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terça-feira, 9 de julho de 2013

Apoio à Presidenta Dilma, contra a direita raivosa


GOLPE EM ANDAMENTO


"(...) se devemos criticar a nossa classe política por ser corrupta e o Estado por ser ainda, em grande parte, refém da macro-economia neoliberal, devemos fazê-lo com critério e senso de medida. Caso contrário, levamos água ao moinho da direita. Esta se aproveita desta crítica, não para melhorar a sociedade em benefício do povo que grita na rua, mas para resgatar seu antigo poder político, especialmente aquele ligado ao poder de Estado a partir do qual garantia seu enriquecimento fácil. Especialmente a mídia privada e familiar, cujos nomes não precisam ser citados, está empenhada fervorosamente nesta empreitada de volta ao velho status quo."






Contra as tramoias da direita: sustentar Dilma Rousseff

Leonardo Boff

É notório que a direita brasileira especialmente aquela articulação de forças que sempre ocupou o poder de Estado e o tratou como propriedade privada (patrimonialismo), apoiada pela mídia privada e familiar, estão se aproveitando das manifestações massivas nas ruas para manipular esta energia a seu favor. A estratégia é fazer sangrar mais e mais a Presidenta Dilma e desmoralizar o PT e assim criar uma atmosfera que lhes permita voltar ao lugar que por via democrática perderam.

Se por um lado não podemos nos privar de críticas ao governo do PT (e voltaremos ao tema), mas críticas construtivas, por outro, não podemos ingenuamente permitir que as transformações político-sociais alcançadas nos últimos 10 anos sejam desmoralizadas e, se puderem, desmontadas por parte das elites conservadoras. Estas visam a ganhar o imaginário dos manifestantes para a sua causa, que é inimiga de uma democracia participativa de cariz popular.

Seria grande irresponsabilidade e vergonhosa traição de nossa parte, entregar à velha e apodrecida classe política aquilo que por dezenas de anos temos construído, com tantas oposições: um novo sujeito histórico, o PT e partidos populares, com a inserção na sociedade de milhões de brasileiros. Esta classe se mostra agora feliz com a possibilidade de atuar sem máscara e mostrando suas intenções antes ocultas: finalmente, pensa, temos chance de voltar e de colocar esse povo todo, que reclama reformas, no lugar que sempre lhe competiu historicamente: na periferia, na ignorância e no silenciamento. Aí não incomoda nem cria caos na ordem que por séculos construímos, mas que, se bem olharmos, é ordem na desordem ético-social.

Esta pretensão se liga a algo anterior e que fez história. É sabido que com a vitória do capitalismo sobre o socialismo estatal do Leste europeu em 1989, o Presidente Reagan e a primeira ministra Thatcher inauguraram uma campanha mundial de desmoralização do Estado, tido como ineficiente, e da política como empecilho aos negócios das grandes corporações globalizadas e à lógica da acumulação capitalista. Com isso visava-se a chegar ao Estado mínimo, debilitar a sociedade civil e abrir amplo espaço às privatizações e ao domínio do mercado, até conseguir a passagem de uma sociedade com mercado para uma sociedade de puro mercado, na qual tudo, mas tudo mesmo, da religião ao sexo, vira mercadoria. E conseguiram. O Brasil sob a hegemonia do PSDB se alinhou ao que se achava o marco mais moderno e eficaz da política mundial. Protagonizou vasta privatização de bens públicos que foi maléfica ao interesse geral.

Que isso foi uma desgraça mundial se comprova pelo fosso abissal que se estabeleceu entre os poucos que dominam os capitais e as finanças e a grande maioria da humanidade. Sacrifica-se um povo inteiro como a Grécia, sem qualquer consideração, no altar do mercado e da voracidade dos bancos. O mesmo poderá acontecer com Portugal, com a Espanha e com a Itália.

A crise econômico-financeira de 2008, instaurada no coração dos países centrais que inventaram esta perversidade social, foi consequência deste tipo de opção política. Foram os Estados que tanto combateram que os salvaram da completa falência, produzida por suas medidas montadas sobre a mentira e a ganância (greed is good), como não se cansa de acusar o prêmio Nobel de economia Paul Krugman. Para ele, estes corifeus das finanças especulativas deveriam estar todos na cadeia como criminosos. Mas continuam aí faceiros e rindo.

Então, se devemos criticar a nossa classe política por ser corrupta e o Estado por ser ainda, em grande parte, refém da macro-economia neoliberal, devemos fazê-lo com critério e senso de medida. Caso contrário, levamos água ao moinho da direita. Esta se aproveita desta crítica, não para melhorar a sociedade em benefício do povo que grita na rua, mas para resgatar seu antigo poder político, especialmente aquele ligado ao poder de Estado a partir do qual garantia seu enriquecimento fácil. Especialmente a mídia privada e familiar, cujos nomes não precisam ser citados, está empenhada fervorosamente nesta empreitada de volta ao velho status quo.

Por isso, as demonstrações devem continuar na rua contra as tramoias da direita. Precisam estar atentas a esta infiltração que visa a mudar o rumo das manifestações. Elas invocam a segurança pública e a ordem a ser estabelecida. Quem sabe, até sonham com a volta do braço armado para limpar as ruas.

Daí, repetimos, cabe reforçar o governo de Dilma, cobrar-lhe, sim, reformas políticas profundas, evitar a histórica conciliação entre as forças em tensão e o oposição para juntas novamente esvaziar o clamor das ruas e manterem um status quo que prolonga benefícios compartilhados.

Inteligentemente sugeriu o analista político Jeferson Miolo em Carta Maior (07/7/2013): "Há uma grave urgência política no ar. A disputa real que se trava nesse momento é pelo destino da sétima economia mundial e pelo direcionamento de suas fantásticas riquezas para a orgia financeira neoliberal. Os atores da direita estão bem posicionados institucionalmente e politicamente… A possibilidade de reversão das tendências está nas ruas, se soubermos canalizar sua enorme energia mobilizadora. Por que não instalar em todas as cidades do país aulas públicas, espaços de deliberação pública e de participação direta para construir com o povo propostas sobre a realidade nacional, o plebiscito, o sistema político, a taxação das grandes fortunas e do capital, a progressividade tributária, a pluralidade dos meios de comunicação, aborto, união homo afetiva, sustentabilidade social, ambiental e cultural, reforma urbana, reforma republicana do Estado e tantas outras demandas históricas do povo brasileiro, para assim apoiar e influir nas políticas do governo Dilma"?

Desta forma se enfrentarão as articulações da direita e se poderá com mais força reclamar reformas políticas de base que vão na direção de atender a infra-estrutura reclamada pelo povo nas ruas: melhor educação, melhores hospitais públicos, melhor transporte coletivo e menos violência na cidade e no campo.

Leonardo Boff não é filiado ao PT. É teólogo e escritor, da Comissão da Carta da Terra.

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segunda-feira, 8 de julho de 2013

Bolsa Família X Bolsa Mídia






Quem recebe Bolsa Família deve votar?

PAULO NOGUEIRA, Londres 


A pergunta da Veja é um monumento ao cinismo.



Jânio denunciou a mamata da imprensa antes de renunciar

Há uma cena que conta muito do Brasil nas memórias que o jornalista Carlos Castelo Branco, o Castelinho, escreveu sobre o curto período em que foi assessor do presidente Jânio Quadros, no começo da década de 1960.

Jânio vinha sendo duramente criticado pela imprensa, o Estadão à frente. (Não este jornal enfermiço de hoje, mas o Estadão poderoso de sessenta anos atrás.)

Jânio programou uma fala em cadeia nacional.

Castelinho foi checar a sala em que ele falaria, e encontrou uma edição dominical do Estadão, repleta de cadernos. “Favor não mexer”, dizia um bilhete escrito por Jânio.

Na fala, Jânio brandiu o jornal e disse que tudo ali era pago pelo contribuinte.

As empresas jornalísticas não pagavam imposto pelo papel, gozavam de empréstimos a juros maternos e se ficavam inadimplentes perante o Banco do Brasil quitavam com anúncios.

Bem, para encurtar, Jânio passou e as mamatas permaneceram. Na verdade, aumentaram: as empresas de mídia conseguiram posteriormente aprovar – e manter até hoje – uma esdrúxula reserva de mercado que veda a concorrência estrangeira.

Num artigo antológico que escreveu para o Globo em defesa da reserva, o atual ministro do STF, Luís Roberto Barroso, disse que bloquear a competição externa era importante para evitar pregações perigosas como as de Mao Tsetung e para preservar preciosidades culturais brasileiras como as novelas. (Barroso escreveu esse bestialógico quando era advogado da associação que faz o lobby da Globo, uma amizade que foi vital para que os colunistas da emissora apoiassem sua indicação para o STF.)

Tudo isso me veio à mente quando soube que a Veja fizera uma lista de coisas que deveriam ser submetidas a plebiscito. Uma das questões era a seguinte: pessoas que recebem ajuda do governo deveriam ser impedidas de votar por causa de um conflito de interesses?

Claro que a revista se referia à Bolsa Família.

Mas sigamos no mesmo caminho. O que fazer, então, com as empresas de mídia, ao longo de décadas vergonhosamente amparadas pelo dinheiro público, como denunciou Jânio sem conseguir mexer em nada?

Os acionistas não poderiam votar, por essa lógica. Nem os editores. Talvez aos repórteres também devesse se estender a proibição.

Dinheiro que deveria construir escolas e hospitais acabou sendo torrado em empresas jornalísticas ao longo dos tempos.

Sob FHC, a Globo conseguiu um financiamento governamental de 200 milhões de dólares em dinheiro da época para construir uma supergráfica que virou um patético elefante branco.

A ideia era que se pudesse rodar o Globo com uma tiragem de 1 milhão de exemplares. Logo veio a internet e o Globo jamais chegou remotamente perto do milhão.



FHC e Roberto Marinho comemoram a gráfica da Globo
financiada com dinheiro público

O que foi um investimento horroroso acabou não afetando a empresa porque o dinheiro do financiamento era público.

Uma foto de FHC com Roberto Marinho na inauguração da gráfica é o retrato de um país cuja administração foi sequestrada pela mídia.

O favorecimento foi torrencial em todas as áreas.

Na publicidade, por exemplo. Nos anos 1980, todos os anunciantes já não pagavam o preço de tabela da publicidade na mídia. Os descontos passaram a ser enormes. Só o governo continuava a pagar o preço cheio.

Por tudo isso, só pode ser uma piada a proposta da Veja.

Porque se for para levar a sério as companhias de mídia – bafejadas com dinheiro equivalente a múltiplas Bolsas Famílias – elas deveriam estar impedidas de votar desde sempre.


DCM

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Quem tem medo dos pobres?


O PODER EMANA DO POVO


"Numa manifestação recente, uma senhora pediu que os beneficiários do Bolsa Família perdessem o direito de eleger os governantes. Essa ideia teve alguma repercussão."

"Quais as razões dadas para restringir o voto a quem tem posses ou renda elevadas? Entendia-se que essas pessoas seriam mais racionais. Quem vive da mão para a boca nada tem a perder, portanto, não é controlável." 

"O avanço da causa democrática levou as sociedades a repudiarem o voto censitário. Negar o voto aos pobres se tornou indigno."

" (...) é sinal de deficiência na cultura política a proposta de que perca o direito de votar quem viva de esmolas - um tema ainda mais antigo, porque grassou no século XVII inglês. Afinal, um Estado sempre arbitra transferências de riquezas; ele pode destiná-las aos mais ricos, como fez por milênios, ou começar a transferi-las aos mais pobres, o que é recente mas, certamente, do ponto de vista moral, não é pior."


Retirantes. Cândido Portinari. Óleo sobre tela. 1944. MASP.


Quem tem medo dos pobres? 



Renato Janine Ribeiro*

Nada mais século XIX do que ter medo do voto dos pobres. Nada mais século XIX, em pleno século XXI, do que conservar esse medo e pretender privá-los do direito de votar. Numa manifestação recente, uma senhora pediu que os beneficiários do Bolsa Família perdessem o direito de eleger os governantes. Essa ideia teve alguma repercussão. É um puro balão de ensaio, que não prosperará, porque o sufrágio universal é cláusula pétrea da Constituição e uma emenda neste sentido não pode sequer ser examinada pelo Congresso. Mas vejamos o que isso significa.

O século XIX descobre a pobreza. Ela existia antes, claro, e em enorme escala. Mas é depois de 1800 que as grandes cidades, como Londres e Paris, são tomadas por pobres - gente que vem dos campos trabalhar nas fábricas ou nas casas, olhando com espanto, e depois com crescente ódio, para quem regurgita de riqueza enquanto eles passam fome. É o que a historiadora Maria Stella Bresciani chama de espetáculo da pobreza. Eles formam o que o historiador Louis Chevalier denominou "classes laboriosas, classes perigosas": os operários ameaçariam o "statu quo" vigente. Havendo o sufrágio universal, a maioria de pobres poderia decidir confiscar os bens dos ricos e reparti-los entre si. Esse é o grande medo do século XIX.

Para fazer-lhe frente, a elite recorre a dois ou três expedientes. Um deles, que ora funciona, ora não, é deixar o poder executivo nas mãos de um monarca; mas isso não cabe em regimes democráticos ou semi, como o norte-americano, o britânico, o francês. Outro é ter um Senado ou Câmara Alta de espírito conservador, com membros nomeados (os Lordes ingleses, os Pares franceses) ou eleitos por um mandato mais longo, a quem caberá refrear os ímpetos da Câmara Baixa, aquela que é eleita pelo povo inteiro. E, finalmente, o voto censitário, ou seja: o direito de voto dependeria da renda ou propriedade do indivíduo. Pobres simplesmente não votariam. É célebre a resposta de Guizot, primeiro-ministro de Luís Felipe, rei da França, quando a oposição lhe pede que baixe as exigências econômicas para votar: "Enriqueçam-se", diz ele. Ganhem mais, tenham mais, que poderão votar. No Império do Brasil, era a mesma coisa.

Quais as razões dadas para restringir o voto a quem tem posses ou renda elevadas? Entendia-se que essas pessoas seriam mais racionais. Quem vive da mão para a boca nada tem a perder, portanto, não é controlável. Essencialmente, é isso: vota quem tem a perder. Se eu sou rico, não quero políticas irresponsáveis, que poriam a perder a economia, o Estado, talvez a independência de meu país. Se sou pobre, que diferença me faz? Já tenho tão pouco que qualquer mudança pode ser para melhor. Exigia-se ter "bens de raiz", sinônimo de propriedade, termo interessante: somente quem está fixado ("enraizado") na sociedade, com bens ou rendimentos que ofereçam uma espécie de caução ao que diga ou faça, merece votar. Os outros, se votassem, não pagariam pelas consequências de seu voto.

Isso mudou por completo ao longo do século XX. O avanço da causa democrática levou as sociedades a repudiarem o voto censitário. Negar o voto aos pobres se tornou indigno. Além disso, quem deflagrou as guerras mais mortíferas do século não foram os pobres. Se a Alemanha e a Rússia imperiais rumaram para o desastre em 1914, não foi por iniciativa de seus miseráveis, mas de seus príncipes e nobres, em suma, dos mais ricos. E os pobres foram, sim, quem mais arcou com os custos dessas guerras infames. Deles saiu a maior parte dos milhões que morreram em batalha ou de fome. Mais perto de nós, a crise de 2008 não foi causada pelos pobres ou beneficiários da previdência social norte-americana. Não há base empírica para culpar os mais pobres pela adoção de políticas desastrosas.

Hoje, se alguém sugere, ainda que implicitamente, que pobres não votem, está retomando um imaginário antigo, arcaico. Na verdade, o século XX, sobretudo em sua segunda metade, mostrou que não é preciso negar aos pobres o voto para evitar que eles tomem os bens dos ricos; o circo - isto é, o imaginário do entretenimento - cumpre muito bem esse papel. Se for somado ao pão, isto é, à supressão da fome e da miséria, dificilmente os pobres se revoltarão. Isto, se eu quiser dar um argumento de esquerda. Um argumento mais moderado é: todo aquele que tem futuro - o que geralmente se chama "família" - se interessa em não o colocar em risco e, por isso, não apoia políticas irresponsáveis. É quando o trabalhador passa a ter, em vez de prole, uma família, quando sua renda se torna suficiente para viver mais tempo e criar filhos, que ele deixa de apoiar revoluções nas ruas. Daí, por sinal, que alguns radicais culpem a família por um certo conservadorismo que as classes trabalhadoras assumem.

Mas, de todo modo, é sinal de deficiência na cultura política a proposta de que perca o direito de votar quem viva de esmolas - um tema ainda mais antigo, porque grassou no século XVII inglês. Afinal, um Estado sempre arbitra transferências de riquezas; ele pode destiná-las aos mais ricos, como fez por milênios, ou começar a transferi-las aos mais pobres, o que é recente mas, certamente, do ponto de vista moral, não é pior.


* Renato Janine Ribeiro é filósofo, ensaísta e professor da USP.

Valor Econômico

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sábado, 6 de julho de 2013

Joaquim Barbosa: calamidade nacional


MÍDIA GOLPISTA + SUPREMOCRACIA



Incensado nas redes sociais por sua mão-de-ferro com os ditos "mensaleiros", endeusado pelos "Rebeldes do Face" que promovem manifestações de rua "contra tudo o que está aí", candidato a "Salvador da Pátria" pela "sinistra esquizofrenia" que se instalou no País, o ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, é uma "calamidade nacional", na opinião do veterano jornalista Paulo Nogueira, que em seu blog fala das relações perigosas do "Nosso Batman" com as Organizações Globo.

Um equívoco, um drama, um erro monumental a nomeação de Barbosa pelo ex-presidente Lula, segundo PN.

STF/Banco de Imagens


A Globo e Joaquim Barbosa são um caso indefensável de conflito de interesses


Paulo Nogueira, de Londres

Com seu filho empregado na Globo, JB fica moralmente impedido de julgar coisas relativas à Globo.



JB com João Roberto Marinho num prêmio que o Globo lhe ofereceu


Devem imaginar que nós somos idiotas, a Globo e Joaquim Barbosa.

Não há outra explicação.

Como pode a Globo dar emprego ao filho de JB? E como JB pode deixar que isso ocorra?

Neste exato momento, a Globo enfrenta uma questão multimilionária na Receita Federal. Documentos vazados – demorou para que isso ocorresse – por alguém da Receita contaram uma história escabrosa.

Os documentos revelam, usemos a palavra certa, uma trapaça. Com o uso de um paraíso fiscal, a Globo fingiu que estava fazendo uma coisa quando comprava os direitos de transmissão da Copa de 2002.

A Globo admitiu a multa que recebeu da Receita. E em nota alegou ter quitado a dívida.

Mas a fonte da Receita disse que não é verdade. E pelo blog O Cafezinho, que trouxe o escândalo, desafiou a Globo a mostrar o recibo.

Apenas para constar.

O dinheiro que a Globo não recolheu constrói escolas, hospitais, portos, aeroportos etc etc.

Mas, não pago, ele termina na conta dos acionistas.

Foi, além do mais, usado um paraíso fiscal, coisa que está dando prisão na Europa hoje em dia.

Isto tudo posto, vamos supor que uma questão dessas termine no STF.

Qual a isenção de JB para julgar?

É uma empresa amiga: emprega o filho dele.

Dá para julgar?

E a sociedade, como fica?

Gosto de citar um dos maiores jornalistas da história, Joe Pulitzer. Às equipes que chefiei, citava exaustivamente uma frase que é vital para o exercício do bom jornalismo.

“Jornalista não tem amigo”, escreveu Pulitzer.

O que Pulitzer dizia: se você tem amigos, você não vai tratá-los com a neutralidade devida como repórter ou editor.

A Globo está cheia de amigos, e esta é uma das razões pelas quais seu jornalismo é tão viciado – e seus donos tão ricos.

Mas as amizades de JB são ainda mais preocupantes, dado o cargo que ele ocupa.

A Justiça brasileira é um problema dramático. Recentemente, os brasileiros souberam das estreitas relações entre o ministro Fux, também do Supremo, e um dos maiores escritórios de advocacia do Rio.

Sua filha, advogada, é empregada deste escritório. Como Fux pode julgar uma causa deste escritório?

Não pode.

Há um claro conflito de interesses.

O mesmo vale para Joaquim Barbosa.

Quem acredita que ele não enxergou o conflito de interesses no emprego dado a seu filho na Globo acredita em tudo.

É um caso tão indefensável que a Globo, inicialmente, negou a informação, obtida pela jornalista Keila Jimenez, da Folha. Procurada, a Globo, diz a Folha, negou a contratação. Disse que o filho de JB fora "apenas fazer uma visita ao Projac".

Só depois admitiu.

É uma história particularmente revoltante quando se lembra a severidade com que JB comandou o julgamento do Mensalão.

Ele fez pose de Catão com suas catilinárias anticorrupção, e impressionou muitos brasileiros que podem ser catalogados na faixa dos inocentes úteis.

Mas se fosse Catão não permitiria que seu filho trabalhasse na Globo. Não pagaria – como revelou o Diário – com dinheiro público a viagem de uma jornalista do Globo para uma viagem de completa irrelevância para a Costa Rica, apenas para obter cobertura positiva do jornal.

Não usaria, como se soube agora, recursos públicos para ver um jogo do Brasil num camarote de apresentadores – claro – da Globo.

E provavelmente Catão também jamais gastasse o equivalente a 90.000 reais, em dinheiro do contribuinte, para uma reforma. [de banheiros !!!]

Joaquim Barbosa não tem autoridade moral para ocupar o cargo que ocupa: infelizmente os fatos são claros.

Ele é um drama, uma calamidade nacional.

Sêneca dizia que era mais fácil começar uma coisa errada do que depois resolvê-la.

A nomeação de JB por Lula – que procurava um juiz negro para o Supremo — foi um erro monumental.

Resolvê-lo agora é uma enorme, uma trágica dificuldade.



Diário do Centro do Mundo

Destaques do ABC!

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sexta-feira, 5 de julho de 2013

O Gigante Adormecido e os Rebeldes do Face


PRIMAVERA JUNINA


"Basta dar uma olhada, no Facebook, no perfil de muitos dos manifestantes que gritam na tag #ogiganteacordou. Quase sempre uma multidão de bem nascidos em plena euforia de adolescência cívica, sequiosa de participar das manifestações para dizer, lá na frente, que, sim, eu fui, tenho até a camiseta."

"Não há negros nas ruas, assim como não os há (e nunca haverá, com ingressos tão caros) nos estádios milionários sobre os quais paira todo tipo de suspeita de superfaturamento e desvios de conduta e verba. Mas que andam lotados de gente branca e feliz, as mesmas que, paradoxalmente, encheram as ruas para, vejam vocês, reclamar de 'tudo isso que está aí'."

Será que eles são?


Na ferida

Marcelo Neri, presidente do Ipea e ministro interino da SAE, disse o que nem o mais aguerrido dos petistas teve coragem de dizer: a periferia não está presente nas manifestações

Leandro Fortes 

Marcelo Neri, presidente do Ipea e ministro interino da SAE, não poderia ter sido mais honesto - e corajoso - ao identificar com clareza o perfil das manifestações de junho. E as reações à fala dele, de que a periferia não está presente no piquenique cívico montado nas ruas, revelam muito do grau de manipulação envolvido no tema.

Claro, não há porque negar à classe média o direito de pedir por um Brasil melhor e demonstrar sua insatisfação "com tudo isso que está aí". É como uma miss clamando pela paz mundial: todo mundo sabe que é um nado de superfície, mas não há razão para recriminar a intenção da moça.

Mas o fato é que "tudo isso que está aí" interessa a muita, muita gente, mesmo. Antes de "tudo isso que está aí", os governos governavam para uma minoria exigente e centralizadora, herdeira direta dos maus modos da Casa-Grande. Na última década, as políticas de distribuição de renda calcadas em programas de assistência social modificaram a configuração da sociedade brasileira e conferiram ao País uma nova divisão interna, e não apenas baseada na cultura do consumo - embora isso tenha sido também muito importante.

Não se deve ignorar a força desse movimento que tomou as ruas, mas não deixa de ser óbvio que essas passeatas de reivindicações difusas dizem respeito quase que exclusivamente aos anseios e frustrações da classe média, sobretudo essa mais triste e conservadora que sofre da doença infantil do antipetismo.

Basta dar uma olhada, no Facebook, no perfil de muitos dos manifestantes que gritam na tag #ogiganteacordou. Quase sempre uma multidão de bem nascidos em plena euforia de adolescência cívica, sequiosa de participar das manifestações para dizer, lá na frente, que, sim, eu fui, tenho até a camiseta.

O apoio tardio da velha mídia e a adesão histérica de seus colunistas de plantão nos dá essa dimensão exata. Não tem nada a ver com inflação (6% ao ano, oh!) nem muito menos com a corrupção, que é uma falsa bandeira montada no mastro do moralismo de ocasião. No caso, foi hasteada para ser cavalo-de-guerra nas eleições de 2014, contra o PT, naturalmente, apontado pelo subcolunismo nacional como inventor da corrupção pátria.

Só para lembrar: um levantamento feito, no ano passado, pelo Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE), revelou o Ranking da Corrupção no Brasil e o partido que ficou em primeiro lugar foi o DEM. Em seguida vieram o PMDB (segundo lugar) e PSDB (terceiro lugar). O PT ocupa a nona posição.

A questão que está intrínseca na declaração de Marcelo Neri é a de que essa maioria silenciosa assim continuará, pela simples razão de, apesar de ser maioria, viver na invisibilidade midiática desde sempre. Além disso, ela sabe que quando se manifesta as balas que lhe são dirigidas pela PM não são de borracha, mas de chumbo grosso.

Essa questão de visibilidade, na verdade, um privilégio de classe, dá às manifestações o poder de agendamento, o que de fato ocorreu no governo do PT e no Congresso Nacional, onde autoridades e políticos apavorados correram para reformar a República antes de perderem as cabeças. Porque os políticos vivem, em sua maioria, dos votos dos pobres, mas têm medo mesmo é da classe média e dos ricos. E dos oligopólios de mídia, aos quais se submetem de forma tão rastejante como apartidária.

No rastro desse desespero, transformaram a corrupção em crime hediondo, quando o fundamental - botar a mão nos corruptores - nunca aconteceu no Brasil. Basta lembrar que o banqueiro Daniel Dantas, condenado a 10 anos de prisão por subornar um delegado federal, simplesmente conseguiu anular a operação Satiagraha no Superior Tribunal de Justiça.

Dantas está livre, certamente apoiando as manifestações, como também Luciano Huck, Regina Duarte, Angélica e, agora, a blogueira cubana Yoani Sánchez, musa da extrema-direita latino-americana e especialista do Instituto Millenium, a maior confraria de coxinhas do País.

Neri está correto. Não há negros nas ruas, assim como não os há (e nunca haverá, com ingressos tão caros) nos estádios milionários sobre os quais paira todo tipo de suspeita de superfaturamento e desvios de conduta e verba. Mas que andam lotados de gente branca e feliz, as mesmas que, paradoxalmente, encheram as ruas para, vejam vocês, reclamar de "tudo isso que está aí".
CartaCapital

Destaque do ABC!

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Central de Jornalismo Golpista


GOLPE EM ANDAMENTO



"A Globo pinta os manifestantes como uma espécie de juventude-68, porém higienizada, esvaziada de qualquer sentido político. Falsificação barata de quem é expert em fazer novela pra boi dormir. A juventude de 68 – ano de turbulências no mundo inteiro – tinha bandeiras autênticas. A consciência política os levou às ruas. O fim da guerra do Vietnã, a igualdade de direitos da mulher, a libertação sexual, anarquismo … Aqui, hoje, a Globo edita como quer. Seleciona imagens e “narra os fatos” direcionando toda a energia das ruas contra Dilma."





Como em 64. Sem por nem tirar.



Golpe: a gente vê por aqui. 
Plim Plim!

Não é o povo – no sentido mais abrangente da palavra – que está nas ruas. Quem verdadeiramente usa os serviços públicos tem mais o que fazer. Não está nas passeatas. E quem protesta, protesta de barriga cheia. Pobres, negros e trabalhadores das periferias não foram convocados. Porque são invisíveis para a elite. Sujeira social.

Além dos engolidores de manchetes panfletárias que odeiam o PT gratuitamente – no que, aliás, se resume sua “consciência política” -, há a “tropa de elite” mascarada que se infiltrou no movimento do MPL e tomou-lhe as rédeas. São aqueles mercenários que Serra ajuntou em 2010.

Não confio em mascarados. Qualquer fã do MMA, UFC e similares, pode tornar-se um autêntico Anonymous. Basta comprar a máscara, que custa R$ 9,99 no site Mercado livre, e sair por aí mordendo bandeira vermelha. Intolerância, fanatismo, preconceito racial/social, homofobia – são sentimentos que contagiam fácil os distraídos de carteirinha.

Sem partido é o mesmo que sem cabeça. 50 mil aqui, 60 mil ali, 80 mil, 100 mil. O anti petismo obteve 44 milhões de votos em 2010. Hoje, algumas dezenas de milhares desses eleitores pegaram carona nas manifestações e foram para as ruas “trabalhar” o golpe.

A Globo convoca os protestos diariamente. Dá data, horário e local. Depois manda cobrir. O repórter escolhe uma família branca, bem vestida, escadinha de filhos básica. Serão os “manifestantes pacíficos que estão nas ruas”. O material coletado por suas câmeras vai para a central de jornalismo golpista. Lá editam a injeção que o JN vai aplicar no telespectador. Tomam o cuidado de separar o trigo do joio – como as faixas anti-Globo e qualquer faixa que fale mal do PSDB.

A Globo pinta os manifestantes como uma espécie de juventude-68, porém higienizada, esvaziada de qualquer sentido político. Falsificação barata de quem é expert em fazer novela pra boi dormir. A juventude de 68 – ano de turbulências no mundo inteiro – tinha bandeiras autênticas. A consciência política os levou às ruas. O fim da guerra do Vietnã, a igualdade de direitos da mulher, a libertação sexual, anarquismo … Aqui, hoje, a Globo edita como quer. Seleciona imagens e “narra os fatos” direcionando toda a energia das ruas contra Dilma.

Se o governo atual fosse do PSDB, esses manifestantes seriam acusados de comunistas – já que levantam as mesmas bandeiras que a esquerda levanta há mais de um século. A começar pelo MPL. Onde já se viu passagem de graça? Vagabundo quer passear de metrô o dia todo? É coisa de petista, querendo instalar o comunismo castrista no Brasil.

Para uns, ir à passeata tornou-se uma alternativa de programa familiar dominical. Para outros virou balada noturna. Quando gritam suas palavras de ordem sem contexto político algum, ficam parecendo zumbis andando em círculos. Não fazem a menor ideia de que o processo em andamento hoje é similar ao que nos levou a 21 anos de ditadura militar.

“Queremos saúde de qualidade”, repetem. Mas pagam convênio médico. Nunca puseram os pés num posto de saúde. Aliás, são reféns da máfia dos planos de saúde.

“Queremos educação de qualidade”. Mas estudam ou têm filhos estudando em escola particular. Não fazem ideia de como é uma sala de aula de escola pública.

“Transporte de qualidade” – mas deixaram o carro na garagem e vieram de metrô, narizes tampados, nojo de pobre.

A Globo homenageia: acordaram, estão fazendo revolução, história. Mas certamente a história lhes fará justiça. Serão lembrados como mais um rebanho conduzido pela mídia que devolveu o país à condição de vira-latas internacional. Como em 64. Sem por nem tirar.