Tradutor

quinta-feira, 5 de julho de 2012

A guerrilheira da notícia



A veterana jornalista Helle Alves, hoje com 85 anos, foi a primeira jornalista a noticiar a morte de Che Guevara pelo exército boliviano, pois se encontrava no lugar do fato, ficando muito conhecida por este furo.


A guerrilheira da notícia

Entrevista com a jornalista Helle Alves

                                                                               Arquivo/A Tribuna (Santos)

Carlos Norberto de Souza*

Na saída do elevador, no 8° piso, vê-se, ao longo do corredor, escuro, a porta entreaberta do apartamento 82. E, ali, postada, está a figura discreta e frágil de Helle Alves, por volta de 1,5 metro de altura. Quem vislumbra sua imagem, a de uma senhora em seus 85 anos de idade, dificilmente imagina que se trata também de uma das pioneiras do jornalismo brasileiro. Seu maior feito na carreira foi a de ter noticiado primeiro a morte de Ernesto Guevara de La Serne, o Che, guerrilheiro revolucionário argentino morto em uma emboscada pelo exército boliviano, em 1967. Diversas reportagens abordando a revolução dos costumes, os avanços da medicina na época e os Festivais da Música Popular Brasileira, da TV Record, dos anos 60, também fazem parte de seu acervo.


À porta, ela chama a atenção deste repórter: “É por aqui!” Cumprimentá-la com um aperto de mão pode ser perigoso, se feito de maneira bruta. Portanto, o gesto é delicado. Ela se acomoda no sofá e vai direto ao ponto: “O que você quer de mim?”

Aos 15 anos de idade, começou na imprensa num jornal semanal, a Rádio Olá, cujo dono comandava também a Rádio América. Em 1947, ingressou no setor público como redatora de atas da Assembleia Constituinte, ficando afastada do meio jornalístico por certo tempo. Até que, no fim da década de 1950, foi contratada pelos Diários Associados, do então magnata das Comunicações Assis Chateaubriand. A paixão de Helle sempre foi a reportagem.


Os famigerados vistos

“Sempre trabalhei na editoria de Geral. Cheguei a ser chefe de reportagem e editora de diversas áreas, mas sempre por pouco tempo porque gostava mesmo é de ser repórter de Geral”, conta, acrescentando que o jornalismo da época era muito estimulante, pois o jornalista precisava sair da redação para ir atrás das notícias. “Naquele tempo, não havia satélites ou internet, então o jeito era ir para a rua, pegar a estrada, em busca das informações. A reportagem é a parte viva do jornal!”

Engajada nas campanhas pela emancipação feminina, Helle é uma das precursoras nas redações. Hoje é coisa corriqueira. Mas na época raramente se via uma mulher desempenhando a função. “Nos Diários, só havia uma repórter antiga, boa, a Margarida Izar, mas nossos horários não coincidiam”, lembra. E as poucas corajosas sofriam com o machismo dominante. “Setores como Esporte e Polícia eram verdadeiros ‘clubes do Bolinha’. Ou seja, terreno monopolizado pelo mundo masculino da imprensa. “Mas eu não admitia ser excluída das coberturas de peso, como a guerrilha.”

A respeito do furo de reportagem da morte de Che, ela demonstra modéstia. A atenção da imprensa internacional estava no julgamento do jornalista francês Régis Debray, acusado de integrar a guerrilha na Bolívia. “Eu, o fotógrafo Antonio Moura e o cinegrafista Walter Gianello fomos lá para cobrir o assunto. Deveríamos ir a La Paz buscar vistos. Mas tentamos cortar caminho em Santa Cruz de La Sierra”, relata. Helle conta que, após algumas tentativas em obter os famigerados vistos com os militares, verificou uma intensa movimentação em Valle Grande. O exército boliviano matara quatro guerrilheiros, mas nenhum seria Guevara.


“Devia ter tido mais paciência”

A jornalista, então, foi a La Paz pegar os vistos – toda vez que mudavam de cidade, precisavam de novas autorizações – enquanto seus colegas permaneceram em Santa Cruz para apurar as informações. Helle retornou no dia seguinte e, segundo ela, o clima estava pesado, pois circulava o boato de que Che estava morto. Informação confirmada em Valle Grande com os próprios olhos. A reação dos bolivianos a impressionara. “Uma multidão raivosa invadiu o local onde estava o corpo de Che para destruir o que visse à frente. Mas quando o viram com a fisionomia bonita, sorridente, disseram que parecia com Jesus.” E então se formou uma espécie de romaria, todos a querer ver o corpo de perto.

Por causa da reportagem, Helle foi processada pela ditadura militar, que a proibiu de publicar qualquer coisa sobre Che. Em 1968, o regime engrossou de vez. O Ato Institucional 5 foi decretado. “Tinha um censor na redação com um baita lápis vermelho para marcar com xis o que considerava perigoso. Isso quando não rasgava tudo logo”, recorda. Por causa dessa censura prévia, era preciso colocar a criatividade das pautas à prova. “Fiz reportagens sobre os Festivais da Música Popular Brasileira, os avanços da Biologia e da Medicina (como o bebê de proveta e as pesquisas com clonagem), a emancipação feminina etc.” Mas na época o império de Chateaubriand já estava em decadência, obrigando Helle a deixar o jornalismo diário.

A veterana jornalista diz que, por causa da constante vigilância na redação, havia mais criatividade nas pautas. “Ao contrário de hoje, quando a imprensa é pasteurizada, sem criatividade”, reclama. De uma coisa Helle arrepende-se: não ter continuado no jornalismo diário. Perdeu o ânimo. Era uma época de repressão da ditadura e os profissionais de imprensa não tinham liberdade para trabalhar. Esse desânimo, segundo ela, afetou muitos colegas. “Devia ter tido mais paciência”, constatou. “Muito jornalista foi se retirando daquele fogo. Tínhamos muito entusiasmo, mas dez anos de regime esfriaram muita gente”, lembra Helle.

“O gravador não tinha funcionado”

Ela critica a burocracia do jornalismo atual. “Os Diários (Associados) era uma redação com todo mundo junto, se trocava muito mais opinião, impressão e ideias.” Após a aposentadoria, morou em Campos do Jordão. Viajou por diversos países. Até mudar-se para Santos em 1992, onde tem se dedicado à defesa dos direitos do idoso em campanhas que culminaram com a aprovação do Estatuto do Idoso, em 2003. Foi presidente do Centro Regional do Idoso. Teve dois filhos, Laedi Rodrigues, 60 anos, doutora em Saúde Pública, e Lael Rodrigues, falecido há mais de 20 anos. Lael era cineasta e autor de livros sobre MPB e deixou, à época, um filho de três meses de idade. Laedi, por sua vez, deu três netos a Helle.

Independente, ela mora sozinha há quatro décadas, desde o casamento da filha. Teve outras paixões, é claro, mas nunca pensou em se casar novamente. Helle preza a própria liberdade, seja na carreira ou na vida pessoal. É de família: sua irmã, a atriz Vida Alves, deu o primeiro beijo da televisão brasileira. Ainda hoje, Helle vive um cotidiano de muitos compromissos, entre os quais as diversas visitas de estudantes de Jornalismo. Ela conserva ainda o jeitinho mineiro de contar histórias, a voz mansa, mas firme. Em uma dessas visitas, a futura jornalista entrevistou-a durante três horas ininterruptas. “No dia seguinte, voltou desesperada pedindo para fazer a entrevista tudo de novo, pois o gravador não tinha funcionado”, conta. Neste momento, Helle, que já estava mais descontraída, deixa escapar uma gargalhada.




Carlos Norberto de Souza é estudante de Jornalismo.

Observatório da Imprensa

*

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Tá começando a FLIP, em Paraty, gente...



Não percam! Agora, 19:02 hs, hora de Brasília...


Festa Literária Internacional de Paraty...





Transmissão pelo site oficial: http://www.flip.org.br/flipaovivo.php


E conheçam Paraty, um lugar verdadeiramente mágico e encantador...


Link do vídeo * *

Uma revolução silenciosa



É estimulante e animador saber que no mundo há pessoas com esta cabeça.


É desta revolução que falamos aqui: a revolução interior, silenciosa, não nas instituições, mas na base, no indivíduo, no cidadão. Mudança interna, de valores, de mentalidades.


Talvez a única forma de reconstruir e salvar o planeta.



Universidade dos Pés-Descalços

Uma silenciosa revolução ecossociológica está acontecendo em várias partes do mundo. Uma revolução que é feita pela base, entre os intra-históricos, os homens e mulheres alijados desse sistema autodestrutivo que vige no planeta, e que, em virtude disso, de estarem na linha da miséria, no limite da necessidade, estão livres e aptos para essa mudança radical.

Não se trata de uma revolução entre classes da velha política desse sistema moribundo, mas uma mudança de paradigmas, um revolução da consciência dos cidadãos, uma reciclagem do lixo das mentalidades deixadas por um sistema que traz em seu âmago sua própria destruição.


No Brasil, homens de idéias, como Miguel Nicolelis (já postamos sobre isso aqui neste blog) vão instaurando um novo tempo para a ciência mundial, em pleno Nordeste brasileiro. Esse tipo de atitude altruísta e visionária vai se replicando em várias partes do mundo. 


Agora mesmo, em Rajasthan, na Índia, uma escola extraordinária ensina mulheres e homens do meio rural - muitos deles analfabetos - a tornarem-se engenheiros solares, artesãos, dentistas e médicos nas suas próprias aldeias. Chama-se Universidade dos Pés-Descalços, e o seu fundador, Bunker Roy, explica como funciona:



Link do vídeo *

A urgente reconstrução do Judiciário brasileiro



Só se reconstrói o que se encontra destruído...


Não é à toa que tratamos aqui à saciedade do Judiciário que temos - arcaico, retrógrado, vetusto, moroso, elitista, fechado, antidemocrático - e do Judiciário que queremos e merecemos: moderno, aberto, transparente, ágil, dinâmico, democrático, em sintonia com a sociedade midiática e planetária em que vivemos.


A combativa ministra Eliana Calmon e o CNJ, Conselho Nacional de Justiça, são exemplos desse Judiciário antenado com a avançada sociedade da informação e do conhecimento e com a cidadania planetária.


Judiciário Cidadão.


Meritocracia judicante

NA JUSTIÇA BRASILEIRA, CAPENGA EM TERMOS DE MODERNIDADE E DE INVESTIMENTOS, LHE FALTA PLANEJAMENTO, GERENCIAMENTO E SUPORTE TÉCNICO-ADMINISTRATIVO. AO LADO DISSO, A AUTONOMIA DE VERBAS É FUNDAMENTAL

Carlos Henrique Abrão*

A sociedade civil, organizada para se sentir mais segura e respaldada, deve lutar por uma meritocracia judicante. Significa estontear a política que se enraizou, na última década, no corpo jurisdicional e banir, completamente, o sentimento de influências externas, exceto aquela da própria competência.

Triste sentir que vige a Lei Orgânica que mais emblematicamente ostenta conotação desorgânica, do tempo ditatorial, a Lei Complementar nº 35/79 deveria ser uma página virada da história institucional, pois contempla preceitos e princípios retrógrados.

A primeira iniciativa deve partir do pressuposto de findar, de uma vez por todas, com o famigerado Quinto Constitucional, já que ele apenas visa pulverizar a composição dos Tribunais e atrasar as promoções daqueles que, depois de várias décadas, aguardam merecidas chegadas ao topo da carreira.

A segunda reforma a ser norteada parte do predicado de se relegar, a um segundo plano, o critério de antiguidade nas promoções, e trazer, à baila, o valor do mérito.

Em último, e não menos importante, a composição dos Tribunais Superiores estaria obrigatoriamente comprometida com a eleição livre e a escolha técnica pelos Magistrados, sem influência ou interferência de quaisquer dos poderes legislativo ou executivo.

Infelizmente, confundem-se mérito e antiguidade, magistrados que proferem centenas de sentenças, realizam audiências, mantêm em dia seus cartórios e têm comparecimento diário, tudo isso não passa de mera estatística, assim seria vital fosse atribuída uma nota individual para cada juiz, na respectiva instância, a qual seria adotada como pano de fundo nas promoções por mérito, lógica e inequivocamente.

Não se está aqui a defender único critério, mas a sociedade civil ficaria melhor representada se os Magistrados proviessem de carreira, mediante concurso público de provas e títulos, e o acesso aos Tribunais Superiores não permitisse acordos ou indicações meramente caprichosas para satisfazer o ego político ou vontade de alguém mais forte.

Na justiça brasileira, capenga em termos de modernidade e de investimentos, lhe falta planejamento, acima das metas, gerenciamento e suporte técnico-administrativo. Ao lado disso, a autonomia de verbas é fundamental, sem depender, em nada, da caridade do Executivo ou das aprovações do Legislativo.

A descrição de Montesquieu ficou amparada na independência, harmonia e no equilíbrio entre os poderes, sem uma inequívoca radiografia do exercício da função jurisdicional plena, esgotam-se as tentativas de meritocracia.

O Supremo Tribunal Federal não é exceção à regra, constantemente na mídia, com troca de insultos e outros comportamentos que não se observam em países do Primeiro Mundo. Atualmente, a grita é pelo julgamento do Mensalão e a devolução dos autos pelo Revisor.

Ao revisor cabe confirmar o voto do Relator, discordar, em parte ou totalmente, estando os autos digitalizados, não há necessidade alguma de mantê-los consigo, uma vez já marcado o início do julgamento.

A exploração da técnica, somada à avaliação permanente, em harmonia com a frequência das Escolas da Magistratura, tudo isso evitaria a politização da magistratura e despertaria a consciência, descortinando um novo Magistrado, apto ao século XXI.

Enfrentamentos são apenas de pensamentos e ideologias, nunca pessoais, os desafios são enormes, há um crescente desestímulo ao cargo de magistrado, afora as dificuldades, temos ainda pela frente a fiscalização diuturna das Corregedorias, do CNJ, dos advogados e Ministério Público.

Ninguém, em sã consciência, pode afirmar que os magistrados ficam imunes à supervisão e às observações externas. O que é primordial é o estudo, reciclagem, com as novas legislações, e participações em Congressos, eventos locais e internacionais. A partir de ferramentas tecnológicas e o ensino a distância, não se justifica mais o alheamento do Magistrado do campo da cultura e do saber.

Os conflitos, hoje colocados, são os mais específicos, de petróleo, gás, meio ambiente, patentes, concorrência, e de toda a natureza, sem o preparo, habilidade e, sobretudo, o mérito, nada será possível em termos de reconstrução do judiciário nacional.

Confiemos nos valores humanos para que possam encontrar, na competência de cada um, o fundamental para rompimento das amarras do passado, o encontro com a realidade do presente, e promissor desenho do futuro, sem sobressaltos.

Carlos Henrique Abrão é desembargador no Tribunal de Justiça de São Paulo



Brasil 247
*

terça-feira, 3 de julho de 2012

SP: Blogueiro Solidário precisando de ajuda



Em abril de 2011, já vivendo nesta situação de vulnerabilidade e violência em que vivo, sendo perseguida por familiares em conluio com agentes públicos e outros, pedi orientação ao jornalista, blogueiro e revolucionário Celso Lungaretti, do blog Náufrago da Utopia, de quem eu era apenas leitora. Ele não pensou duas vezes e me estendeu solidariamente as mãos.



Agora ele está precisando de ajuda e terá desta leitora e companheira de lutas, ideais e blogosfera tudo o que estiver ao meu alcance.


Peço que leiam o apelo deste nosso Companheiro de Utopia e ajudem no que for possível.





terça-feira, 3 de julho de 2012


Infelizmente, depois de evitar enquanto pude esta medida extrema, vejo-me obrigado a pedir a ajuda dos solidários para lidar com uma situação que está acima de minhas forças.

De um lado, sou vítima da iniquidade da Lei do Inquilinato, cujo viés atual é totalmente favorável aos locadores, em perfeita consonância com a desumanidade capitalista. Uma ação de despejo em curso provavelmente privará do lar a minha pequena família para satisfazer a ganância de rentistas, já que venho pagando religiosamente o aluguel ao longo de seis anos e meio, incluindo a aplicação anual de aumentos baseados nos índices inflacionários. No entanto, tem maior peso jurídico a intenção da proprietária de lucrar com a valorização dos imóveis na minha região do que o direito de um idoso a viver em paz e o de uma criança de quatro anos a continuar no bairro onde nasceu e na escola em que se ambientou tão bem. Coisas do capitalismo.

Mas, não fosse nossa Justiça totalmente kafkiana, há muito eu possuiria a minha morada. Em 08/02/2007, como ainda não houvesse nenhuma previsão de pagamento da indenização retroativa que me foi concedida pela União, entrei com um mandado de segurança, pois necessitava muito daquele montante para pagar dívidas e reconstruir minha vida. O julgamento do mérito da questão ocorreu somente quatro anos depois, em 23/02/2011; 9x0 em meu favor. No entanto, acaba de se completar um ano que o processo se encontra parado, sem movimentação nenhuma, quando falta apenas o ministro rechaçar uma óbvia manobra protelatória e ordenar o "cumpra-se". [Para quem quiser conferir, ele tramita na 1ª seção do STJ, sob nº 0022638-94-2007.3.00.0000.]

Assim, estou sendo privado dos recursos que me fazem falta imensa, obrigando-me a contrair empréstimos e mais empréstimos na Caixa Econômica Federal, embora se refiram a direitos atingidos no primeiro semestre de 1970 (há 42 anos, portanto!!!), embora seja totalmente aberrante um mandado de segurança não ter solução depois de cinco anos e meio, embora seja mais aberrante ainda uma sentença unânime, verdadeira goleada jurídica, não haver sido cumprida após um ano e meio.

Por último, a perspectiva de sair de meus apuros financeiros por meio do trabalho remunerado praticamente inexiste, já que a grande imprensa decretou a minha morte profissional (como a de vários outros articulistas inconformados com as injustiças sociais). Nem como personagem histórico ela me dá voz, além de desconsiderar sistematicamente meus direitos de resposta e de apresentar o outro lado, mesmo nos assuntos em que tais direitos são incontestáveis à luz das boas práticas jornalísticas.

De tudo isso, o mais inaceitável, para mim, é não receber a quantia que há tanto tempo me pertence e permitiria que eu resolvesse sozinho todos os outros problemas, trazendo-me tranquilidade e permitindo-me desfrutar plenamente um momento familiar feliz, após uma vida das mais tumultuadas.

Não possuo elementos para relacionar a atual letargia judicial aos trâmites bizarros que meus assuntos tiveram no passado, junto a algumas burocracias do Estado. No entanto, sendo personagem polêmico e detestado pelos círculos direitistas, nunca pode ser desconsiderada tal hipótese. 

O certo é que pressões de nenhum tipo me tirarão do rumo atual. É mais do que definitiva a decisão de dedicar os anos que me restam a tentar legar uma sociedade mais justa e igualitária às minhas filhas, netos e a todos os que virão depois de mim. Fiz minha opção quando comecei a percorrer os caminhos das lutas sociais, em 1967. Tudo por que passei desde então só veio reforçar minha convicção de que o capitalismo desgraça a humanidade e tem de ceder lugar a uma organização da sociedade que priorize a cooperação dos seres humanos para o bem comum.

Quem puder/quiser me ajudar a encontrar uma luz no fim do túnel, por favor, contate-me pelo e-mail lungaretti@gmail.com.

*

Farra na Câmara de São Paulo: Encanador ganha R$ 11 mil



Absurdo dos absurdos é esta Câmara Municipal de São Paulo: salários astronômicos para garagistas, encanadores, chaveiros, garçons, copeiros e afins. Sem contar que há vereadores que não comparecem às sessões e funcionários, com as senhas dos vereadores, registram presença, aprovam projetos...


Essa e outras patifarias acontecendo na MAIOR CIDADE DO PAÍS!


Isto é um acinte, um insulto ao Cidadão Paulistano. Essa gentalha tem que ser escorraçada de lá nas próximas eleições e responder a processos por improbidade e tudo o mais!


Chega! Basta! Não aguentamos mais estas excrescências!


São Paulo não merece essa Bandidagem Engravatada!


Encanador da Câmara Municipal de São Paulo 
ganha R$ 11 mil mensais

Lista completa de remuneração da Casa, divulgada na segunda, mostra mais discrepâncias nos salários

Diego Zanchetta e Rodrigo Burgarelli

SÃO PAULO - Funcionários de nível básico contratados pela Câmara Municipal de São Paulo ganham salários mais de dez vezes maiores do que se paga no mercado para recém-contratados. Um encanador lotado no departamento de Zeladoria da Casa tem salário de R$ 11 mil. Um chaveiro, da mesma seção, recebe R$ 10,9 mil todo mês. E até um operador de máquina copiadora, outro cargo que exige apenas ensino fundamental para a contratação, ganha R$ 9,3 mil mensais.


"É a 1ª vez que se discute isso, pois é a 
1ª vez que se deu essa informação", diz 
presidente da Casa  Tiago Queiroz/AE

Os dados fazem parte da segunda e última leva de funcionários do Legislativo que tiveram os salários divulgados no site oficial da Casa. A Câmara Municipal de São Paulo foi o primeiro órgão desse poder em todo o Brasil a divulgar os subsídios de seus servidores. No total, a Câmara tem 662 funcionários concursados e 1.196 que ocupam cargos em comissão - ou seja, podem ser livremente nomeados por vereadores ou pela Mesa Diretora.

A reportagem comparou os números com a média dos salários de recém-admitidos na capital paulista desde janeiro deste ano divulgada pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. A média salarial para os encanadores contratados foi de R$ 1,2 mil. Para os chaveiros, de R$ 895. E para os operadores de copiadoras, de apenas R$ 799.

As explicações para os salários tão altos estão na legislação que rege o serviço público municipal. Uma série de gratificações e aumentos automáticos já é programada de acordo com o tempo de serviço, o que leva funcionários que executam funções simples, mas que estão há mais de 20 anos na Casa, como o chaveiro, o encanador e o fotocopiador, a ganharem mais do que servidores com curso superior.

Limpeza. Outros exemplos de altos salários estão no setor de Copa e Limpeza. Lá, 13 garçons que trabalham nos coquetéis e eventos realizados nas dependências da Câmara recebem, em média, cerca de R$ 7,5 mil por mês. O maior salário é de um funcionário com 24 anos e 11 meses de serviço: R$ 10.294,71 mensais. Na iniciativa privada, o salário médio dos garçons recém-contratados é de R$ 872, segundo o Caged. Nesse mesmo departamento, sete auxiliares de copeira recebem até R$ 9,7 mil por mês, ante R$ 825 no mercado.

No setor de Frota e Garagem, também há salários que chamam a atenção do contribuinte. Além do garagista que ganha R$ 11 mil por mês, conforme noticiado pelo Estado no mês passado, trabalham ali dois lavadores de carro com salário maior que R$ 6 mil. Um deles, com 26 anos de casa, recebe R$ 8,3 mil brutos. A média da cidade para essa profissão é de R$ 783 mensais.

Reforma administrativa. Os altos salários da Câmara estão concentrados em servidores com mais de 20 anos de trabalho, que foram beneficiados por regras que permitiam a incorporação de gratificações e bônus ao salário-base. Em 2003, uma reforma idealizada pelo vereador Cláudio Fonseca (PPS) limitou o ganho dos novos funcionários de nível básico a cerca de R$ 4 mil.

Essa regra, porém, só vale para quem prestou concurso após essa data. "Na minha opinião, o teto do salários da Câmara deveria ser o dos vereadores (cerca de R$ 9,2 mil)", diz Fonseca. Já o presidente da Câmara, José Police Neto (PSD), afirmou que é a primeira vez que "se vai discutir esse tema porque é a primeira vez que se deu essa informação".



Estadão Online


*

segunda-feira, 2 de julho de 2012

O medo e o discurso do medo



Sakamoto. Leonardo Sakamoto. 


Um dos maiores da blogosfera.


Aqui um pequeno e instigante ensaio sobre o medo.


Tenho muito medo do discurso do medo

Leonardo Sakamoto

O medo é construído diariamente por uma sociedade que torna os objetos uma estrada para alcançar a felicidade. Se perdemos o objeto, perdemos quem somos, perdemos nossa inserção e o reconhecimento à nossa existência. Se não temos, deixamos de existir. Argamassa fundamental para o fortalecimento do medo, portanto, são os discursos de pânico, que amplificam aquilo que seria apenas local, tornado universal por conta do poder de reverberação de determinado grupo atingido. O medo dos mais ricos torna-se o medo dos mais pobres – por mais que os mais pobres tenham um milhão de razões a mais para sentir medo e não apenas aquela. Medo dos mais ricos, inclusive.

Criamos desejos coletivos e, consequentemente, frustrações coletivas de ter e não ter. Vale lembrar das propagandas aspiracionais. Anúncios de carros de meio milhão em canais abertos de TV quando o mais lógico, a um observador desavisado, seria colocá-los em revistas AAA ou divulgar o produto pessoa a pessoa. Mas essas propagandas não são para o consumidor do produto e sim para aqueles que não podem tê-lo a fim de fomentar o desejo coletivo e, dessa forma, aumentar o valor do bem, posicionando-o socialmente.

(Quem acha que o preço tem a ver apenas com o custo do produto deveria acompanhar uma operação de libertação de trabalhadores escravizados em uma oficina de costura que fornece para marcas caras.)

Assim vamos hierarquizando objetos e criamos símbolos sociais.

Ao invés de preparar as futuras gerações para o “ser” sendo mais importante que o “ter” (as mudanças necessárias no modelo de desenvolvimento passam por aí, até porque o planeta não aguenta essa corrida de ter cada vez mais), estamos fazendo com que elas entrem nesse jogo de que ser é mostrar que se tem. Um amigo jornalista me perguntou se eu acreditava que isso era possível. Bem, não sei se conseguiríamos, pois esse discurso não é aleatório, mas serve a um propósito. Faz parte da estrutura de defesa e reprodução do capitalismo. Ou seja, seriam necessárias mudanças estruturais, pois o discurso é consequência, não causa.

Contudo alguma alteracão é condição para continuarmos vivendo nesta sociedade. O discurso do medo retroalimenta a violência. É forjado em série por uma classe social mais rica e seus comunicadores (nós) que mantemos a estrutura do jeito que ela sempre foi, reverberando-o – muitas vezes – de forma acrítica a outras classes, que adotam o discurso.

Boa parte dos trabalhadores que entraram na linha do consumo, há poucos anos, adota com facilidade o discurso conservador. Conquistaram algo com muito suor e têm medo de perder o pouco que têm, o que é justo e compreensível. Mas isso tem consequências. Em pesquisas de opinião sobre a reforma agrária, por exemplo, quem tem pouco adota por vezes um discurso violento, que seria esperado dos proprietários de terra e não de trabalhadores. Afirmam que, se eles trabalharam duro e chegaram onde chegaram sozinhos, é injusto sem-teto, sem-terra ou indígenas conseguirem algo de “mão-beijada” por parte do Estado. Ignoram que o que é defendido por esses excluídos é apenas a efetivação de seus direitos fundamentais: ou a terra que historicamente lhes pertenceu ou a garantia de que a qualidade de vida seja mais importante do que a especulação imobiliária rural ou urbana.

E que dignidade não é algo que tem que ser conquistado a duras penas através do esforço individual, mas faz parte do pacote de direitos sociais, econômicos, culturais e ambientais que você deveria ter acesso simplesmente por ter nascido. Ignoram porque aprenderam que as coisas são assim.

O contato com o “outro”, e com suas diferenças, contribui para fomentar a consciência – coisa que não se aprende nos bancos de escola, mas no trato com a sociedade. Não através do filtro dos jornais e das lentes de TVs, mas pelo diálogo direto. Só dessa forma poderemos entender o que leva a termos determinados comportamentos e aceitar certas visões de mundo sem questionar. Informação não basta, caso contrário os mais escolarizados teriam um comportamento mais aberto aos direitos sociais e humanos, o que não é – necessariamente – verdade. Deve-se saber como trabalhar com essa informação que recebemos, refletir sobre ela e sobre nós mesmos.

Enfim, como diria o genial Laerte:



Blog do Sakamoto


*