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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Escândalo no TSE: e agora, ministra Cármen Lúcia?


De acordo com a "Teoria do Domínio do Fato", da forma como empregada no Julgamento do Mensalão no STF, quem está na posição superior da hierarquia deve ser responsabilizado pelos ilícitos praticados por subordinados. Não foi assim com José Dirceu?

A situação da ministra Cármen Lúcia, presidenta do Tribunal Superior Eleitoral, está, no mínimo, desconfortável, pois duas cabeças já rolaram.

Com a palavra a eminente ministra.

"Multidinha" vai às ruas contra Lula


Tem de tudo nesse mundo...

Num domingo à tarde, em plenas férias, em vez de pegar um cinema na região dos Jardins, ou tomar um sorvete caminhando e curtindo a mais Paulista das avenidas, meia-dúzia de gatos pingados resolveram dar uma de ativistas, defendendo a Pátria Amada, Idolatrada, Salve, Salve!, ameaçada por Lula e petistas "corruptos", que depois do tal mensalão continuaram com o mesmíssimo patrimônio.

"Desinformados" pela mídia golpista, não sabem que a corrupção no Brasil não nasceu com o PT.


Massa cheirosa: Protesto contra Lula e PT reúne 20 pessoas na avenida Paulista


Manifestação contra o ex-presidente Lula e o PT reuniu 20 pessoas na avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na tarde de domingo, dia 13, em São Paulo.


O encontro, marcado via redes sociais, tinha como um dos lemas “Mexeu com o Brasil, mexeu comigo. Por um Brasil sem Lula/PT” e associava Lula ao processo do “mensalão”. Os manifestantes entoavam gritos e seguravam faixas contra o partido e o ex-presidente Lula.


O professor Antônio da Silva Ortega, 60, dizia ter nojo do PT. “Estou aqui porque não quero que o Brasil vire uma Venezuela ou Cuba, mas não sou de nenhum partido.”


A professora aposentada Miriam Tebet veio de Ribeirão Preto para a manifestação. Descrevendo-se como “PTfóbica”, afirmava no início do evento que mais pessoas poderiam comparecer. “Mas não esqueço o País em que vivo”, completou.


Cerca de 1.800 pessoas haviam confirmado presença no protesto no Facebook. A Organização de Combate à Corrupção (OCC) foi uma das principais organizadoras do evento.


A psicóloga Marta Abdo, 55, passava pelo local e disse estranhar a “timidez” dos manifestantes. “Parece meia dúzia de pessoas paradas, sem organização alguma.”


A auxiliar de almoxarifado Ângela Pires da Silva, 25, afirmou que “achava engraçado aquele pessoal parado”. Já o aposentado Carim Facuri, 61, disse que via no protesto “uma bela surpresa a favor da honestidade”. O vendedor de artesanato Antônio José da Silva, 48, dizia acreditar que o protesto fora organizado por algum partido antiPT.





Limpinho e Cheiroso, via ComTextoLivre

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"Justiça" gasta 8 anos punindo "flanelinha"


Enquanto a chefe de organização criminosa é concedido habeas corpus por ministro do STJ, o que permite ao poderoso delinquente gozar das belezas de praia paradisíaca no litoral da Bahia, "soltinho da silva", ao lado da amada e comparsa, ladrões de galinha, de bicicleta, de botijão de gás... são empilhados nas penitenciárias brasileiras.

Há algo de muito podre no "Reino da Dinamarca".

Na entrevista abaixo, o juiz Ali Mazloum aponta a "deficiente estrutura do Judiciário" para explicar a morosidade e a penalização de "coitadezas". Nós, aqui, com a devida vênia do magistrado, discordamos. O problema está na mentalidade e não na "estrutura" do Judiciário.

O Judiciário que temos é elitista, aristocrático, patrimonialista. A morosidade é um mito. O poder é muito ágil e eficiente quando se trata de beneficiar "castas superiores", e lento, lerdo e muitas vezes até omisso para reparar direitos de "cidadãos comuns". "Mão-de-ferro" com despossuídos e doce, açucarado, meloso com endinheirados. 

"Todos são iguais perante a Lei", diz a Constituição da República. Mas basta ter alguns tostões para se tornar "mais igual" que os outros.





Justiça gasta 8 anos para decidir sobre R$ 20 falsos

Julgamento prova que não houve má-fé de flanelinha em repasse de nota; para magistrado federal, caso revela "deficiente estrutura" do Judiciário

FAUSTO MACEDO 

Ao rejeitar nova denúncia criminal contra um flanelinha, preso há quase oito anos por causa de uma nota falsa de R$ 20, o juiz federal Ali Mazloum jogou luz sobre um lado emblemático do poder que julga. "Estamos diante de um episódio que revela a deficiente estrutura do Judiciário, movimentada exaustivamente por casos semelhantes, enquanto as grandes fraudes financeiras e lavagens bilionárias de dinheiro sujo circulam impunemente pelo País."

Chama-se Joel Santos Ramos o acusado. Ele foi detido em 24 de julho de 2005 quando trabalhava como guardador de carro na região do Autódromo de Interlagos. Naquele dia recebeu R$ 20 - mais tarde, na Justiça, alegou que não sabia da encrenca em que se havia metido, que recebera a cédula "de boa-fé" e que não sabia que era falso o dinheiro. "Tomei um calote", disse ao douto magistrado.

Ramos foi denunciado por violação ao artigo 289 do Código Penal, parágrafo 2.º, delito que o Estado pune com detenção de até dois anos e multa. No rito da Justiça o flanelinha virou uma fieira de algarismos, tão extensa e enigmática que deixaria até o escritor Franz Kafka ruborizado: 0009766-66.2005.403.6181.

O juiz Mazloum, da 7.ª Vara Criminal Federal de São Paulo, na sua decisão, assinala que o acusado já havia respondido a processo pelo "mesmo fato e mesmo tipo legal". Ramos fora condenado pelo próprio Mazloum, num primeiro momento da demanda. Ele ficara preso, em razão do flagrante, por cerca de 20 dias. Pegou 6 meses de detenção, pena substituída por prestação de serviços à comunidade.

Recurso. A trapalhada da nota de R$ 20 então pulou para o Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF3). Desembargadores sisudos e de pautas ditas sobrecarregadas tiveram de se ocupar de ocorrência tão prosaica. Tanto o Ministério Público Federal, pela acusação, como a Defensoria Pública da União, em nome do réu, apelaram à corte para pedir a anulação da sentença.

O tribunal anulou todo o processo, "ante a falta de descrição do dolo do agente". Veio a nova denúncia, agora com amparo no parágrafo 1.º do artigo 289 do Código Penal, que prevê pena de até 12 anos de reclusão. Ao longo da ação, segundo Mazloum, ficou clara a boa-fé do acusado. "Abrir novo processo atenta contra a dignidade humana, que proíbe que seja o processo usado como instrumento de punição."


"É um sistema falido que não recupera"

O juiz federal Ali Mazloum, há 20 anos na carreira, está cansado deste modelo de justiça que aí está. Ele avalia que a toga oferece ao cidadão um sistema falido, superado, e diz que a falta de bom senso é um grande complicador da morosidade da Justiça.


O que há de errado?

O poder público é concebido para satisfazer necessidades sociais, harmonizar interesses legítimos, não para aniquilar o indivíduo, transformando-o em objeto de investidas arbitrárias de força. O processo criminal deve ser um mecanismo de justiça, nunca um instrumento de punição, como tem sido utilizado. É um desvio de um sistema penal moderno.


Como mudar esse quadro?


Os operadores do direito estão perdidos, já não sabem para que serve o Direito Penal. Sua aplicação tem sido meramente retributivista, uma forma de vingança diante da ineficácia dos mecanismos de controle. Toda conduta deve ser punida. Não se distingue aquilo que realmente importa. É a maximização da tipologia legal, a aplicação linear e cartesiana do Código Penal, mesmo diante de condutas inofensivas.


Por que a Justiça consome oito anos por causa de uma nota falsa de R$ 20?

O modelo atual relega por completo o significado de uma tipologia criminológica pela qual certas condutas, determinados crimes, deveriam merecer atenção dos órgãos públicos. Essa falta de critério, falta de bom senso, tem sido um grande complicador na grave questão da morosidade do Judiciário. A preocupação maior tem recaído na personagem e fatos com potencial midiático.


Não se faz Justiça?

O que existe são processos ritualizados que oferecem cerimônias degradantes, condenações prematuras em que pessoas são despojadas de sua identidade, consideradas delinquentes antes do julgamento. Com isso, suas biografias sofrem interpretações retrospectivas, ou seja, sua história passa a ser revista à luz do processo criminal. Reduz-se drasticamente ao acusado a margem de oportunidades legítimas, induzindo-o à criminalidade. É um círculo vicioso que serve apenas para alimentar o crime. Esse é um sistema falido que não recupera ninguém.
Estadão Online

Destaques do ABC!

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domingo, 13 de janeiro de 2013

O drama do ativista Cesare Battisti


Injustiçado até no Supremo Tribunal Federal, o ativista político italiano Cesare Battisti hoje goza de liberdade, após 4 anos de ilegal encarceramento no presídio da Papuda, em Brasília.

Carlos Lungarzo, pesquisador, ex-professor universitário e ativista da Anistia Internacional nos conta em livro a saga de Battisti, ferozmente perseguido na Itália e no Brasil.

"Lungarzo descreve o drama de Battisti em três atos: 1) o cenário de repressão e terrorismo da Itália – a verdadeira razão para a perseguição; 2) o segundo julgamento de Milão, o réu condenado ausente, defendido mediante procurações falsas de advogados desconhecidos, tempo em que os verdadeiros autores dos assassinatos de que foi acusado já estavam presos e condenados; 3) o julgamento no Supremo Tribunal Federal, no Brasil."



Battisti, a quem possa interessar 

Resenha do livro de Carlos Lungarzo

Apóllo Nátali*


O ódio coletivo e a perseguição obstinada sustentados a partir da Itália durante 32 anos contra o ex-ativista da esquerda Cesare Battisti se transformaram no que o psicólogo alemão Wilhelm Reich (1897-1957) chamou de “praga emocional”, termo que assume conotação terrificante na definição do real espírito da humanidade quando escrito em outro idioma: Emotionale Pest. Battisti foi alvo de uma “lei da ralé”, linchadora. Essa lei é “a mais violenta expressão de uma opinião pública insana, e mostra que a sociedade está podre até a medula”, no dizer de Timothy Thomas Fortune (1856-1928), jornalista afro-americano, militante antirracista e líder dos direitos civis. Assim amplamente nos fala Carlos Lungarzo, em sua via crucis para explicar a maré de linchamentos sofridos pelo italiano escritor, em “Os cenários ocultos do caso Battisti”, da Geração Editorial.
Constrangedora para os perseguidores principais de Battisti (o estado italiano) e os secundários (o resto do mundo) é a definição da Emotionale Pest: “Um estado de alienação que favorece o surto maciço de rancores, orientados por objetivos como racismo, imperialismo, genocídio, homofobia, misoginia e outros. Esses estados são deflagrados por deficiências psicossociais, especialmente (vejam só!) na vida sexual. Misoginia, para quem falta tempo para abrir o dicionário, significa aversão mórbida dos homens às relações sexuais, desprezo pelas mulheres. É com essa estrutura pessoal, impotente, que o torturador empala suas vítimas.
Lungarzo descreve o drama de Battisti em três atos: 1) o cenário de repressão e terrorismo da Itália – a verdadeira razão para a perseguição; 2) o segundo julgamento de Milão, o réu condenado ausente, defendido mediante procurações falsas de advogados desconhecidos, tempo em que os verdadeiros autores dos assassinatos de que foi acusado já estavam presos e condenados; 3) o julgamento no Supremo Tribunal Federal, no Brasil.
No seu primeiro antigo julgamento havia sido condenado por delitos políticos, sem acusação de mortes. Na ocasião fugiu da prisão, viveu no México, depois na França, onde o presidente Chirac derrubou o refúgio concedido por Mitterrand. Da França fugiu para o Brasil, onde ficou preso ilegalmente durante 4 anos, linchado pelo Supremo Tribunal Federal e finalmente obteve o asilo no último dia do governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Este reduzido espaço é insuficiente para fazer as honras ao trabalho em três atos e quatro anos de pesquisa de Lungarzo. Ele foi integrado pelo ex-preso político Celso Lungaretti em 2008 ao círculo solidário solidificado no mundo contra a extradição de Battisti pelo Brasil. Destaca-se nesse círculo a escritora francesa e antropóloga Fred Vargas, que em defesa do asilo expôs ao mundo em powerpoint os papéis falsificados pelos tribunais italianos. Aprendeu a falar português durante mais de 20 viagens de Paris a Brasília em sua maratona humanitária. Há que se dispor de espaço para honrar o inteiro teor do trabalho de Carlos Lungarzo, a credibilidade desse argentino que vive no Brasil e que sofreu semelhantes perseguições durante as ditaduras do Cone Sul. Disponho de 10 linhas para isso.
Doutor em Ciências Sociais e Ciências Exatas e pós-doutor na área de sociologia matemática pela McGill University, de Montreal, Canadá, Carlos Lungarzo foi professor titular das Universidades Estaduais de Campinas (UNICAMP) em São Paulo e do Rio de Janeiro (UERJ) além de visitante em universidades de vários países. Foi pesquisador do CNPq do Brasil, entre 1988 e 2004. Escreveu artigos em periódicos especializados e publicou nove livros da sua área. É militante voluntário em organizações de direitos humanos e de organismos internacionais de refugiados há mais de 30 anos. Celso Lungaretti, o baluarte na defesa do asilo de Battisti, quem primeiro alertou Lungarzo para a tragicomédia fascista, escreveu mais de 300 artigos em seu blogue Náufrago da Utopia. Lungarzo, um tanto mais em seus blogues, além de outros dois livros, “Uma breve análise do caso Battisti”, 53 páginas e um primeiro “Os cenários invisíveis do caso Battisti”, 115 páginas.
Vamos ao resumo dos três atos das pesquisas de Lungarzo sobre a perseguição insana a Cesare Battisti, lembrando a impossibilidade de narrar em pormenores nestas poucas linhas a descrição dos personagens que assumiram a perseguição e os sombrios cenários em que atuaram, por último os cenários do Supremo Tribunal Federal. Senhores alienados, mal intencionados, os acometidos pela Emotionale Pest, melhor ainda, os bem intencionados deste mundo, os estudiosos sinceros das chagas da humanidade, procurem todos a descrição tenebrosa da perseguição e suas circunstâncias históricas na leitura paciente de "Os cenários ocultos do caso Battisti". Sim, Lungarzo é também um historiador.
O primeiro ato, é preciso paciência para digerir, é o cenário de repressão e terrorismo na Itália e no mundo: o terrorismo de estado a varrer o comunismo do planeta, que uniu a OTAN e a CIA aos fascistas, aos militares e às sociedades secretas na Itália; o cenário equivalente na América Latina: a sobrevivência da ditadura brasileira no judiciário, no exército, na polícia e em grande parte do sistema político e empresarial; o cenário oculto da mídia, bem diferente do seu cenário visível, em ambos os países, Itália e Brasil, e mesmo na França, – a trama íntima da mídia incluiu distorção da verdade, omissão, autocensura, manipulação, sensacionalismo, difamação, desconstrução pessoal; o cenário teológico brasileiro, que é contraditório. Enquanto um pequeno grupo de católicos progressistas e alguns padres e monges marginalizados pela Igreja apoiam a causa do perseguido, a maioria dos fiéis e todo o aparato eclesial põem discretamente, com sua habitual modéstia, combustível na fogueira; o cenário da direita “legal”, especialmente no Brasil. Racistas, neoliberais, fazendeiros, jagunços, comunicadores, empresários, financistas empolgam-se com a esperança de um golpe contra o governo Lula e um mega banho de sangue maior ainda que o cotidiano massacre de populares. “Fracassei totalmente ao tentar indagar o cenário oculto das finanças. Nem os eficientes pesquisadores britânicos e franceses puderam me ajudar. Ele estava realmente oculto, com seus acessos fechados a sete chaves.”
O segundo ato é o segundo julgamento de Battisti em Milão, ele ausente, fugitivo pelo planeta, defendido por advogados munidos de representações falsificadas mediante o recurso do decalque de assinaturas antigas do perseguido. Neste ponto da caçada internacional, a família de Battisti é sequestrada e torturada. As procurações apócrifas estão denunciadas e comprovadas nas páginas 211 a 216 do livro de Lungarzo. A quem possa interessar. Quem lê vale mais. Em julgamentos montados pelos alucinados artífices fascistas da magistratura italiana, Battisti foi condenado duas vezes a prisão perpétua.
O terceiro ato é o linchamento de Battisti pelo Supremo Tribunal Federal, no Brasil, que o manteve preso ilegalmente durante 4 anos, aprovou a extradição e engoliu o seu cala boca por parte do governante a quem, pela lei brasileira de asilo, competia a decisão, o presidente Lula. Os sinceros que não fogem à procura da luz nestes episódios, procurem as páginas de 303 a 316, onde o assunto é dividido nos seguintes títulos sobre a perseguição do STF a Battisti: o pretoriano chefe, o inquisidor mestre, o círculo do mestre, a voz do amo, a preparação do julgamento, o processo inquisitorial, a anulação do refúgio, votando a extradição, quem decide extraditar.
Os quatro homicídios imputados falsamente a Battisti, num cenário de resistência ao terrorismo da direita, tempo em que os verdadeiros culpados já estavam julgados e presos, são o do carcereiro da prisão de Udine Antonio Santoro, o do açougueiro Lino Sabbadin, o do ourives Perluigi Torregiani e o do motorista da polícia Andréa Campagna. O primeiro, Santoro, era conhecido entre os internados de Udine e seus familiares como massacrador de detentos de longa data, sendo denunciado em vários documentos como organizador de tormentos e violador dos direitos dos presos. Sabbadin era filiado ao MSI, Movimento Socialista Italiano, o mais tradicional grupo neofacista italiano, que matava ladrões e outros marginais. Torregiani andava ostensiva e fortemente armado por Milão, e procurava confronto com os seus alvos como pretexto para matar. Exibia em sua loja uma foto do cadáver de uma de suas vítimas. O motorista da polícia Andréa Campagna era acusado de torturar presos. O mais conhecido entre os quatro mortos era o ourives Torregiani, com influência econômica e política, proximidade com a mídia, membro de um grande grupo parapolicial chamado Maggioranza Silenciosa (Maioria Silenciosa).
Battisti era contra a violência e por esse motivo foi expulso do seu grupo, acusado de traição. Um dos trechos de um julgamento de 1983 o menciona como ideólogo contra o sistema prisional, o que coincide com a crença de que os carcereiros o odiavam especialmente por ter denunciado as torturas aplicadas em Udine. Outro trecho se refere ao seu temperamento digno, pois havia sido expulso da sala de audiências por desacato verbal aos magistrados e sua negativa a se curvar ao ritual de reverência. Ambos os trechos do julgamento confirmam conjectura de Lungarzo de que a atitude de Battisti enraivecia seus algozes, que pensavam nele com especial animosidade, avivando a fúria de perseguição, o que não se percebe com nenhum dos outros réus. Pessoas com esse perfil irredutível são as que a primitiva Inquisição chamava de hereges penitentes relapsos. A esquerda combatia o fascismo com ações e não apenas com palavras e foi apoiada pela população marginalizada.
De brinde, o livro de Carlos Lungarzo termina com uma entrevista de Cesare Battisti, feita depois da conclusão do seu trabalho para não sofrer qualquer intromissão nas suas verdades pesquisadas. A quem possa interessar.

* Jornalista e escritor, é colaborador também em blogs progressistas.

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sábado, 12 de janeiro de 2013

Mulheres Canalhas, Mulheres no Crime



"Toda família tem uma canalha", afirma a jornalista Martha Mendonça, autora do livro Canalha, substantivo feminino, onde desvenda as canalhices do universo feminino.

Há famílias mais desafortunadas, que abrigam duas ou mais canalhas... Já imaginaram o drama?

Além da canalha-mor, cruel e cafajeste, na mesma família se encontrar uma outra, uma espécie de "canalha aprendiz", igualmente nociva e nefasta, com muitos traços da canalha original?! E tendo muitas vezes a canalha original como mestra?!

Eu conheço pelo menos duas canalhas na mesma família. Ambas predadoras, frias, calculistas, "alpinistas sociais", que usaram o casamento para "subir na vida", exibir casa nova, vestir roupas de grife, desfilar de nariz empinado dirigindo seus carros de luxo... Mas no caso em questão a "canalha-mor" é imbatível nas suas patifarias. Não tem pra ninguém. E não soube respeitar limites, descambando para o crime.


Essas mulheres canalhas, muitas delas psicopatas (insanidade moral), são adeptas do lema "Compro, logo existo". Muita vocação para a riqueza e nenhuma para o trabalho. Em geral sobem na vida "escalando calças masculinas", dando golpes, lesando por vezes uma família inteira, e vão adquirindo um ar de superioridade em relação ao resto da humanidade. Elas acham que podem tudo. Elas "chegaram lá", "venceram na vida". Não importa em quem "pisotearam".

                                         "Viúva Negra", "171" procurada pela Interpol.

Em seu livro, a "especialista em canalhas" Martha Mendonça narra seis estórias tendo por protagonistas mulheres de natureza amoral, trapaceiras, que se fazem de vítima, usam e abusam da chantagem emocional, mentem descaradamente para subjugar maridos, gerenciar amantes, fazer filho fora do casamento, manipular tudo e todos, auferir patrimônio, exibir seus podres poderes e até destruir suas vítimas, quando já nada têm para lhes oferecer.

A contragosto, eu também estou desenvolvendo uma certa "expertise em canalhas". Os crimes das que conheço devem render pelo menos mais um livro para alertar os incautos.

Abaixo reproduzo artigo sobre o livro das canalhas. Leia e aprenda a se proteger destas pestes. Aviso que não é fácil. Elas são exímias profissionais da empulhação e muitas vezes da criminalidade.


Foto: Divulgação 

Mulheres canalhas

Elas são muito piores que os cafajestes

Bem ou mal, eu sempre acreditei que homens e mulheres são essencialmente semelhantes. Ao contrário da longa tradição conservadora, que, desde a Bíblia, imputa às mulheres pensamento e sentimentos opostos aos dos homens, eu sempre defendi, de forma totalmente intuitiva, que, afora a biologia, as diferenças entre homens e mulheres são apenas culturais – nada que uma geração ou duas de igualdade não fosse capaz de varrer da face da Terra.

Por pensar assim, eu me surpreendo profundamente com as sugestões de diferenças inconciliáveis entre sexos, sobretudo quando apresentadas pelas próprias mulheres – como acontece no livro Canalha, substantivo feminino, escrito pela minha colega Martha Mendonça, a gentil, ferina e bem-humorada repórter da sucursal do Rio de Janeiro de ÉPOCA.

Publicado pela Editora Record, o livro reúne contos sobre mulheres que fazem os cafajestes masculinos parecerem coroinhas. Cada uma dessas histórias é um pequeno compêndio de maldades – maldades que, pela forma e pelo conteúdo, parecem intrinsecamente femininas, ainda que muitas delas não sejam exclusivas das mulheres.

Há uma estagiária de 20 anos, Larissa, que seduz o chefe quarentão até levá-lo a um estado de loucura, pelo prazer egoísta de testar o próprio poder. Há uma loira sensual, Ingrid, que sobe na vida sem trabalhar usando os homens friamente, como degraus da sua escalada social. Há uma arquiteta de 30 anos, Mariana, que arrasta o marido da antiga rival de colégio para um motel apenas pelo gosto de humilhar a beldade envelhecida.

Todas essas histórias têm em comum uma perversidade que eu não vejo no universo masculino. Os homens fazem coisas torpes, mas, tanto quanto eu percebo, agem na vida privada movidos pela paixão dos sentimentos. Seus atos, vistos de fora, são impulsivos e primitivos, de tão óbvios.

Em oposição, as mulheres de Martha são racionais, calculistas, oblíquas como o olhar de Capitu. A mãe seduz o namorado da filha para sentir-se jovem e desejada. Sem hesitação e sem remorsos. A noiva entrega-se a todos os homens, menos ao seu prometido, por quem sente um mal disfarçado desprezo. A mulher planeja e leva a cabo o assassinato do marido por lento e penoso envenenamento.

De onde vem isso? Em primeiro lugar vem da Martha. Como boa carioca, ela parece ter bebido nas águas turvas do Nelson Rodrigues, o grande sintetizador do universo imoral brasileiro. As personagens de Martha são pecadoras de classe média baixa, criaturas infames do repertório da família degradada que o autor de Vestido de Noiva e Beijo no Asfalto reconheceria instantaneamente.

Mas há nelas também, como apontou uma amiga, um toque atemporal de Lolita – a adolescente sensual do livro de Vladimir Nabokov, capaz de manipular o desejo de um homem adulto até reduzi-lo ao estado (ainda servil) de trapo. Como Lolita, as mulheres de Martha são exímias manipuladoras, que usam o corpo delas e a imaginação dos homens como armas.

Os homens, tanto quanto eu percebo, são incapazes de operar nesse universo de sutilezas, por uma razão essencial: não é fácil manipular o desejo das mulheres.

Homens são facilmente controláveis pelo zíper. Não é preciso ser uma beldade para fazer isso. Basta ser sensual e gostar de sentir-se assim. E ter em si um grama de maldade. O roteiro é velho e batido: quando o sujeito quer, a moça não quer. Queria ontem, mas hoje não tem certeza. Aproxima-se, mas, depois, muda de ideia e se afasta. Enquanto isso, mantém o corpo desejado a uma distância impossível de ignorar, mas difícil de tocar. É fácil e simples.

Quantos homens vocês conhecem que são capazes de manter uma mulher na rédea com esse tipo de ardil? Eu não conheço nenhum. Nas únicas situações em que vi esse tipo de coisa acontecendo, a mulher estava completamente apaixonada. Mulheres apaixonadas parecem perder o controle. Homens perdem o controle por luxúria, por lascívia, por desejo, por tesão – sentimentos muito mais corriqueiros neste mundo de meu deus. A gente vê isso acontecendo todos os dias.

Outra coisa que distingue as mulheres da Martha dos homens reais é que elas operam numa esfera que eu chamaria de contra-poder.

Os homens têm o dinheiro, o prestígio social e o comando, nas empresas e no mundo. As mulheres têm aspirações. Contra o óbvio poder social dos homens, elas lançam mão de estratagemas e subterfúgios, atalhos que, nos enredos de Martha, passam quase invariavelmente pelo sexo. Mesmo a quarentona gostosa que seduz o namorado adolescente da filha está marcando um tento contra o poder masculino – aquele que escolhe favorecer o corpo da mulher jovem em detrimento da mulher mais velha. Há sempre uma ponta de afirmação no poder paralelo das mulheres canalhas.

Ao terminar o livro, que li de uma vez só, encantado, tive várias sensações.

A primeira foi de alívio. Aos 50 anos, eu ainda não encontrei uma das mulheres más que Martha descreve. Já vi algumas inebriadas com o seu poder de seduzir e outras que ensaiaram subir na vida escalando as calças masculinas, mas eram amadoras.

A segunda sensação com que o livro me deixou remete ao começo deste texto: mulheres, afinal, talvez sejam diferentes de nós, homens. O mundo do poder masculino criou tipos dominantes que são agressivos e toscos em seus métodos. Óbvios, enfim. O universo da submissão feminina inventou mulheres sutis e ardilosas, bem mais difíceis de mapear e entender.

Essas não são diferenças no interior do cérebro ou da alma, porém. São diferenças sociais que, de tão velhas, passaram a fazer parte de nós – até que sejam varridas da face da Terra por uma ou duas gerações criadas em igualdade.

Revista Época


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O "apagão jornalístico" e o golpe em andamento


Eles não erram. Eles são mal-intencionados. E não produzem jornalismo, mas ativismo político-partidário.

"Eles" são os veículos da dita "grande imprensa": Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Veja... que constituem o que alguns chamam de "PIG" (porco, em inglês): Partido da Imprensa Golpista. E também o Jornal Nacional, claro, e coisas do gênero.

"Eles", proclamando isenção, têm lado. Sempre tiveram. E não é o lado do Povo Brasileiro.

Desinformar para confundir, tumultuar, dividir, dominar.

"Eles" são porta-vozes históricos das "elites podres" de que falou a ministra Eliana Calmon, classes privilegiadas, gente mesquinha, ignorante, apátrida, que não aceita o Brasil sob o comando de governos trabalhistas, populares, cujas políticas contemplam sobretudo os mais frágeis. 

"Eles", as forças do atraso, do retrocesso, do golpismo, já estão em campanha para 2014. Ou antes. Não se enganem: os setores retrógrados, elitistas e patrimonialistas do Judiciário (e STF) estão com "eles", no embate contra Lula, Dilma e todas as forças progressistas, que querem um Brasil para todos.




A semana dos grandes erros na grande imprensa



Primeiro, a Folha noticiou uma reunião de emergência sobre o setor elétrico, que era rotineira. O Estadão, em letras garrafais, anunciou que o Ministério Público investigaria o ex-presidente Lula. E o Globo avisou que empresários já estariam fazendo seu próprio racionamento. Três exemplos "wishful thinking", em que a vontade política dos editores se impõe à objetividade dos fatos. Se isso não bastasse, Veja também derrapou feio ao anunciar uma megafusão bancária que não houve

247 - Wishful thinking. A expressão inglesa é a melhor tradução para o comportamento dos grandes jornais brasileiros na semana que passou e expressa um dos principais erros do pensamento, que é o de transformar desejos em realidade. Em vez de narrar os fatos como eles são, a história é contada como gostaríamos (ou gostariam) que fosse.

Entre pessoas comuns, o erro é perdoado. Mas quando se trata de grandes jornais, que têm o dever da objetividade, a questão se complica. A semana que passou, para a grande imprensa, foi também a semana dos grandes erros. Não pequenos deslizes, mas erros colossais, que, em alguns casos, foram escritos em letras garrafais – fugindo até ao padrão gráfico das publicações.

O jogo dos erros começou com a Folha de S. Paulo, dos Frias, que, na segunda-feira, anunciou: "Escassez de luz faz Dilma convocar o setor elétrico". No subtítulo, a mensagem de que, na "reunião de emergência", seriam discutidas medidas contra o racionamento, sob a imagem de uma vela acesa na escuridão. Este era o desejo – o wishful thinking. A realidade, no entanto, é que a reunião não era emergencial nem haverá racionamento.

No dia seguinte, foi a vez do Estadão, principal concorrente da Folha, que não ficou atrás. O sonho da família Mesquita, que controla o jornal, talvez seja ver o ex-presidente Lula atrás das grades. E a manchete "MPF vai investigar Lula" veio em negrito e letras gigantes como se anunciasse que a Alemanha nazista foi derrotada pelos aliados. Mais um exemplo de wishful thinking. No mesmo dia, a "informação" foi negada pelo procurador-geral Roberto Gurgel.

O Globo, dos Marinho, naturalmente, não poderia ficar de fora da festa e anunciou que grandes grupos empresariais já planejam racionar energia. Outra demonstração de um desejo – na quinta-feira, após uma reunião com a presidente Dilma, os principais empresários do País deram demonstrações públicas de que não estão trabalhando com a hipótese de apagão.

Se tudo isso não bastasse, houve também a barriga de Veja Online, que, também nesta semana, anunciou a fusão entre Bradesco e Santander. Neste caso, não era wishful thinking. Apenas um erro de informação e os jornalistas responsáveis foram demitidos.

De todo modo, a semana foi exemplar ao escancarar os riscos que se corre quando a vontade política dos editores se sobrepõe à objetividade dos fatos.

PS: até agora, apenas a Folha admitiu o erro, ainda que em letras miúdas.


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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Promotor não é Engavetador e MP não é Arquivo...


Promotor de Justiça existe para Promover Justiça. Logo, Promotor de Justiça não deveria ser Promotor de Injustiça.

Promotor não é Engavetador e Ministério Público não é Arquivo de Denúncias.

Ministério Público é Fiscal da Lei, Defensor da Cidadania e da Sociedade.




Conheça o trabalho do Ministério Público e do Promotor de Justiça clicando aqui.

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