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sábado, 5 de novembro de 2011

Lula e a perversidade humana



A propósito do câncer diagnosticado no ex-presidente Lula e dos posts que venho publicando aqui a respeito, tenho recebido vários comentários absolutamente impublicáveis, de gente sem qualquer noção de civilidade, que se utiliza de linguagem baixa, palavrório vulgar e insultuoso referindo-se ao ex-presidente. Desnecessário dizer que tais comentaristas sequer têm a hombridade de assinar o que escrevem.


O Abra a Boca, Cidadão! é um blog ativista e jornalístico, editado por uma defensora dos direitos humanos e da ampla liberdade de expressão. E continuará aberto como sempre esteve a opiniões contrárias, a pontos de vista divergentes, desde que escritos de forma equilibrada, educada, civilizada. Sem apologia a ilícitos e sem linguagem chula.


Aos que acham que Lula deveria se tratar no SUS, reproduzo abaixo carta de um ex-professor da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), curado de um câncer graças a atendimento no SUS, publicada pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, em seu blog.


Felicidades e Saúde, querido Presidente Lula!



                                                                                                                                           Ricardo Stuckert/PR



4 de novembro de 2011


Como todos meus amigos próximos sabem, eu fui acometido de um linfoma altamente maligno em 1991. O diagnóstico foi tardio (estava do estadio 3 do câncer quando o máximo de gravidade é 4) e, sem muito saber o que fazer, amigos meus indicaram-me um hospital público que tinha um núcleo de hematologia onde se estudava e tratava das doenças do sangue, o Hospital Brigadeiro. Passei 3 meses sob tratamento quimioterápico e outros tratamentos mais para tentar controlar a doença sendo que, ao final, passei por sessões de radioterapia no HC, também um hospital público. Após tudo isso foi constatado uma remissão completa do linfoma. Segundo a equipe médica, se os tumores não voltassem em 5 anos poder-se-ia considerar uma cura completa. Já se passaram 20 anos e estou vivo e saudável. Devo minha vida à equipe do Hospital Brigadeiro e aos meus colegas de departamento. Por isso os desajustados que estão comemorando a doença do Lula podem tirar o cavalinho da chuva porque as coisas não são bem o que eles pensam.


Resolvi escrever isso após ler uma série de comentários na mídia esgoto sobre os insultos ao Lula, mandando-o se tratar na saúde pública. Lula uma vez disse que a burguesia brasileira era perversa no que ele está coberto de razão. Basta ver como ele está sendo tratado nas “redes sociais” e, portanto, este meu depoimento é para dar força a ele. Se pudesse chegar ao conhecimento dele ficaria mais satisfeito e confortado.


Nylson Gomes da Silveira Filho

Professor aposentado da UNIFESP



Conversa Afiada



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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Dilma e o "Bolsa Família Global"



Depois da gritaria interna das ignorantes e mesquinhas elites brasileiras, que criticaram ferozmente o bem-sucedido programa Bolsa Família do governo Lula, chamando-o entre outras cretinices de Bolsa Esmola, chegou a hora do alvoroço internacional. 


A presidenta Dilma Rousseff, que participa da reunião do G20, grupo dos 20 países mais desenvolvidos, defendeu ontem um programa de renda mínima mundial, uma espécie de Bolsa Família Global.


Graças ao vitorioso governo do presidente Lula, que tirou com seus programas sociais milhões de brasileiros da pobreza, o Brasil tem hoje moral para chegar em reuniões internacionais e propor medidas parecidas para enfrentar a crise econômica mundial.


Abaixo mais detalhes da fala da presidenta.


Em Cannes, Dilma defende proposta da OIT para 'bolsa família' global

Dilma e Sarkozy em Cannes/Reuters
Presidente sugere que medida seria um caminho possível para o combate às crises econômicas.
A presidente Dilma Rousseff defendeu nesta quinta-feira durante a reunião de cúpula do G20 em Cannes, na França, uma antiga proposta da OIT (Organização Internacional do Trabalho) para estabelecer uma espécie de programa de renda mínima global, em moldes semelhantes ao programa brasileiro do Bolsa Família.
Dilma disse que "o Brasil tem uma experiência exitosa de enfrentar a crise com inclusão social e geração de empregos" e sugeriu que esse seria um caminho possível para o combate às crises econômicas.
"A inclusão de 40 milhões de pessoas na classe média foi não somente um impositivo moral, mas também uma questão de eficiência econômica", afirmou.
Segundo ela, é por essa razão que o país "apoia a tese da OIT de que um piso único de renda global não é filantropia, mas é uma rede de proteção mundial fundamental para enfrentar a crise e que tem um efeito inequívoco contra a crise".
De acordo com a OIT, a proposta oficialmente chamada de Piso de Poteção Social "prevê que cada país deveria incluir na oferta de serviços básicos de saúde, independentemente de contribuição, o pagamento de um benefício básico para famílias com crianças – a exemplo do que o governo brasileiro garante com o pagamento do Bolsa Família, benefícios assistenciais para pobres e desempregados e a manutenção das políticas de garantia de renda para idosos, viúvos, órfãos e inválidos".
Taxa sobre operações financeiras

"A inclusão de 40 milhões de pessoas na classe média foi não somente um impositivo moral, mas também uma questão de eficiência econômica"
Dilma Rousseff, presidente
A proposta da OIT já havia sido endossada pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, anfitrião do encontro, no início do ano.
A presidente brasileira disse ainda em seu discurso que apoia outra proposta defendida pela França, da criação de uma taxa global sobre operações financeiras para bancar programas sociais, desde que ela venha em conjunto com a aprovação da proposta do piso global.
"O Brasil não se opõe a uma taxa financeira mundial se isso (a proposta da OIT) for consenso entre os países a favor da ampliação dos investimentos sociais", afirmou Dilma.
Em um pronunciamento após o encontro, Sarkozy, na condição de presidente de turno do G20, se disse animado com o apoio declarado à proposta da taxa financeira global e citou especificamente os apoios manifestados por Dilma e pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, durante a reunião.

BBC Brasil

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

STF julgará hoje futuro do CNJ ?



Está na pauta de julgamentos hoje no Supremo Tribunal Federal (STF) a ação da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) que pretende tirar poderes de investigação e punição do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), transformando o órgão, como já dito aqui, num mero item de perfumaria, acessório e dispensável. É possível que tal apreciação aconteça hoje, pós-feriado, quando muitos cidadãos encontram-se viajando, passeando, descansando...


A aprovação desta ADIn da AMB não interessa à sociedade e ao povo brasileiro, nem à banda boa do Judiciário, mas contempla interesses mesquinhos, corporativistas e inconfessáveis.


Está mais do que na hora do elitista Poder Judiciário acompanhar os outros dois poderes da República, começando a acertar seus ponteiros com o terceiro milênio e a promover a abertura, a transparência, a modernidade e a democracia dentro de suas dependências e em seus procedimentos.


Modernidade não é só computadores de última geração e monitores de cristal líquido. A mentalidade fechada, arcaica e oligárquica do Judiciário precisa sofrer também, urgentemente, um upgrade, começando, quem sabe, por extirpar de seus quadros os "bandidos de toga", na expressão da ministra-corregedora Eliana Calmon, verdadeiros cancros que comprometem as mais altas funções constitucionais do poder.


Eliana Calmon, ministra do 
 STJ e Corregedora do CNJ


Reiteramos o apoio do ABC! e desta blogueira, uma das milhares (milhões?) de vítimas do Judiciário que aí está, à destemida ministra-corregedora Eliana Calmon, cidadã exemplar e orgulho da magistratura brasileira.


Fiquemos atentos às decisões da mais alta corte de Justiça e às posições de cada um dos ministros. É crucial que a cidadã e o cidadão aprendam a distinguir entre quem defende o Povo Brasileiro e a Constituição Federal e quem se alinha com interesses menores.


Indignadas e indignados, às ruas e praças e nas redes sociais! Vamos promover a Primavera Judiciária!


Por um Judiciário aberto, transparente, não elitista, democrático e cidadão, livre do câncer da corrupção!


Abaixo, mais um artigo alertando para a corporativista tentativa de cerceamento do CNJ, escrito por uma representante da banda boa.



Ação da AMB contra o CNJ é pauta corporativista



Quem exerce cargo público deve se preocupar com a opinião pública. Afinal, é a sociedade a destinatária dos seus serviços. Daí porque não se pode minimizar o impacto das sucessivas críticas da opinião pública ao Judiciário.

Mesmo lento, caro e inacessível, o Judiciário é um Poder que, nas últimas décadas, experimentou um fortalecimento gradual. Composto por uma maioria absoluta de juízes que se submeteu a concurso público e que é comprometida com a efetividade da justiça, precisa ainda de mudanças na sua estrutura – vertical, hierárquica e pouco democrática.

É natural que, nesse contexto, tensões permanentes coexistam. Esse quadro levou o professor e ex-conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Joaquim Falcão ao diagnóstico de que são muitos os judiciários que integram o Judiciário brasileiro. Para que a Emenda Constitucional 45 fosse aprovada, emenda que resultou na criação do CNJ, muitos consensos tiveram de ser construídos. A participação da AMB nesse processo foi fundamental.

Se até a sua instalação sofreu o CNJ resistências de grande parte da magistratura, com o início de seu funcionamento mostrou-se um órgão vital para a democratização do Poder. Ao proibir o nepotismo, estabelecer critérios para remoções e promoções, uniformizar rotinas e procedimentos, reunir números do Judiciário e efetivamente trabalhar na implementação de políticas públicas — mutirão carcerário, implantação das varas de violência doméstica, conciliação, entre outras — o CNJ tem cumprido papel relevante, ocupando um espaço institucional antes inexistente.

Mas também tem mostrado ocupar papel relevante ao fiscalizar e punir magistrados cuja atuação transborde os limites legais. Com a sua atuação, o CNJ revelou o que já se intuía: havia e há uma grande dificuldade dos tribunais em gerir a administração da justiça sem um órgão sistêmico e externo a eles. Como órgão novo, no entanto, o CNJ passa por ajustes e controles cotidianos, exercidos pelo STF, com acerto e eficiência.

Nesse ambiente de divergências naturais, a AMB resolveu patrocinar a pretensão de se excluir do Conselho a possibilidade de punir magistrados antes da atuação das corregedorias locais. É esse o contexto em que a Corregedora do CNJ, ministra Eliana Calmon, de forma generalizada, apontou a existência de “bandidos escondidos sob as togas”, suscitando, de um lado, reação corporativa sem precedentes, e, do outro, manifestações públicas em apoio às suas declarações.

Na névoa formada por essa falsa dicotomia, a questão central corre o risco de perder o foco. O que se discute é a redução dos poderes do CNJ para fiscalizar e disciplinar a ação de magistrados. Esta pauta, trazida pela AMB, a mesma AMB que há cinco anos ajuizou uma Ação Direta de Constitucionalidade para proibir o nepotismo no Judiciário, é uma pauta que não traduz o sentimento da sociedade.

Grande parte dos avanços e da visibilidade da Justiça veio de projetos que se alinhavam com o sentimento dos cidadãos. Eleições limpas, simplificação da linguagem jurídica, adoção, são campanhas que, entre tantas, transformaram o Poder numa instituição mais próxima da população, mais pedestre e mais compreensível.

Ao abraçar um projeto exclusivo de parte da magistratura, por meio do questionamento dos limites de atuação do CNJ, esquece a AMB que foi pela atuação do Conselho que não só punições foram aplicadas sem o viés natural do corporativismo local, mas também juízes puderam se contrapor aos tribunais, para afirmar suas garantias.

A legitimidade do Judiciário só ocorre quando a sociedade reconhece no Poder um aliado para a efetivação dos seus direitos. A resistência corporativa é um processo que deve ser vencido com a atuação firme dos juízes que enxergam no seu serviço um instrumento de fortalecimento da cidadania.

Andréa Pachá é juíza de Direito em Petrópolis (RJ) e ex-conselheira do Conselho Nacional de Justiça.



Conjur
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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A mídia é o câncer do Lula



Esse câncer é incurável. E devastador. Não há quimioterapia, radioterapia, cirurgia que resolvam. Oito anos de um governo extraordinário de nada adiantaram.


É o câncer do preconceito, da tacanhice, da ignorância, da estupidez humana. Incrustado no jornalismo de esgoto da "grande" imprensa brasileira.


A seguir, artigo do jornalista André Rosa a respeito do câncer midiático, que acometeu Lula há mais de 30 anos.



A imprensa e (é) o câncer do Lula*


Lula já passou por tudo na vida. Nasceu no berço da miséria, viajou treze dias num pau-de-arara. Trabalhou como engraxate, tornou-se torneiro mecânico e um acidente de trabalho lhe amputou um dedo. Viu sua primeira mulher morrer, foi preso político e na cadeia não acompanhou a morte de sua mãe, dona Lindu. Sofreu o preconceito dos ricos e da classe média. Concorreu quatro vezes à presidência e quando lá chegou enfrentou a tentativa dos poderosos de tirá-lo do poder a qualquer custo. Em todas as situações resistiu. Liderou as greves dos metalúrgicos no ABC paulista durante a ditadura militar, construiu um partido de esquerda e ajudou a transformá-lo no maior da América Latina. Foi reconhecido como o melhor presidente que o Brasil já teve e transformou-se em liderança mundial.



Certamente não será o câncer de laringe que irá derrubá-lo. Lula tira da sua própria história pessoal, da sua luta para viver e sobreviver, a força para enfrentar e vencer mais esta dificuldade que a vida lhe impôs. E a esperança mais uma vez vai vencer o medo.


O mais revoltante nisso tudo é o tratamento dispensado pelas grandes empresas de comunicação e seus comentaristas de boteco num momento que deveria ser de solidariedade ao ex-presidente. Logo depois do anúncio da doença, no sábado, diversos veículos de imprensa, em especial portais na internet, buscaram “analisar” a conjuntura sem o Lula. Para os mais atentos, foi possível perceber que logo após a divulgação da notícia, vinham comentários esdrúxulos, irreais e desrespeitosos. Um analista chegou a afirmar que a doença de Lula iria modificar completamente a vida política no Brasil já a partir de 2012. Apostava ele no crescimento da oposição e na saída do ex-presidente de cena. Uma afirmação sem pé nem cabeça feita por um comentarista de boteco desejoso de que o ex-presidente não se recupere e rume para a sua angústia final. Esta seria a oportunidade, na cabeça do analista, para a elite voltar ao poder.


Tão ou mais revoltante do que os comentários, foram as afirmações de militantes da elite nas redes sociais. Aqueles mesmos que no ano passado disseminaram o ódio e o preconceito contra a esquerda buscando eleger José Serra, representante brasileiro do Tea Party. São também os mesmos que aplaudem o assassinato de moradores de rua, o espancamento de gays, lésbicas, negros e mulheres. Para eles, a morte de Lula seria a melhor solução.


Lula tem um câncer de laringe, de agressividade média e cerca de três centímetros, o qual irá tratar durante os próximos meses. Para a decepção de alguns, não morrerá e nem sairá da política. Continuará ajudando a construir um Brasil cada vez melhor para os brasileiros e lutando para mudar a vida das pessoas no mundo inteiro através da sua influência e liderança.


O maior câncer de Lula não é o da laringe, que é reversível e curável. A parcela considerável da imprensa que representa os interesses de uma elite retrógrada e conservadora é o maior câncer. Não somente do Lula, mas de toda a sociedade.


* André Rosa, no Contraversando


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terça-feira, 1 de novembro de 2011

O câncer do Lula e o câncer da sociedade



Estupidez. Falta total de educação e compostura. Carência total de humanidade. 


Me refiro aos que se manifestam nas redes sociais, pretendendo ver o ex-presidente Lula tratando seu câncer no SUS. Atriz (?) global, inclusive.


Quanta boçalidade e ignorância!


Percalços da liberdade de expressão.




Comentários cancerígenos

Michel Blanco

A repercussão do câncer de Lula na internet remete ao clima de baixarias que inundaram as redes sociais nas eleições 2010. Não à toa. Lula é peça-chave no jogo político, e a boçalidade destampada no período eleitoral continua a ser alimentada à farta.


O ex-presidente fez bem ao tornar logo público o tumor na laringe. Agiu com a transparência que se espera de quem deixou o Planalto com índice de aprovação de 87%. Não se trata apenas de um drama pessoal. Embaralha qualquer cenário que se vislumbre para as eleições municipais de 2012 e, obviamente, para a sucessão presidencial de 2014.

É nesse contexto que desponta nas redes sociais a campanha “Lula, faça o tratamento pelo SUS”. Ela renova o ódio reacionário que marcou a disputa eleitoral do ano passado, em que o auge foi a exortação do afogamento de nordestinos em São Paulo.

Lula poderia ir a um hospital público, como o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, mas preferiu o Sírio-Libanês, onde seus médicos trabalham – também ali se trataram de câncer o então vice-presidente José Alencar e a então chefe da Casa Civil Dilma Rousseff. Aliás, é desejável que ele não ocupe vaga de quem depende da rede pública de saúde.

Por que a campanha para Lula se tratar pelo SUS? Só ressentimento e ignorância explicam tamanha estupidez. Algum mimimi se no lugar do petista estivesse um tucano de densa plumagem? E se Lula fosse ao Instituto do Câncer não receberia tratamento de ótima qualidade, como todos que lá estão? O mais curioso é ver que o sujeito que quer Lula num leito público também comemorou o fim da CPMF, cuja extinção beneficiou uma parcela de brasileiros que, da classe média para cima, deixaram de entregar 0,1% sobre o valor de cada movimentação financeira para a saúde pública.

O ódio dessa minoria contra Lula escandaliza agora alguns de seus críticos sensatos na imprensa. Mas não se trata de cobrar comportamento decente de leitores, quando parte da mídia é responsável por fomentar essa raiva e dela se beneficia. Basta recordar como foi a cobertura do título honoris causa concedido a Lula pela Sciences Po.

Choca que a galera vomite nas redes tanta escrotidão com a mesma — ou até mais — desinibição que em círculos íntimos. A parada, porém, é mais profunda. Não é uma questão de compostura, mas classe. Melhor, classes. Num clima que transborda o ódio de quem sente as referências de exclusividade social se esvair, ainda que muito, mas muito lentamente.



Yahoo


Charge no Tudo em Cima

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O preço de um blogueiro



"Pessoas que escrevem por acreditar em uma Idéia não são melhores do que as outras, de maneira alguma. Mas são perigosas. Mais perigosas do que as que cumprem ordens ou estão simplesmente fazendo o seu trabalho. Muitos levariam uma bala ou iriam presos pelo que acreditam, mas quantos fariam o mesmo por seu emprego?"



Quanto custa um blogueiro?

Hordas de leitores desgostosos de uma opinião que não a sua partem para o ataque, a todo o momento, por estas bandas. Bem, muitos de vocês já viram os diversos casos, alguns mais patológicos, outros menos (para entender os diferentes tipos que povoam os blogs, sugiro a série publicada tempos atrás pelo grande Maurício Stycer). No final das contas, é divertido e não me importo. Até porque a senhora minha mãe não é frequentadora da rede mundial de computadores…

Uma das tentativas mais interessantes de agredir é sugerir que o jornalista “leva um por fora”, seja por fazer parte de uma organização não-governamental (e, como sabemos, toda a ONG tem pacto com o Tinhoso), seja por publicar denúncias contra empresas e governos. Se é algo que atinge a administração Dilma, é um tucano. Se é uma crítica à administração Alckmin, dá-lhe petista. Se é crítico a uma grande obra de engenharia que está engolindo comunidades tradicionais, o sujeito é um bastardo vendido para o Tio Sam por um mísero iPhone. Ou um Homem das Cavernas, que não ousa ver a terra brasilis alcançando o destino deveras glorioso para o qual estava abençoado desde que se deitou no berço esplêndido de sua fundação (porque, na internet, não basta ser conservador, tem que ser rococó).

Tem muita gente vendida por aí? Ah, sim, claro. Em todas as profissões e classes sociais, diga-se de passagem – porque a falta de ética não é monopólio de figuras públicas ou políticas. Além do mais, cada um vende sua voz ou força de trabalho para quem quiser, vivemos em um país livre (sic). Uma das características do Reino do Mercado é que faz parte do jogo tentar precificar as relações humanas e os posicionamentos pessoais. Pode-se até comprá-los.

O que assusta muita gente, porém, é que há os que não se dispõem a receber um preço. E assusta ainda mais que existam os que escrevem em nome de sua consciência individual, de uma idéia maior que ele próprio – seja ela qual for. Aliás, Idéia, com maiúscula. Como Dignidade, Liberdade, Igualdade de condições. Neste mundo que cisma em ser pós-moderno é difícil explicar que ainda há alguns nortes que valem a pena ser seguidos. Não grandes discursos de Verdade, pois essa não existe. Mas as noções básicas que, construídas e compartilhadas, nos tornam semelhantes, nos tornam humanos.

Pessoas que escrevem por acreditar em uma Idéia não são melhores do que as outras, de maneira alguma. Mas são perigosas. Mais perigosas do que as que cumprem ordens ou estão simplesmente fazendo o seu trabalho. Muitos levariam uma bala ou iriam presos pelo que acreditam, mas quantos fariam o mesmo por seu emprego?

Uma Idéia é um treco muito poderoso. Não se dissolve em gás lacrimogênio, não se anula com processos, não se reverte com intimidações. Não morre com as pessoas que a carregam, não se cala no silêncio. Se rasgada ao meio, não se divide, multiplica-se. Nada contra a corrente ou divide um mar.
Sim, quem escreve em nome de uma Idéia leva muita coisa por fora. Mas guarda no peito e não no bolso. E ri sozinho à noite.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Agora somos 7 bilhões



Esta é a bebê Danica, filipina escolhida pela ONU para simbolizar os 7 bilhões de seres humanos que o planeta atinge hoje. O primeiro gesto parece ser de saudação à vida, mãos e braços abertos para o mundo. Seja bem-vinda!


                                                                          Foto: Reuters (O Globo Online)


Pequena filipina simboliza o ser humano 
de número 7 bilhões

ONU elegeu filipina para simbolizar a marca, disputada por vários países.
Danica Camacho nasceu em hospital público de Manila.



Da France Presse


Danica vai receber uma bolsa de estudos, enquanto seus pais
terão ajuda para abrir loja. (Foto: AP)

A Ásia, onde vivem dois terços da população mundial, recebeu simbolicamente o ser humano de número 7 bilhões, uma pequena filipina de nome Danica, cujo nascimento foi celebrado em Manila e ilustra os desafios planetários de crescimento demográfico.

O planeta atingiu a população de seis bilhões em 1999. Na ocasião, a ONU escolheu Adnan Nevic, um menino nascido em Sarajevo, como representante simbólico da marca. Desta vez, a ONU optou por não designar nenhuma criança com antecedência e vários países pretendiam reivindicar a efeméride.

Danica May Camacho, nascida no domingo, dois minutos antes da meia-noite, no José Fabella Memorial Hospital, um centro público da capital filipina, tem 2,5 quilos. Seus pais, Florante Camacho e Camille Dalura, foram felicitados por representantes das Nações Unidas.

"É muito bonita. Não posso acreditar que seja a habitante sete bilhões do planeta", comentou emocionada Camille Dalura na sala de partos, invadida pela imprensa. Danica receberá uma bolsa de estudos e seus pais uma quantia em dinheiro para abrir uma loja.

"O mundo e seus sete bilhões de habitantes formam um conjunto complexo de tendências e paradoxos, mas o crescimento demográfico faz parte das verdades essenciais em escala mundial", declarou a representante do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) nas Filipinas, Ugochi Daniels.
G1


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