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terça-feira, 10 de julho de 2012

SP: Querem incriminar e silenciar a Blogueira e o ABC!



Não valem o ar que respiram.


Numa frase, essa é a síntese dos que lesam e desferem golpes contra esta Blogueira, ferindo seu Direito de Propriedade, ao mesmo tempo em que a caluniam, difamam, injuriam, constrangem, isolam, ameaçam, intimidam e promovem contra a cidadã violências de toda ordem.



A Blogueira, mulher civilizada, há 4 anos foi ao Judiciário buscar reparação a seus direitos violados. O Judiciário preferiu fazer vistas grossas, ameaçando a Blogueira com a Extinção do Processo!!! VIOLÊNCIA INSTITUCIONAL.


Como a Blogueira não aceita tais constrangimentos, luta por Justiça e mantém este blog altivo e combativo, onde passou a denunciar as violências que sofre, de Vítima-e-Denunciante a Blogueira pode passar a Ré-e-Denunciada, graças a um "Esquema de Inversão", montado para incriminar a Blogueira, livrar a cara dos faltosos e silenciar o aguerrido Abra a Boca, Cidadão!


A Blogueira procura estar atenta a ciladas, emboscadas e armações, enquanto mobiliza pessoas e instituições e toma providências várias contra mais esta canalhice.


No vídeo abaixo, o Dr. Paulo Magalhães, destemido e combativo advogado e ex-delegado, presidente da ong Brasil Verdade, nos explica didaticamente como funciona este "Esquema de Inversão" e variações, criados para garantir a Impunidade a delinquentes endinheirados, públicos e privados.


Link do vídeo * * *

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O Supremo e o "Julgamento do Século"



“A Justiça é cega e isso serve para explicar muita coisa”.
                                                                                  Mário Quintana, poeta



Vem aí, em agosto, com o fim do recesso judiciário, o "Julgamento do Século", do Mensalão, dos Mensaleiros, ocasião em que teremos supremos momentos, supremas oportunidades, supremas ocasiões de conhecermos melhor o que aconteceu de fato neste caso e de quebra como funcionam as engrenagens do mais fechado e retrógrado dos poderes da República, agora felizmente sob o comando de um presidente sensível, aberto e progressista, antenado com os anseios da sociedade planetária e democrática.




Supremos momentos


Wálter Fanganiello Maierovitch, jurista e ex-desembargador do TJ-SP

Têmis, a deusa mitológica da Justiça, sempre desfrutou de grande prestígio. Dante lembrou-se dela no Purgatório. Ovídio, na Metamorfose, contou em poema épico a solução do oráculo para Pirra e Deucalião povoarem o planeta devastado pelo Dilúvio Universal. Assim, os dois saíram a atirar, sem olhar para trás, pedras que se transformavam, ao tocar o solo, em mulheres e homens, conforme lançadas pelo casal.



Foto: José Cruz/ABr

A venda nos olhos de Têmis foi colocada por artistas alemães da Idade Média, como lembra o jurista Damásio de Jesus e para simbolizar a imparcialidade. No Brasil, seria melhor termos uma Têmis de olhos bem abertos e com representantes no Supremo Tribunal Federal (STF), com mandato improrrogável de cinco anos. Como ironizou Mario Quintana, o poeta das coisas simples: “A Justiça é cega e isso serve para explicar muita coisa”.

A propósito, o STF, nos últimos 40 anos, condenou à pena de prisão fechada apenas um deputado, e ele era do baixo clero: Natan Donatan (PMDB-RO). Em 2 de agosto, começará o julgamento do processo criminal que ficou conhecido por mensalão, com 38 réus, 234 volumes, 495 anexos e 50.119 páginas. Têmis estará lá, entronizada que foi na parte externa da sede do Pretório, com venda nos olhos e de costas para os 11 julgadores.

O nome “mensalão” completou sete anos de idade e restou cunhado pelo então deputado e delator Roberto Jefferson. Refere-se, conforme o Ministério Público Federal em denúncia apresentada e recebida pelo STF, a um esquema de compra, habitual e em dinheiro, de apoio de parlamentares e a envolver crimes de formação de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas e corrupção ativa e passiva.

Jefferson, um dos réus, admitiu ter recebido 4,5 milhões de reais. Até hoje, ele não declinou, de modo a conferir impunidade, os nomes dos parlamentares do seu partido político e para os quais repassou o dinheiro. Talvez pelo silêncio com relação aos seus, Jefferson, um varão de Plutarco às avessas, mantém-se como presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). A propósito, ele contou ter embolsado vivos 4 milhões de reais e o restante mandou seu motorista buscar no restaurante do Banco Rural.

O ministro Ayres Britto, presidente da Corte excelsa, quebrou lanças para tentar julgar o caso antes de se aposentar em 18 de novembro próximo. No momento, os ministros do STF gozam férias e Britto tentou suspendê-las para poder antecipar o julgamento. Apesar do recesso e movido pela preocupação de uma quase certa falta de tempo para se colher o voto do ministro Cezar Peluso, que se aposenta compulsoriamente em 3 de setembro, o presidente Britto tenta mudar o cronograma já divulgado. Ele trabalha, junto aos seus pares, para marcar três sessões semanais e apressar a solução final.

De olho num desgaste de adversários em período eleitoral, muitos aplaudem a pressa de Britto. Lógico, se esquecem da lentidão do processo chamado “mensalão tucano”. Na verdade, e a Têmis bem sabe, o julgamento açodado compromete o processo justo. A pressa jamais pode ser o objetivo principal em um julgamento.

No caso do “mensalão”, os ministros realizaram, sem ouvir os advogados constituídos pelos réus, uma divisão de tempo para a sustentação oral em plenário da Corte e o acusador ganhou prazo maior. Dessa maneira, os ministros transformaram o poder discricionário em puro arbítrio.

Diante desse quadro e com dois ministros impedidos por flagrante parcialidade (Gilmar Mendes e Dias Toffoli), surgirão incidentes processuais que poderão furar o cronograma. E até impossibilitar, pelo decurso do tempo, o voto de Peluso, ainda que se cogite de antecipar o voto, depois dos lançados pelo relator e o revisor.

Nada justifica tal apressamento, e aqui cabe um data venia em homenagem a Ayres Britto. Em clima impróprio por pressões e cúmulos de interesses variados, o julgamento poderá transmudar-se de técnico para político. O STF, diversas vezes, optou por decisões políticas. Por exemplo, ao decidir pela legitimidade da denominada lei da anistia, aprovada por Parlamento biônico e cunhada pelos militares para garantir a impunidade em face de consumados crimes de lesa-humanidade, os ministros, por maioria e conduzidos pelo voto de Eros Grau, deram uma decisão política, além de canhestra.

Numa apertada síntese, deveria ser esquecida a pressa e se focar no fazer Justiça no melhor dos climas. Peluso, que é homem honrado e que nunca tirou coelho de cartola, deveria pendurar a toga na volta do recesso pela razão de não poder, colhido pela aposentadoria, acompanhar o voto dos demais.

Até o final do julgamento, o julgador pode se retratar diante dos argumentos apresentados nos votos dos demais. Se Peluso votar e cair fora, será vencido, e aqui cabe outro data venia, pela soberba. Com dez ministros (contando Mendes e Toffoli) e empate, vai valer o in dubio pro reo, pois todos são presumidamente inocentes.



CartaCapital
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domingo, 8 de julho de 2012

Nadine Gordimer, 88 anos: vigorosa escritora e ativista



A Flip acabou em Paraty, "um lugar chamado poesia", como disse hoje de manhã a escritora "afro-escocesa" Jackie Kay, numa inesperada e emocionante declaração de amor à cidade.


Dias de alegria, de reencontros, descobertas e flânerie virtual pelas ruas estreitas da graciosa cidade, entre serras e águas, alma reconfortada com autores e textos.


"E agora, José?", indagaria o Poeta Maior.


Agora ainda mantenho o clima, trazendo matéria sobre Nadine Gordimer, uma brava escritora e ativista, que esteve na Flip anos atrás, e aos 88 anos continua usando sua ação e palavras combativas para denunciar injustiças e defender a liberdade, inclusive a de expressão.


Nobel de 1991, Nadine Gordimer investe contra o governo de seu país

Sul-africana militante histórica antiapartheid reafirma sua profissão de fé em prol da liberdade

Ubiratan Brasil

A fragilidade da escritora sul-africana Nadine Gordimer é apenas aparente. Aos 88 anos, seu físico, é certo, exibe limitações, mas seu rigor intelectual continua intacto. E beira à ferocidade quando se dispõe a lutar pela liberdade. Autora de mais de 30 livros - em sua maioria, crônicas sobre a deterioração social que marcou seu país durante o regime do apartheid -, ela construiu uma prosa em que dramatiza as difíceis escolhas morais surgidas em uma sociedade marcada pela segregação racial.


AFP

Se o trabalho do escritor está em risco, a liberdade do leitor também é ameaçada, diz Gordimer


E o fôlego segue perfeito: Nadine continua liderando o protesto contra as propostas draconianas do governo sul-africano para amordaçar a mídia. "Se o trabalho e a liberdade do escritor estão em risco, a liberdade de cada leitor também está ameaçada", disse ela ao Sabático, de sua casa, em Johannesburgo, em entrevista exclusiva, por telefone. O pretexto da conversa: o lançamento, no Brasil, do primeiro volume de Tempos de Reflexão (editora Globo), conjunto de artigos escritos entre 1954 e 1989; o segundo, que cobre o período 1990-2000, deve sair em novembro.

São textos tanto analíticos como confessionais. Ganhadora do Nobel de literatura de 1991, Nadine Gordimer reflete sobre a vida e a carreira, revelando-se autora e ativista política. Uma das grandes defensoras dos direitos de Nelson Mandela, advogado que se tornou o mais importante líder da África negra, Nadine lutou pela sua liberdade quando ele foi preso por atuar contra o apartheid.

A essência, na verdade, é a defesa incondicional da liberdade de expressão. A profissão de fé está em um artigo escrito em 1985, O Gesto Essencial. Ali, Nadine observa: "Os escritores que aceitam uma responsabilidade profissional na transformação da sociedade estão sempre procurando meios de concretizá-la que suas sociedades nunca poderiam imaginar, muito menos exibir: demandando de si mesmos meios que penetrarão como uma furadeira para liberar o grande jorro primal da criatividade, alagar os censores, limpar os códigos civis removendo sua pornografia de leis racistas e sexistas, lavar as diferenças religiosas, extinguir as bombas de napalm e os lança-chamas, eliminar a poluição da terra, mar e ar, e conduzir os seres humanos à rara fonte estival de alegria pura." E conclui: "Cada um tem sua própria varinha de vidente, mantida sobre o coração e o cérebro."

Tempos de Reflexão é notável também pelo relato aberto que Nadine faz de sua juventude, quando os hábitos dos brancos sobrepunham os dos negros. Na verdade, eram seres invisíveis - para ela, um dos fatores mais confusos que marcou seu crescimento na África do Sul era a estranha mudança na sua percepção dos africanos ao seu redor e na sua atitude em relação a eles. "Vim a ter consciência da presença deles com uma lentidão incrível, parece-me agora, como se por meio de uma faculdade que naturalmente deveria ter feito parte do meu equipamento humano desde o início", escreve ela em Uma Infância Sul-Africana, de 1954. Leia a seguir a entrevista em que Nadine fala, com invejável vigor, sobre sua incansável militância.
 

Seu trabalho atual se notabiliza principalmente pelo combate à censura em seu país. 


Sim, ainda corremos o risco da mordaça, pois agora a comissão que avalia a mídia ameaça voltar. Escrever pressupõe uma interação com os leitores. Se o trabalho e a liberdade do escritor estão em risco, a liberdade de cada leitor também está ameaçada. Depois de lutar tantos anos contra o apartheid, período em que vi pessoas morrendo pela causa da liberdade, não imaginava que fosse preciso lutar novamente contra o governo.


Como a senhora define seu engajamento?


Bem, sou uma escritora, portanto, a liberdade de expressão é primordial para minha atividade. Acredito na existência de duas bases para a liberdade. Uma é a de se poder votar à sua escolha e outra é a liberdade para se dizer o que pensa, seja a imprensa, seja o cidadão comum. Isso pode parecer um tanto óbvio para você, mas, acredite, é uma conquista para meu país.


Para a senhora, escrever é um caminho para compreender a vida?


Sem dúvida. É preciso desfrutar do direito de publicar livros e de expressar seus pensamentos. Digo isso porque um livro acaba sendo mais importante que jornais e revistas por conta de sua perenidade: ele se transforma em um testemunho para a posteridade.


De fato, suas palavras persistem há décadas, como comprova Tempos de Reflexão, repleto de textos ainda atuais. Ao escrever, como a senhora lida com a posteridade?


Não penso dessa forma, ou seja, em quão eterna será minha escrita. Minha preocupação é mais imediata, com a mensagem que espero passar, minha visão crítica e, especialmente, com a possibilidade de estabelecer a comunicação com o leitor.


A senhora escreveu, certa vez, uma frase impactante: "A verdade não é tão bela como a luta para conquistá-la." Isso, de algum modo, se tornou a meta da sua escrita, não?


Para mim, a escrita tem de ser honesta, seja qual for seu formato: ficção, artigos, contos. Isso significa explorar por meio da palavra o que é a vida. Descobrir o que significa ser humano, englobando seu passado, os problemas atuais e as perspectivas de progresso para o futuro. Não me apego à religião, sou ateia, acredito apenas na existência das diferentes possibilidades de relacionamento que isso implica.


Como se deve lidar com o passado?


Obviamente não se pode esquecê-lo ou ignorá-lo - isso é estupidez. Mas deve existir um limite para que o passado não interfira em seus passos atuais e, principalmente, não seja a única forma de criar o futuro. Isso pode resultar na manutenção de um atraso social, o que, infelizmente, ainda se vê em muitas regiões da África.


E como a senhora analisa a atual situação da África do Sul?


O debate parece horrorizar nosso presidente Jacob Zuma, que tenta amordaçar a imprensa, especialmente a televisão. Isso é um crime, pois o governo deve ser transparente e não se preocupar em evitar o surgimento de críticas. É claro que não estou pregando uma total transparência - segredos militares têm de ser conservados, mas precisamos estabelecer uma relação mínima com os governantes e saber o que eles pensam, como planejam, o que executam. Tal atitude leva a outro problema grave, a corrupção, que, se não é uma exclusividade do meu país, aqui parece bem enraizada: as pessoas que estão no poder não conseguem se contentar com o que têm e se tornam facilmente corruptíveis. Tenho procurado participar de discussões em que programas sociais sejam prioritários nas decisões governamentais e que, principalmente, a verba separada chegue de fato ao seu destino. Talvez o que seja mais terrível na corrupção é sua grande capacidade maligna de desumanizar as pessoas.


Muitos textos de seu livro trazem lembranças pessoais. A senhora pretende escrever sua autobiografia?


Jamais. Minha vida pessoal pertence a mim e não pretendo compartilhá-la com ninguém. Claro que existem biógrafos que vasculham minha vida e minha obra, não tenho como evitar isso. Procuro apenas evitar excessos e mentiras. Minhas opiniões estão em minha obra, especialmente na que agora está sendo lançada no Brasil. Apesar de historicamente meu país estar mais conectado à Europa, eu espero que aumente a relação com o Brasil, pois, não apenas estamos geograficamente na mesma linha como temos mais antepassados em comum. Estive em Paraty para a Flip em 2007 (por conta disso, há um texto dela em Dez/Ten, publicado agora em comemoração à décima edição do evento), o que reforçou minha tese de que Brasil e África do Sul devem estreitar relações, não apenas comerciais mas principalmente culturais.


É possível dizer que muito da sua trajetória, por estar marcada por lutas pela liberdade, acaba se confundindo com sua escrita?


Isso é inevitável com qualquer escritor, independentemente do grau político de sua obra. Veja, quando leio uma biografia séria, direita, busco ali fatos sobre o envolvimento do biografado na vida pública. Também suas relações pessoais, frustrações, decepções e felicidade. Mas a biografia realmente terá valor para mim se encontrar uma análise de temas literários, uma metalinguagem. Ao avaliar minha obra, descobri recentemente que os livros foram escritos a partir de diferentes pontos de vista, personas distintas, tanto na primeira pessoa como na de um homem, uma criança, um mulher, uma pessoa jovem, outra mais velha. Há o sentido, olhando para trás, de que venho escrevendo o mesmo livro ao longo da minha vida. É uma espécie de viagem de descoberta. Lembro-me de uma pequena novela, chamada Novembro, de Flaubert, na qual ele apresenta um rascunho de temas que exploraria tão maravilhosamente depois - é visível perceber sua inabilidade para desenvolvê-los naquele momento. Sua vida, então, foi marcada pela descoberta de túneis escuros que o levaram àquele ponto desejado. É o que venho tentando fazer desde os meus primeiros trabalhos.


Estadão Online
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Paraty é mais que uma Festa



Mais que uma cidade, Paraty é um estado de espírito. E cada um pode sentir ou não afinidade com ele. Há os que amam e os que odeiam Paraty. Talvez não haja mesmo meio-termo.


Eu sou simplesmente encantada por ela. Por seu mar calmo em certas praias e bravio em outras. Por suas ruas estreitas, tortuosas, plenas de descobertas. Pelas montanhas altivas que a abraçam em aconchego. Por sua graça e simplicidade. E também por seu refinamento e sofisticação.


Fui feliz em Paraty.



E termina hoje a 10a. Festa Literária Internacional de Paraty, com as mesas abaixo, em transmissão direta, e outras atividades divulgadas no site: www.flip.org.br


Programação da Tenda dos Autores

DOMINGO

10h
Mesa 15     Vidas em Verso


Jackie Kay
Fabrício Carpinejar
Mediação João Paulo Cuenca

Nenhuma obra literária pode ser reduzida à biografia de seu autor, mas a criação se faz sempre a partir de um conjunto de leituras, observações e experiências que é inevitavelmente pessoal. Em poemas ou textos em prosa, a escocesa Jackie Kay e o brasileiro Fabrício Carpinejar exploram as ressonâncias entre vida e obra numa via de mão dupla. Ao mesmo tempo que evoca o vivido, o escrito se torna espaço de interrogação e invenção da própria persona do autor. Em vez de espelho da vida, o livro se torna assim mais um espaço no qual ela se cria.


11h45
Mesa 16     A Imaginação Engajada


Rubens Figueiredo
Francisco Dantas
Mediação João Cezar de Castro Rocha

Os livros de Francisco Dantas e Rubens Figueiredo, dois dos principais escritores brasileiros, mostram que a força crítica da literatura não depende da contenção do estilo nem da imaginação. É por meio da potência do texto, e não de uma adesão mimética ao real, que a obra de ambos estabelece sua relação com o mundo. Dos grandes centros urbanos ao interior rural, Figueiredo e Dantas se apropriam dos cenários habituais do imaginário nacional para desmanchar sua feição familiar, contrapondo aos generalismos do senso comum a concretude singular de suas histórias.


14h30
Mesa 17     Drummond – o Poeta Presente


Armando Freitas Filho (em vídeo)
Eucanaã Ferraz 
Carlito Azevedo
Mediação Flávio Moura

Poucos autores parecem tão importantes para pensar o que se escreve hoje na poesia brasileira quanto Carlos Drummond de Andrade. Não é fácil, no entanto, precisar exatamente em que consiste essa importância e de que maneira ela se manifesta. Três poetas brasileiros exploram diferentes possibilidades de resposta a essa questão. Num depoimento em vídeo gravado por Walter Carvalho, Armando Freitas Filho fala de sua relação com Drummond, partindo de uma definição inesperada do poeta mineiro como um autor do Lado B. A mesa segue com uma discussão entre Eucanaã Ferraz e Carlito Azevedo.


16h30
Mesa 18     Entre Fronteiras


Gary Shteyngart
Hanif Kureishi
Mediação Ángel Gurría-Quintana

Deslizando habilmente entre os pontos de vista do nativo e do estrangeiro, o norte-americano (nascido na Rússia) Gary Shteyngart e o inglês (filho de pai paquistanês) Hanif Kureishi criaram algumas das mais brilhantes sátiras da ficção contemporânea. Na obra desses dois premiados escritores, a perspectiva de viés, que mesmo ao tomar parte dos acontecimentos é capaz de considerá-los de um ponto de vista ironicamente distanciado, torna-se uma forma de expor ao mesmo tempo as tensões do mundo atual e a histeria vazia dos discursos que habitualmente pretendem descrevê-las.


18h15
Mesa 19     Livro de Cabeceira


Autores convidados da Flip 2012 leem e comentam trechos de seus livros prediletos.


Programação adaptada do G1.
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sábado, 7 de julho de 2012

A caçada das hienas



A farra é geral, nos mostra o acesso aberto às folhas de pagamento nos três poderes da República, graças à Lei da Informação que entrou em vigor. O descalabro é total. 


A caçada das hienas - o ataque aos cofres públicos - provoca asco. Umas, atabalhoadas e atrevidas, outras mais discretas e sutis, não importa. O desastre é o mesmo. Predadores em bando que destroçam sua presa: a sociedade, o povo brasileiro.



As hienas e o assalto ao povo



Estes dias brasileiros nos remetem a alguns inquietantes documentários de televisão sobre a vida selvagem. Neles, quase que com traços de sadismo, os cinegrafistas nos mostram cenas de ágeis predadores espreitando, aguardando o instante preciso, para saltar sobre a presa frágil, dilacerá-la, ainda com vida, e fartar-se até os ossos. Quando se trata de um duelo, entre o felino e o alce, a cena, ainda que bárbara, tem um toque de arte: a paciência do predador, procurando, na inocência da presa, o instante do descuido maior, para agir exatamente naquele segundo. E a única reação possível da provável vítima: a fuga desesperada, com a esperança, quase sempre frustrada, de que o caçador se canse ou vislumbre, nas margens da trilha, caça maior e mais atraente.

Se pudéssemos entrar na alma dos animais (e os animais têm alma, ainda que isso contrarie as presunções humanas) encontraríamos na atitude do predador e na fuga da presa, uma mesma volúpia, a volúpia da luta pela vida. Mas há uma caçada que enoja, que repulsa os nossos sentimentos estéticos e, mais ainda, os sentimentos éticos, mesmo que os etólogos possam explicá-la como sendo natural, com os argumentos isentos da ciência: é a caçada das hienas.

Dois ou três predadores espreitam a vítima ou as vítimas e, imediatamente, avisam o bando, que pode chegar a quarenta animais. Há hienas maiores – pesando 80 quilos – e menores, a metade disso. Elas atacam em ondas, até derrubar animais totalmente indefesos, como as gazelas, os alces e as zebras, e as destroem em poucos minutos. As gazelas e os alces são atacados quando se encontram em grupos.

O ataque ao erário público - ou seja, à maioria do povo brasileiro, que, sem os recursos públicos, não consegue dispor de educação, de saúde, de segurança e, sobretudo, do direito de ser feliz – se assemelha à predação das hienas e dos chacais. Formam-se os bandos, escolhem-se os olheiros, que identificam o ponto mais débil da presa, e se passa ao ataque. A diferença é de que se trata de uma presa única e inerme, ainda que coletiva: a sociedade nacional. As revelações das sucessivas operações combinadas do Ministério Público e da Polícia Federal são tão nauseantes quanto as cenas de uma zebra sendo devorada pelo bando de hienas. A cada dia, a cada hora, novas informações trazem o pavor dos homens de bem, que são a quase totalidade da sociedade brasileira. Ainda ontem foi preso José Francisco das Neves, ex-presidente da empresa estatal encarregada da construção da Ferrovia Norte-Sul. Em sua gestão, a construção foi lenta, mas rápido o seu enriquecimento, segundo as denúncias. Um detalhe: a Construtora Delta era uma das grandes empreiteiras do empreendimento.

É difícil que se levantem diques contra o maremoto. A decisão unânime da Comissão de Constituição e Justiça de mandar Demóstenes à guilhotina moral a ser levantada no plenário, daqui a seis dias, e a convocação, ao mesmo tempo, de Pagot, Fernando Cavendish e do prefeito de Palmas, Raul Filho, para depor – são notícias alvissareiras para os cidadãos de hoje e para seus filhos e netos.

Há outra espécie de hienas, mais sutis, que são as da aristocracia sem méritos de um grupo de servidores públicos, que chegam a ganhar centenas de milhares de reais por mês, conforme se revela pelo acesso público às folhas de pagamento dos três poderes da República. A falta de vigilância dos que deveriam zelar pelo bem público, e a cumplicidade de certos membros do poder judiciário, levaram a esse descalabro, no qual servidores do Executivo, do Legislativo e do Poder Judiciário ganham duas, três vezes mais do que os subsídios líquidos dos parlamentares, e dos proventos dos juízes do STF. Segundo se informa, apenas no mais alto tribunal do país, o Supremo, o teto da remuneração, arbitrado pelo poder executivo, está sendo respeitado. E coube a uma ministra do STF, Carmen Lúcia, tomar a iniciativa de divulgar o fac-símile de seu contracheque, dando o exemplo a ser seguido.

Nos tribunais inferiores, a farra é quase geral. Os juízes que vendem sentenças, segundo um membro da magistratura, deveriam ser enforcados em praça pública. Talvez não mereçam tanto os juízes que se atribuem, sob vagas rubricas contábeis, remunerações milionárias, mas seria bom que os julgadores soubessem julgar-se, antes de julgar os demais cidadãos.

O Estado - que, segundo Hegel, deveria ser a sociedade organizada – está sendo assaltado pelos predadores. Mas, sob a pressão dos cidadãos, começa a reagir. Felizmente, as divergências entre os parlamentares da CPMI nos prometem uma devassa mais ampla, para apurar a Conexão Goiana, e a pressão popular poderá escoimar a folha de pagamentos do Estado desse absurdo das remunerações excepcionais.


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E a Festa continua em Paraty...

ooooooooooo


E a Blogueira Cidadã, Mulher das Letras, continua acompanhando hoje e amanhã os bate-papos de escritores e scholars na 10a. Festa Literária Internacional de Paraty, se valendo da magia da web para também flanar virtualmente pelas ruas graciosas da bela cidade, pequena joia incrustada entre as verdes águas do Atlântico e as altivas montanhas da Serra do Mar fluminense.



Ontem duas mesas estupendas, sobre Drummond e Shakespeare. Aos que perderam, aconselho que tentem ler mais na internet e ver os vídeos. Antonio Secchin e meu grande e querido professor na USP Alcides Villaça deram um verdadeiro show, com direito a muitos "óóóhhs" da plateia extasiada, nas saborosas e nada acadêmicas conferências sobre Drummond. Um imenso presente para todos nós que amamos as letras e o Poeta Maior. Na mesa seguinte, dois especialistas em Shakespeare completaram a manhã memorável.


À tarde os bate-papos deixaram um pouco a desejar, muitas vezes por deficiências dos mediadores. E a noite foi encerrada com a frustração de assistir um Jonathan Franzen desinteressado, dispersivo e sem graça.


Mas hoje, sábado, o dia promete. Aos apaixonados por letras e livros, seis mesas oferecem um cardápio farto e delicioso de iguarias literárias.


A transmissão do evento, inclusive com tradução simultânea, vem sendo feita pelo G1 e pelo site oficial da Festa: www.flip.org.br


Reitero o convite: acompanhem o festivo burburinho literário e conheçam, claro, Paraty...

Programação da Tenda dos Autores

SÁBADO

10h
Mesa 10     Cidade e Democracia


Suketu Mehta
Roberto DaMatta
Mediação Guilherme Wisnik

Ao mesmo tempo que mostram o potencial de mobilização dos meios digitais, protestos recentes no mundo árabe e nos países europeus reafirmam a força da rua (e da praça) como palco de manifestação da vontade popular. O espaço urbano pode ser um local de encontro e convivência das diferenças, mas também a expressão mais visível da desigualdade social. A partir dessa contradição, o indiano, radicado nos Estados Unidos, Suketu Mehta, e o brasileiro Roberto DaMatta discutem o papel das cidades na vida democrática contemporânea.


12h
Mesa 11     Pelos Olhos do Outro


Ian McEwan
Jennifer Egan
Mediação Arthur Dapieve

Contra a ideia da imaginação como escapismo, é possível considerá-la uma faculdade que nos permite avaliar e compreender o mundo. Ao explorarem diferentes maneiras de apreender a realidade, por meio do mergulho na consciência de seus personagens, os livros de Ian McEwan e Jennifer Egan revelam que imaginar pode ser um ato de humanização. Ver pelos olhos do outro implica um duplo movimento, de distanciamento da perspectiva individual e tentativa de aproximação do alheio. Mas, em vez de um solo comum, esse esforço pode expor também diferenças inconciliáveis.


15h
Mesa 12     Em Família


Zuenir Ventura
Dulce Maria Cardoso
João Anzanello Carrascoza
Mediação João Cezar de Castro Rocha

Das tragédias gregas aos romances de Tolstói e Thomas Mann, é longa a tradição literária do tema em torno do qual se reúnem a portuguesa Dulce Maria Cardoso e os brasileiros João Anzanello Carrascoza e Zuenir Ventura. Fechada sobre si mesma, ou permeada pelas tensões que moldam a realidade para além da porta de casa, a vida em família mobiliza afetos dos mais intensos. Mais do que a mera coincidência temática, os três autores reunidos aqui compartilham a sensibilidade para esse espectro de sentimentos elevados ao grau mais alto.


17h15
Mesa 13     O Avesso da Pátria


Zoé Valdés
Dany Laferrière
Mediação Alexandra Lucas Coelho

A formação de literaturas nacionais foi parte decisiva da constituição cultural dos países da América Latina, numa aproximação entre a escrita e a pátria que tem seu ápice no século XIX e se desdobra nos diferentes movimentos literários do continente ao longo do século XX. A cubana Zoé Valdés e o haitiano Dany Laferrière mostram que essa relação não perdeu sua atualidade, mas assume hoje novos sentidos. Em vez de participação no processo coletivo de construção nacional, a escrita se torna reação à violência e ao exílio, esforço individual de recuperação de um território perdido.


19h30
Mesa 14     Música para Malogrados: Conferência de Enrique Vila-Matas


O momento em que a literatura se reduz a um produto de mercado é também o momento de sua irrevogável extinção. Este, afirma Enrique Vila-Matas, é o momento que vivemos hoje. A partir de uma personalíssima reflexão sobre autores como Samuel Beckett, Thomas Bernhard e Roberto Bolaño, o escritor catalão defende nesta conferência o fracasso como uma forma possível de reação à trivialização da criação literária. Em seguida, leva a discussão para uma leitura da própria obra, comentando em detalhe as relações entre seus livros Ar de Dylan e História abreviada da literatura portátil.


21h30
Mesa Los Amigos     Quadrinhos para Maiores

Angeli
Laerte Coutinho
Mediação Claudiney Ferreira

Nesse encontro entre dois artistas que mudaram de maneira definitiva a cara dos quadrinhos brasileiros, Laerte e Angeli sobem ao palco da Tenda dos Autores acompanhados por históricos decididamente nada respeitáveis de personagens inesquecíveis, como Rê Bordosa e os Piratas do Tietê. Os dois falam sobre os pontos em comum de suas trajetórias e discutem os principais elementos do caldo de referências culturais e políticas presentes em seus trabalhos, nos quais a crítica de costumes assume um viés anárquico e satírico às vezes próximo do surreal.


DOMINGO

10h
Mesa 15     Vidas em Verso


Jackie Kay
Fabrício Carpinejar
Mediação João Paulo Cuenca

Nenhuma obra literária pode ser reduzida à biografia de seu autor, mas a criação se faz sempre a partir de um conjunto de leituras, observações e experiências que é inevitavelmente pessoal. Em poemas ou textos em prosa, a escocesa Jackie Kay e o brasileiro Fabrício Carpinejar exploram as ressonâncias entre vida e obra numa via de mão dupla. Ao mesmo tempo que evoca o vivido, o escrito se torna espaço de interrogação e invenção da própria persona do autor. Em vez de espelho da vida, o livro se torna assim mais um espaço no qual ela se cria.


11h45
Mesa 16     A Imaginação Engajada


Rubens Figueiredo
Francisco Dantas
Mediação João Cezar de Castro Rocha

Os livros de Francisco Dantas e Rubens Figueiredo, dois dos principais escritores brasileiros, mostram que a força crítica da literatura não depende da contenção do estilo nem da imaginação. É por meio da potência do texto, e não de uma adesão mimética ao real, que a obra de ambos estabelece sua relação com o mundo. Dos grandes centros urbanos ao interior rural, Figueiredo e Dantas se apropriam dos cenários habituais do imaginário nacional para desmanchar sua feição familiar, contrapondo aos generalismos do senso comum a concretude singular de suas histórias.


14h30
Mesa 17     Drummond – o Poeta Presente


Armando Freitas Filho (em vídeo)
Eucanaã Ferraz
Carlito Azevedo
Mediação Flávio Moura

Poucos autores parecem tão importantes para pensar o que se escreve hoje na poesia brasileira quanto Carlos Drummond de Andrade. Não é fácil, no entanto, precisar exatamente em que consiste essa importância e de que maneira ela se manifesta. Três poetas brasileiros exploram diferentes possibilidades de resposta a essa questão. Num depoimento em vídeo gravado por Walter Carvalho, Armando Freitas Filho fala de sua relação com Drummond, partindo de uma definição inesperada do poeta mineiro como um autor do Lado B. A mesa segue com uma discussão entre Eucanaã Ferraz e Carlito Azevedo.


16h30
Mesa 18     Entre Fronteiras


Gary Shteyngart
Hanif Kureishi
Mediação Ángel Gurría-Quintana

Deslizando habilmente entre os pontos de vista do nativo e do estrangeiro, o norte-americano (nascido na Rússia) Gary Shteyngart e o inglês (filho de pai paquistanês) Hanif Kureishi criaram algumas das mais brilhantes sátiras da ficção contemporânea. Na obra desses dois premiados escritores, a perspectiva de viés, que mesmo ao tomar parte dos acontecimentos é capaz de considerá-los de um ponto de vista ironicamente distanciado, torna-se uma forma de expor ao mesmo tempo as tensões do mundo atual e a histeria vazia dos discursos que habitualmente pretendem descrevê-las.


18h15
Mesa 19     Livro de Cabeceira


Autores convidados da Flip 2012 leem e comentam trechos de seus livros prediletos.




Programação adaptada do G1.

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sexta-feira, 6 de julho de 2012

E a FLIP continua, na encantadora Paraty...



A 10a. Festa Literária Internacional de Paraty continua hoje, até domingo, nessa graça de cidade, nessa pequena pedra preciosa, linda, mágica, apaixonante, incrustada entre o verde e deslumbrante oceano e as imponentes montanhas da Serra do Mar.


Momento Mágico, onde se encontram as letras, os livros e o encantamento de um lugar único, especial.



Ontem aconteceu pela manhã uma mesa com três jovens escritores: Altair Martins, gaúcho premiadíssimo, André de Leones e Carlos de Brito e Mello, num bate-papo sobre a finitude das coisas. Quem não viu ou quer rever, o vídeo deve ser disponibilizado no site da FLIP. Ao longo do dia e à noite, aconteceu programação igualmente instigante.


Hoje teremos importantes nomes da literatura conversando sobre Drummond, o Poeta Maior, homenageado este ano na Festa, Shakespeare, literatura e liberdade e outros temas, culminando com o aguardado escritor americano Jonathan Franzen. 


Vejam abaixo programação da Tenda dos Autores e a integral no site da FLIP. Acompanhem também as transmissões ao vivo: www.flip.org.br


E, claro, conheçam Paraty...



Programação Flip 1 (Foto: G1)