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domingo, 21 de setembro de 2014

A Mídia Golpista, a Mentira na Política e as Eleições 2014



Por Sônia Amorim*


Eu que acompanho eleições desde criancinha, levada às seções eleitorais por pai operário, janista e de esquerda (tivemos um cachorro chamado Jango!) e mãe claramente de perfil progressista, defensora dos mais frágeis, e nas décadas de 70 e 80, como estudante da USP e Casper Líbero, fui pras ruas no movimento estudantil e nas manifestações públicas, para a derrubada da ditadura militar, e a partir de então nunca mais deixei de estar atenta aos destinos políticos do Brasil e do Povo Brasileiro, estou estarrecida com o esgoto que a mídia obtusa, apátrida, historicamente acumpliciada com o que há de mais tacanho nas elites brasileiras (e nas pseudo elites!) verte diariamente nos jornais, nas revistas, no rádio, na tv e na internet, sem qualquer traço de decoro.

"Aécio declara", "Marina afirma"... e "Dilma ataca". 

Das pequenas coisas, que o leitor/espectador ingênuo ainda não se dá conta, às canalhices inomináveis escancaradas nas manchetes!

Como disse o jornalista e blogueiro Fernando Brito outro dia, só há uma coisa mais bandida que a política brasileira: a mídia.

As eleições mais imundas a que eu já assisti e participei, onde todos os bolsões do conservadorismo e reacionarismo mais patológico estouram publicamente, a céu aberto, numa espécie de golpe odioso contra um Governo do Povo, um Governo Trabalhista, o de Lula e Dilma, o do Partido dos Trabalhadores.

Eles querem o Poder a qualquer preço. O 1%. A chamada "Casa Grande". 

Eles querem o comando do Banco Central e da Política Econômica. Eles querem entregar a preço de banana a Petrobras, como fizeram com a Vale do Rio Doce e outras estatais. Eles querem os juros na estratosfera, o País de cócoras diante do FMI, os aeroportos sem pobres, o Bolsa Família e outros programas sociais na lata de lixo, o Povo Brasileiro rastejante, em troca de migalhas...

Em suas mentes ínfimas, eles acreditam que a História anda para trás e tentam engatar uma "marcha-à-ré", buscando ludibriar o povo com suas manipulações midiáticas grotescas.

Ainda há muito por vir nas próximas semanas. 

Sociopatas, o "repertório de maldades" das elites brasileiras é quase inesgotável.


* Sônia Amorim, editora e escritora paulistana, ex-professora da USP, criadora e editora dos blogs "Abra a Boca, Cidadão!", no ar desde as eleições de outubro de 2010, e do blog "Psicopatas".




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sábado, 20 de setembro de 2014

Com Lula e Dilma, o sonho de Betinho virou realidade


ELEIÇÕES 2014 - O BRASIL QUE QUEREMOS



"O relatório global da Organização das Nações Unidas (ONU) para Alimentação e Agricultura (FAO), divulgado na última terça-feira (16), informa que, entre 2002 e 2013, houve queda de 82% na população de brasileiros considerados em situação de subalimentação. Isso mesmo, oitenta e dois porcento de brasileiros saíram do mapa da fome!"




Finalmente, o sonho de Betinho é realidade #DilmaemAlta




O relatório global da Organização das Nações Unidas (ONU) para Alimentação e Agricultura (FAO), divulgado na última terça-feira (16), informa que, entre 2002 e 2013, houve queda de 82% na população de brasileiros considerados em situação de subalimentação. Isso mesmo, oitenta e dois porcento de brasileiros saíram do mapa da fome!

Mas como conseguimos em pouco mais de uma década, sair do mapa da fome, mal que nos acometeu por quase toda história de nossa nação?

Para quem tem menos de 20 anos e nunca passou fome, pode ser difícil ter a dimensão exata do que essa conquista representa para aqueles que lutaram durante toda a vida pra atingir esse objetivo. Alguns, inclusive, morreram antes de ter esse sonho realizado, como é o caso de um dos mais notórios membros dessa luta.

Herbert José de Souza (link is external), conhecido como Betinho, criou o Ibase (link is external) (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), que surgiu com a finalidade de analisar as realidades sociais, econômicas e políticas do país. Em 1993 fundou a Ação da Cidadania, programa de luta pela vida e contra a miséria, combatendo a fome e o desemprego através da democratização da terra. Betinho morreu antes de ver as conquistas da sua luta. No entanto, seu filho, Daniel de Souza, emocionou a muitos de nós ao dizer: "Meu pai, o Betinho, não viu o combate à fome virar programa de governo e nem o Brasil sair do mapa da fome. Mas sei que em algum lugar, ele está sorrindo".

O programa de governo ao qual Daniel de Souza refere-se é o Bolsa Família, que se tornou uma referência de combate à fome no mundo e foi uma das formas criadas por Lula para cumprir a promessa feita em sua posse: zerar a fome no Brasil. Por estabelecer como metas manter as crianças matriculadas e com vacinação em dia, o programa foi responsável ainda por proezas como manter 15 milhões de alunos com presença monitorada nas escolas, e reduzir em 19,4% o índice de mortalidade de crianças de até 5 anos de idade.


Destaques do ABC!


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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Marina Silva: caos e confusão


ELEIÇÕES 2014



OPINIÃO



Como entender Marina?

A candidata do PSB, sem ser socialista, é um poço de confusão e contradições

Mino Carta


                                                                                                       Vagner Campos

Vale confiar em uma candidata que atribui a sua chance à Providência Divina?

Volto de viagem ao exterior e retomo meu espaço habitual. Em Roma, li uma análise a respeito da candidatura de Marina Silva que coincide com a avaliação de CartaCapital. No jornal La Repubblica, dos três de circulação realmente nacional, o de maior tiragem juntamente com o Corriere della Sera, e, na minha opinião, o melhor de todos.

Diz o diário que Marina Silva tem um passado honroso e nem por isso as qualidades necessárias ao exercício da Presidência de um país do tamanho e da importância do Brasil. Sua formação política é precária e suas ideias, quando manifestadas com um mínimo de clareza semântica, são confusas e contraditórias, de sorte a ressaltar a dramática incógnita que a candidata representaria se eleita.

O texto do La Repubblica confirma as nossas previsões, feitas nesta página no momento em que ficou assentada a substituição de Eduardo Campos por Marina Silva. Ou seja: ela seria tragada pelo apoio da mídia nativa, autêntico partido de oposição, porta-voz da casa-grande, e por esta arrastada inexoravelmente para a direita mais retrógrada.

E aí começam a confusão e a contradição da candidata do PSB sem ser socialista. Ela passou a ocupar a cena política brasileira como inimiga do latifúndio e da devastação ambiental, o que implica uma postura oposta àquela dos seus atuais arautos e conselheiros, adeptos, além de tudo, da involução globalizada, dita neoliberalismo, a desencadear a crise mundial. Eis perfilada a ameaça: o retorno à política econômica do governo de Fernando Henrique Cardoso, quando, em nome da estabilidade, o Brasil quebrou impavidamente três vezes e foi entregue ao presidente Lula com as burras à míngua.

Uma ação leva a outra, e haveria a se temer também pela renúncia a uma política exterior que, depois de FHC, desatrelou o Brasil dos interesses de Washington. Há quem diga que o fenômeno Marina Silva de certa forma repete deploráveis momentos históricos vividos em 1960 com Jânio Quadros e em 1989 com Fernando Collor. Com o endosso maciço da mídia, o homem da vassourinha e o caçador de marajás foram eleitos. A Presidência de ambos redundou em desastre.

CartaCapital acredita que nas mãos da ex-seringueira o destino do Brasil não seria promissor. Mas acredita também que desta feita o País saberá evitar o risco, e não receia abalar-se a um vaticínio que muitos reputarão prematuro. Nadar contra a corrente estimula quem dá a braçada honesta.

Vale registrar, de todo modo, que esta nossa ribalta se oferece a personagens singulares, ou, se quiserem, peculiares, prontamente engolfados pela direitona sempre disposta a agarrar em fio desencapado. Não me permito incluir no rol de alternativas desesperadas o já citado Fernando Henrique, habilitado a tornar-se paladino de quaisquer ideias e tendências ao sabor do que entende como conveniência pessoal.

Nunca esquecerei aquela noite em Rafard, interior de São Paulo, na campanha para a primeira eleição a governador do estado em 1982. O príncipe dos sociólogos concedia sua arenga aos boias-frias da área enquanto a brisa noturna sussurrava nos canaviais, e Mario Covas sentou-se ao meu lado na amurada da boleia de um caminhão transformada em palanque. Meneava a cabeça, a significar: “Quantas besteiras...”

O mesmo Covas que ameaçou largar o PSDB caso FHC aceitasse o convite de Collor para ser seu chanceler. E não é que o homem quase embarcou na canoa furada? Sobra minha surpresa ao constatar que dentro do próprio ninho tucano o candidato Aécio, que me mereceu simpatia desde o tempo em que carregava a pasta do avô Tancredo, confia no ex-presidente. Tancredo, aliás, dizia do sociólogo: “É o maior goela da política brasileira”.

Ao cabo, pergunto aos meus botões se vale confiar, em contrapartida, em uma candidata que, ao se apresentar como tal, atribui a sua chance à Providência Divina. Teríamos de entender que a mesma manifestação do Altíssimo determinou a morte trágica de Eduardo Campos? Os botões, como Mario Covas, exprimem o oxímoro do espanto resignado.


Destaques do ABC!

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domingo, 14 de setembro de 2014

"Coitadismo de marketing": as "lágrimas de crocodilo" de Marina Silva


ELEIÇÕES 2014 - MARKETING ELEITORAL



Usada pelas elites para retirar do poder um governo popular e trabalhista, voltado aos interesses da maioria da população, a candidata Marina Silva mente, dissimula, finge, ignora perguntas incômodas, se vitimiza e agora, pasmem!, passou a apelar também para o coração mole do brasileiro debulhando lágrimas (de crocodilo, claro!) em plena praça pública, tentando iludir o povo mais ingênuo.

Que decadência! Que ridícula! 

Não consegue conduzir a si mesma e pretende conduzir o Brasil...


A "Coitadinha", rindo da sua cara, que acredita 
nas patacoadas dela...



No Tijolaço:


A “tadinha” da floresta, onde vive a direita selvagem


Fernando Brito



Marina Silva é uma mulher com inegáveis méritos.

Saiu das profundezas da pobreza para o primeiro plano da vida nacional e não faria isso se não tivesse qualidades, persistência e capacidades.

Ninguém, a não ser a elite que a bajula agora, jamais a desqualificou por isso.

A mesma elite que desqualifica Lula – “o molusco”, como o chamam – por ser um operário que chegou a Presidente e a líder nacional.

Não a vejo, e tenho certeza de que todos reagiríamos, ser criticada por ter sido pobre ou empregada doméstica.

Eu, pelo menos, que devo o que sou a um pintor de paredes, seria o primeiro a fazê-lo.

O que se critica, ao contrário, é seu trânsito para os salões desta elite que se acostumou a chamar o povo com um estalar de dedos.

E que a fazem desfilar, como um exotismo bem-comportado, que não contesta o sistema que massacra milhões de antigas marinas, sob seus candelabros.

Ninguém a perseguiu, D. Marina.

O PT, partido pelo qual construiu sua carreira, deu-lhe cargos: o de vereadora, o de deputada estadual, o de senadora e o de Ministra.

Não foi ele quem a expulsou de nenhum deles, foi a senhora que se afastou deles.

Saiu de seu partido, e filiou-se a outro para ser candidata imediatamente, não para ser uma militante. Tanto que saiu do PT poucos dias antes do prazo limite para registrar candidaturas.

Do PV também não foi expulsa, saiu para ter um partido só seu, depois de não ter conseguido que este fosse assim.

O que a senhora fez hoje, no Ceará, é deprimente.

Dizer que “oferece a outra face”, como Cristo, apenas porque foi criticada politicamente, é de uma hipocrisia sem tamanho.

Dizer que chorou ao ser criticada por Lula, a quem a senhora abandonou depois de seis anos em que ele a manteve como ministra é deprimente.

A senhora se considera legítima para criticar, contestar, acusar, ofender.

Mas não aceita que lhe tratem senão como uma figura angelical.

A “fadinha”.

E, quando lhe criticam idéias e atitude, se transmuda.

É a “tadinha”.

O “coitadismo de marketing” , D. Marina, é uma abjeção, porque é hipócrita, é falso e é perverso, porque se trata de um estelionato contra os bons sentimentos coletivos, de uma fraude à compaixão de nossos semelhantes.

Podemos e devemos chorar. De dor, de tristeza, por solidariedade.

Jamais por sermos criticados na política.

Porque o povo brasileiro não quer chorar, nem se ajoelhar, nem suplicar.

Essa nação não é “tadinha”, nem precisa de um “tadinho”.

Precisa de líderes, de gente altiva, que levanta a cabeça como o Brasil secularmente genuflexo precisa levantar.

O povo brasileiro, que precisa se por de pé, não precisa de alguém que não sabe sequer defender nem a si mesma.

Precisa de quem possa defendê-lo e não de quem, lubrificado pelas lágrimas de crocodilo, ajude fazê-lo ser engolido, outra vez, pelas elites.

Que, no fundo, D. Marina, também a desprezam. Mas a usam

Papel ao qual, com inegável prazer, a senhora se entrega.

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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Posse de Ricardo Lewandowski na Presidência do STF: Nova Era na Justiça Brasileira


JUDICIÁRIO E JUSTIÇA 



Aconteceu ontem à tarde, no Plenário do Supremo Tribunal Federal, em Brasília, com a presença da Presidenta Dilma Rousseff e de autoridades dos três poderes da República, a cerimônia de posse do novo Presidente do STF, fato que vira uma página sofrível na Justiça brasileira, quando a Constituição da República e outros dispositivos legais foram flagrantemente desrespeitados.

Integridade. Sobriedade. Equilíbrio. Elegância. Dignidade.

Ministro Ricardo Lewandowski inaugura uma Nova Era no Poder Judiciário brasileiro.

Saudamos e comemoramos efusivamente a chegada do Ministro à Presidência da mais alta corte do País.

Leia abaixo o discurso integral proferido por Lewandowski, divulgado pelo portal do Supremo.



Ricardo Lewandowski - Imagens Google

Presidenta Dilma prestigiou a posse do Presidente Lewandowski
Banco de Imagens STF


DISCURSO DE POSSE DO MINISTRO RICARDO LEWANDOWSKI NA 
PRESIDÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL 


"Nos dias de hoje, não são poucas as críticas veiculadas nos meios acadêmicos e na mídia em geral contra aquilo que é visto como um protagonismo mais acentuado - ou até mesmo exagerado - do Poder Judiciário, em particular do Supremo Tribunal Federal, quanto à tomada de decisões relativas a temas de maior impacto sobre a sociedade.

Alguns falam numa “judicialização da política”, enquanto outros mencionam uma “politização da justiça”. Ambas as expressões traduzem uma avaliação negativa acerca da atuação do Judiciário, ao qual se imputa um extravasamento indevido de suas competências constitucionais. Outra censura assacada contra o Judiciário diz respeito à morosidade na prestação jurisdicional, reclamação que, de resto, aparenta ser universal, tantas são as queixas registradas em outros países com relação à demora na solução dos processos."

Para melhor entendermos essas instigantes questões, faremos menção a um livro publicado no passado recente - mas que já se tornou clássico - denominado “Era dos Direitos”. Esse livro, pequeno em tamanho, porém denso em conteúdo, abriga artigos e depoimentos do jusfilósofo italiano Norberto Bobbio, há pouco falecido. Nele consta uma entrevista na qual Bobbio enunciava três problemas que, no seu entender, ameaçariam a sobrevivência da humanidade: o crescimento acelerado da população
mundial, a destruição gradativa do meio ambiente e a disseminação generalizada das armas de destruição em massa.

Indagado se, em meio a tal cenário sombrio, ele divisava algo de positivo, Bobbio respondeu que via com otimismo a crescente importância atribuída aos direitos fundamentais, tanto no plano interno quanto no âmbito internacional. Para Bobbio, isso seria revelador de um progresso moral da humanidade, e de que estaríamos ingressando na “Era dos Direitos”, na qual o grande desafio consistiria em abandonarmos a habitual teorização acerca deles para, agora, colocá-los efetivamente em prática.

Nesse contexto, o Judiciário confinado, desde o século XVIII, à função de simples
bouche de la loi, ou seja, ao papel de mero intérprete mecânico das leis, foi pouco a pouco compelido a potencializar ao máximo sua atividade hermenêutica de maneira a dar concreção aos direitos fundamentais, compreendidos em suas várias gerações. Ocorre que, assegurar a fruição desses direitos, hoje, de forma eficaz, significa oferecer uma prestação jurisdicional célere, pois, como de há muito se sabe, justiça que tarda é justiça que falha. Entre nós, inclusive, incluiu-se, recentemente, na atual Constituição um novo direito do cidadão: o direito à “razoável do processo”.

Mas inúmeras dificuldades emergem quando se busca colocar em prática esse novo direito. De início, vivemos, atualmente, no mundo todo, o fenômeno que o sociólogo português Boaventura Souza Santos classificou de “explosão de litigiosidade”. Tal evento, mais do que um signo dos múltiplos conflitos característicos da sociedade moderna, representa, em verdade, uma busca do homem comum, do homem do povo, por seus direitos, que descobriu que pode alcançá-los pela via judicial.

Entre nós, a Constituição de 1988, na prática, “escancarou” as portas do Judiciário, não apenas porque continuou a dar guarida ao consagrado princípio da inafastabilidade da jurisdição, segundo o qual nenhuma lesão ou ameaça de lesão a direito pode ser subtraída à apreciação do Judiciário, como também porque colocou à disposição dos cidadãos vários novos instrumentos de acesso à Justiça, em especial as ações de natureza coletiva.

Não bastasse isso, o Judiciário, superando uma postura hermenêutica mais ortodoxa, que desvendava o Direito apenas a partir de regras jurídicas positivadas na Constituição e nas leis, passou a fazê-lo também com base em princípios, superando a visão tradicional que se tinha deles, considerados preceitos de caráter meramente indicativo ou programático. Os juízes começaram a extrair consequências práticas dos princípios republicano, democrático e federativo, bem assim dos postulados da isonomia, da razoabilidade, da proporcionalidade, da moralidade, da impessoalidade, da eficiência e da dignidade da pessoa humana, ampliando assim o espectro de suas decisões.

A partir dessa nova postura, o Judiciário começou a intervir em questões que antes estavam reservadas exclusivamente aos demais Poderes, participando, de maneira mais ativa, da formulação de políticas públicas, especialmente nas áreas da saúde, do meio ambiente, do consumo, da proteção de idosos, crianças, adolescentes e pessoas com deficiência. O Supremo Tribunal Federal, de modo particular, passou a interferir em situações limítrofes, nas quais nem o Legislativo, nem o Executivo, lograram alcançar os necessários consensos para resolvê-las.

A Suprema Corte, não raro provocada pelos próprios agentes políticos, começou a decidir questões controvertidas ou de difícil solução, a exemplo da fidelidade partidária, do financiamento de campanhas eleitorais, da greve dos servidores públicos, da pesquisa com células-tronco embrionárias humanas, da demarcação de terras indígenas, dos direitos decorrentes das relações homo afetivas, das cotas raciais nas universidades e do aborto de fetos anencéfalos.

Esse novo papel desempenhado pelo Poder Judiciário fez com que os casos submetidos à sua apreciação crescessem de forma exponencial. Em 2013, segundo o último levantamento do Conselho Nacional de Justiça, tramitaram no Judiciário brasileiro cerca de 95 milhões de processos. Naquele ano, foram ajuizados aproximadamente 28 milhões de casos novos, sem contar os feitos que ingressaram no Supremo Tribunal Federal.

Mediante um esforço quase sobre-humano os magistrados brasileiros - cujo número correspondia a aproximadamente 16.500 juízes - proferiram mais de 25 milhões de sentenças, o que resultou numa média de cerca de 1.600 para cada um deles. Não obstante esse excepcional desempenho, a taxa de congestionamento processual continuou elevadíssima, chegando a quase 71% das ações em trâmite. Isso, em grande parte, porque temos hoje quase 6.500 cargos em aberto, correspondendo a mais de 39% do total de nosso efetivo de juízes, por motivos que vão desde a falta de verbas para preenchê-los até a carência de candidatos motivados ou qualificados.

O Supremo Tribunal Federal, à semelhança do que ocorreu com o Judiciário como um todo, também foi contemplado com uma extraordinária sobrecarga de trabalho no ano passado. Ao longo de 2013 foram distribuídos 44.170 processos aos seus onze , que proferiram 85.000 decisões, das quais 72.167 monocráticas e 12.833 colegiadas.

Diante desse quadro, há quem diga que o Judiciário vive uma crise institucional ou, no mínimo, está diante de um impasse de difícil superação. Assumindo - apenas para argumentar – que isso corresponde à verdade, seja-nos lícito recordar uma conhecida imagem: quando escrita em chinês, a palavra “crise” decompõe-se em dois ideogramas – um representando “perigo” e o outro “oportunidade”. Valendo-nos dessa janela de oportunidade que o destino aparenta descerrar, buscaremos atingir, na Presidência do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, algumas metas, a seguir explicitadas.

Primeiramente, procuraremos acelerar a prestação jurisdicional intensificando o uso de meios eletrônicos para a tomada de decisões, ao mesmo tempo em que desestimularemos as ações de índole temerária ou protelatória, mediante os meios legais disponíveis.

Depois, daremos prioridade ao julgamento de recursos extraordinários com repercussão geral, mecanismo criado pela EC 45/2004, que permite que a Suprema Corte deixe de apreciar feitos que se resumam à discussão de interesses intersubjetivos, ou seja, aqueles que não tenham um impacto maior do ponto de vista político, social, econômico ou jurídico. Desde a adoção desse instrumento, o número de processos admitidos na Suprema Corte caiu pela metade, eis que, antes dele, eram aparelhados, em média, mais de 100 mil processos por ano. A racionalização e intensificação do emprego da repercussão geral será prestigiada não apenas porque reduzirá substancialmente o trabalho dos integrantes do Tribunal. Ela merecerá especial destaque sobretudo porque a solução de um recurso extraordinário qualquer, qualificado com esse rótulo, permitirá que sejam decididas centenas ou até milhares de ações sobrestadas nos tribunais de origem. 


Atualmente, tramitam na Corte 333 recursos extraordinários com
repercussão geral reconhecida e apreciação de mérito pendente, os quais mantêm em suspenso, nas instâncias inferiores, enquanto não forem julgados, cerca de 700 mil processos.

Pretendemos, ademais, facilitar e ampliar a edição de súmulas vinculantes, que fornecem diretrizes seguras e permanentes aos operadores do direito sobre pontos controvertidos da interpretação constitucional, por meio de enunciados sintéticos e objetivos. Nessa linha, buscaremos transformar as súmulas tradicionais já editadas em verbetes vinculantes, sempre que tecnicamente viável, de modo a ampliar a celeridade da prestação jurisdicional em todas as instâncias.

Procuraremos, igualmente, estimular formas alternativas de solução de conflitos, compartilhando, na medida do possível, com a própria sociedade, a responsabilidade pela recomposição da ordem jurídica rompida, que, afinal, é de todos os seus integrantes. Referimo-nos à intensificação do uso da conciliação, da mediação e da arbitragem, procedimentos que se mostram particularmente apropriados para a resolução de litígios que envolvam direitos disponíveis, empregáveis, com vantagem, no âmbito extrajudicial.

Pensamos também na denominada “justiça restaurativa”, que já vem sendo praticada, com êxito, no âmbito criminal, onde a atenção do Estado e da sociedade não se dirige, mais, exclusivamente, à punição do infrator, mas lança um olhar especial à mitigação das lesões físicas, morais, psicológicas e materiais sofridas pelas vítimas.

Esse instituto poderá ser empregado, com igual sucesso, em outras áreas do Direito, em especial nos conflitos familiares.

Do ponto de vista normativo, enviaremos, na próxima Legislatura, ao Congresso Nacional, depois da aprovação pelos nossos pares, o novo Estatuto da Magistratura, assim como projetos de lei que possam superar topicamente certos entraves na prestação jurisdicional, sem prejuízo da impostergável tarefa de atualizar e consolidar o regimento interno da Casa.

Propomo-nos, ademais, a respeitar e fazer respeitar a independência e harmonia entre os Poderes, estimulando nos juízes a adoção da salutar atitude de
self restraint, de autocontenção, praticada pelas cortes constitucionais dos países democráticos. Com isso queremos dizer que o Judiciário só deve atuar, para suprir eventual lacuna normativa ou inércia administrativa, em caráter excepcional e provisório, e apenas quando a decisão pretoriana se mostrar necessária e inadiável, permitindo, como regra, que o Legislativo ou o Executivo – representantes diretos da soberania popular – possam concluir as suas deliberações no tempo que considerem politicamente mais adequado para o País.

Pretendemos, ainda, entreter um permanente diálogo com as instituições essenciais à administração da Justiça, a exemplo do Ministério Público e da Advocacia, cujos objetivos convergem integralmente conosco no tocante ao aperfeiçoamento da jurisdição. Desejamos, igualmente, ampliar a colaboração de especialistas e membros da comunidade no controle de constitucionalidade, incentivando a atuação dos
amici curiae e a realização de audiências públicas, de forma consentânea com a Democracia Participativa instaurada pela nova Carta Magna.

Entendemos, por outro lado, que o Judiciário deve assumir um protagonismo maior na área externa, empregando, com mais habitualidade, os institutos do direito comunitário e do direito internacional, à semelhança do que ocorre no Velho Continente, onde os juízes foram e continuam sendo os grandes responsáveis pela integração europeia, sobretudo ao garantirem a igualdade de direitos aos seus cidadãos.

É preciso, também, que os nossos magistrados tenham uma interlocução maior com os organismos internacionais, como a ONU e a OEA, por exemplo, especialmente com os tribunais supranacionais quanto à aplicação dos tratados de proteção dos direitos fundamentais, inclusive com a observância da jurisprudência dessas cortes.

Pretendemos, mais, redirecionar a atuação do Conselho Nacional de Justiça, resgatando a sua concepção original de órgão central de planejamento estratégico, fazendo com que passe a atuar a partir de uma visão sistêmica dos problemas que afetam o Judiciário, sem prejuízo de sua competência correicional supletiva. Isso demandará a implantação de um modelo eficiente de informação e comunicação, que não poderá prescindir de uma permanente interlocução com os juízes de todos os graus de jurisdição e com os distintos tribunais do País.

Por fim, deveremos restaurar a autoestima dos honrados magistrados e operosos servidores do Poder Judiciário, cuja importância, no tocante à relevante tarefa de pacificação social, que realizam diuturna e anonimamente, não tem sido adequadamente reconhecida pela sociedade e autoridades em geral. Haveremos de fazê-lo mediante a correta divulgação dos serviços essenciais que prestam ao Brasil, não raro com risco para a própria vida e integridade física.

Particular atenção será dada à recuperação de suas perdas salariais, de modo a garantir-lhes uma remuneração condigna com o significativo múnus público que exercem, bem como assegurar-lhes adequadas condições materiais de trabalho, além de proporcionar-lhes a oportunidade de permanente aperfeiçoamento profissional mediante cursos e estágios aqui e no exterior. 

Permitimo-nos concluir com uma frase de Martin Luther King pronunciada em 1963, no Lincoln Memorial, em Washington: I have a dream; “Eu tenho um sonho”.

Era um sonho de igualdade e de fraternidade para todos os americanos indistintamente.

Nós também temos um sonho: o sonho de ver um Judiciário forte, unido e prestigiado, que possa ocupar o lugar que merece no cenário social e político deste País.

Um Judiciário que esteja à altura de seus valorosos integrantes, e que possa colaborar efetivamente na construção de uma sociedade mais livre, mais justa e mais solidária, como determina a Constituição da República, a qual todos os magistrados brasileiros, de forma uníssona, juraram respeitar e defender. 

Ricardo Lewandowski
Presidente do Supremo Tribunal Federal

Brasília, 10 de setembro de 2014

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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Dilma mostra como combate corrupção e corruptos


ELEIÇÕES 2014



Combater a corrupção é partir pra cima de ladrões e corruptos, não entregar o País a banqueiros, empresariado, fazendeiros e outros endinheirados.

Lula e Dilma vêm fazendo isso há 12 anos.

Infelizmente, só podendo atuar no plano federal.

Em muitos estados e municípios, até na maior cidade do País, ladrões e corruptos engravatados, os "colarinho branco" e as "sapatos de bico fino", deitam e rolam, impunemente, cometendo seus crimes em plena luz do dia...

Abaixo, o incansável Fernando Brito comenta o corajoso programa de TV da Presidenta Dilma exibido ontem à noite, no horário eleitoral.

Só quem tem a história de vida exemplar, a cara e as mãos limpas, sem trololó nem blablablá, pode falar de peito aberto ao seu Povo, escancarando as medidas que vem tomando e o número de agentes públicos corruptos que foram pro olho da rua e respondem a processos em seu governo e no de Lula, mostrando que não passa a mão na cabeça de malfeitores.





Dilma e a corrupção: coragem para bater de frente na televisão

Fernando Brito


corrupcao


Desde que me entendo por gente, nunca vi um programa de propaganda de quem está no governo se dedicar a tratar, sem meias-palavras, o problema da corrupção.

Mas foi o que, ousadamente, fez hoje [ontem] o programa de Dilma Rousseff (se você não viu, assista ao final do post).

Didático, com informação mas, sobretudo, com coragem.

Sem mi-mi-mi, mostrando que combate à corrupção não é retórico, não é na base da “garantía soy yo” , mas na criação de mecanismos institucionais de controle.

Foi, claro, uma “trava” na exploração do caso da denúncia premiada de Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, que a mídia explora seletivamente contra a Presidenta, mesmo sabendo que foi ela quem o afastou e que não tergiversa, pessoalmente, com qualquer tipo de desvio.

Não tenho, sob o aspecto da efetividade, como avaliar este tipo de mensagem, até porque é raríssima no campo da comunicação.

Mas posso afirmar que o programa não passa a ideia de alguém que está encurralada, amedrontada, assustada com a situação criada na mídia.

E, ao contrário, fecha o discurso com a denúncia da hipocrisia, da suposta “moralidade” que encobre a maior das imoralidades: a entrega do país ao controle dos que têm dinheiro, muito dinheiro.

Não sei se dá certo, mas sei que dá gosto.

E quando se vive e se fala as coisas com gosto, em geral se acerta.


O vídeo





Destaque do ABC!

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domingo, 7 de setembro de 2014

Marina Silva: A Sedução do Poder


DOS SERINGAIS DA AMAZÔNIA PROS BRAÇOS DE NECA SETÚBAL (ITAÚ-UNIBANCO)






O poder corrompe. E o poder absoluto corrompe absolutamente.
                                                                           Voltaire, filósofo francês


E a sede de poder, quando se une à vaidade, à inveja e ao sentimento de revanchismo e de vingança, aí, então, a mistura pode ser catastrófica. Luz vermelha acesa.

A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente do governo do Presidente Lula, a partir do momento em que ganhou a cabeça de chapa do PSB à Presidência da República, com a morte trágica do então presidenciável Eduardo Campos, literalmente virou a casaca, como se diz, mudando de lado, da água pro vinho e da água pura dos rios e corredeiras da Amazônia para um verdadeiro esgoto.

Não é novidade o profundo ressentimento (e até ódio) que Marina sente por Dilma, preterida por Lula na escolha para sucedê-lo. Marina, que se achava candidata natural ao posto, uma espécie de "Lula de Saias", foi posta de lado pelo Presidente, que preferiu Dilma, então ministra da Casa Civil e braço direito de Lula.

Marina saiu do governo, saiu do PT, entrou e saiu do PV, onde arrumou encrenca, fracassou na criação do Rede Sustentabilidade, sua "menina dos olhos", pois não conseguiu 500 mil assinaturas para o registro.

Como candidata pela "Nova Política" (a política sem política), Marina Silva, em suas entrevistas, declarações e debates da campanha, vem mostrando um lado astuto, cínico, hipócrita, pérfido, que todos desconhecíamos. Lembra assim os psicopatas invejosos e vingativos, que obsessivamente concentram todos os seus esforços para derrotar e se possível destruir suas vítimas, de quem não perdoam o brilho.

Marina quase sempre se comporta como uma enguia, inclusive nos debates, descaradamente, diante de milhões de brasileiros, quando vira uma "coisa pegajosa", gelatinosa, "escorregando" das perguntas incômodas, deslizando, serpenteando, e raramente respondendo devidamente, de forma clara e objetiva, o que lhe foi indagado. 

Por outro lado, não é difícil notar que é um tanto rasa, tosca, infantiloide, nas besteiras que profere vindas de um pensamento obtuso. E também no lado "coitadinha" que cultiva, na vitimização que vira-e-mexe ela utiliza para não se posicionar sobre algo. Esse expediente é usado deliberadamente. Ela é perversa. 

O que nós, cidadãos brasileiros, podemos esperar de uma mulher que nasceu politicamente nas lutas renhidas dos povos da floresta, nos duros embates dos despossuídos, se ensopando tantas vezes sob as torrenciais chuvas amazônicas, pés descalços, amassando barro, aguerridamente defendendo ideais, e de uns tempos pra cá vem se deixando deslumbrar pelos holofotes dos prêmios internacionais (alguns concedidos pela realeza europeia), pelos salões requintados onde é tratada como rainha pela aristocracia das finanças, pelos almoços e jantares e chás da tarde promovidos pela amiga "educadora" (!!!) Neca Setúbal (Itaú-Unibanco)?

O que o Brasil tão complexo, com sua dolorosa e infame desigualdade social, amenizada um pouco por Lula e Dilma, o que esse Povo Brasileiro pode esperar da menina pobre do Acre, companheira de luta de Chico Mendes, que hoje mora em apartamento cedido por empresário do agronegócio, situado no chiquérrimo bairro da Vila Nova Conceição, São Paulo, que esqueceu os coitadinhos dos bagres e hoje degusta salmão com ervas finas, se deixando seduzir pelas "carruagens de luxo", rapapés e salamaleques de supostos súditos? 

É preciso estrutura emocional e grandeza interior para fazer essa passagem sem se deixar deslumbrar e confundir com tanto poder e vacuidade, mantendo as raízes e os valores pelos quais se lutou a vida toda. E também é preciso, claro, o velho e bom caráter.

Maria Antonieta, a Rainha Louca da França, a cujo povo faminto mandou dizer que comesse brioches, teve o fim trágico que conhecemos: a degola.

Se Marina Silva chegar ao Palácio do Planalto, no descalabro que pode advir em seguida, com desemprego e recessão, talvez mande o povo comer petit-gatêau ou creme brûlée...

(Se me mandar comer alguma coisa, aviso que prefiro goiabada cascão com queijo mineiro ou banana caramelada...)


Não foi para este desfecho que a moçada saiu às ruas nas Jornadas de Junho...



Pompa e circunstância

Maria Antonieta, a Rainha Louca de França. Perdulária e promíscua, alheia ao sofrimento do povo, morreu guilhotinada em 1793. 



* Artigo de Sônia Amorim, ativista, escritora e blogueira na cidade de São Paulo, editora dos blogs "Abra a Boca, Cidadão!" (há 4 anos no ar) e "Psicopatas".

Leia mais sobre a iniquidade sem tamanho que pode se abater sobre o Brasil na nova mídia, nos blogs e sites que mostram o que a velha e golpista mídia esconde: Iijolaço, O Cafezinho, Diário do Centro do Mundo, Jornal GGN (Luis Nassif), Conversa Afiada, Brasil 247, Paulo Moreira Leite (IstoÉ) e outros.

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