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domingo, 23 de outubro de 2011

Líbia e Japão: Barbárie e Civilização



Depois das cenas perturbadoras de barbárie ensanguentada dos últimos dias, promovidas por um bando de bestas enfurecidas que escaparam de suas jaulas, vai bem um pouco de civilização e refinamento. 


Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão, me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês: kokoro.
Kokoro ou Shin significa coração-mente-essência.
Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar a serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada?
terremoto0015pOutra palavra é gaman: aguentar, suportar. Educação para ser capaz de suportar dificuldades e superá-las.
Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo de duas maneiras. A primeira pela violência do tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima. A segunda pela disciplina, ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas. Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para os banheiros.
Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém. Compartilhavam cobertas, alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se mantinha em sua área. As crianças não faziam algazarra, não corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado.
Não furaram as filas para assistência médica – quantas pessoas necessitando de remédios perdidos – mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção médica, alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água.
Compartilharam também do resfriado, da falta de água para higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte.
1pNos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques. Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo pouco que recebiam. Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro: coração de gratidão.
Sumimasen é outra palavra chave. Desculpe, sinto muito, com licença. Por vezes me parecia que as pessoas pediam desculpas por viver. Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar falar com você, ou tocar à sua porta. Desculpe pela minha dor, pelas minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos causando ao mundo. Sumimasen.
Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus sentimentos, necessidades. Quando cuidamos da vida como um todo, somos cuidadas e respeitadas.
O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de mim, perderei. Cada um de nós, cada uma de nós é o todo manifesto.
Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a realidade, sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico. As vítimas encontradas, vivas ou mortas, eram gentilmente cobertas pelos grupos de resgate e delicadamente transportadas – quer para as tendas do exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias, helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais.
Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de que "somos um só povo e um só país".
Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi telefonemas. Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da confiança nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que não cancelasse nossa viagem em Julho próximo.
Aprendemos com essa tragédia o que Buda ensinou há dois mil e quinhentos anos: a vida é transitória, nada é seguro neste mundo, tudo pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente.
2pReafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo está interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de salvar a Terra. O planeta tem seu próprio movimento e vida. Estamos na superfície, na casquinha mais fina. Os movimentos das placas tectônicas não têm a ver com sentimentos humanos, com divindades, vinganças ou castigos. O que podemos fazer é cuidar da pequena camada produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos. E isso já é uma tarefa e tanto.
Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento compartilhado leva à reconstrução.
Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que acompanharam os eventos que se seguiram a 11 de março.
Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a amar e respeitar.
Havia pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. E só posso dizer : todas. Todas eram e são pessoas de meu conhecimento. Com elas aprendi a orar, a ter fé, paciência, persistência. Aprendi a respeitar meus ancestrais e a linhagem de Budas.
Mãos em Prece (gassho)
Monja Coen






 Site da Monja


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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Quem matou Khadafi ?



A Anistia Internacional  exige investigação para apurar as circunstâncias da morte do coronel Muammar Khadafi, líder deposto da Líbia, que morreu ontem em Sirte, sua cidade natal, após ser preso.


Também o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos pediu investigação ampla, ante a possibilidade de que Khadafi tenha sido sumariamente executado.


Khadafi foi capturado vivo e recebeu um tiro na cabeça, segundo algumas fontes, episódio parecido com a execução de Osama Bin Laden. Hoje já se fala em tiros na barriga e intestinos. Há relatos de que o coronel, ao ser capturado, suplicou: "Não atirem! Não atirem, meus filhos!"



Como sabem, aqui defendemos os direitos humanos, não a lei da selva. Bestas enfurecidas devem ser enjauladas. Até os assassinos mais crueis devem ter reconhecido seu direito a julgamento por um tribunal imparcial. Ninguém tem autoridade para executar ninguém.

E reiteramos o que foi dito ontem:


Esperamos que as lideranças mundiais não venham a público "comemorar" a morte do coronel, como fez o arrogante dono do mundo e Prêmio Nobel da "Paz", Barack Obama, após a execução de Bin Laden perpetrada por norte-americanos. Não se comemora morte de quem quer que seja, mesmo dos inimigos mais atrozes.

Khadafi é uma figura no mínimo controversa. Há os que o eudeusam e os que o condenam como sanguinário ditador.

O ABC! não fará nem uma coisa nem outra. Torcemos e vibramos pela população líbia. Para que cesse a violência no país e para que o povo líbio encontre muito em breve o caminho do desenvolvimento, da Justiça e da Paz.

Leiam mais abaixo.



Fim sem misericórdia levanta questão: quem matou Kadafi?


Relatos inconsistentes provocam dúvidas sobre quem desferiu golpe fatal contra ex-líder morto em sua cidade natal, Sirte.


Retirado à força de uma tubulação, um Muamar Kadafi ferido ergueu suas mãos para o céu e implorou aos combatentes do Conselho Nacional de Transição da Líbia: "Não me matem, meus filhos." Dentro de uma hora, ele estava morto, mas não sem antes ter seu corpo vingado por décadas de ódio. Tropas puxavam os cabelos do excêntrico ditador e desfilaram seu corpo ensanguentado no capô de uma caminhonete.


O fim violento do líder na cidade onde nasceu, Sirte, representou a morte de um regime que comandou com mãos de ferro durante 42 anos e foi derrubado por um levante popular iniciado em fevereiro que se tornou uma sangrenta guerra civil. Kadafi, foragido havia dois meses, foi o primeiro chefe de Estado deposto pelas revoltas da Primavera Árabe que acabou morto.


Antes da confirmação oficial da morte, uma profusão de imagens de seu corpo começou a circular pela internet. O canal de TV Al-Jazeera levou ao ar um vídeo com um Kadafi muito ferido, mas ainda vivo, sendo arrastado por homens armados até uma caminhonete. A rede transmitiu em seguida uma filmagem da parte superior de seu corpo, parcialmente despido, com um rosto apático e ferido por uma bala na cabeça. Nela, combatentes anti-Kadafi celebravam, fazendo disparos para o ar. Um terceiro vídeo, publicado no YouTube, mostrou tropas cercando animadamente o corpo do líder deposto, aparentemente sem vida. A cabeça era puxada pelos cabelos para enfatizar nas fotografias o rosto do homem morto.


Essas perturbadoras imagens do corpo de Kadafi levantam questões sobre o autor do golpe fatal e sobre como foi executada a operação dos combatentes com auxílio da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).


Confira abaixo os principais relatos que apontam como seu longevo regime chegou ao fim:


- Uma autoridade europeia que estava a par das operações da Otan disse que há dias existiam fortes suspeitas de que Kadafi e seus filhos estavam escondidos em três edifícios localizados no quadrante noroeste de Sirte. O oficial, que falou anonimamente, disse que a Otan e os combatentes do CNT acreditavam que, se Kadafi estava em um daqueles prédios, tentaria fugir a qualquer momento.


- Nas primeiras horas da quinta-feira de 20 de outubro, as forças revolucionárias retomaram uma ofensiva em Sirte contra os partidários de Kadafi, que haviam recuado para um bloco de prédios com uma área aproximada de 600 m².


- Um comboio composto por cerca de 80 veículos saiu do prédio, e as tropas leais ao CNT tentaram interceptá-lo, segundo relato de Fathi Bashagha, porta-voz do Conselho Militar de Misrata. No comboio que levava o líder deposto também estava Abu Bakr Younis Jabr, líder do Exército, e Mutassim, um dos filhos de Kadafi. Um avião não-tripulado dos EUA avisou a Otan, que ordenou um ataque aéreo contra os veículos.


- De acordo com o ministro da Defesa da França, Gerard Longuet, por volta das 8h30 do horário local (4h30, horário de Brasília), o ataque foi lançado por jatos franceses a cerca de 3 km a 4 km a noroeste da cidade, forçando os veículos a parar.


- Em terra, os combatentes atacaram os partidários de Kadafi com foguetes, morteiros e armas, em uma batalha campal que durou três horas. Alguns membros do comboio escaparam a pé dos veículos, relatou Bashagha, enquanto eram perseguidos.


- O líder deposto e seus companheiros buscaram refúgio em uma tubulação sob uma estrada não muito longe do local do bombardeio.


Combatente do CNT mostra um duto de concreto onde Kadafi teria sido capturado
em Sirte, segundo uma das versões para a morte do líder deposto da Líbia Foto: AFP

- Forças do CNT cercaram Kadafi. "Primeiro, atiramos neles com morteiros, mas sem sucesso. Então fomos a pé. Um dos homens de Kadafi saiu agitando seu rifle para o ar... assim que viu meu rosto, começou a atirar em mim. Acho que Kadafi deve ter dito a eles para que parassem. 'Meu mestre está aqui, meu mestre está aqui', disse, 'Muamar Kadafi está aqui e está ferido'", completou o combatente Salem Bakeer à Reuters.


- Kadafi, então, foi retirado à força do esconderijo sem apresentar resistência e obrigado a entregar sua arma de ouro, segundo autoridades interinas. Com sérios ferimentos, perguntou aos combatentes que estavam do lado de fora: "O que vocês querem? Não me matem, meus filhos." De acordo com relatos, a captura ocorreu por volta das 12h do horário local (8h, horário de Brasília).


- Autoridades do governo interino dizem que Mutassim, um dos filhos do Kadafi, morreu durante a captura do pai.


Os momentos finais de Kadafi foram descritos pelo primeiro-ministro do governo interino da Líbia, Mahmoud Jibril, horas depois do anúncio oficial de sua morte:


- Segundo Jibril, um "relatório forense" apontou que Kadafi foi morto por um ferimento de bala na cabeça durante tiroteio entre os dois lados do conflito - em um argumento que parece ter a intenção de indicar que ele não foi executado.


- Segundo Jibril, Kadafi estava em boa saúde quando foi encontrado e, ao ser retirado da tubulação, levou um tiro no braço direito.


- Os combatentes arrastaram Kadafi ferido até uma caminhonete.


Veja vídeo de Kadafi capturado com vida:


Link do vídeo


- Enquanto o veículo se movia, uma bala do tiroteiro entre os combatentes do CNT e partidários do líder teria atingido Kadafi na cabeça.


- De acordo com o premiê, Kadafi morreu poucos minutos antes de chegar ao hospital.


- Apesar da versão oficial, especialistas estrangeiros que viram fotos do corpo de Kadafi dizem que os ferimentos parecem ter sido causados por disparos de arma a curta distância, e não por fogo de alta velocidade disparado por rifles de assalto à distância.


- O corpo do líder deposto foi levado para a cidade vizinha de Misrata, que as forças de Kadafi cercaram durante meses. Mohammed, um residente do local, alegou que esteve na mesquita para onde o corpo de Kadafi foi levado. À BBC, disse: "É definitivamente ele, é seu cabelo, seu rosto, saberia disso em qualquer lugar - todos os líbios saberiam."