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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Agripino Maia quer Eliana Calmon no DEM


JUDICIÁRIO E POLÍTICA


Sobre Eliana Calmon disse ontem José Agripino Maia, senador do DEM-RN:

É a mulher que cunhou uma frase: "os bandidos de toga". Uma coisa forte e que traduz uma coisa que se supõe existir na Justiça. O Democratas é o único partido, não é um dos, é o único partido cujo discurso de Eliana Calmon se encaixa como uma luva.

Que "coisa", hein?! Que declaração mal elaborada e confusa!

Será que uma magistrada tão combativa contra a corrupção como se mostrou a ministra Eliana Calmon à frente da Corregedoria Nacional de Justiça se sentiria à vontade no DEM? Será?!...

sábado, 26 de janeiro de 2013

A furibunda e moribunda oposição brasileira


Não é só a velha, elitista e golpista mídia brasileira, historicamente de costas para os verdadeiros interesses do País, que está com os dias contados, vendo sua influência ser dia a dia corroída pela falta de credibilidade e com o advento das novas vozes que se levantam nas redes sociais e na blogosfera. A oposição (PSDB, DEM e PPS), oportunista e tacanha, também se encontra em estado terminal.

Não se renovam, ambas. Entra década e sai década, muda-se o milênio, adentra-se a Nova Era, e o discurso é o mesmo: retrógrado, decadente, vazio de propostas, a serviço de interesses espúrios. 

Rebeldes sem causa.

Grotesco.






Leandro Fortes

PSDB

Nota de falecimento

A reação formal do PSDB ao pronunciamento da presidenta Dilma Rousseff sobre a redução nos preços das tarifas de energia elétrica, em todo o país, é o momento mais lamentável do processo de ruptura histórica dos tucanos desde a fundação do partido, em junho de 1988.



O presidente nacional do PSDB, Sergio Guerra. 
Foto: Agência Brasil

A nota, assinada pelo presidente da sigla, deputado Sérgio Guerra, de Pernambuco, não vale sequer ser considerada pelo que contém, mas pelo que significa. Trata-se de um amontoado de ilações primárias baseadas quase que exclusivamente no ressentimento político e no desespero antecipado pelos danos eleitorais inevitáveis por conta da inacreditável opção por combater uma medida que vai aliviar o orçamento da população e estimular o setor produtivo nacional.

Neste aspecto, o deputado Guerra, despachante contumaz dessas virulentas notas oficiais do PSDB, apenas personaliza o ambiente de decadência instalado na oposição, para o qual contribuem lideranças do quilate do senador Agripino Maia, presidente do DEM, e o deputado Roberto Freire, do PPS. Sobre Maia, expoente de uma das mais tristes oligarquias políticas nordestinas, não é preciso dizer muito. É uma dessas tristes figuras gestadas na ditadura militar que sobreviveram às mudanças de ventos pulando de conchavo em conchavo, no melhor estilo sarneysista. Freire, ex-PCB, transformou a si mesmo e ao PPS num simulacro cuja fachada política serve apenas de linha auxiliar ao pior da direita brasileira.

O PSDB surgiu como dissidência do PMDB que já na Assembleia Constituinte de 1986 caminhava para se tornar nisto que aí está, um conglomerado de políticos paroquiais vinculados a interesses difusos cujo protagonismo reside no volume, a despeito da qualidade de muitos que lá estão. A revoada dos tucanos parecia ser uma lufada de ar puro na prematuramente intoxicada Nova República de José Sarney. À frente do processo, um grande político brasileiro, Mário Covas, que não deixou herdeiros no partido. De certa forma, aquele PSDB nascido sob o signo da social democracia europeia morreu junto com Covas, em 2001. Restaram espectros do nível de José Serra, Geraldo Alckmin e Álvaro Dias.

Aliás, o sonho tucano só não morreu próximo ao nascedouro, em 1992, porque Covas impediu, sabiamente, que o PSDB se agregasse ao moribundo governo de Fernando Collor de Mello, às vésperas do processo de impeachment. A mídia, em geral, nunca toca nesse assunto, mas foi o bom senso de Covas que barrou o movimento desastrado liderado por Fernando Henrique Cardoso, que pretendia jogar o PSDB na fossa sanitária do governo Collor em troca de assumir o cargo de ministro das Relações Exteriores. FHC, mais tarde chanceler e ministro da Fazenda de Itamar Franco, e presidente da República por dois mandatos, nunca teria chegado a subprefeito de Higienópolis [!!!] se Covas não o tivesse impedido de aderir a Collor.

Fala-se muito da extinção do DEM, apesar do suspiro do carlismo em Salvador, mas essa agremiação dita “democrata” é um cadáver insepulto há muito tempo, sobre o qual se debruçam uns poucos reacionários leais. É no PSDB que as forças de direita e os conservadores em geral apostam suas fichas: há quadros melhores e, apesar de ser uma força política decadente, ainda se mantém firme em dois dos mais importantes estados da federação, São Paulo e Minas Gerais.

E é justamente por isso que a nota de Sérgio Guerra, um texto que parece ter sido escrito por um adolescente do ensino médio em pleno ataque hormonal de rebeldia, é, antes de tudo, um documento emblemático sobre o desespero político do PSDB e, por extensão, das forças de oposição.

Essas mesmas forças que acreditam na fantasia pura e simples do antipetismo, do antilulismo e em outros venenos que a mídia lhes dá como antídoto ao obsoletismo em que vivem, sem perceber que o mundo se estende muito além das vontades dos jornalões e da opinião de penas de aluguel que, na ânsia de reproduzir os humores do patrão, revelam apenas o inacreditável grau de descolamento da realidade em que vivem.


CartaCapital

Destaques do ABC!

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Dia Mundial sem Serra e Kassab


Cidadã Blogueira tem orgulho de informar que NUNCA votou nessas nulidades e evidentemente conclama seus leitores a aderir a essa campanha "planetária".



Dia Mundial sem Serra/Kassab




oooooooooo

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Demóstenes: um surfista na onda da moralidade



Não basta parecer honesto. É preciso ser honesto. Não basta proferir discurso politicamente correto. É preciso concretizar o discurso na vida. O palavrório é lindo, maravilhoso, irretocável. Mas a prática, o dia-a-dia...


Psicopatas são assim. Falam uma coisa e fazem outra. Falsos, farsantes, cínicos, frios.


"Muito verniz e pouca raiz", diria o doutor Drauzio Varella.


"Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento."


Demóstenes e eu

Caríssimos sulvinteumenses, cá estamos, ainda do lado de cá da Páscoa, essa linda celebração em que a cristandade festeja a morte, o sofrimento e os coelhos ovíparos.

Passio, no entanto, em latim romano, do tipo que crucificava igualmente ladrões de galinha e salvadores da humanidade, é sofrimento e remete para a pancadaria com que Jesus foi brindado antes da crucificação. Como isso virou ovo de chocolate é um milagre melhor explicado pela Ferrero Rocher, caros leitores. Tão longe a minha teologia não chega.

E quem anda apanhando feito Cristo em encenação da Paixão é o nosso bravo praticamente ex-senador Demóstenes Torres, o probo.

Demóstenes navegava a onda da moralidade e isso costuma acabar mal, caros leitores. A onda da moralidade é soprada por ventos dos mais variados, e nosso bravo senador se viu capturado por um redemoinho ali no meio do caminho, como diria Guimarães Rosa bem nessa hora.

Há dois anos o senador e eu trocamos sopapos vocabulares. Eu escrevi uma coluna intitulada “Demóstenes, o errado”, que magoou nosso nobre senador. E, agora que os ânimos de 2010 esfriaram, pode-se dizer que ele tinha motivos para mágoa, uma vez que eu disse que ele era senador da categoria Incitatus. Culto, muito culto, nosso senador pelo bravo estado do Goiás se sentiu maltratado e respondeu com uma coluna feita por ele mesmo, ou um assessor, quem quer que tivesse mais afinidade com acentuação, sei lá.

Na época, nosso debate foi um tanto mais conceitual. Demóstenes, o certo, para mim, era o Demóstenes aquele lá da Grécia Antiga, que nasceu uns três mil anos atrás. O grande orador que dominou a gagueira e botou pra ver no gogó, conquistando o mundo antigo pela elegância das ideias muito bem apresentadas.

Nosso bravo goiano, Demóstenes, o errado, achava que era o cara na tribuna. Levando-se em conta o bravo senado brasileiro, ele até pode ter tido motivos pra se achar o outro Demóstenes. Mas não era.

No nosso imbróglio, por exemplo, eu escrevi que ele tinha dito que a escravidão não tinha sido assim tãaaaao horrível, e que as mulheres negras até mesmo curtiam sexo com os sinhozinhos, como teria dito Gilberto Freyre.

Ele ficou muito indignado com o que eu disse e então disse que ele não tinha dito isso quando falou o que falou. Que ele, na verdade, tinha dito outra coisa.

Não tinha. Quando falou o que falou ele disse exatamente o que eu disse que ele disse.

Mau orador, por não ser lá tão bom de ideias, nosso bravo Demóstenes usou essas ideias confusas e equivocadas para ir contra a política de cotas raciais nas universidades.

O irônico é que ele não precisava ter dito a besteira que disse quando falou o que falou, porque não é necessário provar que a escravidão não foi assim tão horrível, e de que, portanto, ela não precisa assim de tantas compensações, para ir contra a política de cotas. Basta dizer que a política de cotas é racista, e, portanto, inconstitucional. Pronto. Eu vejo isso ocorrer com alguma frequência, caros leitores. Assim como o nosso Guga dizia que ao vencer Roland Garros tinha subitamente ficado bonito, há muitos que, por entrarem no senado passam a se achar inteligentes. Acontece.

Demóstenes virou senador pelo Goiás e pronto, virou orador brilhante, na opinião imparcial dele mesmo. Algo como o que acontece com o nosso bravo Onyx, por estranha coincidência, também do PFL, como o Demóstenes.

E, o que também vemos acontecer é o insucesso subir à cabeça. Em breve, os nossos bravos oradores começam a se acreditar invulneráveis, tais quais o colega Hércules, igualmente um herói grego.

Como diz a Emília, nos Doze Trabalhos de Hércules, basta vulnerar, que eles deixam de ser invulneráveis. Emília recitava um encantamento, jogava pó de pirlimpimpim e, pronto, vulnerava a quem quer que fosse.

Mais ou menos o que ocorreu com o nosso Demóstenes, que foi duramente vulnerado, pela Polícia Federal, com alguma colaboração, se Brasília é Brasília.

O que se vê é mais uma vestal com o manto manchado de Omo Total nenhum tirar, e o tal DEM tendo que explicar que esse foi apenas um desvio de caminho, e que eles são sim os defensores da moral e das boas práticas políticas, mesmo que sem um exemplozinho que seja de que isso possa ser minimamente verdadeiro.

Demóstenes maltratou gente demais, por se achar invulnerável. Agora, vulnerado, está descobrindo com quantos paus se faz uma odisséia. Não é o primeiro, não será o último. Se encantou consigo mesmo, qual outro ser da mitologia grega, Narciso. E o seu final, e para isso servem os mitos, foi mais ou menos o mesmo.

De alguma coisa esses gregos, especialmente os antigos, entendiam. Eles entendiam, e isso é certo, de Demóstenes. Agora, nós também entendemos.


Marcelo Carneiro da Cunha

Sul21