Cidadania, Comunicação e Direitos Humanos * Judiciário e Justiça * Liberdade de Expressão * Mídia Digital Editoria/Sônia Amorim: ativista, blogueira, escritora, professora universitária, palestrante e "canalhóloga" Desafinando o Coro dos Contentes...
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quinta-feira, 14 de março de 2013
Yoani Sánchez chega a Nova York
Depois de dias intensos no México, onde participou de reunião da Sociedade Interamericana de Imprensa, em Puebla (leia mais aqui), concedeu entrevistas a veículos de comunicação, falou em Comissão de Justiça no Senado, proferiu palestra em universidade, conheceu museus, passeou... e também sofreu mais um "ato de repúdio" (!!!), parecido com aquele que experimentou no Brasil, a blogueira e ativista cubana Yoani Sánchez já está em Nova York, onde deve encontrar amigos e visitar universidades e museus.
Foto: Juan Carlos Chavez @Pressroad
Há pouco, em seu Twitter, a blogueira postou a primeira foto tirada nos EUA, junto a María José, a novaiorquina que traduz voluntariamente o blog Generación Y para o inglês.
Yoani e a tradutora María José @yoanisanchez
Nova York Foto: Yoani Sánchez @yoanisanchez
mmmm
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Os segredos de Francisco (o Papa)
Os Segredos do Santo Padre
Carlos Alberto Lungarzo
Não é um segredo para ninguém o fato de que a totalidade das hierarquias católicas são inimigas da homossexualidade (alheia), condenam o aborto até de fetos anencefálicos (o aborto voluntário é admitido por todos os países europeus, salvo Espanha), advogam pelo celibato sacerdotal, proíbem o sexo por prazer, consideram a mulher um ser inferior etc.
Inclusive o aborto e o homoerotismo são criticados pela assim chamada “Teologia da Libertação”, tida como minoria progressista da Igreja.
Tampouco é novidade a histórica aliança de 1700 anos entre a Igreja e as grandes ordens de Cavalheiros e, depois, dos exércitos regulares, o que culminou no século XX com o apoio ao fascismo e a sua versão mais truculenta, o sangrento franquismo espanhol.
Dizer que o novo papa, Francisco, compartilha esses valores seria uma redundância.
Mas há alguns “segredos” na vida do pontífice que nem todos conhecem fora de seu país de origem. De fato, quando ele foi proclamado Papa, milhões de pessoas no mundo devem ter comprado um mapa para saber onde tinha nascido aquele homem de aspecto simpático e humilde, e biotipo de italiano do Norte. É natural que alguns desses detalhes não se conheçam.
Para os que desejem informar-se, há numerosos artigos na Internet, e até alguns livros, cujo conteúdo o próprio Francisco tentou rebater num contra-livro, só em 2010, quando sua condição de um dos grandes favoritos (já insinuada em 2005, quando ganhou o segundo lugar após Ratzinger) se tornou mais concreta.
Os interessados podem ver, entre outros muitos, os seguintes links:
http://www.redebrasilatual.com.br/temas/internacional/2013/03/novo-papa-e-associado-a-sequestros-de-jesuitas-e-de-bebe-durante-ditadura
http://www.cbsnews.com/8301-202_162-57574147/jorge-bergoglio-who-is-the-new-pope/
http://www.advivo.com.br/blog/antonio-ateu/vaticanao-o-papa-da-ditadura-militar-argentina
O leitor encontrará também outros textos, alguns escritos por organizações que assinam como católicas. Eventualmente, como em todos os casos, alguns textos podem não ser 100% verídicos, mas eu não estou fazendo uma acusação. Estou apenas informando de acusações feitas por outros, e cabe ao leitor se perguntar: “Qual seria o interesse dessas pessoas em criticar um humilde servidor de Deus?”
A Argentina voltou à normalidade democrática em 1983 quando o então padre Bergoglio estava com 47 anos. Nessa época, o atual papa era reitor do Colégio Máximo San José (da cidade de San Miguel), o maior seminário de formação de sacerdotes da Argentina (1980-1986) após ter sido, entre 1973 e 1979, o principal chefe (dito, na gíria eclesial, provincial) da poderosa e influente ordem dos jesuítas.
Sendo a Argentina um país absolutamente católico, sem qualquer miscigenação com religiões nativas como no resto das Américas, e tendo como exceção apenas uma comunidade judia que sempre padeceu perseguição (e alguns evangélicos e islâmicos), tudo o que faz a Igreja foi sempre claramente percebido pelo resto da sociedade. Aliás, ainda hoje, a Argentina talvez seja o único país (não sei o que acontece atualmente na Polônia, mas eventualmente poderia ser um de dois casos) em que a Igreja não está separada do Estado. Por exemplo, o Estado paga um salário aos bispos (não sei se Bergoglio o aceita ou o doa), mas já houve um conflito com o Vaticano quando Nestor Kirchner quis tirar a mensalidade de uns 3.000 dólares a um bispo que propôs que o ministro Gines, defensor da camisinha, devia ser linchado.
Em 1983, Jorge Bergoglio, uma figura austera, silenciosa, alheia a chamar a atenção, não tinha nenhuma influência política evidente, mas acumulava muita influência invisível. Ele utilizou essa influência para tentar mostrar um rosto “moderno” da Igreja, modificando a imagem desta como cúmplice qualificado e ativo dos genocídios e torturas generalizadas, que foram comuns na Argentina muitas vezes.
Por que fez isto? Muito simples. Apesar de ter mais de 90% de católicos e da mística medieval que impregna quase todas as instituições da Argentina (pelo menos, até a última vez em que eu estive em meu país de origem), a Igreja ganhou um enorme número de inimigos combatentes, muitos dos quais, de maneira paradoxal, continuavam se considerando católicos.
Esses inimigos formavam um grande grupo de pessoas que eram parentes, amigos ou conhecidos qualificados dos desaparecidos pela ditadura de 1976. O número de mortos em tortura e depois desaparecidos foi tradicionalmente fixado em 30.000 no ano de 1978, mas eu acredito que o número total deve ser muito maior, provavelmente entre 35.000 e 42.000, tendo em conta que a ditadura continuou até 1983.
(Não é este o lugar para justificar esta afirmação que surge de documentação dispersa, e de documentos internacionais parcialmente desclassificados.)
Unidos aos parentes dos 1.200.000 exilados, refugiados e asilados pelo mundo (ou seja, 3% dos habitantes do país nesse momento), os familiares e amigos dos desaparecidos deviam somar algo como 6 milhões, o que significa 20% da população. Calculo que, embora muitas pessoas não tivessem parentes nem amigos, é razoável considerar que a média de afetos por cada exilado ou desaparecido seja de 5 pessoas.
Como é bem conhecido, a Igreja Católica apoiou intensa e devotadamente os crimes da ditadura, não apenas encobrindo ou justificando-os, mas também dando apoio psicológico e propagandístico, colocando a seu serviço seu aparato internacional (incluída a máfia italiana e o grupo P2), abençoando as máquinas de choque e os instrumentos usados para mutilação, e até, em vários casos, aplicando tortura com suas próprias mãos.
Há pelo menos 40 livros em espanhol e pelo menos 15 em inglês dedicados de maneira total ou parcial à cumplicidade da Igreja Católica com os crimes de Estado na Argentina nos anos 1976-1983, e milhares de páginas de Internet.
De todos os casos de católicos aliados da ditadura, o mais espantoso é o do padre Christian Wernich, condenado em 2007 a prisão perpétua. Os que sobreviveram a seu sacerdócio afirmam que, de todos os torturadores civis e militares, ninguém era tão temido como o santo confessor. Ele chamava “fazer a barba” a passar a máquina elétrica, mas esta não era a máquina de barbear, mas de aplicar choque.
Com seu estilo discreto, Bergoglio tentou jogar um manto de esquecimento nos fatos protagonizados por uma das mais poderosas e compactas igrejas do planeta, num dos países mais católicos do mundo, junto com a Polônia e a Irlanda. Não sabemos se ele conseguiu refrear a saída de fieis da Igreja, já que no ano 2000 menos de 10% do país assistia regularmente a missa. Mas, ele fez grandes esforços e até permitiu a jornalistas estrangeiros que redigissem biografias sobre ele, e escreveu sua própria versão de sua vida, tentando refutar algumas dúzias de testemunhos que o acusavam de ter participado ativamente na ditadura. Ele fez um trabalho similar ao de Pio XII, quando, depois da guerra, tentou disfarçar, sem nenhum sucesso, a estreita colaboração do Vaticano com o nazismo.
Mas, antes de 1983, como era a relação de Francisco com a ditadura?
Jesuítas e Crianças
Como em muitos outros países, uma minoria de padres apoiou a causa dos direitos humanos e teve certa militância no que foi chamado “Teologia da Libertação”.
Dois deles foram os jesuítas Orlando Dorio e Francisco Jalic, que propagavam uma visão social do cristianismo em favelas e bairros populares. Estes padres foram capturados pelos esquadrões da morte dos militares e submetidos a tortura, mas conseguiram sobreviver. Enquanto Jalic se fechou num mosteiro alemão e nunca mais falou de seu passado (e, possivelmente, nunca voltou a Argentina), Dorio acusou explicitamente a Bergoglio, que era a máxima autoridade de jesuítas, de ter negado proteção, e ter permitido que ele fosse capturado.
Em vários dos links citados, especialmente no editado pela UNISINOS, há numerosos detalhes que descrevem, em total, uma quantidade apreciável de testemunhas. Embora a mídia brasileira tenha ignorado estas afirmações e diga que são simples conjecturas, um número tal de testemunhas seria possivelmente aceito por um tribunal penal.
Bergoglio usou por duas vezes os privilégios de não acatar as decisões da justiça, privilégio que a Argentina concede aos bispos, que têm um fórum privilegiado equivalente ao dos deputados, senadores e presidentes. Em função disso, recusou dar depoimento aos tribunais que julgaram os crimes contra a humanidade na época da ditadura.
Bergoglio aceitou, porém, comparecer a uma terceira intimação, quando a pressão dos milhares de vítimas se tornou muito intensa.
Segundo a advogada Myriam Bregman, que trabalha em direitos humanos, as afirmações de Bergoglio, quando aceitou ir aos tribunais, mostram que ele e outros padres eram coniventes com os atos praticados pela ditadura. Ele, porém, não foi indiciado, também com base na “falta” de provas.
Em 1977, a família De la Cuadra - formada por ativos defensores de direitos humanos (cuja matriarca Licha, 1915-2008, foi condecorada pelos governos democráticos posteriores à ditadura) - teve sequestrados cinco de seus membros, dos quais apenas um reapareceu muito depois.
O padre Bergoglio se recusou a indagar onde eles estavam e até a ajudar a procurar uma criança recém nascida, filha de uma das mulheres desaparecidas.
Em algumas ocasiões, o Santo Padre não pode refutar que a ditadura argentina tinha feito numerosas atrocidades, mas argumentou que isso foi uma resposta provocada pela esquerda, que, segundo ele, também teria usado o terror. Este infame argumento, como todos sabem, foi fortemente repudiado em todos os países que tiveram ditaduras recentemente.
Durante o governo de Néstor Kirchner e, após, o de sua esposa, Cristina Fernández, o atual papa, mantendo seu estilo “sutil”, aproveitou para criticar muitas vezes ao governo (que, como o governo brasileiro, subiu ao poder pelo voto popular), o acusando de ditatorial, de gerar o caos, de defender pessoas de vida sexual “abominável”, etc.
Com seu estilo aparentemente moderado, Bergoglio teve certo sucesso onde outros padres, que pregaram abertamente a tortura e o genocídio dos ateus e marxistas, fracassaram. Com efeito, apesar de ser unanimemente repudiado pelos defensores de direitos humanos, inclusive os católicos, ele nunca foi processado, como aconteceu com o padre Wernich, e até conseguiu forjar uma máscara de tolerância.
A Luz Protegida
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O Papa pobre, no suntuoso Vaticano
Pouco a pouco nos acostumamos a ouvir e a ver, através dos meios de comunicação, a crônica negra da sociedade contemporânea... O império do dinheiro, com seus efeitos demoníacos como as drogas, a corrupção, o tráfico de pessoas (incluindo de crianças), junto com a miséria material e moral são frequentes.
Cardeal Jorge Mario Bergoglio, o novo papa
Conservador moderado, preocupado com as mazelas do mundo, intelectual politizado, bem-humorado, discreto, conciliador, amante de livros e poesia, crítico da pobreza e da corrupção, humilde, que prepara as próprias refeições.
Devoto do primeiro Francisco, o de Assis, o Santo dos Pobres e Defensor dos Animais, Papa Francisco I foi eleito ontem, para comandar a Igreja, conduzir um rebanho de 1,2 bilhão de católicos no mundo, transitando no luxuoso Vaticano, com suas intrigas, fogueiras de vaidade e disputas de poder.
Papa Francisco: um príncipe pobre no luxo vaticano
Perfil de homem modesto esconde uma voz sempre disposta a denunciar a pobreza, a corrupção e a desigualdade social
Renata Malkes

O então arcebispo de Buenos Aires,
Jorge Mario Bergoglio AP
Rio — Assim que tornou-se pública a identidade do novo Papa, rótulos surgiram atrelados ao nome de Jorge Mario Bergoglio. “Flexível”, para quem guarda na memória uma imagem de 2001, quando ele lavou e beijou os pés de 12 pacientes com Aids durante visita a um hospital. “Conservador moderado”, na definição de alas da Igreja que veem no argentino alguém que conseguiu conter o avanço de correntes liberais entre os jesuítas, ao mesmo tempo em que representa as mazelas do mundo em desenvolvimento. “Ultraconservador” é a aposta dos argentinos que lembram do então arcebispo de Buenos Aires combativo, firmemente contrário à adoção do casamento gay no país em 2010. E “incógnita”, para quem recorda o ataque desferido em setembro passado contra padres que se recusaram a batizar crianças nascidas fora do casamento na Argentina. O adjetivo que melhor parece definir o ex-arcebispo de Buenos Aires, porém, é outro — humilde.
Aos 76 anos, o primeiro Pontífice jesuíta e latino-americano é conhecido como um intelectual politizado, que desprezou o conforto da moradia oficial da arquidiocese para viver num quartinho simples no segundo andar de um prédio anexo à Catedral de Buenos Aires. Abriu mão de carros oficiais e viajava de ônibus e metrô para realizar seu trabalho pastoral, sendo fiel aos votos de pobreza de São Francisco de Assis, a quem homenageou quando aceitou ontem tornar-se o Papa Francisco. E quem o conhece já questiona como alguém tão modesto vai se adequar à suntuosidade do Vaticano.
Biografia bem antes de chegar à Santa Sé
A retrospectiva da vida do Papa Francisco vai mesmo ao encontro da primeira impressão deixada ontem. No primeiro discurso diante de milhares de fiéis que se aglomeraram na Praça de São Pedro, ele exalou tranquilidade e deixou escapar sorrisos. Passou a imagem de um Pontífice bem-humorado e até brincalhão, que não titubeou ao dizer que a Igreja fora buscá-lo “quase no fim do mundo”. Humano.
Os jornalistas Sergio Rubín, um argentino especializado em religião, e a italiana Francesca Ambrogetti, radicada em Roma, concordam. Desde 2005, a dupla percebeu a personalidade intrigante do cardeal que quase foi eleito Papa e escreveu sua biografia, “O Jesuíta”, lançada em 2010. Baseado numa série de encontros com o então cardeal, o livro relata um Bergoglio quase caricato para um argentino: fã de tango e torcedor apaixonado do San Lorenzo de Almagro, um dos cinco maiores clubes de futebol local, fundado, curiosamente, por um padre salesiano, Lorenzo Massa.
A dupla garante, ainda, que Papa Francisco é bem-humorado, do tipo que conta piadas sobre religião e até sobre os padres. E também gosta de cozinhar a própria comida, tarefa que aprendeu ainda menino, com a mãe.
— Bem, nunca matei ninguém — disse ele, certa vez, em tom de galhofa, sobre o resultado de suas experiências culinárias.
Colegas contam que, nas reuniões do Vaticano, o então cardeal gostava de se sentar nas últimas fileiras. Tentava a todo custo se manter discreto, mas, desde 2005, isso ficou difícil. E a analogia ao futebol é adequada: no conclave que elegeu o cardeal Joseph Ratzinger, fora justamente o jesuíta argentino seu principal desafiante. Segundo um diário anônimo do conclave, que vazou à imprensa em setembro daquele ano, Bergoglio teria recebido 40 votos na terceira votação. Mas acabou desistindo da disputa, em parte, devido a uma denúncia que manchou sua reputação três dias antes da abertura do conclave. Um advogado de direitos humanos entrara com uma ação na Justiça acusando o arcebispo de Buenos Aires de cumplicidade no sequestro de dois padres jesuítas em 1976, sob a ditadura militar argentina. Segundo o vaticanista John Allen Jr., ele também foi vítima de uma campanha negativa por e-mail, aparentemente orquestrada por colegas da Companhia de Jesus. Ele negou veementemente todas as acusações.
Até o fato de ter renunciado àquela disputa com Ratzinger parece ter-lhe rendido pontos na Cúria Romana — ainda que ele não seja um homem de carreira nos círculos administrativos da Igreja. Numa entrevista ao diário “La Stampa”, no ano passado, deu sinais de estar ciente dos problemas da contestada Cúria. Mas apontou-os com sutileza.
— O carreirismo e a busca de uma promoção vêm sob a categoria do mundanismo espiritual. A Cúria Romana tem seus pontos negativos, mas eu acho que muita ênfase é colocada nesses aspectos negativos, e não na santidade dos numerosos sacerdotes e leigos que trabalham nela — declarou.
Esse tom conciliador parece se refletir na própria escolha de Bergoglio para o Trono de Pedro. Nascido em Buenos Aires, em 17 de dezembro de 1936, ele é filho de um ferroviário italiano que emigrou de Turim para a Argentina, onde teve cinco filhos — uma eleição certeira, capaz de apaziguar a majoritária ala italiana da Cúria ao mesmo tempo que acena para o mundo em desenvolvimento.
Sem pulmão, mas com fôlego para a política
O jovem Bergoglio sonhava em ser químico e chegou a completar um curso técnico. Mas, aos 21 anos, optou pelo sacerdócio e, em 1958, entrou na Companhia de Jesus — dez anos depois de perder um dos pulmões devido a uma infecção respiratória. Foi ordenado sacerdote em 1969 e, durante a ditadura argentina, ascendeu ao comando provincial dos jesuítas.
O novo Pontífice fala espanhol, italiano e alemão. Construiu toda sua carreira eclesiástica na Argentina — exceto por dois breves períodos vividos no Chile e na Alemanha, onde estudou. Amante da poesia e dos livros, ele revelou a seus biógrafos ser um leitor voraz, apreciador de Fiódor Dostoiévski e Jorge Luis Borges, “um sábio, um agnóstico que todas as noites rezava o Pai-Nosso porque havia prometido à mãe”. Até a revista do Partido Comunista da Argentina era lida com atenção, embora o Papa tenha ressaltado:
— Nunca fui comunista.
Pelo contrário. Ele chegou até a combater os partidários da Teologia da Libertação e os lampejos marxistas nos anos 70, pois fazia questão de se manter fiel ao Evangelho. A batina, porém, não ofuscou sua vocação para a política. Conhecido pelo enfoque no trabalho pastoral e na obra social, Bergoglio fez das críticas a pobreza e corrupção suas marcas registradas.
Teve, desde 2003, embates duros com o governo kirchnerista. Em suas homilias, atacava não só a situação social da Argentina como o “clima de confrontação política” do país. E depois de irritar o ex-presidente Néstor Kirchner em várias ocasiões, a batalha se estendeu à atual presidente e viúva, Cristina Kirchner, que não raro o acusa de ingerência indevida nos assuntos de Estado.
Os dois, aliás, parecem travar uma guerra particular. A militância de Bergoglio não conseguiu impedir a Argentina de tornar-se o primeiro país latino-americano a autorizar o casamento gay, em 2010. Ou barrar determinações do governo de Cristina, autorizando, por exemplo, a distribuição de anticoncepcionais gratuitos. Certa vez, o então arcebispo disse que as adoções de crianças por casais homossexuais eram uma discriminação contra os menores. A presidente reagiu, classificando as declarações como “da época medieval e da Inquisição”.
Bergoglio cometeu algumas faltas, mas foi jogador de peso na arena nacional de seu país. Agora, porém, será testado como numa Copa do Mundo da religião. E com 1,2 bilhão de católicos no planeta, torcida não faltará para que o Papa da Argentina siga a tradição dos gramados: ataque os adversários, faça gols e leve ao Vaticano a inspiração — e a graça — do futebol azul e branco.
O Globo Online
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quarta-feira, 13 de março de 2013
Vaticano anuncia eleição de Francisco I em site e Twitter
SOCIEDADE MIDIÁTICA
Francisco I no site do Vaticano
Site oficial do Vaticano muda brasão e anuncia escolha do novo Papa
Frase "Habemus Papam Franciscum" foi publicada com a foto do argentino. Brasão da Sé Vacante foi retirado do endereço após anúncio oficial.

Imagem no site do Vaticano anuncia o argentino Jorge Mario Bergoglio
como novo papa (Foto: Reprodução)
O site oficial do Vaticano trocou o brasão que simbolizava a Sé Vacante (período no qual não há um pontífice, após a renúncia do Papa Emérito Bento XVI) pelas famosas palavras em latim que anunciam a escolha do novo Papa, o argentino Jorge Mario Bergoglio, que se chamará Francisco.

Brasão no site do Vaticano foi trocado, anunciando o consenso do
conclave e o novo papa (Foto: Reprodução)
Pouco depois que a fumaça branca apareceu na chaminé da Capela Sistina, o símbolo do site que indicava o período de Sé Vacante foi substituído por “Habemvs Papam”, frase dita também na praça de São Pedro pouco depois do anúncio. Em seguida, após nova atualização, a imagem do novo Papa foi publicada.

Brasão anterior simbolizava a Sé Vacante, desde a renúncia de
Bento XVI (Foto: Reprodução)
A conta oficial da imprensa do Vaticano no Twitter, utilizada para fazer a comunicação dos fiéis, também tuitou uma mensagem com a famosa frase em latim que anuncia o fim do período de Sé Vacante.

Vaticano postou em seu perfil oficial no Twitter que novo papa foi escolhido
(Foto: Reprodução)
No minuto seguinte que a fumaça branca saiu da chaminé da Capela Sistina, em Roma, o perfil tuitou “HABEMUS PAPAM”, seguido de diversos emoticons que parecem comemorar o anúncio da escolha do novo pontífice.
G1
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"Habemus papam"! E ele é argentino!!!...
Deus é brasileiro. Mas o papa é argentino...
Deu zebra ! Papa é argentino, Francisco 1o.

Aos 76 anos de idade, jesuíta Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, é anunciado em Roma; ele ficou em segundo lugar na escolha anterior, de Bento 16, mas não estava entre os favoritos agora; nome escolhido de Francisco indica preocupação social, inspirado em São Francisco de Assis, o santo mais humilde da Igreja Católica; ele tem bom humor: "Parece que meus colegas cardeais foram me buscar do outro lado do mundo", disse em sua primeira frase após dar um "boa noite" aos fiéis que lotaram a Praça de São Pedro; é o primeiro papa não europeu em 1.300 anos; perfil; primeira piada: o papa é argentino, mas Deus é brasileiro
247 - Essa os vaticanistas deixaram passar: tendo ficado em segundo lugar no conclave anterior, que elegeu Bento 16, nesta quarta-feira 13 o argentino Jorge Mario Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires, venceu o conclave, na quinta votação, e foi apresentado ao mundo como novo papa. Ele escolheu o nome de Francisco 1º. É o primeiro papa não europeu em 1.300 anos.
"Buona sera", disse ele, iniciando sua saudação. "Meus irmãos cardeais foram me buscar do outro lado do mundo", disse com bom humor. "Obrigado". Inicialmente, pediu uma oração ao papa emérito Bento 16 e passou a rezar o Pai Nosso. A seguir, uma Ave Maria. "Vamos traçar um caminho de fraternidade e amor", disse ele. "Somos uma grande irmandade".
Ele pediu à multidão "um pequeno favor". Tratou-se de um minuto de silêncio aos fiéis da Praça de São Pedro.
Primeiro pronunciamento demonstrou que Francisco 1º, além do bom humor, é informal. Ele é filho de italianos, nascido em Buenos Aires. Formado em Farmácia, foi professor de Teologia. Tornou-se cardeal em 2001. Sua atuação na Argentina foi sempre voltada para o setor social. Ele já foi duramente criticado pela presidente Cristina Kirchner, depois de ter declarado que filhos adotados por casais homossexuais sofriam discriminação. Pouco afeito às pompas do cargo, ele se acostumou a se locomover, em Buenos Aires, em transporte público -- e sempre gostou de fazer a sua própria comida.
Abaixo, notícia anterior de 247:
247 - Católicos já têm novo Papa. Às 19h06 de Roma, 15h06 de Brasília, saiu fumaça branca da chaminé do Vaticano. Sinos da Basílica de São Pedro tocaram. Na noite de chuva fina e muito frio em Roma, multidão esperou na praça, de olhos postos na chaminé. Festa e emoção. Guarda-chuvas foram sacudidos no ar.
Brasileiro Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, italiano Angelo Scola, de Milão, e húngaro Peter Erda, que corria por fora, eram os favoritos. Decisão dos 115 cardeais se deu na quinta votação e no segundo dia do conclave. Como esperavam os vaticanistas, decisão foi rápida. Para a eleição foram necessários dois terços dos votos, mas Vaticano anunciou que não informará montante exato de cédulas dadas ao vencedor.
Após a eleição, o novo Papa foi levado pela chamada Sala das Lágrimas, onde ele faz um juramento de fidelidade à Igreja. Ali, recebe as vestes de papa. O nome do recinto se dá porque, normalmente, por emoção, o escolhido chora. Primeiro pronunciamento será o Urbi et Orbi, para a cidade e o mundo.
A Igreja Católica entrou dividida no Conclave. O nome do novo papa mostrará se vitória foi do grupo mais conservador, ligado ao carmelengo Tarcísio Bertone, o número dois no papado de Bento 16, que renunciou, ou se os cardeais optaram por uma alternativa nova.
Em Castelgandolfo, Joseph Ratzinger assistiu a tudo pela televisão, como informam as agências internacionais. Ele deixou para o novo papa um relatório de 300 páginas com os problemas da Igreja. Só o novo líder terá acesso ao esse conteúdo.
Brasil 247
O Papa será Pop?
Dom Odilo Scherer, Cardeal Arcebispo de São Paulo, embora de perfil um tanto conservador, está mais do que antenado com a sociedade midiática e digital em que estamos todos imersos. Ele anda de metrô, utiliza um iphone e tem presença ativa nas redes sociais, publicando no Twitter e no Facebook.
Continuemos todos de olho na chaminé da Capela Sistina...
D. Odilo, em seu Facebook
"TWITTEIRO", DOM ODILO PODE SER 1º PAPA LATINO-AMERICANO

Ativo em redes sociais como Twitter e Facebook e presença mais corriqueira em páginas de jornais do que costuma ocorrer com religiosos, o gaúcho dom Odilo Pedro Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo, está no topo da lista de especulações para suceder Bento 16 no comando da Igreja; saiba mais sobre esse defensor ferrenho de questões caras à Igreja, como demonstrou ao atacar a liberação do aborto de fetos anencéfalos
Eduardo Simões e Esteban Israel
SÃO PAULO, 12 Mar (Reuters) - Ativo em redes sociais como Twitter e Facebook e presença mais corriqueira em páginas de jornais do que costuma ocorrer com religiosos, o gaúcho dom Odilo Pedro Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo, tem estado no topo da lista de especulações para suceder Bento 16 no comando da Igreja Católica.
Defensor ferrenho de questões caras à Igreja, como demonstrou ao atacar a liberação do aborto de fetos anencéfalos, dom Odilo, de 63 anos, conhece a Cúria Romana, o núcleo central da Igreja, e, portanto, tem acesso aos cardeais que convivem no cerne do catolicismo, no Vaticano.
O cardeal brasileiro já trabalhou na Santa Sé, de 1994 a 2001, como oficial da Congregação para os Bispos.
E após a nomeação como cardeal arcebispo, participa desde 2008 de conselhos consultivos que auxiliam o papa no Vaticano, como a Comissão de Cardeais para o estudo dos problemas organizativos e econômicos da Santa Sé, daí sua familiaridade com grande parte das questões que afetam a Igreja.
Embora a proximidade com a Cúria Romana possa ajudá-lo a se tornar o primeiro papa latino-americano da história, críticos afirmam que a eleição de dom Odilo aumentaria a centralização da Igreja e afastaria as reformas.
"Se você tiver um Odilo Scherer (como novo papa), você terá retomada essa ideia de centralização de controle da cúria sobre todos os bispos", disse o professor de Política e Ética da Unicamp Roberto Romano.
"Se ele for eleito ele vai representar essa linha que se tornou muito forte a partir do João Paulo 2o. Ele vai ter muito pouco a falar de América Latina. Ele vai falar muito mais de centralização e controle vertical do poder."
Pessoas próximas a dom Odilo afirmam, porém, que em seu cargo atual ele tem trabalhado para tornar a Igreja mais aberta aos fiéis. Como arcebispo de São Paulo, a maior arquidiocese do Brasil, maior país católico do mundo, dom Odilo concentrou boa parte de seus esforços em melhorar a comunicação com os fiéis.
"Ele insistiu muito no trabalho pastoral, abrindo um espaço muito grande para os fiéis leigos", disse o porta-voz da Arquidiocese de São Paulo, Padre Cido Pereira, que convive com dom Odilo desde antes de ele assumir a arquidiocese, em 2007.
METRÔ E IPHONE
Natural de Cerro Largo, no Rio Grande do Sul, dom Odilo foi criado e iniciou sua carreira religiosa na paranaense Toledo, onde foi ordenado padre e chegou a dirigir uma paróquia e onde vive grande parte de sua família.
Com um gosto musical que vai de Beethoven a Chico Buarque, o religioso costuma andar de metrô pela capital paulista e carrega um iPhone 4S para se manter conectado às redes sociais.
"Dom Odilo é uma pessoa muito ativa... É uma pessoa muito alegre", disse o padre Cido Pereira.
Além de sua conta no Facebook e no serviço de microblogs Twitter, onde faz desde reflexões religiosas até piadas com o trânsito de São Paulo a seus mais de 29 mil seguidores, dom Odilo assina artigos publicados no site da arquidiocese na Internet e em jornais de grande circulação.
É conhecido também por ser bastante firme ao tratar de pontos essenciais para a Igreja como aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e pesquisa com células-tronco embrionárias. Além disso, lembra padre Cido Pereira, se de um lado "ele é muito gentil no trato pessoal", de outro "é extremamente exigente nas tarefas que confia às pessoas".
Em 2008 fez uma defesa enfática da oposição da Igreja à liberação do aborto de fetos anencéfalos, que à época estava em discussão no Supremo Tribunal Federal.
"A decisão do STF terá consequências, pois consagrará princípios para a posterior jurisprudência. E aí vai mais uma pergunta: depois dos anencéfalos, qual será o próximo grupo de 'incompatíveis com a vida', de incômodos e indesejados na lista da eliminação?", afirmou no artigo.
A ênfase na defesa de posições da Igreja e a proximidade com a Cúria Romana levaram alguns observadores a colocar dom Odilo como um conservador. O rótulo, no entanto, não é aceito por quem trabalha de perto com o cardeal.
"Nenhum papa, por mais progressista que seja, iria desistir ou iria pregar alguma coisa contra aquilo que faz parte da doutrina da Igreja", disse padre Cido.
"O que nós podemos esperar de um papa progressista, é que ele escute mais, que ele abra a Igreja e que seja mais carinhoso com todo o mundo, que ele tenha uma comunicação mais fácil", disse o porta-voz da Arquidiocese.
Para padre Cido, um exemplo de como essas qualidades podem ser vistas no cardeal está na sua postura em relação às igrejas evangélicas, para onde muitos católicos têm migrado no Brasil, o que, segundo especialistas, poderia minar suas chances no conclave. "Dom Odilo é muito claro nesse sentido: 'nós não vamos jamais entrar em uma guerra religiosa'."
(Reportagem adicional de Bruno Marfinati)
Brasil 247
Destaques do ABC!
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SÃO PAULO, 12 Mar (Reuters) - Ativo em redes sociais como Twitter e Facebook e presença mais corriqueira em páginas de jornais do que costuma ocorrer com religiosos, o gaúcho dom Odilo Pedro Scherer, cardeal arcebispo de São Paulo, tem estado no topo da lista de especulações para suceder Bento 16 no comando da Igreja Católica.
Defensor ferrenho de questões caras à Igreja, como demonstrou ao atacar a liberação do aborto de fetos anencéfalos, dom Odilo, de 63 anos, conhece a Cúria Romana, o núcleo central da Igreja, e, portanto, tem acesso aos cardeais que convivem no cerne do catolicismo, no Vaticano.
O cardeal brasileiro já trabalhou na Santa Sé, de 1994 a 2001, como oficial da Congregação para os Bispos.
E após a nomeação como cardeal arcebispo, participa desde 2008 de conselhos consultivos que auxiliam o papa no Vaticano, como a Comissão de Cardeais para o estudo dos problemas organizativos e econômicos da Santa Sé, daí sua familiaridade com grande parte das questões que afetam a Igreja.
Embora a proximidade com a Cúria Romana possa ajudá-lo a se tornar o primeiro papa latino-americano da história, críticos afirmam que a eleição de dom Odilo aumentaria a centralização da Igreja e afastaria as reformas.
"Se você tiver um Odilo Scherer (como novo papa), você terá retomada essa ideia de centralização de controle da cúria sobre todos os bispos", disse o professor de Política e Ética da Unicamp Roberto Romano.
"Se ele for eleito ele vai representar essa linha que se tornou muito forte a partir do João Paulo 2o. Ele vai ter muito pouco a falar de América Latina. Ele vai falar muito mais de centralização e controle vertical do poder."
Pessoas próximas a dom Odilo afirmam, porém, que em seu cargo atual ele tem trabalhado para tornar a Igreja mais aberta aos fiéis. Como arcebispo de São Paulo, a maior arquidiocese do Brasil, maior país católico do mundo, dom Odilo concentrou boa parte de seus esforços em melhorar a comunicação com os fiéis.
"Ele insistiu muito no trabalho pastoral, abrindo um espaço muito grande para os fiéis leigos", disse o porta-voz da Arquidiocese de São Paulo, Padre Cido Pereira, que convive com dom Odilo desde antes de ele assumir a arquidiocese, em 2007.
METRÔ E IPHONE
Natural de Cerro Largo, no Rio Grande do Sul, dom Odilo foi criado e iniciou sua carreira religiosa na paranaense Toledo, onde foi ordenado padre e chegou a dirigir uma paróquia e onde vive grande parte de sua família.
Com um gosto musical que vai de Beethoven a Chico Buarque, o religioso costuma andar de metrô pela capital paulista e carrega um iPhone 4S para se manter conectado às redes sociais.
"Dom Odilo é uma pessoa muito ativa... É uma pessoa muito alegre", disse o padre Cido Pereira.
Além de sua conta no Facebook e no serviço de microblogs Twitter, onde faz desde reflexões religiosas até piadas com o trânsito de São Paulo a seus mais de 29 mil seguidores, dom Odilo assina artigos publicados no site da arquidiocese na Internet e em jornais de grande circulação.
É conhecido também por ser bastante firme ao tratar de pontos essenciais para a Igreja como aborto, casamento entre pessoas do mesmo sexo e pesquisa com células-tronco embrionárias. Além disso, lembra padre Cido Pereira, se de um lado "ele é muito gentil no trato pessoal", de outro "é extremamente exigente nas tarefas que confia às pessoas".
Em 2008 fez uma defesa enfática da oposição da Igreja à liberação do aborto de fetos anencéfalos, que à época estava em discussão no Supremo Tribunal Federal.
"A decisão do STF terá consequências, pois consagrará princípios para a posterior jurisprudência. E aí vai mais uma pergunta: depois dos anencéfalos, qual será o próximo grupo de 'incompatíveis com a vida', de incômodos e indesejados na lista da eliminação?", afirmou no artigo.
A ênfase na defesa de posições da Igreja e a proximidade com a Cúria Romana levaram alguns observadores a colocar dom Odilo como um conservador. O rótulo, no entanto, não é aceito por quem trabalha de perto com o cardeal.
"Nenhum papa, por mais progressista que seja, iria desistir ou iria pregar alguma coisa contra aquilo que faz parte da doutrina da Igreja", disse padre Cido.
"O que nós podemos esperar de um papa progressista, é que ele escute mais, que ele abra a Igreja e que seja mais carinhoso com todo o mundo, que ele tenha uma comunicação mais fácil", disse o porta-voz da Arquidiocese.
Para padre Cido, um exemplo de como essas qualidades podem ser vistas no cardeal está na sua postura em relação às igrejas evangélicas, para onde muitos católicos têm migrado no Brasil, o que, segundo especialistas, poderia minar suas chances no conclave. "Dom Odilo é muito claro nesse sentido: 'nós não vamos jamais entrar em uma guerra religiosa'."
(Reportagem adicional de Bruno Marfinati)
Brasil 247
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