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quarta-feira, 19 de junho de 2013

São Paulo: Ativismo, sim. Violência, não!


DESCALABRO NA CIDADE DE SÃO PAULO



Presidenta Dilma Rousseff veio de Brasília para se reunir com o prefeito Fernando Haddad, Lula e outras autoridades, tentando encontrar uma saída para a questão da redução do preço das passagens.

Prefeito Fernando Haddad abriu as portas da prefeitura para ouvir integrantes do Movimento Passe Livre no dia de ontem, em reunião extraordinária do Conselho da Cidade.

E essa gente desocupada TODO DIA transforma a cidade de São Paulo em praça de guerra, desrespeitando as autoridades e os direitos de milhões de moradores da cidade, com seus ataques de uma esquerda pueril, infantiloide e tardia.

Globo News e outros veículos de comunicação, opositores do governo, dando força, insuflando os manifestantes, mostrando só as manifestações pacíficas e escondendo do público os atos da bandidagem.

O que esta gente está querendo?

Não receberam 1 voto sequer nas eleições. E querem, desculpem, "cagar" regras, normas e procedimentos para autoridades democraticamente eleitas, medir forças, submeter o prefeito a seus caprichos e delírios de poder.

Fora, arruaceiros!

Código Penal neles!

Prefeito nenhum pode ficar refém de delinquentes e desocupados, que promovem FARRA e VIOLÊNCIAS em São Paulo e outras cidades, chamando pessoas incautas, ingênuas, inocentes (idosos, mulheres e menores) para as ruas, para serem alvo de pancadaria, tiros, destruição de patrimônio e demais iniquidades que costumam ocorrer neste tipo de manifestação.

Autoridades municipais, estaduais e federais: tomem providências para acabar com este descalabro diário em vários pontos do País.

Sônia Maria de Amorim (ativista, socialista e pacifista desde os anos 70/80)







No Brasil 247:

terça-feira, 18 de junho de 2013

Manifestações em São Paulo: que retrocesso!


ATIVISMO SIM, VIOLÊNCIA NÃO!



"A meu ver, daqui de cima, coisa de bandidos. Se esse movimento tem uma direção, uma coordenação, ela é fraca e/ou irresponsável. Chamar manifestações todos os dias, testando o estresse da cidade, é coisa de quem está infectado pelas doenças infantis do ser de esquerda. Conseguiram. Deu merda. Ainda é preciso que alguém morra?

Não identifiquei motivo para a queima do carro, nem mesmo para a quebra dos vidros da sede municipal. Também não se entende porque forçaram as portas do segundo andar. O que gostariam de fazer aqui dentro? Quebrar as pernas de quem está trabalhando? Apertar o pescoço do prefeito? Pendurar guardas municipais na ponta das grades usadas como arietes? Ridículo, triste."

                 São Paulo, manifestação na Praça da Sé, Prefeitura e Avenida Paulista

"Escrevo da Prefeitura. O que falta: um morto?"


Marco Damiani _247 – Escrevo do sexto andar do prédio da Prefeitura de São Paulo, na ponta do viaduto do Chá, que acaba na Praça do Patriarca. As janelas estão avermelhadas pelo fogo que sobe da unidade ao vivo da tevê Record. Acabou de ser queimada, depois de ter sido depredada por mais de 20 participantes da manifestação contra o aumento nas passagens de ônibus. Um rapaz tinha uma espécie de maçarico portátil. Fez o serviço que outros, com isqueiros, não haviam conseguido. A tentativa de tombar o carro não deu certo. Toque-se fogo então. A meu ver, daqui de cima, coisa de bandidos. Se esse movimento tem uma direção, uma coordenação, ela é fraca e/ou irresponsável. Chamar manifestações todos os dias, testando o estresse da cidade, é coisa de quem está infectado pelas doenças infantis do ser de esquerda. Conseguiram. Deu merda. Ainda é preciso que alguém morra?

Não identifiquei motivo para a queima do carro, nem mesmo para a quebra dos vidros da sede municipal. Também não se entende porque forçaram as portas do segundo andar. O que gostariam de fazer aqui dentro? Quebrar as pernas de quem está trabalhando? Apertar o pescoço do prefeito? Pendurar guardas municipais na ponta das grades usadas como arietes? Ridículo, triste.


O prefeito Fernando Haddad pode ter perdido, sim, uma oportunidade de revogação no aumento de R$ 0,20 na tarifa. Isso foi dito a ele durante a reunião com o Conselho da Cidade, iniciada às 9h30, e os representantes do Movimento Passe Livre. Haddad preferiu fazer contas que indicam a necessidade de R$ 1,4 bilhão em subsídios para atender a demanda de congelamento das passagens em R$ 3,00. E isso só esse ano. Pode-se considerar que ele deveria ter deixado para fazer contas mais tarde e, de imediato, ceder à pressão dessa gente que está lá embaixo. Mas ceder adiantaria mesmo? O que iria se pedir a partir de então? O socialismo?

Políticos do PSOL, do PSTU e até o futuro Rede Sustentabilidade, ainda na versão estudantil, mas políticos sim, dizem comandar esse movimento. Coisa nenhuma. Com a massa na rua, ninguém segura, e agora vai se culpar o Estado, dizer isso e aquilo de Dilma Rousseff, de Geraldo Alckmin, de Fernando Haddad, de “tudo o que está aí”. É um retrocesso danado. Como se tivéssemos avançado tanto, desde lá o regime militar, para chegarmos ao descontrole. Que cheiro de queimado. Que lixo!

Leia, abaixo, reportagem sobre o cerco à Prefeitura:

SP 247 - O entorno da prefeitura de São Paulo se transformou em palco de vandalismo depois que um grupo tentou invadir a sede do Executivo municipal. Enquanto um grande número de manifestantes seguia pacificamente pela Avenida Paulista, radicais depredavam os arredores do prédio. Um caminhão de link da TV Record e um posto policial localizado na área foram queimados. Também foram quebrados vidros de estabelecimentos próximos à prefeitura.

A manifestação corria pacífica até um grupo de jovens tentar invadir o prédio. Os guardas municipais que faziam a segurança, defendendo a entrada do prédio, acabaram cedendo e entraram, para se proteger atrás das portas. Após a tentativa de invasão, alguns manifestantes chegaram a recolocar as grades de proteção que estipulam o acesso até onde os manifestantes devem ir. Mas, enquanto alguns manifestantes recolocam as grades, outros voltam a derrubá-las. Às 20h, um grupo de 20 estudantes começou a jogar pedras e bombas na unidade de transmissão da TV Record, que acabaria reduzida a cinzas.

Todas as vidraças da entrada principal da prefeitura foram quebradas pelos manifestantes. Às 19h10, a bandeira da cidade de São Paulo foi tirada do mastro e rasgada diante da prefeitura. Em seguida, os manifestantes gritavam "tira a do Brasil, tira a do Brasil", buscando também tirar a bandeira brasileira. Várias pequenas brigas aconteceram entre a multidão, que queimou bonecos que representavam o prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin.


Brasil 247

*

Praça da Sé: a "Praça da Revolução"


PRIMAVERA BRASILEIRA



"Ou revoga ou revoga" é o ultimato que eles dão ao prefeito paulistano Fernando Haddad, sobre o reajuste de 20 centavos na tarifa do transporte público.

E ontem, manifestações pelo Brasil afora mostraram que eles estão "contra tudo" o que representa "poder institucionalizado". Em Brasília, invadiram o Congresso Nacional. No Rio de Janeiro, a situação beirou o terrorismo. Em São Paulo, às 11 da noite eles ameaçavam o Palácio dos Bandeirantes.

E os insultos à presidenta Dilma Rousseff já começaram.

Não era "passe livre" que eles queriam? E agora querem governar o País sem ter recebido 1 voto sequer do povo brasileiro?

O que significa tudo isso?

Há partidos, grupos de poder, por trás deles?

A quem interessa desestabilizar as instituições e os governos democraticamente eleitos?

Oposição ao governo comemora e insufla. E a mídia golpista também.

E hoje tem mais. 

A Praça da Sé em São Paulo vai virar a Praça da Revolução.

Vamos acompanhar e tentar entender.





A PRAÇA TAHIR É AQUI?


LEONARDO ATTUCH



O “outono brasileiro” não tem dono, nem direção. E quem tentar se apropriar desse “movimento” será rapidamente devorado pela fúria das ruas

Quem são eles? O que querem? O que realmente motiva os milhares de jovens que tomaram as ruas das grandes cidades e, ontem, invadiram o próprio Congresso Nacional?

Serão mesmo os vinte centavos da passagens de ônibus? Ou há algo mais fundo? Há explicações para cada tipo de freguês. Para os petistas, a violência da Polícia Militar de São Paulo potencializou a reação desta segunda-feira. Para os tucanos, o que existe é uma insatisfação difusa contra os rumos do País e a precariedade dos serviços públicos.

Diante de uma catarse coletiva, sem direção e sem lideranças claras, cada grupo tenta impor sua própria agenda ao “movimento”, que, na verdade, não tem unidade alguma.

Nessa tentativa de se apropriar dos protestos, a Globo, por exemplo, enxergou um grande protesto nacional contra a PEC 37, que limita ações do Ministério Público, sem qualquer amparo na realidade. E acabou sendo alvo da fúria das ruas, diante de manifestantes que gritavam palavras de ordem contra a “Central Globo de Mentiras”.

Se a Praça Tahir é aqui, o que fica claro é que ela não tem dono. Há quem grite contra a corrupção, contra os gastos da Copa, contra a mídia e até mesmo contra as tarifas de ônibus.

No mundo político, a correnteza das ruas deixa um grande ponto de interrogação. À direita, os que ontem falavam em “baderna” hoje enxergam uma oportunidade de apontar a fúria da massa contra o PT e a presidente Dilma Rousseff. No Facebook, tanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quanto o senador Aécio Neves saudaram o grito de indignação e a perspectiva de um eventual levante popular. No Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff limitou-se a elogiar o “caráter democrático” dos protestos. E o ex-presidente Lula jogou a batata quente para o prefeito Fernando Haddad, apostando numa negociação com o Movimento Passe Livre.

Mas o fato é que o poder está cercado. E a polícia, intimidada pela repercussão negativa de suas ações na semana passada. Hoje, há apenas incerteza. E quem tentar se apoderar desse movimento sera rapidamente devorado por ele.


Brasil 247

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Hoje: mais um capítulo da "Rebelião das Massas"


Cidadania é processo. Construção. 

Não espetáculo de televisão.

E manifestações de rua não constituem qualquer novidade para quem viveu os anos de chumbo, sem se acovardar, ou conhece um pouco da história recente do Brasil, quando fomos para o embate público contra a feroz ditadura militar, na luta pela redemocratização do País.


Comício das Diretas Já, Praça da Sé, São Paulo, 16 de abril de 1984. 
Um milhão e meio de manifestantes. 

Hoje está programado mais um capítulo da "Rebelião das Massas" versão 2013, contra o aumento das tarifas dos transportes, ato que deve ser transmitido ao vivo pela Globo News, emissora da mesma organização que apoiou a ditadura militar nos anos 60 e 70 e ignorou as manifestações pelas Diretas Já nos anos 80, inclusive o maior comício da história política brasileira, em São Paulo.

Por uma Revolução da Cidadania, contra o oportunismo midiático!




Opinião



Um processo lento e doloroso

A cidadania é possível apenas como resultado de uma longa e complexa trajetória histórica


Aurélio Munhoz 
                                                                                
Manifestantes no Estádio Mané Garrincha, em Brasília
Manifestantes no Estádio Mané Garrincha, em Brasília
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Ícone da Sociologia Política Brasileira, o jurista Raymundo Faoro (1925-2003) foi um dos melhores intérpretes da alma nacional nas últimas décadas.

Da sua mente lúcida e privilegiada emergiu uma obra primorosa sobre o patronato político brasileiro: “Os donos do poder” - dois encorpados livros nos quais o autor esmiúça, lastreado por uma sólida base histórico-cultural, a gênese do modus operandi arcaico, autoritário e fisiológico da fauna política verde e amarela.

É possível dizer que o fio condutor do pensamento de Faoro em “Os donos do Poder” foi basicamente o mesmo que o inspirou a cunhar uma frase lapidar sobre a democracia brasileira: “A conquista da cidadania é um processo lento e doloroso”.


Foi este o jeito de dizer aos incautos que não se constroem verdadeiras democracias sobre os escombros de rupturas drásticas, pontuais e indolores. Nem unicamente por meio do voto ou da verborragia desenfreada e contundente.

A cidadania é possível apenas como resultado de uma longa e complexa trajetória histórica, muitas vezes permeada de medo e violência, na qual uma densa rede de fatores interage para produzir as mudanças que a sociedade deseja.

Possivelmente não há frase que traduza melhor o Brasil do recente protesto contra a tarifa do transporte coletivo em São Paulo ou das vexatórias vaias à presidenta Dilma Rousseff na abertura da Copa das Confederações, sábado passado, no agora renomeado e portentoso Estádio Nacional de Brasília. Não faltou quem tenha enxergado conexões inexistentes entre as duas manifestações, contrapondo-se aos bordões que identificam a indolência política da Nação, como os manjados “O Brasil é um gigante adormecido” ou “O povo não sabe a força que tem”.

O que Faoro nos ensina sobre estas manifestações, transportando-se sua frase para o Brasil de junho de 2013, são duas coisas essenciais para se compreender o Brasil de hoje. Mas, por favor, entenda-se: elas servem não para desqualificar as citadas manifestações, mas para nos mostrar o quanto nosso entusiasmo com certas iniciativas espontâneas da massa pode levar a avaliações precipitadas e reducionistas sobre a realidade.

A primeira é que, na verdade, o “gigante” já acordou e o está fazendo há décadas, bem antes da ocorrência do protesto sonoro contra o governo Dilma ou da manifestação reprimida pela bestialidade imposta pela PM de São Paulo.

Ele já dava o ar da sua graça nos anos 60, quando o Brasil que pensava reagiu - porém, tardiamente e sem sucesso - à entronização dos homens da caserna no poder, em março de 1964. E prosseguiu assim na década seguinte, apoiado pelos sonhos e as atitudes da moçada que curtia liberdade, mas também rock, Tropicália e uma boa dose de rebeldia, embalados pela célebre máxima “é proibido proibir”.

O mesmo ocorreu nos anos 80, quando milhões de brasileiros pediram (e conseguiram) transformar as Diretas Já no início da abertura política brasileira. E ainda nos anos 90, quando, sob a pressão dos caras-pintadas, o Congresso Nacional mandou o ex-presidente Fernando Collor de Mello de volta para sua mansão, no belo estado de Alagoas.

O corajoso movimento que pede tarifas de ônibus mais baratas país afora merece respeito, aplausos, admiração, apoio e solidariedade, especialmente os inocentes que foram agredidos pela Polícia Militar paulista. Assim como merecem respeito os torcedores que emprestaram suas vozes ao coro de vaias à presidenta Dilma Rousseff.



Mas, com o devido pedido de perdão aos milhões de otimistas e revolucionários virtuais do Facebook, as manifestações de São Paulo e de Brasília estão longe de ser um divisor de águas na cidadania brasileira, uma conjugação única e inédita de fatores histórico-sociais que resultará em uma drástica e urgente ruptura da exploração existente no carcomido modelo político-econômico nacional brasileiro. É puro exagero dizer que o povo, agora unido, finalmente começa a se rebelar nas ruas para cobrar os seus direitos e a cabeça dos poderosos em bandejas de prata.

É preciso muito mais que um conjunto de manifestações contra o transporte coletivo ou os excessos nas obras da Copa para que isto ocorra. É preciso que decorra um longo (e, como sempre, sofrido) processo histórico de construção da nossa consciência política e da cidadania, como nos ensina Faoro em sua segunda lição, para que a exploração seja banida da vida nacional. Não é o que ocorre nos protestos em análise, por mais respeitáveis que sejam.

As manifestações que ocorrem nas ruas do Brasil são muito mais a indicação de um desejo que todos nós acalentamos no nosso imaginário de libertários (o da revolução nas ruas, pelas mãos do povo) do que a tangibilização de um incipiente e irreversível movimento social de caráter nacional destinado a questionar a fundo as mazelas da sociedade brasileira.

Por enquanto, o que as pessoas fazem é protestar com veemência. Mas ainda sem a aspiração de derrubar governos ou prender empresários. E não todo o povo. Nem em todos os cantos. Nem por todas as causas, aliás. A unanimidade em torno da tarifa do transporte coletivo ou dos gastos da Copa do Mundo de 2014 ainda permanece distante no horizonte.

A manifestação de São Paulo foi tão sublime, em seu escopo, quanto o gesto dos milhões de manifestantes que pediram o impeachment do presidente do Senado, Renan Calheiros, em fevereiro deste ano. Mas não pode ser classificada de estopim de uma generalizada e vigorosa rebelião das massas, até porque não ocorreram protestos similares em situações recentes da vida nacional que justificariam uma revoada de indignações país afora.

Por exemplo, os assaltos chancelados pela economia de mercado praticados por muitos supermercados nos recentes aumentos de preços dos alimentos, que são provavelmente os principais responsáveis pela volta da inflação. Não custa dizer o óbvio: que, tanto quanto as tarifas do transporte coletivo, alimentos são produtos essenciais às vidas de todos nós. A despeito disso, porém, não se viu grupos organizados ocupando as ruas em protesto contra os supermercados ou os grandes atacadistas de alimentos. O mesmo ocorreu em relação a outros problemas mais óbvios, graves e contundentes da vida nacional.

Já o coro anti-Dilma foi prova de repúdio aos gastos exorbitantes do contribuinte na construção do Estádio Nacional de Brasília. Tem razão esta gente barulhenta de reclamar do desperdício. A construção de um novo estádio Mané Garrincha jamais poderia mesmo custar 1 bilhão de reais, embora o palco do futebol mais caro da Copa do Mundo de 2014 seja a Fonte Nova, em Salvador, que beira bizarros 2,2 bilhões.

O problema é que, ainda que corretos no mote do seu protesto, os autores das vaias perderam a oportunidade única de também satanizar gente que tem tanta responsabilidade pelas excrescências pré-Copa do Mundo quanto Dilma. Poderiam ter direcionado seu brado de revolta também a Joseph Blatter, presidente da Fifa, que fez vistas grossas aos abusos cometidos não apenas no Estádio Nacional de Brasília, mas em todos os palcos da Copa. Ou a José Maria Marin, presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), igualmente cúmplice dos exacerbados derrames de dinheiro da viúva no antigo estádio Mané Garrincha e comandante de uma das instituições esportivas mais corruptas do planeta.

É de se perguntar ainda por que os autores das vaias, quando frequentam os estádios dos seus times do coração, não dedicam o mesmo tratamento aos quadrilheiros que conduzem muitos dos clubes nacionais - uma gente que tem muito a esconder do Judiciário e que não hesita em perpetrar maracutaias fora dos gramados para manter seus clubes. Nem se constrange de sonegar impostos. Ou de usar sua voracidade para sugar o dinheiro dos governos e das grandes empresas estatais no patrocínio das suas camisas. Ou seja: se Dilma errou na condução dos preparativos para a Copa, está longe de ser a única.

É desejo de todos nós que as manifestações contra os abusos nas tarifas do transporte coletivo e nas obras da Copa do Mundo não só continuem, mas se expandam, e o façam sem a repressão de trogloditas fardados. É preciso, porém, que o foco da revolta popular seja ampliado e direcionado não só a governos (do PT, do PSDB ou de qualquer outro partido), mas também a todos os empresários facínoras - e seus prepostos - que se apropriam do aparato estatal para encher as burras de dinheiro, em todos os campos da atividade econômica, inclusive no esporte. Não apenas no quesito transporte coletivo, portanto.

Acima de tudo, contudo, é preciso compreender que a rebelião popular que alavancará as mudanças que o Brasil deseja não é exatamente um fato novo. Já ocorreu e continua ocorrendo em vários momentos da nossa história. Ainda é muito cedo para se dizer se as manifestações contra a tarifa do ônibus serão suficientes para alavancar mudanças mais significativas, mas o que parece é que - se prosseguir - este movimento só atingirá seus objetivos a longo prazo e, assim mesmo, apenas se adquirir um nível de maturidade política elevado, além de uma amplitude bem maior, envolvendo um conjunto significativo de cidadãos e de instituições representativas da sociedade civil organizada.

Ainda não é o que ocorre na sociedade brasileira de junho de 2013. Não há sinais de engajamento popular realmente massivo e rebelde, em escala nacional, nestas duas causas nobres. Em boa parte, os cidadãos permanecem inertes diante destes problemas e se contentam apenas em acompanhar as notícias pela grande mídia, junto com o lixo cultural despejado por boa parte das rádios, TVs e veículos impressos nacionais.

Os heróicos manifestantes de São Paulo e os barulhentos autores das vaias em Brasília ganharam visibilidade, o que é ótimo, mas ainda não são milhões - e, como se viu, são frágeis. A revolução da cidadania que queremos tarda a aparecer no horizonte.

*Aurélio Munhoz é graduado em Jornalismo e em Sociologia. Pós-graduado em Sociologia Política e em Gestão da Comunicação Corporativa, foi repórter, editor e colunista na imprensa do Paraná. É assessor governamental e de comunicação e presidente da ONG de educação ambiental Pense Bicho.

CartaCapital

Destaques do ABC!

Vaias a Dilma: elite tosca e sem educação


OPINIÃO 



Tem coisa que o dinheiro não compra.

Educação formal, diploma, o tal do "canudo de papel", tudo isso pode ser adquirido em módicas prestações mensais nas espeluncas universitárias que pululam em cada esquina, depois da vertiginosa expansão do ensino superior privado no governo FHC.

Mas elegância interna, respeito, educação, civilidade, boas maneiras... o tal de "berço", não está à venda em lugar algum. Ou você tem ou você não tem. Isso vem em geral da família, dos ascendentes, daqueles que nos criam e nos transmitem valores imperecíveis. E deve ser também cultivado na escola, com bons professores, professores dignos, que detenham estes valores.

Exatamente por isto esta escritora e blogueira que vos fala não concorda com o peso exagerado que os governos (todos) costumam dar à economia na gestão de um país. 

Claro que é desejável e até imprescindível a estabilidade econômica, o acesso das classes despossuídas a emprego, salários, escolas, bens de consumo, mas um governo (qualquer um) deveria se ocupar mais com o "índice de felicidade" de um povo, do que com o índice inflacionário, por exemplo. E deveria ir além, se preocupando prioritariamente com políticas que promovessem o SER, mais do que o TER.

Tem coisa que o dinheiro não compra.

Os que vaiaram a presidenta Dilma no estádio de Brasília não eram despossuídos. Era gente privilegiada, diplomada, com dinheiro no banco, casa equipada com os mais modernos eletrodomésticos, carros na garagem (até de luxo!), gente que compra em shopping, se veste com grifes famosas etc. etc. Mas não sabe se portar num evento internacional, não aprendeu a respeitar autoridades e, pior, não se deu conta de que a presidenta Dilma Rousseff, ali, representava todos nós, representava o Brasil.

Elite tosca e mesquinha.

Endinheirada, diplomada. 

Mas sem educação.






Vaia revela apenas a deselegância da elite
O Brasil, para ficar como Dilma Rousseff deseja, precisa trocar de torcida. Essa que compareceu ao Estádio Mané Garrincha, em Brasília, é inteiramente inadequada. Uma legião de Velhos do Restelo. Vindo da Suíça, terra onde o leite já sai das vacas pasteurizado, o companheiro Joseph Blatter, da Fifa, ralhou: “Onde está o respeito, onde está o fair play?”. As vaias aumentaram.

Até o desafeto José Maria Marin, da CBF, tentou salvar a cena puxando uma salva de
palmas. Os apupos prevaleceram. Bons tempos aqueles em que o futebol era o ópio do povo. Hoje, gasta-se R$ 1,2 bilhão num estádio para que ele seja usado como amplificador do pio do povo. Quanta ingratidão! O Planalto deveria considerar a hipótese de trocar a torcida brasileira por torcedores terceirizados vindos da Suíça de Blatter. São pessoas muito mais respeitosas. E que fair play!

domingo, 16 de junho de 2013

Manifestantes: Por gentileza, não atrapalhem o trânsito!


Passe Livre São Paulo/Facebook


OPINIÃO



Ode à baderna

Nada mais assustador para um conservador do que a baderna

Leandro Fortes


A moçada parou São Paulo para reclamar do aumento da tarifa do transporte público? 

O promotor mentecapto, parado no trânsito, pede a PM para espancar e matar os manifestantes. Foto: Ninja

Um dos discursos mais comuns à direita brasileira é esse: peçam o que quiserem, digam o que quiserem, mas não façam baderna. E, sobretudo, não atrapalhem o trânsito. Não por outra razão, qualquer cobertura da mídia nacional sobre passeatas, manifestações e grandes movimentações de massa acabam, sempre, em manchetes de trânsito. Os camponeses foram a Brasília pedir reforma agrária? Atrapalharam o trânsito. As mulheres da Marcha das Margaridas invadiram a Esplanada dos Ministérios para pedir saúde e educação no campo? Provocaram engarrafamentos. A moçada parou São Paulo para reclamar do aumento da tarifa do transporte público? O promotor mentecapto, parado no trânsito, pede a PM para espancar e matar os manifestantes. Afinal, o filhinho dele está na escola. Mas como chegar para pegá-lo a tempo, se os bárbaros impedem o trânsito?

Quando, além de parar o trânsito, os manifestantes fazem baderna, aí não! Aí já é demais! Não pode ter baderna. Tem que ser como aquelas passeatas pela paz na Zona Sul do Rio de Janeiro, todos de branco na Avenida Atlântica, copos-de-leite às mãos, o trânsito compreensivelmente parado para a procissão de cidadãos contritos. A polícia, claro, à distância, com as sirenes reverencialmente desligadas. Tudo assim, sem baderna, dentro da lei e da ordem. A manifestação do mundo ideal.

Pena que para quem pega quatro conduções por dia e gasta em média quatro horas dentro delas (ou esperando por elas) a realidade seja outra. No mundo do transporte público não tem hakuna matata. O pau come no ponto, no ônibus lotado, nas estações de trem e metrô diariamente conflagradas. Para o usuário de transporte coletivo, todo dia tem confusão e baderna, mas é difícil explicar isso para o mundo da Avenida Paulista. Para a classe média bem motorizada, as demandas do transporte coletivo são subterrâneas, confinadas a um universo específico sobre o qual só se tem notícia quando motoristas e cobradores entram em greve. É o dia em que a patroa de Higienópolis se inquieta porque a empregada vai chegar mais tarde ou, horror dos horrores, nem vem trabalhar. Quem vai fazer almoço? E os petizes, sob a guarda de quem ficarão no playground?

E, de repente, vem a baderna.

Multidões de cidadãos, jovens, velhos, brancos, negros, empregadas, office-boys, desempregados, professores, trabalhadores, trabalhadoras, desocupados. Baderneiros. Quebram ônibus, depredam vidraças, picham paredes, revolvem a cidade e deixam marcas no asfalto.

O horror, o horror!

Então, todos se unem contra a baderna. Podem pedir o que quiserem, podem se manifestar, cruzar as ruas com bandeiras, mas, por favor, não atrapalhem o trânsito. Políticos de todos os matizes se unem para bradar: baderna, não! Antigos militantes de esquerda que ainda acham um lindo momento histórico as barricadas de Paris, em 1968, estão, ora vejam, revoltados com a baderna. Pedras, paus, coquetéis molotov, é preciso conter os bárbaros e acabar com a baderna. Não interessa se eles vivem em panelas de pressão, amontoados em latas automotivas superlotadas, se ganham uma miséria e, agora, terão que pagar mais 20 centavos pelo mesmo sofrimento diário. O que importa é que eles, baderneiros, estão atrapalhando o trânsito.

Então, a solução é descer a porrada. Passar a borracha no lombo desses baderneiros, enfiar-lhes o cassetete na cuca, tocar o gado revoltado para o corredor polonês.

Que a violência policial contra os manifestantes venha do governo de São Paulo, não causa espécie a ninguém. O PSDB é um partido de direita, o governador Geraldo Alckmin é um numerário da Opus Dei, organização católica de extrema-direita, e a PM de São Paulo é um substrato intocável do aparato policial-militar herdado da ditadura. Os policiais que tomaram o centro da cidade para espancar e prender manifestantes e jornalistas são os cães de guarda desse sistema. Não há disfunção alguma no que estão fazendo: eles existem, basicamente, para isso. Para tocar a negrada a pau, para dar paz a Higienópolis e garantir a brisa fresca de domingo nos Jardins. Dessa gente e de sua guarda pretoriana devem cuidar, nas próximas eleições, o povo de São Paulo.

Mas, onde está o PT? Onde está o prefeito Fernando Haddad, este que já avisou, de Paris, pelo Twitter, que não irá “tolerar vandalismo”? Onde estão os vereadores, deputados e senadores do partido que nasceu nas monumentais greves do ABC paulista, em plena ditadura militar, que os chamava, ora vejam, de baderneiros? Nada. Ninguém de braços dados para enfrentar a tropa de choque. Todos quietinhos, com seus militantes sempre tão subordinados, para saber o que vai sair no Jornal Nacional e na Veja de domingo. Até lá, melhor deixar as barbas de molho. Para os que ainda têm barba, claro.

Nessa vergonhosa escalada de violência tocada pelo governo tucano de São Paulo, não podia faltar, claro, o apoio da mídia. Não há manifestantes para a ela, mas só baderneiros. Manifestantes são franceses, suecos, turcos, chineses. No Brasil, são vândalos e desocupados interessados em depredar o patrimônio público, como se a imprensa brasileira, hoje povoada de engomadinhos formados em cursinhos de trainee, alguma vez tenha se preocupado, de fato, com a segurança física dos ônibus usados pelos pobres.

Perdão, gente indignada com os vândalos. Mas entre a hipocrisia e a baderna, eu fico, alegremente, com a segunda.


CartaCapital

Destaques do ABC!
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sábado, 15 de junho de 2013

SP: Fernando Haddad quer ouvir ativistas do MPL


OPINIÃO 


Esta escritora e blogueira, que atuou como cidadã e estudante da USP nas movimentações para a derrubada da ditadura militar e a redemocratização do Brasil, e este blog, cujas linhas editoriais inequivocamente contemplam com ênfase a cidadania e a liberdade de expressão, acolhem com entusiasmo todas as manifestações de rua em defesa de direitos, como as que o Movimento Passe Livre vem promovendo em várias capitais do País.

O que a cidadã editora do blog se permite fazer a esta altura da vida, já distante da "idade da inocência", é no mínimo estar atenta a eventuais manipulações de jovens debutantes nos movimentos sociais, por grupos alheios à causa e com objetivos espúrios.

Esta cidadã blogueira acompanha o noticiário sobre as manifestações pela mídia nacional e internacional, mas também procura manter uma visão ampla do que acontece no País como um todo.

Já há alguns meses, a grande imprensa brasileira conduz seu noticiário de forma partidária, sem isenção, valendo-se de "terrorismo informativo", procurando semear pessimismo e criar um clima de revolta na sociedade, com o evidente objetivo de desestabilizar o governo da presidenta Dilma Rousseff e comprometer sua reeleição. Isto depois de sucessivas pesquisas de opinião em que a presidenta Dilma bate, de forma inédita, todos os recordes de aprovação.

A sofrível oposição brasileira, municiada e respaldada pela mídia de mercado, há muitos meses se encontra em escancarada campanha para as eleições presidenciais, daqui a mais de um ano, em outubro de 2014. 

Por outro lado, esta mesma mídia pouco e mal noticia as boas realizações da gestão Fernando Haddad na cidade de São Paulo, como o combate à corrupção na administração municipal e a criação de canais que estimulam a participação cidadã, importantes compromissos de campanha.

E não nos esqueçamos também dos "arrastões" que aconteceram recentemente na Virada Cultural promovida pela Prefeitura, que esta mesma mídia tentou usar para arranhar a gestão do petista.

A grande e tradicional mídia brasileira tem lado. Sempre teve. E não é, nunca foi, o lado do Povo Brasileiro.

Que brasileiras e brasileiros injustiçados e indignados sempre "Abram a Boca Cidadã", nas ruas, praças, redes sociais... onde houver espaços para tanto, mas sem violência, sem danos ao patrimônio, de forma republicana.

E que o Movimento Passe Livre aceite o chamamento do prefeito Fernando Haddad, que mais uma vez abre espaço e chama os ativistas para o diálogo.




HADDAD DIFERE DE ALCKMIN E CHAMA MPL AO DIÁLOGO


Prefeito de São Paulo convoca reunião com Movimento Passe Livre para a próxima terça-feira; integrantes farão apresentação diante do Conselho da Cidade; além de ouvir alternativas, Prefeitura pretende mostrar como se dá composição da tarifa; Fernando Haddad procura recuperar para o terreno político-administrativo questão que foi criminalizada por ação repressiva da Polícia Militar

SP247 – O prefeito Fernando Haddad, do PT, adotou uma postura diametralmente oposta da do governador Geraldo Alckmin, do PSDB, na questão do aumento das tarifas de ônibus em São Paulo.

Numa iniciativa para descriminalizar o assunto, Haddad resolveu não apenas reconhecer, como abrirá as portas da Prefeitura de São Paulo para o Movimento Passe Livre. Na próxima terça-feira 18, os integrantes do Conselho da Cidade irão ouvir exposições dos mesmos jovens que participaram de quatro passeatas em protesto contra o aumento das passagens e a baixa qualidade do sistema de transporte.

Ao mesmo tempo, a administração municipal irá explicar como se dá a composição da tarifa de ônibus.

Haddad criticou a ação policial, na quinta-feira 14, que resultou em mais de 200 prisões e na agressão física a jornalistas. O governador Geraldo Alckmin, ao contrário, defendeu a ação da PM, sendo acompanhado nesta avaliação por seu secretário de Segurança.

Abaixo, nota da Prefeitura de São Paulo sobre o assunto:



Prefeitura convida MPL para apresentar propostas para o Conselho da Cidade

A Prefeitura de São Paulo irá convocar uma reunião extraordinária do Conselho da Cidade na próxima terça (18) para discutir o transporte público em São Paulo. Por determinação do prefeito Fernando Haddad, o MPL (Movimento Passe Livre) será convidado para fazer uma apresentação diante dos conselheiros para explicar suas propostas e visões para o setor.

A administração municipal também irá apresentar detalhes sobre a composição de preço da tarifa de ônibus, a evolução da despesa orçamentária com o subsídio e os planos para a melhoria na qualidade do sistema. Depois das duas apresentações, o debate será aberto para a participação dos conselheiros e sugestões de encaminhamento.

O Conselho da Cidade foi instalado no dia 26 de março para servir como um novo canal de diálogo com a sociedade. É um órgão consultivo, formado por representantes dos movimentos sociais, entidades de classe, empresários, cientistas e pesquisadores, artistas e lideranças religiosas. Os conselheiros têm quatro reuniões ordinárias por ano, para discutir assuntos da cidade, como, por exemplo, a revisão do Plano Diretor e o Projeto Arco Tietê.


SP 247

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