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sábado, 15 de outubro de 2011

Abra a Boca, Cidadão! comemora Primeiro Ano



Há exatamente um ano esta blogueira, antes editora, escritora e professora universitária, chegava à blogosfera. No dia 15 de outubro de 2010, Dia da Professora e do Professor. Estávamos há duas semanas da eleição presidencial, a suja campanha tucana corria solta na mídia e em outros espaços, era hora de "sair novamente às ruas", "abrir a boca cidadã", como tantas vezes fiz nos anos de chumbo...


Um ano depois, o balanço é mais que positivo. O ABC! ajudou na eleição histórica, inesquecível, apaixonante, da Primeira Mulher Presidente da República do Brasil, Dilma Vana Rousseff. E a partir daí não parou mais, diariamente disparando denúncias, alertas, críticas, indignações várias... Houve muitos momentos de doçura, claro, pois na alma ativista há lugar também para carinho e acolhimento.


Apesar de ameaçada, constrangida, sob risco de atentados, a blogueira encontrou e vem construindo neste pequeno espaço uma abertura e um lugar de inserção no mundo. 


Cidadania Planetária.


E hoje, ao comemorar seu primeiro ano de Blogosfera Cidadã, este dia é ainda mais especial: Indignadas e Indignados do Mundo Todo saem às ruas em vários países, na celebração United for Global Change - Unidos pela Mudança Global. Veja o post anterior.


Cidadãos Planetários: Saiam às Ruas, Abram Seus Olhos e Bocas, Manifestem-se!


Basta de Fome, Miséria, Violências e Injustiças!


Chegou a hora de mudar o mundo!


                                                                     



Primeiro Post: 15 de Outubro de 2010   POR AMOR AO BRASIL


Há tempos venho pensando na possibilidade de criar um blog, abrindo um novo espaço de atuação para divulgação de ideias e pontos de vista. A hora me parece mais do que propícia.

O Brasil vive um momento único em sua história: um clima eleitoral nunca visto, com uma campanha sórdida, eivada de infâmias, desencadeada pelo candidato oposicionista, associado a uma mídia perversa e pervertida e a elites mesquinhas, ignorantes, sem qualquer compromisso com o País. Um descalabro. Um verdadeiro "atentado à cidadania".

Ando engajada diariamente na campanha, em minha "trincheira virtual", acompanhando os sites dos principais jornais e a Blogosfera Cidadã, disparando mensagens por email a amigos, parentes, conhecidos, tentando de alguma forma chamar a atenção deles para o gravíssimo momento que o País vive.

A cidadania corre risco. A democracia está ameaçada.

Não sou eu, uma ilustre desconhecida, que o afirmo. Há pouco li um post a respeito, mostrando o pronunciamento da extraordinária professora e filósofa Marilena Chauí nesse sentido.

O Brasil cresceu muito nos últimos 8 anos, chegando a uma posição nunca antes alcançada, inclusive em termos de prestígio internacional. Graças a um governo comprometido com o povo, com as classes menos favorecidas, com a nacionalidade. E corremos o risco de daqui a duas semanas, no segundo turno das eleições presidenciais, jogarmos todas estas conquistas numa lata de lixo e entrarmos num processo de retrogradação e obscurantismo.

Em pleno século XXI, no Terceiro Milênio, não tem sentido andarmos pra trás como caranguejos, na contramão de todo o avanço planetário. O momento é de estupefação, claro. Mas também de reflexão e ação. Precisamos todos buscar claridade sobre o processo em curso e avançar em atitudes que possam reverter este quadro, afastando o risco de retrocesso. Não em função de um partido ou de uma candidata. Mas por amor ao Brasil.

VIVA O POVO BRASILEIRO!!!


Segundo Post: 15 de Outubro de 2010   APENAS UMA CIDADà


NÃO sou petista. Nem roxa nem vermelha. Não me filio a partido algum, a grupo nenhum, ideológico ou de qualquer outra natureza. Sou INDEPENDENTE, LIVRE PENSADORA, CIDADÃ. E socialista.

Sou simplesmente uma brasileira. Que há 34 anos, desde quando iniciou seus estudos na USP, em 1976, sob a feroz ditadura militar imposta ao País, começou a participar de movimentos estudantis (passeatas, atos públicos, manifestos) para "devolver" os militares aos quartéis... Um passado de luta dentro dos espaços que estavam disponíveis.

Sou simplesmente uma brasileira, que por seu esforço alcançou três diplomas na mais importante universidade do País.

Nos últimos 34 anos, fui muitas vezes perseguida nos lugares onde trabalhei, por ter um pensamento e um posicionamento progressista, de esquerda. Recentemente (2004) fui sumariamente demitida como Professora Assistente na Escola de Comunicações e Artes da USP, pois minha presença ali "colocava em risco" grupos de poder que fatiaram em feudos a escola e alguns setores da universidade. NUNCA prestei "culto de vassalagem" a senhor feudal nenhum, muito menos a reles e por vezes intelectual e moralmente indigentes "donatariozinhos"!...

Sou simplesmente uma brasileira que há mais de três décadas procura fazer sua parte para que o Brasil se torne um país digno e soberano. Para todos. E que viu nos últimos 8 anos este País acolher seus filhos mais humildes, tirando milhões da pobreza. Que viu o governo que aí está criar 14 universidades públicas e mais oportunidades de estudo a milhares de jovens. Que viu este País ser ouvido, reconhecido e respeitado internacionalmente.

Sou simplesmente uma brasileira, uma cidadã, que há 24 anos acompanha, estuda e analisa a mídia, e há 19 anos, depois de conseguir o título de Mestre em Ciências da Comunicação (Jornalismo e Editoração), ministrou cursos em universidades públicas e particulares para alunos de Jornalismo, Rádio e TV, Editoração, Letras, Biblioteconomia e outros.

O Brasil, este país maravilhoso que todos amamos, não merece esta mídia canalha, medieval, corrupta e apátrida, que produz diariamente, aos borbotões, jornalismo de esgoto, eivado de mentiras, calúnias, difamações contra uma mulher digna e um governo popular. O Brasil não merece estas elites trevosas, ignorantes, mesquinhas, perversas e pervertidas, cuja única pátria se chama dólar, dinheiro, interesses inconfessáveis.

Em tempos de internet, esta simples brasileira passa a atuar também numa trincheira virtual, para veicular suas ideias, talvez com exagerada veemência algumas vezes, mas sempre com a "indignação justa" de que falava Gandhi.



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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

15 de Outubro de 2011: Primeiro Protesto Global



Chegou a hora de mudar o mundo!


Amanhã, 15 de outubro de 2011, terá início em 951 cidades de 82 países o Primeiro Protesto Global, dentro do movimento mundial de indignadas e indignados contra o sistema que impõe miséria, fome, injustiças, violências de todo o tipo à maior parte dos cidadãos do planeta: United for Global Change (Unidos pela Mudança Global).


15th october: #United we will re-invent the world


O ABC! e esta blogueira manifestam sua total e incondicional adesão e estarão acompanhando e repercutindo as movimentações desta ação global que está apenas começando. 


NÃO ESTAMOS SÓS EM NOSSOS PROBLEMAS. É hora de compartilhar vivências. É momento de nos solidarizarmos com os oprimidos. Engrossemos o coro dos indignados e desafinemos o coro dos contentes. 


É hora de nos unirmos! É hora deles nos ouvirem! 


Cidadãos do mundo, levantem-se!






Link do vídeo


United for Global Change


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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A Marcha dos Golpistas



O discreto charme dos “Cansados” de São Paulo



Ontem estive na Paulista para tratar de um assunto no SESI e me deparei com aquela turma do “Movimento Cansei” preparando o bloco para “se manisfestar” em frente ao MASP.
Os organizadores dizem que não pertencem a nenhum partido político e, estrategicamente, não se identificam como os ridículos “cansados” de 2007. Mas eram eles, sim. A maioria. Bastava olhar para as roupas, os óculos escuros de grife, os iPhones, Tablets, filmadoras, notebooks… Todos gravando imagens para publicar no Youtube… De apolíticos, havia duas ou três dúzias de crianças e adolescentes misturados a eles. Todos com cara de peixe fora d´agua, curtindo uma onda diferente…
Parei e fiquei observando. Não havia negros ou mulatos. Não havia ninguém que sequer lembrasse um operário. Será que essa gente nunca vai aprender que o Brasil é MUITO maior do que o bairro deles?
Eram umas 300 pessoas divididas em pequenos grupos, cada um deles cuidando do seu “kit-manifestação”. O resto era transeunte ou curioso passeando em dia de feriado ensolarado. Retoca a faixa aqui, a pintura no rosto ali, muitos cartazes com as palavras de ordem que o PiG repercutiria mais tarde e, claro, alguns repórteres fazendo a cobertura do “grande evento”.
Era bem provável que a maioria dos participantes morasse nas imediações. Afinal, o MASP fica em frente aos bairros classe média alta dos jardins. Será que se deslocariam até a zona leste para fazer essa manifestação “apartidária”? Afinal, como alguns gritavam, “São Paulo é do povo”, “ O povo unido jamais será vencido”. Por que então não se aproximam do POVO da zona leste, das favelas da periferia?
Não sei como foi essa coisa em Brasília. Mas esses aí eu conheço há mais de 40 anos. São aqueles que odeiam povo viajando de avião, nordestino comprando casa em São Paulo através do Minha Casa, Minha Vida, amigos solidários dos covardes agressores de gays e outras minorias e – é bom lembrar bem – são SEPARATISTAS. Usariam o Brasil para eleger Serra e, a partir daí, seu ideal seria “livrar” São Paulo deste mesmo Brasil.
Me aproximei mais e caminhei entre eles tentando encontrar algum rosto conhecido (sim, conheço gente que não vota no PT!). Nada, ninguém conhecido. Uma mulher com um pacote de panfletos na mão e com ares de pertencer à comissão organizadora do evento se aproximou de mim e me deu o folheto.  Percebi que ela queria me “enturmar com a galera”…
– Você veio participar da manifestação? – perguntou-me de forma quase maternal.
Embora já soubesse do teor, li rapidamente o conteúdo do panfleto e lá estava o que mais denunciava as verdadeiras intenções dos organizadores:
Um dos itens, colocado como “reivindicação” pedia “cadeia para os mensaleiros”. Quais mensaleiros? Deixa eu adivinhar: aqueles que foram acusados, julgados e condenados pelo PiG em 2005, à partir da denúncia de Roberto Jefferson tão desprovida de provas que o próprio Jefferson viria a negar tudo e chamar sua denúncia de “retórica sem fundamento” em setembro de 2011? Negativa que certamente os “cansados” nem ouviram falar – já que o PiG escondeu? (veja aqui)
– A quais mensaleiros vocês estão se referindo? – provoquei.
– Delúbio, Zé Dirceu… o Congresso Nacional está cheio de corruptos! E como se fosse me contar um segredo ou pronunciar algum palavrão, aproximou-se com intimidade que não lhe concedi em momento algum e sussurrou: “Lula, Dilma”…
Movimento apartidário… sei. A mulher já se preparava para desembuchar argumentos que leu no PiG quando lhe devolvi o panfleto com desprezo. Deixei-a falando sozinha e saí andando. Já estava cansado dos cansados. Ainda pude ouvi-la perguntando: “Você é petista?” Quase voltei para responder: “Por que? Quem não é da sua turma é necessariamente petista?
Saí de lá imaginando os esquemas. A mídia divulga e amplifica. As câmeras da Globo fecham neles preenchendo a tela de gente. Assim, é possível fingir que está lotado e informar qualquer número de presentes. Mas a Globo não vai entrar nessa enquanto não sentir firmeza. Já bastou o mico da bolinha de papel…
Se a coisa engrena e o povão entra junto… Mas pera lá! O mundo está desmoronando em crise financeira e o Brasil na contramão, assobiando uma valsa. Acham mesmo que trarão o povo para as ruas para derrubar a presidenta Dilma? O povo foi às ruas impichar Collor porque o cara simplesmente confiscou a grana de todo mundo. Bem ou mal, nos últimos anos nossa situação (e principalmente do povão) é exatamente oposta.
É claro que muita gente compareceu com a melhor das intenções. Principalmente os mais jovens. É claro também que o governo de São Paulo jamais permitirá que qualquer CPI vá adiante sobre a denúncia do deputado Roque Barbieri – PTB - por exemplo. Ou a do Rodoanel, da Alstom… Sabe-se que centenas de CPIs foram engavetadas nos últimos 20 anos em São Paulo. Mas até quando os golpistas do “Cansei” travestidos de “Marcha contra a corrupção” vão conseguir esconder seu propósito real?
Em tempo, para relaxar, deixo dois vídeos que valem pelo humor:


Marchas Contra a Corrupção



Assino embaixo o post de hoje do jornalista e blogueiro André Lux, em seu blog Tudo Em Cima


Fiquemos todos atentos aos eventuais "interesses inconfessáveis" por trás de tais marchas...


O que eu penso sobre as "Marchas Contra a Corrupção"

Que as marchas façam alusão corajosa aos corruptores da iniciativa privada, aos sonegadores, aos esquemas de lavagem de grana, à evasão de divisas por parte de igrejas. Que as marchas tratem da corrupção no judiciário, no Ministério Público, no Tribunal de Contas da União, nas polícias e também da corrupção praticada pelo cidadão comum, sobretudo aquele que quer privilégios e não direitos. Que as marchas abordem a corrupção em sua complexidade, sem restringi-la a governos ou partidos.


Feriado: marchas contra a corrupção



Desnecessário dizer que esta blogueira e o blog Abra a Boca, Cidadão!, de alma ativista, são inteiramente favoráveis a toda manifestação pacífica, equilibrada, dentro da legalidade, que proteste e denuncie as mazelas da vida pública brasileira, sobretudo este câncer chamado Corrupção. E que estes protestos sejam feitos contra os três poderes da República.


Ao mesmo tempo, a blogueira vê com reservas movimentos que se dizem apartidários e podem estar sendo usados por forças políticas de oposição e da mídia golpista para desestabilizar o governo da presidenta Dilma Rousseff ou enxovalhar o Parlamento, abrindo brechas para um retrocesso institucional.


Vamos combater, sim, todo e qualquer ilícito nos negócios públicos, nos três poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário - e nos três níveis da administração: federal, estadual e municipal. Mas fiquemos atentos quanto a qualquer enganação.


Abaixo, um retrospecto do dia de ontem e das marchas contra a corrupção em todo o País.



Segunda Marcha Contra a Corrupção ganha novos temas

Movimento convocou protestos em 25 cidades em 18 estados no país.
Organizadores em Brasília planejam ONG para manter mobilização.

Do G1, em Brasília
A segunda onda de protestos popularizada como Marcha Contra a Corrupção conseguiu mobilizar, novamente, milhares de manifestantes em várias capitais. Embora menos numerosa que a primeira edição, realizada no Sete de Setembro, a mobilização desta quarta-feira (12), feriado de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, ganhou novos temas.


Protestos foram convocados em ao menos 25 cidades de 18 estados em todas as regiões do país, principalmente articuladas nas redes sociais e blogs. Organizadores já planejam uma ONG para nacionalizar o movimento.
Em Brasília, que concentrou o maior número de pessoas – entre 7.000 e 10.000, segundo estimativas da Polícia Militar – os manifestantes levaram à Esplanada dos Ministérios novos temas.


Além da validação da Lei da Ficha Limpapara as eleições de 2012 e o fim do voto secreto nas votações do Congresso, houve também protesto contra uma eventual limitação dos poderes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão criado para fiscalizar os juízes.


Ainda neste mês, o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar ação proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) que visa a limitar o raio de investigação do CNJ. Ainda neste ano, o STF também julga a validade da Ficha Limpa. Já a discussão sobre o fim do voto secreto foi retomado no Congresso após a absolvição da deputada Jaqueline Roriz(PMN-DF).

Em Brasília, manifestantes usaram fantasias para protestar contra impunidade. Na foto, jovem caminha em direção ao Congresso como o personagem "V". (Foto: Nelson Antoine/Fotoarena/AE)
Em Brasília, manifestantes usaram fantasias para protestar contra

impunidade. Na foto, jovem caminha em direção ao Congresso

como o personagem "V". (Foto: Nelson Antoine/Fotoarena/AE)


Segundo um dos líderes do Movimento Contra Corrupção (MCC), Walter Rodrigues, o objetivo é que as manifestações adquiram um caráter nacional. 
Na próxima semana, eles irão discutir a possibilidade de transformar o MCC em uma ONG.
"Vamos fazer uma videoconferência com os representantes das cidades na próxima quarta ou quinta-feira para discutir como nacionalizá-lo", disse.
Pelo País
Em São Paulo, a marcha se concentrou novamente na avenida Paulista, iniciada em caminhada a partir do Museu de Arte de São Paulo (Masp) por volta das 14h. Estimativas da Polícia Militar apontavam para a presença de 2.000 pessoas. Durante a mobilização, um homem foi preso por suspeita de quebrar o vidro de uma lanchonete Mc Donalds e de um banco. Na rua da Consolação, um grupo de punks com máscaras e panos enrolados no rosto se partiu para cima de outros manifestantes e da imprensa. No tumulto, uma mulher de 64 anos cortou o queixo ao cair na calçada.
No Rio de Janeiro, 2.000 pessoas caminharam pela orla de Copacabana, na Zona Sul, segundo a Polícia Militar.
marcha contra corrupção (Foto: Mauro Pimentel/AE)

      Marcha Contra a Corrupção se concentrou na orla de Copacabana
                                                            (Foto: Mauro Pimentel/AE) 

Em Belo Horizonte, a manifestação se concentrou na praça da Liberdade, região nobre da cidade e próxima à antiga sede do governo estadual. Segundo a PM, 200 pessoas apareceram. Manifestantes pediram ainda o imediato julgamento dos acusados de crimes no esquema do mensalão e a devolução aos cofres públicos de dinheiro comprovadamente desviado por políticos corruptos.


Em Goiânia, onde o governo contabilizou cerca de 1,2 mil pessoas, a marcha atraiu estudantes universitários, professores, profissionais liberais e donas de casa. A maioria foi vestida de preto e percorreu 4 km no centro da cidade.


Em Curitiba, cerca de 500 pessoas partiram da Universidade Federal do Paraná (UFPR) até ruas do Centro Histórico e foram até o Centro Cívico. Estudantes mascarados se misturaram com aposentados, caras-pintadas e ativistas. Não havia sequer uma bandeira de partido político. Durante a passeata, alguns moradores jogaram água nos manifestantes.


Em Salvador, a marcha percorreu o circuito Barra-Ondina, famoso por receber os trios elétricos de Carnaval. Cerca de 800 pessoas apareceram, com bandeiras, apitos, narizes de palhaço e caras pintadas. Entre jovens e crianças, foram vistos também juízes e advogados.


Em Recife, a marcha levou cerca de 300 pessoas à avenida Boa Viagem, ao som de apitaço e palavras de ordem. Várias mães aproveitaram o feriado, quando também se comemora o Dia das Crianças, para levar os filhos pequenos.


Em Fortaleza, trio-elétricos animaram a caminhada ao som de canções engajadas como "Brasil", de Cazuza, e "Para Não Dizer que Eu Não Falei de Flores", de Geraldo Vandré. Na capital cearense, estudantes expressavam revolta contra o que ficou conhecido como "escândalo dos banheiros", esquema de desvio de dinheiro destinado a construção de banheiros populares que, segundo o Tribunal de Contas do Estado, chegou a um rombo de R$ 16 milhões.


Em João Pessoa, o público se concentrou no Busto de Tamandaré, e caminhou pela orla da praia. A mobilização foi organizada por entidades locais ligadas à advocacia e à imprensa.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil



Consagração à Nossa Senhora 



Link do vídeo


Homenagem das Crianças à Nossa Senhora
(Imagens de hoje, 12 de Outubro de 2011 - TV Aparecida)




Link do vídeo


Aparecida do Norte,  São Paulo, Brasil
Imagens da cidade, da Basílica, do Rio Paraíba e cercanias




Link do vídeo

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A casta togada



Sobre a corrupção que grassa no Poder criado para promover a legalidade, fala um jurista, ex-desembargador e professor.


A Primavera Judiciária


A corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, que causou polêmica na semana ao dizer que criminosos usavam toga. Foto: Agência Brasil
Falecido em 1879, Honoré Daumier ficou conhecido internacionalmente pelas vinhetas reveladoras de comportamentos de certos segmentos da sociedade francesa. No livro intitulado Le Gens de Justice, ele satiriza os privilégios e o péssimo conceito dos juízes, uma casta togada antidemocrática, antioperários e sem compromisso social.


A magistratura brasileira não pode ser igualada àquela mostrada por Daumier, mas passa por uma quadra dramática, com a imagem dos juízes em permanente desgaste junto à opinião pública. O dissenso sobre a competência para a fiscalização do cumprimento de obrigações por parte dos magistrados travado entre a corregedora nacional, ministra Eliana Calmon, e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Cezar Peluso, foi apenas a gota d’água: das 33 condenações administrativas do CNJ, o STF já havia, liminarmente, suspendido 13, tendo os sancionados voltado a envergar a toga. E muitos ministros, inclusive Peluso, já anteciparam posição contrária à atuação do CNJ.


A recente nota pública de censura emitida pelo CNJ, que alguns conselheiros voltaram atrás ao perceber a indignação do cidadão comum e que foi quase repetida por ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) interessados em ocupar um lugar na fotografia do diversionismo, desprestigiava Eliana Calmon. Só que essa açodada nota padece de ilegalidade, pois se censurou publicamente uma ministra-corregedora sem se observar o devido procedimento. Por seu turno, a ministra era incensurável ao responsavelmente apontar para um fenômeno mundialmente sentido e referente à cooptação de juízes pela criminalidade organizada e pelos poderosos.


Desse embate a sociedade conheceu como o infrator de toga vem sendo injustamente favorecido. Ou seja, os juízes que perpetraram graves faltas funcionais não são demitidos, mas aposentados compulsoriamente, garantidos os vencimentos e o título. A Lei Orgânica da Magistratura (Loman) punia também com demissão. O STF, no entanto, entendeu que essa sanção da Loman, e apenas essa, não fora recepcionada pela Constituição de 1988. Sobre isso, senadores preparam uma emenda sobre a volta da pena de demissão em processo disciplinar. Ainda não se sabe se é para valer ou se decorreu do aproveitamento da força do vento soprado pela indignação popular, espécie de Primavera Judiciária em uma comparação com a Primavera Árabe.


O STF recuou em enfrentar o julgamento da Ação de Inconstitucionalidade (Adin): primeiro falou-se em falta de clima e, agora, em ausência de quórum pela falta do ministro Joaquim Barbosa e da indicação de substituto de Ellen Gracie. A propósito, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), entidade privada e já presidida pelo ministro Paulo Medina, aposentado compulsoriamente por grave falta funcional, busca, na polêmica “Adin”, limitar o CNJ e garantir o pagamento, aos afastados disciplinarmente, de penduricalhos corporativos que “anabolizam” os vencimentos básicos.


O CNJ foi dado pelo então ministro Márcio Thomaz Bastos como órgão de controle externo e tardou-se em perceber o contrário. Na sua composição de 15 conselheiros, dez deles são magistrados, ou seja, a maioria. Outra propaganda enganosa foi ter colocado o conselho, na topografia constitucional, abaixo do STF. Assim, deixou-se fora da fiscalização o STF. Seus ministros estão sujeitos apenas a impeachment: em um caso de repercussão e a envolver o ministro Gilmar Mendes, o presidente do Senado arquivou sumariamente o pedido de impeachment.


No meio dessa aguda crise, a Associação dos Juízes Federais (Ajufe), nesta semana, pleiteou correções nos vencimentos dos magistrados: de 26,7 mil reais para 32 mil. E deseja que a revisão anteceda a recomposição dos salários dos servidores públicos. Não se deve esquecer que a Ajufe postula a manutenção de dois meses de férias para os juízes e um pouco mais de folgas pelo estresse decorrente da atividade funcional que tem provocado mortes precoces, doenças psicossomáticas e até os recentes suicídios.


Esse pleito associativo serve para mostrar a falta de compromisso social e de senso de oportunidade e conveniência. Até no Irajá, onde costumam aportar falsas Gretas Garbos, percebe-se o risco representado pela atual crise econômica planetária e a luta da presidenta Dilma para evitar que ela alcance o Brasil e comprometa o projeto de erradicação da miséria no País.


Para rematar, e como noticiado no jornal Lance, os juízes associados à Ajufe vão, em novembro, bater uma bolinha nos campos da Granja Comari, da CBF, que tem mais de cem ações pendentes. Tudo por força de uma parceria com a CBF de Ricardo Teixeira, que em 1988 pagou viagens para juízes assistirem à Copa do Mundo. Como se percebe, a Ajufe colocou seus juízes em impedimento e espera-se que o bandeirinha levante o seu instrumento.