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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A banda boa e a banda podre das coisas



O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Cezar Peluso, ficou indignado quando a Corregedora Nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, há quase um mês, se declarou preocupada com a infiltração de "bandidos de toga" no Judiciário. O ministro divulgou nota condenando as afirmações da corregedora, praticamente exigindo uma retratação. Que, aliás, não veio.


O Brasil inteiro sabe que a ministra não exagerou. O Brasil todo sabe que a ministra tem razão.


Mas bandidagem não é "privilégio" do Judiciário. Banda podre existe em tudo o que é atividade.


Na política, há a banda podre e a banda boa. No Executivo e no Legislativo, nos níveis federal, estadual e municipal. Nas eleições, o povo tem o poder de ir depurando de tais excrescências o Congresso Nacional, demais casas legislativas e os governos de estados e prefeituras.


Na medicina, no magistério, no esporte, nas religiões, no jornalismo... Até na blogosfera há banda boa e banda podre, gente arrogante, que se pretende dona do ciberespaço. Alguém aí ignora que na advocacia há profissionais íntegros, mas também muita porcaria, muita patifaria?


O universo em que estamos imersos é dual, bipolar: quente e frio, negativo e positivo, feminino e masculino, Bem e Mal, luz e trevas...


E por falar em trevas... Até nas famílias há banda boa e banda podre. Há familiares dignos, solidários, gente honesta e trabalhadora, e há também os familiares facínoras, estelionatários, bandidos, assassinos de cachorros, derrubadores de árvores centenárias, ladras e ladrões. 

O Judiciário é constituído por homens e mulheres, de carne e osso. E bolso. Não é e nem nunca foi um reino angelical. No Brasil, é um superpoder, que diz da licitude dos fatos, repara ou deveria reparar injustiças, se pronuncia muitas vezes sobre grandes e inconfessáveis interesses...


É preciso democratizar o Judiciário. Extirpar os cancros, dar força e respaldo aos magistrados dignos e honrados, como a ministra Eliana Calmon, como o juiz Fausto De Sanctis e tantos outros.


O STF está para julgar ação que tira poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de investigar e punir juízes e desembargadores. Fiquemos atentos. Cabe à sociedade se mobilizar, se manifestar contra esta manobra corporativista, que interessa à banda podre, mas não interessa ao povo brasileiro.


Por um Judiciário aberto, limpo, não elitista, transparente, democrático e cidadão!






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domingo, 23 de outubro de 2011

Revolução mundial e cidadania planetária


Os 10 princípios da Ética Planetária
Clube de Budapeste

VIVA COM RESPEITO PELOS OUTROS E PELA NATUREZA

1. Viva de uma maneira que satisfaça suas necessidades básicas sem tirar dos outros a oportunidade de satisfazerem as necessidades deles.

2. Viva de uma maneira que respeite o direito inalienável de todas as pessoas à vida e ao desenvolvimento, onde quer que elas vivam e quaisquer que sejam suas origens étnicas, sexo, racionalidade, posição social e sistema de crenças.

3. Viva de uma maneira que respeite o direito intrínseco à vida e a um ambiente que dê apoio à vida de todas as coisas que vivem e crescem na Terra.

4. Busque a felicidade, a liberdade e a realização pessoal em harmonia com a integridade da Natureza e levando em conta as buscas similares de seus semelhantes na sociedade.

AJA PARA CRIAR UM MUNDO MELHOR

5. Exija de seu governo que se relacione com os outros povos e países pacificamente e num espírito de cooperação, reconhecendo as aspirações legítimas de todos os membros da comunidade internacional por uma vida melhor e um meio ambiente saudável.

6. Exija das empresas que manifestem preocupação adequada pelo bem-estar de todos os seus stakeholders e pela sustentabilidade do meio ambiente, produzindo bens e oferecendo serviços que satisfaçam a demanda corrente sem degradar ou poluir a Natureza, sem reduzir as oportunidades das pessoas pobres de participar da economia nem as oportunidades das empresas locais de competir no mercado.

7. Exija dos meios de comunicação que divulguem informações contínuas e confiáveis sobre as tendências básicas e os processos cruciais, assim permitindo que os cidadãos e os consumidores tomem decisões abalizadas sobre questões que afetam sua saúde, sua prosperidade e seu futuro.

8. Abra espaço em sua vida para ajudar os menos favorecidos a viver com dignidade básica e trabalhe com pessoas de mente semelhante à sua, próximas ou distantes, para preservar ou restaurar os equilíbrios essenciais do meio ambiente.

DESENVOLVA SUA CONSCIÊNCIA

9. Desenvolva sua consciência para perceber a interdependência vital e a unidade essencial da família humana, para aceitar e apreciar sua diversidade individual e cultural e para reconhecer que uma consciência alçando-se à dimensão planetária é um imperativo para a sobrevivência humana no século XXI.

10. Use o exemplo e a orientação da sua consciência em expansão para inspirar e motivar os jovens (e pessoas de todas as idades) a desenvolverem aquele espírito que lhes dará o poder de tomar decisões morais sobre as questões críticas que decidirão o futuro deles próprios e o futuro de toda a humanidade.


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Líbia e Japão: Barbárie e Civilização



Depois das cenas perturbadoras de barbárie ensanguentada dos últimos dias, promovidas por um bando de bestas enfurecidas que escaparam de suas jaulas, vai bem um pouco de civilização e refinamento. 


Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão, me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês: kokoro.
Kokoro ou Shin significa coração-mente-essência.
Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar a serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada?
terremoto0015pOutra palavra é gaman: aguentar, suportar. Educação para ser capaz de suportar dificuldades e superá-las.
Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo de duas maneiras. A primeira pela violência do tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima. A segunda pela disciplina, ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas. Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para os banheiros.
Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém. Compartilhavam cobertas, alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se mantinha em sua área. As crianças não faziam algazarra, não corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado.
Não furaram as filas para assistência médica – quantas pessoas necessitando de remédios perdidos – mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção médica, alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água.
Compartilharam também do resfriado, da falta de água para higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte.
1pNos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques. Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo pouco que recebiam. Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro: coração de gratidão.
Sumimasen é outra palavra chave. Desculpe, sinto muito, com licença. Por vezes me parecia que as pessoas pediam desculpas por viver. Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar falar com você, ou tocar à sua porta. Desculpe pela minha dor, pelas minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos causando ao mundo. Sumimasen.
Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus sentimentos, necessidades. Quando cuidamos da vida como um todo, somos cuidadas e respeitadas.
O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de mim, perderei. Cada um de nós, cada uma de nós é o todo manifesto.
Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a realidade, sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico. As vítimas encontradas, vivas ou mortas, eram gentilmente cobertas pelos grupos de resgate e delicadamente transportadas – quer para as tendas do exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias, helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais.
Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de que "somos um só povo e um só país".
Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi telefonemas. Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da confiança nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que não cancelasse nossa viagem em Julho próximo.
Aprendemos com essa tragédia o que Buda ensinou há dois mil e quinhentos anos: a vida é transitória, nada é seguro neste mundo, tudo pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente.
2pReafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo está interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de salvar a Terra. O planeta tem seu próprio movimento e vida. Estamos na superfície, na casquinha mais fina. Os movimentos das placas tectônicas não têm a ver com sentimentos humanos, com divindades, vinganças ou castigos. O que podemos fazer é cuidar da pequena camada produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos. E isso já é uma tarefa e tanto.
Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento compartilhado leva à reconstrução.
Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que acompanharam os eventos que se seguiram a 11 de março.
Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a amar e respeitar.
Havia pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. E só posso dizer : todas. Todas eram e são pessoas de meu conhecimento. Com elas aprendi a orar, a ter fé, paciência, persistência. Aprendi a respeitar meus ancestrais e a linhagem de Budas.
Mãos em Prece (gassho)
Monja Coen






 Site da Monja


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sábado, 22 de outubro de 2011

A barbárie executou Khadafi



Ao que tudo indica, os "donos do mundo", por meio de um bando de quadrúpedes enfurecidos, assassinaram barbaramente Muamar Khadafi.


Diante de imagens tão perturbadoras, é de se perguntar...


Vivemos num mundo moderno ou numa selva? Habitamos um planeta evoluído ou o mundo animal?


Depois de Osama Bin Laden e Muamar Khadafi...


Quem será o próximo?




Kadafi foi finalmente assassinado por Obama, Sarkozy, Angela Merkel e a Otan

Em homenagem ao nascimento da primeira filha, Sakozy 
oferece à recém-nascida a cabeça de Kadafi.

Belo presente!


Qual o próximo da lista?

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Khadafi e a bestialidade humana



É... talvez esta blogueira seja muito sensível, mesmo. Mas as imagens que vejo desde ontem nos portais dos grandes jornais, das agências de notícias, são aterradoras, estarrecedoras. "Perturbadoras", como declarou a alta comissária de Direitos Humanos da ONU.


A animalidade, a bestialidade daquele bando de "rebeldes" que cercam um ensanguentado Khadafi, ainda vivo, berrando, urrando, grunhindo como animais... e depois, com a mesma selvageria, inebriados pelo sangue, já diante de um cadáver.


Eu queria falar sobre isso, sobre as marchas mundiais pela democracia, pela justiça, que vêm acontecendo em tantos países, mobilizações cheias de indignação, mas em geral pacíficas e até muitas vezes bem humoradas... e sobre esse mundo animal que ainda sobrevive no chamado mundo civilizado.


Não consigo escrever mais.


Talvez seja uma fragilidade desta alma artista-mística-ativista...


Enterro é cercado de mistérios



Reprodução de imagem da TV árabe Al Jazira mostra imagem do coronel Kaddafi caído
O enterro de Muammar Kaddafi, ex-presidente da Líbia, está cercado de mistérios e informações desencontradas. As autoridades do Conselho Nacional de Transição (CNT), que governam o país provisoriamente, evitam detalhar o local onde o corpo será enterrado e informar a data da cerimônia para evitar peregrinação e manifestações.
A morte de Kaddafi levanta uma série de dúvidas sobre as circunstâncias exatas de sua captura. Fotos e vídeos mostraram o ex-líder vivo e ensanguentado, logo depois da captura, em uma ofensiva contra sua cidade natal, Sirte. Também há imagens que mostram que Kaddafi foi capturado e arrastado pelas ruas e teve o corpo agredido.

Há informações também de que Mutassim Kaddafi, filho do ex-presidente e ex-conselheiro de segurança nacional, morreu na ofensiva. Os relatos sobre a morte de Saif Al Islam, filho de Kaddafi apontado como seu sucessor, são conflitantes. O ministro da Justiça interino da Líbia, Mohammad Al Alagi, disse que Islam foi capturado e estava hospitalizado e não há mais informações.
O corpo de Kaddafi, segundo integrantes do CNT, é mantido em uma mesquita em Misrata, cidade para onde ele foi levado depois de sua captura na cidade de Sirte – cidade natal de Kaddafi. No entanto, representantes do conselho informaram que o sepultamento do ex-presidente ocorrerá seguindo os preceitos muçulmanos e respeitando o corpo. Ontem (20), entretanto, o corpo de Kaddafi foi exposto pelas ruas de Misrata.


ONU quer investigação
A situação levou a alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Navi Pillay, a defender uma investigação completa sobre a morte de Kaddafi. Pillay classificou como “perturbadoras” as imagens que mostram que o ditador estava vivo quando foi capturado, segundo seu porta-voz, Rupert Colville.

O Conselho Nacional de Transição da Líbia nega ter executado Khadafi. Segundo o órgão, ele morreu em decorrência de um tiro na cabeça, em meio aos embates entre seus simpatizantes e os opositores ao antigo regime.

Porém, o médico Ibrahim Tika, que examinou o corpo, disse que ele morreu por causa de um tiro no abdome. “Kaddafi estava vivo, quando foi preso, e morreu depois. Uma bala perfurou seu intestino”, contou o médico. “Depois, ele recebeu um tiro na cabeça”, acrescentou.

As informações do médico aumentam as controvérsias sobre as circunstâncias da morte do ex-presidente. O emissário do CNT na França, Mansour Saif Al Nasr, negou que Khadafi tenha sido vítima de linchamento.

Os relatos de integrantes do conselho são de que Khadafi estava a bordo de um jipe, em meio a um comboio que foi alvo de tiros dos opositores. O ex-presidente, segundo o CNT, tentou escapar entrando em um esgoto, tendo, em uma mão, uma metralhadora kalachnikov e na outra, uma pistola. Mas foi rendido e deixou de reagir.

Operação da Otan

Um dia após a morte de Muammar Kaddafi, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que a intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no país africano chegou ao fim. O mandatário francês pediu que o povo líbio adote o “perdão, a reconciliação e a unidade.”

Também nesta sexta-feira 21, o ministro de Relações Exteriores da França, Alain Juppé, disse que o país vai apoiar as autoridades interinas da Líbia na transição para um governo democrático. “Nosso objetivo não era matar Gaddafi e sim forçá-lo a abandonar o poder”, destacou.

Os países membros da Otan devem se reunir durante a tarde em Bruxelas, na Bélgica, para debater sobre o final das operações militares na região, iniciadas em 31 de março.

Segundo o CNT, a proclamação da libertação total da Líbia deve ocorrer entre sexta-feira e sábado, colocando fim ao conflito que já dura oito meses e matou pelo menos 30 mil pessoas.

O CNT, reconhecido como representante legítimo do povo líbio pela ONU e outros 60 países, publicou em setembro uma “declaração constitucional”. Pelo documento, um governo de transição deve ser adotado em até um mês após a proclamação da libertação.

O governo de transição deve organizar eleições gerais em oito meses e entregar os poderes a uma Assembleia eleita.


Com informações  da AFP, Agência Brasil, da BBC Brasil e da emissora pública de rádio da França.
*Veja mais notícias da AFP.

Quem matou Khadafi ?



A Anistia Internacional  exige investigação para apurar as circunstâncias da morte do coronel Muammar Khadafi, líder deposto da Líbia, que morreu ontem em Sirte, sua cidade natal, após ser preso.


Também o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos pediu investigação ampla, ante a possibilidade de que Khadafi tenha sido sumariamente executado.


Khadafi foi capturado vivo e recebeu um tiro na cabeça, segundo algumas fontes, episódio parecido com a execução de Osama Bin Laden. Hoje já se fala em tiros na barriga e intestinos. Há relatos de que o coronel, ao ser capturado, suplicou: "Não atirem! Não atirem, meus filhos!"



Como sabem, aqui defendemos os direitos humanos, não a lei da selva. Bestas enfurecidas devem ser enjauladas. Até os assassinos mais crueis devem ter reconhecido seu direito a julgamento por um tribunal imparcial. Ninguém tem autoridade para executar ninguém.

E reiteramos o que foi dito ontem:


Esperamos que as lideranças mundiais não venham a público "comemorar" a morte do coronel, como fez o arrogante dono do mundo e Prêmio Nobel da "Paz", Barack Obama, após a execução de Bin Laden perpetrada por norte-americanos. Não se comemora morte de quem quer que seja, mesmo dos inimigos mais atrozes.

Khadafi é uma figura no mínimo controversa. Há os que o eudeusam e os que o condenam como sanguinário ditador.

O ABC! não fará nem uma coisa nem outra. Torcemos e vibramos pela população líbia. Para que cesse a violência no país e para que o povo líbio encontre muito em breve o caminho do desenvolvimento, da Justiça e da Paz.

Leiam mais abaixo.



Fim sem misericórdia levanta questão: quem matou Kadafi?


Relatos inconsistentes provocam dúvidas sobre quem desferiu golpe fatal contra ex-líder morto em sua cidade natal, Sirte.


Retirado à força de uma tubulação, um Muamar Kadafi ferido ergueu suas mãos para o céu e implorou aos combatentes do Conselho Nacional de Transição da Líbia: "Não me matem, meus filhos." Dentro de uma hora, ele estava morto, mas não sem antes ter seu corpo vingado por décadas de ódio. Tropas puxavam os cabelos do excêntrico ditador e desfilaram seu corpo ensanguentado no capô de uma caminhonete.


O fim violento do líder na cidade onde nasceu, Sirte, representou a morte de um regime que comandou com mãos de ferro durante 42 anos e foi derrubado por um levante popular iniciado em fevereiro que se tornou uma sangrenta guerra civil. Kadafi, foragido havia dois meses, foi o primeiro chefe de Estado deposto pelas revoltas da Primavera Árabe que acabou morto.


Antes da confirmação oficial da morte, uma profusão de imagens de seu corpo começou a circular pela internet. O canal de TV Al-Jazeera levou ao ar um vídeo com um Kadafi muito ferido, mas ainda vivo, sendo arrastado por homens armados até uma caminhonete. A rede transmitiu em seguida uma filmagem da parte superior de seu corpo, parcialmente despido, com um rosto apático e ferido por uma bala na cabeça. Nela, combatentes anti-Kadafi celebravam, fazendo disparos para o ar. Um terceiro vídeo, publicado no YouTube, mostrou tropas cercando animadamente o corpo do líder deposto, aparentemente sem vida. A cabeça era puxada pelos cabelos para enfatizar nas fotografias o rosto do homem morto.


Essas perturbadoras imagens do corpo de Kadafi levantam questões sobre o autor do golpe fatal e sobre como foi executada a operação dos combatentes com auxílio da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).


Confira abaixo os principais relatos que apontam como seu longevo regime chegou ao fim:


- Uma autoridade europeia que estava a par das operações da Otan disse que há dias existiam fortes suspeitas de que Kadafi e seus filhos estavam escondidos em três edifícios localizados no quadrante noroeste de Sirte. O oficial, que falou anonimamente, disse que a Otan e os combatentes do CNT acreditavam que, se Kadafi estava em um daqueles prédios, tentaria fugir a qualquer momento.


- Nas primeiras horas da quinta-feira de 20 de outubro, as forças revolucionárias retomaram uma ofensiva em Sirte contra os partidários de Kadafi, que haviam recuado para um bloco de prédios com uma área aproximada de 600 m².


- Um comboio composto por cerca de 80 veículos saiu do prédio, e as tropas leais ao CNT tentaram interceptá-lo, segundo relato de Fathi Bashagha, porta-voz do Conselho Militar de Misrata. No comboio que levava o líder deposto também estava Abu Bakr Younis Jabr, líder do Exército, e Mutassim, um dos filhos de Kadafi. Um avião não-tripulado dos EUA avisou a Otan, que ordenou um ataque aéreo contra os veículos.


- De acordo com o ministro da Defesa da França, Gerard Longuet, por volta das 8h30 do horário local (4h30, horário de Brasília), o ataque foi lançado por jatos franceses a cerca de 3 km a 4 km a noroeste da cidade, forçando os veículos a parar.


- Em terra, os combatentes atacaram os partidários de Kadafi com foguetes, morteiros e armas, em uma batalha campal que durou três horas. Alguns membros do comboio escaparam a pé dos veículos, relatou Bashagha, enquanto eram perseguidos.


- O líder deposto e seus companheiros buscaram refúgio em uma tubulação sob uma estrada não muito longe do local do bombardeio.


Combatente do CNT mostra um duto de concreto onde Kadafi teria sido capturado
em Sirte, segundo uma das versões para a morte do líder deposto da Líbia Foto: AFP

- Forças do CNT cercaram Kadafi. "Primeiro, atiramos neles com morteiros, mas sem sucesso. Então fomos a pé. Um dos homens de Kadafi saiu agitando seu rifle para o ar... assim que viu meu rosto, começou a atirar em mim. Acho que Kadafi deve ter dito a eles para que parassem. 'Meu mestre está aqui, meu mestre está aqui', disse, 'Muamar Kadafi está aqui e está ferido'", completou o combatente Salem Bakeer à Reuters.


- Kadafi, então, foi retirado à força do esconderijo sem apresentar resistência e obrigado a entregar sua arma de ouro, segundo autoridades interinas. Com sérios ferimentos, perguntou aos combatentes que estavam do lado de fora: "O que vocês querem? Não me matem, meus filhos." De acordo com relatos, a captura ocorreu por volta das 12h do horário local (8h, horário de Brasília).


- Autoridades do governo interino dizem que Mutassim, um dos filhos do Kadafi, morreu durante a captura do pai.


Os momentos finais de Kadafi foram descritos pelo primeiro-ministro do governo interino da Líbia, Mahmoud Jibril, horas depois do anúncio oficial de sua morte:


- Segundo Jibril, um "relatório forense" apontou que Kadafi foi morto por um ferimento de bala na cabeça durante tiroteio entre os dois lados do conflito - em um argumento que parece ter a intenção de indicar que ele não foi executado.


- Segundo Jibril, Kadafi estava em boa saúde quando foi encontrado e, ao ser retirado da tubulação, levou um tiro no braço direito.


- Os combatentes arrastaram Kadafi ferido até uma caminhonete.


Veja vídeo de Kadafi capturado com vida:


Link do vídeo


- Enquanto o veículo se movia, uma bala do tiroteiro entre os combatentes do CNT e partidários do líder teria atingido Kadafi na cabeça.


- De acordo com o premiê, Kadafi morreu poucos minutos antes de chegar ao hospital.


- Apesar da versão oficial, especialistas estrangeiros que viram fotos do corpo de Kadafi dizem que os ferimentos parecem ter sido causados por disparos de arma a curta distância, e não por fogo de alta velocidade disparado por rifles de assalto à distância.


- O corpo do líder deposto foi levado para a cidade vizinha de Misrata, que as forças de Kadafi cercaram durante meses. Mohammed, um residente do local, alegou que esteve na mesquita para onde o corpo de Kadafi foi levado. À BBC, disse: "É definitivamente ele, é seu cabelo, seu rosto, saberia disso em qualquer lugar - todos os líbios saberiam."

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O fim melancólico de Khadafi



Os maiores portais informativos e agências de notícias de todo o mundo estampam a notícia da captura e morte do coronel Muammar Khadafi, líder deposto da Líbia, onde esteve no comando por 42 anos.


Esperamos que as lideranças mundiais não venham a público "comemorar" a morte do coronel. Não se comemora morte de quem quer que seja, mesmo dos inimigos mais atrozes.


Khadafi é uma figura no mínimo controversa. Há os que o eudeusam e os que o condenam como sanguinário ditador.


O ABC! não fará nem uma coisa nem outra. Aqui, torcemos e vibramos pela população líbia. Para que cesse a violência no país e para que o povo líbio encontre muito em breve o caminho do desenvolvimento, da Justiça e da Paz.


Abaixo, perfil do coronel Khadafi e breve retrospecto do seu longo governo.



Com fama de excêntrico e de orientação nacionalista, Khadafi chegou ao poder em 1969

Aidan Lewis

da BBC News

O líder líbio Muamar Khadafi
Khadafi tem por hábito ter fotos de líderes africanos nas roupas
O avanço rebelde sobre a capital da Líbia, Trípoli, e sobre a cidade natal do coronel Muamar Khadafi, Sirte, pôs um fim definitivo ao governo do líder que permaneceu mais tempo no poder tanto na África quanto no mundo árabe.
Khadafi, de 68 anos, estava no comando da Líbia desde que depôs o rei Idris 1º, em 1969, em um golpe de estado sem derramamento de sangue, quando tinha 27 anos.
Conhecido por seu estilo extravagante de se vestir e pelas guarda-costas do sexo feminino, o líder líbio também é tido como um político habilidoso, que conseguiu tirar seu país do isolamento diplomático.
Em 2003 – depois de passar duas décadas sendo visto como país pária – a Líbia assumiu responsabilidade pelo atentado contra um voo da PanAm sobre a cidade escocesa de Lockerbie, em 1988, abrindo caminho para que a ONU suspendesse suas sanções contra o país.
Meses depois, o regime de Khadafi abandonou os esforços para desenvolver armas de destruição em massa, o que também facilitou a aproximação com o Ocidente.
Por causa das duas medidas, Khadafi deixou o isolamento e passou a ser aceito pela comunidade internacional, ainda que com ressalvas.
"Ele é único em seu discurso, em seu comportamento, em suas práticas e em sua estratégia", disse à BBC o analista de política líbia Saad Djebbar. "Mas é um politico astuto, e um sobrevivente político."
Raízes beduínas

Nos anos 70, Khadafi desenvolveu uma filosofia política nacionalista
Khadafi nasceu no deserto líbio, perto de Sirte, em 1942. Em sua juventude, ele admirava o líder egípcio e nacionalista árabe Gamal Abdel Nasser.
Ele começou a fazer planos para derrubar a monarquia líbia durante seus estudos militares, e recebeu treinamento militar na Grã-Bretanha antes de retornar à cidade líbia de Benghazi, onde deu início ao golpe que o levaria ao poder, em 1º de setembro de 1969.
Em seu Livro Verde, lançado nos anos 1970, Khadafi expôs sua filosofia política, apresentando uma alternativa nacional ao socialismo e ao capitalismo, combinada com aspectos do islamismo.
Em 1977, ele criou o conceito de "Jamahiriya" ou "Estado das massas", em que o poder é exercido através de milhares de "comitês populares".
Khadafi gostava de prezar tradições locais em público. Quando visitava outros países, acampava em uma luxuosa tenda beduína, típica dos povos de sua região.
Durante as viagens, o coronel era protegido por guarda-costas mulheres - que dizia serem menos dispersivas do que os homens.
O coronel também recebe políticos e personalidades que visitam o país em uma tenda beduína. Durante os encontros, ele é conhecido por se proteger das moscas com um artefato feito de crina de cavalo ou com um leque feito de uma folha de palmeira.

Khadafi recebe líderes de estado em uma tenda beduína
'Cachorro louco'
O ex-presidente americano Ronald Reagan chamou o líder líbio de "cachorro louco" e, em 1986, autorizou um ataque aéreo a Trípoli e a Benghazi em resposta a um ataque a bomba contra uma discoteca em Berlim Ocidental - segundo os Estados Unidos, o atentado, que matou dois militares americanos e uma mulher turca, teria sido realizado por agentes líbios.
Os bombardeios americanos mataram 45 soldados e funcionários públicos e 15 civis. Entre estes estava uma filha adotiva de Khadafi.
Nos anos 1990, após ter seus esforços para unir o Mundo Árabe rejeitados, o líder líbio se voltou para a África, propondo a criação de um país-federação no continente, nos moldes dos Estados Unidos.
Para promover a ideia, ele passou a se vestir usando roupas que carregavam emblemas do continente ou retratos de líderes africanos.
Mas no fim da década, com a Líbia em dificuldades por causa das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, Khadafi acabou assumindo a autoria do atentado de Lockerbie e de outros atentados, para lentamente restabelecer o diálogo do país com os Estados Unidos.
"Não haverá mais guerras, ataques ou atos de terrorismo", disse o coronel, ao celebrar 39 anos no poder.
Desafios domésticos

O coronel enfrenta a maior crise política desde que subiu ao poder
Antes de ser derrubado por uma revolta iniciada no bojo da chamada Primavera Árabe, o coronel se apresentava como guia espiritual da nação, supervisionando a implementação do que dizia ser uma versão local de democracia direta.
Na prática, segundo os críticos, Khadafi mantinha controle absoluto e autoritário da Líbia. Dissidências ou críticas eram duramente reprimidas e a mídia do país sempre foi rigorosamente controlada pelo governo.
A Líbia tinha uma lei que proibia qualquer atividade de grupos baseadas em ideologias políticas que eram opostas à visão de Khadafi.
Segundo a organização internacional Human Rights Watch, o regime prendeu centenas de pessoas por violarem a lei e sentenciou algumas à morte. Também há relatos de tortura e desaparecimentos.