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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Judiciário Elitista X Judiciário Cidadão



Enquanto aguardamos que o Supremo Tribunal Federal aprecie a Adin da Associação dos Magistrados Brasileiros, que pretende limitar a atuação fiscalizadora do Conselho Nacional de Justiça, transformando-o em mero penduricalho judiciário, sem qualquer serventia à sociedade brasileira, vamos monitorando o andamento do embate.


Crise instalada na cúpula do mais poderoso dos poderes da República, a partir de declarações da ministra Eliana Calmon, afirmando a necessidade de extirpar do Judiciário os "bandidos de toga", é evidente que o confronto não se dá entre o presidente do STF, ministro Cézar Peluso, e a ministra-corregedora Eliana Calmon, do CNJ, mas entre forças trevosas, sombrias, do atraso, que pretendem manter um Judiciário arcaico, fechado e elitista, e as forças da modernidade, que querem um Judiciário aberto, transparente, democrático e cidadão. É disto que se trata.


Reiteramos nosso irrestrito apoio à ministra-corregedora, em sua luta pela moralização do Judiciário, publicando um artigo da CartaCapital online, que faz excelente e detalhada análise do que realmente está em jogo.



CNJ e os direitos do cidadão



A corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, que causou polêmica na semana ao dizer que criminosos usavam toga. Foto: Agência Brasil
O debate sobre os limites de atuação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) ganhou grande relevância nacional nesta semana, com ampla participação de diversos setores da sociedade, o que é algo extremamente elogiável. No entanto, as discussões têm sido marcadas por equívocos de informação e rótulos que turvam o real foco da questão.
O primeiro dos problemas a contaminar o debate é enxergar na Adin (ação direta de inconstitucionalidade) proposta pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) como uma tentativa de defesa incondicional de seus pares, ou seja, uma ação motivada pelo espírito corporativista em defesa de desvios de colegas. É preciso rechaçar essa percepção equivocada.
De fato, a AMB tem uma preocupação histórica desde o Regime Militar (1964-1985) com a defesa da jurisdição. O nascedouro dessa preocupação está no fato de a ditadura ter tratado muito mal nossa jurisdição, ainda que não tenha tratado tão mal nossos juízes em termos funcionais. Nesse contexto, entidades como a AMB travam tradicionalmente lutas mais em  defesa da jurisdição, e não em defesa do interesse particularista dos juízes. Identifico esse animus publico tanto na Adin que a AMB propôs ao STF (Supremo Tribunal Federal) questionando a resolução do CNJ quanto em suas posições publicas sobre o papel que considera adequado ao referido conselho externo.
A segunda “contaminação” do debate reside na dificuldade em se identificar qual é o foco principal, no plano constitucional e institucional, sobre o qual o STF irá se debruçar. Um debate difuso acaba não surtindo o efeito desejado e formando convicções precipitadas.
O que está em jogo no julgamento do STF é saber o que diz nossa Constituição sobre a competência do CNJ. A  AMB e alguns dos juízes punidos pelo órgão externo de controle pretendem que a competência disciplinar do CNJ seja subsidiária, ou seja, o conselho teria caráter de instância derivada de controle disciplinar, não cabendo a ele promover investigações paralelas às realizadas pelas corregedorias dos tribunais.
O Artigo 130-B, parágrafo 4º e incisos, da Constituição estabelece as competências do CNJ e é inteiramente esclarecedor quanto ao questionamento apresentado pelo STF. Diz o dispositivo constitucional que o CNJ deve “receber e conhecer das reclamações contra membros ou órgãos do Poder Judiciário, inclusive contra seus serviços auxiliares, serventias e órgãos prestadores de serviços notariais e de registro que atuem por delegação do poder público ou oficializados, sem prejuízo da competência disciplinar e correicional dos tribunais, podendo avocar processos disciplinares em curso” (inciso III).
Ora, se o CNJ pode “avocar processos em curso” e “receber e conhecer” as queixas, portanto, o que a Constituição lhe confere é a possibilidade de agir ao mesmo tempo em que agem as corregedorias estaduais. Tecnicamente, diz-se que o texto constitucional prevê que as competências sejam concorrentes, ou seja, ambos os órgãos (CNJ e corregedorias) podem processar e julgar administrativamente integrantes do Judiciário — funcionários e juízes.
Até o momento, não vi nenhum dos defensores da tese da AMB apontar onde na Constituição há indicativo de que a competência do CNJ deve ser subsidiária. Assim, prevalece o entendimento de que cabe ao CNJ realizar de forma plena a atividade de controle administrativo e disciplinar da jurisdição.
A meu ver, se for decidida de forma genérica que a competência é subsidiária, retornaremos a um momento em que o Judiciário se revelava como único dos três Poderes a possuir mecanismos de controle somente internos. A criação do CNJ via Emenda Constitucional 45/04, conhecida como Reforma do Judiciário, apresentada e votada no governo Lula, não se deu porque havia insatisfação com o trabalho das corregedorias, mas porque havia a necessidade de se introduzir no Judiciário o princípio republicano do controle externo. Assim, hoje, Executivo, Legislativo e Judiciário submetem-se a um duplo controle administrativo: os mecanismos internos e o controle externo — no caso do Judiciário, as corregedorias e o CNJ, respectivamente.
Cumpre verificar que o modelo é positivo e coerente com os princípios republicanos e o Estado Democrático de Direito.
O mais trágico em uma eventual decisão do STF que, contrariamente aos dizeres de nossa Constituição, decida eventualmente em acolher a pretensão da AMB e dos magistrados punidos é que estará subtraindo do cidadão o direito de solicitar e ver apreciado diretamente pelo órgão externo de controle do Judiciário seu pedido contrário a algum abuso ou desvio praticado por magistrado. O acesso da cidadania à instancia que pode, externamente, corrigir algum abuso cometido contra o cidadão estará suprimido. A cidadania só poderá ter acesso ao CNJ de forma derivada, após o “filtro” do órgão interno de controle e correição. Evidente a grave ofensa, antes de tudo, ao cidadão e seus direitos.
Não podemos confundir o foco do debate com o valioso argumento de que o CNJ tem conduzido investigações sem respeitar o direito fundamental, resguardado pela Constituição, de ampla defesa dos investigados. Argumenta a AMB também que o CNJ tem agido muitas vezes de forma imperial e autoritária. Tais questões são evidentemente relevantes, mas devem ser corrigidas no âmbito individual de defesa de direitos, não podendo servir de justificativa a uma redução de competência do Conselho
Os atos concretos irregulares que o CNJ tenha praticado, ou venha a praticar no futuro, devem ser questionados no exercício do direito individual, na via de defesa, como chamamos no mundo jurídico. Eventuais dispositivos regulamentares do CNJ que possam estar ofendendo tais direitos podem ser invalidados pela Adin, mas nunca justificar a referida redução de competência do órgão de controle externo. Aliás, o STF tem revelado ao País que garante o respeito aos direitos fundamentais do contraditório e à ampla defesa, em decisões tomadas não apenas quando a vítima é um cidadão comum, mas também quando é um magistrado.
Por fim, devemos destacar que é legítima a pretensão de se debater eventual modificação no  papel e as funções do CNJ, mas o local apropriado para esse debate é o Congresso Nacional, não o STF, que não tem competência para legislar, mas, sim, de meramente aplicar a Constituição e as leis. Haveria inegável “default democrático” em tal conduta, haja vista que juízes não são eleitos pelo povo, para inaugurar ou inovar primariamente a ordem jurídica.
A sociedade sairá perdendo duplamente se o Supremo acolher a demanda da AMB. Primeiro, ao ver um desrespeito ao texto constitucional que é claro na fixação das competências do CNJ. Depois, ao verificar um desvio de função do Poder Judiciário para atuar na seara Legislativa. Essa dupla perda desemboca numa terceira, ainda mais nociva, a de vermos esvaziado o controle externo do Judiciário.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Nina Rosa: Justiça para os Animais



Há quase 1 ano estamos aqui diariamente falando de comunicação, mídia, Justiça, Direitos Humanos e Cidadania.


Hoje, Dia Internacional dos Animais e Dia de São Francisco de Assis, o maior "Defensor Público" dos Animais de todos os tempos, esta blogueira, apaixonada pelos animais e pela natureza, quer aproveitar este pequeno espaço para homenagear uma mulher luminosa, que dedica sua vida à proteção dos animais.


Nina Rosa Jacob, ativista da causa animal e fundadora da ong Instituto Nina Rosa. 


Conheçam abaixo um pouco do trabalho desta mulher extraordinária, deste verdadeiro Ser de Luz. E apoiem as atividades do Instituto Nina Rosa.


Toda Vida é Sagrada !


Nina Rosa


"Pouco importa que dirijam o olhar para você, se estiver decidido a ser bom, generoso, altruísta e compassivo. Consciente de estar fazendo o melhor, nenhum fracasso poderá perturbar a sua serenidade interior e você não precisará estar constantemente reconsiderando seus objetivos. A consciência limpa serve de travesseiro macio."


Dalai Lama

nina01
Já fui fumante, onívora e bem menos consciente da minha responsabilidade de ser humano do que sou hoje. Precisei encontrar o caminho do coração, independentemente do padrão da sociedade.


Com Cléo e Chica, duas cadelas com quem tive a alegria de conviver, aprendi sobre o amor e sobre o meu vínculo (indesatável) com os animais. Nesse vínculo estão incluídos desde o menor inseto até o maior paquiderme.
CleoCom Cléo aprendi a mudar o meu olhar em relação aos animais.

Depois Chica tocou meu coração com tanto amor, que o despertou para a compaixão e inspirou meu trabalho de ativista pelos direitos dos animais.Chica
Após alguns anos de auto-observação, auto-conhecimento, estudos sobre alimentação, trabalhos voluntários e involuntários como "protetora" da natureza e dos animais, praticante do vegetarianismo e do consumo consciente – com natural aversão pelo desperdício – veio à luz o INSTITUTO NINA ROSA - Projetos por amor à vida.
O processo continua, porém agora organizado e com apoio de seres afins. Propósito: desenvolver a compaixão, o sentido de justiça e o respeito para com a natureza e todas as criaturas viventes através da informação, da educação e do exemplo.
O Instituto nasceu por um sentimento de amor à vida e a vontade de compartilhar que a vida está presente em tudo o que nos cerca.
Qualquer objeto ou utensílio no seu processo de idealização, criação, execução, comercialização, função, carrega um tanto da energia de cada etapa e pessoa que participou.
Nos alimentos, a todo o processo da natureza, ainda soma-se o da alquimia que criamos para nutrição e paladar.
Com as plantas sentimos mais facilmente a vida e nossa responsabilidade, pois sem água elas não sobrevivem, são suscetíveis às energias do entorno - as pesadas podem adoecê-las e matá-las; a atenção, palavras e gestos afetuosos podem vitalizá-las.
O que dizer, então, dos bichos? Além da sensibilidade e da dependência pela atenção, hidratação, alimentação, cuidados com a saúde e afeto, são seres senscientes que demonstram claramente sentir dor, alegria, medo, agressividade, amor, fidelidade, sentimentos que aflorarão de acordo com o manejo e o exemplo. Muito mais do que isso, os animais são seres puros e naturalmente curadores; com eles podemos aprender sobre o amor incondicional. Eles não têm preconceitos, inspiram ternura e promovem alegria.
Abusar, enganar, caçar, torturar, negligenciar, abandonar, maltratar física ou psicologicamente um animal - que desconhece a maldade - é como fazer isso com Deus.


Temos uma imensa dívida para com os animais.
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Temos agido de forma preconceituosa, onipotente e indigna, torturando-os direta ou indiretamente para tê-los em nosso prato, na indústria da "diversão" (rodeios, circos, touradas, farras do boi, rinhas ...), em testes cruéis e desnecessários, no tráfico, entre outros.
Após participarmos de tudo isso, ainda temos a ilusão de que a violência está fora de nós, que somos apenas vítimas da situação atual Se queremos paz, a hora é de mudança de valores, de ampliar nossos conhecimentos, sentimentos, consciências e tornarmo-nos responsáveis pelos nossos atos e pela vida em nossa Terra. E o que significa isso? Significa pessoas comuns como você , como eu, agirem.
Se estamos insatisfeitos com o desenrolar da vida no planeta, podemos mudar e melhorar. Cada um de nós pode utilizar seu poder de escolha para fortalecer o que considera positivo. Em todos os setores existem grupos trabalhando assim. Claro está, que a iniciativa privada tem papel fundamental nesse processo.
Hoje, alguns anos após o nascimento do Instituto Nina Rosa, o caminho se confirma, os processos pessoais continuam, vou aprendendo mais sobre como respeitar a vida, e que isso é contagioso.
Desejo a você intuição, amor e coragem em seu caminho pessoal.
Conte com minha solidariedade,
Nina Rosa Jacob
nora
Nora (primeiro amor na infância).
Nina Rosa com 3 anos.
nina1946
nina_jegue
Com jeguinha Grega.
Com Lobo, Dick e Aiou.
nina_3animais
nina_estrada
Resgatando filhotinhos na Via Anhanguera
Com Patola, Piloto, Lobo e Samanta.nina_serra

nina_canilCom Aiou.

Com Brida.Nina_BRIDA

lili_nina_dengo_2001Com Lili e Dengo.

Com Lindinha.ninalindinha

Nina_viadinhaCom a veadinha Nina Rosa no santuário Rancho dos Gnomos.

A chimpanzé Billy Jo, nascida em 1968, viveu 14 anos em laboratórios de pesquisa. Está no santuário Fauna Foundation, no Canadá. Foi adotada por Nina em julho de 2005.nina_Billyjoe

Este é o Zoio, que recebeu este nome porque quando foi encontrado pela Nina vagando numa estrada paulista quase só tinha olhos. Este era o estado dele:
zoio_antes1zoio_antes2

zoio_antes3
Adotado pela Nina, depois de 3 meses de muito amor e bons tratos, ficou assim...
zoio_depois
... e viveu feliz com ela por mais 7 anos.


AMO TAMBÉM AS ÁRVORES
Esse amor me acompanha, nutre e inspira em devoção.
Essas benfeitoras da humanidade oferecem abrigo, sombra, flores, frutos, beleza, e ainda transmutam energias.
Acolhem, ouvem e inspiram quem delas se aproximar com o coração aberto.
Recomendo a todos que olhem - não só para os troncos - como é comum nos grandes centros, mas acima, para suas faces, lindas, gratificantes, que lá estão firmes, apesar de tudo e de todos... fazendo a sua parte.
Se você tem o privilégio de ter alguma dessas companheiras perto de sua casa, experimente fazer contato, mesmo que só visual no início, ofereça água nos dias secos, limpe suas raízes do lixo e do cimento, permita-se desfrutar de toda a sabedoria que dela emana, seja mais feliz.
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Eliana Calmon: Rebelde com causa



Eliana Calmon, ministra do Superior Tribunal de Justiça e Corregedora Nacional de Justiça, teve semana passada uma grande exposição na mídia por conta de uma entrevista que concedeu afirmando que no Judiciário há infiltração de "bandidos togados". Leia mais aqui.


Embora até as pedras da rua saibam da existência da bandidagem, a declaração da ministra gerou uma crise na cúpula do Judiciário. A irritação do Imperial Presidente do Supremo (STF), ministro Cezar Peluso, foi corporificada numa nota de repúdio praticamente exigindo uma retratação da corregedora.


Durona, Eliana, além de não se retratar, ainda reiterou: "Eu quero é proteger a magistratura dos bandidos infiltrados!"


O Brasil, para promover a moralização que o Judiciário requer, precisa do "jeito Eliana de ser": combativa, destemida, irreverente, sem qualquer disposição para lamber botas de quem quer que seja... A mulher certa no lugar certo.


Abaixo um perfil da ministra, publicado na Folha de S. Paulo e lido no Blog do Ricardo Gama.



                                                                 Ministra Eliana Calmon  
                                                         Corregedora Nacional de Justiça


Em 1976, em plena ditadura militar, a baiana Eliana Calmon dá parecer favorável a um mandado de segurança dos estudantes contra a invasão da UnB por policiais.

O então procurador-geral da República, Henrique Fonseca de Araújo, inverte o conteúdo para agradar o regime.

Calmon não aceita e larga a Procuradoria: "Se o sr. quiser assinar, o sr. assine. Eu não assino", reagiu Calmon.

Saiu da sala dele e pensou: "Basta!". Passou em quarto lugar no primeiro concurso de juiz que surgiu e deu a guinada que a tornaria, anos depois, ministra do Superior Tribunal de Justiça, a segunda mulher numa corte superior.

Atual corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que investiga o Judiciário, ela causou polêmica no Supremo Tribunal Federal ao dizer que há "bandidos atrás das togas". Mas foi defendida por entidades e cidadãos.

Um dos apoios foi nos bastidores do Planalto, dominado por um trio feminino. Ao ler as declarações de Calmon, a presidente Dilma Rousseff sorriu: "Essa é das minhas".

A personalidade forte, a rebeldia e a mania de falar tudo o que pensa vêm de longe para a soteropolitana Eliana Calmon, 65.

Mais velha de três filhos, foi uma aluna exemplar. Mas atrevida, dava trabalho para as freiras do Colégio Nossa Senhora da Soledade.

Com 1m70, pé número 39 desde menina, se insubordinava com o critério de altura que a empurrava para o último lugar da fila e criava caso. Assim como roubava pitangas do jardim das freiras.

Desinibida, falava bem. Era quem recitava as poesias e fazia os discursos nas festinhas. De quebra, arbitrava as desavenças entre os pais.

Amigos da família previam: "Essa menina vai ser advogada". Mas, ao entrar na Universidade Federal da Bahia, queria ser promotora.

A militância política foi "de esquerda light", sem filiação partidária. Casou-se no último ano da faculdade com um militar da Marinha. Hoje divorciada, só teve um filho, aos dez anos de casamento. Moraram no Rio e em Natal, onde tirou primeiro lugar para auxiliar de ensino na Faculdade de Direito e conquistou a única vaga.

Depois, foi secretária do Conselho Penitenciário até passar no concurso para procuradora da República, em 74. Dois anos depois, Procuradoria-Geral da República, em Brasília. E, enfim, juíza.

Atuou dez anos como juíza na Bahia, foi promovida depois para o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, englobando 14 Estados, mas com sede em Brasília.

Foi aí que ela articulou o núcleo original da Escola de Magistratura. Uma de suas máximas é que "juiz não pode estar só".

Quando decidiram lançá-la para ministra, assustou-se: "Eu? Ministra? Irreverente desse jeito?!" Perdeu passivamente da primeira vez, mas se mexeu na segunda.

Calmon havia relatado um processo de interesse do senador Edison Lobão (hoje ministro de Minas e Energia), que a procurou e pediu informações. Após a decisão - favorável a ele -, ela lhe enviou uma cópia da peça.

Candidata ao STJ, ela se lembrou e usou implicitamente o princípio de reciprocidade. Lobão se tornou seu maior cabo eleitoral, junto ao senador Jader Barbalho (PA), à época presidente do PMDB.

O cerco fechou quando o candidato do senador baiano Antonio Carlos Magalhães foi preterido. Ele telefonou para Calmon: "O presidente [Fernando Henrique Cardoso] tem compromisso com a Bahia, e a senhora tem muitos amigos". Virou ministra.

A história foi contada pela própria Eliana na sua sabatina no Senado com duplo intuito: agradecer o apoio, e tornar-se impedida de julgar qualquer ação envolvendo ACM, Lobão e Barbalho.

Apesar da imagem de mulher forte, destemida, irreverente, Eliana Calmon adora cozinhar e publicou o livro "Receitas Especiais", cuja renda vai toda para uma instituição de caridade.

Malha todos os dias às 6h, dirige o próprio carro, gosta de perfumes, colares e roupas modernas. No celular, uma foto do neto Miguel: "O homem da minha vida", diz.


As chamas da Liberdade




“V” conversa com a Ex-tátua da Justiça - 2




Vera Vassouras




Olá, formosa dama, linda noite, não? Perdoe-me a interrupção. Talvez a senhorita pretendesse passear… apenas desfrutar a paisagem. Não importa. Creio que é chegado o momento de uma breve conversa. Ah! Eu me esqueci de que não fomos apresentados. Eu não tenho um nome, mas pode me chamar de V.

Madame Justiça… este é V. V… esta é madame Justiça. Olá, madame Justiça!

- “Boa noite, V.”

Pronto. Agora que já nos conhecemos, para ser sincero, outrora fui um admirador seu. Até imagino o que está pensando.

- “O pobre rapaz tem uma queda por mim… uma paixão juvenil”.

Perdoe-me, mas não é este o caso. Eu dizia a meu pai: Quem é aquela moça? E ele respondia: É a madame Justiça. Ao que eu replicava: Como é bela. Eu a admirava, apesar da distância. Ainda criança, ao passar na rua, admirava sua beleza. Por favor, não pense se tratar apenas de uma atração física, em absoluto. Eu a amava como pessoa, como IDEAL. Isso foi há muito tempo, agora, confesso que há outra…

“O quê? Que vergonha, V.! Traindo-me com uma MERETRIZ de lábios pintados e sorriso vulgar!”

Eu, Madame? Permita-me uma correção. Foi sua INFIDELIDADE que me arremessou aos braços dela!

Ahá! Ficou surpresa, não? Pensou que eu desconhecia suas escapadelas? Enganou-se. Eu SEI de tudo. Na verdade, não me surpreendi quando soube que você flertava com homens de uniforme.

- “Uniforme? E-eu não sei do que você está falando. Sempre foi você, V., o único amor em minha vi…”

Mentirosa! Meretriz! Ousa negar que se deixou envolver por ele com suas braçadeiras e botas?

Ah! O gato comeu sua língua? Foi o que pensei. Muito bem. A verdade foi revelada. Você não é mais MINHA Justiça. É a dele. Recebeu outro em sua cama. Faça bom proveito de seu novo amante.

- “Snif! Snif! Q-quem é ela? Como se chama?

Seu nome é ANARQUIA, e ela me ensinou mais como amante do que você supõe. Com ela aprendi que não há sentido na justiça sem LIBERDADE, é honesta, não faz promessas e nem deixa de cumpri-las como você. Eu costumava me indagar porque você nunca me olhou nos olhos. Agora eu sei. Por isso, adeus, cara dama. Nossa separação não me entristece, uma vez que não é mais a mulher que eu amei outrora. Eis um último PRESENTE, deixo a seus pés.

(V. coloca um artefato em forma de coração aos pés de sua ex-amada. Após a explosão, observa as chamas…)

As CHAMAS da liberdade. Que adorável! Quanta justeza, minha preciosa anarquia… Oh beldade, até hoje, eu te desconhecia!

Fonte: “V” de Vendetta.

Vera Vassouras é advogada, Mestra em Filosofia do Direito, professora universitária, tradutora e escritora, autora do livro O mito da igualdade jurídica - Notas críticas sobre a igualdade formal.


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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A "arroganciocracia" das castas incultas



MÁFIAS ou “V” conversa com a Ex-tátua da Justiça - 1

Vera Vassouras


Máfia - qualquer (qualquer) organização criminosa que usa métodos inescrupulosos, regida por princípios de segredos e silêncios solidários, com o fim de estabelecer leis próprias e buscar se manter no comando do poder constituído. (Houaiss, com alguns ajustes.)

O Brasil (observa a sabedoria popular) é governado por três máfias: a branca, da medicina, a vermelha, dos políticos, e a preta, dos juízes. Seu fundamento ocorre no mesmo período do advento da chamada demo-cracia. Na cidade antiga, reservada aos cidadãos com direito a voto (excetuando-se estrangeiros e escravos). Médicos, advogados e empresários transformam-se em políticos em causa própria e dos membros de sua espécie. Direitos para poucos, deveres para o resto. Privilégios para uns, deveres para outros, e todos sob a égide do que se convencionou denominar Cortes, Estaduais ou Supremas. Nascem nos moldes das realezas que tiveram suas cabeças poupadas pelos acordos com mercenários, pederastas e saqueadores, travestidos de revolucionários. Intocáveis, cada vez que sua “caixinha preta” está para ser aberta: a opinião publicada volta-se contra o legislativo, que faz seu jogo.

Enquanto isso, os médicos calam-se à espera da expansão dos mercados das doenças, pois o legislativo, no meio da opinião publicada, votará o aumento das áreas de transgenia. Aumentar os próprios salários é imoral, somente o Judi(ci)ário pode fazê-lo. Matar o sub-solo, disseminar doenças, destruir o meio ambiente, saquear diariamente o povo: “é legal”!

Especialistas na criação de leis (para isso são convidados especiais em encontros reservados) atuam por contradições e contra-senso, às vezes por meio de torturas físicas e mentais, técnicas inquisitoriais modernamente denominadas “processos e procedimentos”. Ungidos por deus, são os executores nativos das ordens das máfias, protegidos por “julgadores vitalícios de aluguel”. Quanto aos políticos-parlamentares, suas agremiações são compostas pelos membros das outras máfias, incluindo-se o que na antiguidade denominavam-se agregados, atualmente denominados assessores, funcionários ou, simplesmente “empresários”, gerados dos “meios” de comunicação, legalmente transferidos às máfias nacionais e internacionais, sob a insígnia da liberdade de mercado. Na intimidade continuam a se tratar como “irmãos”. Suas bases encontram-se espalhadas por todo o território nacional: Escolas, Igrejas, Faculdades, Ordens, Seminários, Seitas e Clubes de Investimentos e Beneficência. Católicos, apostólicos e romanos, mantendo íntima relação com o Império do qual são, querem e desejam ardentemente continuar fazendo parte, mesmo na qualidade de um simples soldado, adestrado, amorfo. Imagine-se uma das paupérrimas cidades da mais recôndita região do país. Não tem energia elétrica, não tem saúde, não tem saneamento, não tem, afinal, futuro. Todavia tem uma cadeia, um juiz, uma Câmara Municipal, um médico para atender as “famílias” e uma televisão (ligada a um gerador). Enrolam-se como serpentes numa cova, formando um espetáculo terrível ao olhar da inteligência. Não creditam em liberdade pois, vinculados a juramentos e segredos. São prisioneiros de irmandades medievais. Cortesãos, bajuladores e promíscuos. Não respeitam o indivíduo, pois não têm individualidade, só lhes resta a (in)consciência do grupo, do corpo, das membranas que os conforta e protege na aparência de “corpo-ração”. Vivem, em pleno século XXI, como animais ferozes. Espantalhos comandados por tradições pagãs metamorfoseadas pelas ordenações do Império Católico Apostólico e Romano e Bárbaro e pseudo-Brâmane e Ariano, portanto. Castas. Não há igualdade. Existem apenas por e pelas corpo-rações. Seu sistema: o hierárquico (1). Seu princípio: a autoridade (2). Seus instrumentos: o medo e a obediência. Sua finalidade: manter, a qualquer preço, a fé e a esperança na lógica da dominação: encarcerar, matar, torturar a todos os que se atreverem a manter a independência e a criatividade. Seu destino: nosso destino! E seja o que deus quiser!!!

Periodicamente, reúnem-se com os mais “notáveis” pela opinião publicada e redigem “princípios constitucionais de algum estado”, nos quais incluem todos os privilégios das cortes e, quando inquiridos, vestem-se com “cláusulas pétreas” e “direitos adquiridos” e escrevem livros, criam dogmas, seduzem platéias de sonâmbulos em seus “cafés filosóficos”. Promovem as mais antagônicas, contraditórias e ridículas “interpretações legais”, conduzindo a sociedade ao desespero. Criam falsos dilemas e com os “meios de comunicação” mantêm os “outros” em intermináveis discussões sem finalidade, crítica e sem conteúdo. Esperanças inúteis calcadas na fé de um “destino” que está fora das possibilidades humanas de modificação.

Médicos podem matar, parlamentares podem saquear, juizes podem torturar e, todos, políticos-médicos, políticos-parlamentares, políticos-juízes vivem às gargalhadas, (d)equilibrando-se sobre os cadáveres que vão deixando pelo caminho. Cadáveres de gentes, cadáveres de animais, cadáveres de árvores, homens e mulheres-cadáveres. Jovens? Mas, cadáveres. Máfias apresentando seu espetáculo civilizatório: crânios, ossos e hipnose coletiva. Além disso, essa tradição é hereditária. O político não é uma pessoa, é um parlamentar. O juiz não é uma pessoa: é um juiz. Um médico não é uma pessoa: é um médico. E sob seus argumentos científicos e, portanto, incontestáveis: ciências políticas, ciências médicas, todo o horror é permitido, todo clamor é conduzido, toda a vergonha se esconde por trás das cortinas do palco no qual a verdade foi proibida de adentrar.

A patologia é hereditária. E a massa só é chamada a partir do centro. Do centro para a periferia e, novamente, da periferia para o centro, neste circo fortalecido pela propaganda e pelos “engenheiros da educação” para o sistema e seu mercado.

Demo-cracia, ARROGÂN-CIO-CRACIA é o seu nome!

Arrogância de castas incultas, arrogância das máfias ainda protegidas por seus soldadinhos de chumbo. Arrogância virtual.

A verdade queima.

(1) Que se entenda por hierarquia, por exemplo, a luz do sol, a verdade inexpugnável, independente de nosso denominado sensualismo, jamais esta hierarquia vulgar e predatória.


(2) Que se entenda por autoridade a sabedoria, a consciência, a liberdade individual, jamais esta autoridade que pretende reduzir pessoas a classificações numéricas de exércitos especializados.


Vera Vassouras é advogada, Mestra em Filosofia do Direito, professora universitária, tradutora e escritora, autora de O mito da igualdade jurídica no Brasil - Notas críticas sobre a igualdade formal.


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Eliana Calmon: "Desafinando o Coro dos Contentes"



A democracia é barulhenta. Indignados nas praças e ruas, "botando a boca no trombone", abrindo a boca cidadã...


Na semana que passou, curiosamente, o embate não veio das manifestações do povo indignado nas praças e ruas, mas brotou nos gabinetes, nos palácios. E daí chegou à velha mídia, quem diria?!... Alvíssaras!


Instalado o embate público entre a Banda Boa e a Banda Podre do Judiciário, entre a turma do "deixa como está pra ver como é que fica" e o pessoal do "Cansei da Bandidagem Togada", a sociedade, surpresa, assistiu e participou.


                                                                 Ministra Eliana Calmon  
                                                         Corregedora Nacional de Justiça


Isso é só o começo.


Há que continuar "desafinando o coro dos contentes".


O ABC! veio para isso. E apoia incondicionalmente a ministra-corregedora-guerreira, a atuação ampla do Conselho Nacional de Justiça e a moralização do Judiciário.


Viva a Democracia! Viva a Liberdade de Expressão!


Por um Judiciário aberto, moderno, não elitista, transparente e cidadão! 


Viva o barulho
A democracia é barulhenta. Movimenta-se. Não é paralítica, como diz Machado de Assis em crônica famosa do fim do século XIX.
Sob essa premissa é que Wadih Damous, presidente da OAB-RJ, analisa o cenário brasileiro, em que casos de corrupção se multiplicam e é destampado o conflito sobre a competência de o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) agir como órgão correcional. Conflito iluminado pela ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, que rasgou o manto da hipocrisia: “Há bandidos escondidos atrás da toga”.
Damous fala dessa situação conturbada em que se insere a ministra.
“A democracia faz com que isso venha à tona. Essas práticas também aconteciam na ditadura, só que não havia Ministério Público livre, Congresso livre e, ademais, a imprensa estava amordaçada.”
Ele prossegue: “A impressão é de que só acontece agora. Mas o que vemos é algo arraigado na administração pública desde a Colônia. O importante é que órgãos como o CNJ possam punir aqueles que se desviam da ética ou praticam irregularidades nas suas funções”.
Viva o barulho! Abaixo o silêncio!