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terça-feira, 11 de junho de 2013

O delírio fascista de um Promotor de "Justiça"


Estou  há 2 horas tentando voltar para casa mas tem um bando de bugios revoltados parando a avenida Faria Lima e a Marginal Pinheiros.

Por favor, alguém poderia avisar a Tropa de Choque que essa região faz parte do meu Tribunal do Júri e que se eles matarem esses filhos da puta eu arquivarei o inquérito policial.

Petista de merda. Filhos da puta. Vão fazer protesto na puta que os pariu... 

Que saudade da época em que esse tipo de coisa era resolvida com borrachada nas costas dos merdas...

                          Rogério Zagallo, Promotor de Justiça do Ministério Público de SP


Corregedoria nele !!!


Banco de Imagens/MP-SP


O promotor Zagallo deve ser punido por seu delírio fascista

JOSÉ NABUCO FILHO* 

Ao desejar a morte de manifestantes e declarar que “essa região faz parte do meu Tribunal”, ele rompe com o estado de direito.

Ele

Quando vi a reprodução da postagem do promotor Rogério Zagallo, a primeira coisa que perguntei foi se era verdadeiro aquilo. Não que o tivesse em boa conta, muito pelo contrário, mas não imaginei que seus delírios chegassem a tanto. Zagallo disse o seguinte: “Por favor, alguém poderia avisar a Tropa de Choque que essa região faz parte do meu Tribunal do Júri e que se eles matarem esses filhos da puta eu arquivarei o inquérito policial. Petistas de merda. Filhos da puta.”

Preocupado com a repercussão, ele emendou depois que era só um desabafo e que não estava agindo como promotor de justiça.

Zagallo ficou famoso pelo fundamento usado em um requerimento de arquivamento de um inquérito em que um policial matou um homem que o tentara roubar. Depois de ser sarcástico — “para desgosto dos defensores dos Direitos Humanos de plantão” —, justificou o arquivamento: “Bandido que dá tiro para matar tem que tomar tiro para morrer. Lamento, todavia, que tenha sido apenas um dos rapinantes enviados para o inferno. Fica aqui o conselho para Marcos Antônio: melhore sua mira…”.

Não sei se, nesse caso, houve legítima defesa que justificasse o arquivamento. Mas sei que o fundamento é uma afronta à lei. O que justifica o ato de matar alguém, em tais circunstâncias, é a defesa da própria vida ou de outra pessoa. No instante em que não há mais agressão — tiros — cessa a possibilidade de defender-se legitimamente. Se alguém atira contra um policial e foge, não pode ser morto como vingança. Quando ele escreve que quem dá tiro contra policial tem que morrer, ele está fazendo uma clara apologia da violência como vendetta.

Além dos termos chulos, chama a atenção uma incapacidade de lidar com uma manifestação popular, a ponto de louvar a ditadura militar, a Rota ou seja lá o que for, ao falar que sente saudade do tempo em que se resolvia isso com “borrachada nas costas”.

Mas o pior ainda não é isso.

Ao declarar que “essa região” faz parte do “meu Tribunal do Júri”, ele revela uma falta de noção de valores republicanos, pois fala de seu poder – não um poder público, com limitações estabelecidas em lei, mas como se fosse pessoal, despótico, exercido conforme seu arbítrio. Um Estado Democrático de Direito pressupõe, sobretudo, a limitação do poder, de modo que quem exerce qualquer cargo público está subordinado à legalidade.



O post

Quando avisa que se um policial matar um dos manifestantes, ele arquivaria o inquérito, o delírio fascista chega ao extremo. Primeiro porque promotor não arquiva, mas requer o arquivamento. Isso significa que sua manifestação está sujeita ao controle de legalidade feito pelo juiz. Se este não concordar, remete para o Procurador Geral de Justiça. Segundo, porque se um PM assassinar alguém pelo simples motivo de que essa pessoa está em uma manifestação, terá ocorrido um homicídio. Em uma hipótese absurda como essa, o dever do promotor seria oferecer denúncia contra o PM por crime.

Esse tipo de pessoa é o que mais temo e lastimo como professor de direito penal. É aquele que frequenta uma faculdade e se apodera dos conhecimentos jurídicos apenas para a aprovação em um concurso público. Depois disso, ele não faz outra coisa senão negar o direito. Ele se vale do conhecimento jurídico para a ascensão econômica, mas no exercício da atividade ele avilta o direito.

A Lei Orgânica do Ministério Público do Estado de São Paulo exige dos membros do MP um comportamento digno. Um dos deveres funcionais do membro do MP é “zelar pelo prestígio da Justiça, por suas prerrogativas e pela dignidade de suas funções”. No art. 173, inciso VI, constitui infração disciplinar o descumprimento dos deveres funcionais previstos no art. 169, dentre os quais o de zelar pela dignidade de suas funções.

No art. 232, poderá ocorrer “correição extraordinária” para a apuração de “atos que comprometam o prestígio ou a dignidade da Instituição”.

É difícil saber qual seria a pena aplicável (advertência, censura ou suspensão). Mas a manifestação de Zagallo causou perplexidade nas pessoas sensatas – e na comunidade jurídica, de modo que se espera a rigorosa apuração da Corregedoria do Ministério Público.


* Mestre em Direito Penal pela Unimep, professor de Direito Penal da Universidade São Judas Tadeu e quarto-zagueiro clássico. Seu email: j.nabucofilho@gmail.com


Destaques do ABC!

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São Paulo: Mundo da Cultura X Mundo do Crime


VIOLÊNCIA CONTRA A BLOGUEIRA




No meio do caminho, tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho.                                               Carlos Drummond de Andrade
       


A história de vida da cidadã blogueira Sônia Amorim, que edita os blogs "Abra a Boca, Cidadão!" e "Psicopatas", começa num pequeno e humilde bairro da periferia leste da cidade de São Paulo, filha caçula de uma família modesta.

Geralda e José, os pais da hoje escritora e blogueira, não tinham sequer completado o curso primário. Mas a menina, aos oito anos, ao ser indagada por um coleguinha de travessuras sobre o que queria ser quando crescesse, não hesitou: "Escritora!"

De onde a menina tirou esta ideia, nem ela sabe...

A família humilde, com pouca instrução e dinheiro curto, não podia comprar livros. O seu José, nordestino, operário de indústria química e torcedor fanático do tricolor paulista e da seleção brasileira, vez por outra, trazia para casa um exemplar da Gazeta Esportiva e do Diário da Noite. E a menina que queria ser escritora se deslumbrava com as letras impressas no papel-jornal, dias e dias devorando aquelas deliciosas e mágicas guloseimas.

Mas a "fome" das letras só fazia aumentar. E foi sendo atendida nos anos seguintes e pela vida afora. E jamais foi  saciada.

A menina cresceu, foi cursar o ginásio num bairro operário, e lá teve um fascinante e inesquecível contato com a poesia. Enquanto suas amiguinhas batiam bola na quadra, brincavam no pátio ou fumavam no banheiro, a menina que queria ser escritora, na biblioteca, descobriu os românticos e parnasianos, as estrofes e as métricas e as rimas... e declarou para si mesma, extasiada, falando baixinho: "Eu também quero!"

A partir daí a adolescente passou a "cometer" seus primeiros poemas. E o que era "degustação de guloseima" virou transe.

E a "fome" de letras, palavras, poesia, literatura, escritos, textos... não dava trégua.

A menina virou moça e foi parar na universidade. E desembocou, claro, num curso de Letras, onde pôde ao longo de anos tentar suprir a tal "carência alimentar".

Só a poesia e a ficção não saciavam a fome da menina. E ela foi abrindo outros "cardápios", no jornalismo, na história dos meios impressos, nas artes gráficas, na editoração...

A menina virou Mulher das Letras, dos Livros e da Comunicação. E acabou desempenhando papeis em várias "cozinhas editoriais", revisando, redigindo, editando. No mágico ofício de transformar letras e palavras em iguarias literárias e objetos de degustação.

Livros e mais livros. Autores e mais autores. Textos e mais textos.

Mais de trinta anos percorridos no Mundo Editorial, no Mundo da Cultura.

No entanto, graças a um desses sobressaltos que a vida muitas vezes costuma apresentar, sem que tivesse qualquer interesse ou inclinação, sem que tivesse pedido ou sido consultada, a menina escritora, agora Mulher das Letras e da Comunicação, se vê colocada dentro de um confronto, num embate irracional, injusto e desproporcional.

Com o Mundo do Crime.


                                Berthe Morisot, pintora impressionista francesa (1888)


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segunda-feira, 10 de junho de 2013

São Paulo: O Julgamento dos Cínicos



Engenheiro Goulart, Penha, cidade de São Paulo.

Os que há anos roubam e lesam a escritora e blogueira Sônia Amorim, desferindo violências de todo o tipo contra a cidadã, não admitem ser investigados e receber punições.

O "esquema criminoso" tem que continuar intacto, não pode ser desmantelado.

Quando se aproxima a hora destes delinquentes começarem a responder por seus crimes, o que faz esta QUADRILHA?

Vai ao Judiciário, processar a vítima. Por calúnia, injúria e difamação !!! 

(Pausa para risos)

Mais e mais violência contra a cidadã, pois se julgam acima da Lei.

O que estão fabricando contra esta blogueira vai DESMORONAR publicamente sobre a cabeça deles todos.

Acompanhem nos blogs "Abra a Boca, Cidadão!" e "Psicopatas" e na mídia o dramático e histórico confronto entre a Cidadania e o Mundo do Crime.

Na maior cidade do País. Na cidade de São Paulo.

Está começando o "Julgamento dos Cínicos"...



Salmo 52

Julgamento do cínico

Por que te glorias com o Mal,
heroi de infâmia,
o dia todo planejando ciladas?
Tua língua é navalha afiada,
autora de fraudes.

Preferes o mal ao bem,
a mentira à franqueza;
gostas de palavras corrosivas, 
ó língua fraudulenta.

Por isso Deus te demolirá,
te destruirá  até ao fim,
e te arrancará da tua tenda,
e te extirpará da terra dos vivos.

Os justos verão e temerão,
e rirão às custas dele:
"Eis o homem que não colocou
Deus como sua fortaleza,
mas confiava em sua grande riqueza
e se fortificava com ciladas!"

Quanto a mim, como oliveira verdejante
na casa de Deus,
eu confio no amor de Deus
para sempre e eternamente.

Vou celebrar-te para sempre,
porque agiste;
e diante dos teus fieis vou celebrar teu nome,
porque ele é bom.


Tradução da Bíblia de Jerusalém.

Destaques do ABC!

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domingo, 9 de junho de 2013

São Paulo: Raiou uma manhã luminosa...


Muitos que me acompanham na blogosfera e em minhas andanças no mundo têm manifestado apoio, carinho, solidariedade e até ajuda concreta neste embate que travo, há mais de três anos, com o mundo do crime.

Quando alguns silenciam e se acovardam, ou até mudam de lado, em troca de dinheiro e outras benesses, outros tantos se aproximam, deixam um recado, oferecem um abraço fraterno. 

Isso tudo me encanta, me emociona muito. E eu faço agora uma pausa na "artilharia" diária que venho desferindo nesta trincheira virtual para agradecer.

O Generoso, o Misericordioso, o Compassivo, o Altíssimo... é maior que tudo. E sempre coloca em nosso caminho, durante as "intempéries", uma palavra amiga, um braço mais forte, mãos estendidas.

Blogueira e blog entram a partir de agora numa nova e decisiva etapa do embate, momento também de agradecimento.

A todos os meus companheiros e companheiras, aos que compartilham dos mesmos valores e ideais, minha gratidão infinita. Contem também, sempre, com esta blogueira cidadã.

Grande e afetuoso abraço!

A todos vocês ofereço uma canção extraordinária, uma das que mais amo e que mais me fortalecem.







Morning has broken  Raiou a manhã   Cat Stevens

MORNING HAS BROKEN  Raiou a manhã

LIKE THE FIRST MORNING  
Como se fosse a primeira
BLACKBIRD HAS SPOKEN  
O pássaro cantou
LIKE THE FIRST BIRD  
Como se fosse o primeiro
PRAISE FOR THE SINGING  Louvemos 
o canto
PRAISE FOR THE MORNING  Louvemos a
 manhã
PRAISE FOR THEM SPRINGING  Louvemos o
 brotar dessas coisas
FRESH FROM THE WORLD  
Recém-chegadas ao mundo
SWEET THE RAIN'S NEW FALL  
Docemente cai a primeira chuva
SUNLIT FROM HEAVEN  
Iluminada pelos céus
LIKE THE FIRST DEW FALL 
Como o primeiro orvalho
ON THE FIRST GRASS  Sobre 
a primeira grama
PRAISE FOR THE SWEETNESS OF THE WET GARDEN  Louvemos a
 doçura do jardim orvalhado
SPRUNG IN COMPLETENESS  
Brotado por completo
WHEN HIS FEET PASS  
Quando Ele passa
MINE IS THE SUNLIGHT  
Minha é a luz do sol
MINE IS THE MORNING  
Minha é a manhã
BORN OF THE ONE LIGHT EDEN SAW PLAY  Nascida de uma luz que o
 Éden viu vibrar
PRAISE WITH ELATION  Louvemos
 com alegria
PRAISE EVERY MORNING
  Louvemos cada manhã
GOD'S RECREATION OF THE NEW DAY  
A recriação divina de um novo dia


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sábado, 8 de junho de 2013

Barroso e Duprat: os "pontos fora da curva"


"Com seus gestos e suas palavras, Barroso e Deborah começam a devolver ao Congresso Nacional o seu poder legítimo, que vinha sendo usurpado pelo Judiciário. É um bom sinal num país que ameaçava substituir sua democracia por uma espécie de supremocracia." 














Deborah Duprat, vice-procuradora geral da República









Luís Roberto Barroso, novo ministro 
do Supremo Tribunal Federal




Dois pontos fora da curva


LEONARDO ATTUCH


O ministro Barroso e a procuradora Duprat são boas novidades na arena política

A semana que passou permitiu que o Brasil conhecesse dois personagens que poderão contribuir – e muito – para que o País retome sua normalidade institucional. O primeiro deles foi o novo ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, aprovado pelo plenário do Senado. A segunda, a subprocuradora-geral da República, Deborah Duprat, que poderá vir a suceder Roberto Gurgel na chefia do Ministério Público.

Barroso chega ao STF com uma bagagem acadêmica inquestionável e com o apoio de praticamente toda a sociedade – salvo daqueles setores mais obscurantistas. É tão respeitado que o próprio senador Aécio Neves (PSDB-MG) fez questão de reconhecer publicamente o acerto da adversária Dilma Rousseff em sua escolha. Das declarações na sabatina, a mais destacada foi a de que o julgamento da Ação Penal 470, o chamado mensalão, foi um "ponto fora da curva" na história da suprema corte – o que é inquestionável.

No entanto, sua fala mais relevante diz respeito à separação dos poderes e foi um recado direto endereçado ao ministro Gilmar Mendes, que impediu, com uma liminar, a tramitação de um projeto sobre fidelidade partidária. "Quando o Legislativo atua, o Judiciário deve recuar, a menos que haja uma afronta evidente à Constituição", afirmou ele, na última quarta-feira. “O juiz só dará a última palavra se for uma cláusula pétrea, tudo mais poderá ter a última palavra dada pelo Congresso."

No mesmo dia, a poucos metros dali, o plenário do STF começou a analisar a liminar de Gilmar – que, provavelmente, será derrubada. A fala mais marcante veio da subprocuradora Deborah Duprat, que substituía o chefe Roberto Gurgel, em viagem ao exterior. "Sinto muito, mas não posso me calar", disse ela, antes de assumir, no plenário, uma posição diametralmente oposta à de Gurgel. Segundo Deborah, a liminar de Gilmar representa um "grave precedente" e ameaça a própria democracia, ao negar ao Congresso o direito de definir sua própria pauta legislativa.

Com sua fala, a subprocuradora, que está na lista tríplice na mesa de Dilma, pode ter ganho pontos na disputa para suceder Gurgel e assumir o comando do Ministério Público – no que seria o segundo acerto em seguida do governo, depois da escolha de Barroso. Deborah também se manifestou sobre a criação de novos tribunais regionais federais, promulgada pelo Congresso, numa sessão presidida pelo deputado André Vargas (PT-PR). "Não vejo qualquer inconstitucionalidade".

Com seus gestos e suas palavras, Barroso e Deborah começam a devolver ao Congresso Nacional o seu poder legítimo, que vinha sendo usurpado pelo Judiciário. É um bom sinal num país que ameaçava substituir sua democracia por uma espécie de supremocracia. Aliás, do STF, de onde deveria vir o exemplo, veio o deboche. Ao ser questionado sobre a criação dos novos tribunais, que combateu firmemente, o presidente da corte, Joaquim Barbosa, respondeu em inglês: "Who cares?" Na verdade, quem se importa com o Congresso Nacional é quem tem apreço pela democracia.


Brasil 247

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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Escrever pra quê?


DESAFINANDO O CORO DOS CONTENTES




O sentido de escrever


PAULO NOGUEIRA, Londres




“Se você não incomoda ninguém, não há sentido em escrever.”

Não poderia ser mais verdadeira esta frase do romancista inglês Kingsley Amis, um dos intelectuais de destaque da cena literária inglesa de meados do século 20. (Seu filho Martin seguiria seus passos com sucesso.)

Escrever é provocar. Escrever é incomodar. Ou não é nada. Porque é provocando e incomodando que as coisas andam.

Nas redações pelas quais passei, notei em muitos jornalistas o medo de incomodar. Como se fosse possível fazer jornalismo dando tapinhas nas costas.

Ih, que será que ele vai achar disso?

De um modo geral, o jornalismo brasileiro sofre do medo de incomodar.

Fui e vou contra a corrente, não porque goste de briga, mas por entender que não existe outra forma de fazer jornalismo que preste. Pode parecer pueril, mas em cada crítica minha o objetivo sempre foi e sempre será abrir um debate ao cabo do qual as coisas possam melhorar.

Talvez um dia seja, como meu pai, professor de redação numa escola de jornalismo. Uma das coisas que eu diria para os alunos é que imprimissem a frase de Amis e a guardassem não na gaveta, mas no coração.


Destaque do ABC!
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STJ manda Google cumprir leis brasileiras


“Não se pode admitir que uma empresa se estabeleça no país, explore o lucrativo serviço de troca de mensagens por meio da internet, o que lhe é absolutamente lícito, mas se esquive de cumprir as leis locais.”


Laurita Vaz, ministra do Superior Tribunal de Justiça


STJ determina quebra de sigilo no Gmail

Anna Carolina Papp

Justiça poderá ter acesso aos e-mails de investigados por crimes como formação de quadrilha e lavagem de dinheiro


SÃO PAULO – A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mantendo decisão de abril deste ano, determinou que o Google Brasil deve cumprir a ordem judicial de quebra de sigilo do Gmail em casos de investigação de crimes, tais como formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e tráfico de influência.


Pela decisão, a Justiça poderá ter acesso à conta de e-mail do investigado a fim de obter elementos de prova nas mensagens trocadas por meio da plataforma do Google. De acordo com o STJ, a empresa tem um prazo de dez dias para cumprir a decisão. Caso a quebra de sigilo não for realizada, ela pode receber multa diária de R$ 50 mil.

A Google Brasil afirmava não poder cumprir a ordem pelo fato de os dados estarem armazenados nos Estados Unidos e, portanto, sujeitos à legislação do país — onde a divulgação dos dados é considerada ilegal. Assim, a empresa sugeriu a via diplomática para a obtenção dessas informações, mencionando o acordo de assistência judiciária em matéria penal em vigor entre o Brasil e os Estados Unidos (Decreto 3.810/01).

No entanto, para a ministra Laurita Vaz, relatora do caso, o fato de os dados estarem armazenados em outro país não os torna material de prova estrangeiro.

“Nenhum obstáculo material há para que se viabilize o acesso remoto aos dados armazenados em servidor da empresa Google pela controlada no Brasil, atendidos, evidentemente, os limites da lei brasileira”, disse ela. A ordem pode ser perfeitamente cumprida, em território brasileiro, desde que haja boa vontade da empresa. Impossibilidade técnica, sabe-se, não há.”

A ministra afirmou ainda que, por estar instituída no Brasil, a filial brasileira do Google deve se submeter à legislação do país e não pode invocar leis americanas para não atender às ordens judiciais.

“Não se pode admitir que uma empresa se estabeleça no país, explore o lucrativo serviço de troca de mensagens por meio da internet, o que lhe é absolutamente lícito, mas se esquive de cumprir as leis locais” , afirmou a ministra Laurita.

A empresa divulgou um comunicado por meio de sua assessoria: ”O Google reconhece sua responsabilidade de auxiliar as autoridades em seus esforços para combater o crime, mas precisamos fazê-lo nos termos do Tratado de Assistência Judiciária Mútua entre o Brasil e os Estados Unidos (MLAT). O Tratado estabelece o processo aplicável para a requisição do conteúdo de mensagens eletrônicas e já foi utilizado pelo Brasil diversas vezes.”

Estadão Online

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