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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Ato de FHC & cia. contra a "podridão": fiasco total


GOLPE EM ANDAMENTO



Como nas urnas vai ser difícil, a direita raivosa, saudosa do acesso fácil aos cofres da República e das benesses do poder, apela para tudo, inclusive para convocação do "povo", às pressas, desesperadamente, ontem, no final da tarde: o "Ato contra a Podridão" (não a deles, claro, sempre jogada pra debaixo do tapete).

À frente da manifestação patriótica a "Maria Antonieta de Higienópolis", vinda diretamente de Paris, onde se refugiou nos últimos dias para fugir do "Apagão de Água" promovido pelo seu coleguinha, Geraldinho Volume Morto Alckmin, apagão que felizmente já atinge também os bairros da elite paulistana.

O "povo", que trabalhou o dia todo, quer mais é água pra tomar banho, beber e cozinhar, e está cansado das lorotas tucanas, não deu as caras...


O invejoso


É HUMILHANTE


FHC marcou para esta noite de quarta-feira uma grande manifestação.

Com o ego ferido ao ver Lula e Dilma enchendo de povo as ruas deste país, o insepulto Príncipe dos Sociólogos resolveu arregaçar as mangas e testar o seu cacife, a sua popularidade - ou sabe-se lá o que ele queria testar - e convocou o povo às ruas contra a "podridão".

Atentai bem.

A convocação deu em todos os jornais e sites camaradas, todo articulista do bico comprido se referiu ao movimento, denominado ‪#‎VemPraRua22‬, pulularam videos no face, no twitter, no Zap... com depoimentos de FHC, Pedro Simon e o próprio Aécio.

Os neo-vloggers.

Diziam que iriam resgatar o espírito das jornadas de junho, aquela rave cívica que arrastou uma moçada jovem e cansada de caminhar em esteiras nas academias e que resolveu vestir-se de bandeira e dar um rolê pelas ruas, sempre na hora de pico, atrapalhando o trabalhador de chegar em casa.

Lembra deles?

Aécio foi taxativo: "nesta quarta-feira, a partir das 19 h, o Brasil inteiro vai estar mobilizado pela mudança."

A expectativa era enorme. As casas de apostas se enchiam, o povo se acotovelava com maços de reais nas mãos. Colocariam 50 mil pessoas nas ruas como fez Dilma no Recife? Fariam um novo TUCA? Reproduziriam aquela linda imagem recheada de vermelho que vimos essa semana na ponte que liga Juazeiro à Petrolina, com uma multidão gritando Dilma, Dilma?

Às 19 h de hoje tivemos a resposta:

cri, cri cri, cri...

O povo não foi.

Olhei para um lado, olhei para o outro e nada. Cadê Dado Dolabella, cadê Lobão, cadê Alexandre Frota, quêde Lindsay Lohan?

Uai, sô. Abandonaram o candidato, esses cabras só são machos pra xingar nas redes sociais, cadê mostrar a cara, cadê bater no peito, cadê levantar a bandeira?

Nada!

Na hora de chacoalhar cadeirante, ameaçar ator, xingar a presidenta, eles saem todos das tocas.

Todos nós sabemos que a turma do Aécio é da massa cheirosa e, sem água, fica difícil madame arrumar o cabelo para sair às ruas.

Mas FH deixou claro que dessa vez queria o povo lá, o povão, eu e você. E FH, todos o sabemos, tem a sua forma singular de se aproximar do povo, certa vez disse que era um mulatinho com um pé na cozinha, dessa vez preferiu mexer na árvore genealógica pra convencer os desinformados, ele aclamou sem enrubescer "sou neto de nordestino, tenho orgulho disso. Nós aqui de São Paulo precisamos estar juntos com vocês todos, nós todos juntos em indignação contra essa podridão que está havendo no Brasil."

Cri, cri, cri...

Mas com mil diabos, tantos artistas populares ao lado deles, Chitãozinho, Zezé, Anderson Spider, o Fenômeno, o Goleiro Bruno, a família Para Nossa Alegria...

Mas e o povo, quêde povo no largo da Batata, Deus dos invernos?

Mil pessoas?

Com que cara o candidato sai de casa amanhã? Haja injeção de cavalo depois dessa.

Melancolicamente, Aécio vai vendo a sua candidatura artificial cair na real.

Um cabra que, às vésperas do pleito, convoca o povo às ruas e fica comendo mosca só pode tá moscando.

A única multidão que segue Aécio é aquela que desrespeitosamente aplaude o seu candidato em debates, dentro dos estúdios de TV, no ar condicionado.

A rua é nóis, Aécio.

Palavra da salvação.

Lelê Teles (Facebook)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Depois do Apagão de Energia (FHC), tucanos promovem "Apagão" de Água em São Paulo


CHOQUE DE GESTÃO TUCANA: SÃO PAULO NO FUNDO DO POÇO



Depois do Apagão de Energia promovido no governo FHC, o governador tucano Geraldo "Volume Morto" Alckmin, eleito em primeiro turno pela parcela mais emburrecida de paulistas, a elite e os "metidos a elite", oferecerá em breve à população do Estado de São Paulo, lodo, muito lodo. É o que afirma o diretor-presidente da ANA, Agência Nacional de Águas, Vicente Andreu.

O sertão está virando mar, com as cisternas, o Eixo das Águas e outras obras dos governos Lula e Dilma Rousseff. Não falta água no Nordeste. O mar de prosperidade de São Paulo, o estado mais rico do País, está virando "mar de lama", lodo, sertão...


Cantareira: choque de "barro" e incompetência



Há terceira cota de volume morto, mas água está no lodo, diz ANA


Rodrigo Pedroso | Valor


SÃO PAULO - Existe uma terceira - e última - cota de volume morto que poderá ser usada no sistema Cantareira, que abastece de água boa parte da Grande São Paulo. Mas a retirada dessa água, que está misturada ao lodo, apresenta dificuldades “técnicas” e envolve riscos por se tratar de insumo de baixa qualidade, disse hoje o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu. Essa terceira cota teria 200 bilhões de litros.

“O volume morto total tem cerca de 500 bilhões de litros. A primeira e a segunda cota, juntas, somavam quase 300 bilhões de litros. Em tese, há mais 200 bilhões de litros. Como a reserva fica no fundo, se a crise se acentuar, não haverá outra alternativa a não ser ir no lodo e tirar essa água”, disse durante apresentação no debate “A falta de água em São Paulo”, na Assembleia Legislativa do Estado.

Segundo Andreu, qualquer obra de aumento da capacidade do atual sistema de abastecimento das regiões metropolitanas de São Paulo e Campinas demora pelo menos dois anos. Assim, a única solução no curto prazo para a crise hídrica pela qual passa o Estado de São Paulo é a ocorrência de chuvas acima do esperado ou utilizar todo o volume morto do sistema Cantareira.

“Quem apresentou o volume morto como alternativa ao governador Geraldo Alckmin fomos nós. Porque as outras hipóteses de enfrentamento da crise requerem obras que não foram feitas e só terminariam, no melhor dos cenários, em dois anos. Então, a solução é ou esperar por uma chuva boa ou se retirar o volume morto”, afirmou há pouco durante fala na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

Andreu disse que ainda no começo do ano a previsão meteorológica para 2014 em São Paulo era “muito ruim”, mas que “havia a expectativa por parte do governo do Estado” de que o regime de chuva pudesse se normalizar. “Toda essa crise que estamos vivendo é de que houve expectativa de chuva que não se concretizou ao mesmo tempo em que não se tomou alternativas adequadas.”

A ANA também pediu, em abril, a redução da vazão do Cantareira, para preparar melhor o sistema para o próximo ano, quando também deve haver chuva abaixo da média. Na ocasião, de acordo com Andreu, o governo paulista não atendeu ao pedido.

“O problema [mais sério] que vamos enfrentar é a partir de março, abril de 2015, porque agora deve cair alguma chuva”, disse Andreu.




Destaques do ABC!

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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Dilma vai pra cima e defende a Petrobras


Está errado quando alguns dizem que a Petrobras está perdendo valor de mercado. Manipulam dados, distorcem análises, desconhecem deliberadamente o setor do petróleo. Escondem, por exemplo, que em 2003, no início do governo Lula, ela valia, no mercado, R$ 15,5 bilhões, e hoje, mesmo com toda a crise internacional, com todos os problemas a ela ligados, e questões relativas e conjunturais da bolsa, o valor chega a R$ 98 bilhões. 

Não ouvirei calada a campanha negativa daqueles que, por proveito político, não hesitam em ferir a imagem da empresa.



Esta é a Nossa Presidenta!

Bateu, levou !!!



Imagem de hoje do discurso da Presidenta Dilma
em defesa da Petrobras, Ipojuca, Pernambuco (vídeo abaixo)

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Alckmin, mídia e água: jornalixo e politicagem


CRISE HÍDRICA: CHOQUE DE INCOMPETÊNCIA 



Sistema Cantareira: show de barro e incompetência



Alckmin, a imprensa e a água. Um show de incompetência, irresponsabilidade e politicagem



Fernando Brito



Amanhã se completam dois meses que este blog, cá do Rio de Janeiro, vem azucrinando seus leitores sobre a situação dramática do abastecimento de água em São Paulo, quase que diariamente.

Àquela altura, havia 19,8% de todo o volume possível nos reservatórios do Sistema Cantareira e o principal deles tinha 15,5% de seus 800 bilhões de litros de capacidade.

Hoje, tem 12% e a principal represa vai baixar, amanhã, para 4%.

Qual foi a providência tomada pelo Governador?

Dar desconto a quem consumir menos água, correto.

Mas insuficiente.


Saíam, há dois meses, pouco mais de 30 m³/segundo do sistema. Hoje, saem 26 m³, 15% a menos.

Entram, na média de março e de abril, 13,8 m³, dos quais 3,2 m³ saem para os rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, ficando fora do balanço.

Não é difícil fazer a conta, não é?

Perde-se, todo dia, 1,6 bilhão de litros.

Na média, porque ontem, por exemplo, entrou muito menos água e a perda chegou pertinho de 2 bilhões de litros.

Hoje havia 118 bilhões de litros ainda, somadas todas as represas.

73 dias, isso se o sistema conseguisse funcionar até a última gota acima das comportas, o que não é provável que aconteça, porque as vazões passam a ser insuficientes para preencher os túneis de adução.

Que providência tomou o Governador?

Ressuscitar um projeto que já havia sido abandonado, por inadequado, pelos técnicos da Sabesp (quem testemunha é o engenheiro tucano Jerson Kelman, do Instituto FHC), o de tirar água do Rio Paraíba do Sul, porque isso permitia criar uma falsa disputa com o Rio de Janeiro e “federalizar” o problema.


No que o Datafolha o ajuda, agora, colocando “num balde só” do risco de racionamento o Cantareira, com 12% de água, e o Sistema Elétrico Nacional que, somando todas as regiões – que são interligadas e podem gerar, de forma quase indistinta, energia para qualquer região do país – que têm hoje, no total, 40,5% de sua capacidade de reserva.


Anteontem, este blog, que não é, absolutamente, dotado de poderes paranormais, afirmou que a semana não terminaria sem que começasse, “de fato, o racionamento de água em São Paulo.”

Já começou, embora só hoje tenha sido feita uma reportagem com características de “curiosidade”.

Hoje, embora continue negando, Alckmin admitiu que pode partir para um “rodízio” no abastecimento.

Ora, “rodízio” é em churrascaria, Governador.

Entrar água por dois dias e secar em um é r-a-c-i-o-n-a-m-e-n-t-o.

É essa a forma de racionar possível, porque de outra forma não é possível controlar o gasto.

O senhor não vai colocar estas simpáticas e prestativas senhoras que estão atuando como “guardiãs da água” do lado de cada torneira, de cada chuveiro, de cada vaso sanitário, não é?

Tão triste quanto este espetáculo de cinismo é o que a imprensa paulista faz.

Aceita qualquer versão.

Volume morto, que jamais foi usado e ninguém sabe o quanto poderá ser aproveitado, vira “reserva técnica”.

O racionamento vira “rodízio”.


As obras do bombeamento do Atibainha não mereceram uma reportagem sequer. Ninguém sabe como andam.

As duas últimas saídas de água do Jaguari-Jacareí estão no estado da foto publicada pela Folha sem nenhum tipo de informação.

Essa torre está 31 metros abaixo de seu nível máximo e resta 1,7 metro de água acima do final das grades da comporta gradeada que, como é obvio, admite cada vez menos líquido quanto mais o nível abaixa.

Este é o tamanho da cumplicidade da imprensa de São Paulo diante do problema e das atitudes de Geraldo Alckmin.

E da covardia da Agência Nacional de Águas, que não assumiu aos quatro ventos o que foi dito ao Governador em janeiro: racione, evite que isso tenha de ser feito de forma mais drástica e permanente.

Este blog, antes de defender ou atacar governos ou partidos, defende a responsabilidade para com a população e ataca tudo aquilo que possa submetê-la a sacrifícios além do necessário.

E defende o jornalismo, que está num nível mais baixo que o do Cantareira.


Não é possível que, com todas as informações públicas, ao alcance de um clique de mouse, nem assim os jornais possam dar a dimensão de um problema que afeta e afetará por muitos e muitos meses oito milhões de paulistanos.


Destaques do ABC!

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sábado, 5 de abril de 2014

Problema do Brasil é falta dágua em São Paulo


TUCANAGEM: CHOQUE DE INCOMPETÊNCIA



"A grande preocupação dos brasileiros não deveria ser Pasadena, uma ótima refinaria, situada no melhor lugar dos Estados Unidos para uma empresa similar, no canal de Houston; que produz 100 mil barris por dia; e dá lucro. Deve continuar dando lucro enquanto os americanos continuarem a usar gasolina e derivados. Ou seja, para sempre. (...)

A preocupação dos brasileiros também não deveria ser a economia, pois esta voltou a crescer de maneira firme e saudável este ano, com foco na indústria. (...)

O principal problema no Brasil hoje, e que deveria receber atenção máxima da mídia, é o esvaziamento do sistema Cantareira, que abastece de água a grande São Paulo. Pode faltar água em São Paulo este ano. E por exclusiva incompetência tucana, pois São Paulo é um dos estados com precipitações mais regulares no país, e possui uma enorme e generosa bacia hídrica. Não faltam rios e chuvas em São Paulo. Falta gestão, manejo, disposição para fazer obras e investir em infra-estrutura. Há mais de 20 anos que o governo de São Paulo não faz uma obra na estrutura de abastecimento de água no estado. Está fazendo agora, às pressas."



Sistema Cantareira (Foto: Agência Brasil, via MetroJornal)



Pasadena é boa, problema do Brasil é falta d’água em São Paulo


Miguel do Rosário

A grande preocupação dos brasileiros não deveria ser Pasadena, uma ótima refinaria, situada no melhor lugar dos Estados Unidos para uma empresa similar, no canal de Houston; que produz 100 mil barris por dia; e dá lucro. Deve continuar dando lucro enquanto os americanos continuarem a usar gasolina e derivados. Ou seja, para sempre.

Pasadena deveria ser uma pauta positiva. Mesmo que encontrarem mutretas, isso é até bom, porque então prende culpados, corrige e melhora. Pode haver “treta” (e infelizmente suponho que deve haver) em tudo que é estatal brasileira. O importante é manter em mente que Pasadena é uma refinaria estrategicamente importante para a Petrobrás e para os interesses brasileiros.

A preocupação dos brasileiros também não deveria ser a economia, pois esta voltou a crescer de maneira firme e saudável este ano, com foco na indústria.

A Confederação Nacional da Indústria acaba de divulgar que o faturamento real (ou seja, descontada a inflação) da indústria de transformação em fevereiro cresceu 12,4% sobre o mesmo mês do ano anterior, e 6% sobre janeiro.






Os brasileiros também podem respirar aliviados em relação a questão elétrica. As chuvas de março superaram as chuvas nos primeiros dois meses do ano, permitindo uma recomposição tímida, mas importante, dos reservatórios.

Os especialistas alertam que o governo deveria tomar medidas para redução do consumo de energia, embora estejam céticos que este vá fazer isso, por causa do receio de um dano eleitoral. Eu acho que o governo deveria ser pro-ativo e adotar medidas cautelares em prol de um consumo racional, até mesmo por uma questão educativa e ambiental.

Entretanto, a situação elétrica está sob controle. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), ligado ao governo federal, divulgou nota há pouco dizendo que “não são visualizadas dificuldades no suprimento de energia no país em 2014″. A razão pela qual eu acredito (sempre criticamente, claro, como bom jornalista) na avaliação do governo não é tanto por causa da volta das chuvas, mas porque temos uma capacidade crescente de geração termoelétrica, daqui a pouco estarão prontas novas hidrelétricas e há um grande parque eólico entrando no sistema. Depois vamos atrás de mais detalhes e links sobre cada uma dessas obras, até para podermos cobrar as autoridades.

O principal problema no Brasil hoje, e que deveria receber atenção máxima da mídia, é o esvaziamento do sistema Cantareira, que abastece de água a grande São Paulo. Pode faltar água em São Paulo este ano. E por exclusiva incompetência tucana, pois São Paulo é um dos estados com precipitações mais regulares no país, e possui uma enorme e generosa bacia hídrica. Não faltam rios e chuvas em São Paulo. Falta gestão, manejo, disposição para fazer obras e investir em infra-estrutura. Há mais de 20 anos que o governo de São Paulo não faz uma obra na estrutura de abastecimento de água no estado. Está fazendo agora, às pressas.



O Cafezinho

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quinta-feira, 20 de março de 2014

Geraldo Alckmin: "Choque de Incompetência"


TUCANATO: DO CHOQUE DE GESTÃO AO CHOQUE DE INCOMPETÊNCIA



São Paulo: Palco da abertura da Copa do Mundo. 

E as torneiras? Secas. Vazias. Nem uma gota...

Já imaginaram?

E os responsáveis por este descalabro querem voltar à Presidência da República.

Que Deus ilumine o Povo Brasileiro!





Seca à vista: a escassez de água em São Paulo é fruto da sucessão de erros do governo Alckmin



Edson Domingues*


Reservatório do Sistema Cantareira


Geraldo Alckmin está testando na população suas habilidades de médico anestesista. Em 1º de fevereiro, o DCM apontou os riscos que o Sistema Cantareira corria por diversas razões. Diante da inércia da gestão do sistema hídrico paulista, o quadro só se agravou após 45 dias. Vacilante sobre que medidas tomar com relação ao racionamento, o governo optou pelo caríssimo bombardeio de nuvens em busca de chuva artificial.

Sem efeito, partiu para “deixar estar para ver como é que fica” e os primeiros resultados começaram a aparecer: obra emergencial para uso do chamado “volume morto” (cerca de 300 bilhões de litros que ficam no fundo dos reservatórios), falta de água em centenas de bairros da periferia e região metropolitana, possibilidade de paralisação da atividade industrial e risco de demissões, malabarismo no comércio e a aurora da seca antes mesmo do período de estiagem se estabelecer.

Nunca a falta d’água foi um problema tão grave na região metropolitana de São Paulo em razão da inércia da Sabesp. Recursos públicos estão sendo despejados para manter água na torneira da dona de casa. Antecipação desastrada pela busca de água no combalido Rio Ribeira de Iguape, projeto da década de 70, faz o governo correr para o licenciamento ambiental no Vale do Ribeira como forma de dar resposta à opinião pública diante do desabastecimento que se avizinha. Ao menos 60 meses serão necessários para a água do Ribeira subir para a região metropolitana. O mundo estará com os olhos voltados para São Paulo, palco da abertura da Copa do Mundo, num cenário que inclui a escassez nas torneiras.

O contorcionismo faz com que sejam remanejados volumes de outros Sistemas, como Guarapiranga e Alto Tietê. Fora o esforço que a população faz para economizar.

O volume morto tem problemas demais para ser tratado como vem sendo pela Sabesp. Cada vez mais as águas do Sistema Cantareira demandam forte tratamento químico para sua potabilidade, já comprometida pelo uso e ocupação do solo irregular por imóveis padrão “Beverlly Hills” construídos a despeito da “fiscalização” da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

Pesquisadores da UNESP de Sorocaba, em convênio com a USP, apontam que as águas do Sistema Cantareira têm sulfato de cobre, fungicida utilizado no sistema de tratamento de captação de água para combater algas. Seu uso excessivo pode acarretar danos ao sistema hepático em caso de ingestão contínua. Sua aplicação no Sistema Cantareira pode ter deixado concentrações acima dos níveis recomendados.

Segundo pesquisadores da UNESP, outros componentes químicos são ameaçadores: cádmio, níquel, zinco, chumbo, cobre, cromo, arsênio, ferro e alumínio já são encontrados em invertebrados nas represas que compõem o Sistema.

Os acionistas da SABESP na Bolsa de Valores certamente ainda não sabem, mas apostaram no tão propagandeado investimento no saneamento ambiental do Estado de São Paulo. Apostaram assim como no jogo do bicho. Certamente vai dar camelo no primeiro prêmio.

* Edson Domingues, 45 anos, é escritor, ambientalista e autor de projetos de sustentabilidade na periferia de São Paulo. Formado pela Fundação Escola de
Sociologia e Política de São Paulo, FESPSP.


Destaques do ABC!

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

#NaovaiterAlckmin


OPINIÃO



#NãovaiterAlckmin, o xeque mate do movimento das ruas em São Paulo


Pela garantia do direito constitucional de manifestação, com PM desmilitarizada e proibição de armas letais em operações em protestos

Igor Felippe, no Escrevinhador


A população que vive em São Paulo não aguenta mais a violência, os serviços públicos sem qualidade e a corrupção. São muitos e muitos problemas que afligem diversos setores, como os trabalhadores, estudantes, idosos e aqueles que se manifestam por um mundo melhor.


A Polícia Militar de São Paulo é uma das polícias mais violentas do mundo. Violenta famílias de trabalhadores que vivem na periferia, assim como reprime aqueles que se manifestam democraticamente.


Os métodos arbitrários da PM aproximam as famílias de trabalhadores dos manifestantes que não estão satisfeitos com o atual estado de coisas.


2.045 pessoas foram mortas entre 2005 e 2009 no Estado de São Paulo pela Polícia Militar, que na manifestação desse sábado prendeu 230 pessoas, entre as quais cinco jornalistas.


Meses atrás, essa mesma polícia reprimiu os rolezinhos dos jovens da periferia nos shoppings e os dependentes de crack durante operação humanitária da Prefeitura.


As famílias de trabalhadores, os estudantes e os idosos não aguentam mais o tempo perdido no trânsito e a falta de qualidade do transporte público, especialmente no metrô.


O sistema público de educação não atende a necessidade da população. Escolas que não educam, com falta de estrutura, professores e funcionários sem uma remuneração justa, além da falta de vagas no ensino médio e superior.


Pronto-socorro, posto de saúde e hospital público sem condições de atender a população, acumulando filas e filas, que têm como consequência atendimento ruim e falta de estrutura para suprir a demanda. Fazer uma consulta ou um exame demora meses e meses.


A corrupção fundada na relação promíscua entre o poder público e empresas capitalistas, que contamina todo o Estado, revolta todos que precisam de serviços públicos.


Mais e mais notícias começam a desvendar o esquema de corrupção nas obras e fornecimento de trens e equipamentos para o sistema de transporte sobre trilhos em São Paulo.


A luta que pode unificar os anseios das famílias de trabalhadores das periferias, a juventude em luta e os movimentos populares é o #NaovaiterAlckmin.


O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, não é o único responsável por essas questões, mas é o alvo que pode unificar os movimentos e a classe trabalhadora, viabilizando uma coalizão das formas emergentes de luta social e os movimentos sociais tradicionais, com apelo popular.


O #NaovaiterAlckmin é funcional para o PT? Pode ser, porque o partido tem interesse em desgastar o governador, mas também representaria um tensionamento interno entre aqueles que querem e não querem protestos e um perigo em potencial para uma acomodada presidenta Dilma Rousseff.


O #NaovaiterAlckmin é funcional para as formas emergentes de luta? Pode ser, porque constrangeria o PT e poderia acumular força social e apoio de setores que não se identificam com o #NaovaiterCopa, criando condições para mobilizar e organizar as massas para pressionar o governo Dilma pelas mudanças.


O governo federal e o comando do PT teriam que se decidir: aceitar, apoiar e  
aderir às lutas do #NaovaiterAlckmin ou se aliar ao governador para manter a ordem e reprimir as manifestações, como dá sinais o ministro José Eduardo Cardozo.

O #NaovaiterAlckmin é superior ao #NaovaiterCopa porque pode mudar a correlação de forças, contribuindo para desgastar o PSDB, colocando a faca no pescoço do governo federal e do PT, que teriam que se posicionar. O que diriam os governistas que querem endurecer as leis repressivas e os petistas que têm medo das manifestações de rua?


Mais um elemento da superioridade da jornada contra o governador é que o #NaovaiterCopa não representa necessariamente uma saída para a esquerda, enquanto o #NaovaiterAlckmin ataca os setores conservadores e a repressão da PM.


O #NaovaiterAlckmin representaria a partidarização do movimento de lutas? Não necessariamente, porque o movimento pode construir uma plataforma de mudanças com perspectiva estratégica.


Garantia do direito constitucional de manifestação, desmilitarização da PM e proibição de porte de armas letais em operações em protestos; democratização dos meios de comunicação que manipulam e criminalizam os protestos; educação e saúde públicos, universais e de qualidade; fim da corrupção nas obras do metrô, retomada do dinheiro desviado e investimentos na qualificação e expansão das linhas podem ser o ponto de partida da construção dessa plataforma.


O #NaovaiterAlckmin poderia empunhar também a bandeira do plebiscito pela convocação de uma assembleia constituinte exclusiva para a reforma do sistema político, para mudar de vez as instituições reféns do poder econômico e que não representam mais os interesses das maiorias.


O #NaovaiterAlckmin é o xeque mate do movimento das ruas. Representa um salto de qualidade na luta e pode mobilizar mais pessoas, fazer mais protestos e acumular mais força para enfrentar o aparato repressivo do Estado e as amarras do nosso sistema político que impedem as mudanças estruturais.


Brasil 247

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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

STF: "Dois pesos, dois mensalões"


PROPINODUTO TUCANO



"(...) a noção de que o STF iria “mudar a história” ao fazer o “julgamento do século” e “acabar com a impunidade dos poderosos” está longe de corresponder à realidade. Não fez jurisprudência nem no STF, pelo visto." 


Desigualdade escancarada

Ao contrário do que ocorreu na AP 470 [mensalão do PT], tucanos conseguem desmembrar julgamento do propinoduto


Em agosto de 2012, no início do julgamento da ação penal 470, o advogado Márcio Thomaz Bastos colocou uma questão de ordem.

Queria desmembrar o julgamento, separando os réus com direito a foro privilegiado – três deputados – e os demais 35, que teriam direito a serem examinados na primeira instância. O pedido foi rejeitado por 9 a 2.

Ontem, o ministro Marco Aurélio Mello examinou a denúncia sobre o propinoduto tucano, que envolve corrupção nas obras do metrô paulista. Marco Aurélio decidiu desmembrar o processo.

A decisão de ontem não compromete a biografia de Marco Aurélio, que foi um dos dois votos a favor do desmembramento, em 2012.


Mas mostra que a noção de que o STF iria “mudar a história” ao fazer o “julgamento do século” e “acabar com a impunidade dos poderosos” está longe de corresponder à realidade. Não fez jurisprudência nem no STF, pelo visto.

Em agosto de 2012 o Supremo já havia desmembrado o mensalão do PSDB-MG, decisão tomada antes de negar a mesma medida na AP 470.

Repetiu a prática, agora, com os tucanos de São Paulo.

Encarregado de julgar o mensalão do DEM-DF e seus parlamentares filmados quando recebiam dinheiro na meia, em saco de supermercado e sacola de feira, o STJ também desmembrou.

Ou seja: sequer no plano das aparências é possível dizer que se oferece um tratamento igual para situações iguais. "Dois pesos, dois mensalões", escreveu Janio de Freitas, em 2012.

Em 3 de agosto de 2012, escrevi neste espaço: “O julgamento continua. Mas essa decisão (o não-desmembramento), tão diferente para situações tão parecidas, vai gerar muita polêmica, estejam certos”.

Um ano e meio depois, descobre-se que uma decisão crucial da AP 470, que determinou vários de seus desdobramentos, não será seguida mais uma vez.

Imagine: com o desmembramento, réus como José Dirceu, Delúbio Soares e 32 outros acusados muito possivelmente sequer teriam sido julgados até agora, como acontece com os réus do mensalão PSDB-MG, que envolvem crimes cometidos seis anos antes dos casos denunciados na AP 470 e ninguém sabe quando irão receber a sentença em definitivo.

Mesmo que isso tivesse ocorrido, eles teriam direito a um segundo julgamento, por outra corte de Justiça. Em vez disso, em casos especialíssimos, têm direito a uma revisão limitada e pontual, com várias condicionantes, pelo mesmo tribunal.

Em 2012, o simples voto a favor do desmembramento provocou mal-estar no plenário do STF. Quando Ricardo Lewandowski votou a favor do pedido, Joaquim Barbosa fez uma intervenção agressiva: “Me causa espécie que tratemos dessa questão agora. Isso é deslealdade”. O revisor retrucou: “Me causa espécie que sua excelência queira impedir que eu me manifeste”.

Ao votar contra o pedido de desmembramento feito na ação penal 470, o ministro Gilmar Mendes alegou que, se o caso não estivesse no Supremo, o processo prescreveria. Vamos ler o que disse:

"Esse processo só está chegando a seu termo porque ficou concentrado no Supremo Tribunal Federal", disse. "Se estivesse espalhado por aí, o seu destino era a prescrição."

Desmembramento é igual a prescrição na opinião de Gilmar Mendes, se entendi bem. E agora?

Sou favorável ao desmembramento. Não só pelo princípio de que deve-se garantir tratamentos iguais a cidadãos acusados de crimes iguais, mas porque a Constituição define assim. Quem tiver alguma dúvida sobre a incompetência do STF para julgar réus que não possuem o foro privilegiado, só precisa digitar o nome de Dalmo Dallari na internet para ter uma aula irretocável sobre o assunto.


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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Fernando Haddad e a "São Paulo do Século 21"


OPINIÃO




"Natal Iluminado de São Paulo" - Edifício da Prefeitura/Viaduto do Chá
Foto: Alexandre Diniz/SPTuris Portal PMSP



Tocar fogo em SP: meta do conservadorismo em 2014

Haddad lidera reformas indispensáveis para tirar a cidade do caos. A velocidade dos ônibus já deu um salto de 45%. Mas o dinheiro grosso barra novos avanços.

Saul Leblon



A velocidade dos ônibus em São Paulo registrou um salto de 45% em 2013 (de 14,2 km/h para 20,6 km/h).

Três milhões de pessoas ganharam 38 minutos por dia fora das latas de sardinha, que agora pelo menos andam.

Embora a maioria ainda desperdice mais de duas horas diárias em deslocamentos pela cidade, é quase uma revolução quando se verifica a curva antecedente.

Ninguém pagou mais por isso: as tarifas estão congeladas desde junho sob a pressão de protestos legítimos liderados pelo Movimento Passe Livre.

Financiar a tarifa e modernizar o sistema com 150 km de corredores exclusivos (as faixas já passam de 290 km) seria a tarefa do aumento progressivo do IPTU previsto pelo prefeito Fernando Haddad.

A coerência entre os meios e os fins é irretocável.

1/3 dos moradores mais pobres de SP não pagariam nada de IPTU em 2014; os demais, em média, contribuiriam com um adicional de R$ 15,00 ao mês. Os boletos dos mais ricos, naturalmente, transitariam acima da média.

O matrimônio de interesses expresso na aliança entre Fiesp, PSDB e a toga colérica implodiu esse reajuste.

Como Nero, eles querem ver São Paulo pegar fogo para culpar os adversários (os cristãos, no caso do imperador).

Em meio às labaredas emergiria o palanque conservador como a escada Magirus que os reconduziria com segurança ao Bandeirantes e, quem sabe, ao Planalto.

O dinheiro grosso fornece a gasolina; o tucanato fino de Higienópolis entra com o maçarico.

"Bum!", diz a mídia obsequiosa que estampa a foto de Haddad com a legenda: o culpado é o oxigênio.

Depois de subtrair R$ 40 bi por ano do sistema público de saúde, ao extinguir a CPMF, eles não hesitam agora em usar o sofrimento da população como recheio do seu pastel de vento eleitoral.

É o de sempre, ataca Haddad: a coalizão da casa-grande contra a senzala.

Eles retrucam estalando o chicote da mídia.

A rede de ônibus da capital (linha e fretados) transporta 68% da população e ocupa somente 8% das vias urbanas.

A frota de automóveis transporta 28% e ocupa cerca de 80% do espaço das vias.

A informação é da urbanista Raquel Rolnik, em artigo reproduzido no Viomundo.

A rigor, portanto, a mobilidade melhorou para a maioria dos habitantes da cidade, com uma redistribuição pontual do uso do espaço viário.

Mas a emissão conservadora atiça o fim de ano da classe média com bordão do caos no trânsito –por culpa do privilégio concedido aos ônibus.

Na edição de sábado (21/12), o jornal Folha de SP estampa a manchete capciosa em seis colunas, no caderno Cotidiano: "Trânsito piora, e ônibus anda mais rápido".

No manual de redação dos Frias, trânsito é sinônimo de transporte individual.

Há um traço comum entre esse entendimento do que seja interesse coletivo e individual e o belicismo conservador contra o programa "Mais Médicos".

O programa subverteu a lógica protelatória e alocou médicos estrangeiros, cubanos em sua maioria, ali onde os profissionais locais não querem trabalhar: periferias conflagradas e socavões distantes.

Produz-se assim uma mudança instantânea na vida de 23 milhões de brasileiros até então desassistidos.

Quantos não morreriam à espera do longo amanhecer incremental preconizado pelo conservadorismo?

A dimensão estrutural desse antagonismo perpassa a luta pelo desenvolvimento brasileiro desde Getúlio.

Reformas de base ou a delegação do futuro da economia e do destino da sociedade aos mercados?

Em 1964 o pelourinho midiático, a Fiesp e o tucanismo, na versão udenista, resolveram a pendência da forma sabida.

Meio século depois, São Paulo reproduz em ponto pequeno a mesma confluência de interesses que se reivindica o direito consuetudinário de tocar fogo no canavial e estalar o açoite para fazer a moenda girar.

Primeiro, a garapa; o resto a gente conversa depois.

Com a tigrada guardada nas senzalas.

Ou imobilizada em ônibus-jaula.

A gestão Haddad precisa modular o timming de suas ações para discuti-las antes com a população.

Tem agora um inédito conselho de participação popular para isso.

Mas é indiscutível que o prefeito lidera hoje um conjunto de reformas imperativas, as reformas de base da São Paulo do século XXI.

Sem elas a cidade afundará no destino que lhe reservou a elite brasileira branca e plutocrática: ser um exemplo de viabilidade de uma das mais iníquas versões do capitalismo no planeta.

Esse é o embate dos dias que correm na metrópole.

Diante dele, o silêncio de quem liderou os protestos de junho chega a ser desconcertante.

Mas não é inédito.

Há inúmeros antecedentes gravados na história com os predicados de cada época.

E nenhum deles é inocência.


Carta Maior

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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O que é isso, desembargadora Luislinda?


TRISTES TRÓPICOS



Nós já falamos dela em 2011, já contamos sua bela história de vida: de menina negra e pobre à magistratura. Leia mais sobre a primeira juíza negra brasileira, a baiana e Filha de Iansã Luislinda Valois, clicando aqui.

E agora noticiamos, com pesar, sua entrada na política e, pasmem!, num partido aristocrata, nascido em Higienópolis, bairro nobre da tradicional elite paulistana.

Sou preta, pobre, periférica, ousada e magistrada. Por isso sempre me voltei para a luta das minorias, das pessoas que precisam de mim. Sou ousada e briguenta. Não deixo meus direitos passarem em branco. Vou buscar sempre.


Mas...

O que é isso, Excelência?

Preta, pobre, periférica, ousada, briguenta... e vai se aliar às hostes elitistas?


E a sua história de vida, suas origens, sua consciência de classe? Onde ficam?

Vai defender os mais frágeis se aliando aos vendilhões do patrimônio público a preço de banana?

Como assim?

Agora só falta a ministra Eliana Calmon se filiar ao DEM...



Luislinda Valois/Facebook


Bahia 247

Filha de vaqueiro e de uma costureira e neta de escravo, a desembargadora e primeira juíza negra do Brasil, Luislinda Valois, assinou sua ficha de filiação nesta noite ao PSDB com as bênçãos do presidente do partido e pré-candidato a presidente da República, senador Aécio Neves. Cerimônia aconteceu no ninho central dos tucanos, em Brasília.

Segundo Aécio, o ingresso da magistrada representa "grande ganho" para a legenda, devido à trajetória de vida e à experiência na luta com os movimentos sociais. "Você será, na Bahia, intérprete do nosso sentimento, porta-voz das nossas propostas. Estou muito feliz com sua presença entre nós", disse o senador.

Aécio observou que o partido, nos últimos dias, reforçou sua unidade interna. Para o senador, a chegada da desembargadora contribui para "a construção do projeto de país que o PSDB vem elaborando".

Com candidatura praticamente garantida a deputada federal, Luislinda diz que se identificou com o PSDB pelas lutas sociais do decorrer de sua trajetória.

"Sou preta, pobre, periférica, ousada e magistrada. Por isso sempre me voltei para a luta das minorias, das pessoas que precisam de mim. Sou ousada e briguenta. Não deixo meus direitos passarem em branco. Vou buscar sempre. Meus pais, um motorneiro e uma costureira, foram pessoas fantásticas que sempre lutaram pela educação. E é pela educação que vou lutar, porque com educação a gente chega longe".

Juvenal Araújo, presidente nacional do Tucanafro, ressaltou que o PSDB ganha com a filiação da desembargadora. "Luislinda é uma referência para os negros de todo o país. Uma pessoa cuja história de vida inspira a todos. É uma honra recebê-la no PSDB, o partido de Fernando Henrique Cardoso, o presidente que mais fez pela população negra brasileira".

O deputado federal baiano Jutahy Junior (PSDB-BA) citou que a magistrada também tem como marca a luta em defesa das religiões afrobrasileiras. "Uma pessoa que tem posição de destaque na busca pela valorização das religiões afro. Pessoa batalhadora, que chegou a desembargadora superando todos os preconceitos. É um grande orgulho para nós do PSDB".



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