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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Jornal digital de Yoani Sánchez é bloqueado em Cuba


ABAIXO A CENSURA! LIBERDADE DE EXPRESSÃO!



Já era esperada alguma reação dos irmãos Castro diante do lançamento do jornal digital 14ymedio.com, da blogueira Yoani Sánchez, opositora do regime comunista. Os comandantes da Ilha, que há 50 anos dizem o que os cubanos podem ou não ler, determinaram o bloqueio do site nos servidores de Cuba três horas depois dele entrar no ar.

Yoani já protesta no Twitter: "Não há nada mais atraente que o proibido..."

Blogosfera brasileira autoproclamada "progressista" quietinha, não dá um "piu" sobre o lançamento do portal de notícias da blogueira cubana e seu bloqueio na Ilha de Fidel.



Yoani no programa Roda Viva, Brasil, 2013



Tuítes de Yoani denunciando a censura dos Castro


Site de Yoani Sánchez lançado nesta quarta é bloqueado em Cuba

Portal da blogueira que critica regime cubano foi ao ar nesta quarta-feira.
Acesso para quem vive em Cuba foi bloqueado três horas depois, diz AFP.


Da France Presse



Portal independente cubano 14ymedio entrou no
ar nesta quarta-feira (Foto: Reprodução)

O novo site de notícias '14ymedio' da blogueira opositora Yoani Sánchez foi bloqueado nesta quarta-feira (21) nos servidores cubanos três horas depois de ter sido lançado na internet, comprovaram jornalistas da agência France Presse. No resto do mundo é possível acessar o site.

Ao entrar no site www.14ymedio.com, o conteúdo que aparecia nos servidores cubanos não era o genuíno, mas uma página chamada 'Yoanislandia.com', que continha ataques contra a famosa blogueira opositora cubana e incluía diversos artigos assinados por blogueiros governistas cubanos.

O site foi lançado por Sánchez às 8h05 locais (9h05 de Brasília) e o bloqueio teve início às 11h (12h de Brasília), comprovaram jornalistas da AFP.

O site é o primeiro meio de comunicação independente em 50 anos em Cuba, o portal de notícias '14ymedio', da blogueira opositora Yoani Sánchez, desafiando o controle do governo comunista.

"14ymedio é fruto da evolução de uma aventura pessoal que se transformou em um projeto coletivo", afirma na apresentação o portal (www.14ymedio.com), que entrou no ar às 8h05 locais (9h05 de Brasília), segundo correspondentes da France Presse em Havana.

A primeira edição inclui uma reportagem sobre a violência noturna em Havana e uma entrevista com o escritor opositor Ángel Santiesteban, preso sob acusações de violência intrafamiliar, assim como uma carta de 28 personalidades de todo o mundo, incluindo o Prêmio Nobel de Literatura peruano Mario Vargas Llosa e o ex-presidente polonês e Nobel da Paz Lech Walesa, para que o governo 'respeite o direito' de existência do portal.

"Quando se realiza um projeto que foi desejado por muito tempo, vem a sensação de que devemos traçar novas metas. 14ymedio.com foi minha obsessão por mais de quatro anos", escreveu Sánchez em um artigo publicado no site.


Yoani Sanchéz (Foto: Giovana Sanchez/G1)


Sonho alcançado

"Hoje alcancei um sonho (...), um espaço jornalístico no qual muitos colegas me acompanham. Nasce com o desejo de chegar a muitos leitores dentro e fora de Cuba, de oferecer um espectro completo de notícias, colunas de opinião e dados sobre a realidade de nossa Ilha. Dará muito trabalho, não há dúvidas. Cresceremos pouco a pouco, tentando fazer com que a qualidade acompanhe cada conteúdo publicado", acrescentou Sánchez.


O surgimento do novo meio de comunicação, que também será distribuído em pendrives de mão em mão e por e-mail, foi ignorado até agora pelo governo de Raúl Castro e pelos meios de comunicação da ilha, todos sob controle estatal.

A filósofa e blogueira de 38 anos ganhou fama internacional com seu blog 'Generación Y', o que lhe valeu vários reconhecimentos no exterior.

A imprensa independente foi silenciada na ilha no início da década de 1960 por Fidel Castro.


*

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Yoani Sánchez lança portal de notícias em Cuba


LIBERDADE DE EXPRESSÃO


Enquanto na maior cidade do País, na cidade de São Paulo, no tradicional bairro da Penha (Penha de França), sob um suposto Estado Democrático de Direito, um esquema criminoso tenta calar denúncias da blogueira paulistana Sônia Amorim e inviabilizar o pequeno mas brioso blog "Abra a Boca, Cidadão!", por meio de descabidas ações judiciais com viés intimidatório e outras tantas violências, na Cuba de Fidel, onde há 50 anos vige um regime fechado, hostil a pensamento dissonante, a mundialmente famosa blogueira cubana, Yoani Sánchez, editora do blog Generación Y, acaba de lançar um portal de notícias que pretende oferecer um outro olhar sobre a Ilha comunista.

O portal "14ymedio" (link), projeto coletivo a partir de um sonho pessoal de Yoani, entrou  no ar ontem, com apoio de diversos intelectuais de vários países, que assinam um manifesto publicado na página inaugural.

Vamos acompanhar o trabalho jornalístico de Yoani Sánchez, a Cuba que ela nos mostrará, e as repercussões que este ousado projeto de comunicação provocará no regime cubano e em seus apoiadores e opositores, inclusive no Brasil.

Felicitações à nossa companheira de blogosfera, vida longa ao 14ymedio e um viva à Liberdade de Expressão!



14ymedio.com, o portal de notícias de Yoani Sánchez. Cuba, 20.05.2014

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sábado, 22 de fevereiro de 2014

A tentativa de implosão do Mais Médicos pela máfia do jaleco branco e a embaixada dos EUA


OPINIÃO


O nome disso é escárnio


O sultanato de jaleco branco trata a saúde como um mercado de camelos; alia-se ao conservadorismo retrógrado e tem na embaixada dos EUA um corredor de fuga.

Saul Leblon



Algo outrora inescapável do epíteto de um escárnio contra o povo brasileiro está em curso nos dias que correm.

O ruído que provoca - tanto nas fileiras do governo, quanto nas de segmentos que se avocam à esquerda dele - é incompreensivelmente desproporcional a sua gravidade.

Que as sininhos não badalem e, igualmente, seus carrilhões silenciem, é ilustrativo do fosso existente entre o inflamável alarido anti-Copa bimbalhado nas ruas e a real preocupação com o futuro do país e a sorte da população.

A Associação Médica Brasileira, em sintonia com a embaixada dos EUA e aliada à coalizão demotucana, tendo respaldo e torcida da mídia, opera abertamente para destruir um programa de saúde pública emergencial voltado às regiões e contingentes mais vulneráveis do país.

Não há resguardo das intenções, nem pudor na propaganda da ação.

A entidade que se proclama representante da corporação médica brasileira acolhe e viabiliza deserções de profissionais cubanos fisgados pelo redil conservador em diferentes regiões e municípios.

O Estado brasileiro investirá este ano R$ 1,9 bi em recursos públicos nesse programa, para agregar 43 milhões de atendimentos/ano ao SUS a partir de abril, quando o Mais Médicos atingirá seu efetivo pleno, com mais de 13 mil profissionais em ação, sendo seis mil cubanos.

A embaixada dos EUA no Brasil - em sintonia com a Associação Médica e lideranças dos partidos conservadores - opera abertamente para que não seja assim.

O tripé orienta e encaminha pedidos de vistos especiais, a toque de caixa, para que o maior número de desistentes possa rumar a Miami, onde os espera a estrutura da "Solidariedade Sem Fronteiras".


A ONG de fachada humanitária tem como principal negócio - financiado por recursos orçamentários que a bancada cubana assegura no Congresso - promover e operar deserções em convênios de saúde firmados entre Havana e 66 países nesse momento.

São mais de 43 mil médicos cubanos em ação na América Latina, Ásia e África. Devem atingir um recorde de 50 mil em dois meses, quando o convênio brasileiro estiver plenamente implantado.

Um aspecto da remuneração desses profissionais deliberadamente pouco divulgado é que nem todos os convênios internacionais de Havana são pagos.

Na verdade, dos 66 países assistidos nesse momento apenas 26 se enquadram no que se poderia chamar de prestação de serviços pagos.

Outros 40 países recebem contingentes médicos gratuitamente.

O mesmo ocorre com missões de educação ou esporte.

A ‘exportação’ de serviços rende a Havana, segundo a chancelaria cubana, cerca de US$ 6 bi/ano (três vezes mais que a segunda fonte de divisas do país, representada pelo turismo).

A exportação de serviços pagos - principalmente na área de saúde - financia as missões solidárias destinadas a países de extrema precariedade econômica e material ou focadas em situações de calamidade devastadora.

É assim desde 1960, quando Cuba enviou sua primeira missão de solidariedade ao Chile, vítima de um terremoto.

Eis a principal razão para a diferença entre o salário efetivamente recebido pelo profissional de uma missão e aquilo que o governo cubano arrecada pelo serviço prestado.

Uma parte do saldo financia as missões gratuitas que, repita-se, são a maioria.


Outra sustenta a Escola Latino-americana de Medicina, que possuía em 2013 cerca de 14 mil alunos estrangeiros, gratuitamente cursando ou com subsídio quase integral.

Com pouco mais de 11 milhões de habitantes, Cuba investe pesado em pesquisa na área de saúde e formação de médicos: são quase 83 mil (1/138 habitantes).

O investimento tem duplo objetivo: zelar pela população que tem a menor taxa de mortalidade infantil do mundo, e gerar receita numa economia asfixiada há 50 anos pelo embargo comercial norte-americano.

Também isso se financia através das missões remuneradas.

A ideia de que a doutora Ramona Rodriguez possa ter desembarcado no Brasil desinformada dessas particularidades acerca de seu salário subestima a conhecida determinação de Havana, de ressaltar interna e externamente aquela que é a marca inegável de sua ação internacional: a solidariedade.

A mesma alegação de ignorância tampouco se pode conceder - neste aspecto - ao colunismo isento, que cuida de festejar as deserções - por ora pontuais - como se fossem o preâmbulo de uma diáspora libertária, em marcha épica rumo a Miami.

A participação da embaixada norte-americana no jogo de aliciamento e hipocrisia é ainda mais grave.

Trata-se de uma tentativa de sabotagem de um programa soberano de saúde pública emergencial, cujo desmonte poderá agregar novas vítimas e mais sofrimento num universo de milhões de brasileiros desassistidos.


Se a intrusão é desconcertante, não se pode dizer que surpreenda.

Quando o governo Lula decidiu quebrar a patente de anti-virais, em 2007, a embaixada norte-americana operou para sabotar a medida.

Agiu em contato direto com as múltis do setor farmacêutico, o Departamento de Estado do governo Bush e ‘amigos’ locais - não se sabe se os mesmos que hoje cerram fileiras com o duplo interesse de implodir o ‘Mais Médicos’ e sangrar Havana.

Telegramas secretos da época, obtidos pela organização Knowledge Ecology International (KEI), revelam ameaças de represália enviadas então a Brasília:

“(...) uma licença compulsória pode fazer com que fabricantes de produtos farmacêuticos evitem introduzir novos remédios no mercado e seria mais difícil para o Brasil atrair os investimentos que tanto necessita", relatava um deles sobre o teor de reuniões com autoridades e políticos locais.

Lula oficializaria em maio de 2007 o licenciamento compulsório do anti-retroviral Efavirenz, usado por 75 mil pacientes de Aids atendidos pelo SUS. Um genérico importado da Índia passou a ser usado ao preço de US$ 0,45, contra US$ 1,59 cobrado pela multinacional norte-americana. Uma economia de US$ 30 milhões até 2012.

Volte-se um pouco mais no tempo, até as vésperas do golpe de 64, e lá estarão, de novo, os mesmos protagonistas, com idênticos propósitos.

O embaixador dos EUA, Lincoln Gordon, fileiras udenistas e lacerdistas, múltis do setor farmacêutico e sabujos da mídia, a ganir a pauta da estação.

Eram tempos de inflação galopante e dinheiro curto: a saúde corria risco.

O então ministro da Saúde, Souto Maior, lutava para obter uma redução de 50% sobre os preços de 70 medicamentos mais usados pela população.

Laboratórios das multinacionais abriram guerra contra o tabelamento.

Às favas a saúde: primeiro, os interesses das corporações.

Lembra algo do comportamento atual da embaixada que se orienta pelos mesmos valores e da Associação Médica Brasileira que tanto quanto os abraça?

No famoso comício da Central do Brasil, sexta-feira, 13 de março de 1964, João Goulart decretou a expropriação de terras para fins de reforma agrária, encampou refinarias e anunciou estudos para fabricação estatal de medicamentos no país.

O conjunto era fiel aos preceitos do ‘sanitarismo-desenvolvimentista’, abraçado então pelas fileiras progressistas da medicina brasileira.

Médicos como Samuel Pessoa, Mário Magalhães, Gentile de Melo e Josué de Castro – autor do clássico ‘Geografia da Fome ‘ e primeiro secretário- geral da FAO, que faleceu no exílio, cassado pela ditadura e impedido de retornar ao Brasil mesmo para morrer – eram alguns de seus expoentes.

Profissionais que hoje seriam olhados com suspeita enxergavam a luta pela saúde como indissociável da luta pelo desenvolvimento econômico e humano do país.

Em setembro de 1963, Jango, com apoio deles, restringiu a remessa de lucros da indústria farmacêutica. Mister Lincoln Gordon foi à luta: a USAID retaliou no lombo da pobreza cortando a ajuda no combate à malária – que se destacava como uma das principais doenças tropicais na época.

A ofensiva apenas fortalecia as convicções dos sanitaristas-desenvolvimentistas.

Embora heterogêneos nas filiações ideológicas, seus representantes entendiam que doença e pobreza caminhavam juntas. Como tal deveriam ser enfrentadas em ações soberanas, abrangentes e desassombradas, que rompessem a fragmentária estrutura de uma sociedade retalhada por interesses que não eram os de seu povo.

Compare-se isso com o sultanato de jaleco branco.

Esse que hoje trata a saúde como um entreposto de camelos; alia-se ao conservadorismo mais retrógrado e tem na embaixada dos EUA um corredor de fuga em prontidão obsequiosa.

Bajulado pela mídia, o conjunto quer implodir o ‘Mais Médicos’. 


O nome disso é escárnio. E Brasília deveria dizê-lo claramente à embaixadora gringa, ao chamá-la a prestar esclarecimentos sobre ingerência e sabotagem em assuntos internos.

Carta Maior

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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

SP: Médica cubana é recebida com festa


MAIS MÉDICOS



Quem pode ser contra mais médicos para atender a população carente?

Que venham os cubanos, os venezuelanos, os chilenos, os portugueses, os dinamarqueses, os marcianos...



sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Globo esconde Revolução na Medicina Cubana


CUBA E A REVOLUÇÃO NA MEDICINA


"O revolucionário Ernesto Che Guevara, que era médico, criou e implantou o sistema de saúde comunitária. 

O sistema cubano é uma verdadeira revolução, com o médico vivendo dentro das comunidades. 

Milhões de pessoas foram beneficiadas.

A Medicina de Cuba é um exemplo para o mundo."

                                                                   Jorge Pontual, jornalista da GloboNews



Che, médico e revolucionário, na Plaza de la Revolución, Havana


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Os doutores de Cuba e a doença das elites brasileiras


"MAIS MÉDICOS" E "MAIS SOLIDARIEDADE"



"Um desembarque que em outros países seria motivo de festas, homenagens e bandas de música.

Aqui é emoldurado pelo espetáculo deprimente de uma classe média desprovida de discernimento sobre o país em que vive, o mundo que a cerca e as urgências da sociedade que lhe custeou o estudo.

Para que agora sabotasse a assistência cubana aos seus segmentos mais vulneráveis, aos quais ela se recusa a atender. (...)"


"Ética médica, solidariedade, internacionalismo e humanismo formam uma constelação incompreensível a quem divide o mundo entre consumidores e escravos."




Cubanos chegam e já diagnosticam a doença no Brasil


Saul Leblon

Eles desembarcaram há apenas quatro dias.

Ainda nem começaram a trabalhar. Mas alguma coisa de essencial já foi diagnosticada entre nós, apenas com a sua presença.

Uma foto estampada na Folha de S. Paulo desta 3ª feira sintetiza a radiografia que essa visita adicionou ao diagnóstico da doença brasileira.

Um médico negro avança altivo pelo corredor polonês que espreme a sua passagem na chegada a Fortaleza, 2ª feira.


O funil do constrangimento é formado por jovens de jaleco da mesma cor alva da pele.

Uivam, vaiam, ofendem o recém-chegado.

Recitam um texto inoculado diuturnamente em sua mente pelas cantanhêdes, os gasparis e assemelhados.

Centuriões de um conservadorismo rasteiro, mas incessante.

É força de justiça creditar a esse pelotão a paternidade da linhagem, capaz de cometer o que a foto cristalizou para a memória destes tempos.

“Escravo!” “Escravo!” “Escravo!”.

Ecoa a falange cevada no pastejo da semi-informação, do preconceito e das tardes em shopping center.

Foi programada para cumprir esse papel, entre outros, de consequências até mais letais para a democracia e a civilização entre nós.


Um desembarque que em outros países seria motivo de festas, homenagens e bandas de música.

Aqui é emoldurado pelo espetáculo deprimente de uma classe média desprovida de discernimento sobre o país em que vive, o mundo que a cerca e as urgências da sociedade que lhe custeou o estudo.

Para que agora sabotasse a assistência cubana aos seus segmentos mais vulneráveis, aos quais ela se recusa a atender.

Os alvos da fúria deixaram família, rotinas e camaradagem para morar e socorrer habitantes de localidades das quais nunca ouviram falar.

Mas que a maioria dos brasileiros também sequer desconfia que existam.

Com o agravante de que ali talvez jamais pousem seus pés. Coisa que os cubanos farão. Por três anos.


E que graças a eles, agora saberemos que existem.

Se o governo for safo – espera-se que seja – fará do Mais Médicos uma ponte de conexão de nós com nós mesmos.

O futuro da democracia agradecerá.

Os pilares dessa ponte, de qualquer forma, são os que transitam agora altivos diante da recepção que indigna o Brasil aos olhos do mundo.

Perfis médicos ainda improváveis entre nós, apesar do Prouni e das cotas satanizadas pela mesma cepa mental adestrada em compor corredores e funis.

Nem sempre físicos, como agora.

Mas permanentemente intolerantes, na defesa da exclusão e do privilégio.


Formados em uma ilha do Caribe desguarnecida de recursos, por uma escola de medicina que contorna a tecnologia cara, apurando a excelência do exame clínico – aquele em que o médico demora uma hora ou mais com o paciente, rastreando o seu metabolismo – eles passarão a cuidar da gente brasileira pobre e anônima. (Leia a excelente entrevista de Najla Passos com a doutora Ceramides Carbonell sobre a formação de um médico em Cuba).

Campos Alegres de Lourdes, Mansidão, Carinhanha, beira do São Francisco, Cocos, Sítio do Quinto, Souto Soares... Quem conhece esse Brasil?

É para lá que eles vão. E para mais 3.500 outras localidades.

Um Brasil esquecido, em muitos casos, mantido na soleira da porta, do lado de fora do mercado e da cidadania.

Que sempre esteve aí. Mas que agora, pasmem, terá um sujeito interessado em ouvir o que sua gente tem a dizer, esforçando-se por entender pronúncias que até nós, os locais, teríamos dificuldade de discernir.


O ‘doutor de Cuba’ de fala estrangeira e jeito parecido com a gente estará ali.

A examinar, apalpar dores, curar vermes, prescrever cuidados, encaminhar cirurgias, ouvir e confortar.

Com remédios, atenção e esperança.

Houve um tempo em que essas expedições a um Brasil distante do mar eram feitas por brasileiros, e de classe média.

Protagonistas de um relato épico, de nacionalismo não raro ingênuo. Mas que aproximava e treinava o olhar do país sobre ele mesmo.

Coisa que a hiper-conexão disponível agora poderia fazer até melhor.


Não fosse a determinação superior de afastar e dissimular, o que muitas vezes se alcança destacando o pitoresco.

Em detrimento do principal: as questões do nosso tempo, do nosso desenvolvimento, as escolhas que elas nos cobram. E os interesses que as bloqueiam.

Tivemos a Coluna Prestes, nos anos 20. 

Os irmãos Vilas Boas, apoiados por malucos como Darcy Ribeiro e entusiastas como Antonio Calado, fizeram isso nos anos 40/50 e início dos 60, quando foi criado o Parque Nacional do Xingu.

Trouxeram a boca do sertão para mais perto do olhar litorâneo e urbano.

Desbastavam distâncias a facão. 

Na raça, traziam horizontes, aproximavam rios, tribos, desafios e, de alguma forma, semeavam um espírito de pertencimento a algo maior que a linha do mar e a calçada de Copacabana. 

A utopia geográfica, se por um lado borrava os conflitos de classe, ao mesmo tempo colidia com o país real que os esperava em cada socavão, de trincas sociais, fundiárias, étnicas e econômicas avessas à neblina da glamurização.

Paschoal Carlos Magno, a UNE e o CPC, o Centro Popular de Cultura, fariam o mesmo nos anos 60, antes do golpe militar.

As famosas ‘Caravanas do CPC’ rasgaram o mapa do sertão.

Desceriam o São Francisco nas gaiolas lendárias para garimpar e irradiar a cultura popular em lugares onde agora, possivelmente, um doutor cubano irá se instalar.

Caso de Carinhanha, por exemplo, um dos mais belos entardeceres do São Francisco.

Onde foi que a seta do tempo se quebrou?


Por que já não seduz a grande aventura de nossa própria construção?

Uma leitora de Carta Maior, Odette Carvalho de Lima Seabra, resume em comentário enviado ao site o núcleo duro do problema. 

“A geração dos nossos jovens doutores”, escreve, “ jamais compreenderá de que se trata. Foram criados nos shopping centers. A escola secundária limitadíssima no seu alcance humanístico os fez também vítimas sem que o saibam que são. Uma revolução que durou vinte anos e cujo sentido era o de esvaziar de sentido a vida de todos nós deixou no seu rescaldo, esse bando de jovens, como são os nossos doutores, muito alienados. É tempo de aprender com os cubanos”, conclui Odette.

Colocado nos seus devidos termos, o impasse readquire a clareza histórica de que se ressente a busca de soluções.

Entre indignado e estupefato, o conservadorismo nega aos visitantes cubanos outra referência de exercício da medicina que não a dos valores argentários.

Ética médica, solidariedade, internacionalismo e humanismo formam uma constelação incompreensível a quem divide o mundo entre consumidores e escravos.

À esquerda, no entanto, cabe também evitar simplificações.

Se quiser enxergar a real abrangência das tarefas em curso, é preciso admitir que não estamos diante de uma batalha entre anjos e demônios.

Os médicos do Caribe não nascem bonzinhos. Tampouco endemoninhados, os dos trópicos.

Eles são formados assim. Por instituições.

A escola, por certo, mas a mídia, sem dúvida, que a completa pelo resto da vida.

É vital que o governo, lideranças sociais e os intelectuais compreendam o fundamental em jogo.

Se quisermos colher frutos duradouros com o ‘Mais Médicos’, o passo seguinte do programa terá que ser a reforma universitária brasileira.

Que reaproxime universidade e a juventude das grandes tarefas coletivas do nosso tempo.

As diferenças entre a formação do cubano hostilizado na chegada a Fortaleza, e aqueles que o ofendiam não são apenas de ordem técnica.

Mas, sobretudo, de discernimento diante do mundo.

A ponto de um não achar estranho sair de seu país para ajudar um outro.

Nem considerar despropositado que parte de seu ganho se transforme em fundo público de reinvestimento.

O oposto das convicções dos que o agraciavam com o corolário de sua própria servidão.

Esse talvez seja o aspecto mais chocante da visita que acaba de chegar.

E, sobretudo, o mais instrutivo.

Ela escancara a doença social que corrói o nosso metabolismo. E adverte para as limitações que irradia.

Na sociedade que estamos construindo.

Na mentalidade que vai se sedimentando. No risco que ela incide sobre o todo.

Para que o ‘Mais Médicos’ um dia possa ser dispensável, o Brasil precisa se tornar ele próprio um grande ‘Mais Solidariedade’.

Como faz Cuba desde 1959, com todos os seus erros, acertos e percalços.


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Médicos cubanos: "escravos da saúde e dos doentes"


MAIS MÉDICOS




                                                                                                Facebook


Xenofobia, racismo, assédio moral.

É isso o que os médicos cubanos estão sofrendo ao desembarcar para trabalhar legalmente no Brasil, trazidos pelo programa Mais Médicos, do governo federal.

Gente que se julga civilizada, elitezinha metida a besta, totalmente sem noção de cidadania, promovendo hostilidades e um festival de ignorância e selvageria.

Ordenamento jurídico neles!

Vejam o vídeo.





"SEREMOS ESCRAVOS DA SAÚDE E DOS DOENTES"


:
A frase foi dita pelo médico cubano Juan Delgado, de 49 anos, que foi vaiado e hostilizado por médicos do Ceará, numa imagem que envergonhou o Brasil e, postada no 247, foi compartilhada por 185 mil pessoas; ao desembarcar no Brasil, foi chamado de "escravo" e se disse "impressionado" com a manifestação. "Isso não é certo, não somos escravos. Os médicos brasileiros deveriam fazer o mesmo que nós: ir aos lugares mais pobres para prestar assistência"; que sirva de lição aos médicos que agiram com selvageria em Fortaleza e também a seus detratores na mídia brasileira; Conselho Federal de Medicina ainda não condenou agressão, que descamba para xenofobia e racismo


Leia mais no Brasil 247 clicando aqui.


terça-feira, 27 de agosto de 2013

"Médicos" brasileiros vaiam MÉDICOS cubanos


Eles não querem deixar regiões nobres das grandes e médias cidades brasileiras para trabalhar em regiões pobres e afastadas.

Eles querem que o povão se dane, viva aos trancos e barrancos, morra à míngua, sem atendimento.

Eles não aceitam que médicos estrangeiros sejam contratados pelo governo federal para atender cidadãos brasileiros que moram em localidades longínquas onde eles não querem ir.

Eles atacam, hostilizam, ameaçam médicos cubanos que colocam o humanitarismo e a solidariedade em primeiro lugar.

Eles se dizem médicos, mas são na verdade mercadores, comerciantes, uma elitizinha metida a besta, que tem nojo de pobre, que usa seus diplomas, muitos conseguidos em universidades públicas, para alcançar status social e econômico e alimentar seus delírios de grandeza.

E você? Gostaria de ser atendido por uma dessas?



MÉDICOS BRASILEIROS ENVERGONHAM O PAÍS


(3931) Armando Paiva: FORTALEZA, CE, 26.08.2013: MAIS MÉDICOS/CE -  Manifestantes ligados ao Sindicato dos Médicos do Ceará (Simce) , realizam protesto durante a saída do grupo de 79 médicos selecionados pelo programa Mais Médicos, do governo Federal, participavam de curso na
A foto acima diz tudo; um médico cubano negro, que chegou ao Brasil para trabalhar em um dos 701 municípios que não atraíram o interesse de nenhum profissional brasileiro, foi hostilizado e vaiado por jovens médicas brasileiras; com quem a população fica: com quem se sacrifica e vai aos rincões para salvar vidas ou com uma classe que lhe nega apoio?

Leia a matéria completa no Brasil 247, clicando aqui.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

"Mais Médicos" cubanos e "Menos Mercadores" brasileiros


Não nos importa o salário. Mais do que enriquecer, cumpre ao médico salvar vidas e prestar serviços humanitários.

Assim pensam os médicos cubanos que estão desembarcando no Brasil, contratados pelo governo federal no programa Mais Médicos.

Médicos verdadeiros, não representantes de elites mesquinhas, egocêntricas, que fazem do exercício da medicina trampolim para manter ou aumentar seu status social, que têm nojo de pobre, e que se recusam a prestar serviços em localidades distantes e até nas periferias das grandes cidades, mesmo com altos salários.

Que venham los hermanos cubanos!

Viva Cuba !!!







Médico cubano, doutor coxinha e ódio ideológico da direita

DAVIS SENA FILHO



Como uma pessoa pode ser contra a contratação de médicos estrangeiros se os médicos daqui não querem sair dos lugares onde estão? Como pode uma pessoa ser contra o atendimento médico a brasileiros que não têm acesso a eles?

{Há oito meses fui ao médico}. Estou com tendinite em um dos joelhos. Sinto dor e mal consigo pisar no chão. A dor é lancinante. Estou em uma clínica em Copacabana à espera de ser atendido há mais de três horas. A clínica é uma associação e atende um público acima dos 40 anos. O paciente paga por consulta. Quando lá fui desembolsei R$ 40,00. Muitos idosos que não podem pagar por um plano de saúde procuram ser atendidos nessa clínica. Enfim, o médico chega. Espero alguns minutos e sou chamado.

Abro a porta. Cumprimento o doutor; e ele pede para eu sentar. O médico me olha e diz: "Desculpe pelo atraso, mas eu fiquei preso em um engarrafamento", ao tempo em que completa: "O que você tem?" Informo-lhe da tendinite e a dor. Ele pede para eu me deitar. Começa a examinar o joelho. Mal toca nele. Pergunto-lhe se ele quer que eu levante a calça para ele ver melhor o joelho.

Ele balança a cabeça negativamente, e diz: "Não é preciso. Já sei do que se trata." O doutor senta, pega a caneta e prescreve uma receita, um analgésico para dor. Saio espantado e nunca mais voltei lá. Não generalizo, porque não seria justo, mas são esses os médicos brasileiros que tratam as pessoas com desdém e desconsideração. Não fui pego de surpresa, pois sei dessa conduta praticada pelos médicos há muito tempo, tanto no setor público quanto no privado.

Agora, vamos à pergunta que não quer calar: você acredita mesmo que os jornalistas da imprensa de mercado, os políticos tucanos e os médicos brasileiros corporativistas e elitistas estão preocupados com a saúde do povo brasileiro e com a capacidade profissional dos médicos cubanos?

Vamos a outra pergunta que insiste em não se calar: você acha que a gritaria e o histerismo que acontece é porque o Programa Mais Médicos, além de ter o apoio majoritário da população, é também um processo que pode render muitos votos e por causa disso a direita brasileira, a pior do mundo, está tentando boicotar e sabotar o programa do Governo trabalhista?

Quem respondeu "sim" para as duas perguntas acertou, e, como tirou a nota 10, deve saber também que a criação do Programa Mais Médicos é uma resposta contundente às manifestações de junho, que exigiram dos governos estaduais, das prefeituras e do Governo Federal um Sistema Único de Saúde (SUS) que preste serviços de melhor qualidade para o povo brasileiro.

Evidentemente, a direita escravocrata deste País aproveitou a oportunidade que lhes deram as manifestações para achincalhar e desqualificar o Governo trabalhista, mas o tiro saiu pela culatra, porque a presidenta Dilma Rousseff, segundo as pesquisas, voltou a melhorar seus índices de aprovação, bem como seu governo se deslocou mais à esquerda e tratou de reconquistar a credibilidade por pouco tempo parcialmente perdida com o Programa Mais Médicos.

Além do Mais Médicos, outros programas já existentes estão a ser incrementados e melhorados, bem como o Governo Dilma está prestes a lançar o Programa Mais Professores, o que, indubitavelmente, vai fazer com que os políticos do PSDB e os seus aliados fiquem mais desesperados do que já estão, e consequentemente, com o apoio da imprensa de negócios privados, os tucanos vão recrudescer seus ataques aos principais líderes do PT e autoridades do Governo, a ter ainda como parte do arsenal de acusações e pretensas denúncias as reportagens direcionadas e seletivas de Veja, O Globo, Estadão e Folha de S. Paulo, depois repercutidas pelos jornais da TV Globo e da Globo News.

Os questionamentos da direita brasileira ao Programa Mais Médicos são os mais estapafúrdios possíveis e inquestionavelmente paradoxais. O ódio e o preconceito ideológico movimentam as mentes e as ações desses grupos conservadores, que lutam contra o tempo, a história e a evolução da humanidade. Eles não querem dividir, distribuir, para que possamos ter um Brasil justo e democrático. Apostam na divisão da sociedade e por causa disso manipulam e distorcem a realidade com o apoio da imprensa burguesa.

Acontece que o Programa Mais Médicos vai propiciar o atendimento médico a 701 municípios que foram renegados pelos médicos brasileiros, a maioria oriunda de classes privilegiadas e ex-estudantes de universidades públicas e também particulares, que oferecem cursos de Medicina dos mais caros. Temos um corpo médico alienado socialmente e divorciado das necessidades e dos problemas do povo brasileiro, que, juntamente com os sucessivos maus governos, são também responsáveis pela crise na saúde, afinal quem cuida do setor da saúde são os médicos.

O Brasil tem centenas de municípios sem a presença de médicos. Muitos cidadãos brasileiros nunca foram atendidos por um profissional de saúde formado em Medicina. Nunca os médicos capitalistas e consumistas e que através do tempo esqueceram o juramento de Hipócrates se preocuparam em atender os brasileiros pobres das periferias e das favelas das grandes cidades, bem como se negam a ir para o interior, como demonstrou, inapelavelmente, as inscrições para o Programa Mais Médicos.

Simplesmente os médicos brasileiros, muito deles preconceituosos, de caráteres duros e frios com os seus pacientes, preferem ficar em suas cidades, trabalhar em três empregos e faltar ao trabalho quando são servidores da saúde pública, bem como formar sociedades em clínicas e, por conseguinte, ganhar dinheiro, muito dinheiro em prol de uma vida materialmente estável e prazerosa quando de férias e na hora de se divertir.

Evidentemente que não há problema algum de uma pessoa ou profissional querer ganhar dinheiro e viver de forma confortável. O meu desejo é que todos os brasileiros tenham uma vida assim. Mas não é a realidade que se apresenta e a responsabilidade social é também tão importante quanto a vida boa que os nossos médicos burgueses têm e não abrem mão por um segundo para cooperar com o País e atender àqueles que não têm acesso a quase nada, inclusive ao atendimento médico e hospitalar.

É verdadeiramente lamentável ao tempo que surreal a ação e a conduta de jornalistas conservadores, a exemplo de Eliane Cantanhêde, Augusto Nunes, Reinaldo Azevedo e Ricardo Noblat, que não estão nem aí para o Brasil e o seu povo. Considero também ridículo, extremamente cínico e até mesmo pérfido os ataques de políticos como Aécio Neves, Roberto Freire e Álvaro Dias ao programa que vai levar saúde para os rincões deste País — o Brasil profundo. É um despropósito dessa gente, além de ignomínia inominável.

Os jornalistas e os políticos de direita consideram a vinda dos médicos perigosa. Essa gente é tão ideológica e perversa que cinicamente diz acreditar que tais médicos vão servir como espiões do comunismo internacional. Esses caras, por conveniência política, resolvem voltar à época da Guerra Fria para sabotar não somente o Programa Mais Médicos, mas, sobretudo, os interesses do povo brasileiro, principalmente o pobre, que não tem condições de pagar pela saúde privada, que a classe média coxinha optou, como preferiu também a escola particular, e depois perceber que deu com os burros n'água, porque sustentar durante décadas os vorazes capitalistas desse segmento é dose para mamute quando não para leão.

A verdade é que a imprensa alienígena mente; os políticos do PSDB mentem e parte da classe média coxinha acredita nessas mentiras e repercute no cotidiano de sua vida. Contudo, não tem jeito, e o Programa Mais Médicos tem a aprovação da população brasileira, que na hora da enfermidade quer ficar curada da doença que a vitimou e lhe causa preocupação. A doença não espera e a dor também.


E o que importa é que os médicos cubanos estão entre os melhores, pois eles trabalham no mundo inteiro, a realizar a medicina social e não de fundo capitalista como acontece no Brasil, porque, sem generalizar, os nossos médicos são oriundos de classes privilegiadas, tornaram-se frios e oferecem uma medicina de má qualidade e, o que mais me estarrece, francamente desumanizada.


Os médicos deste País são os maiores responsáveis pela crise na Saúde. E eles sabem por quê. Quando você vê um sem número de médicos bater o ponto e sumir do trabalho, percebemos que tais profissionais se dedicam à causa de somente ganhar dinheiro, em um país fortemente capitalista cuja elite é a propagadora para que sejamos uma sociedade individualista, consumista e indelevelmente egocêntrica, em que se valoriza o que você tem e não quem você é. Os médicos brasileiros são o retrato desse sistema que somente se preocupa com o ter e não com o ser.


E é exatamente por isso que o Conselho Federal de Medicina (CFM), os Conselhos Regionais de Medicina (CRM) e a Associação Médica Brasileira (AMB) estão a gritar, a berrar e a tentar sabotar o Programa Mais Médicos, com a cumplicidade de uma imprensa completamente alienada e voltada para os interesses empresariais. Os médicos coxinhas se recusam a ir para o interior e a periferia, mas, contraditoriamente, não querem que os médicos estrangeiros ocupem as vagas que eles desprezaram. Não é um caso para o Sigmund Freud explicar?


Esses playboys realizam passeatas, inclusive a mostrar faixas e cartazes com dizeres infames, mas não querem que o Governo resolva a falta de médicos. São os médicos pequenos burgueses de vida mansa e que se tornam feras quando têm de defender a reserva de mercado. Tão capitalistas e privatistas quando se trata de apoiar programas e receitas econômicas de políticos que somente tiram do povo, ao tempo que tão cônscios de seus interesses, ainda mais quando o Governo trabalhista, em quem eles não votam, quer distribuir a população médica em todo o País.

Agora a moda é dizer que os médicos cubanos vão ser escravizados. Jornalistas de direita como Augusto Nunes, Eliane Cantanhêde e políticos como Álvaro Dias e Aécio Neves, dentre muitos outros, têm a insensatez e a cretinice de afirmar que o Governo de uma socialista e trabalhista como a presidenta Dilma Rousseff vai escravizar os médicos cubanos. É de um nonsense só. Então, os governos (Lula e Dilma) que mais distribuíram renda e riqueza, que não venderam o patrimônio público, que preservaram as leis trabalhistas vão tornar os cubanos escravos. Inacreditável, não? A verdade é que gente de imprensa como essa perdeu totalmente a razão e a noção do que é até mesmo razoável falar.

O negócio é o seguinte: até para ser cara de pau tem limite e má-fé intelectual também. Só que esses tucanos travestidos de gente preocupada com o destino e o futuro da Nação se contradizem, porque não são sinceros, pois sabemos, como seres humanos, que as pessoas que defendem um mundo para poucos privilegiados têm de mentir, dissimular, manipular e distorcer a verdade e a realidade dos acontecimentos e dos fatos.

Como uma pessoa pode ser contra a contratação de médicos estrangeiros se os médicos daqui não querem sair dos lugares onde estão? Como pode uma pessoa ser contra o atendimento médico a brasileiros que não têm acesso a eles? Não dá para ser contra, concorda? "Então, o que fazer?" — perguntam os reacionários de direita. E eu respondo: "Minta, distorça, manipule e dissimule. Só que não vai dar certo, porque o povo quer médicos e apoia programas como o Mais Médicos por não saber de suas necessidades". Ponto.

A Associação Médica Brasileira se mostrou tão corporativa, elitista e distanciada das realidades do povo brasileiro que entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), no STF, contra o Programa Mais Médicos. A AMB realmente é um órgão de essência empresarial, mas vai perder, porque mesmo com um Supremo de juízes conservadores, tal Tribunal não vai se mostrar tão imprudente a ponto de ser contrário aos interesses do povo brasileiro. Seria demais os juízes se insurgirem contra a população carente para fazer mais uma vez política de oposição ao Governo trabalhista.

Para finalizar, vamos esclarecer: ninguém vai ser escravizado. Os governos trabalhistas foram os que mais combateram o trabalho escravo no Brasil. Quem duvida, que tenha a disposição de consultar os números e índices do Ministério do Trabalho. Então, esse papo da direita e da imprensa alienígena de escravidão dos cubanos é balela, mentira, cinismo e maledicência. Além disso, a remuneração dos médicos de Cuba é paga ao governo cubano porque esses profissionais de saúde são funcionários públicos e estão em missão oficial e no exterior. Não é um trabalho autônomo, como se fosse de um profissional liberal. Ponto.

Por seu turno, é necessário salientar que Cuba é um país socialista e que a população aceita e considera normal que os recursos conseguidos no exterior por uma categoria profissional, a exemplo dos médicos, sejam investidos na sociedade. O trabalho dos médicos no exterior ou de qualquer outra categoria profissional é considerado como dividendos de exportação de serviços e por isso são compartilhados. As empresas brasileiras, notadamente as de engenharia que exercem atividades no exterior, também têm procedimento semelhante em relação aos seus profissionais.

Mesmo assim a direita midiática joga pedras em qualquer iniciativa do governo trabalhista de Dilma Rousseff, a exemplo do que fez com o ex-presidente Lula. Não consideram nada e não se importam com as pessoas, a não ser com os seus patrões, porque precisam garantir seus empregos e privilégios e, por conseguinte, defender os interesses políticos e econômicos dos magnatas bilionários que desejam fazer do Brasil um clube VIP para poucos privilegiados. A preocupação da direita é meramente eleitoral. São os votos do Mais Médicos que deixam os reacionários nervosos e agressivos. 

Bem-vindos os médicos cubanos. É isso aí.

Brasil 247

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