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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Papa Francisco alerta para o egoísmo e a mentira no mundo


"Se amamos a Deus e aos irmãos, andamos na luz; mas, se o nosso coração se fecha, se prevalece em nós o orgulho, a mentira, a busca do próprio interesse, então calam as trevas dentro de nós e ao nosso redor. 'Aquele que tem ódio ao seu irmão – escreve o apóstolo João – está nas trevas e nas trevas caminha, sem saber para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos'."


O primeiro Natal do Papa Francisco 


A versão integral da homilia da Missa da Noite de Natal



Na Missa da Noite de Natal o Papa Francisco proferiu a seguinte homilia:


Basílica de S. Pedro, 24 de Dezembro de 2013


1. «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz» (Is 9, 1). 


Esta profecia de Isaías não cessa de nos comover, especialmente quando a ouvimos na liturgia da Noite de Natal. E não se trata apenas dum fato emotivo, sentimental; comove-nos, porque exprime a realidade profunda daquilo que somos: somos povo em caminho, e ao nosso redor – mas também dentro de nós – há trevas e luz. E nesta noite, enquanto o espírito das trevas envolve o mundo, renova-se o acontecimento que sempre nos maravilha e surpreende: o povo em caminho vê uma grande luz. Uma luz que nos faz refletir sobre este mistério: o mistério do andar e do ver. 

Andar. Este verbo faz-nos pensar no curso da história, naquele longo caminho que é a história da salvação, com início em Abraão, nosso pai na fé, que um dia o Senhor chamou convidando-o a partir, a sair do seu país para a terra que Ele lhe havia de indicar. Desde então, a nossa identidade de crentes é a de pessoas peregrinas para a terra prometida. Esta história é sempre acompanhada pelo Senhor! Ele é sempre fiel ao seu pacto e às suas promessas. «Deus é luz, e n’Ele não há nenhuma espécie de trevas» (1 Jo 1, 5). Diversamente, do lado do povo, alternam-se momentos de luz e de escuridão, fidelidade e infidelidade, obediência e rebelião; momentos de povo peregrino e de povo errante.

E, na nossa história pessoal, também se alternam momentos luminosos e escuros, luzes e sombras. Se amamos a Deus e aos irmãos, andamos na luz; mas, se o nosso coração se fecha, se prevalece em nós o orgulho, a mentira, a busca do próprio interesse, então calam as trevas dentro de nós e ao nosso redor. «Aquele que tem ódio ao seu irmão – escreve o apóstolo João – está nas trevas e nas trevas caminha, sem saber para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos» (1 Jo 2, 11). 


2. Nesta noite, como um facho de luz claríssima, ressoa o anúncio do Apóstolo: «Manifestou-se a graça de Deus, que traz a salvação para todos os homens» (Tt 2, 11).

A graça que se manifestou no mundo é Jesus, nascido da Virgem Maria, verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Entrou na nossa história, partilhou o nosso caminho. Veio para nos libertar das trevas e nos dar a luz. N’Ele manifestou-se a graça, a misericórdia, a ternura do Pai: Jesus é o Amor feito carne. Não se trata apenas dum mestre de sabedoria, nem dum ideal para o qual tendemos e do qual sabemos estar inexoravelmente distantes, mas é o sentido da vida e da história que pôs a sua tenda no meio de nós. 


3. Os pastores foram os primeiros a ver esta «tenda», a receber o anúncio do nascimento de Jesus. Foram os primeiros, porque estavam entre os últimos, os marginalizados. E foram os primeiros porque velavam durante a noite, guardando o seu rebanho. Com eles, detemo-nos diante do Menino, detemo-nos em silêncio. Com eles, agradecemos ao Pai do Céu por nos ter dado Jesus e, com eles, deixamos subir do fundo do coração o nosso louvor pela sua fidelidade: Nós Vos bendizemos, Senhor Deus Altíssimo, que Vos humilhastes por nós. Sois imenso, e fizestes-Vos pequenino; sois rico, e fizestes-Vos pobre; sois onipotente, e fizestes-Vos frágil.

Nesta Noite, partilhamos a alegria do Evangelho: Deus ama-nos; e ama-nos tanto que nos deu o seu Filho como nosso irmão, como luz nas nossas trevas. O Senhor repete-nos: «Não temais» (Lc 2, 10). E vo-lo repito também eu: Não temais! O nosso Pai é paciente, ama-nos, dá-nos Jesus para nos guiar no caminho para a terra prometida. Ele é a luz que ilumina as trevas. Ele é a nossa paz. 


Amém.

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quarta-feira, 20 de março de 2013

Dilma: "O papa é argentino, mas Deus é brasileiro"


A presidenta Dilma Rousseff se encontrou com o Papa Francisco hoje de manhã e já está regressando ao Brasil.


O Papa vem ao Rio de Janeiro em julho e aproveitará para visitar também o Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo.


                                                                                     Foto: Roberto Stuckert Filho/PR


Francisco confirma participação na Jornada Mundial da Juventude e visita ao Santuário de Aparecida

A presidenta Dilma Rousseff foi a primeira chefe de Estado a ser recebida pelo papa Francisco após a missa inaugural do pontificado. Segundo Dilma, o fato foi destacado pelo próprio papa durante encontro no Palácio Apostólico, no Vaticano, na manhã desta quarta-feira (20). A presidenta ainda revelou que Francisco confirmou presença na Jornada Mundial da Juventude, em julho, no Rio de Janeiro, e que pretende visitar a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo.
                                                                     
“Ele estava me dizendo que ele espera uma presença grande dos jovens na medida em que ele é o primeiro papa, ele é várias coisas primeiro: ele é o primeiro Francisco, o primeiro jesuíta, o primeiro latino-americano, o primeiro argentino, e ele espera a presença massiva de jovens. (…) Ele vai, logo depois da grande participação, em Aparecida, e até me lembrou que, em 2007, ele esteve em Aparecida e me deu um livro que é a síntese do que eles fizeram em Aparecida em 2007, que foi uma conferência de bispos latino-americanos”, afirma.

A presidenta também voltou a destacar a importância do compromisso do papa com os pobres e com as populações mais fragilizadas. Para Dilma, essa postura faz com que a relação com o Brasil ganhe em importância, já que o governo vem focando, nos últimos dez anos, a superação da pobreza extrema.

“Ele é uma pessoa extremamente carismática e, ao mesmo tempo, com um grande compromisso com os pobres, o que torna a relação com o Brasil uma relação muito importante para nós. Porque o governo brasileiro vem nos últimos 10 anos, a partir do Lula, focando a questão da superação da pobreza. E é uma política de estado, eu inclusive, expliquei para ele como é que nós estamos, e ele conhecia bastante bem, não houve nenhuma surpresa da parte dele, ele sabia o que nós estávamos fazendo”, completa.

O papa, segundo Dilma, ainda se solidarizou com as vítimas da tragédia em Santa Maria (RS) e disse que o Brasil demonstrou força e ternura.

“ ‘Eu fiquei muito comovido com a questão que ocorreu em Santa Maria e acho que a gente tem na vida que demonstrar força e ternura. Em Santa Maria, o Brasil demonstrou força e ternura’. Eu fiquei muito agradecida também e acho que ele será um papa muito importante para o momento em que todos nós vivemos”, disse.

Por fim, Dilma Rousseff afirmou que a Argentina está de parabéns pela escolha do papa Francisco e brincou ao responder a pergunta de um jornalista argentino sobre o encontro.

“Olha, vocês têm muita sorte. É um grande papa. A Argentina está de parabéns. Agora a gente sempre diz “o papa é argentino, mas Deus é brasileiro”, finaliza.


Blog do Planalto

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terça-feira, 19 de março de 2013

A palavra de Francisco


"Sejamos guardiões da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para guardar, devemos também cuidar de nós mesmos. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo da bondade, ou mesmo da ternura."






Queridos irmãos e irmãs!

Agradeço ao Senhor por poder celebrar esta Santa Missa de início do ministério petrino na solenidade de São José, esposo da Virgem Maria e patrono da Igreja universal: é uma coincidência densa de significado e é também o onomástico do meu venerado Predecessor: acompanhamo-lo com a oração, cheia de estima e gratidão.

Saúdo, com afeto, os irmãos cardeais e bispos, os sacerdotes, os diáconos, os religiosos e as religiosas e todos os fiéis leigos. Agradeço, pela sua presença, aos representantes das outras igrejas e comunidades eclesiais, bem como aos representantes da comunidade judaica e de outras comunidades religiosas. Dirijo a minha cordial saudação aos chefes de Estado e de governo, às delegações oficiais de tantos países do mundo e ao corpo diplomático.

Ouvimos ler, no Evangelho, que “José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor e recebeu sua esposa” (Mt 1, 24). Nestas palavras, encerra-se já a missão que Deus confia a José: ser custos, guardião. Guardião de quem? De Maria e de Jesus, mas é uma guarda que depois se alarga à Igreja, como sublinhou o Beato João Paulo II: “São José, assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho jubiloso à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo místico, a Igreja, da qual a Virgem Santíssima é figura e modelo” (Exort. ap. Redemptoris Custos, 1).Como realiza José esta guarda? Com discrição, com humildade, no silêncio, mas com uma presença constante e uma fidelidade total, mesmo quando não consegue entender. Desde o casamento com Maria até ao episódio de Jesus, aos doze anos, no templo de Jerusalém, acompanha com solicitude e amor cada momento. Permanece ao lado de Maria, sua esposa, tanto nos momentos serenos como nos momentos difíceis da vida, na ida a Belém para o recenseamento e nas horas ansiosas e felizes do parto; no momento dramático da fuga para o Egito e na busca preocupada do filho no templo; e depois na vida quotidiana da casa de Nazaré, na carpintaria onde ensinou o ofício a Jesus.

Como vive José a sua vocação de guardião de Maria, de Jesus, da Igreja? Numa constante atenção a Deus, aberto aos seus sinais, disponível mais ao projeto d’Ele que ao seu. E isto mesmo é o que Deus pede a David, como ouvimos na primeira Leitura: Deus não deseja uma casa construída pelo homem, mas quer a fidelidade à sua palavra, ao seu desígnio; e é o próprio Deus que constrói a casa, mas de pedras vivas marcadas pelo seu Espírito. E José é “guardião”, porque sabe ouvir a Deus, deixa-se guiar pela sua vontade e, por isso mesmo, se mostra ainda mais sensível com as pessoas que lhe estão confiadas, sabe ler com realismo os acontecimentos, está atento àquilo que o rodeia, e toma as decisões mais sensatas. Nele, queridos amigos, vemos como se responde à vocação de Deus: com disponibilidade e prontidão; mas vemos também qual é o centro da vocação cristã: Cristo. Guardemos Cristo na nossa vida, para guardar os outros, para guardar a criação!

Entretanto a vocação de guardião não diz respeito apenas a nós, cristãos, mas tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana e diz respeito a todos: é a de guardar a criação inteira, a beleza da criação, como se diz no livro de Gênesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos. É guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração. É cuidar uns dos outros na família: os esposos guardam-se reciprocamente, depois, como pais, cuidam dos filhos, e, com o passar do tempo, os próprios filhos tornam-se guardiões dos pais. É viver com sinceridade as amizades, que são um mútuo guardar-se na intimidade, no respeito e no bem. Fundamentalmente tudo está confiado à guarda do homem, e é uma responsabilidade que nos diz respeito a todos. Sede guardiões dos dons de Deus!


E quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não cuidamos da criação e dos irmãos, então encontra lugar a destruição e o coração fica ressequido. Infelizmente, em cada época da história, existem Herodes que tramam desígnios de morte, destroem e deturpam o rosto do homem e da mulher.

Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito econômico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos guardiões da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para guardar, devemos também cuidar de nós mesmos. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo de bondade, ou mesmo de ternura. A propósito, deixai-me acrescentar mais uma observação: cuidar, guardar, requer bondade, requer ser praticado com ternura. Nos Evangelhos, São José aparece como um homem forte, corajoso, trabalhador, mas, no seu íntimo, sobressai uma grande ternura, que não é a virtude dos fracos, antes pelo contrário denota fortaleza de ânimo e capacidade de solicitude, de compaixão, de verdadeira abertura ao outro, de amor. Não devemos ter medo da bondade, da ternura!

Hoje, juntamente com a festa de São José, celebramos o início do ministério do novo Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, que inclui também um poder. É certo que Jesus Cristo deu um poder a Pedro, mas de que poder se trata? À tríplice pergunta de Jesus a Pedro sobre o amor, segue-se o tríplice convite: apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas. Não esqueçamos jamais que o verdadeiro poder é o serviço, e que o próprio Papa, para exercer o poder, deve entrar sempre mais naquele serviço que tem o seu vértice luminoso na Cruz; deve olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé, de São José e, como ele, abrir os braços para guardar todo o Povo de Deus e acolher, com afeto e ternura, a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais fracos, os mais pequeninos, aqueles que Mateus descreve no Juízo final sobre a caridade: quem tem fome, sede, é estrangeiro, está nu, doente, na prisão (cf. Mt 25, 31-46). Apenas aqueles que servem com amor capaz de proteger.

Na segunda leitura, São Paulo fala de Abraão, que acreditou “com uma esperança, para além do que se podia esperar’ (Rm 4, 18). Com uma esperança, para além do que se podia esperar! Também hoje, perante tantos pedaços de céu cinzento, há necessidade de ver a luz da esperança e de darmos nós mesmos esperança. Guardar a criação, cada homem e cada mulher, com um olhar de ternura e amor, é abrir o horizonte da esperança, é abrir um rasgo de luz no meio de tantas nuvens, é levar o calor da esperança! E, para o crente, para nós cristãos, como Abraão, como São José, a esperança que levamos tem o horizonte de Deus que nos foi aberto em Cristo, está fundada sobre a rocha que é Deus.

Guardar Jesus com Maria, guardar a criação inteira, guardar toda a pessoa, especialmente a mais pobre, guardarmo-nos a nós mesmos: eis um serviço que o Bispo de Roma está chamado a cumprir, mas para o qual todos nós estamos chamados, fazendo resplandecer a estrela da esperança: Guardemos com amor aquilo que Deus nos deu! Peço a intercessão da Virgem Maria, de São José, de São Pedro e São Paulo, de São Francisco, para que o Espírito Santo acompanhe o meu ministério, e, a todos vós, digo: rezai por mim! Amém.

                                                                                                    Papa Francisco
                                       Homilia da missa de inauguração de seu pontificado

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Papa Francisco manda mensagens pelo Twitter


Como São Francisco de Assis, defensor dos pobres, dos mais frágeis e dos animais, Papa Francisco diz em homilia na missa inaugural de seu pontificado:

Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito econômico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos guardiões da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo.


Papa Francisco é antenado com a Nova Era, com o mundo digital. Ele é tuiteiro e após a missa de inauguração de seu pontificado está mandando mensagens no Twitter para seus mais de 2 milhões de seguidores e para toda a humanidade: 

"Guardemos um lugar para Cristo em nossas vidas, cuidemos um do outro e sejamos guardiões amorosos da criação."


@Pontifexmmmm

Vaticano Ao Vivo: Papa Francisco reza missa inaugural do Pontificado


Globo News transmite ao vivo, neste momento, diretamente de Roma, a missa inaugural do Pontificado do Papa Francisco.

Papa Francisco, como São Francisco de Assis, pede que todos cuidemos da criação, de todos os seres viventes, e que cuidemos também de nós, de nossos sentimentos, da bondade e da ternura, para afastar o ódio, a inveja e a soberba, que são destrutivas...

Assista conosco clicando aqui.



Após a missa, os cumprimentos dos chefes de Estado.

Presidenta Dilma Rousseff diz ao pontífice: "Não se esqueça dos pobres!"


Papa Francisco é antenado com a Nova Era, com o mundo digital. Ele é tuiteiro e há pouco mandou uma mensagem no Twitter para seus mais de 2 milhões de seguidores: 

"Guardemos um lugar para Cristo em nossas vidas, cuidemos um do outro e sejamos guardiões amorosos da criação."


Conheça o Site Oficial do Vaticano em português clicando aqui.
mmConheça o Site Oficial domm

segunda-feira, 18 de março de 2013

"Nunca um Papa me beijou", diz Cristina Kirchner


A relação cheia de turbulência entre os famosos argentinos começa a ficar mais amena. Cristina e Francisco almoçaram juntos e trocaram presentes.

Presidenta Dilma também já está em Roma e amanhã deve encontrar o Papa.




"Nunca um Papa me beijou", diz Cristina em encontro com Francisco

Apesar da relação tensa, presidente da Argentina e Papa trocaram afagos e presentes em almoço no Vaticano


Presidente Cristina Kirchner e o Papa Francisco se cumprimentam em encontro oficial 
no Vaticano / AFP

ROMA - Em um encontro oficial, mas com tom informal, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, almoçou com o Papa Francisco na Residência Santa Marta, no Vaticano. Entre risos, eles conversaram, trocaram presentes e a mandatária até ganhou um beijo do Pontífice.

- Posso tocá-lo? Nunca um Papa me beijou - disse Cristina.

De acordo com o jornal “La Nación”, Jorge Bergoglio, eleito Papa na última semana, cumprimentou Cristina de forma calorosa, que o presenteou com um mate. Antes do almoço, os argentinos conversaram entre 15 e 20 minutos.

Cristina apresentou ao Pontífice o chanceler Héctor Timerman, o embaixador no Vaticano, Juan Pablo Cafiero, o secretário de Comunicações, Alfredo Soccima, e seu secretário, Martín Aguirre.

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, afirmou que não haveria um comunicado da Santa Sé sobre o almoço porque era uma “visita informal”. Trata-se da primeira reunião de Bergoglio com um chefe de Estado após o conclave. A próxima da fila é a presidente Dilma Rousseff, que deve encontrar com o Papa Francisco nesta terça-feira.

Apesar da troca de afagos, o ex-arcebispo de Buenos Aires e Cristina mantêm uma relação tensa. Por reiteradas vezes, Bergoglio criticou em suas homilias a corrupção e a pobreza na Argentina. Após a escolha de Bergoglio, a Casa Rosada divulgou um comunicado frio para saudar o novo Papa e pediu ao argentino que tivesse um trabalho “significante para a religião”.

sábado, 16 de março de 2013

Papa Francisco receberá Cristina Kirchner


A presidenta da Argentina Cristina Kirchner e a presidenta Dilma Rousseff estarão entre os cerca de 150 chefes de Estado que devem acompanhar na terça, 19, em Roma a coroação do Papa Francisco, argentino e ex-arcebispo de Buenos Aires.

                                                                  Imagem/Portal do Vaticano


Cristina será a primeira Chefe de Estado a ser recebida pelo Papa

quinta-feira, 14 de março de 2013

Os segredos de Francisco (o Papa)



                                                                                         Site Oficial do Vaticano


Os Segredos do Santo Padre

Carlos Alberto Lungarzo

Não é um segredo para ninguém o fato de que a totalidade das hierarquias católicas são inimigas da homossexualidade (alheia), condenam o aborto até de fetos anencefálicos (o aborto voluntário é admitido por todos os países europeus, salvo Espanha), advogam pelo celibato sacerdotal, proíbem o sexo por prazer, consideram a mulher um ser inferior etc.

Inclusive o aborto e o homoerotismo são criticados pela assim chamada “Teologia da Libertação”, tida como minoria progressista da Igreja.

Tampouco é novidade a histórica aliança de 1700 anos entre a Igreja e as grandes ordens de Cavalheiros e, depois, dos exércitos regulares, o que culminou no século XX com o apoio ao fascismo e a sua versão mais truculenta, o sangrento franquismo espanhol.

Dizer que o novo papa, Francisco, compartilha esses valores seria uma redundância.

Mas há alguns “segredos” na vida do pontífice que nem todos conhecem fora de seu país de origem. De fato, quando ele foi proclamado Papa, milhões de pessoas no mundo devem ter comprado um mapa para saber onde tinha nascido aquele homem de aspecto simpático e humilde, e biotipo de italiano do Norte. É natural que alguns desses detalhes não se conheçam.

Para os que desejem informar-se, há numerosos artigos na Internet, e até alguns livros, cujo conteúdo o próprio Francisco tentou rebater num contra-livro, só em 2010, quando sua condição de um dos grandes favoritos (já insinuada em 2005, quando ganhou o segundo lugar após Ratzinger) se tornou mais concreta.

Os interessados podem ver, entre outros muitos, os seguintes links:

http://www.redebrasilatual.com.br/temas/internacional/2013/03/novo-papa-e-associado-a-sequestros-de-jesuitas-e-de-bebe-durante-ditadura

http://www.cbsnews.com/8301-202_162-57574147/jorge-bergoglio-who-is-the-new-pope/

http://www.advivo.com.br/blog/antonio-ateu/vaticanao-o-papa-da-ditadura-militar-argentina

O leitor encontrará também outros textos, alguns escritos por organizações que assinam como católicas. Eventualmente, como em todos os casos, alguns textos podem não ser 100% verídicos, mas eu não estou fazendo uma acusação. Estou apenas informando de acusações feitas por outros, e cabe ao leitor se perguntar: “Qual seria o interesse dessas pessoas em criticar um humilde servidor de Deus?”

A Argentina voltou à normalidade democrática em 1983 quando o então padre Bergoglio estava com 47 anos. Nessa época, o atual papa era reitor do Colégio Máximo San José (da cidade de San Miguel), o maior seminário de formação de sacerdotes da Argentina (1980-1986) após ter sido, entre 1973 e 1979, o principal chefe (dito, na gíria eclesial, provincial) da poderosa e influente ordem dos jesuítas.

Sendo a Argentina um país absolutamente católico, sem qualquer miscigenação com religiões nativas como no resto das Américas, e tendo como exceção apenas uma comunidade judia que sempre padeceu perseguição (e alguns evangélicos e islâmicos), tudo o que faz a Igreja foi sempre claramente percebido pelo resto da sociedade. Aliás, ainda hoje, a Argentina talvez seja o único país (não sei o que acontece atualmente na Polônia, mas eventualmente poderia ser um de dois casos) em que a Igreja não está separada do Estado. Por exemplo, o Estado paga um salário aos bispos (não sei se Bergoglio o aceita ou o doa), mas já houve um conflito com o Vaticano quando Nestor Kirchner quis tirar a mensalidade de uns 3.000 dólares a um bispo que propôs que o ministro Gines, defensor da camisinha, devia ser linchado.

Em 1983, Jorge Bergoglio, uma figura austera, silenciosa, alheia a chamar a atenção, não tinha nenhuma influência política evidente, mas acumulava muita influência invisível. Ele utilizou essa influência para tentar mostrar um rosto “moderno” da Igreja, modificando a imagem desta como cúmplice qualificado e ativo dos genocídios e torturas generalizadas, que foram comuns na Argentina muitas vezes.

Por que fez isto? Muito simples. Apesar de ter mais de 90% de católicos e da mística medieval que impregna quase todas as instituições da Argentina (pelo menos, até a última vez em que eu estive em meu país de origem), a Igreja ganhou um enorme número de inimigos combatentes, muitos dos quais, de maneira paradoxal, continuavam se considerando católicos.

Esses inimigos formavam um grande grupo de pessoas que eram parentes, amigos ou conhecidos qualificados dos desaparecidos pela ditadura de 1976. O número de mortos em tortura e depois desaparecidos foi tradicionalmente fixado em 30.000 no ano de 1978, mas eu acredito que o número total deve ser muito maior, provavelmente entre 35.000 e 42.000, tendo em conta que a ditadura continuou até 1983.

(Não é este o lugar para justificar esta afirmação que surge de documentação dispersa, e de documentos internacionais parcialmente desclassificados.)

Unidos aos parentes dos 1.200.000 exilados, refugiados e asilados pelo mundo (ou seja, 3% dos habitantes do país nesse momento), os familiares e amigos dos desaparecidos deviam somar algo como 6 milhões, o que significa 20% da população. Calculo que, embora muitas pessoas não tivessem parentes nem amigos, é razoável considerar que a média de afetos por cada exilado ou desaparecido seja de 5 pessoas.

Como é bem conhecido, a Igreja Católica apoiou intensa e devotadamente os crimes da ditadura, não apenas encobrindo ou justificando-os, mas também dando apoio psicológico e propagandístico, colocando a seu serviço seu aparato internacional (incluída a máfia italiana e o grupo P2), abençoando as máquinas de choque e os instrumentos usados para mutilação, e até, em vários casos, aplicando tortura com suas próprias mãos.

Há pelo menos 40 livros em espanhol e pelo menos 15 em inglês dedicados de maneira total ou parcial à cumplicidade da Igreja Católica com os crimes de Estado na Argentina nos anos 1976-1983, e milhares de páginas de Internet.

De todos os casos de católicos aliados da ditadura, o mais espantoso é o do padre Christian Wernich, condenado em 2007 a prisão perpétua. Os que sobreviveram a seu sacerdócio afirmam que, de todos os torturadores civis e militares, ninguém era tão temido como o santo confessor. Ele chamava “fazer a barba” a passar a máquina elétrica, mas esta não era a máquina de barbear, mas de aplicar choque.

Com seu estilo discreto, Bergoglio tentou jogar um manto de esquecimento nos fatos protagonizados por uma das mais poderosas e compactas igrejas do planeta, num dos países mais católicos do mundo, junto com a Polônia e a Irlanda. Não sabemos se ele conseguiu refrear a saída de fieis da Igreja, já que no ano 2000 menos de 10% do país assistia regularmente a missa. Mas, ele fez grandes esforços e até permitiu a jornalistas estrangeiros que redigissem biografias sobre ele, e escreveu sua própria versão de sua vida, tentando refutar algumas dúzias de testemunhos que o acusavam de ter participado ativamente na ditadura. Ele fez um trabalho similar ao de Pio XII, quando, depois da guerra, tentou disfarçar, sem nenhum sucesso, a estreita colaboração do Vaticano com o nazismo.

Mas, antes de 1983, como era a relação de Francisco com a ditadura?


Jesuítas e Crianças

Como em muitos outros países, uma minoria de padres apoiou a causa dos direitos humanos e teve certa militância no que foi chamado “Teologia da Libertação”.

Dois deles foram os jesuítas Orlando Dorio e Francisco Jalic, que propagavam uma visão social do cristianismo em favelas e bairros populares. Estes padres foram capturados pelos esquadrões da morte dos militares e submetidos a tortura, mas conseguiram sobreviver. Enquanto Jalic se fechou num mosteiro alemão e nunca mais falou de seu passado (e, possivelmente, nunca voltou a Argentina), Dorio acusou explicitamente a Bergoglio, que era a máxima autoridade de jesuítas, de ter negado proteção, e ter permitido que ele fosse capturado.

Em vários dos links citados, especialmente no editado pela UNISINOS, há numerosos detalhes que descrevem, em total, uma quantidade apreciável de testemunhas. Embora a mídia brasileira tenha ignorado estas afirmações e diga que são simples conjecturas, um número tal de testemunhas seria possivelmente aceito por um tribunal penal.

Bergoglio usou por duas vezes os privilégios de não acatar as decisões da justiça, privilégio que a Argentina concede aos bispos, que têm um fórum privilegiado equivalente ao dos deputados, senadores e presidentes. Em função disso, recusou dar depoimento aos tribunais que julgaram os crimes contra a humanidade na época da ditadura.

Bergoglio aceitou, porém, comparecer a uma terceira intimação, quando a pressão dos milhares de vítimas se tornou muito intensa.

Segundo a advogada Myriam Bregman, que trabalha em direitos humanos, as afirmações de Bergoglio, quando aceitou ir aos tribunais, mostram que ele e outros padres eram coniventes com os atos praticados pela ditadura. Ele, porém, não foi indiciado, também com base na “falta” de provas.

Em 1977, a família De la Cuadra - formada por ativos defensores de direitos humanos (cuja matriarca Licha, 1915-2008, foi condecorada pelos governos democráticos posteriores à ditadura) - teve sequestrados cinco de seus membros, dos quais apenas um reapareceu muito depois.

O padre Bergoglio se recusou a indagar onde eles estavam e até a ajudar a procurar uma criança recém nascida, filha de uma das mulheres desaparecidas.

Em algumas ocasiões, o Santo Padre não pode refutar que a ditadura argentina tinha feito numerosas atrocidades, mas argumentou que isso foi uma resposta provocada pela esquerda, que, segundo ele, também teria usado o terror. Este infame argumento, como todos sabem, foi fortemente repudiado em todos os países que tiveram ditaduras recentemente.

Durante o governo de Néstor Kirchner e, após, o de sua esposa, Cristina Fernández, o atual papa, mantendo seu estilo “sutil”, aproveitou para criticar muitas vezes ao governo (que, como o governo brasileiro, subiu ao poder pelo voto popular), o acusando de ditatorial, de gerar o caos, de defender pessoas de vida sexual “abominável”, etc.

Com seu estilo aparentemente moderado, Bergoglio teve certo sucesso onde outros padres, que pregaram abertamente a tortura e o genocídio dos ateus e marxistas, fracassaram. Com efeito, apesar de ser unanimemente repudiado pelos defensores de direitos humanos, inclusive os católicos, ele nunca foi processado, como aconteceu com o padre Wernich, e até conseguiu forjar uma máscara de tolerância.

A Luz Protegida

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O Papa pobre, no suntuoso Vaticano


Pouco a pouco nos acostumamos a ouvir e a ver, através dos meios de comunicação, a crônica negra da sociedade contemporânea... O império do dinheiro, com seus efeitos demoníacos como as drogas, a corrupção, o tráfico de pessoas (incluindo de crianças), junto com a miséria material e moral são frequentes. 
                                                                     Cardeal Jorge Mario Bergoglio, o novo papa


Conservador moderado, preocupado com as mazelas do mundo, intelectual politizado, bem-humorado, discreto, conciliador, amante de livros e poesia, crítico da pobreza e da corrupção, humilde, 
que prepara as próprias refeições.

Devoto do primeiro Francisco, o de Assis, o Santo dos Pobres e Defensor dos Animais, Papa Francisco I foi eleito ontem, para comandar a Igreja, conduzir um rebanho de 1,2 bilhão de católicos no mundo, transitando no luxuoso Vaticano, com suas intrigas, fogueiras de vaidade e disputas de poder.



Papa Francisco: um príncipe pobre no luxo vaticano


Perfil de homem modesto esconde uma voz sempre disposta a denunciar a pobreza, a corrupção e a desigualdade social

Renata Malkes 



O então arcebispo de Buenos Aires, 

Jorge Mario Bergoglio    AP

Rio — Assim que tornou-se pública a identidade do novo Papa, rótulos surgiram atrelados ao nome de Jorge Mario Bergoglio. “Flexível”, para quem guarda na memória uma imagem de 2001, quando ele lavou e beijou os pés de 12 pacientes com Aids durante visita a um hospital. “Conservador moderado”, na definição de alas da Igreja que veem no argentino alguém que conseguiu conter o avanço de correntes liberais entre os jesuítas, ao mesmo tempo em que representa as mazelas do mundo em desenvolvimento. “Ultraconservador” é a aposta dos argentinos que lembram do então arcebispo de Buenos Aires combativo, firmemente contrário à adoção do casamento gay no país em 2010. E “incógnita”, para quem recorda o ataque desferido em setembro passado contra padres que se recusaram a batizar crianças nascidas fora do casamento na Argentina. O adjetivo que melhor parece definir o ex-arcebispo de Buenos Aires, porém, é outro — humilde.

Aos 76 anos, o primeiro Pontífice jesuíta e latino-americano é conhecido como um intelectual politizado, que desprezou o conforto da moradia oficial da arquidiocese para viver num quartinho simples no segundo andar de um prédio anexo à Catedral de Buenos Aires. Abriu mão de carros oficiais e viajava de ônibus e metrô para realizar seu trabalho pastoral, sendo fiel aos votos de pobreza de São Francisco de Assis, a quem homenageou quando aceitou ontem tornar-se o Papa Francisco. E quem o conhece já questiona como alguém tão modesto vai se adequar à suntuosidade do Vaticano.



Biografia bem antes de chegar à Santa Sé

A retrospectiva da vida do Papa Francisco vai mesmo ao encontro da primeira impressão deixada ontem. No primeiro discurso diante de milhares de fiéis que se aglomeraram na Praça de São Pedro, ele exalou tranquilidade e deixou escapar sorrisos. Passou a imagem de um Pontífice bem-humorado e até brincalhão, que não titubeou ao dizer que a Igreja fora buscá-lo “quase no fim do mundo”. Humano.

Os jornalistas Sergio Rubín, um argentino especializado em religião, e a italiana Francesca Ambrogetti, radicada em Roma, concordam. Desde 2005, a dupla percebeu a personalidade intrigante do cardeal que quase foi eleito Papa e escreveu sua biografia, “O Jesuíta”, lançada em 2010. Baseado numa série de encontros com o então cardeal, o livro relata um Bergoglio quase caricato para um argentino: fã de tango e torcedor apaixonado do San Lorenzo de Almagro, um dos cinco maiores clubes de futebol local, fundado, curiosamente, por um padre salesiano, Lorenzo Massa.

A dupla garante, ainda, que Papa Francisco é bem-humorado, do tipo que conta piadas sobre religião e até sobre os padres. E também gosta de cozinhar a própria comida, tarefa que aprendeu ainda menino, com a mãe.

— Bem, nunca matei ninguém — disse ele, certa vez, em tom de galhofa, sobre o resultado de suas experiências culinárias.

Colegas contam que, nas reuniões do Vaticano, o então cardeal gostava de se sentar nas últimas fileiras. Tentava a todo custo se manter discreto, mas, desde 2005, isso ficou difícil. E a analogia ao futebol é adequada: no conclave que elegeu o cardeal Joseph Ratzinger, fora justamente o jesuíta argentino seu principal desafiante. Segundo um diário anônimo do conclave, que vazou à imprensa em setembro daquele ano, Bergoglio teria recebido 40 votos na terceira votação. Mas acabou desistindo da disputa, em parte, devido a uma denúncia que manchou sua reputação três dias antes da abertura do conclave. Um advogado de direitos humanos entrara com uma ação na Justiça acusando o arcebispo de Buenos Aires de cumplicidade no sequestro de dois padres jesuítas em 1976, sob a ditadura militar argentina. Segundo o vaticanista John Allen Jr., ele também foi vítima de uma campanha negativa por e-mail, aparentemente orquestrada por colegas da Companhia de Jesus. Ele negou veementemente todas as acusações.

Até o fato de ter renunciado àquela disputa com Ratzinger parece ter-lhe rendido pontos na Cúria Romana — ainda que ele não seja um homem de carreira nos círculos administrativos da Igreja. Numa entrevista ao diário “La Stampa”, no ano passado, deu sinais de estar ciente dos problemas da contestada Cúria. Mas apontou-os com sutileza.

— O carreirismo e a busca de uma promoção vêm sob a categoria do mundanismo espiritual. A Cúria Romana tem seus pontos negativos, mas eu acho que muita ênfase é colocada nesses aspectos negativos, e não na santidade dos numerosos sacerdotes e leigos que trabalham nela — declarou.

Esse tom conciliador parece se refletir na própria escolha de Bergoglio para o Trono de Pedro. Nascido em Buenos Aires, em 17 de dezembro de 1936, ele é filho de um ferroviário italiano que emigrou de Turim para a Argentina, onde teve cinco filhos — uma eleição certeira, capaz de apaziguar a majoritária ala italiana da Cúria ao mesmo tempo que acena para o mundo em desenvolvimento.



Sem pulmão, mas com fôlego para a política

O jovem Bergoglio sonhava em ser químico e chegou a completar um curso técnico. Mas, aos 21 anos, optou pelo sacerdócio e, em 1958, entrou na Companhia de Jesus — dez anos depois de perder um dos pulmões devido a uma infecção respiratória. Foi ordenado sacerdote em 1969 e, durante a ditadura argentina, ascendeu ao comando provincial dos jesuítas.

O novo Pontífice fala espanhol, italiano e alemão. Construiu toda sua carreira eclesiástica na Argentina — exceto por dois breves períodos vividos no Chile e na Alemanha, onde estudou. Amante da poesia e dos livros, ele revelou a seus biógrafos ser um leitor voraz, apreciador de Fiódor Dostoiévski e Jorge Luis Borges, “um sábio, um agnóstico que todas as noites rezava o Pai-Nosso porque havia prometido à mãe”. Até a revista do Partido Comunista da Argentina era lida com atenção, embora o Papa tenha ressaltado:

— Nunca fui comunista.

Pelo contrário. Ele chegou até a combater os partidários da Teologia da Libertação e os lampejos marxistas nos anos 70, pois fazia questão de se manter fiel ao Evangelho. A batina, porém, não ofuscou sua vocação para a política. Conhecido pelo enfoque no trabalho pastoral e na obra social, Bergoglio fez das críticas a pobreza e corrupção suas marcas registradas.

Teve, desde 2003, embates duros com o governo kirchnerista. Em suas homilias, atacava não só a situação social da Argentina como o “clima de confrontação política” do país. E depois de irritar o ex-presidente Néstor Kirchner em várias ocasiões, a batalha se estendeu à atual presidente e viúva, Cristina Kirchner, que não raro o acusa de ingerência indevida nos assuntos de Estado.

Os dois, aliás, parecem travar uma guerra particular. A militância de Bergoglio não conseguiu impedir a Argentina de tornar-se o primeiro país latino-americano a autorizar o casamento gay, em 2010. Ou barrar determinações do governo de Cristina, autorizando, por exemplo, a distribuição de anticoncepcionais gratuitos. Certa vez, o então arcebispo disse que as adoções de crianças por casais homossexuais eram uma discriminação contra os menores. A presidente reagiu, classificando as declarações como “da época medieval e da Inquisição”.

Bergoglio cometeu algumas faltas, mas foi jogador de peso na arena nacional de seu país. Agora, porém, será testado como numa Copa do Mundo da religião. E com 1,2 bilhão de católicos no planeta, torcida não faltará para que o Papa da Argentina siga a tradição dos gramados: ataque os adversários, faça gols e leve ao Vaticano a inspiração — e a graça — do futebol azul e branco.


O Globo Online

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quarta-feira, 13 de março de 2013

Vaticano anuncia eleição de Francisco I em site e Twitter


SOCIEDADE MIDIÁTICA


                                                        Francisco I no site do Vaticano

Site oficial do Vaticano muda brasão e anuncia escolha do novo Papa


Frase "Habemus Papam Franciscum" foi publicada com a foto do argentino. Brasão da Sé Vacante foi retirado do endereço após anúncio oficial.


Imagem no site do Vaticano anuncia o argentino Jorge Mario Bergoglio 
como novo papa (Foto: Reprodução)

O site oficial do Vaticano trocou o brasão que simbolizava a Sé Vacante (período no qual não há um pontífice, após a renúncia do Papa Emérito Bento XVI) pelas famosas palavras em latim que anunciam a escolha do novo Papa, o argentino Jorge Mario Bergoglio, que se chamará Francisco.


Brasão no site do Vaticano foi trocado, anunciando o consenso do 
conclave e o novo papa (Foto: Reprodução)


Pouco depois que a fumaça branca apareceu na chaminé da Capela Sistina, o símbolo do site que indicava o período de Sé Vacante foi substituído por “Habemvs Papam”, frase dita também na praça de São Pedro pouco depois do anúncio. Em seguida, após nova atualização, a imagem do novo Papa foi publicada.



       Brasão anterior simbolizava a Sé Vacante, desde a renúncia de 
Bento XVI (Foto: Reprodução)


A conta oficial da imprensa do Vaticano no Twitter, utilizada para fazer a comunicação dos fiéis, também tuitou uma mensagem com a famosa frase em latim que anuncia o fim do período de Sé Vacante.
Vaticano postou em seu perfil oficial no Twitter que novo papa foi escolhido 
(Foto: Reprodução)


No minuto seguinte que a fumaça branca saiu da chaminé da Capela Sistina, em Roma, o perfil tuitou “HABEMUS PAPAM”, seguido de diversos emoticons que parecem comemorar o anúncio da escolha do novo pontífice.

Em menos de meia-hora após a mensagem ser postada, a frase foi retuitada mais de 6 mil vezes. O perfil do Vaticano possui mais de 36 mil seguidores.


G1

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"Habemus papam"! E ele é argentino!!!...


Deus é brasileiro. Mas o papa é argentino...

O Papa será Pop?


Dom Odilo Scherer, Cardeal Arcebispo de São Paulo, embora de perfil um tanto conservador, está mais do que antenado com a sociedade midiática e digital em que estamos todos imersos. Ele anda de metrô, utiliza um iphone e tem presença ativa nas redes sociais, publicando no Twitter e no Facebook.

Continuemos todos de olho na chaminé da Capela Sistina...

D. Odilo, em seu Facebook