mil) e Vianna Cotrim (R$ 620 mil).


Mas a medida, se aprovada, não poderá alcançar os que chegaram ao topo dos holerites mais alentados - os ex-presidentes do TJ, Roberto Antonio Vallim Bellocchi, que recebeu R$ 1,44 milhão e se aposentou, e Vianna Santos, que recebeu R$ 1,26 milhão e morreu em janeiro de 2011, vítima de enfarte agudo do miocárdio.


A apuração relativa à “turma do milhão” está em curso, na fase de apresentação de defesa. Navarro sustenta que precisou do dinheiro para cobrir despesas com tratamento médico de familiares. Apresentou recibos e outros documentos. Na semana passada, ele ganhou apoio de 23 advogados que atuam na corte eleitoral e defendem sua permanência no cargo. Gouvêa disse que usou a verba para reformar um apartamento.


O Órgão Especial reúne 25 desembargadores, 12 eleitos, 12 mais antigos e o presidente da corte, Ivan Sartori. Eles cravaram que os 41 magistrados - que, juntos, receberam R$ 7,03 milhões - não cometeram infração disciplinar, nem ato de improbidade. O argumento central é o de que ninguém do grupo tinha poder para liberar valores, ao contrário de Navarro, Gouvêa, Cotrim, Bellocchi e Vianna Santos.
Equilíbrio.“Não existe acusação nenhuma (contra os 41), nunca houve, haja vista que não eram ordenadores de despesa e, em tese, se limitaram a receber verbas em atraso que lhes eram devidas, alguns até sem saber que estavam sendo pagos com exclusividade”, anotou Sartori.

Segundo ele, o que existe “é um procedimento apenas para se restaurar o equilíbrio e a isonomia diante de pagamentos que criaram distorções por ausência de critérios”.

Uma medida que deverá ser adotada com relação aos 41 é o corte de até 50% sobre o valor do saldo remanescente de crédito a que eles ainda têm direito - esse dinheiro, cerca de R$ 14 mil, é depositado mensalmente na conta dos desembargadores, além dos vencimentos. Sartori havia proposto inicialmente bloqueio equivalente a 100% do crédito, mas foi vencido.

Poderá ser usada como justificativa para recebimento antecipado de valores excepcionais despesa com tratamento de doenças graves - além de casos de cirurgia plástica reparadora e serviço odontológico, “dependendo da gravidade do caso”. “Tem que apresentar prova (dos gastos)”, avisou Sartori. “Estamos tentando restaurar a isonomia, mas o Órgão Especial tinha que declinar os parâmetros.”

Sartori anunciou que o TJ está preparando uma resolução com critérios e exceções para pagamentos antecipados a juízes e desembargadores. Ele explicou que a norma vai deixar expresso em que casos e situações o dinheiro da corte poderá ser liberado à toga.

O presidente disse que vai apresentar um novo voto, no caso dos 41, “mais objetivo, analisando caso a caso”. No voto que apresentou nesta quarta a seus pares, fazia ressalvas. “É imperioso verificar se havia justa causa para essas antecipações excepcionais e se elas importaram ou não em violação aos princípios constitucionais da isonomia, moralidade e impessoalidade”.


Estadão Online

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Comissão da Verdade quer abrir espaço para Cidadãos Internautas



Na humilde opinião desta reles blogueira cidadã, o Brasil vive um momento glorioso, mágico. 


Momento de investigar, processar, sancionar malfeitoras e malfeitores, com penas duras, inclusive cadeia, aproveitando as redes sociais, a informática, a sociedade midiática, escancarando suas caras de pau na mídia, por meio de cpis, denúncias, notícias, reportagens, blogs, posts etc. etc.


A combativa e destemida ministra Eliana Calmon, Corregedora Nacional de Justiça, deu início a essa verdadeira Primavera Brasileira, no âmbito do Judiciário, ao denunciar a existência dos Bandidos de Toga, dos Juízes Vagabundos e das Elites Podres. O Brasil parou para enviar emails, criar páginas de apoio à Corregedora no Facebook, escrever posts em blogs... num movimento inédito de solidariedade e alinhamento com a Grande Mulher da Justiça.


Só este pequeno mas brioso Abra a Boca, Cidadão! publicou mais de 100 posts sobre Eliana Calmon e o CNJ - Conselho Nacional de Justiça.




E hoje a nossa querida, destemida e altiva presidenta e ex-guerrilheira Dilma Rousseff instala a Comissão da Verdade, que deve fazer nos próximos dois anos uma apuração profunda dos crimes do Estado brasileiro contra cidadãos que lutaram para a derrubada da ditadura e a redemocratização do Brasil.


Esta blogueira que vos escreve participou ativamente de movimentos de rua - passeatas, atos públicos, assembleias estudantis - e manifestos escritos, nos anos 70 e 80, e viveu intensamente estes anos de chumbo como cidadã e estudante da USP.


A Blogueira e o ABC! acompanharão atentamente todos os trabalhos da Comissão da Verdade e ajudarão no que for possível para o resgate fiel do passado e a construção da verdadeira história do País neste período sombrio.


Vamos lá, gente! Vamos todos participar, colaborar, acompanhar esse Momento Mágico que o Brasil vive...



Comissão da Verdade quer criar “Wikipédia da ditadura”

Em regimento que será discutido hoje será aberta a possibilidade de abrir arquivos para contribuição de internautas

Wilson Lima



 
   Presidenta Dilma Rousseff empossa hoje membros da Comissão da Verdade
                                                                                                           Foto: Agência Brasil

Oficialmente, a Comissão da Verdade, cujos sete membros serão empossados hoje a partir das 11h pela presidenta Dilma Rousseff, terá dois anos para “examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos” praticadas entre 1964 e 1988. No entanto, na primeira reunião dos sete membros do órgão, também marcada para hoje, será discutida a possibilidade de ampliar essas apurações por um tempo indeterminado.


Isso porque, na proposta de regimento interno da Comissão da Verdade, ao qual o iG teve acesso, discute-se uma maneira de abrir os arquivos resultantes da investigação para acesso dos internautas. A ideia é achar uma fórmula para que pessoas que não possam ser ouvidas diretamente pela Comissão também deem a sua contribuição pela internet. Seria uma espécie de Wikipédia da ditadura. Dessa forma, mesmo com o final da investigação formal, abre-se uma brecha para continuar as discussões sobre crimes ocorridos durante o regime militar.


Uma outra discussão que ocorrerá dentro da Comissão da Verdade é a possibilidade de renúncia a eventuais ajudas financeiras. No esboço do regimento interno, um artigo abre a possibilidade para que os membros renunciem a qualquer ajuda de custo da iniciativa privada para o desenvolvimento dos trabalhos do órgão. O art. 8º da lei que instituiu a Comissão da Verdade (a nº 12.528, de 18 de novembro de 2011) autoriza a Comissão a também captar recursos por meio de instituições de ensino superior ou organismos internacionais. Pela lei, os membros terão direito a salário de R$ 11,1 mil mais diárias e passagens para deslocamentos fora de seu domicílio.

A proposta do regimento interno da Comissão da Verdade também prevê a inexistência da figura do presidente. Haverá um coordenador com mandato de três meses. A exceção será o primeiro coordenador cujo mandato será de seis meses. O primeiro mandato será mais longo por dois motivos: garantir a tranquilidade para a resolução de problemas burocráticos ligados à instalação do órgão (nomeação de assessores e definição de local/locais de trabalho, entre outros) e possibilitar que todos os membros tenham a oportunidade de coordenar os trabalhos durante um determinado período. O primeiro coordenador deve ser o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Gilson Dipp.

As reuniões da Comissão da Verdade devem acontecer a cada 15 dias, embora na proposta de regimento interno sejam colocadas outras duas opções: reuniões semanais e mensais. A primeira opção é vista como cansativa por alguns membros; a segunda, como excessivamente distante para a discussão de determinados assuntos. Provavelmente a Comissão será sediada em Brasília.

Na primeira reunião também será definido o foco das primeiras investigações da Comissão da Verdade. A ideia a princípio é ater-se aos crimes mais graves, como torturas e casos de assassinatos. O ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias, é simpático à possibilidade de que crimes cometidos pela esquerda também sejam investigados. A própria Comissão já tem uma lista com 119 crimes deste gênero, conforme o iG antecipou ontem. Mas a tendência é que cerca de 70% da investigação se atenha a atos cometidos pelo Estado durante o regime militar.

Um nome dado como certo para o início das investigações da Comissão da Verdade é o ex-delegado do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) do Espírito Santo Cláudio Guerra. Ele fez várias revelações sobre o regime militar no livro “Memórias de uma guerra suja”. Entre as quais, ele admite ter incinerado pelo menos dez corpos de ativistas de esquerda em uma usina de açúcar.

A posse dos sete membros da Comissão da Verdade ocorrerá em uma cerimônia na qual estarão presentes os ex-presidentes José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. A intenção da presidenta é mostrar que o órgão “não é uma comissão de governo, e sim de Estado”.

Confira quem são os membros da Comissão da Verdade

José Carlos Dias
Nascido em 1939, José Carlos Dias é graduado em direito pela Universidade de São Paulo (USP) e foi presidente da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo, foi secretário de Justiça durante o governo de Franco Montoro e ministro da Justiça do tucano Fernando Henrique Cardoso. O ministro foi demitido por FHC após criticar o então secretário antidrogas Walter Maierovitch por ter antecipado a realização de uma operação contra o tráfico. Atualmente, Dias exercia o cargo de conselheiro da Comissão de Justiça e Paz. Dias foi um dos signatários da Carta aos Brasileiros, redigida em 1977, na faculdade de Direito da USP, repudiando a Ditadura Militar. Dias também foi advogado de presos políticos e atuava diretamente na Justiça Militar, durante o regime. Nos últimos anos, Dias também vem trabalhando em favor das minorias como grupos homossexuais.

Gilson Dipp
Foi considerado em 2009 um dos 100 brasileiros mais influentes, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é considerado um juiz rigoroso em suas decisões. Em 14 de abril, por exemplo, ele negou liminar impetrada pela defesa de Carlinhos Cachoeira pedindo a defesa do bicheiro. Ele está no STJ desde 2008. Atualmente, ele tem como maior missão a reforma no Código Penal brasileiro. No novo Código estão sendo estudados atos ligados ao aborto e criminalização do enriquecimento ilícito.

Cláudio Fontelles
Procurador-geral da República entre 2003 e 2005, Fontelles atuou no movimento político estudantil como secundarista e universitário e foi membro do grupo Ação Popular (AP), que comandou a União Nacional dos Estudantes (UNE) na década de 60. É considerado um homem de centro.

Rosa Maria Cardoso da Cunha
Hoje com 65 anos e dona de um escritório de advocacia, Rosa Maria Cardoso da Cunha foi advogada da presidenta Dilma Rousseff (PT) durante o regime militar e também de Carlos Franklin Paixão de Araújo, ex-marido da petista. Especialista em defender presos políticos, constantemente era alvo de revistas vexatórias dos militares. Houve ocasiões em que precisou ficar completamente nua na frente dos militares antes da visita de alguns de seus clientes, normalmente líderes da esquerda.

José Cavalcanti Filho
José Cavalcanti Filho é advogado e considerado um homem com uma boa formação em direitos humanos. Foi ministro interino da Justiça e ex-secretário-geral do ministério da Justiça no governo José Sarney. É consultor da Unesco e do Banco Mundial. Foi presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) entre 1985 e 1986. Ele também atuou como advogado de presos políticos durante o regime militar.

Paulo Sérgio Pinheiro
Diplomata, Paulo Sérgio Pinheiro é considerado o homem da “experiência internacional” da Comissão da Verdade e tem uma formação sólida em causas ligadas aos Direitos Humanos. Professor da Universidade de São Paulo (USP), Pinheiro foi secretário especial de Direitos Humanos no governo Fernando Henrique Cardoso. Participou do grupo de trabalho nomeado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsável por preparar o projeto da Comissão da Verdade. É Relator da Infância da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Maria Rita Kehl
Psicanalista, cronista e crítica literária. Foi editora do jornal Movimento, um dos mais importantes entre as publicações alternativas que circularam durante o período militar. Trabalhou nos principais veículos de comunicação do país. É autora de seis livros e vencedora do Prêmio Jabuti. É apontada como mulher com grande compromisso na defesa dos Direitos Humanos.


Portal iG
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terça-feira, 15 de maio de 2012

Torturador fala de Dilma: "Uma guerrilheira durona"



Depois de se esconder do "esculacho" que membros do Levante Popular da Juventude fizeram ontem (post anterior) diante do prédio em que mora no Guarujá, litoral sul de São Paulo, o tenente-coronel reformado Maurício Lopes Lima, acusado de ter sido torturador da presidenta Dilma Rousseff nos tempos da ditadura, deu entrevista ao jornal O Globo.


Negando que tenha seviciado a presidenta, o militar da reserva afirmou que a subversiva Dilma Vana Rousseff jamais pegou em armas, era uma "boa guerrilheira", durona, e "não é flor que se cheire (...) enfrentou o próprio Lamarca e o Lamarca era meio 'tantã' (...) Podia ter dado um tiro nela tranquilamente"...




                                                  


Militar da reserva acusado por Dilma de tortura nega crimes

Tatiana Farah


Ele não escondeu que pode mentir no processo que sofre do Ministério Público Federal

                    O tenete-coronel reformado, Maurício Lopes Lima, acusado de tortura
                    na ditadura militar, em seu apartamento no Guarujá
                    O GLOBO / MICHEL FILHO


GUARUJÁ (SP) - De bermuda e chinelos, com uma barriga que extrapola a barra da camiseta branca e puída, o tenente-coronel reformado Maurício Lopes Lima nem de longe lembra o homem da pomposa foto do Exército, o mesmo acusado pela presidente Dilma Rousseff e por dezenas de presos políticos de torturas e abusos durante o regime militar. Aos 76 anos e se dizendo "quase gagá", Lima ficou trancado em seu apartamento, sozinho, esperando que os manifestantes do Levante Popular da Juventude fizessem seu esculacho, na porta do prédio de classe média onde mora no Guarujá, litoral paulista.

Alguns vizinhos desceram dos apartamentos para ouvir os jovens gritando que, "sob a aparência de um senhor aposentado, se esconde um monstro que assassinou camaradas, trabalhadores e estudantes". Relutante, o militar da reserva acabou recebendo a reportagem em seu apartamento. Negou os crimes de tortura e não escondeu que pode mentir no processo que sofre do Ministério Público Federal, que o acusa de cometer crimes contra 20 pessoas, entre eles três assassinatos. Lima conta que esteve com Dilma em três ocasiões e que a então guerrilheira era "durona", mas não pegava em armas.

O GLOBO: O que o sr. acha da manifestação desses jovens?

MAURÍCIO LOPES LIMA: Acho um besteróide. O Partido Comunista do Brasil e o Partido Comunista Brasileiro em tempos passados tentaram revolucionar este país. Agora, pelo menos, eles estão levando a garotada para a bagunça. O PCdoB levou a garotada para a Guerrilha do Araguaia. Eles são os culpados, eles que fizeram a guerrilha. Nós cumprimos um papel de quem reage.

O sr. é processado pelo Ministério Público Federal pela morte de Virgílio Gomes da Silva (o “Jonas”, da Aliança Libertadora Nacional-ALN). Qual a sua defesa?

LIMA: Eu não estava lá. Foi no dia 29 de setembro e eu entrei na Oban (Operação Bandeirantes) em 5 de outubro de 1969.

Ele já estava desaparecido?

LIMA: Ele estava morto mesmo. Eu tive notícias, eu não sabia que era Virgílio, mas sabia que um terrorista tinha morrido ali.

O senhor é acusado de outros cinco desaparecimentos pelo MPF...

LIMA: Outros cinco? Vocês ainda acreditam no Ministério Público Federal? Ele mente.

E há denúncias de tortura (são 20 acusações) ...

LIMA: Existe uma coisa que é o livro do Frei Betto, o “Diário de Fernando”. Ele demonstra a força do coletivo: tinha o coletivo da cela, o coletivo da ala. E o que o coletivo assumia passava a ser verdade. Quando chegava a parte do advogado, ele já fazia de comum acordo com o que estava previsto no coletivo. Sobre a morte do Virgílio? Eu não estava lá. Sobre a tortura da filha do Virgílio, eu não estava lá.

O senhor tem uma cópía da ficha da Dilma no Dops, aquela que dizem que é falsa. Ela é falsa?

LIMA: Pode ser. O Dops era uma organização que tinha vida própria. O Dops era uma coisa, a OB (Oban) era uma coisa. Inclusive havia um conflito imenso entre o Dops e a Oban. Motivo: (delegado) Fleury. Porque o Fleury queria fazer certas coisas que nós não concordávamos. Fleury escondia informações. Fleury fazia o que queria.

E disseram que ele ganhava um dinheiro também?

LIMA: O problema de ganhar dinheiro depende da... eu não ganhei nenhum tostão. O delegado eu não sei. Eu posso até ter certeza de que ele era um homem que frequentava a noite, mas eu não tenho como acusar.

O sr. esteve em algum momento com a presidente Dilma?

LIMA: Eu tive três momentos. O primeiro quando ela foi presa. Nós tínhamos a suposição de que ela era a Dilma e não tínhamos certeza. Chegaram para mim e disseram “Maurício, você tem o dossiê da Dilma?”. E eu: “tenho.”

O que dizia esse dossiê?

LIMA: O nome, o nascimento, o nome do amante (risos), o que ela era na organização etc.

E o que ela era na organização?

LIMA: Ela era amante de um dos dirigentes (ele se refere a Carlos Araújo, o "Max", da VAR-Palmares). Mas ela tinha ação. Ela fazia uma ligação entre a cúpula e as regionais. Disso eu não tenho dúvida.

Ela pegou em armas?

LIMA: Não. Chegou aqui um jornalista, me tentou de todas as maneiras dizer que a Dilma tinha pego em armas. Mas eu digo: como é que eu vou dizer se eu tenho certeza que ela não pegou.

Mas aí ela já estava presa e o sr. precisava identificar se era ela mesmo?

LIMA: Eu cheguei e falei: dona Dilma Vana Rousseff Linhares, a senhora nasceu em tanto, na cidade de tal, seu pai era tal, o seu marido. Quando eu falei no amante dela, ela falou: “É, eu sou a Dilma mesmo, você sabe mais do que eu”. Dois dias depois, ela foi designada para percorrer os locais que ela denunciou. O primeiro que ela denunciou era uma fábrica de bombas que já tinha explodido. E eu: “ih, essa daí...” A segunda foi um pé-de-chinelo que Deus me livre e a terceira foi um terrorista que morava com a mãe em um aparelho.


Ela não entregou ninguém importante (para a organização)?

LIMA: Importante ela não entregou.

O sr. achou que ela era “jogo duro”?

LIMA: Eu já sabia. Ninguém galga uma certa posição numa organização sem ter coragem. Vocês estão vendo a Dilma aí, o que ela faz. O Lula, com todo o endeusamento, nem pensou em fazer e ela está fazendo. Então, calma que ela não é, como eu digo, não é flor que se cheire. Ela é durona. Ela enfrentou o próprio Lamarca e o Lamarca era meio “tantã”, certo? Podia ter dado um tiro nela tranquilamente. E ela enfrentou e conseguiu dinheiro, conseguiu armas quando teve a separação da VAR-Palmares (de Dilma) com a VPR (de Lamarca). As duas organizações se uniram por um pequeno prazo, acho que uns três meses.

E a separação maior foi pelo dinheiro do cofre do Adhemar de Barros?

LIMA: O dinheiro e o armamento. A Dilma exigiu a divisão do dinheiro e do armamento.

Brigar com os líderes do Congresso hoje é “fichinha” para ela?

LIMA: Sim. Eu não tenho nada contra ela. Acho que foi uma boa guerrilheira. Agora, dizer que era boazinha, não, não. Mas não pegou em arma. Isso eu garanto. Eu não encontrei a mais leve. Para mim, seria ótimo dizer que ela era terrorista. Não é. Ela pertencia a uma organização subversiva e acabou. Na auditoria, ela declara que não pode aceitar o capitão Maurício Lopes Lima como testemunha porque ele é um dos torturadores da Oban. Ela declarou isso e mais dois ou três declararam a mesma coisa. Por favor, foram depoimentos arrumados. Ela disse várias vezes (em entrevistas posteriores) que eu não a torturei. O direito de qualquer réu é não criar provas contra si. Isso quer dizer: pode mentir que não tem problema.

O sr. está dizendo que Dilma mentiu?

LIMA: Não. Ela exerceu um direito. É diferente de chamar apenas de mentirosa. Como agora no julgamento, se for necessário, eu posso exercer esse direito também. Isso é inerente à Justiça brasileira.

Por que a presidente disse, em entrevista, que o sr. não “batia bem da bola”?

LIMA: Porque eu entrava nos aparelhos, aquele negócio, eu não tinha medo. Se me dessem tiro, eu dava tiro também.

O sr. matou muita gente?

LIMA: Não, não matei ninguém.

Nem em confronto?

LIMA: Em confronto morreram dois comigo, que são justamente dois casos que estou sendo acusado pelo Ministério Público, que foram Antonio dos Três Reis e Alceni (Maria Gomes da Silva). Me disseram que em um aparelho, dentro de um alçapão, poderia ter um terrorista. Abri o alçapão, saiu um terrorista e me deu seis tiros. Eu saltei para trás, rolei e saí da linha de tiro.

O sr. tem as marcas de bala?

LIMA: Nenhuma. Não acertou nenhuma. Um blog comunista disse que era muito engraçado não ter acertado nenhuma. É que o "lá de cima" não é comunista. Se fosse, tinha acertado. Não tenho culpa. Tenho sorte. Virei quase uma lenda de “corpo fechado” por causa dessas porcarias. Ele descarregou a arma, deu uma paradinha de uns três segundos, deu mais um tiro e aí o acertaram.

O sr. estava com colete? Já se usava naquela época?

LIMA: Não se usava nem colete nem mulher. Se precisasse de uma mulher tinha uma peruca. Ficavam lindos, de peruca na campana.

O sr. imagina que vá ser convocado para a Comissão da Verdade?

LIMA: Que verdade? Tem um livro chamado Direito à Memória e à Verdade feito pela Presidência da República. Ali só contém mentira. Ali foram coletadas as declarações à auditora (militar).

E as declarações feitas sob tortura? Não são mentira?

LIMA: A defesa de todos é que tinham sido torturados.

E não foram?

LIMA: Tenho certeza que muitos não foram. Não vou dizer nomes.

A presidente Dilma não foi torturada?

LIMA: Não sei, não sei, não sei.

Não tinha a cadeira do dragão lá, o senhor nunca viu?

LIMA: Vi, opa! Mas a cadeira do dragão tem várias coisas. Ela tem por exemplo o intuito de deixar a pessoa... Uma das defesas da pessoa são os gestos. Estou me defendendo aqui, estou fazendo os gestos. Quando você prende mãos, a pessoa fica sem (defesa).

Ah, coronel, por favor, o senhor acha que era isso que faziam na cadeira do dragão? Amarrar a pessoa?

LIMA: Muitos nem se amarravam. Por exemplo, tinha os cubanos, os que fizeram curso em Cuba. Esses daí não precisava torturar em nada. Com a prisão eles contavam tudo. Motivo: o curso em Cuba colocava tal medo nas pessoas que, quando o "cubano" caía aqui, ele dizia: não precisa fazer nada comigo que eu conto tudo.

Mas existem laudos médicos que mostram que as pessoas foram torturadas.

LIMA: Sim, mas quantos? Em 30 mil, quantos?

O sr. acha admissível a tortura como método de investigação?

LIMA: Eu não, mas tem várias pessoas que aceitam. Existem várias correntes que dizem que a tortura para se conseguir as informações é melhor do que deixar de capturar o terrorista.

Mas mesmo assim o senhor nunca torturou?

LIMA: Não, eu não precisava.

O sr. é acusado também de ter torturado o Frei Tito.

LIMA: Absolutamente. Fui ver o Frei Tito ele já com os braços cortados e o levei ao Hospital das Clínicas. Ele havia tentado se suicidar.

O sr. se arrependeu de alguma coisa?

LIMA: Não. O que eu quero que você saiba é que eu não acuso ninguém de mentira. Esse combate todo é uma mentira.



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