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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Justiça brasileira: prisão para PPPPs


OPINIÃO



"Você ainda acredita que o STF faz maravilhas? Que a impunidade está acabando? Que o Judiciário é o Poder mais sério do país? Ou sua revolta com mazelas se resume a petistas?"





Brasil: prisão só para Preto, Pobre, Puta e Petista


CADU AMARAL



Enquanto alguns se regozijam ao ver Genoino e Dirceu presos, fazem vistas grossas para a situação do ex-senador Demóstenes Torres


Com a prisão-espetáculo de Dirceu e Genoino, promovida por Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), muita gente jurou que o ciclo da impunidade no Brasil estava encerrado ou em vias de encerrar. Esses já nutriam tal sentimento durante o julgamento-novela às vésperas das eleições municipais em 2012.

Como sempre foi artifício da direita no Brasil, o discurso do "mar de lama" é o principal motor das campanhas conservadoras contra governos de caráter popular. Foi assim no meio do século XX e é assim agora.

Inflamam contra a Copa do Mundo, alimentando um sentimento de revolta artificial por causa dos custos que um evento desse porte exige. Em resumo, as falas são que ao invés de se investir para ter o campeonato de futebol, se deveria investir em educação e saúde, por exemplo.

Dando o mínimo de crédito a tais argumentos, não seria o caso de tentar barrar o carnaval, as novelas e big brothers da vida? Sim, porque os canais de televisão recebem verbas públicas e esses tipos de programas em nada somam ao desenvolvimento de nosso povo.

Só lembrando que o retorno financeiro previsto pela realização da Copa do Mundo é na marca dos R$ 185 bilhões. E dinheiro público é para infraestrutura.

Mas voltando ao tema da impunidade e o sentimento de que isso está acabando no Brasil por causa do STF. Ora, na última década, nunca a Polícia Federal e Ministério Público tiveram tanta liberdade para investigar e prender envolvidos em corrupção, não importando a coloração partidária. E isso é fato! Também é fato que a dificuldade em prender os corruptores é enorme.

E aí segue uma curiosidade: entre os que desejam que não tenha Copa ou mesmo que acham que o Supremo faz um brilhante trabalho por prender petistas, estão os agentes do outro lado da moeda corrupção. Em maior ou menor escala. Pode até ser triste, mas é verdade.

Enquanto os conservadores e moralistas de plantão comemoram a prisão de Dirceu e Genoino, Roberto Jefferson está solto por causa do salmão. Isso mesmo, salmão. Aquele peixe de cor alaranjada caro pra chuchu. Para quem não se lembra, Jefferson foi o delator do que chamou de "mensalão".

Segundo sua fantasia, o PT pagava para parlamentares votarem nas propostas do governo no Congresso. O legislativo nacional é bicameral e não há um senador acusado de receber o que quer que seja para votar com o governo. Dos 513 deputados, menos de dez foram acusados, a maioria do próprio PT. Somente alguém com inteligência bem abaixo da média poderia acreditar que o PT pagaria o PT para votar em si mesmo.

Outro detalhe é que Jefferson foi cassado por não provar seu conto da carochinha. E Dirceu foi cassado por chefiar o esquema que não foi provado.

Mas enquanto alguns se regozijam ao ver Genoino e Dirceu presos, fazem vistas grossas para a situação do ex-senador Demóstenes Torres. Parceiro do bicheiro Carlinhos Cachoeira em esquemas de desvio de dinheiro público e chantagens sem fim. Com o uso de Veja, diga-se de passagem.

Primeiro, ele foi aposentado compulsoriamente por ser procurador, recebendo a singela quantia de R$ 22 mil de salário. Segundo, passou a virada de ano na Itália. Livre, leve e solto na cidade de Firenze. Suas fotos ao lado da esposa foram publicadas no Blog da Cidadania, de Eduardo Guimarães.

Sem contar o trem descarrilado em São Paulo, a privataria, a emenda da reeleição, Daniel Dantas, helicóptero com meia tonelada de pasta-base de cocaína...

Você ainda acredita que o STF faz maravilhas? Que a impunidade está acabando? Que o Judiciário é o Poder mais sério do país? Ou sua revolta com mazelas se resume a petistas?


Brasil 247

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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Um certo Brasil: grotesco, no mínimo


LUTA DE CLASSES



Quem deveria ficar "nervosinho"


CLÓVIS ROSSI


Um estranho país em que os ricos batem recorde de pessimismo, mas os pobres parecem contentes


Há algo de profundamente errado em um país, um certo Brasil, em que os ricos choram (e de barriga cheia), ao passo que os pobres parecem relativamente felizes. Na ponta dos mais ricos, refiro-me à pesquisa da consultoria Grant Thornton que o caderno "Mercado" publica hoje, páginas adiante, e que mostra um absurdo recorde de pessimismo entre os executivos brasileiros.

Na ponta dos pobres, valem as sucessivas pesquisas que mostram satisfação majoritária com o governo Dilma Rousseff, a ponto de 11 de cada 10 analistas apostarem, hoje por hoje, na reeleição da presidente. Como ninguém vota em governo que o faz infeliz, só se pode concluir que uma fatia majoritária dos brasileiros, especialmente os pobres, está rindo.

Que a economia brasileira tem problemas, ricos, pobres e remediados estão cansados de saber. Problemas conjunturais (o crescimento medíocre dos anos Dilma ou a forte queda do saldo comercial, por exemplo). Problemas estruturais que se arrastam há tantos séculos que nem é preciso relacioná-los aqui. Daí, no entanto, a um pessimismo recorde vai um abismo. Um país em que há pleno emprego e crescimento da renda não pode ser campeão de pessimismo nem pode ficar em 32º lugar, entre 45, no campeonato mundial de pessimismo. É grotesco.

Grotesca igualmente é uma das aparentes razões para o surto de pessimismo que vem grassando desde meados do ano passado. Seria a diminuição do superavit primário, ou seja, do que sobra de dinheiro nos cofres públicos depois de descontadas as despesas e tem servido exclusivamente para o pagamento dos juros da dívida. Foi por isso que o ministro Guido Mantega apressou-se a divulgar os dados de 2013, para acalmar os "nervosinhos".

Quem deveria ficar nervoso, mas muito nervoso, não apenas "nervosinho", é exatamente quem está contente com o governo.


Basta fazer a comparação: os portadores de títulos da dívida pública (serão quantos? Um milhão de famílias? Cinco milhões no máximo?) receberam do governo, no ano passado, R$ 75 bilhões. É exatamente quatro vezes mais do que os R$ 18,5 bilhões pagos às 14 milhões de famílias (ou 50 milhões de pessoas) que recebem o Bolsa Família.

Quatro vezes mais recursos públicos para quem tem dinheiro para investir em papéis do governo do que para quem não tem renda. Seria um escândalo se os pobres tivessem voz. Mas quem a tem são os rentistas que ficam reclamando da redução do que recebem, como se houvesse de fato a mais remota hipótese de que o governo deixe de honrar sua dívida. Fazem um baita ruído com os truques contábeis que permitiram o superavit, mas não dizem que, com truque ou sem truque, a dívida líquida diminuiu este ano, de 35,16% do PIB em janeiro para 33,9% em novembro, última medição disponível.

Ou, posto de outra forma: o governo, supostamente irresponsável, gasta menos do que arrecada e ainda pinga 1,3% de tudo o que o país produz de bens e serviços na conta dos mais ricos e apenas 0,4% na dos pobres entre os pobres. E os ricos ainda choram.

crossi@uol.com.br


Destaques do ABC!

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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Bláblárina ganha Prêmio "Conversa Pra Boi Dormir"


"PERDER-SE TAMBÉM É CAMINHO" (Clarice Lispector)



Sempre admirei muito a ex-ministra do Meio Ambiente e senadora Marina Silva, por sua história de vida e sua luta como ambientalista, reconhecida no mundo todo. Mas infelizmente o exacerbado sentimento de vingança conduziu a ex-ministra a um caminho sem volta, fazendo-a aliada do que há de mais obtuso e sinistro na política brasileira.


Foto: Max Haack/BN/Google


A “heteroestima” de Marina Silva e o Prêmio Conversa Para Boi Dormir


Kiko Nogueira*

Ela

O Prêmio Doublespeak foi inventado em 1974 pelo Conselho Nacional de Professores de Inglês dos Estados Unidos. Como a entidade define, trata-se de uma “homenagem irônica a oradores públicos que perpetuaram uma linguagem grosseiramente enganosa, evasiva, eufemística, confusa ou autocentrada”.

Nesses 40 anos, a lista de premiados incluiu Bushs pai e filho, Bill Clinton, o Departamento de Estado americano, Ronald Reagan, a indústria do tabaco, a Exxon e a Associação Nacional do Rifle. A CIA foi agraciada com a honraria por anunciar que não iria mais usar o termo “matar” em seus relatórios. Em seu lugar, entraria a expressão “privação ilegal ou arbitrária da vida”. Em 2013, quem ganhou foi o prefeito de Chicago, Rahm Emanuel.

É preciso criar algo parecido aqui. O Prêmio CPBD, Conversa Para Boi Dormir. O primeiro vencedor é relativamente batata. Marina Silva. Pelo conjunto da obra e, especialmente, por seu último artigo na Folha. É um texto que cabe na definição de George Orwell num ensaio: feito para dar “aparência de solidez a vento puro”.

Vamos a alguns trechos da coluna que mereceu o Prêmio CPBD:

Em meio aos abraços amigos e desejos de feliz Ano-Novo, costumamos reconhecer a sinceridade dos desejos para além das palavras, pois estas são, muitas vezes, gastas e repetidas. As palavras necessitam de gestos que recuperem e sustentem seu sentido.

Releio Hannah Arendt, para melhor refletir sobre a possibilidade de restaurar a capacidade humana de lidar com as desconfianças e incertezas causadas pela ameaça do imprevisível, por meio do milagre da “promessa”. Na dimensão política da crise civilizatória que vivemos, a crise de confiança é o centro do problema.

Ainda é possível refazer a confiança, dentro de um espaço de heteroestima política, social, cultural, como indivíduos e como povo? Temos motivo para descrer, num mundo fragmentado em que as relações se liquefazem e escorrem, sem estabilidade. Mesmo as novas formas de relacionamento e comunicação que inventamos, muitas vezes parecem ser uma desesperada tentativa de agarrarmo-nos uns aos outros, multiplicando conexões frágeis e superficiais na ausência de laços de confiança efetivos e afetivos.


É um clássico da “linguagem evasiva e autocentrada”. No meio do blablablá, surge uma palavra chave: heteroestima. Não está no dicionário. Consta que é o oposto de autoestima, segundo Fátima Bernardes e Ana Maria Braga.

Podemos, sim, superar a fragmentação do mundo em crise compondo novas sínteses baseadas em novas harmonias. Se já não confiamos naqueles que prometeram tudo, eis aí o sinal para que nossa nova promessa seja um acordo, simples e claro, naquilo que é essencial. A confiança vem do que é sustentável.

Esse último parágrafo foi colocado no Google Tradutor, mas o aplicativo não reconheceu o idioma. É possível que Marina fale a língua dos seus eleitores. Mas, ainda assim, é duvidoso que eles entendam tudo. Hannah Arendt, que ela afirma ter relido, disse o seguinte: “O problema de mentir e enganar é que sua eficiência depende inteiramente de uma noção clara da verdade que o mentiroso e enganador deseja esconder”.

* Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

Diário do Centro do Mundo

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Barbosa e o populismo midiático e golpista


OPINIÃO


Joaquim Barbosa e a demagogia golpista judicial

Miguel do Rosário


Cláudio Couto, em artigo para o Valor, nos traz um argumento fatal para mostrar como é absurda a “regalia” dada a juízes, que lhes permite se filiar a um partido e ser candidato a cargo político apenas seis meses antes das eleições. Cidadãos comuns têm prazo mínimo de um ano para fazê-lo.

Couto argumenta que, por serem juízes, deveriam ter um prazo maior, uma quarentena, para que não houvesse contaminação eleitoral nas suas decisões judiciais. E para evitar um populismo profundamente perigoso, porque fundamentado num judiciário politizado e tendencioso, que visa não a justiça, mas o poder.

Eu acrescentaria ainda que Joaquim Barbosa, em seu populismo midiático e golpista, vem atraindo todos os psicopatas pró-golpe militar, como se pode verificar rapidamente monitorando seu nome no Twitter:

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Outra coisa: mesmo assim, eu prefiro muito mais Joaquim Barbosa candidato e político do que como ministro do Supremo. Como candidato, ele está na superfície, podendo e devendo receber críticas de advogados, juristas, políticos. Como ministro, ele ocupa um cargo de poder que intimida seus críticos. Só mesmo os blogueiros, e alguns juristas mais corajosos (mas raros), é que têm coragem de criticá-lo.

Leia o artigo de Couto:

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Barbosa e o populismo

Cláudio Gonçalves Couto

A legislação eleitoral e partidária brasileira contém uma curiosa exceção relativa ao prazo de desincompatibilização e, particularmente, de filiação partidária para aqueles que desejam concorrer nas eleições. Juízes, promotores, membros de tribunais de contas e militares dispõem de um prazo mais generoso do que os cidadãos comuns. Enquanto estes últimos devem se filiar a um partido político a pelo menos um ano da eleição que pretendem disputar, os primeiros podem fazê-lo a apenas seis meses do pleito.

O curioso de tal regra é que ela gera uma inversão, pois é justamente dos primeiros, tendo em vista as funções públicas que exercem, que se deveria exigir um prazo maior para a desincompatibilização e a filiação partidária – ou seja, uma quarentena. Afinal, juízes podem condenar ou absolver com vistas à aprovação pública; promotores podem acusar com o mesmo fito; membros de tribunais de contas podem criar constrangimentos sérios para adversários políticos, rejeitando contas e interrompendo políticas; militares (sobretudo policiais) podem se valer do uso autorizado da violência para agradar ao público. Em todos esses casos, a possibilidade de uma atuação eleitoralmente rentável em período próximo ao pleito é um estímulo a excessos e exorbitâncias.

É justamente tal regra que possibilitou a recente filiação ao PSB da ex-corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon, às vésperas do Natal. E é ela que permite tantas especulações acerca da possível candidatura presidencial de Joaquim Barbosa em 2014 – sabe-se lá por qual partido. Some-se a isto as pesquisas de intenção de voto, que indicam Barbosa em segundo lugar, à frente do tucano Aécio Neves e do socialista Eduardo Campos.


Populistas são os que atropelam as instituições dadas

Barbosa surge para uma boa parcela do eleitorado e mesmo da opinião pública como a figura do herói. As celebrizadas fotografias do magistrado trajando sua longa capa negra, tal qual um Batman, reforçam essa imagem do herói. Por um lado, o ícone do justiceiro decorre da tradicional inapetência da justiça brasileira para punir poderosos. Num tal cenário, a condição de relator do mensalão lhe caiu bem, ainda mais considerando-se sua formação de promotor, que conferiu à sua atuação de magistrado um feitio híbrido, de juiz-acusador. E como suas posições prevaleceram sobejamente no julgamento, Barbosa saiu-se dele não apenas como herói, mas como herói vitorioso.

Por fim, vieram as prisões dos condenados. Determinadas por ele, começaram seletivamente pelos petistas, foram significativamente realizadas no dia da República e produziram excessos, como a destinação ao regime fechado de condenados ao semiaberto e a condução a Brasília de réus domiciliados longe dali. Por um lado, este gran finale produziu um espetáculo com o qual se regozijaram muitos brasileiros sedentos de justiça (não só os antipetistas) e rendeu novos dividendos de popularidade ao juiz-acusador. Por outro, tornou mais explícita uma certa tendência a exceder os limites do que autoriza a lei – como observaram diversos juristas.

São estas características de Barbosa que parecem ter inspirado a resposta de Fernando Henrique Cardoso ao questionamento que lhe foi dirigido sobre a possibilidade da candidatura presidencial do magistrado. Disse ele que “As pessoas descreem tanto nas instituições que buscam heróis salvadores… Ele teria que ter um partido para começar, acho que ele é uma pessoa que tem sentido comum e duvido que vá fazer uma aventura desse tipo”. E ainda acrescentou: “É difícil imaginar Barbosa na vida partidária, ele não tem o traquejo, o treinamento para isso, uma coisa é ter uma carreira de juiz, outra coisa é ter a capacidade de liderar um país. Talvez o Senado, a vice-presidência. Não creio que ele tenha as características necessárias para conduzir o Brasil de maneira a não provocar grandes crises. Confio no bom senso dele”.

De uma tacada, o ex-presidente e notável sociólogo apontou a falta de treino político e de lastro institucional (partidário) de Joaquim Barbosa. Mais do que isto, notou que a figura do herói surge justamente no vácuo criado pelo descrédito nas instituições, mas se constitui numa aventura capaz de suscitar grandes crises. Ao que disse FHC, poder-se-ia acrescentar que uma eventual eleição de Barbosa seria a receita perfeita para que experimentássemos o populismo. E, ironicamente, a simpatia por sua candidatura provém justamente de setores raivosamente antipetistas que identificavam em Lula a figura do populista. Só que Lula, assim como FHC, está muito distante do populismo.

O populismo se caracteriza pelo exercício de uma liderança pessoal, normalmente de tipo carismático, que atropela as mediações institucionais na execução de seu projeto, fazendo apelos diretos ao povo na busca de legitimação. Lula está distante disto porque, embora seja um líder carismático, atua o tempo todo por meio das instituições. Seu pecado talvez seja outro: o de ser demasiadamente institucional. Não apenas porque dispõe de um lastro partidário muito forte, mas porque privilegiou a política de coalizões partidárias no Congresso, a negociação com os governadores, o diálogo com o judiciário etc.. Seu baixo ímpeto reformista em relação às instituições deve-se a isto: Lula mais buscou atuar por meio das instituições existentes do que reformá-las. Mesmo FHC foi mais ousado do que ele sob este aspecto, tendo apoiado a emenda da reeleição e reformado o Estado.

Comparando: Hugo Chávez sim era um populista. Destroçou o antigo sistema político venezuelano para fazer avançar seu próprio projeto, alicerçado no carisma, nas políticas sociais e no apelo direto ao povo.

Barbosa se enquadraria a um feitio similar. Oriundo de fora dos partidos estabelecidos e propenso a exceder os limites institucionais para fazer valer suas convicções, angariando apoio popular, é difícil imaginá-lo construindo coalizões e fazendo concessões a políticos tradicionais para lograr avanços parciais em seu projeto. O mais provável seria tentá-lo fazer na marra, como o fazem os heróis.

Cláudio Gonçalves Couto é cientista político, professor da FGV-SP e colunista convidado do “Valor”. Humberto Saccomandi volta a escrever em 29 de janeiro.

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O Cafezinho

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domingo, 5 de janeiro de 2014

Golpe em andamento: "Não vai ter Copa"


DIREITA GOLPISTA QUER IMPEDIR A REELEIÇÃO DE DILMA





JORNALISTA DENUNCIA "A JOGADA DA COPA"

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Um dos profissionais mais premiados da história da televisão brasileira, Gabriel Priolli, que já editou o Jornal Nacional e comandou o jornalismo de emissoras como Record e Gazeta, denuncia: golpistas farão de tudo para melar a Copa do Mundo de 2014, no Brasil; "Quem sabe se, em meio ao eventual fiasco da Copa, os eleitores não resolvem jogar toda a culpa em Dilma?", questiona Priolli; neste domingo, a Folha convoca os brasileiros para um ensaio dos protestos, já no mês de janeiro, numa coluna com um título que repete o mote dos baderneiros: "Não vai ter Copa"; será?

Leia matéria completa no Brasil247.

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sábado, 4 de janeiro de 2014

Retrato do Judiciário brasileiro (e da mídia também)


CIDADANIA, JUSTIÇA E MÍDIA



"Os juízes acham que são deuses. Os desembargadores, têm certeza..." 
                                                                         (piada corrente no mundo do direito)


A seguir, reproduzo dois posts de veículos de grande credibilidade da mídia digital, alternativa, que mostram um pouco da prepotência de muitos membros do Poder Judiciário, aqueles que esquecem que são servidores do povo e da sociedade e se comportam como seres diferenciados, até "divinizados", acima do Bem e do Mal.


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

2014: o ano do tudo ou nada para a direita


GOLPE EM ANDAMENTO



" (...) para os setores mais conservadores do país, a meta desse ano que se inicia é que tudo dê errado no Brasil.

Eles querem que a economia vá de mal a pior; que as taxas de emprego caiam; que a audiência dos grande grupos de mídia aumente – já que está em queda há algum tempo; que a Copa do Mundo seja um fiasco, dentro e fora de campo (por que não?); que as manifestações de junho de 2013 voltem a ocorrer, de preferência com foco real em Dilma para facilitar – na cabeça deles – o trabalho em outubro, mês das eleições.

Mas esse é o ponto central: derrotar Dilma nas eleições. Não importa a que custo."

 

Os desejos da direita para 2014

CADU AMARAL


Para os setores mais conservadores do país, a meta desse ano que se inicia é que tudo dê errado no Brasil

O que esperar para 2014? Há quem deseje ter uma conta bancária mais rechonchuda ou encontrar o amor da sua vida. Também tem quem queira a realização de um sonho determinado ou mesmo apenas os velhos chavões como paz e felicidade. Mas para os setores mais conservadores do país, a meta desse ano que se inicia é que tudo dê errado no Brasil.


Eles querem que a economia vá de mal a pior; que as taxas de emprego caiam; que a audiência dos grande grupos de mídia aumente – já que está em queda há algum tempo; que a Copa do Mundo seja um fiasco, dentro e fora de campo (por que não?); que as manifestações de junho de 2013 voltem a ocorrer, de preferência com foco real em Dilma para facilitar – na cabeça deles – o trabalho em outubro, mês das eleições.


Mas esse é o ponto central: derrotar Dilma nas eleições. Não importa a que custo. Eles, os conservadores, já não aguentam mais perder eleições. Ver setores seus apoiando o governo encabeçado pelo PT. Sim, afinal há políticas conservadoras no governo, como em todo e qualquer governo de coalizão à esquerda.


E para conseguir isso vale até suprimir direitos básicos em uma democracia como o de defesa. Rasgar os códigos do Direito; midiatizar julgamentos e engavetar escândalos de bilhões de reais dos seus aliados e braços da política institucional. A agonia é tanta que, em 2013, até a cor da roupa da presidenta usado em pronunciamento no rádio e na tevê virou ação no Ministério Público.


Especiais em programas na televisão ou mesmo a participação em jogos bobocas de programas de auditórios estão no repertório da direita através da grande mídia (ou seria apenas mídia grande?). Não seria surpresa, aliás como já houve, em serem transmitidas minisséries para tentar induzir o julgamento das pessoas para o pleito de outubro.


Para isso se pode dar dois nomes: golpismo e agenda vazia. Além do cacoete em expor o povo brasileiro às suas vontades à força, a direita no Brasil também não tem agenda para apresentar ao povo. Pelo menos uma que a possibilite vencer a eleições democraticamente. Qualquer pessoa com um olhar mais atento já percebeu tal falta do que falar no debate entre Dilma e Serra no segundo turno da eleição presidencial em 2010. Todas as propostas do candidato tucano já estavam postas em prática pelo então governo Lula.


Esse ano não será dos mais fáceis. É o ano do tudo ou nada para a direita. Senão terão que esperar mais quatro anos ou tirar de uma vez por todas sua máscara e repetir o feito de 1964. Aguardemos o desenrolar do ano que está apenas começando.


Brasil 247

Destaques do ABC!

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