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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Seja Mídia: Abra a Boca, Cidadão!


Desde que criei o Abra a Boca, Cidadão! em outubro de 2010 eu venho dizendo exatamente o que o Lula Miranda, no artigo abaixo, explicita: cada um de nós pode ser um veículo de comunicação, um produtor de conteúdo, informação, opinião. E isto muda tudo no mundo.

Essa é a grande conquista da cidadania planetária: estamos emancipados. Não precisamos mais que alguém fale por nós ou defenda nossos interesses ou veicule nossas ideias. Na sociedade da informação, no mundo digitalizado, graças às tecnologias mais avançadas, NÓS SOMOS A MÍDIA.

"Antes só os poderosos escreviam. Os demais mortais tinham até medo de escrever. Medo da força dos poderosos e de escrever errado, pois ainda tinha a norma culta a lhes assombrar e coibir a escrita livre. Só os poderosos falavam; os demais tinham a voz embargada pelo medo. Só os poderosos tinham vez e voz."

"O leitor já não é mais um ser passivo, para aquém dos muros das catedrais, guardado em seu 'devido' lugar. Agora o leitor assume um papel criador, participativo, e arromba as portas dos antes intransponíveis templos sagrados da mídia."

"Esse é o grande barato da comunicação nos dias que correm. Ninguém mais é o dono da verdade. Agora a verdade é um processo. Algo que se constrói junto. De forma colaborativa e participativa. Mas sem demagogia barata nem excessos e caricaturas."

"A comunicação já não é propriedade de um único Cidadão [seja Kane, Murdoch, Marinho, Civita, Mesquita, Frias et caterva]. A comunicação hoje é propriedade do cidadão [seja Severino, Silva, Andrade, Guimarães, Paulo, Pacheco, Miranda, qualquer um]."



Cidadão Kane já era: o fim dos currais eleitorais eletrônicos


LULA MIRANDA

Não o filme. O que "já era", com o desenvolvimento da tecnologia, a expansão da Classe C e a democratização da internet, é a figura do "barão da mídia"

Não o filme. O filme ainda é – e muito – bom! O que "já era", com o desenvolvimento da tecnologia, a expansão da Classe C e a democratização da internet, é a figura do "barão da mídia". Cada indivíduo hoje pode ser um publisher em potencial. Tá certo que alguns exageram na vaidade e na pose, e podem soar e figurar como uma espécie de "publisher de hospício", mas tá valendo.

Em tempos assim nem tão idos, você deve se lembrar, os caciques dos partidos trocavam entre si concessões públicas na área de comunicação: rádios, retransmissoras de TV, jornais. E também presenteavam empresários amigos com esses "mimos". Assim ficava tudo mais ou menos arranjado, "no esquema", uma ação entre amigos.

Aprenderam, muito antes de/da Chacrinha, que "quem não se comunica, se trumbica". Assimilaram ligeiro que, numa sociedade de massas, comanda aquele que melhor e mais rápido se comunica com essas massas.

Esses poucos empresários e esses políticos, selecionados a dedo, a maioria paga por serviços prestados ao regime de exceção, transformaram então essas concessões públicas em verdadeiros cartéis. Apropriaram-se desses feudos da Comunicação e, a partir deles, enriqueceram.

Constituíram verdadeiros conglomerados e, por muito tempo, exerceram seu despotismo, seu coronelismo cordato – mas não menos infame e rastaquera. Eram como grandes latifundiários, "fazendeiros do ar". Cuidavam da sua "boiada" e de seus currais eleitorais eletrônicos. Esse tempo, porém, ao que tudo indica, está com os dias contados.

Esses "fazendeiros do ar" construíram verdadeiras catedrais das comunicações; pagavam salários milionários a alguns poucos e talentosos jornalistas; transformaram-nos em autênticas "grifes" do jornalismo; auferiram-lhes o monopólio da opinião.

Estes, porém, são só uns poucos, pouquíssimos, exceções à regra – vale ressaltar. Pois a maior parte dos jornalistas, os chamados "focas" e também os redatores, não pode ser criticada, muito menos execrada, pelo simples fato de trabalhar nesses veículos e empresas de comunicação. Estes são, até hoje, mal pagos e sugados até a última gota de sangue, e, como muitos, têm que, para garantir o leite das crianças, trabalhar até alta madrugada nas redações, sem direito a hora extra e descanso. A mais-valia corre solta nas redações. Por onde andam o sindicato e a delegacia regional do trabalho que não tomam as providências necessárias? Será que também se sentem intimidados pela supostamente inalienável "liberdade de exploração" desses veículos?

Antes só os poderosos escreviam. Os demais mortais tinham até medo de escrever. Medo da força dos poderosos e de escrever errado, pois ainda tinha a norma culta a lhes assombrar e coibir a escrita livre. Só os poderosos falavam; os demais tinham a voz embargada pelo medo. Só os poderosos tinham vez e voz.

Porém, como disse, esse tempo já está com seus dias contados. Com a internet, o avanço da tecnologia e a supremacia e proliferação dos meios digitais, hoje, os chamados "jornalistas de grife" perdem, e cada dia mais, o seu valor de mercado – muitos deles, apesar de manterem a pose, já não valem um tostão furado.

Nos dias de über modernidade/über comunicação que experimentamos, o protagonismo agora está nas mãos de diversos e pulverizados agentes. Impera o que alguns chamam de "caos", outros de "anarquia", outros de "protagonismo cidadão" – e por aí segue a toada, mas não mais a boiada.

O leitor já não é mais um ser passivo, para aquém dos muros das catedrais, guardado em seu "devido" lugar. Agora o leitor assume um papel criador, participativo e arromba as portas dos antes intransponíveis templos sagrados da mídia.

Hoje, muitas vezes, os leitores, nos comentários e postagens, demonstram ser tão ou mais qualificados que os colunistas ou repórteres. Nas minhas colunas, por exemplo, inúmeras vezes leitores complementaram as lacunas que deixara em meus textos e ideias. O diálogo agora é para valer: é de igual para igual. Sem filtros e/ou barreiras.

Esse é o grande barato da comunicação nos dias que correm. Ninguém mais é o dono da verdade. Agora a verdade é um processo. Algo que se constrói junto. De forma colaborativa e participativa. Mas sem demagogia barata nem excessos e caricaturas.

A comunicação já não é propriedade de um único Cidadão [seja Kane, Murdoch, Marinho, Civita, Mesquita, Frias et caterva]. A comunicação hoje é propriedade do cidadão [seja Severino, Silva, Andrade, Guimarães, Paulo, Pacheco, Miranda, qualquer um].

Cidadão Kane já era. Agora quem manda é a galera, que invadiu as cidadelas ditas "inexpugnáveis" da comunicação, cidadão.


Destaque do ABC!

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domingo, 20 de janeiro de 2013

Corrupção, Judiciário, Ministério Público e Povo Brasileiro: uma equação complexa


OPINIÃO

A culpa pelas mazelas do Brasil é do Poder Judiciário 


Paulo Magalhães* 

Conhecendo apenas o título o incauto leitor haverá de concluir que a razão dos problemas brasileiros seria de responsabilidade única do Poder Judiciário, mas não é esta a ideia nem a verdade. 

Se houvesse investimento maciço no Poder Judiciário (estadual e federal) nos próximos 10 anos, com o desenvolvimento de um sistema informatizado comum para todas as Unidades da Federação (um só portal), aumento significativo de varas especializadas na defesa do patrimônio público e de crimes contra a administração (pública e da justiça), contratação de técnicos, cursos de especialização de serventuários e outros detalhes (concursos públicos para juízes com padrão nacional por exemplo), estaria praticamente resolvido o problema da corrupção em nosso país. 

Se considerarmos que é a corrupção desenfreada que faz escapar milhões de reais anualmente, e que este montante, caso fosse empregado na saúde e educação haveria de modificar as gerações vindouras, poderíamos desenvolver uma nova sistemática de cultura que fizesse o brasileiro entender: o fato de ser honesto ajuda a si próprio, sua família e seus entes mais queridos. 

Se você é um servidor público desonesto, que subtrai material de escritório (sulfite, grampos, canetas, borracha etc.) de seu local de trabalho, você é um funcionário corrupto (sem obrigatoriamente estar recebendo propina) – está praticando peculato – mesmo que ache normal (“porque todo mundo faz”). Quando sua filha, saindo de uma festinha, sofrer um acidente automobilístico e morrer (ou ficar totalmente aleijada) por falta de socorro próprio no hospital onde foi atendida, a culpa é sua. O dinheiro que deveria sobrar nos cofres públicos para comprar equipamentos hospitalares mais modernos e de última geração foi usado para repor o material que você e outros iguais a você se apropriaram ilegalmente. E porque você continua subtraindo bens de propriedade pública? Porque tem a certeza de que ficará impune. Acredita que o processo será tão lento e demorará tanto tempo, com tantos recursos jurídicos, que ao final nada lhe acontecerá. Você é, na verdade, um bandido privilegiado – mas certamente posa de ilibado para sua mulher e filha – aquela mesma que sofrerá um acidente e morrerá (ou ficará aleijada) por falta de socorro médico decente. 

Por outro lado, se o Poder Judiciário estivesse aparelhado para absorver o fluxo alucinante de processos diários, houvesse uma metodologia padronizada de ação que agilizasse o andamento dos feitos e os resultados pudessem ser conhecidos no período limite de um ano (no máximo dois), aquela ideia que “nada acontece”, “me dei bem” e “tá tudo dominado” não mais seria combustível para o cometimento de crimes. 

Imagine a hipótese: Um servidor acusado de desvio de verbas é denunciado. A denúncia recebida. O interrogatório marcado para ser realizado após um ano. Quanto à oitiva das testemunhas de acusação e defesa nem existe data provável. Sentença então nem pensar. Neste período, considerando o princípio de que “todos são inocentes até trânsito em julgado da sentença condenatória”, o peculatário é nomeado chefe, diretor de departamento, gerente e ganha mensalmente o salário e as demais benesses do cargo em comissão – do cargo em confiança. Trata-se de um exemplo pernicioso para os demais servidores e para a população que toma conhecimento destes fatos. 

Como exemplo real tome-se por modelo a Polícia Civil do Estado de Mato Grosso do Sul. O Diretor-Geral responde Ação Popular por ter acumulado cargos e enriquecido ilegalmente; o Diretor de Polícia da Capital responde por crime de peculato e outros; o Diretor de Polícia do Interior responde por algumas prevaricações e ainda tem condenados por tortura (com perda da função), peculatos, extorsão, todos se refestelando em cargos de comando. Belo exemplo para os subordinados. 

No Espírito Santo, mesmo sem conhecermos o Presidente do Tribunal de Justiça e seu filho juiz, podemos afirmar que somente envolveram-se na venda de sentenças porque confiavam na impunidade, que ninguém haveria de prendê-los, que estavam imunes às Leis dos Homens e quem sabe poderiam comprar a Lei de Deus. 


Por outro lado, ainda considerando as limitações do Poder Judiciário por falta de recursos e investimento governamental, temos a má-fé de alguns promotores de justiça que, sabedores do volume excessivo de trabalho destinado a cada Vara, se aproveitam do fato e praticam atos reprováveis, mas que nunca são apurados pelas respectivas Corregedorias. São requerimentos para arquivamento de inquéritos cujas autorias recaem sobre pessoas de influência – “intocáveis” – na esperança de que o juiz confie no membro do “Parquet” e arquive sem encaminhamento ao Procurador-Geral de Justiça. 

Outra picardia do MP é denunciar esta ou aquela pessoa por crime que não praticou, sabendo que não praticou, só para proteger interesses governamentais ou institucionais. Na realidade, enquanto a população enxerga o “Parquet” como Fiscal da Lei, a organização age (por ser una e indivisível) como máquina coatora, praticando assédio moral e perseguindo todo aquele que se posiciona contra os interesses do Poder. 


Da mesma forma absurda agem alguns promotores denunciando vítimas pela prática de crimes que jamais existiram. Escolhem artigos do Código Penal aleatoriamente, com base em alguns informes não confirmados por delegados de polícia também não confiáveis e denunciam sem o menor pudor . Quando estes fatos ímprobos vêm à tona, os colegas, em flagrante espírito de corpo, escondem as “sujeiras” e protegem aqueles que se dizem profissionais, mas são a escória da Instituição. 

Assim, para fazer tanta “lambança” era preferível desenvolver outra fórmula de proteção à população e dar condições das organizações não governamentais (ONG´s) substituírem o Ministério Público quando este age em desconformidade da lei, em desacordo com a Constituição Federal e de forma a prejudicar a sociedade que lhes sustenta e paga os salários milionários que recebem. 

Obs.: Nada contra profissionais que ganham bem. O que não é possível admitir é que funcionários públicos bem pagos se disponham a atentar contra o direito da população e não façam o que por dever-função deveriam. É por estas e outras que entendemos a necessidade urgente de uma modificação radical no sistema judicial vigente, com as devidas adaptações à educação e cultura dos brasileiros que, por natureza, mentem, modificam a verdade dos fatos, querem ter vantagem em tudo e não respeitam o direito alheio.


* Paulo Magalhães foi delegado de polícia, é advogado e professor em cursos de direito.

Instituto Brasil Verdade


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sábado, 19 de janeiro de 2013

SP: Haddad quer prevenir e punir a Corrupção


A chamada "grande imprensa" mal noticiou a posse do Controlador Geral do Município, Marcos Spinelli, conduzida ontem pelo prefeito Fernando Haddad. A Controladoria Geral do Município, criada pelo prefeito para prevenir e punir com rigor a corrupção que corre solta na administração municipal, recebe pouco espaço no noticiário dos "jornalões". Parece que a mídia de direita não tem interesse no tema mais importante para a sociedade brasileira neste momento - a corrupção.

Por que será?

Incompetência ou cumplicidade?

Por que a mídia corporativa escancara manchetes e matérias quando se trata de suspeitas de corrupção que envolvem integrantes do ministério da presidenta Dilma e esconde de seus leitores a corrupção nos partidos de direita e na administração pública estadual e municipal de São Paulo, por exemplo?

Felizmente, esse "jornalismo" parcial e indigente encontra-se em estado terminal. Cada vez mais o cidadão brasileiro vai abrindo os olhos e procurando informações na mídia alternativa, blogosfera e redes sociais. O "jornalismo" a serviço das elites e de interesses espúrios está com seus dias contados.


Fernando Haddad dá posse ao Controlador Geral do Município
Foto: Fernando Pereira/SECOM


Haddad dá carta branca ao Controlador Geral do Município

Marcos Spinelli terá autonomia para dar mais transparência à administração municipal e prevenir irregularidades.

O prefeito Fernando Haddad apresentou à imprensa nesta sexta-feira (18) o Controlador Geral do Município, Marcos Vinícius Claussen Spinelli. Durante entrevista coletiva realizada nesta tarde, Haddad afirmou que o controlador terá total autonomia para dar mais transparência à administração municipal e prevenir irregularidades.

“Spinelli foi escolhido por sua competência e tem carta branca para atuar em todas as áreas da administração municipal”, afirmou o prefeito. O controlador terá como missão coibir abusos, determinar boas práticas, regulamentar processos e sugerir leis e procedimentos, com o objetivo de aprimorar a administração pública. “Queremos que o cidadão se sinta seguro de que alguém está zelando permanentemente para que as melhores práticas sejam adotadas no âmbito municipal”, completou Haddad.

Engenheiro especializado em Segurança do Trabalho, com mestrado em Administração Pública, Marcos Spinelli é ex-secretário de Prevenção à Corrupção da Controladoria Geral da União. “Queremos construir um sistema que permita a adoção de políticas de prevenção e de punição da corrupção. Para isso, a transparência é essencial. Uma cidade como São Paulo tem que ser modelo de transparência para o resto do país”, disse Spinelli. Ele foi um dos formuladores da Lei de Acesso à Informação, tendo atuado na criação do Portal da Transparência do Governo Federal.

A Controladoria Geral do Município (CGM) foi criada por decreto assinado pelo prefeito. Irá reunir serviços atualmente dispersos na Prefeitura, centralizando as atividades de controle interno. Deverão ser integrados à nova estrutura o departamento de auditoria da Secretaria Municipal de Finanças, o Departamento de Procedimentos Disciplinares (Proced) da Secretaria de Negócios Jurídicos, a Ouvidoria do Município e as comissões de ética. “Com isso, os trabalhos terão uma organicidade maior e mais capacidade de intervir na administração pública”, explicou Haddad.

O novo órgão será estruturado em quatro áreas: auditoria, que exercerá o controle interno propriamente dito; promoção de integridade, que fomentará a transparência e a interação com a sociedade civil; corregedoria, responsável pelas sanções, e a Ouvidoria do Município. Haverá ainda um setor de produção de informações estratégicas e inteligência, que utilizará a tecnologia da informação para detectar desvios de conduta ou vulnerabilidades.

“O nosso objetivo é trabalhar cada vez mais de forma preventiva, porque é mais eficaz. Mas o sistema de correição tem que funcionar também muito bem, para que o servidor público saiba que, caso esteja envolvido em alguma irregularidade, será punido”, explicou Spinelli.

Segundo o controlador geral, os próximos passos para o trabalho do órgão serão realizar um diagnóstico dos serviços de controle já existentes e montar a estrutura legal do trabalho da CGM. Será realizado ainda um mapeamento das vulnerabilidades da máquina pública municipal.


Portal/PMSP

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

SP: Prefeito Haddad embarga condomínio de luxo


CIDADE

Começa a acabar a "farra imobiliária"...

O Prefeito Fernando Haddad vai ter muito trabalho nos próximos anos para "botar a casa em ordem" e consertar tudo o que a "mediocridade trevosa" cometeu contra a cidade de São Paulo.

São Paulo é um país. Cada uma das 31 subprefeituras cuida de uma região muitas vezes maior que diversas capitais brasileiras. E a cidade foi quase destruída pela "nulidade defenestrada", que "ameaça" se candidatar ao governo do estado em 2014.

Só Deus, mesmo, para nos proteger dessa incompetência travestida de administrador público.

Coragem, Prefeito Haddad! Seu compromisso é com os milhões de cidadãos que o elegeram e com a cidade quase dizimada pelo descalabro.

Vista um colete à prova de balas, como fez a ex-prefeita Marta Suplicy ao enfrentar a máfia dos transportes, e vá pra cima!




Haddad embarga condomínio de luxo na Vila Mariana

Licença para construir três torres de 27 andares a quatro quadras do Ibirapuera havia sido dada por Hussain Aref em março de 2011

Adriana Ferraz e Diego Zanchetta

A Prefeitura de São Paulo suspendeu ontem o alvará de execução de obra concedido em março de 2011 para a construção de um condomínio de luxo na Vila Mariana, zona sul. A licença para o empreendimento de três torres residenciais, de 27 andares cada, foi emitida por Hussain Aref Saab [aquele, de triste memória também...], ex-diretor do Departamento de Aprovação de Edificações (Aprov), afastado sob suspeita de enriquecimento ilícito [aliás, em que pé estão as investigações sobre este "rico" senhor?]. Quase dois anos depois, o Município investiga a existência de um riacho no local.


Ibirapuera Boulevard. Suspeita é de que haja um riacho no terreno, 
o que inviabilizaria a obra     Evelson de Freitas/AE

O canteiro de obras do Condomínio Ibirapuera Boulevard, que prevê apartamentos de até 391 m² avaliados em R$ 5 milhões, ocupa um terreno nobre de 9.356 m² na Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, a apenas quatro quadras do Parque do Ibirapuera. Em fase de escavações, o projeto terá de ser paralisado.

O embargo é mais um capítulo da batalha travada por moradores do bairro contra a construção do condomínio. Por meio de uma petição pública, o grupo denunciou à gestão Gilberto Kassab (PSD) que o Rio Boa Vista, canalizado nos anos 1960, corta o terreno e, por isso, inviabiliza a construção - segundo a legislação ambiental brasileira, são proibidas novas edificações à beira de corpos d'água.

Com cerca de 5 mil assinaturas, a petição foi parar no Ministério Público Estadual e provocou uma investigação interna na Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. A partir daí, uma série de decisões pró e contra o projeto foi publicada até a suspensão do alvará.


No fim do ano passado, por exemplo, o Termo de Compromisso Ambiental (TAC) firmado com a Mofarrej Empreendimentos - construtora responsável pela obra - também foi suspenso. De acordo com a Prefeitura, essa decisão, de 22 de dezembro, já deveria ter paralisado a obra. Ontem, porém, a reportagem flagrou caminhões no local.

A empresa informou que a decisão publicada no Diário Oficial da Cidade foi apenas uma medida de cautela. "Não foi indicada qualquer irregularidade na execução da obra, cujo projeto foi devida e corretamente aprovado pela Prefeitura. Por cautela, a secretaria determinou nova consulta à Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo)", informou a Mofarrej, por meio de nota. A empresa nega a existência de um riacho no terreno.


Muro

A suspensão da licença foi comemorada por moradores que protestam contra a construção. Batizado de "Do outro lado do muro", o movimento criado em julho de 2011 usa cartazes e mensagens para chamar a atenção de quem passa pelo local.

Além da suposta existência de um riacho na área, o grupo afirma que o empreendimento não realizou estudo de impacto ambiental no terreno onde funcionou por 50 anos uma indústria de cera nem se comprometeu a realizar obras de contrapartida. Segundo lei municipal, o condomínio será um polo gerador de tráfego por oferecer mais de 500 vagas de estacionamento.

Moradora de um sobrado vizinho, a arquiteta Luciana de Souza Tomaz, de 44 anos, ainda reclama do reduzido recuo dos futuros prédios em relação às casas. "É minúsculo, menos de 3 metros", diz. A expectativa dela e de outros moradores é de que a suspensão da obra seja cumprida desta vez. "Se não pararem, eu mesma vou solicitar a fiscalização", afirma Sonia Pizzolato, de 51. A Subprefeitura da Vila Mariana informou ontem que fará vistoria no local.

Estadão Online

Destaques do ABC!

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Direitos Humanos: o Livro dos Defensores


LIVROS

ONU conta experiências de defensores de direitos humanos sob proteção do Governo brasileiro

Dez faces da luta pelos direitos humanosDez defensores de direitos humanos sob proteção especial do Governo brasileiro contam suas histórias em uma publicação lançada no final de 2012 pelas Nações Unidas no Brasil em parceria com a Embaixada do Reino dos Países Baixos, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e a Delegação da União Europeia no Brasil.
A série de entrevistas, reunidas no documento “Dez faces da luta pelos direitos humanos”, apresenta denúncias na voz dos defensores de direitos humanos do País, as motivações de luta e os percalços inerentes à atuação de cada um.

As histórias desses homens e mulheres representam as experiências de todos os defensores incluídos e acompanhados pelo Programa Nacional e pelos Programas Estaduais de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos. As atuações cobrem áreas distintas: direito à terra, à vida, a um tratamento adequado e não violento, ao meio ambiente, à manutenção de comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas e de pescadores.

A publicação é uma iniciativa inspirada na Declaração sobre Defensores dos Direitos Humanos, de 9 de dezembro de 1998, quando os países afirmaram a responsabilidade de todos no que diz respeito à promoção e à proteção dos direitos humanos.


Brasil

Após a Declaração de 1998, os brasileiros foram os primeiros e únicos no mundo a contar com um Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, executado pelo governo desde 2004. Ligado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, reconhece a importância dos defensores para a efetivação dos direitos.

Em 2007, outro grande avanço aconteceu com a instituição da Política Nacional de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos. Atualmente, está presente em oito estados brasileiros: Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Pernambuco, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Ceará.

O defensor é atendido por equipes técnicas estaduais ou federais, são monitorados, têm o risco e a situação de ameaça em que se encontram avaliados periodicamente. Visitas no local de atuação do defensor, atendimento psicossocial, acompanhamento das investigações e denúncias fazem parte do Programa, além de articular medidas de proteção com órgãos de defesa e segurança. Excepcionalmente, é feita a retirada provisória do defensor do seu local de atuação em casos de grave ameaça ou risco iminente.


Leia abaixo um resumo das histórias contadas pelos dez defensores de direitos humanos à ONU no Brasil.

Alexandre Anderson de Souza

Alexandre Anderson de Souza“Eu agradeço a vida a cada dia que acordo, porque talvez um dia eu não acorde mais.”
Desde 2003, o pescador Alexandre Anderson de Souza vem travando uma batalha em favor da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e de comunidades de pesca artesanais que vivem do que a baía tem para oferecer, frente à construção de empreendimentos petroquímicos que afetam o meio ambiente local.

“Estamos pescando 80% menos em relação ao final dos anos 90”, diz com base em um mapa participativo que ajudou a construir com a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em função das tentativas de reverter esse quadro, fala que já sofreu seis atentados e teve quatro companheiros mortos.

Alexandre é fundador e presidente da Associação dos Homens do Mar do Rio de Janeiro (Ahomar), com quase dois mil associados em sete municípios e mais de quatro mil pescadores representados. Montou um sindicato de pesca no estado e sonha em criar a primeira confederação nacional de pescadores artesanais no país.

Eliseu Lopes

Eliseu Lopes“Mesmo com perseguições, com a falta de condições, a luta não está parada, estamos buscando nossos direitos.”
O Guarani-Kaiowá Eliseu Lopes começou a se envolver com as questões indígenas em 2003, quando se tornou professor da aldeia de Taquapiri, no Mato Grosso do Sul. Mais tarde, passou a ser porta-voz do Movimento Aty Guasu, que reúne os Guarani-Kaiowá, e se engajou na luta pela recuperação da terra que historicamente pertencia a seus antepassados e no apoio a lideranças nos outros 35 acampamentos indígenas do estado.

“Eu estava vendo muita liderança ser morta, meus parentes e minha família de sangue sofrendo, acampados à beira de uma rodovia federal esperando uma demarcação de terras que nunca acontece (…). Nós não usamos violência, mas continuamos sofrendo violência, atentados, assassinatos.”

Atualmente em Brasília, como coordenador de mobilização da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, o defensor atua com questões indígenas de todo o país. Enquanto estava na base, não podia ficar muito tempo em uma aldeia só. “É uma situação difícil, existe medo, porque não temos para onde correr. Por isso temos que enfrentar essa vida, não tem alternativa, temos que buscar o que é nosso.”

Evane Lopes

Evane Lopes“‘Mãe, eu não queria morrer com 12 anos.’ Isso parte o coração de uma mãe.”
Evane Lopes protagonizou uma série de ações em prol da comunidade quilombola de São Domingos e de outras quatro comunidades da região de Paracatu (MG), noroeste de Minas Gerais, onde a mineração e o latifúndio têm papel influente na política de municípios.

Conseguiu garantir direitos básicos para a população quilombola, exigir reparação de uma grande empresa que atua no local e levar as cinco comunidades da região para conversar com a Presidência da República. Também ganhou projeção como defensora de direitos: em setembro de 2012, foi selecionada para integrar o Grupo Nacional Assessor da Sociedade Civil da ONU Mulheres.

Casada desde os 17 anos e com três filhas, em 2012 Evane se viu ameaçada de morte por causa de sua atuação. Mas não pensa em parar de atuar. “Eu não vou mentir: tive receio pela minha família, que é o meu tesouro. Minha filha chegou a me dizer: “Mãe, eu não queria morrer com 12 anos”. Isso parte o coração de uma mãe. Mas ainda assim eu tenho o apoio da minha família, eu nunca passei para elas que lutar por um ideal é ruim.”

Gleydson Gleber Bento Alves de Lima Pinheiro

Gleydson Gleber Bento Alves de Lima Pinheiro“A vida são princípios, são valores. Você pesa tudo e define o que quer.”
O juiz Gleydson Gleber, da 3ª Vara Criminal de Caruaru, uma cidade de 350 mil habitantes do Agreste pernambucano, foi o principal juiz da primeira grande operação contra o crime organizado de extermínio no país, em 2007. Mesmo sob riscos e ameaças, ajudou a desmantelar um esquema poderoso, que era responsável por um terço dos homicídios na cidade.

“De 180 [homicídios por ano], nós passamos para 120 homicídios no ano de 2007, índice que conseguimos segurar até hoje. E neste ano [de 2012], de abril a final de junho nós não tivemos homicídios na cidade, passaram-se três meses sem homicídio.”

Gleydson afirma que sua atuação é a favor da vida e acredita que nos casos referentes a direitos humanos, o papel da justiça é aplicar a lei, e não ir aquém – abrandando penas – ou além –, fazendo justiçamento. E aplica o princípio de que todos têm direito a um bom tratamento durante o julgamento.

João Luís Joventino do Nascimento (João do Cumbe)

João Luís Joventino do Nascimento (João do Cumbe)“Estamos vivendo uma recolonização.”
A comunidade tradicional do Cumbe, a 12 km do município de Aracati, litoral leste do Ceará, é rica em recursos naturais e em patrimônio cultural. É cercada por dunas, lagoas inter dunares, gamboas, rio Jaguaribe, praias, uma extensa área de manguezal e carnaubais. A população é formada basicamente por pescadores e pescadoras que vivem da cata de caranguejo e de mariscos do manguezal.

Esse patrimônio vem sendo pressionado por grandes empreendimentos de carcinicultura – criação de camarão em cativeiro. É nessa comunidade que João Luís Joventino do Nascimento, ou João do Cumbe, como é mais conhecido, vem desenvolvendo sua luta para a preservação dos manguezais e da própria comunidade e suas tradições culturais desde 1996.

João usou a escola como ponto de partida para sua mobilização. Teceu redes, deu visibilidade aos problemas, colocou as necessidades de uma comunidade pobre e esquecida no mapa. Depois de mais de quinze anos de luta, agora, aos 39 anos, decidiu ampliar sua atuação e fazer mestrado em Educação na Universidade Federal do Ceará. Ele garante que continuará disseminando a história e a luta do Cumbe em defesa dos manguezais e das dunas para alertar outras comunidades que venham a passar pelo mesmo problema.

Júlio César Ferraz de Souza

Júlio César Ferraz de Souza“Defensor de direitos também é ser humano.”
Aos 47 anos, Júlio César Ferraz de Souza vem atuando na garantia do direito à moradia em Manaus há quase duas décadas, e ajudou milhares de pessoas a conquistarem sua casa e alcançarem condições mais dignas de vida. Ele acredita e aposta no poder de organização da população sem-teto como forma de resistência às pressões políticas para despejo e desocupação de terras. Atualmente, é integrante e dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto.

Hoje o defensor combate a grilagem de terras públicas. “Os grileiros tomaram conta de 30 milhões de hectares de terras pertencentes ao Governo Federal ou doadas a particulares que não reclamaram. É uma terra que poderia estar sendo usada para acomodar parte dos 800 mil sem-teto de Manaus.”

Júlio foi militante do Partido dos Trabalhadores na década de 1980 e funcionário do governo do Amazonas. Formado técnico em patologia, Júlio nunca mais conseguiu emprego depois do início da luta. Foi preso, sofreu torturas, foi ameaçado de morte. Com um problema cardíaco descoberto em 2012, tem o sonho de reencontrar o filho que não vê há três anos.

Leonora Brunetto

Leonora Brunetto“Não dá pra abandonar um povo tão sofrido.”
Há mais de três décadas, a gaúcha Leonora Brunetto, 67 anos de idade, atua em defesa de trabalhadores e trabalhadoras rurais sem-terra. Integrante da Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), irmã Leonora vem organizando lideranças e empoderando jovens para lutar pelo direito à terra e por questões associadas à pequena produção agroecológica.

Atuou no Rio Grande do Sul, em Tocantins, no Rio Grande do Norte e no Maranhão. Atualmente, integra a CPT do Norte de Mato Grosso, e vem enfrentando com a voz suave e calma, mas com garra, coragem e fé o agronegócio e as grilagens de terra que dominam a região. Sua aposta é no poder da juventude para garantir que a agricultura familiar se fortaleça e permaneça no local.

“Ao mesmo tempo em que você tem medo, você tem uma força divina para dizer: ‘não pare, pode lutar, pode continuar’. (…) No começo, o medo era pavoroso, ficava com vontade de largar. Agora, ele é um sinal para reflexão.”

Maria Joel Dias (Joelma)

Maria Joel Dias (Joelma)“Construímos essa história porque eu não me acovardei.”
A história de Maria Joel Dias, mais conhecida como Joelma, poderia ser apenas mais uma história de milhares de brasileiros que foram para o estado do Pará na década de 1980 em busca de melhores condições de vida e de terras para tirar o seu sustento e encontraram uma situação completamente diferente da esperada. Porém, a partir das ações de seu marido, o sindicalista José Dutra da Costa (Dezinho), morto no ano 2000, ela conseguiu garantir terra, esperança e sustento para parte desses brasileiros que foram parar em Rondon do Pará, município com cerca de 45 mil habitantes no sudeste do estado.

Aos 49 anos, Joelma atua a favor dos trabalhadores rurais desde 2002, quando assumiu a presidência do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura do município, cargo antes ocupado pelo seu marido. De acordo com ela, sua luta é a continuidade do sonho de Dezinho. Por tudo o que ele lutava em vida, Joelma não deixou de colocar a cara no mundo denunciando grilagens, exploração madeireira e lutando por melhores condições de vida. Atualmente, é coordenadora regional da Federação dos Trabalhadores em Agricultura do Pará.

Rosivaldo Ferreira Dias (Cacique Babau)

Rosivaldo Ferreira Dias (Cacique Babau)“O lugar sagrado tem que ser preservado.”
Com um riso fácil e um excelente domínio da palavra, o Tupinambá Rosivaldo Ferreira Dias, o Cacique Babau, tem na ponta da língua a história de sua aldeia de Serra do Padeiro, no município de Buerarema, nos arredores de Ilhéus, na Bahia. Aos 38 anos e pai de dois filhos, ele lidera desde o ano 2000 a organização de sua tribo para lutar pela garantia de seus direitos. Seu poder de articulação e espírito empreendedor conseguiram reunir cerca de 900 pessoas de 180 famílias em torno de um modo de produção de agricultura familiar comunitário e sustentável.

Coordenou 21 retomadas de terras que já foram reconhecidas como pertencentes ao seu povo. Suas três cicatrizes de tiros recebidos mostram que nem sempre essa luta é feita de forma pacífica. Ele sofre perseguições políticas, processos de criminalização e, em 2010, foi preso. Em virtude disso, foi inserido no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, com o propósito de assegurar a continuidade da sua batalha pelo direito à terra e preservação da cultura Tupinambá.

Nada parece diminuir a vontade de liderar uma luta que vai além de questões de posse de terra, mas passa também por tradições, questões religiosas e preservação do meio ambiente: de acordo com os Tupinambá da Serra, a Serra do Padeiro é considerada um lugar sagrado e deve ser devolvida em sua totalidade e integridade aos seus habitantes originais.

Saverio Paolillo (Padre Xavier)

Saverio Paolillo (Padre Xavier)“Nosso trabalho é incompreendido.”
Natural da Itália, o Padre Saverio Paolillo, mais conhecido no Brasil como Padre Xavier, vem atuando em favor dos direitos da criança e do adolescente brasileiros desde 1985. Abrigos, casas-lares, centros de defesa, programas de liberdade assistida, projetos profissionalizantes e assistência às famílias de meninos e meninas abrigados ou em conflito com a lei estão entre as suas realizações.

Como integrante e coordenador da Pastoral do Menor, denunciou inúmeras situações de violação de direitos humanos nas unidades de internação de adolescentes. Conseguiu dar visibilidade internacional ao problema ao levar a situação para a Corte Interamericana de Direitos Humanos. Também participou como mediador de incontáveis conflitos e rebeliões.

Padre Xavier integra o Conselho Estadual de Direitos Humanos e o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente do Espírito Santo. Ele acredita que há uma visão equivocada a respeito do trabalho que realiza e sofre cotidianamente pressões por defender os direitos de uma parcela da população que, em sua opinião, precisa, acima de tudo, de políticas públicas que efetivem os direitos humanos.


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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

SP: Prefeito Haddad troca comandos na GCM


São Paulo com um pé no Primeiro Mundo.

Depois de acabar com o "coronelismo" em São Paulo, tirando 30 coroneis da reserva da Polícia Militar que comandavam subprefeituras na administração anterior, de triste memória, e substituindo-os por profissionais de perfil técnico e ligação com a comunidade, inclusive 7 mulheres (!!!), o prefeito-filósofo-educador Fernando Haddad acaba de mudar o comando da Guarda Civil Metropolitana: sai Joel Malta de Sá e entra Eduardo de Siqueira Bias, GCM de carreira, há 26 anos na corporação. 

Com a mesma caneta, o prefeito aproveitou o ensejo e exonerou também o coronel coordenador do centro de formação da GCM, substituindo-o, pasmem!, por um educador !!!

Prefeito Fernando Haddad quer a GCM próxima da população.


Aproveitem e conheçam também os 31 novos subprefeitos e subprefeitas de São Paulo:

: Marcos Queiroga Barreto
ARICANDUVA: Dilian Guimarães
BUTANTÃ: Luiz Felippe de Moraes Neto
CAMPO LIMPO: Sérgio Roberto dos Santos
CAPELA DO SOCORRO: Cleide Pandolfi
CASA VERDE: Nelma Lucia Heiffig
CIDADE ADEMAR: Francisco Lo Prete Filho
CIDADE TIRADENTES: Andreia de Souza Luz
ERMELINO MATARAZZO: Cláudio Toshio Itinoshe
FREGUESIA DO Ó: Eduardo Peres Palia
GUAIANASES: Adriana Neves da Silva Morales
IPIRANGA: Luiz Henrique Girardi
ITAQUERA: Guilherme Henrique de Paula e Silva
ITAIM PAULISTA: Irene Mitsue Inada
JABAQUARA: Dirceu de Oliveira Mendes
JAÇANÃ: Edison de Oliveira Vianna Junior
LAPA: Ricardo Airut Pradas
M'BOI MIRIM: Antonio Carlos Dias de Oliveira
MOOCA: Francisco Carlos Ricardo
PENHA: Miguel Perrella
PERUS: José Evangelista Amorim
PINHEIROS: Angelo Salvador Filiardo Junior
PIRITUBA: Carlos Eduardo Silva Diethelm
SÃO MIGUEL PAULISTA: Aldo Antunes de Farias Sodré
SANTO AMARO: Adevilson Maia
SÃO MATEUS: Fernando Elias Alves de Melo
SANTANA: Roberto José Pereira Cimino
VILA MARIA: Gilberto Rossi
VILA MARIANA: Luiz Fernando Macarrão
VILA PRUDENTE: Patrícia Saran
PARELHEIROS: Adailson de Oliveira

Cidade de São Paulo respirando ares de modernidade e refinamento, com um pé no Primeiro Mundo.

(Com informações da coluna de Sonia Racy, no Estadão Online, e da Folha Online).

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Direitos Humanos: Quem defende os defensores?


"Os defensores fazem um papel fundamental para uma sociedade que quer ter uma democracia de conteúdo e não uma democracia só de fachada. Uma democracia de conteúdo significa ser uma sociedade que ponha em prática os direitos humanos."

" (...) os defensores prestam serviço para toda a sociedade, 'desde pessoas que trabalham em associações, indígenas, negros, mulheres, movimentos sociais, enfim, todos, incluindo também advogados e defensores públicos'."

" (...) é necessário que os crimes e ameaças sejam investigados, e as causas geradoras da situação de risco sejam combatidas. 'A investigação é fundamental, porque sem investigação a proteção fica sem nenhum encaminhamento concreto da situação. É preciso também enfrentar aquilo que causa a ameaça, ou seja, com medidas mais estruturais, com políticas públicas que combatam as violações de direitos humanos.' "



Defensores de direitos humanos querem marco legal contra ameaças e violações

Programa federal existe desde 2004, mas esbarra 
na falta de articulação, de recursos e de comprometimento 
dos governos estaduais

Fonte: Rede Brasil Atual, por Júlia Rabahie

São Paulo – Pessoas que trabalham com a defesa dos direitos humanos reivindicam a criação de um marco legal que garanta efetiva proteção a esses ativistas – muitas vezes vítimas de ameaças e ações violentas de grupos cujos interesses são contrariados.

Desde 2004, o Brasil possui um Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, implantado no primeiro governo Lula pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Mas, devido à falta de uma legislação específica, o funcionamento das ações ainda é precário. Projeto de lei nesse sentido, sob o número 4575, de 2009, não recebe tratamento prioritário no Congresso Nacional, segundo movimentos que lidam com a questão. Sem o marco legal, o programa federal esbarra numa série de entraves, como falta de recursos e dificuldades de articulação com os governos estaduais.

Para o coordenador do Comitê Brasileiro de Defensores (as) de Direitos Humanos, Darci Frigo, a aprovação do projeto é fundamental para o funcionamento adequado do programa. Um dos maiores problemas, de acordo com Frigo, é que os processos para a inclusão no programa costumam ser longos e demorados, muitas vezes em situações em que os defensores já correm risco de vida.

“O programa não detalha quais são as medidas a serem adotadas nas situações mais graves, em que os defensores já estão correndo risco de vida. Mesmo nessas situações eles têm de passar por procedimentos demorados, que visam reconhecer este status de risco e a situação que levou às ameaças”, explica.

A principal crítica feita pelo comitê é a falta de articulação entre os estados e o governo federal na coordenação do programa. “Há dificuldades para articular os responsáveis pela coordenação e as forças policiais.” Para Frigo, o descaso com o funcionamento do programa se dá em grande parte pela falta de interesse dos governos estaduais no comprometimento com a questão. “Quando a responsabilidade cai nas esferas dos governos estaduais a prioridade é baixa, há muito interesse das oligarquias locais, dos interesses econômicos e políticos que se sentem ameaçados com as denúncias de violações feitas pelos defensores”, explica.

Segundo dados da SDH, entre 2007 e 2011 foram investidos mais de R$ 13 milhões no programa. Em 2012, o orçamento foi de R$ 4,5 milhões. “É um valor bastante pequeno, assim não dá para ampliar o programa para outros estados que ainda não firmaram convênio”, comenta Frigo.

Atualmente apenas sete estados têm o programa implementado em convênio com o governo federal: Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Bahia, Pernambuco e Ceará. Nos outros estados é uma equipe federal que se responsabiliza pela proteção.

Em 2012, o programa recebeu 102 pedidos de inclusão. Segundo a SDH, todas as solicitações receberam “tratamento”, e o programa realizou 113 atendimentos in loco. Nenhum defensor incluído no programa foi morto até agora. Não é possível estimar o número de defensores de direitos humanos que existem no Brasil, já que o conceito de defensor, como recomendado pela Declaração sobre Defensores da Organização das Nações Unidas, deve ser empregado de maneira ampla: “indivíduos, grupos e associações (…) que contribuem para (…) a eliminação efetiva de todas as violações a direitos humanos e liberdades individuais e coletivas”.


Reivindicações

O relatório “Transformando Dor em Esperança – Defensores e Defensoras dos Direitos Humanos nas Américas”, produzido e divulgado em dezembro do ano passado pela Anistia Internacional, critica o programa por apresentar “várias deficiências, como instabilidade de financiamento e falta de compromisso genuíno para oferecer proteção significativa em alguns casos”.

Diante deste cenário, o comitê entregou em dezembro de 2012 uma carta à ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, com reivindicações em relação ao PPDDH. A carta é resultado do Seminário Brasil-União Europeia sobre Defensores de Direitos Humanos, realizado em Brasília, de 10 a 12 de dezembro, que teve como objetivo debater a reorganização da política nacional de proteção aos defensores dos direitos humanos. A principal reivindicação é a aprovação, no Congresso, do projeto 4575, que transforma o programa em lei. A carta defende a criação de “uma rede maciça de ações e informações” entre vários ministérios e órgão federais – Justiça, Desenvolvimento Agrário, Igualdade Racial, Cidades, Meio Ambiente, Desenvolvimento Social e Saúde, entre outros.

Frigo lembra também da função legitimadora que o marco traria para os defensores. “A regulamentação poderia tornar a categoria dos defensores reconhecida legalmente, especialmente perante a setores da segurança pública, que entendem que só serão responsabilizados pela proteção quando houver uma lei ou um reconhecimento formal que indique isso a eles.”

Além do maior envolvimento da SDH e de ministérios no programa, Frigo lembrou da importância de um maior reconhecimento do papel da sociedade na implementação de toda e qualquer ação na área de Direitos Humanos. O Poder Judiciário e o Ministério Público foram apontados por ele como importantes agentes na luta contra a impunidade em crimes contra defensores.

O aumento orçamentário é outro ponto contemplado na carta entregue à SDH. Para Frigo, a regulamentação do PPDDH influenciará também nesta questão. “Se você tem o Programa instituído, você também pode ter depois a designação de verbas orçamentárias.”


Democracia de Conteúdo

O desenvolvimento de campanhas publicitárias contra a criminalização de defensores de direitos humanos, de movimentos sociais e ONGs é outra reivindicação do comitê. “Se há uma ONG que desviou recursos, são feitos ataques a todas as ONGs; quando lideranças de movimentos são perseguidas, há a desmoralização de todas as investigações. Este é um processo de enfraquecimento da atuação dos defensores, de não reconhecimento do papel deles na sociedade”, comenta.

Segundo ele, a campanha deveria ressaltar a importância da atuação dos defensores para o exercício pleno da democracia no país. “Os defensores fazem um papel fundamental para uma sociedade que quer ter uma democracia de conteúdo e não uma democracia só de fachada. Uma democracia de conteúdo significa ser uma sociedade que ponha em prática os direitos humanos.”

O processo de criminalização dos defensores é perverso, de acordo com ele, porque cria preconceitos na sociedade. “Criou-se a ideia de que os defensores de direitos humanos são defensores apenas de pessoas encarceradas, como são chamados ‘os defensores de bandidos’ ”. Ele defende que fique claro para todos que os defensores prestam serviço para toda a sociedade, “desde pessoas que trabalham em associações, indígenas, negros, mulheres, movimentos sociais, enfim, todos, incluindo também advogados e defensores públicos”.


Falta de preparo

O relatório “Transformando Dor em Esperança”, da Anistia Internacional, mostra que os defensores em maior perigo na América são aqueles que lutam por direito à terra, território e recursos naturais. “A desigualdade entre ricos e pobres é maior nas Américas do que em qualquer outro continente. Disparidades na distribuição de terras e de recursos econômicos refletem essa divisão profundamente arraigada. Conflitos relativos a terras, territórios e recursos naturais sempre estiveram no cerne das questões de direitos humanos no passado e no presente das Américas”, diz o documento.

Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) referentes ao ano de 2011 mostram que ocorreram naquele ano 29 assassinatos em conflitos por terra, 38 tentativas de assassinato, 49 mortes em consequência de conflitos, 347 pessoas ameaçadas de morte, 89 trabalhadores presos e 215 agredidos.

Citado no relatório da Anistia Internacional, Alexandre Anderson de Souza, presidente da Associação Homens e Mulheres do Mar (Ahomar), que alerta sobre os danos ambientais e sociais dos empreendimentos feitos na região da Baía da Guanabara, no Rio de Janeiro, relatou falhas na proteção que recebeu após ser incluído no PPDDH.

Em 2007, Alexandre comandou um protesto contra a construção das plataformas e dos dutos submarinos na Baía. Em 2009, um protesto de 38 dias da associação interrompeu os trabalhos de instalação dos dutos. Alexandre e sua esposa, Daize Menezes de Souza, passaram a receber ameaças.

Em agosto do mesmo ano, eles foram incluídos no PPDDH. No entanto, Alexandre fez diversas queixas sobre os policiais responsáveis pela proteção, afirmando que estavam mal preparados e mal equipados. Ele também afirmou que alguns agentes haviam trabalhado como seguranças na obra dos dutos e que já haviam se envolvido em confrontos com membros da Ahomar.


O Programa

No âmbito federal, o programa de proteção é coordenado pela SDH e uma equipe técnica que atende os casos nos estados em que não existe iniciativa. A coordenação nacional delibera sobre os pedidos de inclusão e define as medidas a serem adotadas.

Para ser inserido no PPDDH, o defensor precisa encaminhar um pedido à coordenação estadual, caso exista, ou diretamente à coordenação nacional. Também deve enviar documentos e informações que demonstrem sua atuação, assim como a descrição da ameaça ou da violação de direitos.

Após análise, que inclui visitas no local de atuação do defensor, há várias medidas que podem ser empregadas, como audiências públicas de solução de conflitos; divulgação da atividade do defensor e do programa; monitoramento através de visitas periódicas ao local; retirada provisória do defensor de seu lugar de atuação; e, apenas em casos emergenciais, proteção policial.

Há três modalidades de proteção policial: escolta 24 horas por dia; escolta para deslocamentos; e rondas policiais no local da ameaça. A primeira modalidade, chamada de “proteção dura”, tem hoje 10 pessoas sendo atendidas, a maioria no estado do Pará.

Frigo ressalta que além destas modalidades de proteção, é necessário que os crimes e ameaças sejam investigados, e as causas geradoras da situação de risco sejam combatidas. “A investigação é fundamental, porque sem investigação a proteção fica sem nenhum encaminhamento concreto da situação. É preciso também enfrentar aquilo que causa a ameaça, ou seja, com medidas mais estruturais, com políticas públicas que combatam as violações de direitos humanos.”