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domingo, 27 de abril de 2014

Caso Dirceu: selvagem anormalidade


GOLPE EM ANDAMENTO



"O que mantém Dirceu na prisão?

Apenas a vontade política de negar um direito que a lei assegura a todos. Um pedido de monitoramento de milhares (ou centenas de milhares? Milhões?) de telefonemas expressa o tamanho dessa vontade delirante de castigar, de punir. Já se ultrapassou qualquer limite civilizado. E aqui entramos em nova área de risco. (...)


O direito que hoje se nega a Dirceu amanhã poderá ser negado a todos."





Dirceu, homem-teste



Paulo Moreira Leite


Esforço de Joaquim Barbosa para impedir Dirceu de exercer um direito saiu do plano racional - e isso é mais perigoso do que parece

É inacreditável que, no Brasil de 2014, se tente levar a sério – por um minuto – o pedido de investigar todas as ligações telefônicas entre o Planalto, o Supremo, o Congresso e a Papuda entre 6 e 16 de janeiro.

A rigor, o pedido de investigação telefônica tem um aspecto terrorista, como já disse aqui.

Implica em invadir poderes - monitorar ligações telefônicas é saber quem conversou com quem mesmo sem acessar o conteúdo da conversa - e isso o ministério público não tem condições de fazer antes que o STF autorize a abertura de um processo contra a presidente da República.

O que queremos? Brincar de golpe?


Criar o clima para uma afronta aos poderes que emanam do povo? 


Quem leva a sério o pedido de monitorar telefones do Planalto, com base numa denúncia anônima, sem data, nem hora nem lugar conhecido - o que permite perguntar até se tenha ocorrido - nos ajuda a pensar numa hipótese de ficção científica. Estão querendo um atalho para atingir a presidente? Assim, com a desculpa de que é preciso apurar um depoimento secreto?

Nem é possível fingir que é possível levar a sério um pedido desses.

Por isso não é tão preocupante que uma procuradora do DF tenha assinado um pedido desses. É folclórico, digno dos anais da anti-democracia e da judicialização.


O preocupante é a demora de Joaquim Barbosa em repelir o pedido. Rodrigo Janot, o PGR, já descartou a solicitação. Mas Joaquim permanece mudo.

O que ele pretende?

O que acha que falta esclarecer?


Honestamente, cabe perguntar: qual é a dúvida?

Indo para o terreno prático. Estamos falando de uma área por onde circulam milhares de pessoas, que mantém conversas telefônicas longas, curtas, instantâneas ou intermináveis com chefes, assessores, amigos, maridos, motoristas, namoradas, amantes... sem falar na frota de táxi, no entregador de pizza e no passeador de cachorro...

Monitorar quem ligou para quem?

Imagine. Num dia qualquer entre 6 e 16 de janeiro de 2014 uma jovem assessora do Senado, que trabalha de minissaia e namora um musculoso agente penitenciário na Papuda, resolve encontrá-lo para tomar um sorvete. Mas o rapaz não aparece. Ela liga para o celular do amor de sua vida. O namorado atende dentro de um ônibus que, naquele momento, se encontra parado no sinal vermelho em frente ao Planalto.

Três meses depois, aparece o grampo:

- Alô, Zé Dirceu na linha? Onde você está? Aqui é a Maçã Dourada. Aquela, de 68. Lembra, na Maria Antônia... A gente não tinha marcado um encontro, 50 anos depois? Nossa turma tinha essa mania, lembra?

Está na cara que nada se pretende descobrir com uma investigação desse tipo. O que se pretende é ganhar tempo, como se faz desde 16 de novembro, quando Dirceu e outros prisioneiros chegaram à Papuda. Com ajuda dos meios de comunicação mais reacionários, os comentaristas mais inescrupulosos, pretende-se criar um ambiente de reação contra o exercício de um direito típico dos regimes democráticos. Aguarda-se por uma comoção que impeça a saída de Dirceu. Você entendeu, né...

No plano essencial, temos o seguinte: Dirceu nunca deveria ter passado um único dia em regime fechado, pois jamais recebeu uma sentença que implicasse em pena desse porte após o trânsito em julgado.


Suas condições de detenção na Papuda se tornaram inaceitáveis a partir do momento em que ele – cumprindo as determinações legais à risca – conseguiu uma oferta de emprego para trabalhar em Brasília, obtendo a aprovação do Ministério Público e da área 
psicossocial.

No plano da investigação policial, temos o seguinte: nenhuma das possíveis alegações para impedir o exercício desse direito foi provada. Nenhuma.


O que mantém Dirceu na prisão?


Apenas a vontade política de negar um direito que a lei assegura a todos. Um pedido de monitoramento de milhares (ou centenas de milhares? Milhões?) de telefonemas expressa o tamanho dessa vontade delirante de castigar, de punir. Já se ultrapassou qualquer limite civilizado. E aqui entramos em nova área de risco.


Depois de passar por um campo de concentração do nazismo, e, mais tarde, conduzido a um campo soviético porque fazia oposição política a Josef Stalin, o militante David Roussett fez uma afirmação essencial:

"As pessoas normais não sabem que tudo é possível."

Ele se referia à câmara de gás, aos trens infectos, ao gelo, à fome, ao frio – a todo sofrimento imposto a seres humanos em nome do preconceito de raça, de classe, da insanidade política, do ódio, da insanidade que dispõe de armas poderosas para cumprir suas vontades.

Não temos câmaras de gás no Brasil de 2014. Mas temos anormalidade selvagem. Já tivemos um julgamento onde os réus não tiveram direito a presunção da inocência. Quem não tinha foro privilegiado não teve direito a um segundo grau de jurisdição. As penas foram agravadas artificialmente.

Dirceu está sendo desumanizado, como se fosse uma cobaia de laboratório, mantida sob vigilância num cubo de vidro, 24 horas por dia.

Foi transformado num caso-teste.


O direito que hoje se nega a Dirceu amanhã poderá ser negado a todos.

Será tão difícil captar a mensagem?



ISTOÉ

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sábado, 26 de abril de 2014

Judiciário surrealista: juiz vai até o STF para ser chamado de "doutor"


Doutor é quem fez doutorado. Ponto.


E na "Botocúndia" há doutorados e doutorados, por óbvio.

Conheço advogado doutorado que escreve "letígio" (risos) e outras asneiras do gênero...


A estranha saga do juiz que processou um condomínio porque queria ser chamado de “doutor”


Kiko Nogueira*



O caso do juiz Antônio Marreiros da Silva Melo Neto é exemplo de muitas coisas — sobretudo, talvez, do surrealismo da justiça brasileira. Marreiros teve negado no STF, esses dias, um recurso em que exigia ser tratado por “doutor” em seu condomínio.

O ministro Ricardo Lewandowski não quis dar seguimento à demanda. Foi uma briga num prédio que levou dez anos para ser resolvida. Nesse tempo, movimentou tribunais, advogados, dinheiro etc.

O quiproquó começou em 2004. Marreiros, titular da 6ª Vara Cível de São Gonçalo, no Rio, pediu para um funcionário do edifício ajudá-lo com um vazamento em seu apartamento. Sem permissão da síndica, o homem se recusou. Houve uma discussão e Marreiros afirma que foi tratado por “cara” e “você”, ao passo que a síndica era “dona”. Marreiros cobrava um “senhor” ou “doutor”. O porteiro respondeu: “Fala sério”.

E aí começou uma palhaçada kafkiana. Marreiros entrou com uma ação um mês depois da querela. Amealhava indenização por danos morais no valor de 100 salários mínimos. [!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!]


A síndica teve de aumentar o valor do condomínio para pagar as custas do processo.
Estafetas da vara de Marreiros escreveram uma carta em seu apoio, segundo a qual ele era “muitíssimo educado”.

Por absurdo que pareça, um desembargador concedeu-lhe uma liminar, decidindo que se tratava de “magistrado, cuja preservação da dignidade e do decoro da função que exerce, e antes de ser direito do agravante, mas um dever” blablablá.

Em 2005, finalmente, Marreiros teve sua primeira derrota, desta vez na 9ª Vara Cível de Niterói. De acordo com o juiz, “embora a expressão ‘senhor’ confira a desejada formalidade às comunicações — não é pronome —, e possa até o autor aspirar distanciamento em relação a qualquer pessoa, afastando intimidades, não existe regra legal que imponha obrigação ao empregado do condomínio a ele assim se referir. O empregado que se refere ao autor por ‘você’, pode estar sendo cortês, posto que “você” não é pronome depreciativo. Tratamento cerimonioso é reservado a círculos fechados da diplomacia, clero, governo, judiciário e meio acadêmico”.

Ele não se deu por vencido. Em 2006, enviou um recurso extraordinário ao Supremo, afirmando que a causa era constitucional porque envolvia “os princípios da dignidade da pessoa humana e da igualdade”. Envolvia, mas não como ele estava pensando. Apenas oito anos mais mais tarde a casa cairia definitivamente para Marreiros.


Sua obsessão com a própria pseudo superioridade é parente daquela exibida pelo desembargador que humilhou um garçom em Natal. É o país do “sabe com quem está falando?”, onde um sujeito que não sabe se portar num edifício quer enfiar seu déficit civilizatório goela abaixo de seres inferiores.


Marreiros terá agora de se acostumar com dois epítetos que arrumou desde a derrota no STF: “chefia” e “campeão”.


* Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.



Comentários selecionados ao artigo do Kiko no DCM:


anac

Metade pensa que é Deus, a outra metade tem certeza. Pior é que acrescentaram a esse rol dos sem noção os membros do MP.


El Cid 


Na minha opinião, Anac, é bem pior que isso: advogados pensam que são Deus... já os juízes pensam que eles é que criaram Deus...


Emir Ruivo

Surreal é a palavra certa.


Batista Neto Jose

Surreal é certo, mas, ao mesmo tempo real e preocupante. Porque é a prova da esquizofrenia que reina nas cabeças dos togados do judiciário brasileiro sobre cuja corte mais alta o Paulo Nogueira acaba de publicar um corajoso post nos revelando (o que poucos já haviam percebido) que o STF assumiu escancaradamente o comportamento de um partido politico. Eu diria mais, assumiu esse comportamento revelando ADESÃO a outro partido politico muito mais poderoso e nefasto para a sociedade que aspira evoluir e amadurecer: o Partido da Globo de Sonegações que abriga doleiros, banqueiros, investidores estrangeiros e um monte de gente sem mandato popular que controla e exerce muito mais poderes que os seus colegas eleitos.


Pepe

emir/kiko

Este episodio é tao somente um ponto fora da curva mas que, mesmo sendo fora da curva, deveria atiçar a curiosidade da midia pra ver o que se passa neste brasilzao e seu judiciario.

Por exemplo: SUAS EXCELENCIAS nao podem andar no mesmo elevador em que andam meros mortais. Sendo assim, ha elevadores exclusivos para eles. Pois bem, já vi fila imensa de pessoas esperando um elevador, inclusive idosos, enquanto do lado o "elevador de suas excelencias" estava vazio a espera dos deuses do judiciario.

No TJ RJ, a agencia do banco nele instalada nao atende ninguem que nao seja magistrado em dia de pagamento de suas excelencias. Uma conhecida, doente, teve que procurar uma agencia na rua em dia de chuva pois nao pode entrar naquele posto no tribunal.

Se formos pedir pras pessoas elencar exemplos, certamente esta caixa de comentarios batera recordes.


james

Caixas eletrônicos instalados na justiça federal de cidades do interior atendem única e exclusivamente funcionários da justiça. Como não há muitos funcionários nessas repartições, o investimento efetuado pelos bancos oficiais é desperdiçado. Em benefício de "doutores".


Alberto Antonio Porem Junior

Continuo batendo na tecla que o Brasil é um país de castas como a Índia. A única diferença entre Brasil e Índia é a hipocrisia reinante.


Lulu Chan

cafonice. pior que tem uns três loucos assim no meu prédio que se referem a si mesmos como dr. fulano. e sicrano. eu sempre os cumprimento pelo primeiro nome e sinto que querem me matar, mas o que podem fazer? estou sendo educada, desejando um bom dia e tal. é muito divertido. os porteiros amam. eles e a ala dos comunistas, sim, tem três senhores que padeceram na ditadura e são muito divertidos. a gente sempre ri muito da cara deles, porque, além da vontade de marcar lugar no latifúndio, eles têm ideias bem loucas, dá para imaginar, não? nós sempre conversamos com eles e, depois, ficamos rindo muito das tais ideias tortas. bem, é divertido, mas meio trágico tb.


Buque17

Idade Média seu nome é Brasil...

Andre_V


Uma vez uma madame deu um chilique no hospital que eu trabalhava. ela queria uma nota fiscal. mas queria que a menina do caixa pusesse DOUTORA na frente do nome dela. a menina do caixa retrucou que na identidade dela [ que ela havia pedido pra fazer a nota ] não tinha doutora nenhum antes do nome. A madame queria chamar a policia. Dai entrou a turma do deixa disso.

Elias Pacheco


Medonho...

Dee Nunes

Bom dia!! V. Ex. Führer Antônio Marreiros da Silva Melo Neto!! era o sol que me faltava! kkk


Marcio H Silva

Por que estes caras tem nome tão grande?

Amanda

"Você sabe com quem está falando?"

Cortella explica. http://www.youtube.com/watch?v...


Euclides Rodrigues Moraes 

Vocês não têm a menor ideia do que se passa no Judiciário. Essa arrogância prepotente é natural, esse é o ar que respiram, se acham acima dos demais, porque entendem que são eles que decidem os destinos dos demais seres humanos inferiores, só que aparentam tanta pureza, mas quando se começa a levantar um pouco da casca é que verificasse a podridão. Todos falam dos políticos, até porque esses estão expostos, mas façam uma investigação no Judiciário e Ministério Público, em qualquer das suas instâncias e verão o que de fato é corrupção. Quem já ouviu falar em CPF, não é o Cadastro de Pessoa Física da Receita Federal, mas, Comissão Por Fora, para fazer processo andar.


Weslei

E queria 100 salários mínimos?? absurdo!

sayuri

Deveria ser condenado a indenizar os condominos e o porteiro, ou melhor, ser condenado a trabalhar como porteiro durante algumas horas por dia durante o tempo que durou a ridicula acao por ele movida. Sujeitinho asqueroso esse cara de nome Marreiros.


Carlos N Mendes

Casa Grande e Senzala versão século XXI. Serviçal falando para dotô 'fala sério'? Onde foram parar o chicote e o pelourinho?


sithan

Num país em que Ministro do STF mantém preso ladrão de galinha e condena um réu, José Dirceu, porque ele não provou sua inocência o que vocês queriam que saísse do Judiciário?


jonios

A atitude do senhor Marreiros revela os fortes resquícios colonialistas que ainda permeiam o tecido social brasileiro. Uma bobagem infinita. O título de doutor é acadêmico, reservado àqueles que realizaram curso de doutoramento em instituição educacional de nível superior. Não sei se é o caso do senhor Marreiros. Mesmo assim, é uma cabal demonstração de preconceito exercida por quem se julga acima das outras pessoas. Um bobo, enfim.


Marcelo Melgaço Costa


O Judiciário brasileiro se acha. E que doutorado ele fez para esperar ser chamado de "doutor"?! Tenho ABSOLUTA certeza que nenhum.

É pior ainda nas "repartições públicas" da triste vida brasileira, em que semianalfabetos colocados nos famosos "cargos de confiança" são chamados de "dotô".



Diário do Centro do Mundo


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sexta-feira, 25 de abril de 2014

STF: uma tragédia nacional


POLITIZAÇÃO DA JUSTIÇA



"O PSTF, Partido do Supremo Tribunal Federal.

O drama é que, tomado de interesses políticos, o STF perde completamente o caráter técnico que deveria ter. E isso é um golpe avassalador na ideia da justiça como um conceito acima de interesses. (...)


As consequências da partidarização do STF são calamitosas. (...)

Com o PSTF, o real perdedor é a sociedade. (...)

Se há alguma coisa boa no julgamento do Mensalão, é que os brasileiros puderam ver quanto é precário o Supremo, a principal corte nacional.

Se ela é assim, imagine as cortes inferiores.

Não se trata apenas de reformar a justiça. Trata-se de reinventá-la no Brasil.

Quanto mais se conhece o STF, mais fica clara sua extraordinária falta de qualidade e de grandeza."





O PSTF — Partido do Supremo Tribunal Federal



Paulo Nogueira*, de Londres

Rosa Weber fez o que se esperava que fizesse


Um STF partidarizado é uma tragédia nacional.

Esta é a principal conclusão que você pode tirar da decisão da ministra Rosa Weber por uma CPI exclusiva da Petrobras.

Não vou nem discutir aqui se o melhor seria mesmo uma CPI exclusiva ou uma abrangente, na qual coubessem as propinas do metrô de São Paulo.

Meu ponto é o STF como partido. O PSTF, Partido do Supremo Tribunal Federal.

O drama é que, tomado de interesses políticos, o STF perde completamente o caráter técnico que deveria ter. E isso é um golpe avassalador na ideia da justiça como um conceito acima de interesses.

Machado de Assis escreveu que o maior pecado depois do pecado é a publicação do pecado. Já se imaginava, há algum tempo, que a justiça não fosse exatamente neutra. Agora, isto é amplamente conhecido.

As consequências da partidarização do STF são calamitosas.

Se uma decisão cabe a um juiz, você sabe antecipadamente como ele vai votar. Se houvesse uma casa de apostas jurídicas, não haveria jeito de você errar em seu palpite.

Caiu nas mãos da ministra Rosa Weber o veredito sobre a CPI. Dado o seu retrospecto – ela entrou para a história ao dizer que mesmo sem provas se achava no direito de condenar Dirceu – já se sabia desde sempre qual seria a escolha.

Deu a lógica.

Imagine que o caso parasse nas mãos de Lewandowski. Teríamos uma CPI abrangente.

Repito: não estou julgando aqui qual caminho é o melhor, se é que algum deles é bom. A discussão é sobre a negação da justiça representada pelo PSTF.

Pessoas pagam o preço disso. Dirceu, por exemplo. Joaquim Barbosa faz tudo que pode para atrapalhar a vida de Dirceu. O mesmo vale para Genoino, tratado como se fosse saudável como, para usar uma imagem cara a Nelson Rodrigues, uma vaca premiada, mesmo com o coração comprometido seriamente.

Dirceu e Genoino terão que esperar Joaquim Barbosa deixar a presidência do Supremo para se livrarem de uma perseguição inclemente.

Com o PSTF, o real perdedor é a sociedade.

A mim chamou a atenção, na votação dos embargos infringentes, como uma questão simples – uma segunda jurisdição está ou não na Constituição – foi tratada com caudalosos, eruditos, intermináveis pronunciamentos que simplesmente se anulavam.

Sim, estava. Ponto. Mas ministros como Gilmar Mendes e Luiz Fucs defenderam, em minúcias, a tese absurda de que a segunda jurisdição não estava na Constituição. [!!!!!!!!!]

É, como se vê, um PSTF dividido.

Se há alguma coisa boa no julgamento do Mensalão, é que os brasileiros puderam ver quanto é precário o Supremo, a principal corte nacional.
Se ela é assim, imagine as cortes inferiores.

Não se trata apenas de reformar a justiça. Trata-se de reinventá-la no Brasil.

Quanto mais se conhece o STF, mais fica clara sua extraordinária falta de qualidade e de grandeza.

Agora mesmo, no calor da decisão de Rosa Weber, vazou a informação de que um filho dela trabalha na Globo, como jornalista. [!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!]

É o segundo caso do gênero. Também um filho de Barbosa foi acolhido pela Globo.

Nada contra os filhos dos juízes do STF, mas como esperar imparcialidade dos pais se chegar a eles alguma decisão que diga respeito à Globo?

Alguém vai votar contra o empregador do filho? Quem acredita nisso, como disse Wellington, acredita em tudo. Há, portanto, conflito de interesses, dado o peso e considerada a folha corrida da Globo.

A tarefa urgente, essencial na reinvenção da justiça nacional, é tirar o P do PSTF. Não pode ser um partido, ou a sociedade é alvo de intensa, cruel, insuportável injustiça.

* O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.



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"Face to Face" com Dilma explode no Facebook


DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO


Foi ontem, entre 9 e 10 h da manhã, diretamente do Palácio do Planalto. A Presidenta Dilma Rousseff, ao vivo, conversou durante uma hora com internautas sobre o Marco Civil da Internet, sancionado por ela no dia anterior.

Um "estouro" a conversa da Presidenta com o Povo Brasileiro: mais de 700.000 pessoas acessaram a página do governo para falar com Dilma ou acompanhar a entrevista. 

Isso é o Terceiro Milênio, o século 21, a Cidadania Planetária, o Mundo Digital.

(E pensar que no tradicional bairro da Penha, cidade de São Paulo, tem uns "jecas" metidos a grande coisa, brucutus da Idade da Pedra Lascada, que querem calar a blogueira e fechar o bloguinho Abra a Boca, Cidadão!, que está incomodando uma certa bandidagem...)







quinta-feira, 24 de abril de 2014

Dilma, ao vivo, fala sobre o Marco Civil da Internet


DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO



Neste momento (9 h, Brasília), a Presidenta Dilma Rousseff conversa ao vivo, pelo Facebook, com os internautas, respondendo questões sobre o Marco Civil da Internet.

Participe clicando AQUI!







Algumas respostas da Presidenta Dilma:

- Há uma opinião unânime entre especialistas e usuários da internet em todo o mundo que a aprovação do #MarcoCivil pelo Congresso brasileiro foi um avanço histórico. O criador da web, Sir Tim Berners-Lee, considerou o Marco Civil “um presente para a web em seu 25º aniversário”. Isso porque o #MarcoCivil assegura a liberdade de expressão, a privacidade do indivíduo e o respeito aos direitos humanos. Estabelece a governança democrática, multissetorial, multilateral e aberta, exercida com transparência, estimulando a criação coletiva e a participação da sociedade, governos e setor privado. Assegura a universalidade, base do desenvolvimento social e da construção de sociedades inclusivas, não discriminatórias. Estabelece a diversidade cultural sem imposição de crenças, costumes e valores. Assegura a neutralidade da rede, pois garante que um provedor de conexão não pode interferir no conteúdo que o usuário queira acessar, tornando inadmissível restrições por motivos políticos, econômicos, religiosos ou de qualquer outra natureza.

- O #MarcoCivil vai beneficiar muito o consumidor e o usuário. Primeiro, pelo que já dissemos sobre a neutralidade. Segundo, garante a privacidade e a liberdade de expressão. E uma coisa importante: o marco civil tem por objetivo a promoção da universalização da internet, ou seja, o acesso por todos. Para tanto, o governo está desenvolvendo um programa nacional de banda larga para aumentar a capacidade e melhorar a qualidade, como já dissemos antes.


- O armazenamento de dados não afeta a liberdade individual porque é vedado às empresas e aos governos a violação da privacidade de dados, seja no que se refere a pessoas, no que se refere às empresas, e ao governo. Haverá um decreto regulamentando essa lei. Ele será discutido amplamente pela internet e com toda a sociedade para que nós possamos aprimorar cada vez mais esse dispositivo que assegura a privacidade e coibindo eventuais abusos. Fique atento, porque esse processo de discussão será aberto a todos. 

- O artigo 15 diz que o provedor de aplicações fica obrigado com a garantia de sigilo dos dados a armazená-los pelo prazo de 6 meses. Um decreto irá disciplinar essa matéria para garantir que evite abusos, em especial violação de privacidade. O acesso somente poderá se dar por ordem judicial expressa.

- Eu defendo que nós devemos combater a corrupção no país por todos os métodos, inclusive por meio da internet, e o #MarcoCivil, agora aprovado, garante que não há a possibilidade de censura de conteúdo de nenhuma forma. E muito menos no caso de páginas na internet que protestam contra a corrupção. Pelo contrário. Todos aqueles que o fazem terão seu direito à livre expressão e podem contar com a minha parceria. O fortalecimento da participação social por meio da internet se deve ao fato de que ela, a web, garante a participação direta e individual, em tempo real, de todas as pessoas que acessam, fortalecendo, assim, através de consulta popular ou até sugestões, protestos e reivindicações, a participação social nas políticas públicas. 

- O #MarcoCivil nos coloca na vanguarda, na proteção dos direitos dos usuários da internet e na garantia de que o usuário brasileiro tem e terá o direito de acessar, a partir de agora, qualquer conteúdo. É bom lembrar um ponto importante do Marco Civil, que é a aplicação da legislação brasileira. A partir de agora, qualquer dado coletado no Brasil, pouco importando se por empresa brasileira ou estrangeira, está sujeito à legislação brasileira. Com isso se assegura a soberania da legislação sobre os dados coletados e se protege o consumidor nacional. 

- O governo não irá insistir em outra legislação para implantar data centers no país. Consideramos superado esse debate pelo parágrafo 3º do artigo 11, justamente a obrigação para os provedores de conexão e aplicação de cumprir a legislação brasileira, referente à coleta, guarda, armazenamento ou tratamento de dados.

- Sem sombra de dúvida, nosso #MarcoCivil é a legislação mais avançada no mundo. Isso foi reconhecido por todos os líderes que se pronunciaram ontem. Sir Tim Berners-Lee, o CEO da ICANN, Fadi Chehadé, o Vint Cerf, vice-presidente do Google e um dos inventores do protocolo TCP/IP, e a Nnenna Nwakanma, representante da sociedade civil e participante da fundação pelo software aberto África. 

- [sobre a crítica do Marco Civil como "censura"] Podemos atribuir isso ao próprio conservadorismo das pessoas. É o argumento de que seria uma intervenção indevida.

- O #MarcoCivil da internet assegura, como regra, que só se pode retirar conteúdo da rede com ordem judicial, evitando a censura, privada ou governamental. No caso, as únicas exceções no marco civil, no que se refere à exigência de medidas judiciais para retirada de conteúdo, são materiais com cena de nudez ou ato sexual de caráter privado. O intuito é de proteção, em especial de mulheres, com privacidade violada pelos parceiros. 

- O #MarcoCivil vai beneficiar muito o consumidor e o usuário. Primeiro, pelo que já dissemos sobre a neutralidade. Segundo, garante a privacidade e a liberdade de expressão. E uma coisa importante: o marco civil tem por objetivo a promoção da universalização da internet, ou seja, o acesso por todos. Para tanto, o governo está desenvolvendo um programa nacional de banda larga para aumentar a capacidade e melhorar a qualidade, como já dissemos antes.


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Marco Civil da Internet: vitória de Dilma


DEMOCRATIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO


Foto: Roberto Stuckert Filho/PR


A vitória brasileira com o Marco Civil da Internet


Luis Nassif


A votação do Marco Civil da Internet e sua apresentação na Conferência Multissetorial Global sobre o Futuro da Governança da Internet (NET Mundial) – encontro internacional em São Paulo para discutir o tema – é uma das grandes vitórias individuais da presidente Dilma Rousseff.

Trata-se do coroamento de uma iniciativa que começou com um discurso forte na ONU (Organização das Nações Unidas), em reação às denúncias de espionagem do governo norte-americano contra mandatários de outros países.

O passo inicial era garantir o sigilo na rede e o direito à privacidade. Mas os desdobramentos são muito mais amplos.

Como reconheceu o Le Monde, o Marco Civil da Internet garante a liberdade de expressão, a proteção da vida privada e a igualdade de tratamento de qualquer tipo de conteúdo. E vai abrir espaço para a manifestação de outros países.

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Os pontos centrais do Marco são os seguintes:

Garantia de isonomia no tratamento dos conteúdos.

Criação de regras que resguardem os dados pessoais dos usuários da net.

Garantia de que conteúdos só poderão ser retirados mediante processo judicial. 


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Ainda falta muito para avançar. Mas o início é promissor.

As grandes revoluções tecnológicas do século 20, no campo da comunicação, criaram oligopólios com enorme concentração de poder, inclusive nos Estados Unidos.

Governos criavam legislações rígidas para concessão do espaço público, entregavam a grupos privados aliados que acabavam tornando-se proprietários eternos do espaço, sem oferecer as contrapartidas exigidas, de programação de qualidade para o público.

Foi assim com o monopólio das telecomunicações, com o oligopólio dos grandes grupos de comunicação, com as redes de rádio e televisão.

Havia uma apropriação do espaço público, conferindo um poder massacrante às redes existentes que praticamente impedia a entrada de novos competidores.

Foi assim que o conceito democratizador da rádio comunitária foi sufocado pelo modelo das grandes redes empresariais; o mesmo acontecendo com a telefonia e com a televisão aberta.

***

Esse modelo começou a ser rompido com a TV a cabo.

A Internet significou a implosão final do velho padrão de grupos de mídia. Mas poderia colocar, em seu lugar, o oligopólios das redes sociais, ou a concentração de poder nas empresas de telefonia, repetindo a sina concentradora das revoluções tecnológicas anteriores.

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A era da Internet trouxe desafios maiores ainda que a das ondas tecnológicas anteriores. Estas davam-se no âmbito dos estados nacionais. Já a Internet é supranacional. Daí a importância da afirmação dos estados nacionais.

O senso de oportunidade de Dilma foi ter se antecipado e liderado essa reação.

Quando a Microsoft expandiu seu poder de monopólio pelo mundo, levou anos até que a União Europeia entendesse a lógica e aprovasse leis anti monopólios. E a Microsoft trabalhava com ferramentas, não com o mercado de opinião.

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Com o encontro em São Paulo e o pioneirismo do Marco Civil, os governos nacionais se antecipam e será possível que a revolução da Internet não resulte na formação de novos oligopólios que sufoquem as manifestações da sociedade.


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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Dilma sanciona o Marco Civil da Internet


LIBERDADE DE EXPRESSÃO



Internet aberta, plural e livre.




No NetMundial, Dilma sanciona Marco Civil da Internet. 
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A presidenta Dilma Rousseff sancionou nesta quarta-feira (23), em São Paulo, durante o Encontro Multissetorial Global Sobre o Futuro da Governança da Internet (NetMundial), o Marco Civil da Internet. Segundo Dilma, o Brasil tem muito a contribuir no processo de construção de uma nova governança da Internet a partir do amplo processo interno que resultou na lei do Marco Civil da Internet.

“O Brasil tem muito a contribuir, a partir do amplo processo interno que resultou na lei do Marco Civil da Internet, aprovada ontem pelo Congresso Nacional e que tenho a honra de sancionar, aqui, neste evento. A lei, que Sir Tim Berners-Lee considerou ‘um presente para a web em seu 25º aniversário’, demonstra a viabilidade e o sucesso de discussões abertas e multissetoriais, bem como da utilização inovadora da Internet como plataforma interativa de debates”.

Dilma lembrou que o Marco Civil consagra a neutralidade de rede, ao estabelecer que as empresas de telecomunicações devem tratar de forma isonômica quaisquer pacotes de dados, sem distinção por conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicação. Disse ainda que as empresas também não podem bloquear, monitorar, filtrar ou analisar o conteúdo dos pacotes de dados.

“O Marco Civil protege a privacidade dos cidadãos, tanto na relação com o governo quanto nas relações com empresas que atuam na Internet. As comunicações são invioláveis, salvo por ordem judicial específica. A lei traz, ainda, regras claras para a retirada de conteúdo na rede. O Marco Civil, exemplo de que o desenvolvimento da Internet não pode prescindir dos Estados nacionais, é uma referência inovadora porque, em seu processo de elaboração, ecoaram as vozes das ruas, das redes e das instituições”.



Blog do Planalto

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