Cidadania, Comunicação e Direitos Humanos * Judiciário e Justiça * Liberdade de Expressão * Mídia Digital
Editoria/Sônia Amorim: ativista, blogueira, escritora, professora universitária, palestrante e "canalhóloga"
Desafinando o Coro dos Contentes...
ELEIÇÕES 2014 Pode-se enganar algumas pessoas durante algum tempo, mas não se pode enganar todas as pessoas durante todo o tempo. A "Farsa Marina" já começou a se desmanchar. Até no Primeiro Mundo!
Marina Silva: a volta à Idade das Cavernas e dos Brucutus
Marina abriu sua campanha nesta segunda-feiraostentando o apoio do ator norte-americano Mark Rufalo, famoso por interpretar o Incrível Hulk, um filme do qual sou fã.
Ele defende Marina em inglês californiano.
Entretanto, horas depois, Ruffalo, alertado por seus amigos da furada em que tinha se metido, apoiando uma neoliberal de intenções obscuras, alianças reacionárias, e que recuou no apoio ao casamento gay, divulga um comunicadovoltando atrás.
Ruffalo NÃO vota nem apoia nem chancela Marina Silva.
Em linguagem política contemporânea, poderíamos dizer que Ruffalo “marinou”.
Só que a gente o perdoa, porque ele não tem pretensão de ser presidente da república de um país com 201 milhões de habitantes.
O ator foi enganado, assim como milhões de brasileiros, achando que Marina era progressista.
Não é.
Marina é a direita de Pastor Malafaia, Marcos Feliciano e Paulo Bornhausen.
A palavra de um jurista que acredita na democracia, e tem coragem de afirmá-lo.
A volta da normalidade no STF
Uma ausência percebida preencheu uma lacuna na última sessão do STF.
Por Wadih Damous, ex-presidente da OAB-RJ e atual presidente da Comissão da Verdade do RJ. Publicado na Carta Maior.
O Supremo Tribunal Federal, finalmente, volta à sua normalidade institucional.
Sem mais arroubos autoritários; sem mais decisões monocráticas que, a despeito da interposição do respectivo recurso, não são levadas a plenário sem qualquer fundamento e subvertendo preferências legais (em outras palavras, restabelecendo o princípio da colegialidade); sem incidentes envolvendo a violação de prerrogativas de advogados nem acusações e ataques mútuos entre Ministros. Enfim, uma sessão normal de um órgão colegiado sério e respeitoso, tanto no trato entre seus membros, quanto na relação entre estes, os advogados e a sociedade em geral. A ausência percebida preencheu uma lacuna.
Assim foi a sessão da última quarta-feira (25), presidida pelo Ministro Ricardo Lewandovski, que está próximo de assumir definitivamente o cargo de Presidente da Corte. Nela, o Pleno do Supremo (e não a vontade isolada de um Ministro), decidiu dois recursos referentes à Ação Penal 470: um, referente ao direito ao trabalho externo de alguns réus, condenados ao regime semiaberto; o outro, referente ao pedido de prisão domiciliar de José Genoino, por razões de saúde.
Feitas essas observações gerais, vamos aos julgamentos em si.
Com relação ao trabalho externo, o Supremo apenas restaurou a aplicação da Jurisprudência amplamente majoritária sobre o tema – majoritária não apenas no próprio Supremo, mas em todo o Judiciário Nacional, no sentido de que o trabalho externo, no regime semiaberto, não depende do cumprimento de 1/6 da pena, caso em que não diferiria em nada do regime fechado e não levaria em consideração a realidade do sistema carcerário brasileiro.
Além disso, acertou o Supremo ao considerar insignificante, ao menos do ponto de vista jurídico, a suposta relação de amizade entre o representante da Pessoa Jurídica que ofereceu trabalho a José Dirceu e este, bem como a suposta dificuldade em fiscalizar um ente privado nessa hipótese. Com razão, o Tribunal, a partir do voto do Ministro Barroso, reconheceu que esses supostos obstáculos, além de carentes de qualquer fundamento racional, seriam sérios entraves à desejada ressocialização do preso por meio do trabalho, que muitas vezes só é possível a partir de iniciativas de determinadas empresas ou a partir de vínculos pessoais de confiança, por conta da natural desconfiança com relação a egressos do sistema carcerário.
Com isso, o Tribunal evitou ceder à sanha de parte da “opinião pública”, que cegamente clama por tratamento mais rígido aos réus da AP 470 do que às demais pessoas que cumprem penas no país, percebendo o enorme risco sistêmico e de retrocesso civilizatório que esse tratamento diferenciado poderia ocasionar.
Já com relação à prisão domiciliar de José Genoino, há que se discordar do entendimento majoritário do Supremo. Já disse, em artigo recente, que respeito profundamente o Ministro Barroso como pessoa, magistrado e acadêmico, assim como o admirava como advogado. Mas tal admiração não me impede de exercer o direito de crítica. Nesse caso o Ministro Barroso, a meu ver, parece ter feito pequena concessão à “opinião pública” (ou publicada), que acusaria (injustamente, é claro) o relator e quem votasse com ele de prestigiar a impunidade. Isso porque, no seu voto, o Ministro mencionou que a decisão seria excepcional, por se verificar a mesma situação no caso de diversos outros detentos do mesmo sistema prisional, e que não gozam do direito pleiteado.
Ora, com o devido respeito, a lógica me parece, nesse ponto, invertida. Até o senso comum indica que não se deve justificar um erro por outro. Se diversos presos estão indevidamente privados de cumprirem pena domiciliar, que se lhes garanta esse direito, e não se negue seu exercício a quem legitimamente o tem, apenas por uma suposta isonomia.
De todo modo, ainda que discordando da decisão, reitero minha satisfação do início de nova fase no Supremo Tribunal Federal, esperando que continue exercendo suas funções sem os arroubos e paixões individuais que tanto prejuízo podem causar à sociedade brasileira como um todo. ___________
Wadih Damous foi presidente por duas vezes da OAB do Rio de Janeiro e atualmente é presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB e da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro.
O ex-presidente Lula errou e errou feio ao indicar o ministro Joaquim Barbosa para o Supremo Tribunal Federal. Despreparado é pouco para caracterizar as atitudes do ministro como presidente do STF. Em qualquer país sério JB teria sido defenestrado por um processo de impeachment por conta de seu desequilíbrio emocional e sucessivos atentados à Lei e ao Estado Democrático de Direito. Aqui, nos tristes trópicos, JB virou heroi de ignorantes, desinformados e mal-intencionados. Joaquim Barbosa: retrato fiel do déficit civilizatório de que o Brasil padece.
Barbosa se despede do STF debochando da corte interamericana de direitos humanos
Enfim, achei o vídeo que mostra Barbosa, em uma de suas últimas participações no STF (dia 05/06/2014), debochando de réus que apelam à corte interamericana de direitos humanos.
A mídianoticiou o deboche de Barbosa com várias imprecisões, feitas deliberadamente para pintar a atitude de Barbosa, em todos os sentidos indigna, como uma chacota válida.
Os jornais fizeram um jogo de palavras para dar a entender que alguns cidadãos queriam ser julgados diretamente pelo STF, como o foram os réus do mensalão. Não é isso. Os réus foram julgados em primeira instância, mas, não satisfeitos com o resultado, queriam apelar ao STF. Normal. Todo mundo faz isso. É o direito de todo brasileiro e de todo cidadão de um país signatário do tratado internacional de direitos humanos da Costa Rica, de um julgamento com dupla jurisdição.
Ao usar de escárnio para se referir a cidadãos que apelam à corte interamericana de direitos humanos, Barbosa revelou a baixeza inacreditável de seu caráter. Ele parte do pressuposto de que todo mundo é culpado, e que qualquer recurso a um tribunal superior ou a uma corte internacional é uma chicana. Uma visão assim é diabolicamente injusta, típica de um sociopata com uma visão doente de Justiça.
O princípio mais sagrado de uma justiça democrática é a presunção da inocência e o respeito mais absoluto à dignidade do cidadão, inclusive daquele que é culpado de algum crime. Alguém que recorre a uma corte internacional nem sempre tem razão. Apelar a uma corte internacional é submeter-se a um segundo julgamento, cujo resultado é imprevisível.
O que não se admite é a falta de respeito para com um cidadão que, culpado ou não, frequentemente experimenta, junto com sua família, um grande sofrimento causado pela perseguição do Estado à sua pessoa.
No caso da Ação Penal 470, réus que não tinham foro privilegiado foram julgados diretamente no STF, e de maneira praticamente sumária. Joaquim Barbosa ocultou provas essenciais à defesa dos réus e importantes para o debate na opinião pública, como o Laudo 2828 e o inquérito 2474.
Inúmeros juristas, inclusive no campo conservador, consideraram o julgamento da Ação Penal 470 uma aberração, uma agressão aos mais elementares princípios do direito moderno. Uma ministra chegou a dizer que apesar de não possuir provas para condenar Dirceu, fá-lo-ia porque assim “a literatura permite”. A falta de senso crítico com que a imprensa brasileira agora trata esse último deboche de Joaquim Barbosa, que na verdade agride a mais alta corte de direitos humanos das Américas, a da OEA, desnuda a sua cumplicidade criminosa com os arbítrios que caracterizaram a Ação Penal 470. Ora, se existe uma corte internacional de direitos humanos, e se o Brasil é signatário dela, é porque o Estado democrático brasileiro entende que há situações em que seus próprios cidadãos, sentindo-se oprimidos pela justiça de seu país, têm o direito de apelar para uma corte internacional. Ridicularizar isso é algo que entenderíamos (e desprezaríamos) num reaça anônimo de internet, num troll, jamais no representante máximo do Judiciário nacional! Jamais naquele que tem a responsabilidade sagrada de zelar pelos princípios democráticos e humanistas que regem a nossa Constituição, a qual, aliás, prevê o respeito a tratados internacionais como se estes estivessem escritos em nossa Carta.
Diz a Constituição Brasileira, no capítulo que trata dos Direitos e Garantias Fundamentais:
§ 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às emendas constitucionais. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Atos aprovados na forma deste parágrafo)
§ 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
Ao debochar do apelo que cidadãos angustiados fazem a cortes internacionais, Barbosa zombou, portanto, da própria Constituição Brasileira.
E mesmo que não se desse nenhuma trela a leis, a tratados internacionais, a direitos humanos, mesmo assim, seria de infinito mau gosto debochar da desgraça de outro ser humano ao vivo, na TV Justiça!
Esse é o homem que a Globo e seu exército de coxinhas psicóticos tentou transformar em herói. As matérias falam que, após o deboche de Barbosa, ouviu-se uma sonora gargalhada no plenário. A referência vaga dá a entender, injustamente, que todos os ministros riram. Não foi assim. Ouve-se uma risada do próprio Joaquim Barbosa, ou talvez de outra pessoa, e só.Um riso mau e grosseiro. Um riso de bandido. Um riso que representa tudo aquilo que uma corte suprema jamais deveria ser, um templo onde os cidadãos de um país, condenados ou não, não terão jamais sua dignidade violada, e não apenas porque os ministros tenham obrigação de ser pessoas boas e educadas, mas porque isso está previsto na Constituição, logo em seu primeiro capítulo.
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
Psicopatas/sociopatas: Eles estão entre nós. Dizem que são 3 a 4% da humanidade. Acredito que sejam mais, pois são muito hábeis para manipular pessoas, criar uma máscara de bondade, camuflar seus crimes, se manter na impunidade. Expertise em violência silenciosa, embora adorem aparecer e exibir os produtos de seus crimes. Há mais de quatro décadas minha família é vítima de psicopata, que apresenta características (egolatria/narcisismo exacerbado, frieza, desfaçatez, falsidade, maldade congênita etc.) em comum com JB e outros sociopatas famosos. E pior: pela Lei da Atração (semelhante atrai semelhante), a psicopata que me persegue atraiu alguns aliados com as mesmíssimas deficiências morais.
Blog do Esmael: Barbosa é um sociopata e mundo jurídico agora o rechaça com unanimidade
A “barbocracia”, novo regime político instaurado no Brasil por Joaquim Barbosa, está à beira de um colapso. A comunidade jurídica vem assumindo uma posição praticamente consensual de que o presidente do STF é um desequilibrado, um “sociopata”, que faz muito mal à democracia e ao Estado de Direito.
O último pilar de apoio a Barbosa é, naturalmente, a Rede Globo. A Folha, suponho eu, considera que Barbosa já fez o serviço sujo e pode voltar ao lixo da história. A Globo, que sempre foi o verdadeiro sustentáculo da narrativa do mensalão, sabe que precisa manter Barbosa de pé no máximo de tempo possível, sobretudo até as eleições deste ano. STF no divã: mundo jurídico isola ministro Joaquim Barbosa e já o vê como “sociopata” Esmael Morais, em seu blog.
Mundo jurídico brasileiro abre guerra contra o ministro sociopata Joaquim Barbosa, presidente do STF, que persegue colegas e condenados petistas no mensalão; Zé Dirceu, por exemplo, foi ontem à OEA pelo direito ao trabalho, enquanto cumpre pena no semiaberto, e por um novo julgamento; advogados de renome nacional como Juliano Breda, presidente da OAB-PR, e Kakay, veem jurisprudência perigosa criada pelo presidente da corte máxima; perfil psicológico de Barbosa vai sendo traçado: egoísmo, não admite culpa ou erro, não sente vergonha, é maldoso e teatraliza sentimentos para impressionar terceiros (a velha mídia e a elite branca); há um ano, Breda havia decretado: “O ministro Joaquim Barbosa é uma pessoa com a qual nenhum diálogo inteligente pode ser travado”.
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, cada vez mais vai se revelando verdadeiro sociopata cujas características evidentes são: egoísmo, não admite culpa ou erro, não sente vergonha, é maldoso e teatraliza sentimentos para impressionar terceiros (a velha mídia e a elite branca). Pois bem, Barbosa se isola de seus colegas no STF e do mundo jurídico. O presidente da Corte conquistou unanimidade contrária ao vetar o direito ao trabalho para os apenados Delúbio Soares e José Dirceu, que cumprem o regime semiaberto.
Da direita à esquerda, bem como o espectro de centro no emaranhado ideológico, são contra a perigosa jurisprudência criada pelo presidente do STF ao suspender o trabalho para os condenados no mensalão. Outros 100 mil presos cumprem penas no semiaberto no país. Imagine, caro leitor, se todos eles retornassem às celas de uma vez só…
O criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, interpretou a nova jurisprudência criada por Barbosa como vingança pessoal: “ele decidiu se vingar dos próprios colegas que o derrotaram na votação dos embargos, impondo a sua vontade no STF”, disse ao Brasil 247.
Juliano Breda, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seção Paraná, em proféticas palavras desferidas há um ano já havia alertado: “O ministro Joaquim Barbosa é uma pessoa com a qual nenhum diálogo inteligente pode ser travado”.
Em discurso gravado pelo Blog do Esmael, o presidente da OAB-PR também afirmou: “Nós todos sabíamos que o ministro Joaquim Barbosa não sabia nada de Direito. Hoje nós descobrimos que ele não sabe nada de organização judiciária no país”.
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, diz que o benefício deve ser concedido a condenados no mensalão. Esta opinião é um sopro de bom-senso na perseguição implacável de Barbosa aos petistas que, aliás, motivou Dirceu recorrer à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA). O Cafezinho
A palavra "kafkiana" é pouco para caracterizar a absurda perseguição da grande imprensa ao ex-ministro José Dirceu, sem contar aquela promovida pelo presidente da mais alta corte do País. Agora é a filha de Dirceu, Joana Saragoça, que vem tendo seus passos monitorados pelo jornalismo de esgoto.
Eu acrescentaria alguns comentários ao excelente artigo de Paulo Moreira Leite, reproduzido abaixo. É incrível a perseguição jornalística a José Dirceu.
Repórteres montam campanha o tempo inteiro diante da Papuda, à espera de qualquer visita. Diante do massacre, é claro que a filha de Dirceu se sente também oprimida e perseguida. O episódio de sua entrada no presídio num carro oficial, furando a fila, não pode ser desvinculado da sequência inacreditável de violações da lei e arbítrios por parte de Joaquim Barbosa, do juiz por ele indicado, Bruno Ribeiro, de promotores comprometidos com a mesma mentalidade inquisitorial, da imprensa e da oposição. A imprensa é cúmplice. Ela não denuncia os arbítrios. Ao contrário, parte dela a pressão para que estes sejam cometidos. Até o momento, a imprensa nunca questionou o fato de Joaquim Barbosa ter usado um apartamento funcional para adquirir um apartamento em Miami, nem o uso de uma “corporation” – Assas JB Corporation -, para pagar menos impostos. A imprensa protege Barbosa e criou um monstro, uma besta fera que não vê limites. Acha que pode tudo, desde que receba afagos na coluna de Ancelmo Goes.
E agora sabemos que Barbosa pode ter encontrado um outro subterfúgio para não deixar Dirceu trabalhar fora da prisão. O presidente do STF decidiu rasgar uma jurisprudência iniciada em 1999 pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ), que permite o trabalho externo ao preso em regime semi-aberto, alegando que ela não vale para o STF. É um absurdo, uma incoerência, porque se o preso está em regime semi-aberto, como o próprio nome já diz, ele tem direito a sair da prisão durante o dia, e justamente por essa razão se exige que ele trabalhe. Barbosa, mais uma vez, se posiciona contra o direito dos réus, contra a liberdade, contra a tendência humanista moderna de todos os sistemas penais em países civilizados, que caminham para penas leves e alternativas. O endurecimento do Estado deve se dar, sempre, no aumento da transparência do Estado e num maior poder de investigação dos agentes da lei, mas nunca no sentido de reduzir os direitos individuais, nunca no sentido de reduzir a liberdade.
Barbosa está reintroduzindo ideias medievais na filosofia penal brasileira. Sua observação, de que o condenado tem de sofrer “ostracismo” na mídia, porque isso faria “parte da pena”, revela bem a mentalidade medievalista, antilibertária, truculenta, retrógrada, de Joaquim Barbosa. E o mais odioso em isso tudo é que, para cúmulo das injustiças, ele parece usar de violência penal apenas com os réus petistas ou ligados a Ação Penal 470. Barbosa, com a chancela da mídia, inaugurou o arbítrio como norma no sistema penal brasileiro. Mais uma vez eu preciso lembrar Cesare Beccaria, para comparar a situação dos juízes, confortáveis com suas regalias funcionais, seus apartamentos em Ipanema e Miami, seus banheiros de 90 mil reais, tirando férias na Europa com dinheiro público, sendo paparicado pela mídia, e a situação de Dirceu, condenado sem provas, através de uma teoria alienígena e mal usada (domínio do fato), mantido em regime fechado mesmo tendo sido sentenciado ao semi-aberto, sendo massacrado diuturnamente pela mídia, tendo sua privacidade violada criminosamente pela Veja e por um deputado do PPS, e agora vendo a sua própria filha sendo vigiada e atacada pela imprensa.
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Dirceu e a tortura moral
Episódio pequeno não pode ser ampliado para esconder violência contra José Dirceu
A notícia de que uma das filhas de José Dirceu furou a fila da Papuda para encontrar-se com seu pai tem a relevância de um episódio menor numa grande tragédia.
Ninguém precisa ter compromisso com erros e deslizes.
Quaisquer que sejam as falhas e faltas cometidas neste caso, que ainda aguarda esclarecimentos maiores, é preciso distinguir o principal do secundário, o que é certo do que é absurdo.
José Dirceu, hoje, é vítima de tortura moral contínua.
Como esse tipo de violência não deixa marcas físicas, muitas pessoas acham fácil conviver com ela. Não sentem culpa nem remorso.
O pai de Joana Saragoça encontra-se preso na Papuda desde novembro de 2013.
Jamais foi condenado a regime fechado mas até hoje lhe negam o direito de sair para trabalhar. Sua privacidade foi invadida e, sem seu consentimento, suas fotografias na prisão chegaram aos meios de comunicação, várias vezes, onde foram exibidas de modo a ferir sua imagem. Nada aconteceu com os responsáveis por isso. Nada.
No esforço para encontrar – de qualquer maneira – o traço de qualquer conversa telefônica indevida, um indício, um ruído, uma procuradora chegou a pedir o monitoramento ilegal das comunicações do Palácio do Planalto, o STF, o Congresso – e nada, absolutamente nada, lhe aconteceu nem vai acontecer, fiquem certos.
Infiltrados numa visita de caráter humanitário, parlamentares da oposição chegaram a divulgar mentiras convenientes para prejudicar Dirceu. Lançaram a lorota do banho quente na cela. Uma deputada que sequer entrou em sua cela deu entrevistas falando dos privilégios. O que ocorreu? Nada. Nada. Nada. Sequer sentiu vergonha. Talvez ganhe votos.
Situações como aquela enfrentada por José Dirceu podem criar situaçoes insuportáveis entre pessoas próximas.
São capazes de provocar reações irracionais, erradas, por parte daqueles que mais sentem a dor da injustiça.
Sem suspiros moralistas, por favor.
Lembrando as reações iniciais ingênuas da família do capitão André Dreyfus, Hanna Arendt sugere que os parentes – muito ricos — chegaram a pensar em subornar autoridades que poderiam libertá-lo.
Quer um episódio mais chocante? Em 1970, Carlos Eduardo Collen Leite, o Bacuri, militante da luta armada, foi preso e massacrado pela tortura do regime militar. Não custa lembrar que, antes de ser executado, os jornais fizeram sua parte no serviço: noticiaram sua fuga – dando a cobertura para um assassinato impune.
Bacuri foi apanhado num momento em que fazia levantamento para um sequestro no qual pretendia salvar a mulher, a militante Denise Crispim, presa e grávida. Quando seu corpo apareceu, Bacuri tivera as orelhas decepadas, olhos vazados, dentes quebrados, vários tiros no peito.
Claro que estamos falando de situações diferentes. Muito diferentes. Graças a atuação de homens e mulheres no passado mais duro – inclusive José Dirceu – o país tem hoje um regime de liberdade.
Estes casos mostram, contudo, como é difícil reagir diante da injustiça.
Mostram como é pequeno falar em “privilégio” diante de um poder que se arvora o direito de espionar a presidência da República e nada sofre. Que desrespeita a lei, enrola e ganha tempo, apenas para punir e perseguir. E é errado, muito errado, cobrar de quem está nessa situação, oprimida, injustiçada, comportamentos exemplares, racionais, sem enxergar o conjunto da situação. Até porque nada se compara com outras reações surpreendentes e tão comuns no país, como a de empresários que corrompem políticos, constroem fortunas imensas e, mais tarde, apanhados em flagrante, alegam que foram vítimas de extorsão. Nada disso.
O pai de Joana Saragoça está sendo submetido a um processo contínuo de violência moral. Sua base é o silêncio, o escuro, é a cela fechada, o presídio trancafiado, os amigos distantes, o trabalho proibido, tudo para que se transforme numa não pessoa, com a cumplicidade e o silêncio dos mesmos que se mostram muito incomodados com banhos quentes, um papelzinho de uma lanchonete fast-food, uma feijoada em lata…
E se você acha que, talvez, esse negócio de “tortura moral” pode ser invenção deste blogueiro, talvez seja bom desconfiar da natureza de seus próprios princípios morais. Eles podem ter-se tornado flexíveis ultimamente.
"Dilma precisa tomar mais cuidado com a turma a seu redor. O que está em jogo não é apenas a eleição dela, Dilma, mas o destino de um projeto político de caráter popular, que vem transformando a vida de milhões de brasileiros. A maioria da população quer continuar este processo de transformação, mas o processo deve ser atualizado à luz das ferramentas que temos hoje. (...) Lula conseguia inovar através da improvisação, fazendo graça e quebrando protocolos. Dilma poderia, sem perder o estilo dela, oferecer aos brasileiros informações em formato interativo, de maneira arrojada e sedutora."
Leia bem o título dessa matéria publicada agora há pouco (meia noite do dia 22/04), no site do Globo.
Procure na matériaqualquer declaração de Dilma que corresponda, vagamente, ao título. Não há. O máximo que dizem é que “fontes do Planalto rebateram nesta segunda-feira a fala do ex-presidente da Petrobras”.
Fontes? Que fontes? Assim é fácil fazer jornalismo.
Esse é o resultado do silêncio de Dilma. A imprensa começa a inventar “fontes do Planalto”. O que, por sua vez, me remete a um artigo que li há alguns dias no Diário do Centro do Mundo, citando uma das situações da famosa série política House of Cards.
Na segunda temporada, o personagem de Kevin Spacey, o ambicioso e maquiavélico Frank Underwood, finge ser o melhor conselheiro do presidente. Mas só lhe dá conselhos errados, porque seu objetivo é derrubar o presidente. Consegue. Derruba o presidente e assume o lugar dele.
Política tem dessas coisas. Às vezes seus melhores amigos são aqueles que já estão te traindo e preparando a sua cova.
Dilma precisa tomar mais cuidado com a turma a seu redor. O que está em jogo não é apenas a eleição dela, Dilma, mas o destino de um projeto político de caráter popular, que vem transformando a vida de milhões de brasileiros. A maioria da população quer continuar este processo de transformação, mas o processo deve ser atualizado à luz das ferramentas que temos hoje.
Hoje é dia 22 de abril, e a última postagem do blog da Petrobrás é do dia 19. Estão curtindo o feriadão? Que situação ridícula! Que incompetência! A direita não tira férias. Passou os últimos dias aumentando a pressão pela CPI. Agora está tudo em mãos de Rosa Weber, uma juíza inteligente, mas extremamente vulnerável à pressão midiática. Ela é a autora da pérola incrível de fascismo midiático: “não tenho provas contra Dirceu, mas vou condená-lo porque a literatura assim me permite”.
O governo não aprendeu com o “mensalão”? Vai oferecer o que resta do partido para virar comida no banquete sanguinário da mídia?
Essas mesmas “fontes” do Planalto, tão loquazes com o Globo, não dizem nada sobre o blog da Petrobrás, uma empresa estatal, que é, em última instância, controlada pelo governo federal? Não seriam essas fontes, na verdade, inimigos infiltrados? Se é que elas existem…
Dilma também tem um blog. Ela podia usá-lo para fazer política, não? Ou isso é proibido porque a Globo não acharia “republicano”? Nesta segunda-feira, o blog do Planalto publicou dois posts: um sobre Tiradentes, com platitudes óbvias, quase infantis, sobre o feriado; o outro com uma notícia já velha, sobre a inauguração do Navio Dragão do Mar. Repercussão zero, inclusive entre os seguidores da presidente.
Dois posts chatos, previsíveis, burocráticos!
O blog da presidenta vai ficar nessa toada? Não vai dar uma repaginada, só para mudar um pouco? Não podia ser atualizado 24 horas por dia, com respostas instantâneas a qualquer ataque político ao governo? Tal iniciativa insuflaria um entusiasmo avassalador junto ao eleitorado de Dilma, que apanha como escravo de engenho nas redes sociais, por culpa do silêncio esnobe, quase negligente, do governo.
Esse Café com a Presidenta não poderia ser convertido em vídeo, para os brasileiros verem o rosto e as emoções da presidente enquanto ela fala? Os comunicadores da presidenta não sabem que, desde os anos 50, a ferramenta do audiovisual se tornou muito mais poderosa que o áudio? Nunca ouviram falar do Youtube? Ninguém percebeu que esse Café já ficou frio?
Dilma não vai criar nenhuma ferramenta nova de comunicação? O governo federal não vai fazer um mísero aplicativo para ipad e smartphone, que dê acesso a informação atualizada sobre as ações do Estado brasileiro e quais as perspectivas de nossa economia?
Não vão fazer um aplicativo para a Copa, para o pré-sal, para os dados de economia, para ajudar os brasileiros no exterior?
Não vão fazer nada dinâmico e atualizado em inglês, para que o mundo tenha um contraponto à mídia local sobre como está o Brasil?
Dilma não vai desenvolver nenhuma política de comunicação efetiva para a classe média, para os jovens?
Por que Dilma não faz, sei lá, um hang out semanal com os internautas? Ela não quer ser popular?
Por que os jovens que estudam no exterior não recebem um emailzinho da presidenta parabenizando-os pelas conquistas, e prestando alguma informação relevante?
Eu recebia, até há pouco, emails diários do presidente Obama.
Dilma só aparece em eventos fechados, duros, chatos, onde fala coisas como: “quero agradecer ao governador, à mulher do governador, etc.”…
Ninguém leu a coluna do Delfim Neto, dizendo que a falta de uma comunicação inteligente do governo está fazendo os empresários recuarem em suas decisões de investimento? Ninguém mais sabe direito o que está acontecendo, o que gera ruído negativo entre empresas e poder público.
A comunicação deficiente do governo está travando a economia brasileira!
E comunicação inteligente não é praticar um ufanismo idiota, tipo comunicação que qualquer governo medíocre faz: informar que o desemprego caiu, inaugurar obra, etc. Isso todo mundo sabe, porque está em toda parte. Se o desemprego está baixo, a presidência tem de trazer informações que ajudem o brasileiro a encontrar um trabalho melhor. Tem de trazer dados negativos também, adiantando-se aos urubólogos.
Lula conseguia inovar através da improvisação, fazendo graça e quebrando protocolos. Dilma poderia, sem perder o estilo dela, oferecer aos brasileiros informações em formato interativo, de maneira arrojada e sedutora.
Não adianta exagerar ou contar mentiras. Basta falar a verdade, informando aos brasileiros sobre os problemas que estamos enfrentando, e propondo parcerias entre governo, sociedade civil e o cidadão. O brasileiro comum, inclusive aquele que talvez não votou e não votará nela, quer ajudar Dilma a governar! Como usar essa energia se não for através da comunicação?
Dilma poderia se adiantar a Alckmin, por exemplo, e falar do problema da água em São Paulo. Afinal, é um problema que afetará o país inteiro, então ela deveria abordá-lo. Não precisa explorar a situação de maneira vulgar e eleitoreira, mas com transparência. Tipo assim: “paulistas e brasileiras, sou do PT e estou disputando eleições este ano, e qualquer crítica que eu fizer ao problema da água em São Paulo, a oposição e a imprensa me acusarão de estar sendo partidária e eleitoreira. Não é isso. Quero ajudar o governo de São Paulo, mesmo comandado por um partido adversário, a resolver esse problema. Vamos economizar água. No Brasil inteiro, para dar exemplo aos paulistas. Para sermos solidários aos paulistas! Vamos levar água de outros estados para São Paulo. Vamos ajudar São Paulo! Agora vou apresentar uma cartilha de como economizar água. O conselho vale para todos os outros estados, afinal economizar água é bom para todo mundo, porque água é um bem valioso que precisamos preservar.”
Pronto! Seria ações solidárias, generosas e não oportunistas, e isso seria levado em conta pelo eleitor.
O que Dilma está esperando para agir na questão da água em São Paulo? O paulista também é brasileiro e tem de ser protegido da incompetência e insensibilidade do governo tucano.
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Depois de anos longe do twitter, Dilma voltou a ele, há alguns meses, fazendo palhaçadas com a Dilma Bolada, cujo autor, Jefferson Monteiro, diga-se de passagem, reúne mais talento do que todos os assessores de comunicação da presidência juntos. Conheci-o outro dia numa festa de uma produtora de cinema, na Lapa, e constatei ser também um rapaz dotado de fina intuição política.
Só que agora Dilma podia deixar de lado as palhaçadas, e jogar sério? Que tal?
Que tal chamar Gabrielli, Graça Foster, senadores do PT, e criar um comitê para lidar com o que, a partir de agora, será uma eterna “crise política”, criada e inflada pela imprensa para subsidiar a oposição?
Ou vão ficar nessa de esperarem as coisas acontecerem, fazendo orações para que a crise esfrie e a imprensa mude de assunto?
A imprensa não vai mudar de assunto. A imprensa brasileira é um partido político de direita e exerce o seu papel de oposição. Não adianta mais ficar resmungando contra a mídia.
O apagão político e comunicativo do governo está fazendo o barco afundar. Isso não pode acontecer. Não podemos deixar a direita voltar ao poder.
Tenho conversado com muita gente nas últimas semanas, e escutado sempre a mesma frase de todos que torcem pela vitória de Dilma: se o governo não tomar atitude, não for mais assertivo, inovador e comunicativo, ela vai perder as eleições.
Os marketeiros não repararam que os brasileiros querem mudança, mas com Dilma? Não vão mudar?
Se querem mudança, Dilma deve mudar. E o ponto que hoje parece mais atrasado é a comunicação, que não é nenhuma “frescura”. É onde se dá o embate político, onde as decisões de investimento bebem sua vontade de potência, onde nascem os sonhos de futuro, onde resgatamos as memórias do passado.
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Quando puder, faça uma assinatura do blog O Cafezinho. Vamos manter este Cafezinho quente e encorpado!
Que cansaço! Todo dia alguém tenta dar um golpe no Brasil. E o golpe sempre vem de dentro das instituições. Parece que a ilegalidade apenas se dá quando a mídia assim o quer. Quando se está do lado da mídia, todos os arbítrios são válidos. Promotores e juízes podem fazer o que bem entender, até mesmo agredir governadores e presidente da república. Quando teremos paz, meu Deus?
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A insubordinação e a quebra de hierarquia no Judiciário e no Ministério Público Francisco de Assis, no blog do Nassif.
Tornou-se fato sabido e confirmado que uma promotora do Distrito Federal solicitou quebra ampla, geral e irrestrita de sigilo telefônico do Palácio do Planalto.
Assim, o Ministério Público, através de um dos seus membros, atenta e comete um crime contra o Estado Brasileiro, ao solicitar quebra de sigilo da Presidência da República sem amparo funcional e legal para isto, e sabendo, /*por dever de ofício*,/ que apenas ao Procurador-Geral da República é dado o poder de investigar a Presidência da República, nos limites estritos da Constituição e das Leis.
O Poder Judiciário, através de um dos seus juízes, sabedor, /*por dever de ofício*,/ da flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade do pedido, em vez de repeli-lo, chamar a atenção e denunciar a tentativa de crime contra o Estado Brasileiro por parte do membro do MP, ignora a tentativa criminosa e criminosamente dá sequência legal ao pedido, encaminhando-o ao Presidente do Supremo Tribunal Federal.
O Presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, sabedor, */por dever de ofício/*, da flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade do pedido, não toma as atitudes a que é obrigado, pela Lei e pela Constituição, de rejeitá-lo de imediato, repreender o juiz da VEP e ordenar que seja investigado, e solicitar do Procurador-Geral da República, Chefe do Ministério Público, a imediata investigação da quebra de hierarquia do membro do MP em questão.
O mesmo ministro Joaquim Barbosa, que há pouquíssimo tempo /aprovou a insubordinação e quebra de hierarquia /praticada pelo mesmíssimo juiz da VEP, ao questionar diretamente um Governador, poder atribuído pela Constituição apenas ao STJ e ao STF, no Poder Judiciário. /E que, inclusive, mandou arquivar o procedimento disciplinar aberto no TJ-DF contra este juiz da VEP, incentivando assim a insubordinação e quebra de hierarquia no Poder Judiciário/.
O Chefe do Ministério Público, o PGR Rodrigo Janot, não demonstra ter tomado qualquer iniciativa contra o membro do MP que, insubordinando-se e quebrando a hierarquia do MP, /arvorou-se as funções do próprio PGR /numa tentativa de crime contra o Estado Brasileiro, nos seus três poderes constituintes. Detentor da iniciativa penal, tampouco toma atitudes contra o juiz da VEP, e nem mostra que tenha, pelo menos, solicitado informações a respeito do TJ-DF e do Supremo Tribunal Federal.
A Presidência da República e o Congresso Nacional, talvez aguardando as iniciativas claramente devidas pelo Poder Judiciário e pelo Ministério Público, se mantêm em silêncio.
Fica a pergunta: o Presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, pode, impunemente, abrir as portas da anarquia, ao aprovar a insubordinação e a quebra de hierarquia no Poder Judiciário e no Ministério Público ?
São todos muito espertos, muito astutos, muito inteligentes. Os donos do dinheiro sabem escolher a dedo aqueles que merecem espaços em seus jornais.
Alguns são tão espertos que é possível ler seus textos de duas maneiras. Aqueles que são contra a ditadura, leem-nos como uma crítica à ditadura. Os que são a favor da ditadura, leem como um elogio à mesma.
É preciso tirar o chapéu. Eles merecem os altos salários que ganham!
Todos eles tomam extremo cuidado, naturalmente, quando falam do golpe. Ninguém quer ser contra a democracia. Não queriam nem em 1964, tanto é que deram o golpe em nome da “democracia”.
Mas a sensação que eu tenho é de que se deflagrou uma verdadeira “operação ditabranda”, na qual os escribas da mídia fazem um joguinho sujo: tentam relativizar a ditadura.
Depois veio Elio Gaspari, com um discurso um pouco mais disfarçado, porém conseguindo, com incrível eficácia, enfiar uma associação de Dilma com a ditadura.
Gaspari é mestre na técnica de dar um significado duplo ao texto: pode-se ler o texto da esquerda para a direita, ou da direita para a esquerda.
Por exemplo, ele escreve que “hoje as duas visões sobrevivem e no ano passado a doutora Dilma flertou com uma Constituinte exclusiva com adereços plebiscitários”.
Adereços plebiscitários?
O dispositivo do plebiscito está na Constituição e deveria ser mais usado. É a voz do povo. Volto a tirar o chapéu para Gaspari: a expressão “adereço plebiscitário” aplica, de forma brilhante, a técnica de transformar democracia em golpe e golpe em democracia.
Nesta sexta-feira, a Folha publica um artigo de Carlos Chagas (que é pai da Helena Chagas, ex-Secom, mas prefiro acreditar que isso não quer dizer nada) que me pareceu um exemplo magnífico de astúcia.
É um artigo tão inteligente! O título é tipicamente “ditabranda”: Não foi bem assim como dizem hoje. Mas até aí tudo bem. Nada é bem assim como dizem hoje. É um raciocínio coringa, que pode ter qualquer sentido.
Chagas vai criticando a ditadura, elogiando a democracia, até que encerra com uma pirueta bizarra, fazendo um elogio babão e “patriótico” ao golpe:
O mundo não está dividido entre mocinhos e bandidos? Ah, o Homer Simpson vai adorar ler isso! Os militares “contribuíram para esse verdadeiro milagre que é a preservação da unidade nacional”.
Permitam-me uma manifestação bem vulgar: ?????????????????
O que isso quer dizer?
Isso me lembra muito um rapaz bobinho que eu conheci uma vez, que veio com o papo de que “Hitler” construiu muitos trens. Ele não era exatamente um rapaz de “direita”. Não tinha ideologia nenhuma. Era um programador que tinha lido “Minha Luta”, do Hitler, e achado “legal”. Depois procurou alguns textos elogiosos ao ditador alemão e engoliu.
Ainda na sexta-feira, outro colunista da Folha, Reinaldo Azevedo, completa o show. Azevedo tem seu estilo próprio, de macaco numa loja de cristais. Não tem sutileza nenhuma. Mas dá conta do recado. Ele encerra o texto chamando Goulart de “golpista incompetente”.
Ora, se Goulart era “golpista”, então os que o derrubaram eram “democratas”.
Pelo jeito, teremos que esperar mais cinquenta anos para que a ditadura não seja relativizada.
O mês de aniversário do Golpe Militar de 1964 provocou uma explosão de manifestações, seminários e grupos de trabalho visando a esclarecer as circunstâncias históricas e políticas daqueles episódios.
Até agora, no entanto, passou em branco o papel dos grupos de mídia no episódio.
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Os fundadores da democracia norte-americana pensaram em três instituições – Executivo, Judiciário e Legislativo – controlando-se através do sistema de freios e contrapesos. E a supervisão geral seria dos grupos sociais genericamente denominados de opinião pública que, pelo voto, escolheriam os governantes.
A instituição incumbida de sistematizar a informação e dar voz à opinião pública foram os jornais. A imprensa local se alastra pelos Estados Unidos proporcionando diversidade cultural, política e reforçando a crença no modelo instituído.
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As novas tecnologias provocam uma mudança radical no modelo.
Com o monopólio das transmissões de telégrafo, a Western Telegraph funda a primeira agência de notícias, a Associated Press, e consegue abrangência nacional. Usa o poder obtido para eleger em 1877 o presidente republicano Rutherford Hayes em um episódio retratado como “a fraude do século”.
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Depois, o avanço da telefonia permitiu a montagem das redes nacionais e aí, além da homogeneização da notícia e da opinião, os cabeças de rede traziam os grandes anunciantes nacionais. As redes de TM consolidam o modelo de empresa de mídia, um misto de jornalismo, show e marketing, que se transforma no mais influente formador de opinião não só nos EUA como no Brasil, superando a influência das igrejas, sindicatos e partidos políticos.
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Duas novas revoluções tecnológicas enfraquecem o modelo. A primeira, a da TV fechada. A segunda, muito mais ampla, da Internet, acabando com o cartel das concessões do espaço público.
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Em pelo menos três episódios de intensa politização da mídia, o que estava por trás eram as estratégias para enfrentar as novas tecnologias: o golpe de 64 no Brasil; a campanha contra Barack Obama, nas eleições norte-americanas; e a campanha sistemática dos grupos de mídia a partir de 2005.
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Nos anos 60, os grupos de mídia temiam o avanço de novos grupos através das redes de TV aberta. Nos anos 2010, o risco é a perda de controle para os grupos de telecomunicações e para as redes sociais.
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O australiano radicado nos EUA Rupert Murdoch definiu o modelo de atuação das empresas de mídia: lançar um candidato à presidência, desenvolver um discurso virulento (que foi pedir emprestado do grupo de ultra-direita Tea Party) e levar a disputa para o campo político. Barack Obama enfrentou a pior campanha difamatória da história dos EUA.
Esse modelo foi replicado no Brasil a partir da experiência de Roberto Civita na revista Veja. Nesse período, as empresas de mídia trouxeram de volta o fantasma da guerra fria, da suposta cubanização do Brasil, da ditadura do proletariado.
Menos do que uma guerra ideológica, essas campanhas denotavam apenas uma estratégia empresarial de um setor que foi irremediavelmente atropelado pelas novas tecnologias.
"O Batman verdadeiro, o do filme, jamais glorifica a si mesmo, como faz nosso heroi de Marechal Hermes. Jamais se expõe desnecessariamente. Ele é, deliberadamente, um personagem das sombras. Sua fantasia não tem objetivo político; ao contrário, foi especialmente elaborada para meter medo. Batman não veio para debater, para construir, para trazer soluções democráticas. É apenas um espírito de vingança. Uma catarse social, não apenas contra o crime, mas contra a burocracia do Estado democrático (...)." "O nosso Batman é só um pobre coitado que não cresceu e que, acredito, só tem uma tradução doentia daquela ideia de fama, que não vem pelo trabalho, pelo esforço, pela capacidade ou pelo talento: vem apenas pelo ridículo. E também traduz, como o outro personagem com transtornos emocionais que vem sendo chamado de Batman por aqui, aquele desprezo olímpico pelo povo e sua capacidade, porque acha que é preciso este tipo exato de “herói” para salvá-lo."
É hora de discutir a sério essa nova síndrome nacional, de achar que a solução de nossos problemas passa pelo surgimento de super-herois.
Fernando Brito, editor do blog Tijolaço, escreveu hoje sobre nosso Batman de passeata. Fiquei com pena do rapaz. Tenho impressão que é uma boa pessoa, um rapaz simples do subúrbio do Rio, cheio de boas intenções, mas que, de fato, é mais um boboca dominado pela cultura de celebridade.
Não percebe sequer o significado de sua própria fantasia: um vingador privado, herdeiro bilionário, que busca fazer justiça com as próprias mãos.
O pobre, o trabalhador, não pode entrar nessa, de entender a justiça como uma esfera privada. Ele tem de acreditar na democracia e se juntar a seus iguais. Quer fazer política? Organize-se, dentro de um partido ou não, mas participe do debate usando a cabeça, convencendo e ouvindo os outros, expondo ideias, com convicção, paixão e seriedade.
E ninguém deveria combater os males sociais com espírito de vingança, como faz Batman. Aliás, temos outro personagem também chamado de ”Batman” no Brasil, um juiz reacionário que não parece dar muita bola aos direitos das pessoas que julga…
Entretanto, é bobagem fazer proselitismo ideológico com Batman. Eu mesmo sou fã do homem-morcego, justamente porque não fico pensando se o Batman é de esquerda ou direita. Não assisto enlatados de hollywood pensando em política. É entretenimento, diversão. Mas já que tem gente confundindo ficção com realidade, então vamos lá.
Batman é um heroi ultraconservador e ultracapitalista. Não à toa foi criado na década de 40, no auge da guerra fria. Não é um idiota, porém. É um ser humano atormentado, extremamente autocrítico. No Cavaleiro das Trevas (2008), por exemplo, Bruce Wayne (identidade secreta do heroi) entende que a solução para a criminalidade e corrupção em Gotham City deveria passar pela via republicana, ou seja, deveria ser conduzida pelo novo promotor público, Harvey Dent. Planeja, com isso, aposentar o super-heroi.
Mas Bruce comete um erro ao depositar todas as esperanças em Dent, ou seja, ao apostar, mais uma vez, numa espécie de vingador, desta vez com a chancela do Estado. Batman deveria antes acreditar na democracia, investindo mais em debates sobre políticas públicas.
Ironicamente, é o Coringa quem vai acreditar na democracia, ao entregar uma bomba em mãos da tripulação de dois barcos, sendo que qualquer uma delas deveria acionar a bomba para explodir o outro barco e salvar o próprio. Só que Coringa se dá mal. Num dos barcos, lotado de presidiários, é justamente um criminoso algemado quem decide jogar o dispositivo da bomba pela janela, salvando o outro barco.
No outro barco, ninguém tem coragem de acionar a bomba para explodir o outro barco. A mesma democracia que derrotou Bruce Wayne, ao não proteger seus pais, mortos num assalto, também vence o Coringa.
Enfim, o Batman proporciona reflexões políticas muito além das ideias simplórias de nosso batman de passeata. O Batman verdadeiro, o do filme, jamais glorifica a si mesmo, como faz nosso heroi de Marechal Hermes. Jamais se expõe desnecessariamente. Ele é, deliberadamente, um personagem das sombras. Sua fantasia não tem objetivo político; ao contrário, foi especialmente elaborada para meter medo. Batman não veio para debater, para construir, para trazer soluções democráticas. É apenas um espírito de vingança. Uma catarse social, não apenas contra o crime, mas contra a burocracia do Estado democrático, que prefere combater a criminalidade com políticas públicas, muito mais demoradas, ao invés de simplesmente caçar bandidos nas ruas. Só que políticas públicas são a única forma de reduzir a criminalidade no médio e longo prazo. E o Estado nem sempre tem os ilimitados recursos financeiros que parece ter Wayne.
A grande contradição que o filme não esconde, embora não a problematize, é que a própria riqueza desproporcional de Bruce Wayne pode estar na raiz das violências que corroem Gotham City.
A matéria de Bernardo de Mello Franco, hoje, na Folha, mostra, coitado, o estado de fragilidade psicológica daquele rapaz que se tornou conhecido como “Batman” das manifestações.
“Tenho síndrome de super-herói”, diz o rapaz boboca (altere as vogais a seu gosto) para dizer que “não consegue ficar parado quando vê uma injustiça”.
O “Bruce Wayne” carioca tem 32 anos. Será que ele só não conseguiu ficar parado diante das injustiças nos últimos seis ou sete meses?
Ou será que antes de junho não havia injustiça no Brasil?
Há doze ou treze anos atrás, e ele já era maior de idade, não se tem notícia do dito cujo desfilando suas fantasias em atos de protesto contra o arrocho salarial, contra a entrega do patrimônio público aos grupos privados, contra as exigências do FMI…
O pateta da capa e máscara é apenas mais um idiota da cultura de subcelebridades que a mídia vem construindo há tempos neste país.
Não importa como ou porque, o importante é aparecer.
Seja um “brother”, uma mulher-melancia, padre-voador pendurado em balões de gás.
O nosso Batman é só um pobre coitado que não cresceu e que, acredito, só tem uma tradução doentia daquela ideia de fama, que não vem pelo trabalho, pelo esforço, pela capacidade ou pelo talento: vem apenas pelo ridículo.
E também traduz, como o outro personagem com transtornos emocionais que vem sendo chamado de Batman por aqui, aquele desprezo olímpico pelo povo e sua capacidade, porque acha que é preciso este tipo exato de “herói” para salvá-lo.
Algo como o Bruce Wayne da série, um riquinho entediado e recalcado, que surge na noite para “vingar” os desvalidos.
O nosso Batman enverga suas roupas justas como uma criança veste uma capa para viver uma fantasia própria de sua imaturidade.
E a “tia Mídia”, como dizemos aqui no Rio, “bate palmas pra maluco dançar” sem nenhuma cerimônia.
Mas Eron de Melo não é uma criança, tem 32 anos.
Deveria refletir e resolver seus desajustamentos de forma privada, não ajudando a promover conflitos, quebradeiras e, acima de tudo, querendo aparecer para os seus “15 minutos de fama”.
Aproveite a fantasia no Carnaval que vem aí, menino, e se quiser venha debater como um adulto que você deveria ser.
Escreva o que você pensa, apresente suas ideias e exponha-se ao debate político.
Senão, você será só uma pessoa com problemas que gosta de seu mundinho particular, onde é apreciado apenas por ser “diferente”.
Nós preferimos o contrário: queremos que as pessoas possam ser mais iguais.
E felizes sendo elas próprias, sem precisarem se fantasiar.