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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Blogueiro Dirceu quer blogar dentro da Papuda


LIBERDADE DE EXPRESSÃO



Será que "Bat-Barbosa" vai deixar?

Tão moderno, tão europeu, tão poliglota, tão sorboniano... será?

A depender da Globo, do Jornal Nacional, da mídia golpista e da ala tacanha do Judiciário, não.

Não pode gerenciar hotel, não pode manter um blog... Talvez permitam que o advogado, ex-deputado e ex-ministro da Casa Civil venda pipoca, amendoim, pirulito... nas ruas de Brasília.

Quando essa gente nefasta vai adentrar o século 21?

Piedade, Senhor, piedade.



Cazuza/Facebook


sábado, 15 de setembro de 2012

São Paulo: Um Blogueiro Revolucionário na Câmara Municipal


A Blogosfera brasileira é hoje importante alternativa para a informação dos cidadãos e vem ocupando cada vez mais espaço, graças à democratização do acesso à internet, à agilidade na produção e veiculação de conteúdos e à diversidade de opiniões que viabiliza e estimula.

Como humilde pensadora da mídia, ávida consumidora de informação qualificada e produtora de conteúdo transmitido pelas mídias digitais, esta Blogueira, cidadã paulistana, se preocupa e muito com os destinos da cidade. 

Estamos, blogueira e blog, muito atentos e em estado de alerta diante do quadro atual nas eleições para prefeito: o risco de uma continuidade do que aí está, o que seria uma lástima para uma cidade com gravíssimos e urgentes problemas a resolver, ou a ameaça de mais um "Salvador da Pátria", tendo um "bispo" nos governando nos bastidores...

Desiludidos com a politicalha praticada há décadas por uma parte considerável dos nossos homens públicos, o eleitorado muitas vezes também não se aplica na escolha de candidatos à Câmara Municipal, o que gera, por exemplo, o descalabro atual: um legislativo anêmico, subserviente ao Prefeito e voltado quase que em sua maioria para defender seus próprios interesses, privilégios e benesses.

O Povo Paulistano? Que se lixe!...

Está mais do que na hora de mudarmos radicalmente este quadro. Em tempos de sociedade digital, na era da informação e da comunicação intermediadas por avançadas tecnologias, numa etapa de upgrade global, a terceira maior cidade do planeta tem que ter uma câmara municipal à altura do momento mundial, não esta coisa chinfrim que aí está...

Esta Blogueira e o Abra a Boca, Cidadão!, independentes e não vinculados a qualquer partido, apoiam para a Câmara Municipal de São Paulo um jornalista, escritor e blogueiro, mas, mais do que isto, um homem de luta, de coragem, revolucionário, que não lambe botas de poderosos: Celso Lungaretti, do blog Náufrago da Utopia

Conheçam sua extraordinária história de vida!

Acorda, São Paulo!






Ainda não considero cumprida minha missão

Prezado eleitor,

não estranhe se for eu mesmo, candidato a vereador de São Paulo, que estiver lhe entregando esta mensagem. Minha campanha é humilde e feita com muita dificuldade, como costumam ser as dos candidatos que não se comprometem a, eleitos, retribuírem as doações recebidas dos ricos e poderosos.

Sei que despejam propaganda política demais na vossa cabeça; mas, humildemente, peço uns minutinhos de atenção. Pois o que lerá aqui não são falsas promessas nem frases feitas. É uma história de vida.




Disputo a primeira eleição já sexagenário, mas meus ideais vêm de muito longe: aos 16 anos eu já discutia com meus colegas de escola formas de ajudarmos os melhores brasileiros a resistirem à ditadura mais bestial que este país já conheceu.

Tornei-me líder secundarista e, quando os golpistas de 1964 passaram a responder aos protestos pacíficos com assassinatos e torturas terríveis, não recuei: ao lado de sete jovens companheiros, ingressei no movimento de resistência armada ao despotismo que fora instalado pelas armas.

Mas, o que poderiam fazer uns tantos idealistas destreinados e mal armados contra aqueles que, além de terem as armas como instrumentos do seu ofício, contavam com esmagadora superioridade em efetivos, armamento e recursos? Dos oito que éramos, dois acabaram mortos; cinco, fomos presos e barbaramente torturados; e uma escapou ilesa, mas, traumatizada pela perda do marido e perseguições sofridas, nunca mais seria a mesma.

Quando enfim me libertaram, tive de reconstruir minha vida nas piores condições, com uma lesão permanente e várias sequelas, ameaçado, vigiado, estigmatizado.

Mesmo assim fiz longa carreira jornalística e continuei sempre defendendo as bandeiras que norteiam minha existência: liberdade e justiça social.

Até que os barões da imprensa, incomodados com minhas verdades, me privaram do direito de trabalhar nas suas redações e até de ser citado em suas publicações. Mas, limitado à internet, minha influência até cresceu e eu pude dar boa contribuição para várias causas; orgulho-me de, como defensor dos direitos humanos, haver evitado graves injustiças e ajudado a salvar pessoas valorosas.

Ainda não considero cumprida minha missão, nem completo o legado que quero deixar às minhas filhas, netos, e ao meu povo.





A São Paulo dos meus sonhos não é esta de qualidade de vida tão ínfima, de transporte tão infernal e de tamanho descaso com as necessidades e direitos mais elementares dos cidadãos - palco, ademais, de episódios chocantes como o de coitadezas sendo escorraçados a pontapés (ao invés de civilizadamente tratados da dependência química que os está levando à morte) porque atrapalham grandes empreendimentos imobiliários.

Admito sinceramente que o maior problema paulistano não pode ser solucionado por prefeitos e vereadores: é o fato de que aqui os interesses individuais prevalecem sobre os coletivos. Numa sociedade regida pela ganância em detrimento do bem comum, jamais a população será respeitada como merece.

Mas, a administração pública não precisa ser tão medíocre e desumana como a atual; nem os representantes do povo, tão traidores do povo.

Então, sem demagogia nem planos mirabolantes, eu apenas me proponho a continuar fazendo o que fiz durante toda a minha vida adulta: defender os direitos e os interesses dos humildes, contra a gula insaciável e as infames maquinações dos poderosos.

Pode parecer pouco, em relação ao que tantos prometem. No entanto, é bem mais do que eles entregarão.

Ficarei muito grato se merecer o vosso apoio.

Cordialmente,


Celso Lungaretti







ooooooooooooo

domingo, 29 de julho de 2012

A Mistificação da Grande Mídia


Marcio Sotelo Felippe*

Ontem a Carta Capital publicou uma matéria bombástica.

Tratou do chamado “mensalão mineiro”. Consta que Gilmar Mendes (entre outros próceres da República) teria recebido alguns milhares de reais em 1998 em um esquema mais uma vez organizado por Marcos Valério.

Há indícios razoáveis para uma investigação.

O problema é que Gilmar Mendes vai julgar o “mensalão”, que envolve o mesmíssimo Marcos Valério. Neste momento a situação ultrapassa perigosamente os limites do surrealismo, ou, talvez, do realismo fantástico que a literatura latino-americana criou para falar adequadamente deste continente insano do hemisfério sul.

O que causa, no entanto, a mais profunda repulsa (ou asco, ou nojo) é o comportamento da assim chamada “grande imprensa”, que cada vez mais faz jus à alcunha PIG. A Folha de São Paulo ignora a matéria da Carta Capital. Sua manchete de hoje, sábado, 28 de julho, porém, explora de forma sensacionalista uma peça processual do procurador-geral da República encartada no processo do “mensalão”: “Mensalão foi o mais atrevido ‘esquema’, afirma Procurador”. Mas não informa que um dos ministros que irá julgar o caso pode ter recebido dinheiro ilicitamente do réu que vai julgar, Marcos Valério, o que circulava na internet desde a noite de quinta-feira.

Inacreditável. A grande imprensa está fazendo do Brasil uma pálida cópia do que Alice encontrou no País das Maravilhas.

Reparem que quando o PIG se refere aos blogs progressistas, hoje praticamente a única fonte de informação isenta e honesta de que dispõe a sociedade, invariavelmente usa a expressão “militantes”, ou “militantes petistas” das redes sociais. Nunca são veículos legítimos de expressão, nunca são parte da imprensa. São desprezíveis “militantes”. Claro que as famílias Genovese, Bonanno, Gambino, Lucchese e Colombo, etc. (ops, Civita, Marinho, Frias, etc.) não têm qualquer interesse político-partidário. Só os outros é que são “militantes”. Eles não são militantes de coisa alguma, embora até as pedras das ruas saibam quais partidos e candidatos eles apoiam e saibam que usam seus veículos despudoradamente para tentar elegê-los.

O partido notoriamente beneficiado pela grande imprensa acaba de entrar com uma representação contra os blogs de Nassif e Paulo Henrique Amorim. A tese é que tais blogs recebem patrocínios de verbas públicas para apoiar o governo. Eu, como cidadão, quero então saber qual o volume do dinheiro que a grande imprensa recebe dos orçamentos públicos para desinformar a sociedade, defender seus interesses empresariais e apoiar partidos e candidatos.

Chamar esses senhores da grande imprensa de militantes é uma demasia. São militontos. Imaginam que nada disso terá consequências, que não está ficando cada vez mais nítido para a parte lúcida da sociedade o papel ignóbil que eles desempenham e que, afinal de contas, vai ficar por isso mesmo.

Sempre chega o dia do acerto de contas. Quem deve para o diabo sempre paga. Esse pacto nunca foi um bom negócio.

* Marcio Sotelo Felippe é jurista, ex-Procurador Geral do estado de São Paulo (1995-2000), autor do livro Razão Jurídica e Dignidade Humana, publicado pela editora Max Limonad.

A rês pública

*

terça-feira, 1 de maio de 2012

Brizola Neto é Blogueiro Progressista???!!!



Leio estupefata títulos de alguns posts sobre a nomeação do deputado federal Brizola Neto para o Ministério do Trabalho, ontem, pela presidenta Dilma, posts em que o deputado é apresentado como "Blogueiro Progressista".


Menos, menos, senhores blogueiros.


Carlos Daudt Brizola, cujo nome político é Brizola Neto, é neto do já falecido Leonel Brizola, político brasileiro ligado ao trabalhismo, ex-governador do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, fundador do Partido Democrático Trabalhista.


Brizola Neto cumpria até ontem seu segundo mandato de deputado federal pelo PDT.


Brizola Neto foi vereador e secretário do Trabalho no Rio de Janeiro .


Brizola Neto mantém um blog chamado Tijolaço, onde não escreve há algum tempo, sendo mantido com textos do jornalista Fernando Britto.


Dilma Rousseff foi filiada ao PDT antes de entrar para o PT. O Ministério do Trabalho no governo da presidenta Dilma é da cota do PDT.


Afirmar que a presidenta Dilma escolheu para o Ministério do Trabalho um Blogueiro Progressista é um exagero, uma desinformação, um reducionismo leviano.


O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu mantém um blog. Como muitos outros políticos. Mas dizer que Dirceu é "blogueiro" é jogar no lixo toda a sua trajetória como político e líder estudantil. 


A autodenominada Blogosfera Progressista, que inclui jornalistas profissionais vinculados a grandes redes de televisão, e que pretende ser uma alternativa à mídia tradicional, deveria pelo menos procurar oferecer informação precisa a seus leitores, sem desvirtuamentos, má-fé, leviandade ou coisa que o valha.


Depois reclamam quando são chamados de Esgotosfera Governista...


Conheçam a trajetória de Brizola Neto, lendo um perfil do novo ministro do Trabalho, postado em seu blog, onde em nenhum momento ele se intitula "blogueiro".


Os caminhos que a vida escolheu e os caminhos que eu escolhi
img_foto530Nasci em 11 de outubro de 1978, ano em que meu avô, Leonel Brizola, no exílio, recebia o ultimato do governo uruguaio para deixar o país. Dele e de meu outro avô, o Capitão da Aeronáutica Alfredo Daudt, recebi exemplos de luta e sacrifício pelo Brasil e pela democracia. Alfredo Daudt, com a ajuda de outros oficiais e sargentos, impediu a decolagem dos jatos da FAB que bombardeariam o Palácio Piratini, na Campanha da Legalidade. Pondo em risco a carreira e a própria vida, evitou o assassinato de Brizola e de milhares de pessoas que, junto com ele, defendiam a Constituição e a posse do Presidente João Goulart. Um avô salvou o outro e os dois salvaram, por algum tempo, o Brasil de uma ditadura.
Menino e adolescente, convivi com as esperanças e dificuldades de meu avô Brizola no Governo do Rio. Vi seu amor pelos CIEPs, sua revolta com as injustiças, vi como sofria sem jamais desanimar frente às mentiras e manipulações da mídia. E, sobretudo, vi como ele agia com austeridade e honradez com a coisa pública. Governador duas vezes, nunca quis morar nos palácios e muito menos queria que seus netos fossem criados num ambiente de luxos e futilidades.

Aos 16 anos, eu queria trabalhar. Outros, talvez, teriam arranjado uma colocação para o neto. Ele, com aquele seu jeito típico, disse-me: queres trabalhar? Então vens trabalhar comigo. Quem conheceu meu avô, sabe que isso estava muito, muito longe de ser emprego tranquilo. Nada de horário folgado, nada de regalias e mordomias. Ser seu secretário foi uma grande experiência, embora, com esta idade, muitas vezes eu não entendesse que, quando muitos de meus amigos estavam saindo para a noite, eu ficava do telefone para a máquina de escrever e dali para as pastas de arquivo. Eu estava aprendendo que a política pode e deve ser feita com responsabilidade, dedicação e coerência.


Mas eu não deixei, por isso, de ser, como dizem no Rio e no Sul, um guri. Gostava(que saudade!) de pegar onda, e acabei por tornar-me amigo de vários jovens das favelas da Zona Sul. Se tinha gente metida que torcia o nariz ao meu sobrenome Brizola, com eles só rolou identidade. O que Leonel Brizola dizia sobre a discriminação contra os pobres, sobre falta de perspectivas de uma vida digna, com trabalho e educação para todos, eles sentiam na pele. Desta amizade acabou nascendo o Favela Surf Club, onde jovens do Cantagalo e do Pavão-Pavãozinho aprendem a surfar e a fabricar e consertar pranchas. Na Rocinha, participei do projeto Casa de Cultura, que oferecia aulas de pintura, música, computação e dança para as crianças da comunidade.


O desejo de transformar essas duas experiências em militância política veio, então, naturalmente para mim.


Depois de quase dez anos diariamente ao lado, tive de conviver com a dor de sua morte. Quando a família me escolheu para, diante do Palácio do Catete e de uma multidão, homenageá-lo com a leitura da Carta Testamento de Vargas, a emoção deu lugar a uma certeza profunda do meu dever. E me determinei a cumpri-lo.


Em 2004, fui eleito vereador da cidade do Rio de Janeiro, que exerci com princípios de ética e moral que herdei de meu avô, procurando fazer de meu mandato uma ferramenta da luta pela educação e pelo trabalhador. Eleito deputado federal em 2006, segui com as mesmas referências históricas e tentando aprender mais. Cheguei,em 2009, aos 30 anos, à posição de líder da bancada do PDT na Câmara dos Deputados. A vida tem me ensinado que a força da juventude e o equilíbrio da idade não se contradizem, e boa parte dessa lição eu tenho aprendido com o casamento com Julia e com a delicadeza de minha Maria Clara, que completou seu primeiro aninho em maio.


O nome que carrego é uma bandeira. É um símbolo para milhões de pessoas que sonham com um Brasil diferente, com um Brasil com justiça, com trabalho, com progresso para nosso povo.


Defender este país é ser nacionalista; defender este povo é ser trabalhista. E lutar por isso a vida inteira, sem jamais esmorecer, é ser Brizola.


Brizola Neto
01/06/2009
*




quarta-feira, 28 de março de 2012

Blogosfera Progressista ou Esgotosfera Governista?



Recordar é Viver...




Como blogueira, estou aqui no ABC! há 17 meses, quase um ano e meio. Antes disso, fui leitora de muitos blogs, principalmente dos que se autodenominam "progressistas": Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada), Luís Carlos Azenha (Vi o Mundo), Rodrigo Viana (Escrevinhador), Eduardo Guimarães (Blog Cidadania) e Conceição Oliveira (Maria Frô).


Como leitora, tive comentários censurados por PHA anos atrás. Comentários que contradiziam suas posições sobre a ex-ministra Marina Silva, contra a qual ele desferia ataques cheios de achincalhe, desprezo e ridicularização, como costuma fazer quando elege "inimigos". Em seguida fui "bloqueada" pelo jornalista-blogueiro, o que obviamente percebi como algo gravíssimo para quem se coloca como guardião da democracia e da liberdade de expressão. Com o Eduardo Guimarães tive experiência parecida. Enquanto elogiava seus posts e concordava com seus pontos de vista, maravilha. Mas ao expressar opiniões críticas e contrárias, deixei de ser bem-vinda no Cidadania.


No episódio da entrevista do presidente Lula a tais blogueiros, quando manifestei contrariedade sobre atitudes de tal grupinho, de novo estes senhores e senhora "progressistas" se uniram para se auto-elogiar e criticar as posições contrárias. Eles são muito solidários. Entre si. Atuam sempre em grupo, agem como "donos" e "estrelas" da blogosfera, se incensando mutuamente....


Como Mestra em Ciências da Comunicação, apaixonada e estudiosa da mídia, me preocupam os rumos da Blogosfera Brasileira, os equívocos, os enganos, os embustes. Venho falando bastante de direito e justiça no ABC! e das bandas boa e podre do Judiciário. Há que separar também o joio do trigo na Blogosfera.


Sou uma blogueira independente. O Abra a Boca, Cidadão! é um blog pequeno, mas bravo e indignado. E nunca esteve nem estará atrelado a grupo nenhum. Não é blog sabujo, satélite, lambe-botas. Aprende com os grandes e pequenos, repercute pontos de vista que considera merecedores de reflexão, mas tem coragem o suficiente para discordar do "alto escalão" blogosférico e oferecer opinião divergente. "Desafinando o Coro dos Contentes", como digo na abertura.


Venho lendo há alguns dias posts do grande jornalista Fábio Pannunzio, da Rede Bandeirantes de Televisão. Pannunzio vem publicando em seu blog artigos críticos sobre o trabalho jornalístico e as posições políticas de Mino Carta e Paulo Henrique Amorim, na revista VEJA, na época da ditadura. Mino foi sempre para mim uma "divindade" do jornalismo. E continuava sendo. Ele e seus "botões"... O blog de PHA era uma fonte de informação variada, mas ficou comprometido desde as atitudes truculentas de cerceamento a que me referi.


Considero os artigos que Fábio Pannunzio vem publicando importante contribuição para que todos nós, pequenos e grandes, que fazemos a Blogosfera Brasileira, como leitores, comentaristas ou blogueiros, possamos crescer, ampliar nosso olhar sobre quem faz esta mídia tão apaixonante e aprender a distinguir joio e trigo.



Como os “cães de guarda” da imprensa ladravam para a caravana da ditadura passar em 1970

Fábio Pannunzio



Do nada, um certo site da nova, novíssima esquerda, começa a derramar posts em série sobre a ditadura brasileira. Chama de “cães de guarda” dos milicos os jornalistas que apoiaram descaradamente a ditadura militar brasileira. O nome desse site é Conversa Afiada. Poderia se chamar mesmo Conversa Fiada, uma vez que seu editor, Paulo Henrique Amorim, foi um dos mais dóceis cãezinhos de guarda da ditadura nos anos 70. Para o desespero dele, não é difícil demonstrar.

Alguns leitores bem-intencionados têm se mostrado surpresos com a série de revelações. Acreditavam, de bom coração, na sinceridade de PHA em sua defesa do governo Lula, do governo da Dilma, do governo FHC, … até de gente como o Zé ‘empate’ Dirceu, na sua retórica a favor dos pobres e oprimidos. Acreditavam até que PHA nasceu na esquerda. Até que ele agora é líder do movimento negro.

Aos fatos.

Muito jovem, quando todos costumam ser de esquerda, PHA já era uma espécie de poodle dos homens de farda. Naquele tempo, a revista Veja não assinava a maior parte das reportagens e, por isso, não é fácil encontrar o nome de PHA em muitas delas. De 70 a 74, foi o editor de economia da revista, segundo atesta o próprio currículo que ele publica em seu site.

Nessa condição, pode-se dizer, com segurança, que todas as reportagens econômicas ufanistas, de apoio à ditadura, têm o dedo dele. Convido o leitor a passear pelas páginas de economia da revista naquele período, consultando o arquivo digital, aberto a todos na internet (mas se preparem para o enjoo, diante de tanta propaganda pró-ditadura). Algumas vezes, porém, o editor da revista, Mino Carta, na seção “Carta ao Leitor”, denunciava a autoria das reportagens. E, quando isso acontece, não há como se esconder.

Foi o caso da edição de 26/08/70. Mino Carta escreve na Carta ao Leitor: “O anúncio do Programa de Integração Social [o PIS], o assunto da reportagem de capa daquela edição (página 28, texto final de Paulo Henrique Amorim e Emilio Matsumoto), confirma uma antecipação de Veja.”

O enjoo, caro leitor, começa pelo título: “Um programa à brasileira”. Assim mesmo, com esse ufanismo patriótico de conveniência a serviço da farda e do coturno. A ânsia de vômito aparece no subtítulo grandiloquente: “A integração social através de um fundo sem igual”.

Poucos leitores não passarão mal com o texto em si. Começa com uma rematada mentira: “Quem ganhar pelo menos dois salários mínimos por mês receberá, na pior das hipóteses, seu ordenado multiplicado por 36, ao se aposentar depois de trinta anos de serviços.”

Prossegue com um delírio fascista, o do fim das tensões, naturais, entre patrões e empregados, algo que a ditadura perseguia a ferro, fogo e pau-de-arara. Eis aí o fulcro da questão, o que francamente interessava ao regime — e a seu lulu adestrado — na época: afastar as discussões sobre a participação nos lucros, esta sim a verdadeira reivindicação dos operários. “Estão evitadas na mensagem presidencial todas as possibilidades de tensão entre patrões e empregados. Não se fala em participação nos lucros. Ao contrário, criou-se uma fórmula original, retirada da famosa inventividade brasileira. Os empregados participarão, através de um fundo, do faturamento (ou seja, das receitas) das empresas e não de seus lucros (o que significa tecnicamente o resultado da diferença entre receita e despesa).”

E, claro, acaba por bajular o ditador Médici, mentindo para os brasileiros ao dizer que o general tinha como objetivo uma sociedade próspera e aberta, tudo o que o Brasil não era à época: “‘O segredo mais bem guardado é o que todos imaginam’. A frase de Bernard Shaw, sábio dramaturgo irlandês, aplica-se inteiramente ao PIS. A notícia explodiu na semana passada com o impacto das grandes revelações. No entanto, analistas mais observadores já podiam prevê-la desde o dia 7 de outubro do ano passado, quando o Presidente Médici, pela televisão, comunicou que aceitava sua indicação para presidente da República. Naquele dia, mencionou seu desejo em promover uma revisão da distribuição da riqueza numa sociedade próspera e aberta. Na primeira reunião ministerial pediu aos seus auxiliares imediatos que estudassem medidas que viessem a marcar seu governo com as intenções reformistas a que se propunha.”

Não é segredo para ninguém que o lulu da economia de Veja se empenhava — e como! — em sua função de propagandista dos feitos homéricos do pior presidente que o País já teve. Pior no sentido de mais cruel, desumano. Aqui mesmo, neste espaço, publiquei outro dia um post revelando que PHA certa vez, nos idos dos 70, ganhou um prêmio Esso ao contestar o Censo, que acabara de sair com algo que não convinha ao comando da quartelada. O IBGE, que não era propriamente um bunker do PIG de então, constatou que havia, como a história provou, uma enorme concentração de renda no tal Milagre Econômico. PHA, no entanto, se fiou a um estudo assinado por Carlos Langoni para desqualificar o censo e provar que o Brasil Grande era maior e mais justo do que realmente era. Maior e mais justo. Au-au!

Volto ao assunto anterior. Na descrição do PIS, PHA não poupa adjetivos para vender aos brasileiros a falsa imagem de que o programa era uma coisa genial. Para isso, adula todos os czares da ditadura da época, para que nenhum deles se sentisse enciumado: “Acabou surgindo a fórmula do PIS, árvore de muitas sementes, depositadas com cuidado por Delfim, Barata, Leitão de Abreu, chefe do gabinete civil, e poucos assessores. (…) Fecha-se assim o círculo desse engenhoso mecanismo”. Engenhoso, diga-se de passagem, a ponto de ser anunciada desta forma: “Afastada a solução da participação nos lucros, o presidente apelou para a imaginação criativa de seus ministros“. Só elogios!

Não se esqueçam, ele estava falando do PIS, que vocês conhecem tão bem.

Para não haver dúvidas sobre a grandiloquência do projeto do recém-empossado ditador Médici, fecha com uma declaração de Delfim, com o objetivo de anestesiar os trabalhadores de então, vítimas do que, na época, chamavam de arrocho salarial: “‘O fundo demonstra claramente a preocupação do governo com os trabalhadores. Além disso, significa também uma verdadeira abertura política, já que as lideranças parlamentares foram convocadas pelo Presidente Médici para conhecerem com antecedência o conteúdo do programa’, disse Delfim. Para o ministro, porém, o PIS tem uma inestimável vantagem adicional, não fosse ele um de seus idealizadores: ‘Essa fórmula é brasileira. Não há no mundo sistema idêntico ou semelhante.’”

Verdadeira abertura política no governo Médici, cara pálida? Au-au!

Ora, em 1970, o Brasil vivia o auge da ditadura militar, com Dilma presa, torturada, assim como milhares de outros. Não havia sociedade próspera e aberta coisa nenhuma. E também nenhuma integração entre patrões e empregados. A reportagem, na verdade, é uma peça de propaganda da ditadura. Escrita pelo PHA.



Por que relembro todos esses casos? Porque acho que os jornalistas devem viver da verdade. Não à toa, conheço poucas pessoas que sejam contra a Comissão da Verdade. Os brasileiros, sem prejuízo da Lei da Anistia, devem conhecer a sua história. Mas esse conhecimento tem de ser completo. Se devemos conhecer quem eram os torturadores e golpistas, devemos saber quem eram os jornalistas que os apoiaram — a verdadeira imprensa golpista, que propagandeou sem nenhum constrangimento o golpe militar. A Comissão da Verdade pode começar por aí.

Para que você não se perca nesse emaranhado diáfano da história, publico na íntegra a reportagem ufanista que Paulo Henrique Amorim produziu. Reiterando que o Blog do Pannunzio não descontextualiza declarações para construir a crítica política, prática comum em certos canis virtuais contemporâneos.


Link do Blog do Pannunzio, com o post e o acesso à reportagem completa de PHA na VEJA.


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