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quarta-feira, 2 de maio de 2012

O conluio entre o Doutor e o Professor



CPI do Cachoeira, julgamento do Mensalão... o dia de hoje promete esquentar na Capital da República.


Após um feriado prolongado e chuvoso em São Paulo, é hora de retomar a vida. Esta quarta-feira parece que vai ser agitada: CPI do Cachoeira no Congresso, Mensalão na pauta do Supremo Tribunal Federal... a velha mídia e a blogosfera alvoroçadas. Tiroteio pra tudo o que é lado. Bandidagem Engravatada estressada.




Enquanto aguardamos o período da tarde, vamos ler um artigo sobre a parceria criminosa entre os principais personagens deste enredo macabro, o "Doutor" e Senador Bandido Demóstenes Torres e o "Professor" Chefe de Quadrilha Carlinhos Cachoeira, a partir das conversações telefônicas interceptadas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, que viraram inquérito no STF em segredo de justiça, vazado integralmente na internet.


O doutor e o professor

Doutor e professor cresceram juntos, não na vida, mas no poder. Trajetórias sincronizadas: a cada favor trocado, um passo adiante e um degrau acima. De sua simbiose política surgem negócios, nomeações, sentenças, manchetes, facilidades. Doutor é a face pública da dupla, reluz nos palanques, tonitrua aos microfones. Professor articula nos bastidores. Deveria ser opaco, pois brilhar nas profundezas onde opera atrai atenção indesejada. Mas a vaidade nem sempre é controlável.

Para entrosar o jogo, falam-se várias vezes ao dia, encontram-se sempre que possível. Ao telefone, professor só chama o parceiro de doutor. Doutor retribui, íntimo: “Bom dia, professor. Tranquilo aí? Sossegado?” Ler os diálogos de doutor e professor no inquérito em que se transformou sua parceria é uma aula sobre como funciona parte do Brasil. A de cima. Aprende-se como usar o Estado para agradar o esposo, resolver problemas familiares ou alavancar grandes oportunidades de investimento. Do trivial completo ao banquete de verbas públicas, o cardápio satisfaz magros, gordinhos e ex-gordos.

Doutor quer comprar uma mesa na Argentina, presente para a mulher. Custa-lhe mais do que ganha em um mês como senador. Ao amigo, não reclama do preço, mas da alfândega: “Até que não é cara, mas é difícil de trazer.” O mimo excede 35 vezes o limite de compras no país vizinho. Pede uma mãozinha. “Pode comprar que eu dou um jeito”, tranquiliza professor. Professor precisa de um cargo público para a prima, mas em outro estado. Se fosse no seu, dispensaria intermediários. Como não é, pede a doutor que interceda junto ao colega de Senado [Aécio] que manda naquelas plagas. Após falar com o ex-governador, doutor explica que as nomeações de chefes regionais no estado vizinho são feitas pelo deputado da região. Carece aprovar com ele também, o que não chega a ser problema. Menos de duas semanas depois, a prima está nomeada.


O azar cruzou a sorte da dupla

Trivialidades desse tipo são cacos nas conversas da dupla. Na frequência dos bate-papos, banalidades são entremeadas com questões de Estado. Decisões de tribunais superiores misturam-se ao regozijo com a queda de um desafeto comum. Discussões de estratégias eleitorais seguem-se a considerações sobre negócios milionários. Doutor liga para professor e comemora que um magistrado supremo “mandou buscar” processo em instância inferior para julgar na sua corte. A ação envolve empresa do estado deles. “Deu repercussão geral pro trem aí”, resume doutor, no palavreado que reserva às conversas com professor. Não quer dar uma de tribuno com o amigo.

Noutras vezes, a conversa tem de ser em pessoa. Professor não mede recursos para ter o associado por perto com rapidez. Manda buscá-lo onde for: “Não esquece do avião, taí (te) esperando.” Doutor se desculpa: “Dei uma enrolada aqui. Tô chegando aí. Você vai estar na sua casa?”

Professor representa os interesses da empreiteira que mais recebe verbas do governo federal: pelo menos R$ 3,7 bilhões nos últimos 9 anos. Está preocupado com reportagem publicada sobre a empresa. Se o assunto esquentar, a empreiteira pode perder dezenas de milhões em contratos públicos. Doutor aciona seus contatos entre jornalistas e explica ao parceiro: o foco da investigação não é a empresa, mas um inimigo da dupla, que também fazia negócios com a empreiteira. Até que o azar cruzou a sorte da dupla. Mais especificamente os jogos de azar, atividade que impulsionou a carreira do professor.


Os outros doutores e professores

Desde a prisão do professor, há dois meses, seu nome e o de doutor ganharam manchetes como nunca. Os dois caíram na boca do povo e nos dedos dos internautas. As pesquisas sobre ambos na internet viraram febre, especialmente no seu estado de origem. Nos primeiros 30 dias de estrelato involuntário, apareciam sempre juntos. Mas isso mudou. No último mês, doutor se recolheu, fugiu da ribalta e seu nome perdeu evidência, enquanto o do professor pipoca cada vez mais. Pela primeira vez em anos os caminhos dos parceiros se separaram. Não há mais telefonemas, muito menos visitas. A estratégia de um é se desvencilhar do outro: provar que as provas de cumplicidade, mesmo que verdadeiras, são formalmente inúteis. Querem apagar seu passado comum.

Já houve tempo em que doutor e professor rivalizavam para ver quem bebia os vinhos mais caros, quem tinha a mulher mais jovem e bonita, quem podia mais. Agora, disputam quem tem o advogado mais caro. Sua ascensão simbiótica foi interrompida. Outros doutores e professores se preparam para ocupar o seu lugar.

José Roberto de Toledo


Observatório da Imprensa
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terça-feira, 1 de maio de 2012

Brizola Neto é Blogueiro Progressista???!!!



Leio estupefata títulos de alguns posts sobre a nomeação do deputado federal Brizola Neto para o Ministério do Trabalho, ontem, pela presidenta Dilma, posts em que o deputado é apresentado como "Blogueiro Progressista".


Menos, menos, senhores blogueiros.


Carlos Daudt Brizola, cujo nome político é Brizola Neto, é neto do já falecido Leonel Brizola, político brasileiro ligado ao trabalhismo, ex-governador do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, fundador do Partido Democrático Trabalhista.


Brizola Neto cumpria até ontem seu segundo mandato de deputado federal pelo PDT.


Brizola Neto foi vereador e secretário do Trabalho no Rio de Janeiro .


Brizola Neto mantém um blog chamado Tijolaço, onde não escreve há algum tempo, sendo mantido com textos do jornalista Fernando Britto.


Dilma Rousseff foi filiada ao PDT antes de entrar para o PT. O Ministério do Trabalho no governo da presidenta Dilma é da cota do PDT.


Afirmar que a presidenta Dilma escolheu para o Ministério do Trabalho um Blogueiro Progressista é um exagero, uma desinformação, um reducionismo leviano.


O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu mantém um blog. Como muitos outros políticos. Mas dizer que Dirceu é "blogueiro" é jogar no lixo toda a sua trajetória como político e líder estudantil. 


A autodenominada Blogosfera Progressista, que inclui jornalistas profissionais vinculados a grandes redes de televisão, e que pretende ser uma alternativa à mídia tradicional, deveria pelo menos procurar oferecer informação precisa a seus leitores, sem desvirtuamentos, má-fé, leviandade ou coisa que o valha.


Depois reclamam quando são chamados de Esgotosfera Governista...


Conheçam a trajetória de Brizola Neto, lendo um perfil do novo ministro do Trabalho, postado em seu blog, onde em nenhum momento ele se intitula "blogueiro".


Os caminhos que a vida escolheu e os caminhos que eu escolhi
img_foto530Nasci em 11 de outubro de 1978, ano em que meu avô, Leonel Brizola, no exílio, recebia o ultimato do governo uruguaio para deixar o país. Dele e de meu outro avô, o Capitão da Aeronáutica Alfredo Daudt, recebi exemplos de luta e sacrifício pelo Brasil e pela democracia. Alfredo Daudt, com a ajuda de outros oficiais e sargentos, impediu a decolagem dos jatos da FAB que bombardeariam o Palácio Piratini, na Campanha da Legalidade. Pondo em risco a carreira e a própria vida, evitou o assassinato de Brizola e de milhares de pessoas que, junto com ele, defendiam a Constituição e a posse do Presidente João Goulart. Um avô salvou o outro e os dois salvaram, por algum tempo, o Brasil de uma ditadura.
Menino e adolescente, convivi com as esperanças e dificuldades de meu avô Brizola no Governo do Rio. Vi seu amor pelos CIEPs, sua revolta com as injustiças, vi como sofria sem jamais desanimar frente às mentiras e manipulações da mídia. E, sobretudo, vi como ele agia com austeridade e honradez com a coisa pública. Governador duas vezes, nunca quis morar nos palácios e muito menos queria que seus netos fossem criados num ambiente de luxos e futilidades.

Aos 16 anos, eu queria trabalhar. Outros, talvez, teriam arranjado uma colocação para o neto. Ele, com aquele seu jeito típico, disse-me: queres trabalhar? Então vens trabalhar comigo. Quem conheceu meu avô, sabe que isso estava muito, muito longe de ser emprego tranquilo. Nada de horário folgado, nada de regalias e mordomias. Ser seu secretário foi uma grande experiência, embora, com esta idade, muitas vezes eu não entendesse que, quando muitos de meus amigos estavam saindo para a noite, eu ficava do telefone para a máquina de escrever e dali para as pastas de arquivo. Eu estava aprendendo que a política pode e deve ser feita com responsabilidade, dedicação e coerência.


Mas eu não deixei, por isso, de ser, como dizem no Rio e no Sul, um guri. Gostava(que saudade!) de pegar onda, e acabei por tornar-me amigo de vários jovens das favelas da Zona Sul. Se tinha gente metida que torcia o nariz ao meu sobrenome Brizola, com eles só rolou identidade. O que Leonel Brizola dizia sobre a discriminação contra os pobres, sobre falta de perspectivas de uma vida digna, com trabalho e educação para todos, eles sentiam na pele. Desta amizade acabou nascendo o Favela Surf Club, onde jovens do Cantagalo e do Pavão-Pavãozinho aprendem a surfar e a fabricar e consertar pranchas. Na Rocinha, participei do projeto Casa de Cultura, que oferecia aulas de pintura, música, computação e dança para as crianças da comunidade.


O desejo de transformar essas duas experiências em militância política veio, então, naturalmente para mim.


Depois de quase dez anos diariamente ao lado, tive de conviver com a dor de sua morte. Quando a família me escolheu para, diante do Palácio do Catete e de uma multidão, homenageá-lo com a leitura da Carta Testamento de Vargas, a emoção deu lugar a uma certeza profunda do meu dever. E me determinei a cumpri-lo.


Em 2004, fui eleito vereador da cidade do Rio de Janeiro, que exerci com princípios de ética e moral que herdei de meu avô, procurando fazer de meu mandato uma ferramenta da luta pela educação e pelo trabalhador. Eleito deputado federal em 2006, segui com as mesmas referências históricas e tentando aprender mais. Cheguei,em 2009, aos 30 anos, à posição de líder da bancada do PDT na Câmara dos Deputados. A vida tem me ensinado que a força da juventude e o equilíbrio da idade não se contradizem, e boa parte dessa lição eu tenho aprendido com o casamento com Julia e com a delicadeza de minha Maria Clara, que completou seu primeiro aninho em maio.


O nome que carrego é uma bandeira. É um símbolo para milhões de pessoas que sonham com um Brasil diferente, com um Brasil com justiça, com trabalho, com progresso para nosso povo.


Defender este país é ser nacionalista; defender este povo é ser trabalhista. E lutar por isso a vida inteira, sem jamais esmorecer, é ser Brizola.


Brizola Neto
01/06/2009
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Os falsos loucos e os loucos verdadeiros



Meus desafetos me chamam de louca.Talvez porque escolhi viver uma vida independente e não convencional.Talvez porque tenha três diplomas da melhor universidade do Brasil,  uma das melhores do mundo.Talvez por ter trabalhos publicados... Talvez por...Talvez...


Sei lá! Vai saber o que se passa nas mentes sombrias dos psicopatas...


Mas ao contrário deles, nunca roubei ninguém. Nunca envenenei ou derrubei árvores. Nunca assassinei animais indefesos. Nunca difamei. Nunca caluniei. Nunca me acumpliciei com criminosos. Nunca promovi atentados. Nunca corrompi nem fui corrompida. 

Nunca atuaria no mundo do crime.


Nunca.




"Se eles são bonitos, eu sou Sharon Stone...


Mais louco é quem me diz..."




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"Se eles têm três carros, eu posso voar...


Mais louco é quem me diz..."




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"Sim, sou muuuuito louca...


Não vou me curar..."




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segunda-feira, 30 de abril de 2012

A Bandidagem Engravatada e o Novo Código Penal



Ao que tudo indica, nestes dias de feriado prolongado, a SAC (Sociedade Amigos do Crime) se reune no interior de São Paulo, provavelmente em "Black Mountain", onde fica o QGC (Quartel-General do Crime), uma espécie de sede da quadrilha que esbulha esta Blogueira, para definir os próximos passos da empreitada criminosa para calar a vítima.




A "Rataiada" anda alvoroçada com as denúncias que o brioso ABC! vem estampando contra este bando. Até veículos "estranhos ao bairro" vêm "desfilando" ostensivamente na porta da casa da Blogueira, com o fito de constrangê-la e intimidá-la.




Em todas as instâncias possíveis, a Blogueira continua se manifestando, comunicando a situação opressiva que vive, dentro de sua própria casa, e dando os nomes dos integrantes deste esquema criminoso.






Políticos, magistrados, agentes públicos e outros tantos bandidos e bandidas engordados na corrupção, adeptos dos negócios escusos e do dinheiro sujo, já devem estar queimando seus neurônios para mudar tradicionais métodos de ladroagem, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro... e encontrar novos meios de se manter nas sombras...


Ao que tudo indica, o Novo Código Penal deve conter dispositivos fortes para coibir tais crimes e sancionar a fina flor da bandidagem.





O roubo vai ficar mais difícil

EMPRESÁRIOS, LOBISTAS E AGENTES PÚBLICOS VÃO TER DE RENOVAR SEUS MÉTODOS SE O ENRIQUECIMENTO ILÍCITO FOR MESMO PUNIDO

Hélio Doyle

Nos dias seguintes à deflagração da Operação Caixa de Pandora, aquela que levou ao fim do governo de José Roberto Arruda no Distrito Federal, alguns comerciantes da cidade relataram a queda violenta das compras com dinheiro vivo. O faturamento caiu em joalherias, em concessionárias de automóveis importados e em imobiliárias, principalmente. Em restaurantes, onde os gastos não eram tão elevados, pessoas que normalmente pagavam com dinheiro passaram a usar seus cartões de crédito.

A retração durou uns dias e o mercado voltou ao normal. Depois do susto, todos se sentiram liberados para voltar a gastar e a receber o dinheiro do caixa dois, ganho ilicitamente. Dinheiro, naturalmente, fruto da corrupção deslavada que grassa não apenas na capital federal, como alguns pensam, mas em todo o país. Como Brasília é sede dos três poderes e ainda tem um governo e uma câmara distrital, aqui o volume parece maior e os malfeitos têm mais visibilidade.
Os que ganham dinheiro ilicitamente evitam “internizá-lo” em contas bancárias ou gastá-lo com cartões de crédito, pois isso chama a atenção da Receita Federal e do Banco Central. Mas todos sabem como “lavar” o dinheiro e existem profissionais especializados nisso. Abrir lojas de artigos de luxo, restaurantes e lanchonetes é um caminho mais fácil. A última moda em Brasília é comprar times de futebol. Mas há fórmulas mais complexas.

Há tanto dinheiro ilícito circulando por Brasília (e em outras cidades do país), que é comum mansões avaliadas em R$ 3 milhões sendo compradas, em tese, por R$ 400 mil. A diferença é paga em cash, como gostam de dizer os endinheirados, e ainda se evita o pagamento de impostos. Colocar bens em nome de parentes e outros laranjas é um caminho já batido, mas ainda operante.

Se for mesmo à frente a proposta da comissão que elabora novo projeto de Código Penal, de criminalizar o enriquecimento ilícito por agentes públicos, o mercado vai ter de se adaptar. E não são só os políticos e juízes corruptos que vão ter problemas, não. Como vai fazer, por exemplo, o funcionário do Congresso que aproveita as muitas horas vagas para fazer lobby ilegal para empresários? Ou o servidor do tribunal que cuida de adiantar ou atrasar a tramitação de um processo? Ou o responsável pelas compras de um ministério ou de uma autarquia? Em Brasília já houve até o caso, há muitos anos, de um ajudante de ordens que vendia audiências com o presidente da República.


Tudo isso é pago em dinheiro vivo, e gasto em dinheiro vivo. Daí os políticos que aumentam enormemente o patrimônio em um ou dois mandatos, ou funcionários que aparecem com automóveis importados, morando em enormes mansões e viajando para o exterior várias vezes por ano com poucos anos de serviço público. Em uma campanha eleitoral, uma equipe de auditores tentou descobrir como um candidato, que nos últimos anos só tinha recebido as remunerações de deputado e secretário, e que não havia recebido nenhuma herança, podia ter o patrimônio que apresentava. Não podia – teria de ter gastado todo o dinheiro público que recebeu unicamente na construção do patrimônio. Sem nenhuma outra despesa.


Se houver mesmo controle do enriquecimento ilícito, teremos uma comoção social nas elites de Brasília (e de outras cidades), mas a corrupção estará sendo combatida com mais eficácia. Não vai acabar, claro, porque sempre haverá alguma saída para o dinheiro ilícito, dos corruptores e dos corrompidos, e há bandidos muito criativos. Mas será melhor do que deixar como está hoje: o roubo quase à luz do dia e os ladrões sem medo de ostentar, até em colunas sociais e blogs de socialites, os frutos desses roubos. O que inclui os frutos de generosos contratos com o Estado obtidos por empresários mediante a compra de agentes públicos.

domingo, 29 de abril de 2012

Brecht: O Analfabeto Político



Brecht. Sempre lúcido.





O Analfabeto Político



O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.


analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio dos exploradores do povo.






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Brecht: Se os tubarões fossem homens



Brecht: sempre instigante.



                                                          Foto: Teatro Escola Cacotim



Se os tubarões fossem homens


Bertold Brecht*


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Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentis com os peixes pequenos. 

Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos, com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais.

Eles cuidariam para que as caixas sempre tivessem água renovada e adotariam todas as providências sanitárias, cabíveis se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana; imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não morressem antes do tempo.

Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres têm gosto melhor que os tristonhos.

Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas; nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a goela dos tubarões.

Eles aprenderiam, por exemplo, a usar a geografia, a fim de poder encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. A aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos.

Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos.

Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência.

Antes de tudo, os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista, e denunciar imediatamente aos tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.

Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si, a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.

As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre eles e os peixinhos de outros tubarões, existem gigantescas diferenças, eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo por isso impossível que entendam um ao outro.

Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos, da outra língua de peixinhos silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.

Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores, e suas goelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nos quais se poderia brincar magnificamente.

Os teatros do fundo do mar mostrariam como valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as goelas dos tubarões.

A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos, sob seus acordes, a orquestra na frente, entrariam em massa para as goelas dos tubarões, sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos.

Também haveria uma religião ali.

Se os tubarões fossem homens, ela ensinaria, essa religião, que só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida.

Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros.

Os que fossem um pouquinho maiores poderiam, inclusive, comer os menores; isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam, assim, mais constantemente, maiores bocados para devorar, e os peixinhos maiores, que deteriam os cargos, valeriam pela ordem, entre os peixinhos, para que estes chegassem a ser professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante.

Curto e grosso: só então haveria civilização no mar. Se os tubarões fossem homens.

* Escritor e dramaturgo alemão (1898-1956), escreveu obras com forte cunho político-social. Foi perseguido pelos nazistas.
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sábado, 28 de abril de 2012

Acaba segredo de justiça: 247 vaza inquérito



O site Brasil247 vazou ontem o inquérito do Supremo Tribunal Federal contra o senador Demóstenes Torres.




Acabou o segredo de justiça. As informações estão na internet, para quem quiser acessar.


O ministro Ricardo Lewandowski conversou ontem à noite com o presidente do STF, ministro Ayres Britto, sobre o vazamento, que será investigado.


E agora? Como ficam os trabalhos na CPI do Cachoeira? Haverá algum prejuízo, algum comprometimento na atuação da CPI?


A quem interessa esse vazamento? Quem se beneficia com isso?


Vamos acompanhar a repercussão disso e do caso todo, que envolve políticos, empresários e veículos de comunicação (Veja) com o crime organizado.


Link do site: Brasil247


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