Cidadania, Comunicação e Direitos Humanos * Judiciário e Justiça * Liberdade de Expressão * Mídia Digital Editoria/Sônia Amorim: ativista, blogueira, escritora, professora universitária, palestrante e "canalhóloga" Desafinando o Coro dos Contentes...
Tradutor
Mostrando postagens com marcador direitos das mulheres. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador direitos das mulheres. Mostrar todas as postagens
domingo, 9 de março de 2014
Ainda (e sempre!) celebrando o Dia da Mulher
Aos que violentam mulheres...
O maior presente que uma mulher pode ganhar nesta vida é que a permitam ser ela mesma. Que seu buquê de rosas seja o poder pensar por si própria, que seus bombons sejam a liberdade de falar o que pensa, que suas jóias sejam ter a ventura de realizar suas aspirações...
No dia que lhes é consagrado, e por todo o sempre, uma lei seja sacramentada: nada, nem ninguém as tome como objeto.
Somos alma, somos donas de nós mesmas e temos todo o direito do mundo de existir!
E sermos felizes!
Libertadoramente ... felizes!
Gi Stadnicki
(Namastê Mensagens / Facebook)
*
sexta-feira, 8 de março de 2013
Dia Internacional da Mulher
A Árvore e seus Frutos
Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós com vestes de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa dá bons frutos, porém a árvore má dá maus frutos. Uma árvore boa não pode dar maus frutos, nem uma árvore má dar bons frutos. Toda a árvore que não dá bom fruto, é cortada e lançada no fogo. Logo, pelos seus frutos os conhecereis. Mateus, 7:15-20
mmmmmmmmmmmmmmmmmmm
mmmmmmmmmmmmmmmmmmmm
Esta escritora e blogueira que edita este brioso blog, sempre que pode, costuma dizer que é "ramo de árvore sagrada".
Neste Dia Internacional da Mulher, dia de luta, mas também de comemorações, me permitam celebrar a mulher digna, honrada, trabalhadora, honestíssima, que junto do meu pai plasmou meu caráter, me ensinando o que eu tenho de melhor: a integridade.
Falando dela, homenageio todas as mulheres igualmente valorosas, das mais humildes às mais conhecidas, que nos dão com seus exemplos de vida e de luta Orgulho de Ser Mulher.
Dona Geralda, minha mãe, falecida aos 80 anos
Uma mulher extraordinária
Hoje é Dia Internacional da Mulher.
E eu quero aproveitar a data para contar pra vocês uma pequena história de vida e de dignidade.
Minha mãe - Geralda de Carvalho Amorim - já não está mais comigo fisicamente. Mas em mim ela vive e tem continuidade, pela hombridade, integridade e caráter que me legou.
Mulher simples, de origem camponesa, de raízes no mundo rural, de família pobre do Vale do Paraíba, interior de São Paulo. Mulher com pouquíssima instrução, sem o primário completo, sem diplomas. Lia bem, mas tinha dificuldade até para escrever o próprio nome.
Mas que grande bagagem ética e estofo moral! Quantos valores imperecíveis a partilhar, a transmitir!
Família Carvalho. Foto dos anos 20 do século passado. Minha mãe,
Geralda, é a segunda, da direita para a esquerda, junto do meu avô,
Olímpio, de minha avó, Júlia, e de meu bisavô, Adolfo.
Mulher de caráter, uma das coisas que me ensinou logo nos primeiros anos: "Não fazer ao outro o que não quer para si", ensinamento básico da boa convivência entre os cidadãos, princípio fundamental de ética.
Mulher de fibra, às vezes séria, às vezes dura, mas acolhedora dos mais frágeis, me ensinou também a solidariedade: "Fazer o Bem e não olhar a quem", ela dizia.
Apesar dos percalços que enfrento e que venho contando aqui, sou uma pessoa feliz, bem estruturada, sem grandes conflitos. Venho de uma "árvore" abençoada. Sou ramo de árvore sagrada, símbolo de força, coragem, firmeza, resistência, lealdade, que não se verga diante de intempéries.
Na Grécia antiga, associada a Zeus, entre os romanos a Júpiter e até entre os celtas, os druidas, os nórdicos... a madeira do carvalho era usada em rituais mágicos e para acender o fogo sagrado.

O carvalho era considerado Árvore da Vida na era pré-cristã. As folhas e os frutos do carvalho propiciavam força, liderança, sucesso nas batalhas aos guerreiros que os utilizavam.
Em Roma, coroas feitas com folhas de carvalho eram concedidas aos generais bem-sucedidos nos empreendimentos bélicos.

Diz-se que ao pé de um carvalho Abraão recebeu as revelações de Deus. Ou seja, a árvore foi um instrumento de comunicação entre o Céu e a Terra.
O carvalho é árvore-símbolo de hospitalidade e acolhimento. Seus galhos e folhagem parecem abraçar os que nela procuram abrigo.
E vejam só que coisa interessante: o carvalho é usado por botânicos e geólogos para medir catástrofes naturais num ambiente. Se querem saber o índice de temporais e tempestades que aconteceram numa floresta, eles observam o carvalho, pois é a árvore que mais absorve as consequências dos temporais.
Quanto mais tempestades e intempéries o carvalho enfrenta, mais suas raízes se aprofundam na terra, mais seu tronco se enrijece, mais forte ele fica, sendo impossível arrancá-lo ou derrubá-lo!
Muitas vezes, depois de passar por tantas agressões naturais, o carvalho fica com uma aparência triste. Mas quando uma tempestade se avizinha, lá está ele de novo, firme e forte, para encarar o novo desafio.
O carvalho é símbolo da Vida e da verticalidade, em eterna evolução e ascensão para os céus.
Árvore feminina, nutridora, muitos a associam à Grande Mãe.
*
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Ativista vira Ouvidora da Polícia e continua sob risco
É... Vida de ativista não é fácil, não. Os delinquentes não poupam esforços para se manterem impunes. Até forjar denúncias, fabricar ilícitos, para "assassinar o caráter e a reputação" de suas vítimas, faz parte da munição desses marginais, como acontece com esta Blogueira, acusada pela "meiga" família-quadrilha, que a rouba há 15 anos, de ter contratado "matador de aluguel" para dar fim aos "indefesos" familiares... [!!!]
O papel aceita tudo, mesmo.
A Cidadã Blogueira, Mulher da Comunicação, enviou relato detalhado à Presidenta Dilma, que encaminhou o caso à ministra Maria do Rosário, para acompanhamento por parte da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.
Cidadão: está sendo ameaçado, constrangido, intimidado? É vítima de violência física, moral, psicológica, patrimonial, institucional?
Denuncie!
Ativista vira ouvidora da polícia após denúncia de violência e ameaça
Depoimento a ELEONORA DE LUCENA
Liderança de direitos humanos, Valdênia Aparecida Paulino Lanfranchi denunciou a violência policial em Sapopemba, periferia leste de São Paulo.
Ameaçada, precisou sair do país por duas vezes. Foi a primeira pessoa a entrar no programa federal que defende ativistas.
Em 2009 foi para a Paraíba buscar tranquilidade. Virou ouvidora da polícia e segue recebendo ameaças.
João Medeiros/Folhapress
Valdênia Aparecida Paulino Lanfranchi, ouvidora da polícia da Paraíba
Leia depoimento:
A polícia entrava na favela e colocava música de Vivaldi. Enquanto o som tocava, eles abusavam de mulheres, torturavam e assassinavam pessoas. Acontecia em Sapopemba, na zona leste de São Paulo, no início dos anos 2000.
Eu denunciei. Policiais foram afastados. Sofri ameaças. Em 2003, fui a primeira pessoa a ingressar no programa de proteção federal aos defensores de diretos humanos.
Talvez fosse mais afoita. Meu nome aparecia mais e fui escolhida para ser perseguida. Sempre fui intuitiva e ousada, o que fez de mim uma liderança. Mas não há super-heróis. Minha trajetória foi coletiva.
Aprendi a lutar em Sapopemba. Cresci num ambiente de pobreza, mas também de perspectiva. Tudo no bairro, a água, a luz, tinha sido fruto de muita luta. Era um bairro marcado pelas lutas sociais. Foi um aprendizado.
Eu tinha quatro anos quando cheguei à zona leste. Minha família migrou de Minas no começo da década de 1970. Meu pai tinha só alfabetização básica e foi trabalhar nas firmas do ABC. Minha mãe se alternava entre faxinas e costura.
Quando criança, a gente ia ao aterro sanitário em São Mateus. Catávamos garrafas de vidro e esterco de cavalo para vender. Colaborava na alfabetização de crianças. Também trabalhei numa confecção.
Ficava cada vez mais indignada com as diferenças sociais, com a violência. Muito cedo se aprendia o limite entre a vida e a morte. Havia esquadrões da morte, grupos de extermínio.
As mães da favela foram minhas mestras: não desistiam da vida mesmo chorando os filhos assassinados.
Comecei a me preocupar com as meninas do bairro. Havia uma rede de prostituição. Elas saíam de Sapopemba com a promessa de trabalhar em casas de família, mas acabavam na [av.] São João se prostituindo. Consegui organizar uma casa de acolhimento.
CRIANÇAS
Já fazia magistério e ia para a rua acompanhar a garotada que vendia sucata. As mães reclamavam: como a professora pega papelão na rua? Criamos o Cedeca [Centro de Defesa das Crianças e dos Adolescentes].
Era um tempo em que a cocaína quase não existia e a bandidagem era mais Robin Hood. A partir de 1985 o tráfico entrou para valer. Começam as disputas, mortes.
Foi nessa época que a região conheceu as expressões "correr a curra" ou "correr a carioca". Se uma menina namorava alguém do tráfico e desistia do romance, ela era colocada numa roda com jovens e violentada por todos.
Quando a polícia pegava alguém, íamos atrás. Sabíamos que poderíamos achar a pessoa morta. Começamos a denunciar casos na corregedoria e vimos o que é impunidade: nada acontecia. As poucas investigações que avançavam causavam represálias. Organizações de moradores eram invadidas. Havia perseguições, carros jogados fora da pista.
Denunciei também casos de prostituição envolvendo policiais. Houve ameaças de morte. Adolescentes que eu acompanhava foram torturados para mandar recado para mim.
Diziam que era para me calar ou ia amanhecer com a boca cheia de formiga.
Fui agredida fisicamente. Sofri tentativas de violência sexual. Uma vez foi no Brás. Fui salva por um usuário de drogas. Outra vez um indivíduo que morava no Ipiranga e era lutador tentou me violentar.
CORDA BAMBA
Fui estudar direito para ver como funcionava o Estado. Montamos o centro de defesa dos direitos humanos para denunciar violações.
As ameaças vinham de policiais e justiceiros. Os traficantes também não gostavam: pedir a presença de policiais sérios era colocar dificuldades para traficar e roubar.
Vivíamos numa corda bamba, entre a criminalidade cometida por agentes do Estado e a vigilância de criminosos comuns. Uma vez, numa festa, uma mãe chegou com um pacote de brinquedo e de bala. Era doação de um traficante. Dissemos: não. Não podíamos dar uma dupla mensagem às crianças. Nunca permitimos sermos usados por traficantes.
Quando entrei no programa de proteção federal fui morar na Vila Mariana [zona sul]. Foi um período muito sofrido. Grampearam o meu telefone. Ligações de dentro de presídio, de países latinos, apareceram na minha conta. Queriam dar a entender que eu era envolvida numa rede criminosa.
Nessa tensão, fiquei mal. Tive de sair. Fiquei três meses [dezembro de 2003 a fevereiro de 2004] em Chicago, numa casa de religiosos. Cheguei lá com 39 kg; eu pesava 45 kg. Tive atenção psicológica, fiz exames médicos, me recuperei.
Voltei e segui trabalhando. Fiz denúncias contra policiais que trabalhavam drogados e que praticavam violência sexual. Levei casos para corregedorias, comissões de direitos humanos, Ministério Público.
As ameaças continuavam. Em 2008, policiais entraram numa casa que seria ponto de tráfico. Lá, teriam pego um caderno com nomes e valores. Tinha "D Valdênia". Associaram a mim. Já tinham tentado outras vezes me difamar. Pedi que tudo fosse investigado.
Abriam inquéritos e arquivavam por falta de provas. Depois, reabriram para me escutar. Ou invadiam a associação.
A casa de um dos meus irmãos foi invadida. Colocaram revólver na cabeça do meu sobrinho de oito anos, da minha cunhada. Não levaram nada. Não houve investigação séria.
Jogaram animais mortos no quintal da minha mãe. Para um irmão que joga bola disseram: "Quando acabar o jogo, vai para o enterro da tua irmã".
Fui de novo para o exterior. Com o amparo da Anistia Internacional, fiquei seis meses em Madri em 2008. Mas decidi sair de São Paulo por causa das ameaças à minha família.
Casei em dezembro de 2008 com um homem que foi padre e é educador social. Atuávamos juntos em São Paulo. Viemos para a Paraíba em janeiro de 2009 para trabalhar numa entidade de direitos humanos. Achei que ia ter um ano meio zen. Mas, com dois meses, já estava envolvida até a cabeça.
OUVIDORA
Há um ano sou ouvidora de polícia da Paraíba. É um Estado com muita pobreza, que começa a mudar politicamente, mas onde o coronelismo é muito forte. Tem 3 milhões de habitantes; só neste ano houve 800 assassinatos.
É o quintal dos Estados do Nordeste. Corrupção tem em todo o lugar, mas aqui eles têm pós-doc em corrupção.
Há grupos de extermínio, com envolvimento de policiais, agentes penitenciários. Há também tortura. Recebi denúncias de que policiais andam com um kit tortura nos carros: saco plástico, aparelho de choque e gás de pimenta.
Meu trabalho é denunciar corrupção e esses grupos de extermínio. Neste ano já estamos com 241 casos. A PM tem 9.500 policiais. Na Polícia Civil não chega a 2.000.
Também acompanho famílias de assassinados por policiais. Criei o grupo "As Loucas Mães da Paraíba". São mães que têm filhos assassinados, desaparecidos, levados por policiais. Quando protestavam eram chamadas de loucas.
A ouvidoria não tem autonomia; é vinculada à Secretaria de Segurança. O secretário me deixa trabalhar, mas a estrutura é precaríssima. As corregedorias são muito comprometidas, não apuram.
Estou denunciando PMs e delegados por tortura. Obviamente isso me deixa vulnerável. Não me sinto segura. Ainda não pedi escolta, mas acho que não vai demorar.
Já recebi recados. Mas estão na fase branda. Não vou parar. Não vim de uma periferia tão lascada para conseguir estudar e pegar meu conhecimento e ir para um escritório.
Em 2009 foi para a Paraíba buscar tranquilidade. Virou ouvidora da polícia e segue recebendo ameaças.
João Medeiros/Folhapress
Valdênia Aparecida Paulino Lanfranchi, ouvidora da polícia da Paraíba
Leia depoimento:
A polícia entrava na favela e colocava música de Vivaldi. Enquanto o som tocava, eles abusavam de mulheres, torturavam e assassinavam pessoas. Acontecia em Sapopemba, na zona leste de São Paulo, no início dos anos 2000.
Eu denunciei. Policiais foram afastados. Sofri ameaças. Em 2003, fui a primeira pessoa a ingressar no programa de proteção federal aos defensores de diretos humanos.
Talvez fosse mais afoita. Meu nome aparecia mais e fui escolhida para ser perseguida. Sempre fui intuitiva e ousada, o que fez de mim uma liderança. Mas não há super-heróis. Minha trajetória foi coletiva.
Aprendi a lutar em Sapopemba. Cresci num ambiente de pobreza, mas também de perspectiva. Tudo no bairro, a água, a luz, tinha sido fruto de muita luta. Era um bairro marcado pelas lutas sociais. Foi um aprendizado.
Eu tinha quatro anos quando cheguei à zona leste. Minha família migrou de Minas no começo da década de 1970. Meu pai tinha só alfabetização básica e foi trabalhar nas firmas do ABC. Minha mãe se alternava entre faxinas e costura.
Quando criança, a gente ia ao aterro sanitário em São Mateus. Catávamos garrafas de vidro e esterco de cavalo para vender. Colaborava na alfabetização de crianças. Também trabalhei numa confecção.
Ficava cada vez mais indignada com as diferenças sociais, com a violência. Muito cedo se aprendia o limite entre a vida e a morte. Havia esquadrões da morte, grupos de extermínio.
As mães da favela foram minhas mestras: não desistiam da vida mesmo chorando os filhos assassinados.
Comecei a me preocupar com as meninas do bairro. Havia uma rede de prostituição. Elas saíam de Sapopemba com a promessa de trabalhar em casas de família, mas acabavam na [av.] São João se prostituindo. Consegui organizar uma casa de acolhimento.
CRIANÇAS
Já fazia magistério e ia para a rua acompanhar a garotada que vendia sucata. As mães reclamavam: como a professora pega papelão na rua? Criamos o Cedeca [Centro de Defesa das Crianças e dos Adolescentes].
Era um tempo em que a cocaína quase não existia e a bandidagem era mais Robin Hood. A partir de 1985 o tráfico entrou para valer. Começam as disputas, mortes.
Foi nessa época que a região conheceu as expressões "correr a curra" ou "correr a carioca". Se uma menina namorava alguém do tráfico e desistia do romance, ela era colocada numa roda com jovens e violentada por todos.
Quando a polícia pegava alguém, íamos atrás. Sabíamos que poderíamos achar a pessoa morta. Começamos a denunciar casos na corregedoria e vimos o que é impunidade: nada acontecia. As poucas investigações que avançavam causavam represálias. Organizações de moradores eram invadidas. Havia perseguições, carros jogados fora da pista.
Denunciei também casos de prostituição envolvendo policiais. Houve ameaças de morte. Adolescentes que eu acompanhava foram torturados para mandar recado para mim.
Diziam que era para me calar ou ia amanhecer com a boca cheia de formiga.
Fui agredida fisicamente. Sofri tentativas de violência sexual. Uma vez foi no Brás. Fui salva por um usuário de drogas. Outra vez um indivíduo que morava no Ipiranga e era lutador tentou me violentar.
CORDA BAMBA
Fui estudar direito para ver como funcionava o Estado. Montamos o centro de defesa dos direitos humanos para denunciar violações.
As ameaças vinham de policiais e justiceiros. Os traficantes também não gostavam: pedir a presença de policiais sérios era colocar dificuldades para traficar e roubar.
Vivíamos numa corda bamba, entre a criminalidade cometida por agentes do Estado e a vigilância de criminosos comuns. Uma vez, numa festa, uma mãe chegou com um pacote de brinquedo e de bala. Era doação de um traficante. Dissemos: não. Não podíamos dar uma dupla mensagem às crianças. Nunca permitimos sermos usados por traficantes.
Quando entrei no programa de proteção federal fui morar na Vila Mariana [zona sul]. Foi um período muito sofrido. Grampearam o meu telefone. Ligações de dentro de presídio, de países latinos, apareceram na minha conta. Queriam dar a entender que eu era envolvida numa rede criminosa.
Nessa tensão, fiquei mal. Tive de sair. Fiquei três meses [dezembro de 2003 a fevereiro de 2004] em Chicago, numa casa de religiosos. Cheguei lá com 39 kg; eu pesava 45 kg. Tive atenção psicológica, fiz exames médicos, me recuperei.
Voltei e segui trabalhando. Fiz denúncias contra policiais que trabalhavam drogados e que praticavam violência sexual. Levei casos para corregedorias, comissões de direitos humanos, Ministério Público.
As ameaças continuavam. Em 2008, policiais entraram numa casa que seria ponto de tráfico. Lá, teriam pego um caderno com nomes e valores. Tinha "D Valdênia". Associaram a mim. Já tinham tentado outras vezes me difamar. Pedi que tudo fosse investigado.
Abriam inquéritos e arquivavam por falta de provas. Depois, reabriram para me escutar. Ou invadiam a associação.
A casa de um dos meus irmãos foi invadida. Colocaram revólver na cabeça do meu sobrinho de oito anos, da minha cunhada. Não levaram nada. Não houve investigação séria.
Jogaram animais mortos no quintal da minha mãe. Para um irmão que joga bola disseram: "Quando acabar o jogo, vai para o enterro da tua irmã".
Fui de novo para o exterior. Com o amparo da Anistia Internacional, fiquei seis meses em Madri em 2008. Mas decidi sair de São Paulo por causa das ameaças à minha família.
Casei em dezembro de 2008 com um homem que foi padre e é educador social. Atuávamos juntos em São Paulo. Viemos para a Paraíba em janeiro de 2009 para trabalhar numa entidade de direitos humanos. Achei que ia ter um ano meio zen. Mas, com dois meses, já estava envolvida até a cabeça.
OUVIDORA
Há um ano sou ouvidora de polícia da Paraíba. É um Estado com muita pobreza, que começa a mudar politicamente, mas onde o coronelismo é muito forte. Tem 3 milhões de habitantes; só neste ano houve 800 assassinatos.
É o quintal dos Estados do Nordeste. Corrupção tem em todo o lugar, mas aqui eles têm pós-doc em corrupção.
Há grupos de extermínio, com envolvimento de policiais, agentes penitenciários. Há também tortura. Recebi denúncias de que policiais andam com um kit tortura nos carros: saco plástico, aparelho de choque e gás de pimenta.
Meu trabalho é denunciar corrupção e esses grupos de extermínio. Neste ano já estamos com 241 casos. A PM tem 9.500 policiais. Na Polícia Civil não chega a 2.000.
Também acompanho famílias de assassinados por policiais. Criei o grupo "As Loucas Mães da Paraíba". São mães que têm filhos assassinados, desaparecidos, levados por policiais. Quando protestavam eram chamadas de loucas.
A ouvidoria não tem autonomia; é vinculada à Secretaria de Segurança. O secretário me deixa trabalhar, mas a estrutura é precaríssima. As corregedorias são muito comprometidas, não apuram.
Estou denunciando PMs e delegados por tortura. Obviamente isso me deixa vulnerável. Não me sinto segura. Ainda não pedi escolta, mas acho que não vai demorar.
Já recebi recados. Mas estão na fase branda. Não vou parar. Não vim de uma periferia tão lascada para conseguir estudar e pegar meu conhecimento e ir para um escritório.
FSP Online
*
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Denuncie Violação de Direitos Humanos
Todos os cidadãos e cidadãs têm o direito de viver com respeito e dignidade, sem constrangimentos, intimidações, ameaças e outras violências.
Agora não é preciso nem sair de casa para denunciar delinquentes que violam seus direitos. É possível entrar em contato com a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República e informar as violências de que é vítima.
Serviço disponível 24 horas por dia, todos os dias.
Abra a Boca, Cidadão!
quinta-feira, 21 de junho de 2012
A face da pobreza no mundo é feminina, diz Dilma
Para Dilma, Rio+20 traz o desafio de incorporar os direitos das mulheres à agenda sustentável
Presidenta Dilma Rousseff durante Fórum de Mulheres Líderes sobre
Igualdade de Gênero e Empoderamento das Mulheres no
Desenvolvimento Sustentável. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Rousseff defendeu hoje (21) que a consolidação da presença das mulheres na política faça parte das iniciativas ligadas ao desenvolvimento sustentável. Ela disse também que a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, traz o desafio de incorporar os direitos das mulheres à agenda da sustentabilidade.
“A Rio+20 nos apresenta o desafio de incorporar os direitos das mulheres como dimensão crucial e estruturante do processo de desenvolvimento sustentável. Sem isso, não atingiremos os objetivos que nos trazem ao Rio de Janeiro. A preocupação com a consolidação da presença das mulheres na política deve nortear as iniciativas ligadas a cada um dos pilares do desenvolvimento sustentável: o econômico, o social e o ambiental”, disse.
Ao participar do Fórum de Mulheres Líderes sobre Igualdade de Gênero e Empoderamento das Mulheres no Desenvolvimento Sustentável, evento promovido pela ONU Mulheres como parte da programação da Rio+20, Dilma afirmou que as mulheres são a principal face da pobreza no mundo, mas são também, segundo ela, as principais aliadas para erradicá-la. A presidenta citou a experiência dos programas sociais brasileiros para defender o protagonismo das mulheres nas ações de erradicação da pobreza.
Dilma afirmou ainda que o governo brasileiro investe para garantir o pleno exercício dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres.
“No Brasil, estamos investindo para superar dificuldades e precariedades neste acesso aos serviços públicos de saúde, com pleno exercício dos direitos sexuais e reprodutivos, inclusive o planejamento familiar, a gestação, o parto, o puerpério, com assistência de qualidade.”
Dilma comentou a ausência da referência aos direitos reprodutivos da mulher no rascunho final da Rio+20. De acordo com a presidenta, em um ambiente de relações multilaterais como o da Rio+20 nem sempre é possível fazer prevalecer sua opinião.
“Se nem todas as minhas posições ou nem todas as posições de cada um dos aqui presentes não estão é porque, quando se tem relações multilaterais, há que respeitar a diversidade. E a diversidade implica em recuar um pouco e avançar outro pouco”, disse.
Link do vídeo
Blog do Planalto
sábado, 16 de junho de 2012
Eliana Calmon: Judiciário é poder masculino
A corregedora Nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, disse nesta sexta-feira (15/6) que o Judiciário foi o último dos Poderes da República a implementar a igualdade de gênero entre homens e mulheres. Segundo a ministra, apenas em meados da década de 90 descobriu-se que o Judiciário era o único dos Poderes que não possuía mulheres em sua cúpula.“Quando o Brasil começou a colher dados para a conferência internacional de Beijing descobriu que todos os poderes tinham em sua cúpula representantes do sexo feminino, menos o Poder Judiciário. Em 1997 não havia qualquer mulher na cúpula dos tribunais superiores”, afirmou a corregedora, ao participar do fórum “Equidade de Gênero – Pressuposto para o Desenvolvimento Sustentável e Erradicação da Pobreza”, no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro.
“Isso aconteceu graças a um valoroso movimento de mulheres que praticamente forçou o Estado a tomar essa diretriz”, disse. O fórum, promovido pela Fiesp, faz parte do projeto Humanidades e é um dos eventos paralelos à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que acontece até o dia 22 de junho na capital fluminense.
Eliana Calmon falou sobre a importância da igualdade de gêneros para o equilíbrio da sociedade. “A igualdade é política pública para o equilíbrio da sociedade e não teremos uma sociedade equilibrada se não inserirmos nesse contexto a mulher, principalmente quando 40% dos chefes de família são mulheres”, afirmou. Segundo a ministra, mesmo com as conquistas alcançadas pelo movimento feminista nos últimos anos, o poder, ainda hoje, é masculino e as mulheres enfrentam dificuldades em chegar à cúpula dos órgãos, entidades e empresas em que trabalham.
Ao participar da abertura do evento, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, sugeriu uma parceria entre o setor empresarial e as três esferas de governo no Rio de Janeiro e em São Paulo para a criação de um programa que possa garantir creches a cerca de 400 mil mulheres que trabalham nestes estados e não têm onde deixar seus filhos. Já a ministra de Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu uma presença maior das mulheres nos Conselhos de Administração das grandes empresas.
Também estiveram presentes à abertura a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Helena de Bairros, a senadora Marta Suplicy e o presidente da Firjan, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, entre outros representantes de órgãos públicos e de entidades da sociedade civil.
Tatiane Freire
Agência CNJ de Notícias
Agência CNJ de Notícias
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Três mulheres ganham o Prêmio Nobel da Paz
Três mulheres dividirão o Prêmio Nobel da Paz deste ano, anunciado nesta sexta-feira em Oslo: a presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, a ativista Leymah Gbowee, também liberiana, e a jornalista e ativista iemenita Tawakkul Karman.
Ellen, a primeira mulher eleita presidente na África, e Leymah são reconhecidas pela atuação para mobilizar as mulheres liberianas contra a guerra civil no país, enquanto Tawakkul participa ativamente da luta pelos direitos das mulheres e pela democracia no Iêmen.
O comitê do Nobel justificou o prêmio como reconhecimento de "lutas não violentas pela segurança das mulheres e pelos direitos das mulheres de participar do trabalho de construção da paz".
"Não podemos alcançar a democracia e a paz duradoura no mundo a menos que as mulheres alcancem as mesmas oportunidades que os homens para influenciar o desenvolvimento em todos os níveis da sociedade", afirmou o presidente do comitê, Thorbjöern Jagland, ao anunciar o prêmio.
Ao saber que era uma das premiadas com o Nobel, Ellen Johson Sirleaf disse que a vitória era de todo o povo liberiano. “Estou muito feliz. É o resultado de meus anos de combate pela paz na Libéria”, afirmou.
Tawakkul Karman dedicou seu Nobel "à juventude da revolução no Iêmen e ao povo iemenita". "Trata-se de uma honra para todos os árabes, muçulmanos e mulheres. Dedico este prêmio a todos os militantes da Primavera Árabe", disse. "Estou muito contente. Não esperava, nem sequer sabia que minha candidatura havia sido apresentada.”
Em Nova York, a liberiana Leymah Gbowee disse que as mulheres não devem esperar salvadores. "Não esperem por (Nelson) Mandela, não esperem por (Mahatma) Gandhi, não esperem por (Martin Luther) King. Vocês têm que ser seu próprio Mandela, seu próprio Gandhi, seu próprio King", disse Gbowee, em referência à luta dos grandes pacifistas. "Vocês conhecem suas questões, preocupações, prioridades, e são as melhores porque conhecem as soluções para seus problemas."
A militante pacifista que contribuiu para acabar com as guerras civis que devastaram seu país até 2003 não ocultou a grande surpresa pelo prêmio recebido nesta sexta-feira. "É um dia impressionante. Estou feliz porque finalmente a luta das mulheres desfavorecidas afetadas de forma negativa por conflitos veio à tona. Para mim, essa é a beleza desse prêmio", completou.
A escolha deste ano deve ser vista como um forte sinal do comitê do Nobel em favor da luta pela igualdade de direitos entre os gêneros, especialmente no mundo em desenvolvimento.
As vencedoras do prêmio - escolhido por um comitê formado por cinco membros - receberão uma medalha de ouro, um diploma e dividirão 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 2,7 milhões) em uma cerimônia em Oslo no dia 10 de dezembro.
O Nobel da Paz deste ano teve um número recorde de indicações, com 241 indivíduos ou instituições.
Mulheres Vitoriosas
As três mulheres que dividirão o Prêmio Nobel da Paz deste ano têm em comum a luta por maior espaço da mulher na sociedade, e pelos direitos humanos em geral.
Segundo as palavras do comitê Nobel, que anunciou a premiação em Oslo nesta sexta-feira, a presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, a ativista Leymah Gbowee, também liberiana, e a jornalista e ativista iemenita Tawakkul Karman se destacaram por suas "lutas não violentas pela segurança das mulheres e pelos direitos das mulheres de participar do trabalho de construção da paz".
"Não podemos alcançar a democracia e a paz duradoura no mundo a menos que as mulheres alcancem as mesmas oportunidades que os homens para influenciar o desenvolvimento em todos os níveis da sociedade", afirmou o presidente do comitê, Thorbjöern Jagland.
Saiba mais sobre a vida e a carreira das premiadas:

Foto: AFP Ellen Johnson-Sirleaf foto maio de 2010
Ellen Johnson Sirleaf
Economista com formação nos Estados Unidos e ex-ministra das finanças, a presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, foi a primeira mulher a se tornar chefe de Estado na África em janeiro de 2006.
Conhecida em seu país como "a dama de ferro", Ellen garimpou a maior parte do seu apoio entre as mulheres liberianas e a pequena elite com mais acesso à educação no país.
A atual presidente, nascida em 1938, tem em seu currículo passagens pela ONU e o Banco Mundial, além de ter encabeçado o Ministério das Finanças da Libéria nos anos 1970, durante o mandato do então presidente William Tolbert. Durante seu governo, Ellen pôs em marcha programas de educação para mulheres e criou um tribunal especial para casos de estupro - rompendo um tabu na política do país.
Ela tem sido criticada principalmente por sua ligação com o ex-líder Charles Taylor, que se tornou um proeminente "senhor da guerra" africano após o assassinato do ex-presidente da Libéria, Samuel Doe, e acabou se elegendo presidente do país.
Em um depoimento na Comissão da Verdade e Reconciliação da Libéria em 2009, Ellen admitiu ter apoiado Taylor inicialmente, mas disse que foi ludibriada a crer que a guerra era necessária para causar uma mudança no país.

Foto: AP Leymah Gbowee em foto de maio de 2009
Leymah Gbowee
A também liberiana Leymah Gbowee é o rosto mais conhecido do seu país no que se refere aos esforços de paz. Ela esteve no centro de um movimento que levou ao fim da segunda guerra civil na Libéria, em 2003, e à eleição de Ellen Johnson Sirleaf.
Embora o conflito na Libéria não tivesse causas diretamente ligadas à religião, Leymah percebeu que havia tensões entre cristãos e muçulmanos, e trabalhou com mulheres das duas religiões para buscar entendimentos. Ela incentivou as mulheres a realizar as chamadas "greves de sexo", rejeitando sexo com seus parceiros em busca de um objetivo. Foi trabalhando com ex-crianças que lutaram como soldados no exército de Charles Taylor que a assistente social e mãe de seis filhos percebeu que "qualquer mudança dentro da sociedade (liberiana) teria de partir das mães".
A mobilização foi importante em forçar o regime de Charles Taylor a negociar a paz com rebeldes, nos esforços subsequentes de desmilitarização do país e na própria eleição de Ellen Johnson Sirleaf.
Leymah Gbowee se tornou depois a chefe da Comissão da Verdade e Reconciliação da Libéria. Ativista com diversos prêmios recebidos por trabalhos humanitários, sobretudo em relação aos direitos das mulheres, Leymah é desde 2006 a diretora-executiva da Rede Paz e Segurança - África, uma organização que trabalha com mulheres na Libéria, Costa do Marfim, Nigéria e Serra Leoa para gerar transformações positivas através do ativismo pela paz, educação e política eleitoral.

Foto: AFP Tawakkul Karman foto de junho de 2011
Tawakkul Karman
Terceira homenageada com o Prêmio Nobel da Paz de 2011, a jornalista do Iêmen Tawakkul Karman é uma figura proeminente do maior partido de oposição iemenita, Al-Islah, e diretora da organização Women Journalists Without Chain ("Mulheres Jornalistas sem Correntes"), fundada por ela em 2005.
Em uma sociedade altamente dominada pela presença masculina, a jornalista e mãe de três filhos tem liderado desde 2007 manifestações pacíficas pedindo maior poder para as mulheres e mais atenção aos direitos humanos.
O comitê do Nobel reconheceu os esforços de Karman na luta pelos direitos femininos no Iêmen durante a chamada Primavera Árabe, "nas condições mais difíceis", nas quais Tawakkul chegou a ser presa e liberada duas vezes.
Ao saber do prêmio, a jornalista disse que dedicava o seu Nobel "à juventude da revolução no Iêmen e ao povo iemenita".
No início deste ano, ao visitar os Estados Unidos para receber o prêmio Internacional Women of Courage Award ("Prêmio Internacional Mulheres de Coragem"), ela foi elogiada pela secretária de Estado e a primeira-dama americanas, Hillary Clinton e Michelle Obama, por sua luta pelos direitos das mulheres.
Ellen, a primeira mulher eleita presidente na África, e Leymah são reconhecidas pela atuação para mobilizar as mulheres liberianas contra a guerra civil no país, enquanto Tawakkul participa ativamente da luta pelos direitos das mulheres e pela democracia no Iêmen.
O comitê do Nobel justificou o prêmio como reconhecimento de "lutas não violentas pela segurança das mulheres e pelos direitos das mulheres de participar do trabalho de construção da paz".
"Não podemos alcançar a democracia e a paz duradoura no mundo a menos que as mulheres alcancem as mesmas oportunidades que os homens para influenciar o desenvolvimento em todos os níveis da sociedade", afirmou o presidente do comitê, Thorbjöern Jagland, ao anunciar o prêmio.
Ao saber que era uma das premiadas com o Nobel, Ellen Johson Sirleaf disse que a vitória era de todo o povo liberiano. “Estou muito feliz. É o resultado de meus anos de combate pela paz na Libéria”, afirmou.
Tawakkul Karman dedicou seu Nobel "à juventude da revolução no Iêmen e ao povo iemenita". "Trata-se de uma honra para todos os árabes, muçulmanos e mulheres. Dedico este prêmio a todos os militantes da Primavera Árabe", disse. "Estou muito contente. Não esperava, nem sequer sabia que minha candidatura havia sido apresentada.”
Em Nova York, a liberiana Leymah Gbowee disse que as mulheres não devem esperar salvadores. "Não esperem por (Nelson) Mandela, não esperem por (Mahatma) Gandhi, não esperem por (Martin Luther) King. Vocês têm que ser seu próprio Mandela, seu próprio Gandhi, seu próprio King", disse Gbowee, em referência à luta dos grandes pacifistas. "Vocês conhecem suas questões, preocupações, prioridades, e são as melhores porque conhecem as soluções para seus problemas."
A militante pacifista que contribuiu para acabar com as guerras civis que devastaram seu país até 2003 não ocultou a grande surpresa pelo prêmio recebido nesta sexta-feira. "É um dia impressionante. Estou feliz porque finalmente a luta das mulheres desfavorecidas afetadas de forma negativa por conflitos veio à tona. Para mim, essa é a beleza desse prêmio", completou.
A escolha deste ano deve ser vista como um forte sinal do comitê do Nobel em favor da luta pela igualdade de direitos entre os gêneros, especialmente no mundo em desenvolvimento.
As vencedoras do prêmio - escolhido por um comitê formado por cinco membros - receberão uma medalha de ouro, um diploma e dividirão 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 2,7 milhões) em uma cerimônia em Oslo no dia 10 de dezembro.
O Nobel da Paz deste ano teve um número recorde de indicações, com 241 indivíduos ou instituições.
Mulheres Vitoriosas
As três mulheres que dividirão o Prêmio Nobel da Paz deste ano têm em comum a luta por maior espaço da mulher na sociedade, e pelos direitos humanos em geral.
Segundo as palavras do comitê Nobel, que anunciou a premiação em Oslo nesta sexta-feira, a presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, a ativista Leymah Gbowee, também liberiana, e a jornalista e ativista iemenita Tawakkul Karman se destacaram por suas "lutas não violentas pela segurança das mulheres e pelos direitos das mulheres de participar do trabalho de construção da paz".
"Não podemos alcançar a democracia e a paz duradoura no mundo a menos que as mulheres alcancem as mesmas oportunidades que os homens para influenciar o desenvolvimento em todos os níveis da sociedade", afirmou o presidente do comitê, Thorbjöern Jagland.
Saiba mais sobre a vida e a carreira das premiadas:

Foto: AFP Ellen Johnson-Sirleaf foto maio de 2010
Ellen Johnson Sirleaf
Economista com formação nos Estados Unidos e ex-ministra das finanças, a presidente da Libéria, Ellen Johnson-Sirleaf, foi a primeira mulher a se tornar chefe de Estado na África em janeiro de 2006.
Conhecida em seu país como "a dama de ferro", Ellen garimpou a maior parte do seu apoio entre as mulheres liberianas e a pequena elite com mais acesso à educação no país.
A atual presidente, nascida em 1938, tem em seu currículo passagens pela ONU e o Banco Mundial, além de ter encabeçado o Ministério das Finanças da Libéria nos anos 1970, durante o mandato do então presidente William Tolbert. Durante seu governo, Ellen pôs em marcha programas de educação para mulheres e criou um tribunal especial para casos de estupro - rompendo um tabu na política do país.
Ela tem sido criticada principalmente por sua ligação com o ex-líder Charles Taylor, que se tornou um proeminente "senhor da guerra" africano após o assassinato do ex-presidente da Libéria, Samuel Doe, e acabou se elegendo presidente do país.
Em um depoimento na Comissão da Verdade e Reconciliação da Libéria em 2009, Ellen admitiu ter apoiado Taylor inicialmente, mas disse que foi ludibriada a crer que a guerra era necessária para causar uma mudança no país.

Foto: AP Leymah Gbowee em foto de maio de 2009
Leymah Gbowee
A também liberiana Leymah Gbowee é o rosto mais conhecido do seu país no que se refere aos esforços de paz. Ela esteve no centro de um movimento que levou ao fim da segunda guerra civil na Libéria, em 2003, e à eleição de Ellen Johnson Sirleaf.
Embora o conflito na Libéria não tivesse causas diretamente ligadas à religião, Leymah percebeu que havia tensões entre cristãos e muçulmanos, e trabalhou com mulheres das duas religiões para buscar entendimentos. Ela incentivou as mulheres a realizar as chamadas "greves de sexo", rejeitando sexo com seus parceiros em busca de um objetivo. Foi trabalhando com ex-crianças que lutaram como soldados no exército de Charles Taylor que a assistente social e mãe de seis filhos percebeu que "qualquer mudança dentro da sociedade (liberiana) teria de partir das mães".
A mobilização foi importante em forçar o regime de Charles Taylor a negociar a paz com rebeldes, nos esforços subsequentes de desmilitarização do país e na própria eleição de Ellen Johnson Sirleaf.
Leymah Gbowee se tornou depois a chefe da Comissão da Verdade e Reconciliação da Libéria. Ativista com diversos prêmios recebidos por trabalhos humanitários, sobretudo em relação aos direitos das mulheres, Leymah é desde 2006 a diretora-executiva da Rede Paz e Segurança - África, uma organização que trabalha com mulheres na Libéria, Costa do Marfim, Nigéria e Serra Leoa para gerar transformações positivas através do ativismo pela paz, educação e política eleitoral.

Foto: AFP Tawakkul Karman foto de junho de 2011
Tawakkul Karman
Terceira homenageada com o Prêmio Nobel da Paz de 2011, a jornalista do Iêmen Tawakkul Karman é uma figura proeminente do maior partido de oposição iemenita, Al-Islah, e diretora da organização Women Journalists Without Chain ("Mulheres Jornalistas sem Correntes"), fundada por ela em 2005.
Em uma sociedade altamente dominada pela presença masculina, a jornalista e mãe de três filhos tem liderado desde 2007 manifestações pacíficas pedindo maior poder para as mulheres e mais atenção aos direitos humanos.
O comitê do Nobel reconheceu os esforços de Karman na luta pelos direitos femininos no Iêmen durante a chamada Primavera Árabe, "nas condições mais difíceis", nas quais Tawakkul chegou a ser presa e liberada duas vezes.
Ao saber do prêmio, a jornalista disse que dedicava o seu Nobel "à juventude da revolução no Iêmen e ao povo iemenita".
No início deste ano, ao visitar os Estados Unidos para receber o prêmio Internacional Women of Courage Award ("Prêmio Internacional Mulheres de Coragem"), ela foi elogiada pela secretária de Estado e a primeira-dama americanas, Hillary Clinton e Michelle Obama, por sua luta pelos direitos das mulheres.
Informações e textos do Portal iG.
Assinar:
Postagens (Atom)








