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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O fim melancólico de Khadafi



Os maiores portais informativos e agências de notícias de todo o mundo estampam a notícia da captura e morte do coronel Muammar Khadafi, líder deposto da Líbia, onde esteve no comando por 42 anos.


Esperamos que as lideranças mundiais não venham a público "comemorar" a morte do coronel. Não se comemora morte de quem quer que seja, mesmo dos inimigos mais atrozes.


Khadafi é uma figura no mínimo controversa. Há os que o eudeusam e os que o condenam como sanguinário ditador.


O ABC! não fará nem uma coisa nem outra. Aqui, torcemos e vibramos pela população líbia. Para que cesse a violência no país e para que o povo líbio encontre muito em breve o caminho do desenvolvimento, da Justiça e da Paz.


Abaixo, perfil do coronel Khadafi e breve retrospecto do seu longo governo.



Com fama de excêntrico e de orientação nacionalista, Khadafi chegou ao poder em 1969

Aidan Lewis

da BBC News

O líder líbio Muamar Khadafi
Khadafi tem por hábito ter fotos de líderes africanos nas roupas
O avanço rebelde sobre a capital da Líbia, Trípoli, e sobre a cidade natal do coronel Muamar Khadafi, Sirte, pôs um fim definitivo ao governo do líder que permaneceu mais tempo no poder tanto na África quanto no mundo árabe.
Khadafi, de 68 anos, estava no comando da Líbia desde que depôs o rei Idris 1º, em 1969, em um golpe de estado sem derramamento de sangue, quando tinha 27 anos.
Conhecido por seu estilo extravagante de se vestir e pelas guarda-costas do sexo feminino, o líder líbio também é tido como um político habilidoso, que conseguiu tirar seu país do isolamento diplomático.
Em 2003 – depois de passar duas décadas sendo visto como país pária – a Líbia assumiu responsabilidade pelo atentado contra um voo da PanAm sobre a cidade escocesa de Lockerbie, em 1988, abrindo caminho para que a ONU suspendesse suas sanções contra o país.
Meses depois, o regime de Khadafi abandonou os esforços para desenvolver armas de destruição em massa, o que também facilitou a aproximação com o Ocidente.
Por causa das duas medidas, Khadafi deixou o isolamento e passou a ser aceito pela comunidade internacional, ainda que com ressalvas.
"Ele é único em seu discurso, em seu comportamento, em suas práticas e em sua estratégia", disse à BBC o analista de política líbia Saad Djebbar. "Mas é um politico astuto, e um sobrevivente político."
Raízes beduínas

Nos anos 70, Khadafi desenvolveu uma filosofia política nacionalista
Khadafi nasceu no deserto líbio, perto de Sirte, em 1942. Em sua juventude, ele admirava o líder egípcio e nacionalista árabe Gamal Abdel Nasser.
Ele começou a fazer planos para derrubar a monarquia líbia durante seus estudos militares, e recebeu treinamento militar na Grã-Bretanha antes de retornar à cidade líbia de Benghazi, onde deu início ao golpe que o levaria ao poder, em 1º de setembro de 1969.
Em seu Livro Verde, lançado nos anos 1970, Khadafi expôs sua filosofia política, apresentando uma alternativa nacional ao socialismo e ao capitalismo, combinada com aspectos do islamismo.
Em 1977, ele criou o conceito de "Jamahiriya" ou "Estado das massas", em que o poder é exercido através de milhares de "comitês populares".
Khadafi gostava de prezar tradições locais em público. Quando visitava outros países, acampava em uma luxuosa tenda beduína, típica dos povos de sua região.
Durante as viagens, o coronel era protegido por guarda-costas mulheres - que dizia serem menos dispersivas do que os homens.
O coronel também recebe políticos e personalidades que visitam o país em uma tenda beduína. Durante os encontros, ele é conhecido por se proteger das moscas com um artefato feito de crina de cavalo ou com um leque feito de uma folha de palmeira.

Khadafi recebe líderes de estado em uma tenda beduína
'Cachorro louco'
O ex-presidente americano Ronald Reagan chamou o líder líbio de "cachorro louco" e, em 1986, autorizou um ataque aéreo a Trípoli e a Benghazi em resposta a um ataque a bomba contra uma discoteca em Berlim Ocidental - segundo os Estados Unidos, o atentado, que matou dois militares americanos e uma mulher turca, teria sido realizado por agentes líbios.
Os bombardeios americanos mataram 45 soldados e funcionários públicos e 15 civis. Entre estes estava uma filha adotiva de Khadafi.
Nos anos 1990, após ter seus esforços para unir o Mundo Árabe rejeitados, o líder líbio se voltou para a África, propondo a criação de um país-federação no continente, nos moldes dos Estados Unidos.
Para promover a ideia, ele passou a se vestir usando roupas que carregavam emblemas do continente ou retratos de líderes africanos.
Mas no fim da década, com a Líbia em dificuldades por causa das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, Khadafi acabou assumindo a autoria do atentado de Lockerbie e de outros atentados, para lentamente restabelecer o diálogo do país com os Estados Unidos.
"Não haverá mais guerras, ataques ou atos de terrorismo", disse o coronel, ao celebrar 39 anos no poder.
Desafios domésticos

O coronel enfrenta a maior crise política desde que subiu ao poder
Antes de ser derrubado por uma revolta iniciada no bojo da chamada Primavera Árabe, o coronel se apresentava como guia espiritual da nação, supervisionando a implementação do que dizia ser uma versão local de democracia direta.
Na prática, segundo os críticos, Khadafi mantinha controle absoluto e autoritário da Líbia. Dissidências ou críticas eram duramente reprimidas e a mídia do país sempre foi rigorosamente controlada pelo governo.
A Líbia tinha uma lei que proibia qualquer atividade de grupos baseadas em ideologias políticas que eram opostas à visão de Khadafi.
Segundo a organização internacional Human Rights Watch, o regime prendeu centenas de pessoas por violarem a lei e sentenciou algumas à morte. Também há relatos de tortura e desaparecimentos.

A Revolução dos Indignados e a Monja



"É preciso que a gente sinta as dores do mundo. (...) A indignação sem violência pode ser uma alavanca para a transformação."


Ela buscou Deus e a Iluminação nas drogas. Foi presa ao entrar na Suécia com LSD, e na cadeia começou a praticar meditação.


Ela era fã de Pink Floyd, casou algumas vezes, viveu em várias partes do planeta, foi jornalista e repórter do Jornal da Tarde.


Hoje ela é monja budista. Transmite paz e serenidade. Mas também atua no mundo.


Num momento de mobilização planetária de indignadas e indignados contra as injustiças, ela nos fala um pouco da necessidade de se indignar e de sentir as dores do mundo. E nos contempla com alguns minutos de Paz.




Link do vídeo


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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O STF e a ação contra o CNJ



Cidadania atenta!


Vamos acompanhar a atuação do Supremo Tribunal Federal no julgamento da Adin impetrada pela Associação dos Magistrados Brasileiros com o fito de retirar poderes do Conselho Nacional de Justiça na investigação e punição de ilícitos cometidos por juízes e desembargadores.


Já dissémos aqui várias e várias vezes: o Judiciário brasileiro é um poder arcaico, fechado, elitista, resistente a controle externo. E na avançada sociedade planetária em que estamos adentrando, este poder retrógrado está caminhando visivelmente na contramão.


É preciso proceder a uma limpeza profunda no Judiciário, expurgando os "bandidos de toga" e outras excrescências, cuja existência foi denunciada pela aguerrida e corajosa ministra-corregedora Eliana Calmon em entrevista no final de setembro (leia aqui). E para isso todos nós cidadãos brasileiros precisamos de um CNJ forte, não constrangido nem intimidado, com poderes ampliados, e não reduzidos para atender interesses inconfessáveis.


O ABC! e esta blogueira, vítima de um Judiciário "moroso", apoiam incondicionalmente a ministra-corregedora-guerreira Eliana Calmon, em sua luta pela moralização do Judiciário.


Ministros do STF: em primeiríssimo lugar, o interesse do povo brasileiro!


Por um Judiciário aberto, limpo, moderno, popular, transparente, democrático e cidadão!




Leiam mais abaixo.



Sem CNJ, 54 investigações vão acabar, diz Eliana Calmon





FREDERICO VASCONCELOS
FLÁVIO FERREIRA




Se o Supremo Tribunal Federal reduzir poderes do Conselho Nacional de Justiça, os tribunais estaduais poderão voltar à prática de antecipar a aposentadoria de magistrados suspeitos para evitar a abertura de processos.

Essa previsão foi feita pela corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, em debate na Folha na segunda-feira. Ela disse que 54 investigações, muitas contra desembargadores, "estarão absolutamente inutilizadas" se o STF decidir que o CNJ só poderá agir se as corregedorias estaduais forem omissas.


Adriano Vizoni - 17.out.2011/Folhapress
No auditório da *Folha*, Corregedora do CNJ, Eliana Calmon, durante debate sobre poder de investigação do conselho
No auditório da Folha, corregedora do CNJ, Eliana Calmon, durante debate sobre poder de investigação do conselho
O STF vai julgar ação da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), que defende a redução da competência do CNJ para processar e julgar desvios de magistrados.
Participaram do evento o presidente da Associação Paulista de Magistrados, desembargador Paulo Dimas Mascaretti, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que prepara proposta de emenda constitucional para garantir os poderes do CNJ.


Calmon disse que o legislador colocou a corregedoria como órgão com competência constitucional "para que o corregedor não fique a reboque do presidente do CNJ".


Ela contou que, ao perceber que a tese da AMB ganhava corpo, pediu a manifestação de acadêmicos e juristas. "Mas a questão não poderia ficar no âmbito do Poder Judiciário", pois o movimento começou a ter reflexos nos julgamentos do CNJ, disse.


Segundo ela, ao iniciar o julgamento de qualquer processo contra desembargador, a defesa alegava que a investigação deveria ter começado na corregedoria local.


Ela decidiu então "assumir uma posição política", "falando para o público em geral". Embora admita que "carregava nas tintas", diz que não generalizou ao dizer que havia bandidos de toga.


Citou um pistoleiro que se tornou juiz: "Este pistoleiro se escondeu para não ser alcançado pelas mãos da Justiça. Mas foi retirado pela corregedoria local para que a magistratura fosse limpa. Esta é a minha luta".


Calmon diz que os magistrados de primeiro grau são investigados, mas a situação fica mais difícil quando envolve desembargadores.


"Para o processo ser aberto é preciso um quorum mínimo, que é o de maioria absoluta. O corregedor leva o caso ao tribunal. Um [desembargador] se dá por impedido, outro se dá por suspeito, outro não vai à sessão de julgamento. A maioria absoluta não se completa e o processo vai para a prateleira".


O presidente da Apamagis, Paulo Dimas Mascaretti, defendeu a AMB. Segundo ele, a entidade não quer esvaziar os poderes do CNJ, mas permitir que os magistrados "possam ser processados em primeiro lugar perante seus tribunais" e depois, dependendo do resultado, possam ter seus casos revisados pelo CNJ, que atuaria como um tipo de segunda instância.


O senador Demóstenes Torres reafirmou que apresentará proposta de emenda para garantir os poderes do CNJ caso a ação da AMB seja vencedora no STF: "Dos 81 senadores, 70 votarão dessa forma [amplos poderes ao CNJ]".


Folha Online


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Violência contra animais: cadê o Judiciário ???



A humanidade não merece a vida.
                                                                             José Saramago




A alma ativista se mobiliza com todo tipo de injustiça. 


Pelo menos é assim com esta blogueira. E mais ainda quando se trata de  violência contra seres indefesos, leais, amorosos... violência desferida por covardes, energúmenos, trastes mal resolvidos... gentalha.


A indignação é tanta que as palavras pra desqualificar estes canalhas não são suficientes pra dar conta de tanta ignomínia.


Ao longo da vida já fiz muitas denúncias contra estes patifes. A Delegacia do Meio Ambiente da cidade de São Paulo, no bairro da Consolação, acolheu minhas denúncias, abriu inquéritos... mas quando entra em cena o Judiciário... há o risco de entrar em cena também a "banda podre", movida a $$$ e não a Justiça. E aí aquela palavrinha mágica também pode dar o ar da graça: "Arquivamento".


É preciso que o Judiciário, poder criado para promover a legalidade e a Justiça, faça sua parte também na violência contra os animais, punindo rigorosamente estes excrementos, que se acham gente, mas se comportam como quadrúpedes irracionais e predadores.


Não adianta lei de crimes ambientais, como a que já temos e que inclui maus-tratos a animais domésticos. Não adianta a cidadã e o cidadão saírem de suas casas, entrarem numa delegacia e fazerem denúncias. Não adianta autoridades policiais abrirem inquéritos. Nada disso adianta, enquanto o Judiciário abrigar "bandidos de toga", como disse a ministra-corregedora Eliana Calmon, e outras excrescências do gênero.


Abaixo um artigo para estimular reflexões sobre o comportamento destas bestas travestidas de gente.


Não é só um caso de polícia

A semana seguinte ao Dia Mundial pelo Fim da Crueldade contra os Animais (8 de outubro) não poderia ter começado de modo mais triste. O responsável pelo novo espetáculo de atrocidades que muitas vezes define a relação entre homens e animais possui sobrenome de um ser humano cuja benevolência deveria sugerir ação oposta à cometida pelo sujeito: Evaldo dos Santos Jesus.

Morador de Araçatuba, interior de São Paulo, o rapaz de 19 anos amarrou uma cadela sem raça definida em sua moto e acelerou o veículo por várias quadras. A crueldade resultou em ferimentos profundos nas patas do animal, que está sendo tratado no Hospital Veterinário da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

A decisão de torturar a cadela foi tomada pelos bizarros motivos que levam seres humanos a tratar seres irracionais como objetos. Segundo testemunhas ouvidas pelos veículos de comunicação que acompanharam o caso, o animal invadiu o condomínio onde Evaldo trabalhava como porteiro.

O rapaz responderá pelo crime na Justiça, mas segue a vida em liberdade. E assim deverá continuar porque, como costuma ocorrer nos casos de abusos cometidos contra os animais e o meio ambiente, dificilmente há condenação. Mesmo que seja condenado, passará no máximo um ano na cadeia – pena prevista para esse tipo de crime.

Casos bizarros como esses, como tantos que pipocam diariamente por todo o Brasil, justificam a adoção de medidas rigorosas e urgentes das autoridades públicas. Não apenas porque são atrozes, mas sim porque estão se tornando assustadoramente comuns. E, tão grave como isto, porque geralmente são consequência direta da violência doméstica na infância, especialmente dos abusos sexuais.

Os dados a respeito deste problema assombram. De acordo com a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, uma criança é vítima de abuso sexual a cada oito minutos. O Disque 100 (serviço criado para facilitar as denúncias de abusos sexuais contra crianças) contabilizou 4.205 registros apenas nos três primeiros meses do ano. Mantida a média, pode bater a casa dos 17 mil em 2011. Em 2010, foram 12 mil casos.

Não se engane. Não se trata de uma questão menor. É consenso entre os psiquiatras forenses – entre eles o respeitado pesquisador brasileiro Guido Palomba e o norte-americano Robert K. Resler – que o assunto merece ser tratado com muito mais seriedade do que supomos.

Não sem motivos. Estudo feito em 1983, nos Estados Unidos, confirmou a relação entre violência contra seres humanos e animais. Apontou que em 88% das famílias nas quais houve abuso sexual infantil pelo menos um dos seus integrantes havia cometido atos de zoofilia antes.

Mais. Pesquisa feita pelo FBI (o serviço de investigação federal dos EUA), na década de 70, comprovou que 80% dos assassinos em série tiveram um histórico de violência e crueldade contra os animais na infância.
Evidentemente, estes dados não significam que todas as crianças vítimas de agressões físicas ou de abusos sexuais são potenciais criminosos. O que os números sinalizam, de forma contundente, é que atrocidades como estas podem provocar graves sequelas psicológicas nas suas vítimas.
Dizem-nos, ainda, que a sociedade brasileira precisa criar um vigoroso aparato de proteção a estes menores para evitar que sofram estes abusos. E ainda para que, caso ocorram, seja possível evitar que eventuais sequelas psicológicas graves provocadas por barbarismos como estes comprometam seu futuro.

Não há outro modo de se fazer isto a não ser tornando muito mais rigorosas as penas por abusos sexuais contra crianças e pelas agressões aos animais. Mais: é urgente que a União, Estados e Prefeituras adotem políticas públicas massivas de Educação que visem a proteção ao menor e o respeito aos animais, bem como a toda forma de vida.

No último dia 8, a escritora paranaense Karin Birckholz lançou, em Curitiba, uma obra importante no campo da literatura infantil: “Bicho não é lixo”. Em 35 páginas emolduradas por belas ilustrações da artista plástica Michelle Bear, a autora faz uma defesa contundente da guarda responsável de animais e da necessidade urgente de que os homens tratem a natureza e os seres vivos – todos eles – com o mais profundo respeito. É gente de bem fazendo a sua parte no sentido de inspirar as autoridades públicas a cumprir o desafio de se construir a Nação mais harmônica, sustentável e solidária que o Brasil quer e precisa.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

World Revolution: o Poder volta às ruas



A Democracia precisa de ar puro. A Democracia combina com vida ao ar livre.


A Democracia nasceu nas praças atenienses. E no século 21 volta à sua origem.


Já não era sem tempo. Estava mais do que na hora.


Indignados ocupam o mundo.


O poder voltando às mãos dos verdadeiros donos do mundo.


Indignados, Unidos, Jamais Serão Vencidos!




Link do vídeo


Abaixo uma reflexão sobre democracia e espaços de poder.


Indignação e espaço público


Medo causado pelas desigualdades econômicas mudou espaço público nas cidades, hoje palco de protestos, diz cientista político francês Max Rousseau. Texto e foto: Viviane Vaz
Milhares de pessoas em mais de 950 cidades tomaram as capitais de quase 90 países no sábado 15 para protestar contra o poder financeiro e pedir justiça social. Em Nova York, a marcha tinha como lema frases como “ocupar Wall Street, ocupar todos os dias” e “somos o povo, e eles nos venderam”. Na Puerta del Sol, em Madrid, os espanhóis reuniram mais de meio milhão de pessoas “indignadas”.
Nos últimos meses as praças públicas e as principais avenidas de todo o mundo como Tahrir Square (Egito), Puerta del Sol (Espanha), Boulevard Rothschild (Israel) têm sido ocupadas pela população em um fenômeno que o cientista político francês Max Rousseau, com pós-doutorado em Planejamento Urbano da Escola Nacional de Obras Públicas do Estado (Vaulx-en-Velin), qualifica como “movimento dos imóveis”.
Segundo ele, tanto as marchas quanto as barracas estendidas nas praças são formas de protesto que criam obstáculo à “fluidez” que caracteriza a cidade neoliberal. Parados, reunidos, acampados, milhões se “imobilizam” na mobilização contra a injustiça e a desigualdade social de forma global. Confira abaixo a entrevista:
CartaCapital: Tunísia, Egito, Síria, Espanha, Israel, Chile, Uruguai, Inglaterra, Estados Unidos, Itália: todos estes países foram e são confrontados com manifestações de rua, alguns de forma pacífica, alguns violentamente. Como você analisa a ocupação de praças públicas e avenidas?
Max Rousseau: A situação não é obviamente a mesma entre os países. Há agora mais de um movimento para desestabilizar o mundo econômico, social e político. Mas o perfil dos manifestantes, suas motivações e seu repertório de ação, estão longe de ser semelhante: na Inglaterra, os distúrbios são o resultado da subclasse britânica e são caracterizadas por um forte desejo de consumismo. No Chile, os estudantes desafiam a mercantilização das universidades. No Oriente Médio, os movimentos revolucionários são baseados em profundas desigualdades sociais. Na Espanha, o movimento de “indignação” é também por verdadeiros problemas políticos, particularmente em termos de redistribuição da riqueza. Isso levanta a questão de vencedores e perdedores do modelo econômico seguido desde o fim da ditadura e mostra que a ordem de hipermobilidade, uma característica do neoliberalismo, está longe de ser benéfica para todos. Encontramos um fenômeno um pouco semelhante em Israel, onde emergiu também um “movimento dos imóveis”.
CC: Existe algo que une todos esses movimentos?
MR: O traço comum em todos estes movimentos é a demanda por mais justiça social. Nos últimos trinta anos, o crescimento do comércio mundial tem sido acompanhado pela implementação das políticas neoliberais na maioria dos países. Não parece existir uma alternativa na política atual com a lei do mercado. Ora, isto gera uma desigualdade social e geracional muito visíveis em todos os países. Jovens oriundos de meios desfavorecidos, mesmo a classe média, estão cada vez mais tomados pelo desespero. Em todos os movimentos mencionados, há o papel crucial de um elemento clássico em movimentos sociais desde o século 18: o descontentamento dos jovens que não podem ocupar o lugar que pensavam ganhar no mercado de trabalho. Este é um fator estrutural de desestabilização social. O capitalismo em vigor há três anos entrou em uma nova crise. Mas, longe de conduzir a um debate sobre justiça e sustentabilidade do sistema, as políticas de resgate implementadas nos países mais afetados envolvem o aprofundamento da sua lógica, como é o caso das políticas de austeridade e de privatização a serem implementadas na Europa. Não é de admirar que o desespero leve a uma contestação latente mais ativa.
CC: Na Espanha e em Israel, os jovens acamparam na praça principal de Madrid (Puerta del Sol) e na avenida principal (Rothschild) de Tel Aviv para exigir “justiça social” do governo de forma pacífica. Alguns políticos chamam o movimento de anarquia política. Por outro lado, podemos lembrar que os cidadãos da antiga Atenas se reuniam nas praças para tomar decisões e isso era chamado de democracia. Perdemos a relação entre democracia e espaço público?
MR: O espaço público realmente se refere a dois conceitos distintos. Primeiro, o espaço público da filosofia, isto é, a capacidade dos cidadãos para discutir e criticar o Estado, fundamental para o advento da democracia. De acordo com Habermas, este espaço público remonta às cidades ocidentais do século 18, quando a classe média urbana começou a reunir acadêmicos e desestabilizar os Estados autoritários, utilizando argumentos baseados na razão. O segundo conceito que se refere ao espaço termo público é o dos planejadores: simplesmente espaços que todos podem usar.
Obviamente, a ligação entre esses dois significados do espaço público é crucial. Para discutir razões políticas, precisamos encontrar lugares abertos a todos. Neste sentido, o espaço público “geográfico” é essencial para o bom funcionamento da democracia. Os gregos antigos o tinham, de fato, bem entendido. A ágora, um lugar de encontro e deliberação dos cidadãos, era uma central facilmente acessível. Ele também estava em casa, não só nas instituições políticas, como também em um mercado. A ágora era o centro da cidade.
Uma democracia não pode acontecer em tempo real nos espaços públicos urbanos. No entanto, é fácil ver como estes espaços estão em processo de fechamento nos últimos trinta anos, como resultado de duas lógicas principais: a lógica do medo, por um lado, e a lógica de aumento dos lucros em uma sociedade pós-industrial, de outro.
Arquitetos e urbanistas têm internalizado o medo que agora caracteriza as relações sociais urbanas em países desenvolvidos: o medo dos pobres, o medo dos estrangeiros, o medo de um “inimigo interno” sucessor para o medo de inimigos externos. Este medo tem origem nas desigualdades criadas pela transformação econômica recente e, portanto, o advento de um novo proletariado urbano.
Câmeras de vigilância são instaladas em grandes cidades em todo o mundo, enquanto a mobilidade significa mais “dissuasão”. Estratégias mais cínicas são implementadas para garantir a “contenção” dos acontecimentos: nos subúrbios de Paris, o prefeito há alguns anos distribuiu desodorantes em centros para desabrigados. E recentemente o mercado de moradia lançou ultrassons desagradáveis e perceptíveis apenas pelos jovens, para mantê-los longe de determinados bairros.
A segunda razão que explica a transformação dos espaços públicos é o aumento nos lucros no período pós-industrial das cidades. Desde que as fábricas foram para outras cidades, como na Ásia, a principal fonte de crescimento urbano baseado em novas atividades deixou de ser a produção e tornou o design, consumo e serviços. No plano urbanístico, as consequências macroeconômicas desse desenvolvimento são consideráveis: uma cidade “dinâmica” não precisa de uma grande força de trabalho alojada nas imediações das fábricas, mas em especial de trabalhadores flexíveis e consumidores que têm bom poder aquisitivo. Estes seres urbanos “desejados” também são altamente móveis e se movimentam muito, a trabalho ou lazer.
Para atender a essas novas demandas – medo e “hipermobilidade” – , é que o espaço público é cada vez menos concebido como um local de encontro, e mais como um fluxo simples. Isto coloca dois problemas principais de um ponto de vista democrático.
Por um lado, muito concretamente, as possibilidades de encontro e deliberação diminuem e não parecem por enquanto compensadas pelo espaço público virtual – o da Internet, baseada em mais imediatismo. Por outro lado, a transformação dos espaços públicos urbanos em lugares de fluidez está longe de responder a uma demanda de toda a população, mas de grupos sociais bem integrados que possuem os meios de se fazerem ouvidos.
CC: Sabemos que sistemas não-democráticos também usam o espaço público. Então, cabe a pergunta: o indivíduo e a comunidade têm o poder sobre o espaço público ou é o governo que tem o poder sobre o indivíduo e a comunidade?
MR: A existência de espaços públicos urbanos abertos a todos é uma condição crucial para o desenvolvimento da filosofia do espaço público e, assim, garante uma democracia em funcionamento. Mas o potencial subversivo de uso livre do espaço público muitas vezes torna-se perigoso para os governos. Portanto, não é surpreendente que uma das principais preocupações dos regimes ditatoriais sempre foi o de controlar e monitorar o uso do espaço público para evitar a priori reuniões que poderiam levar a um desafio à ordem estabelecida. Também nas democracias ocidentais, o poder atribui grande importância à fiscalização da utilização do espaço público. Por exemplo, na França, para serem tolerados, os eventos devem ser primeiro declarados à prefeitura. Além disso, eles são regulados e limitados em tempo. Finalmente, os manifestantes devem seguir um percurso urbano específico. Quando a manifestação chega ao fim de sua jornada, é comum que a polícia disperse os manifestantes com “última tentação” de parar em público. Mais genericamente, a questão do uso do espaço público nas cidades é um problema constante na história das relações entre governantes e governados. Como tal, é um indicador relevante para avaliar o grau de democracia efetiva no país.
CC: Estamos em outro momento revolucionário da História? Como você acha que deve ser o fim da Revolução “movimento dos imóveis”?
MR: Na década de 1990, após o colapso da URSS, teóricos explicaram que a democracia liberal norte-americana foi o “fim da história”. Liberalismo político e liberalismo econômico teriam se reforçado mutuamente e seriam a culminação de uma progressão lenta da humanidade. Esta visão é ultrapassada. De fato, uma das características históricas do capitalismo é, sobretudo, a sua tendência para a instabilidade crônica. No final da Segunda Guerra Mundial, os governos ocidentais conseguiram resolver a Grande Depressão dos anos 1930, criando um conjunto de ferramentas para efetivamente regular o capitalismo. Esses instrumentos foram desmantelados a partir dos anos 1970. Alimentado pela globalização, o capitalismo nunca foi tão instável como agora, e ocorrem sucessivas crises econômicas em outros lugares em um ritmo rápido ao redor do mundo desde a década de 1990. Mas esses ataques não resolvem o problema, e, invariavelmente, resultam no empobrecimento das classes trabalhadora e média, enquanto os funcionários parecem sair mais ricos, e o sistema ainda mais reforçado. Embora seja muito cedo para dizer que chegamos a um momento revolucionário na História, os movimentos sociais recentemente conhecidos por muitos países têm em comum o fato de terem nascido de um forte sentimento de injustiça. Maximizando os fluxos que constituem apenas uma das condições principais para o desenvolvimento do capitalismo na era da globalização, a ocupação contínua e pacífica do espaço público como o movimento realizado na Espanha é uma forma eficaz de questionar a lógica econômica neoliberal, permanecendo dentro de um quadro democrático. Além disso, a depressão nascida de subprime e os movimentos sociais emergentes em todo o mundo demonstram claramente que chegamos ao fim do ciclo que começou na década de 1970.  A questão agora é saber o que acontecerá a seguir. O capitalismo continuará a superar as velhas regras ou ele será mais regulado? A evolução futura dos novos movimentos sociais, sua capacidade para se organizar, para durar, para estabelecer conexões internacionais entre eles, determinará em grande parte a resposta a esta pergunta.