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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

SP: Primeiro turno passou e falta d'água chegou


ESTELIONATO ELEITORAL



Geraldo "Volume Morto" Alckmin: reeleito governador do Estado de São Paulo no primeiro turno, com mais de 7 milhões de votos sobre o segundo colocado, por um bando de gente burra, ignorante, metida a grande coisa: os eleitores do PSDB.


Cantareira: exemplo do "choque de gestão" tucana


São Paulo merece e precisa viver o horror da falta de água

Leonardo Sakamoto

Vai ser didático para o paulistano ficar sem água. Não, este não é mais um daqueles malditos posts irônicos. Eu realmente acredito que a escassez prolongada terá um efeito transformador na forma através da qual percebemos as consequências de nossos atos.

Não quero parecer leviano. Sei que hospitais e escolas vão enfrentar crises, a economia murchará e a vida das pessoas se tornará um rascunho da titica do cavalo do bandido. Afinal, estamos falando de milhões concentrados em um pequeno espaço poluído e caótico dependente do sistema Cantareira.

Mas o ser humano só se mexe mesmo quando está à beira do abismo. E, às vezes, nem isso.

Vejamos um paralelo: diante da negação por parte de governos e o setor empresarial, um renomado cientista declarou, pouco antes de uma das cúpulas globais do clima, que era melhor deixar os fatos tomarem seu curso natural, o planeta aquecer, refugiados ambientais quadruplicarem, cidades nos países ricos serem invadidas pelo mar, a fome surgir no centro do mundo, guerras ambientais ocorrerem. Só assim pessoas e países tomariam atitudes mais fortes que as insuficientes alternativas atuais, como o mercado de carbono.

Situação que, no Brasil, é vulgarmente conhecida como “a hora em que a água bate na bunda”. Porém, como não tem mais água por aqui, o pessoal não se ligou.

O clima mudou por aqui. Não faltou cientista, ambientalista e jornalista para dizer isso. Poucos ouviram. Não houve conscientização pela palavra ou pelos dados, então ela será pela pedra. Pois não estamos vivendo uma situação excepcional. Crises hídricas como essa serão comuns daqui para a frente. Ou seja, é incompetência e irresponsabilidade mesmo.

O governo do Estado de São Paulo não fez as obras necessárias para aumentar a capacidade de armazenamento de água, negou-se a racionar por conta das eleições e, o pior, a debater o assunto abertamente.

Enquanto isso, o grosso da sociedade paulistana, sejam pessoas ou empresas, ainda acredita no que aprendeu na terceira série do ensino fundamental: de que o Brasil é um dos campeões mundiais de água doce e que ela nunca vai faltar. E usa o recurso como se a palavra “renovável'' significasse “eterno''.

Sem contar que o país como um todo, na sanha louca de uma visão deturpada de “progresso'', talhou tanto a Amazônia (que é a grande fonte hídrica para a região onde está São Paulo, através do envio de umidade) que esse fluxo sofreu impacto. O interior de São Paulo, sem ligar lé com cré, elegeu um rosário de ruralistas que ajudaram a derrubar o Código Florestal, contribuindo com a diminuição da proteção ambiental.

Acho bom que falte água. Que as torneiras sequem. Que as pessoas parem de lavar seus carros três vezes por semana. Que a mangueira seja aposentada como vassoura. Que os banhos fiquem curtos. Que as empresas deixem de desperdiçar. Que o preço da água suba – porque só se dá valor para coisa cara por aqui. Que o governo deixe de ser negacionista, mas planeje e execute. Que se entenda o real valor da água.

Pena que isso vai atingir, indiscriminadamente, quem sempre tratou o recurso de forma racional e tem questionado o poder público quanto às soluções para o problema e o bando de malucos inconsequentes, que culpa São Pedro e não a si mesmo por tudo o que está acontecendo. Como adutora não escolhe entre racionais e celerados, por aqui, o Juízo Final virá para todos.

Acredito que a São Paulo que se reerguer dessa catástrofe será mais consciente do que aquela que temos hoje. Porque vai ver o horror de perto.

Será uma cidade melhor. Mesmo que tenhamos que movê-la para outro lugar.

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Destaques do ABC!

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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Alckmin, mídia e água: jornalixo e politicagem


CRISE HÍDRICA: CHOQUE DE INCOMPETÊNCIA 



Sistema Cantareira: show de barro e incompetência



Alckmin, a imprensa e a água. Um show de incompetência, irresponsabilidade e politicagem



Fernando Brito



Amanhã se completam dois meses que este blog, cá do Rio de Janeiro, vem azucrinando seus leitores sobre a situação dramática do abastecimento de água em São Paulo, quase que diariamente.

Àquela altura, havia 19,8% de todo o volume possível nos reservatórios do Sistema Cantareira e o principal deles tinha 15,5% de seus 800 bilhões de litros de capacidade.

Hoje, tem 12% e a principal represa vai baixar, amanhã, para 4%.

Qual foi a providência tomada pelo Governador?

Dar desconto a quem consumir menos água, correto.

Mas insuficiente.


Saíam, há dois meses, pouco mais de 30 m³/segundo do sistema. Hoje, saem 26 m³, 15% a menos.

Entram, na média de março e de abril, 13,8 m³, dos quais 3,2 m³ saem para os rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, ficando fora do balanço.

Não é difícil fazer a conta, não é?

Perde-se, todo dia, 1,6 bilhão de litros.

Na média, porque ontem, por exemplo, entrou muito menos água e a perda chegou pertinho de 2 bilhões de litros.

Hoje havia 118 bilhões de litros ainda, somadas todas as represas.

73 dias, isso se o sistema conseguisse funcionar até a última gota acima das comportas, o que não é provável que aconteça, porque as vazões passam a ser insuficientes para preencher os túneis de adução.

Que providência tomou o Governador?

Ressuscitar um projeto que já havia sido abandonado, por inadequado, pelos técnicos da Sabesp (quem testemunha é o engenheiro tucano Jerson Kelman, do Instituto FHC), o de tirar água do Rio Paraíba do Sul, porque isso permitia criar uma falsa disputa com o Rio de Janeiro e “federalizar” o problema.


No que o Datafolha o ajuda, agora, colocando “num balde só” do risco de racionamento o Cantareira, com 12% de água, e o Sistema Elétrico Nacional que, somando todas as regiões – que são interligadas e podem gerar, de forma quase indistinta, energia para qualquer região do país – que têm hoje, no total, 40,5% de sua capacidade de reserva.


Anteontem, este blog, que não é, absolutamente, dotado de poderes paranormais, afirmou que a semana não terminaria sem que começasse, “de fato, o racionamento de água em São Paulo.”

Já começou, embora só hoje tenha sido feita uma reportagem com características de “curiosidade”.

Hoje, embora continue negando, Alckmin admitiu que pode partir para um “rodízio” no abastecimento.

Ora, “rodízio” é em churrascaria, Governador.

Entrar água por dois dias e secar em um é r-a-c-i-o-n-a-m-e-n-t-o.

É essa a forma de racionar possível, porque de outra forma não é possível controlar o gasto.

O senhor não vai colocar estas simpáticas e prestativas senhoras que estão atuando como “guardiãs da água” do lado de cada torneira, de cada chuveiro, de cada vaso sanitário, não é?

Tão triste quanto este espetáculo de cinismo é o que a imprensa paulista faz.

Aceita qualquer versão.

Volume morto, que jamais foi usado e ninguém sabe o quanto poderá ser aproveitado, vira “reserva técnica”.

O racionamento vira “rodízio”.


As obras do bombeamento do Atibainha não mereceram uma reportagem sequer. Ninguém sabe como andam.

As duas últimas saídas de água do Jaguari-Jacareí estão no estado da foto publicada pela Folha sem nenhum tipo de informação.

Essa torre está 31 metros abaixo de seu nível máximo e resta 1,7 metro de água acima do final das grades da comporta gradeada que, como é obvio, admite cada vez menos líquido quanto mais o nível abaixa.

Este é o tamanho da cumplicidade da imprensa de São Paulo diante do problema e das atitudes de Geraldo Alckmin.

E da covardia da Agência Nacional de Águas, que não assumiu aos quatro ventos o que foi dito ao Governador em janeiro: racione, evite que isso tenha de ser feito de forma mais drástica e permanente.

Este blog, antes de defender ou atacar governos ou partidos, defende a responsabilidade para com a população e ataca tudo aquilo que possa submetê-la a sacrifícios além do necessário.

E defende o jornalismo, que está num nível mais baixo que o do Cantareira.


Não é possível que, com todas as informações públicas, ao alcance de um clique de mouse, nem assim os jornais possam dar a dimensão de um problema que afeta e afetará por muitos e muitos meses oito milhões de paulistanos.


Destaques do ABC!

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sábado, 5 de abril de 2014

Problema do Brasil é falta dágua em São Paulo


TUCANAGEM: CHOQUE DE INCOMPETÊNCIA



"A grande preocupação dos brasileiros não deveria ser Pasadena, uma ótima refinaria, situada no melhor lugar dos Estados Unidos para uma empresa similar, no canal de Houston; que produz 100 mil barris por dia; e dá lucro. Deve continuar dando lucro enquanto os americanos continuarem a usar gasolina e derivados. Ou seja, para sempre. (...)

A preocupação dos brasileiros também não deveria ser a economia, pois esta voltou a crescer de maneira firme e saudável este ano, com foco na indústria. (...)

O principal problema no Brasil hoje, e que deveria receber atenção máxima da mídia, é o esvaziamento do sistema Cantareira, que abastece de água a grande São Paulo. Pode faltar água em São Paulo este ano. E por exclusiva incompetência tucana, pois São Paulo é um dos estados com precipitações mais regulares no país, e possui uma enorme e generosa bacia hídrica. Não faltam rios e chuvas em São Paulo. Falta gestão, manejo, disposição para fazer obras e investir em infra-estrutura. Há mais de 20 anos que o governo de São Paulo não faz uma obra na estrutura de abastecimento de água no estado. Está fazendo agora, às pressas."



Sistema Cantareira (Foto: Agência Brasil, via MetroJornal)



Pasadena é boa, problema do Brasil é falta d’água em São Paulo


Miguel do Rosário

A grande preocupação dos brasileiros não deveria ser Pasadena, uma ótima refinaria, situada no melhor lugar dos Estados Unidos para uma empresa similar, no canal de Houston; que produz 100 mil barris por dia; e dá lucro. Deve continuar dando lucro enquanto os americanos continuarem a usar gasolina e derivados. Ou seja, para sempre.

Pasadena deveria ser uma pauta positiva. Mesmo que encontrarem mutretas, isso é até bom, porque então prende culpados, corrige e melhora. Pode haver “treta” (e infelizmente suponho que deve haver) em tudo que é estatal brasileira. O importante é manter em mente que Pasadena é uma refinaria estrategicamente importante para a Petrobrás e para os interesses brasileiros.

A preocupação dos brasileiros também não deveria ser a economia, pois esta voltou a crescer de maneira firme e saudável este ano, com foco na indústria.

A Confederação Nacional da Indústria acaba de divulgar que o faturamento real (ou seja, descontada a inflação) da indústria de transformação em fevereiro cresceu 12,4% sobre o mesmo mês do ano anterior, e 6% sobre janeiro.






Os brasileiros também podem respirar aliviados em relação a questão elétrica. As chuvas de março superaram as chuvas nos primeiros dois meses do ano, permitindo uma recomposição tímida, mas importante, dos reservatórios.

Os especialistas alertam que o governo deveria tomar medidas para redução do consumo de energia, embora estejam céticos que este vá fazer isso, por causa do receio de um dano eleitoral. Eu acho que o governo deveria ser pro-ativo e adotar medidas cautelares em prol de um consumo racional, até mesmo por uma questão educativa e ambiental.

Entretanto, a situação elétrica está sob controle. O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), ligado ao governo federal, divulgou nota há pouco dizendo que “não são visualizadas dificuldades no suprimento de energia no país em 2014″. A razão pela qual eu acredito (sempre criticamente, claro, como bom jornalista) na avaliação do governo não é tanto por causa da volta das chuvas, mas porque temos uma capacidade crescente de geração termoelétrica, daqui a pouco estarão prontas novas hidrelétricas e há um grande parque eólico entrando no sistema. Depois vamos atrás de mais detalhes e links sobre cada uma dessas obras, até para podermos cobrar as autoridades.

O principal problema no Brasil hoje, e que deveria receber atenção máxima da mídia, é o esvaziamento do sistema Cantareira, que abastece de água a grande São Paulo. Pode faltar água em São Paulo este ano. E por exclusiva incompetência tucana, pois São Paulo é um dos estados com precipitações mais regulares no país, e possui uma enorme e generosa bacia hídrica. Não faltam rios e chuvas em São Paulo. Falta gestão, manejo, disposição para fazer obras e investir em infra-estrutura. Há mais de 20 anos que o governo de São Paulo não faz uma obra na estrutura de abastecimento de água no estado. Está fazendo agora, às pressas.



O Cafezinho

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quinta-feira, 20 de março de 2014

Geraldo Alckmin: "Choque de Incompetência"


TUCANATO: DO CHOQUE DE GESTÃO AO CHOQUE DE INCOMPETÊNCIA



São Paulo: Palco da abertura da Copa do Mundo. 

E as torneiras? Secas. Vazias. Nem uma gota...

Já imaginaram?

E os responsáveis por este descalabro querem voltar à Presidência da República.

Que Deus ilumine o Povo Brasileiro!





Seca à vista: a escassez de água em São Paulo é fruto da sucessão de erros do governo Alckmin



Edson Domingues*


Reservatório do Sistema Cantareira


Geraldo Alckmin está testando na população suas habilidades de médico anestesista. Em 1º de fevereiro, o DCM apontou os riscos que o Sistema Cantareira corria por diversas razões. Diante da inércia da gestão do sistema hídrico paulista, o quadro só se agravou após 45 dias. Vacilante sobre que medidas tomar com relação ao racionamento, o governo optou pelo caríssimo bombardeio de nuvens em busca de chuva artificial.

Sem efeito, partiu para “deixar estar para ver como é que fica” e os primeiros resultados começaram a aparecer: obra emergencial para uso do chamado “volume morto” (cerca de 300 bilhões de litros que ficam no fundo dos reservatórios), falta de água em centenas de bairros da periferia e região metropolitana, possibilidade de paralisação da atividade industrial e risco de demissões, malabarismo no comércio e a aurora da seca antes mesmo do período de estiagem se estabelecer.

Nunca a falta d’água foi um problema tão grave na região metropolitana de São Paulo em razão da inércia da Sabesp. Recursos públicos estão sendo despejados para manter água na torneira da dona de casa. Antecipação desastrada pela busca de água no combalido Rio Ribeira de Iguape, projeto da década de 70, faz o governo correr para o licenciamento ambiental no Vale do Ribeira como forma de dar resposta à opinião pública diante do desabastecimento que se avizinha. Ao menos 60 meses serão necessários para a água do Ribeira subir para a região metropolitana. O mundo estará com os olhos voltados para São Paulo, palco da abertura da Copa do Mundo, num cenário que inclui a escassez nas torneiras.

O contorcionismo faz com que sejam remanejados volumes de outros Sistemas, como Guarapiranga e Alto Tietê. Fora o esforço que a população faz para economizar.

O volume morto tem problemas demais para ser tratado como vem sendo pela Sabesp. Cada vez mais as águas do Sistema Cantareira demandam forte tratamento químico para sua potabilidade, já comprometida pelo uso e ocupação do solo irregular por imóveis padrão “Beverlly Hills” construídos a despeito da “fiscalização” da Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

Pesquisadores da UNESP de Sorocaba, em convênio com a USP, apontam que as águas do Sistema Cantareira têm sulfato de cobre, fungicida utilizado no sistema de tratamento de captação de água para combater algas. Seu uso excessivo pode acarretar danos ao sistema hepático em caso de ingestão contínua. Sua aplicação no Sistema Cantareira pode ter deixado concentrações acima dos níveis recomendados.

Segundo pesquisadores da UNESP, outros componentes químicos são ameaçadores: cádmio, níquel, zinco, chumbo, cobre, cromo, arsênio, ferro e alumínio já são encontrados em invertebrados nas represas que compõem o Sistema.

Os acionistas da SABESP na Bolsa de Valores certamente ainda não sabem, mas apostaram no tão propagandeado investimento no saneamento ambiental do Estado de São Paulo. Apostaram assim como no jogo do bicho. Certamente vai dar camelo no primeiro prêmio.

* Edson Domingues, 45 anos, é escritor, ambientalista e autor de projetos de sustentabilidade na periferia de São Paulo. Formado pela Fundação Escola de
Sociologia e Política de São Paulo, FESPSP.


Destaques do ABC!