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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Poder Judiciário: antes e depois de Eliana Calmon


Foram dois anos muito intensos, de declarações polêmicas e bombásticas, mas também de medidas ousadas e corajosas, trabalho duro, firme, altivo, que deu um verdadeiro upgrade no Judiciário, abrindo a "caixa preta" do vetusto poder. 

Um verdadeiro divisor de águas: ministra Eliana Calmon, Orgulho da Magistratura Brasileira.

Mas... 

Isso ainda é muito pouco para derrubar séculos de prepotência e arrogância. Séculos de mentalidade elitista e patrimonialista não desmoronam do dia para a noite. 

Vamos esperar que uma nova Eliana Calmon se disponha a desembainhar a espada de Têmis, partir pra cima dos bandidos de toga e nos defender?

A cidadania tem que continuar atenta, mobilizada, utilizando as redes sociais e todos os canais possíveis, imagináveis e republicanos para enfrentar essa iniquidade. Eles estão unidos. E nós?

Não nos esqueçamos em nenhum momento do que nos alertou a Grande Mulher da Justiça, nossa inesquecível inspiradora:

"Orai e Vigiai, porque o perigo nos ronda."





Paladina contra "bandidos de toga", Eliana Calmon marca história no CNJ


Eliana Calmon deixou o cargo na semana passada
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil


Primeira mulher a integrar o Superior Tribunal de Justiça (STJ), Eliana Calmon encerrou na semana passada seu mandato de dois anos como corregedora e foi substituída no cargo pelo também ministro do STJ Francisco Falcão. Durante o tempo que ocupou o posto, ela foi personagem central de várias discussões, principalmente após uma declaração que abalou o Judiciário.

O ataque, feito em entrevista à Associação Paulista de Jornais (APJ) no ano passado, gerou um escândalo que chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF). A frase em questão: Eliana Calmon, que foi uma espécie de ombudswoman do Judiciário brasileiro, afirmou que estava sendo atrapalhada por "bandidos que estão escondidos atrás da toga" - juízes corruptos que, segundo ela, favorecem interesses escusos e enchem os bolsos de dinheiro enquanto trabalham o mínimo possível.

Agora, com o distanciamento do fato, ela relembra como reagiu naquele dia marcante. "Olha, eu uso muita linguagem figurada. Quando eu disse aquilo não parecia tão ruim. Mas aí a entrevista acabou", lembra a agora ex-corregedora nacional de Justiça, rindo. "Eu olhei para o meu assessor e ele me olhou como se tivesse visto um fantasma! E foi aí que toda a tempestade começou."

O surpreendente resultado foi uma inédita onda de transparência e de reforma nas cortes brasileiras - muitas daquelas que historicamente se comportavam como feudos, sem confiança da população nem dos investidores estrangeiros.

O confronto transformou Eliana Calmon, uma juíza de carreira com 67 anos de idade, avó e autora de um livro de receitas, em uma improvável heroína, com mais de 10 mil fãs no Facebook e até um carro alegórico em sua homenagem no Carnaval deste ano.

Após deixar o cargo de corregedora, ela assumiu a diretoria-geral da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam).


Presença feminina

A ascensão dessa mulher abalou um universo restrito, dominado por homens, cujos discursos costumam ser floreados com frases em latim e elogios rebuscados. Fã de blazers chamativos e acostumada a pontuar suas críticas com uma risada aberta, Calmon chamou juízes corruptos de "vagabundos" e "cupins", disse que o sistema legal brasileiro está "um século atrasado" e pediu mais transparência às cortes.


Apesar daqueles que a acusam de perseguir holofotes - ou, ainda pior, de ser uma boquirrota que calunia sem cuidado nenhum todo o sistema judiciário - Eliana Calmon afirma que seu apoio nas bases lhe deu a autoridade para fazer pressão.

Durante seu mandato no CNJ, ela forçou juízes a revelarem mais dados sobre seus rendimentos, diminuiu práticas que permitiam às autoridades receber vários salários extras e expulsou corruptos de seus cargos. E ainda não acabou.

Seus esforços são parte de uma grande tendência, conforme o Brasil se torna mais próspero e vê a crescente classe média exigir instituições melhores. Seis ministros da presidente Dilma Rousseff deixaram o governo no ano passado por causa de acusações de corrupção - um fato inédito. Ainda assim, o Judiciário foi visto como um retardatário, o Poder que menos mudou desde o fim da ditadura militar, em 1985.

O que Calmon fez "é crucial para a democracia brasileira", diz Fernando Henrique Cardoso, presidente de 1995 a 2003. "Esses juízes nunca tiveram controle sobre eles antes." Tudo isso seria impossível, segundo Eliana Calmon, sem aquele arroubo retórico.

"Quando eu disse 'bandidos de toga' foi para um jornal pequeno", afirmou. "Mas, no mundo de hoje, se você diz algo que já está na cabeça das pessoas, explode como pólvora. Isso, descobri, era algo em que todo mundo acreditava, mas não podia falar alto. O meu papel foi falar."


Sistema Judiciário ineficiente


Dois dias depois de fazer o comentário das togas, ela teve de se sentar silenciosamente na mesma sala do ministro Cezar Peluso, então presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), enquanto ele lia uma nota repudiando "veementemente" os comentários da corregedora por lançar "acusações levianas" contra "milhares de juízes que diariamente se dedicam ao ofício de julgar com imparcialidade e honestidade".

Eliana Calmon alega que ao se concentrar em constranger os juízes corruptos para tirá-los dos cargos ela estaria ajudando "a vasta maioria" de magistrados brasileiros que é honesta e trabalhadora. Mas naquele dia ela preferiu ficar calada.

"Sabia que não era meu momento", afirmou. "E sabia que as coisas iam piorar", disse. De fato, em semanas a tensão aumentou, quando o STF julgou um caso que buscava limitar os poderes dela para investigar e punir juízes. Não foi o primeiro enfrentamento dela com o sistema. Criada na Bahia, estudou Direito porque, assim como muitas pessoas nos anos 1960, ela queria combater as injustiças. Quando ela se tornou juíza, ficou empolgada por se encontrar com um dos mais fechados bastiões da elite brasileira. O sistema legal, baseado no código napoleônico e com raízes nos tempos coloniais, tradicionalmente é "impermeável para aqueles que tentam tirar as togas e forçar mudanças", de acordo com o senador Pedro Taques (PDT-MT), um dos defensores da reforma do Judiciário. "É um clube", disse Taques. "Eliana foi ousada o suficiente para exigir sua entrada, mesmo quando muitos não a queriam."

A Constituição de 1988, escrita pouco depois de a democracia ser restaurada, permitiu autonomia quase total às cortes - uma decisão que buscava protegê-las da interferência política, mas, na prática, facilitou que corruptos escondessem nepotismo, abuso de poder e decisões favoráveis a interesses escusos, de acordo com ela.

A morosidade e o funcionamento opaco do sistema legal é frequentemente citado em pesquisas como um dos maiores obstáculos para investimentos no Brasil. Um estudo do Banco Mundial, que classifica 183 países com base na abertura a investidores, coloca o Brasil perto da lanterna em categorias que incluem respeito a contratos, abertura de empresas e licenças para construir - todas áreas em que a Justiça pesa.

"Existe corrupção, é claro, mas também temos grandes áreas no sistema legal que se alimentam das disfunções e da ineficiência", afirmou Eliana Calmon, citando como exemplo a prática brasileira de exigir autenticação de documentos. "Isso fez com que se criasse dentro do setor judiciário segmentos que estão podres e que se nutrem da inação da Justiça. Se a Justiça funcionasse bem, eles seriam dizimados."


O jeito direto impediu laços, mas também deu a ela amigos poderosos, que a ajudaram a subir na carreira. Ela se tornou a primeira mulher a integrar o STJ, onde é ministra desde 1999. E em 2010, foi indicada para o cargo de corregedora Nacional de Justiça, em um órgão criado seis anos atrás com poderes para investigar juízes.

"Ao longo da minha carreira sempre denunciei tudo que via, mesmo quando não era politicamente correto", disse, e começa a rir. "Se eles queriam uma ratinha no CNJ, acho que deveriam ter escolhido outra pessoa."

Enfrentamentos com o STF


Fiel a seu discurso, Eliana Calmon dobrou as apostas depois que o Supremo assumiu o caso para limitar os poderes do CNJ. Ela levou suas acusações diretamente à sociedade - alegando, por exemplo, que centenas de juízes tinham feito movimentações financeiras acima dos seus vencimentos. Ela também afirmou que quase a metade dos magistrados do Estado de São Paulo não tinha apresentado suas declarações de renda, apesar das exigências legais.

Enquanto isso, mirou o ministro Peluso, então presidente do Supremo, sugerindo que ele a impedia de investigar a Justiça paulista - onde tramitam 60% dos casos no Brasil. "Sabe que dia eu vou inspecionar São Paulo? No dia em que o sargento Garcia prender o Zorro", disse ela.

A resposta popular foi enorme. Eliana Calmon começou a aparecer diariamente nas capas de jornais. As mídias sociais se agitavam a cada nova acusação. Finalmente, chegou à fama: um carro alegórico do Carnaval de Brasília desfilou com uma faixa que dizia "Eliana Calmon, seu santo é foda!" 


Em fevereiro o STF decidiu, preservando os poderes de Calmon e do CNJ. A então corregedora, que estava tão nervosa durante o julgamento que precisou de pílulas para dormir, ficou chocada. "Não tenho dúvida de que a opinião pública teve um papel na decisão", disse.

Layrce de Lima, porta-voz do Supremo, recusou-se a comentar sobre se o julgamento do CNJ foi influenciado pela opinião pública. Depois de sair vitoriosa do embate, Calmon disse que veio uma enxurrada de relatos. Promotores e funcionários da Justiça em todo o País, especialmente aqueles com menos de 40 anos de idade, começaram a entrar em contato para contar histórias de corrupção e abuso de poder.

"O benefício real do confronto foi o dramático aumento do número de acusações que recebemos no CNJ", disse. "As pessoas começaram a acreditar pela primeira vez que ninguém - nem os mais poderosos - poderiam impedir esses casos de serem investigados."

Com base nas informações, o CNJ limitou práticas como pedidos de férias de até três meses por ano ou bônus suspeitos que os juízes davam a si mesmos ou a seus funcionários. Eliana Calmon também começou a impedir uma ação corriqueira, na qual tribunais pagavam pendências trabalhistas com altos juros, depois de elas serem mantidas nas contas por anos, o que em alguns casos permitia às autoridades que decidissem quanto receberiam.

Mauro Zaque, um jovem promotor que investigou autoridades corruptas no Estado de Mato Grosso, usou uma metáfora futebolística para expressar sua admiração. "Todos nós vimos Eliana chutar a bola com toda a força dela e marcar muitos gols", falou. "Ela inspirou muitos de nós a entrarmos em campo também."


Próxima geração de juízes


Em agosto, acompanhada por uma dúzia de colegas do CNJ, Eliana Calmon entrou no Tribunal de Justiça de São Paulo, um prédio imponente com corredores repletos de fotos alinhadas de juízes, quase todos homens. "Isso é extraordinário", sussurrou ela a um colega.

Ela passou o dia em reuniões com juízes e outros funcionários da Justiça, alguns dos quais, seis meses antes, queriam sua cabeça. As conversas assumiram um clima de confissão - as reclamações variavam do ritmo lento das audiências a juízes suspeitos de incrementarem suas receitas com a ajuda de amigos. Um advogado buscou conselhos sobre como abrir um órgão como o CNJ para São Paulo.

"As pessoas lá fora sabem o que está acontecendo agora", disse Calmon a um grupo de promotores. "Se negarmos o que está acontecendo, será o fim para todos nós. Só podemos melhorar se admitirmos que temos falhas." 


Eliana Calmon deixou o CNJ em 6 de setembro. Mas, como um sinal da distância que ela percorreu, foi eleita por colegas do STJ para chefiar uma renomada escola para jovens magistrados, a Enfam, um trabalho que deve inspirar a próxima geração do Judiciário brasileiro.

Também está claro que seu papel como consciência moral do sistema judiciário brasileiro cresceu para além do seu cargo. Quando o Supremo Tribunal Federal começou a julgar a ação penal do chamado mensalão, ela disse que "toda a sociedade" estaria assistindo às decisões dos ministros. O alerta estava em todos os jornais no dia seguinte.

Mesmo aqueles que anteriormente se opunham a ela agora dizem que houve uma clara - e provavelmente duradoura - mudança. "As pessoas estavam inquietas, é claro, com as acusações. Mas as consequências são irreversíveis", disse o desembargador Armando Sérgio Prado de Toledo, diretor da Escola Paulista de Magistratura. "A Justiça terá de ser cautelosa agora, porque sabe que graças a ela tudo que fizer será monitorado pela mídia, que tem a sociedade por trás."

Com um sorriso, disse: "Acho que é maravilhoso e já era hora. Na verdade, nós precisávamos disso."

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Ministério da Cultura: sai Ana de Hollanda, entra Marta Suplicy


Pelo menos haverá mais agito na Esplanada... 

Sai a insossa "irmã do Chico" e entra o "Furacão Marta" e suas declarações polêmicas e bombásticas.

Grande prefeita de São Paulo, enfrentou a Máfia dos Transportes com colete à prova de balas e tudo o mais. De família rica (Smith de Vasconcellos), nunca pensou duas vezes para ir à periferia de São Paulo, onde pulava valetas arregaçando a saia... para vistoriar obras e conhecer in loco os problemas do povo mais humilde. 



                                                                                Site da Marta Suplicy



Confirmado: Marta é a nova ministra da Cultura

A POSSE JÁ OCORRE NA PRÓXIMA QUINTA-FEIRA, ÀS 11H; ANA DE HOLLANDA DEIXA O MINISTÉRIO APÓS UMA SÉRIE DE QUEDAS EM FALSO; JÁ A SENADORA FOI PREMIADA POR ENTRAR NA CAMPANHA DO PETISTA FERNANDO HADDAD, EM SÃO PAULO


Blog do Planalto - A senadora Marta Suplicy será a nova ministra da Cultura. Ela aceitou o convite da presidenta Dilma Rousseff e substituirá Ana de Hollanda. Marta deverá tomar posse nesta quinta-feira (13), às 11h, no Palácio do Planalto. Leia abaixo a íntegra da nota:

“A presidenta da República, Dilma Rousseff, convidou a senadora Marta Suplicy para ocupar o Ministério da Cultura. Ela substituirá a artista e compositora Ana de Hollanda, a quem a presidenta agradeceu hoje o empenho e os relevantes serviços prestados ao país à frente da pasta desde janeiro de 2011.

Dilma Rousseff manifestou confiança de que Marta Suplicy, que vinha dando importante colaboração ao governo no Senado, dará prosseguimento às políticas públicas e aos projetos que estão transformando a área da Cultura nos últimos anos.

A posse será realizada na próxima quinta-feira às 11h.

Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República”

São Paulo e os "cacarecos messiânicos"


"Cacareco" era o nome de um famoso rinoceronte que havia no Parque Zoológico de São Paulo, e que recebeu cerca de 100 mil votos da população numa eleição para vereador em 1959. Nessa época o eleitor escrevia na cédula o nome do candidato de sua preferência.

Leia sobre os "cacarecos messiânicos" que atualmente disputam as eleições na cidade de São Paulo dois posts abaixo. 




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Ao Vivo: Dilma anuncia redução nas contas de energia elétrica


Acompanhe conosco!







Transmissão encerrada às 12:03 h.

Leia mais a respeito no Blog do Planalto.

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São Paulo e os "cacarecos messiânicos"


Quando menina, meu pai, operário e partidário de Jânio Quadros, entretinha, após o jantar, longas conversas sobre política com meu avô Olímpio, ademarista fanático. Havia muitos comícios e esse pai progressista, de esquerda, sem que soubesse de ideologias, nos levava, a mim e a meus irmãos, para ouvir discursos inflamados de Carvalho Pinto, Franco Montoro, Ulysses Guimarães... 

Dia de eleição, 15 de Novembro, era dia festivo. Comemorava-se a festa da democracia, mais ainda do que da República. Caçula, eu ia para a seção eleitoral com minha mãe, entrava com ela na "cabine indevassável", uma espécie de "tenda", e aí ela votava. Por vezes, ela deixava que eu fizesse o "xis" no quadrinho que ela indicava...

Essas foram minhas primeiras, queridas e inesquecíveis lições de democracia e cidadania, na periferia da cidade de São Paulo.

Tempos depois, já estudante da USP e da Cásper Líbero, nos anos de chumbo, a menina aprendiz de democracia se transformou numa ativista, indo pras ruas e praças do centro da cidade, em passeatas e atos públicos, lutando pela derrubada da ditadura e a volta do País ao Estado Democrático de Direito.

Muitos anos depois, é triste para a paulistana que desde muito cedo se acostumou a participar ativamente dessa festa e dessas lutas, ver no que se transformou esse momento tão importante para o País e para a sociedade. 

Dói ver São Paulo amargando os efeitos de uma escolha equivocada e infeliz e sob o risco de trocar a "mediocridade imobiliária" por uma "nulidade messiânica", como se só tivéssemos merecimento para o caos e a empulhação.

O que aconteceu na maior e mais importante cidade brasileira?

Pra onde foram os brios do bravo povo de Piratininga?

Vamos nos permitir eleger novamente uma farsa, um engodo?

De cacareco em cacareco, aos trancos e barrancos, qual será o destino da triste Pauliceia Desvairada?


                Praça da Sé, palco das Diretas-Já, marco 
            zero da cidade.


Eleição paulistana traz de volta o voto messiânico


Uma sequência de governos personalistas e messiânicos 
não produziu um plano de futuro para São Paulo, diretrizes 
que tracem um rumo de qualidade de vida e não de 
aprofundamento das desigualdades. Foto: Antônio Milena/ABr

Mais uma vez a cidade que movimenta o terceiro orçamento do País chega às urnas sem convicção de que modelo de desenvolvimento deseja. A polarização entre situação e oposição chegou a um ponto em que a maioria dos eleitores parece ter abandonado a vontade de avaliar propostas e pensar em como São Paulo pode vir a ser uma cidade mais humana, acolhedora, menos fechada em grades e muros, com mobilidade tranquila e serviços públicos de qualidade.

A escolha do próximo prefeito parece que vai seguir uma rota menos elaborada, menos propensa a reflexões, mais focada em um personalismo inconsistente, com discursos e propostas que cabem em 140 caracteres. Faz muitos anos que a cidade caminha através de sua própria institucionalidade, sem a liderança de um projeto de desenvolvimento, sem a normativa de um plano diretor, ou sem a qualidade de uma gestão menos focada em seu próprio umbigo.

As ideias de um prefeito de São Paulo não deveriam ser simplistas a ponto de caber em posts de redes sociais e uns parcos minutos de tevê. A capital paulista é uma cidade complexa, com demandas proporcionais à sua grandeza metropolitana e soluções que envolvem uma enorme multiplicidade de saberes. Mas estas coisas não estão em jogo no diálogo (ou seria monólogo) com os eleitores.

Os esquetes mostrados na tevê e as falas dos candidatos a vereador mostram uma realidade que já deveria ter sido esquecida em um tempo em que os eleitores elegiam “Cacareco”, um hipopótamo do zoológico paulistano que foi o candidato a vereador mais votado em seu tempo. O messianismo ou a crítica escarrada ao cenário político destoa com a firmeza com que a cidade enfrentou momentos críticos da história política, como a Revolução Constitucionalista, que exigia do governo federal uma Constituição e eleições livres, ou durante os 27 anos de regime militar, que entre outras manifestações teve de enfrentar mais de um milhão de paulistanos e brasileiros em comícios que exigiram eleições diretas no Brasil.

São Paulo é um dos importantes centros da mídia brasileira, discute o país, mas é incapaz de olhar para seus bairros, para sua periferia e para seu centro, abandonado a ruínas, tráficos de toda espécie, contrabandos e escravidão em oficinas clandestinas que produzem a felicidade de sacoleiros de todo o país.

Uma cidade não pode simplesmente ser um repositório de fracassos e contentar-se em ser apenas isso. Pesquisa realizada em parceria entre a Rede Nossa São Paulo e o IBOPE, no início de 2012, apontou que 56% dos moradores de São Paulo abandonariam a cidade e iriam viver em outro lugar se pudessem. Ou seja, mais da metade das pessoas que moram em São Paulo já estariam longe se pudessem. No quesito qualidade de vida a cidade teve média de 4,9 em uma escala que vai de zero a dez. A cidade mais rica do país não consegue transformar dinheiro em qualidade de vida.

Algumas notas que os paulistanos deram à cidade:

Honestidade e Participação Política – 3,5

Transporte público e mobilidade – 4,3

Segurança – 4,4

Habitação – 4,5

Educação – 5,0

Saúde – 5,1

Nenhuma nota conseguiu ultrapassar a metade da escala, mas o que os paulistanos pensam de seus políticos é ainda pior. Apenas 17% acreditam que o desempenho da Prefeitura é ótimo ou bom, enquanto só 11% diz que a Câmara dos Vereadores tem um desempenho ótimo ou bom. Essa pesquisa foi divulgada pouco antes de 25 de janeiro, aniversário da cidade.

Este é o cenário que serve como pano de fundo para as eleições municipais de 2012 na cidade de São Paulo. Uma sequência de governos personalistas e messiânicos não produziu um plano de futuro para São Paulo, diretrizes que tracem um rumo de qualidade de vida e não de aprofundamento das desigualdades.

As opções postas para esta eleição mantêm as características do “eu resolvo” e as injunções políticas são as mais esdrúxulas possíveis, com inimigos declarados de décadas em pose de “melhores amigos”, antagonismos sem nexo de modelos muito parecidos de governar e soluções na linha do “prendo e arrebento”, no melhor estilo militarista do século passado.

Uma forma de arrancar a cidade dessa caminhada rumo a mais quatro anos de abandono é fortalecer a Câmara Municipal. Mas isso não vai acontecer se elegermos novos cacarecos. Não importa quem vencerá a eleição majoritária, São Paulo precisa de vereadores bem preparados e comprometidos com o desenvolvimento sustentável da cidade.

A própria Câmara Municipal deveria ter como meta recuperar a credibilidade diante da população, dando transparência a seu trabalho e propondo mais do que mudar nomes de ruas.

Dal Marcondes

(Envolverde)

CartaCapital

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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Dilma indica Teori Zavascki para o STF


Importante: infelizmente, para a tristeza de todos nós, por questões de idade, a intrépida ministra Eliana Calmon não poderia ser indicada ao Supremo. O limite de idade para indicação é de 65 anos e a Grande Mulher da Justiça está com 68 anos.

Mas pode ser indicada ao Ministério da Justiça, presidenta... Com certeza o Povo Brasileiro ficaria muito feliz com tal indicação.



                                                                                                    Imagem/STJ

Ministro Teori Zavascki é indicado para vaga de Peluso no STF

A presidenta Dilma Rousseff confirmou nesta tarde (10) a indicação do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Teori Albino Zavascki para o Supremo Tribunal Federal (STF). Ele assumirá a vaga aberta com a aposentadoria de Cezar Peluso. A informação foi comunicada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em telefonema ao presidente do STJ, ministro Felix Fischer.

No STJ, Zavascki atua na Corte Especial – órgão responsável, entre outros processos, pelo julgamento de autoridades com foro privilegiado –, na Primeira Turma e na Primeira Seção, especializadas em matérias de direito público. Entre os temas inseridos nesse ramo estão causas ligadas a servidores públicos e anistia, improbidade administrativa e tributos.

Natural de Santa Catarina, o ministro é bacharel, mestre e doutor em direito processual civil pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Fez carreira na advocacia, especialmente na área jurídica do Banco Central (Bacen) e do Banco Meridional do Brasil. Na magistratura, integrou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) e o Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul, antes de chegar ao STJ, em 2003.

A indicação ainda terá de ser aprovada pelo plenário do Senado. Antes disso, Teori Zavascki será sabatinado pelos senadores na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.


STJ

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Bomba: O "Mensalão Universitário" de José Serra


DENÚNCIA

Proprietário da Universidade São Marcos denuncia: Mensalão do PSDB foi criado pelo então ministro da Educação de Fernando Henrique Cardoso, Paulo Renato de Souza, e implantado em São Paulo por José Serra, e os recursos financeiros vêm de universidades particulares.




Empresário: mensalão tucano vem da educação




ERNANI DE PAULA, DONO DA UNIVERSIDADE SÃO MARCOS, DENUNCIOU AO MINISTÉRIO PÚBLICO DE SÃO PAULO ESQUEMA PARA DISTRIBUIÇÃO DE BOLSAS A ALUNOS FANTASMAS; DE LÁ VEM, SEGUNDO ELE, O CAIXA DOIS DO PSDB NAS ELEIÇÕES; ESQUEMA FOI IMPLANTADO, SEGUNDO ELE, NA GESTÃO DE SERRA NA PREFEITURA E LEVADO AO ESTADO


247 – José Serra, candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, foi o primeiro candidato a utilizar o mensalão na campanha municipal de 2012. Segundo ele, o “STF está mandando para a cadeia um jeito nefasto de fazer política”. Depois dele, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reforçou a crítica, ao dizer que a Justiça está despertando no Brasil, também no programa de Serra.

Agora, em pleno processo eleitoral, um empresário da área de educação, Ernani de Paula, que é proprietário da Universidade São Marcos, sob intervenção do Ministério da Educação, denuncia que o “mensalão” do PSDB vem da área de ensino superior. O esquema consistiria em conceder bolsas de ensino a alunos-fantasma, a instituições pouco conhecidas no mercado.

Em 2009, Ernani de Paula fez uma denúncia ao promotor Sílvio Marques, do Ministério Público de São Paulo – o mesmo que investigou o caso Maluf. À época, ele falava em repasses de R$ 80 milhões. Hoje, ele tem a informação de que, desde a chegada de José Serra ao Palácio dos Bandeirantes, em 2006, mais de R$ 800 milhões foram transferidos a essas instituições de ensino.

O caso mais sintomático, diz ele, é o da faculdade Sumaré, que liderou os repasses, embora seja pouco conhecida no mercado. “É o mensalão universitário”, diz Ernani de Paula. “Essa universidade, que ninguém sabe o que faz ou quem é o dono, já recebeu mais de R$ 70 milhões”, afirma. Outra, a Uniesp, também lidera o ranking. Juntas, as duas teriam levado quase R$ 140 milhões.

Ernani de Paula, coincidentemente, tem uma história de vida ligada a outro mensalão: o do PT. Em 2000, ele se elegeu prefeito de Anápolis (GO), cidade do bicheiro Carlos Cachoeira, e depois acompanhou de perto as primeiras articulações do contraventor para plantar denúncias contra o PT na revista Veja – a ex-mulher de Ernani era suplente do senador Demóstenes Torres.

Segundo ele, no caso da educação superior, o esquema foi bolado pelo ex-secretário de Educação de Serra e ex-ministro de FHC, Paulo Renato de Souza, já falecido. Sua universidade, a São Marcos, não recebeu as bolsas de ensino do governo paulista, e passou a enfrentar dificuldades financeiras até sofrer a intervenção do MEC.

Depois disso, diz Ernani, ele foi procurado pelo filho de Paulo Renato de Souza, Renato Souza Neto, que dizia ter interessados na compra da instituição – se tivesse vendido, afirma o empresário, estaria à frente dos repasses das bolsas de ensino superior em São Paulo.

Ernani de Paula se diz disposto a colaborar com o Ministério Público de São Paulo para ajudar a desvendar o esquema de desvio de recursos públicos na educação superior.