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terça-feira, 4 de outubro de 2011

Nina Rosa: Justiça para os Animais



Há quase 1 ano estamos aqui diariamente falando de comunicação, mídia, Justiça, Direitos Humanos e Cidadania.


Hoje, Dia Internacional dos Animais e Dia de São Francisco de Assis, o maior "Defensor Público" dos Animais de todos os tempos, esta blogueira, apaixonada pelos animais e pela natureza, quer aproveitar este pequeno espaço para homenagear uma mulher luminosa, que dedica sua vida à proteção dos animais.


Nina Rosa Jacob, ativista da causa animal e fundadora da ong Instituto Nina Rosa. 


Conheçam abaixo um pouco do trabalho desta mulher extraordinária, deste verdadeiro Ser de Luz. E apoiem as atividades do Instituto Nina Rosa.


Toda Vida é Sagrada !


Nina Rosa


"Pouco importa que dirijam o olhar para você, se estiver decidido a ser bom, generoso, altruísta e compassivo. Consciente de estar fazendo o melhor, nenhum fracasso poderá perturbar a sua serenidade interior e você não precisará estar constantemente reconsiderando seus objetivos. A consciência limpa serve de travesseiro macio."


Dalai Lama

nina01
Já fui fumante, onívora e bem menos consciente da minha responsabilidade de ser humano do que sou hoje. Precisei encontrar o caminho do coração, independentemente do padrão da sociedade.


Com Cléo e Chica, duas cadelas com quem tive a alegria de conviver, aprendi sobre o amor e sobre o meu vínculo (indesatável) com os animais. Nesse vínculo estão incluídos desde o menor inseto até o maior paquiderme.
CleoCom Cléo aprendi a mudar o meu olhar em relação aos animais.

Depois Chica tocou meu coração com tanto amor, que o despertou para a compaixão e inspirou meu trabalho de ativista pelos direitos dos animais.Chica
Após alguns anos de auto-observação, auto-conhecimento, estudos sobre alimentação, trabalhos voluntários e involuntários como "protetora" da natureza e dos animais, praticante do vegetarianismo e do consumo consciente – com natural aversão pelo desperdício – veio à luz o INSTITUTO NINA ROSA - Projetos por amor à vida.
O processo continua, porém agora organizado e com apoio de seres afins. Propósito: desenvolver a compaixão, o sentido de justiça e o respeito para com a natureza e todas as criaturas viventes através da informação, da educação e do exemplo.
O Instituto nasceu por um sentimento de amor à vida e a vontade de compartilhar que a vida está presente em tudo o que nos cerca.
Qualquer objeto ou utensílio no seu processo de idealização, criação, execução, comercialização, função, carrega um tanto da energia de cada etapa e pessoa que participou.
Nos alimentos, a todo o processo da natureza, ainda soma-se o da alquimia que criamos para nutrição e paladar.
Com as plantas sentimos mais facilmente a vida e nossa responsabilidade, pois sem água elas não sobrevivem, são suscetíveis às energias do entorno - as pesadas podem adoecê-las e matá-las; a atenção, palavras e gestos afetuosos podem vitalizá-las.
O que dizer, então, dos bichos? Além da sensibilidade e da dependência pela atenção, hidratação, alimentação, cuidados com a saúde e afeto, são seres senscientes que demonstram claramente sentir dor, alegria, medo, agressividade, amor, fidelidade, sentimentos que aflorarão de acordo com o manejo e o exemplo. Muito mais do que isso, os animais são seres puros e naturalmente curadores; com eles podemos aprender sobre o amor incondicional. Eles não têm preconceitos, inspiram ternura e promovem alegria.
Abusar, enganar, caçar, torturar, negligenciar, abandonar, maltratar física ou psicologicamente um animal - que desconhece a maldade - é como fazer isso com Deus.


Temos uma imensa dívida para com os animais.
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Temos agido de forma preconceituosa, onipotente e indigna, torturando-os direta ou indiretamente para tê-los em nosso prato, na indústria da "diversão" (rodeios, circos, touradas, farras do boi, rinhas ...), em testes cruéis e desnecessários, no tráfico, entre outros.
Após participarmos de tudo isso, ainda temos a ilusão de que a violência está fora de nós, que somos apenas vítimas da situação atual Se queremos paz, a hora é de mudança de valores, de ampliar nossos conhecimentos, sentimentos, consciências e tornarmo-nos responsáveis pelos nossos atos e pela vida em nossa Terra. E o que significa isso? Significa pessoas comuns como você , como eu, agirem.
Se estamos insatisfeitos com o desenrolar da vida no planeta, podemos mudar e melhorar. Cada um de nós pode utilizar seu poder de escolha para fortalecer o que considera positivo. Em todos os setores existem grupos trabalhando assim. Claro está, que a iniciativa privada tem papel fundamental nesse processo.
Hoje, alguns anos após o nascimento do Instituto Nina Rosa, o caminho se confirma, os processos pessoais continuam, vou aprendendo mais sobre como respeitar a vida, e que isso é contagioso.
Desejo a você intuição, amor e coragem em seu caminho pessoal.
Conte com minha solidariedade,
Nina Rosa Jacob
nora
Nora (primeiro amor na infância).
Nina Rosa com 3 anos.
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nina_jegue
Com jeguinha Grega.
Com Lobo, Dick e Aiou.
nina_3animais
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Resgatando filhotinhos na Via Anhanguera
Com Patola, Piloto, Lobo e Samanta.nina_serra

nina_canilCom Aiou.

Com Brida.Nina_BRIDA

lili_nina_dengo_2001Com Lili e Dengo.

Com Lindinha.ninalindinha

Nina_viadinhaCom a veadinha Nina Rosa no santuário Rancho dos Gnomos.

A chimpanzé Billy Jo, nascida em 1968, viveu 14 anos em laboratórios de pesquisa. Está no santuário Fauna Foundation, no Canadá. Foi adotada por Nina em julho de 2005.nina_Billyjoe

Este é o Zoio, que recebeu este nome porque quando foi encontrado pela Nina vagando numa estrada paulista quase só tinha olhos. Este era o estado dele:
zoio_antes1zoio_antes2

zoio_antes3
Adotado pela Nina, depois de 3 meses de muito amor e bons tratos, ficou assim...
zoio_depois
... e viveu feliz com ela por mais 7 anos.


AMO TAMBÉM AS ÁRVORES
Esse amor me acompanha, nutre e inspira em devoção.
Essas benfeitoras da humanidade oferecem abrigo, sombra, flores, frutos, beleza, e ainda transmutam energias.
Acolhem, ouvem e inspiram quem delas se aproximar com o coração aberto.
Recomendo a todos que olhem - não só para os troncos - como é comum nos grandes centros, mas acima, para suas faces, lindas, gratificantes, que lá estão firmes, apesar de tudo e de todos... fazendo a sua parte.
Se você tem o privilégio de ter alguma dessas companheiras perto de sua casa, experimente fazer contato, mesmo que só visual no início, ofereça água nos dias secos, limpe suas raízes do lixo e do cimento, permita-se desfrutar de toda a sabedoria que dela emana, seja mais feliz.
*

Eliana Calmon: Rebelde com causa



Eliana Calmon, ministra do Superior Tribunal de Justiça e Corregedora Nacional de Justiça, teve semana passada uma grande exposição na mídia por conta de uma entrevista que concedeu afirmando que no Judiciário há infiltração de "bandidos togados". Leia mais aqui.


Embora até as pedras da rua saibam da existência da bandidagem, a declaração da ministra gerou uma crise na cúpula do Judiciário. A irritação do Imperial Presidente do Supremo (STF), ministro Cezar Peluso, foi corporificada numa nota de repúdio praticamente exigindo uma retratação da corregedora.


Durona, Eliana, além de não se retratar, ainda reiterou: "Eu quero é proteger a magistratura dos bandidos infiltrados!"


O Brasil, para promover a moralização que o Judiciário requer, precisa do "jeito Eliana de ser": combativa, destemida, irreverente, sem qualquer disposição para lamber botas de quem quer que seja... A mulher certa no lugar certo.


Abaixo um perfil da ministra, publicado na Folha de S. Paulo e lido no Blog do Ricardo Gama.



                                                                 Ministra Eliana Calmon  
                                                         Corregedora Nacional de Justiça


Em 1976, em plena ditadura militar, a baiana Eliana Calmon dá parecer favorável a um mandado de segurança dos estudantes contra a invasão da UnB por policiais.

O então procurador-geral da República, Henrique Fonseca de Araújo, inverte o conteúdo para agradar o regime.

Calmon não aceita e larga a Procuradoria: "Se o sr. quiser assinar, o sr. assine. Eu não assino", reagiu Calmon.

Saiu da sala dele e pensou: "Basta!". Passou em quarto lugar no primeiro concurso de juiz que surgiu e deu a guinada que a tornaria, anos depois, ministra do Superior Tribunal de Justiça, a segunda mulher numa corte superior.

Atual corregedora do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que investiga o Judiciário, ela causou polêmica no Supremo Tribunal Federal ao dizer que há "bandidos atrás das togas". Mas foi defendida por entidades e cidadãos.

Um dos apoios foi nos bastidores do Planalto, dominado por um trio feminino. Ao ler as declarações de Calmon, a presidente Dilma Rousseff sorriu: "Essa é das minhas".

A personalidade forte, a rebeldia e a mania de falar tudo o que pensa vêm de longe para a soteropolitana Eliana Calmon, 65.

Mais velha de três filhos, foi uma aluna exemplar. Mas atrevida, dava trabalho para as freiras do Colégio Nossa Senhora da Soledade.

Com 1m70, pé número 39 desde menina, se insubordinava com o critério de altura que a empurrava para o último lugar da fila e criava caso. Assim como roubava pitangas do jardim das freiras.

Desinibida, falava bem. Era quem recitava as poesias e fazia os discursos nas festinhas. De quebra, arbitrava as desavenças entre os pais.

Amigos da família previam: "Essa menina vai ser advogada". Mas, ao entrar na Universidade Federal da Bahia, queria ser promotora.

A militância política foi "de esquerda light", sem filiação partidária. Casou-se no último ano da faculdade com um militar da Marinha. Hoje divorciada, só teve um filho, aos dez anos de casamento. Moraram no Rio e em Natal, onde tirou primeiro lugar para auxiliar de ensino na Faculdade de Direito e conquistou a única vaga.

Depois, foi secretária do Conselho Penitenciário até passar no concurso para procuradora da República, em 74. Dois anos depois, Procuradoria-Geral da República, em Brasília. E, enfim, juíza.

Atuou dez anos como juíza na Bahia, foi promovida depois para o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, englobando 14 Estados, mas com sede em Brasília.

Foi aí que ela articulou o núcleo original da Escola de Magistratura. Uma de suas máximas é que "juiz não pode estar só".

Quando decidiram lançá-la para ministra, assustou-se: "Eu? Ministra? Irreverente desse jeito?!" Perdeu passivamente da primeira vez, mas se mexeu na segunda.

Calmon havia relatado um processo de interesse do senador Edison Lobão (hoje ministro de Minas e Energia), que a procurou e pediu informações. Após a decisão - favorável a ele -, ela lhe enviou uma cópia da peça.

Candidata ao STJ, ela se lembrou e usou implicitamente o princípio de reciprocidade. Lobão se tornou seu maior cabo eleitoral, junto ao senador Jader Barbalho (PA), à época presidente do PMDB.

O cerco fechou quando o candidato do senador baiano Antonio Carlos Magalhães foi preterido. Ele telefonou para Calmon: "O presidente [Fernando Henrique Cardoso] tem compromisso com a Bahia, e a senhora tem muitos amigos". Virou ministra.

A história foi contada pela própria Eliana na sua sabatina no Senado com duplo intuito: agradecer o apoio, e tornar-se impedida de julgar qualquer ação envolvendo ACM, Lobão e Barbalho.

Apesar da imagem de mulher forte, destemida, irreverente, Eliana Calmon adora cozinhar e publicou o livro "Receitas Especiais", cuja renda vai toda para uma instituição de caridade.

Malha todos os dias às 6h, dirige o próprio carro, gosta de perfumes, colares e roupas modernas. No celular, uma foto do neto Miguel: "O homem da minha vida", diz.


As chamas da Liberdade




“V” conversa com a Ex-tátua da Justiça - 2




Vera Vassouras




Olá, formosa dama, linda noite, não? Perdoe-me a interrupção. Talvez a senhorita pretendesse passear… apenas desfrutar a paisagem. Não importa. Creio que é chegado o momento de uma breve conversa. Ah! Eu me esqueci de que não fomos apresentados. Eu não tenho um nome, mas pode me chamar de V.

Madame Justiça… este é V. V… esta é madame Justiça. Olá, madame Justiça!

- “Boa noite, V.”

Pronto. Agora que já nos conhecemos, para ser sincero, outrora fui um admirador seu. Até imagino o que está pensando.

- “O pobre rapaz tem uma queda por mim… uma paixão juvenil”.

Perdoe-me, mas não é este o caso. Eu dizia a meu pai: Quem é aquela moça? E ele respondia: É a madame Justiça. Ao que eu replicava: Como é bela. Eu a admirava, apesar da distância. Ainda criança, ao passar na rua, admirava sua beleza. Por favor, não pense se tratar apenas de uma atração física, em absoluto. Eu a amava como pessoa, como IDEAL. Isso foi há muito tempo, agora, confesso que há outra…

“O quê? Que vergonha, V.! Traindo-me com uma MERETRIZ de lábios pintados e sorriso vulgar!”

Eu, Madame? Permita-me uma correção. Foi sua INFIDELIDADE que me arremessou aos braços dela!

Ahá! Ficou surpresa, não? Pensou que eu desconhecia suas escapadelas? Enganou-se. Eu SEI de tudo. Na verdade, não me surpreendi quando soube que você flertava com homens de uniforme.

- “Uniforme? E-eu não sei do que você está falando. Sempre foi você, V., o único amor em minha vi…”

Mentirosa! Meretriz! Ousa negar que se deixou envolver por ele com suas braçadeiras e botas?

Ah! O gato comeu sua língua? Foi o que pensei. Muito bem. A verdade foi revelada. Você não é mais MINHA Justiça. É a dele. Recebeu outro em sua cama. Faça bom proveito de seu novo amante.

- “Snif! Snif! Q-quem é ela? Como se chama?

Seu nome é ANARQUIA, e ela me ensinou mais como amante do que você supõe. Com ela aprendi que não há sentido na justiça sem LIBERDADE, é honesta, não faz promessas e nem deixa de cumpri-las como você. Eu costumava me indagar porque você nunca me olhou nos olhos. Agora eu sei. Por isso, adeus, cara dama. Nossa separação não me entristece, uma vez que não é mais a mulher que eu amei outrora. Eis um último PRESENTE, deixo a seus pés.

(V. coloca um artefato em forma de coração aos pés de sua ex-amada. Após a explosão, observa as chamas…)

As CHAMAS da liberdade. Que adorável! Quanta justeza, minha preciosa anarquia… Oh beldade, até hoje, eu te desconhecia!

Fonte: “V” de Vendetta.

Vera Vassouras é advogada, Mestra em Filosofia do Direito, professora universitária, tradutora e escritora, autora do livro O mito da igualdade jurídica - Notas críticas sobre a igualdade formal.


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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A "arroganciocracia" das castas incultas



MÁFIAS ou “V” conversa com a Ex-tátua da Justiça - 1

Vera Vassouras


Máfia - qualquer (qualquer) organização criminosa que usa métodos inescrupulosos, regida por princípios de segredos e silêncios solidários, com o fim de estabelecer leis próprias e buscar se manter no comando do poder constituído. (Houaiss, com alguns ajustes.)

O Brasil (observa a sabedoria popular) é governado por três máfias: a branca, da medicina, a vermelha, dos políticos, e a preta, dos juízes. Seu fundamento ocorre no mesmo período do advento da chamada demo-cracia. Na cidade antiga, reservada aos cidadãos com direito a voto (excetuando-se estrangeiros e escravos). Médicos, advogados e empresários transformam-se em políticos em causa própria e dos membros de sua espécie. Direitos para poucos, deveres para o resto. Privilégios para uns, deveres para outros, e todos sob a égide do que se convencionou denominar Cortes, Estaduais ou Supremas. Nascem nos moldes das realezas que tiveram suas cabeças poupadas pelos acordos com mercenários, pederastas e saqueadores, travestidos de revolucionários. Intocáveis, cada vez que sua “caixinha preta” está para ser aberta: a opinião publicada volta-se contra o legislativo, que faz seu jogo.

Enquanto isso, os médicos calam-se à espera da expansão dos mercados das doenças, pois o legislativo, no meio da opinião publicada, votará o aumento das áreas de transgenia. Aumentar os próprios salários é imoral, somente o Judi(ci)ário pode fazê-lo. Matar o sub-solo, disseminar doenças, destruir o meio ambiente, saquear diariamente o povo: “é legal”!

Especialistas na criação de leis (para isso são convidados especiais em encontros reservados) atuam por contradições e contra-senso, às vezes por meio de torturas físicas e mentais, técnicas inquisitoriais modernamente denominadas “processos e procedimentos”. Ungidos por deus, são os executores nativos das ordens das máfias, protegidos por “julgadores vitalícios de aluguel”. Quanto aos políticos-parlamentares, suas agremiações são compostas pelos membros das outras máfias, incluindo-se o que na antiguidade denominavam-se agregados, atualmente denominados assessores, funcionários ou, simplesmente “empresários”, gerados dos “meios” de comunicação, legalmente transferidos às máfias nacionais e internacionais, sob a insígnia da liberdade de mercado. Na intimidade continuam a se tratar como “irmãos”. Suas bases encontram-se espalhadas por todo o território nacional: Escolas, Igrejas, Faculdades, Ordens, Seminários, Seitas e Clubes de Investimentos e Beneficência. Católicos, apostólicos e romanos, mantendo íntima relação com o Império do qual são, querem e desejam ardentemente continuar fazendo parte, mesmo na qualidade de um simples soldado, adestrado, amorfo. Imagine-se uma das paupérrimas cidades da mais recôndita região do país. Não tem energia elétrica, não tem saúde, não tem saneamento, não tem, afinal, futuro. Todavia tem uma cadeia, um juiz, uma Câmara Municipal, um médico para atender as “famílias” e uma televisão (ligada a um gerador). Enrolam-se como serpentes numa cova, formando um espetáculo terrível ao olhar da inteligência. Não creditam em liberdade pois, vinculados a juramentos e segredos. São prisioneiros de irmandades medievais. Cortesãos, bajuladores e promíscuos. Não respeitam o indivíduo, pois não têm individualidade, só lhes resta a (in)consciência do grupo, do corpo, das membranas que os conforta e protege na aparência de “corpo-ração”. Vivem, em pleno século XXI, como animais ferozes. Espantalhos comandados por tradições pagãs metamorfoseadas pelas ordenações do Império Católico Apostólico e Romano e Bárbaro e pseudo-Brâmane e Ariano, portanto. Castas. Não há igualdade. Existem apenas por e pelas corpo-rações. Seu sistema: o hierárquico (1). Seu princípio: a autoridade (2). Seus instrumentos: o medo e a obediência. Sua finalidade: manter, a qualquer preço, a fé e a esperança na lógica da dominação: encarcerar, matar, torturar a todos os que se atreverem a manter a independência e a criatividade. Seu destino: nosso destino! E seja o que deus quiser!!!

Periodicamente, reúnem-se com os mais “notáveis” pela opinião publicada e redigem “princípios constitucionais de algum estado”, nos quais incluem todos os privilégios das cortes e, quando inquiridos, vestem-se com “cláusulas pétreas” e “direitos adquiridos” e escrevem livros, criam dogmas, seduzem platéias de sonâmbulos em seus “cafés filosóficos”. Promovem as mais antagônicas, contraditórias e ridículas “interpretações legais”, conduzindo a sociedade ao desespero. Criam falsos dilemas e com os “meios de comunicação” mantêm os “outros” em intermináveis discussões sem finalidade, crítica e sem conteúdo. Esperanças inúteis calcadas na fé de um “destino” que está fora das possibilidades humanas de modificação.

Médicos podem matar, parlamentares podem saquear, juizes podem torturar e, todos, políticos-médicos, políticos-parlamentares, políticos-juízes vivem às gargalhadas, (d)equilibrando-se sobre os cadáveres que vão deixando pelo caminho. Cadáveres de gentes, cadáveres de animais, cadáveres de árvores, homens e mulheres-cadáveres. Jovens? Mas, cadáveres. Máfias apresentando seu espetáculo civilizatório: crânios, ossos e hipnose coletiva. Além disso, essa tradição é hereditária. O político não é uma pessoa, é um parlamentar. O juiz não é uma pessoa: é um juiz. Um médico não é uma pessoa: é um médico. E sob seus argumentos científicos e, portanto, incontestáveis: ciências políticas, ciências médicas, todo o horror é permitido, todo clamor é conduzido, toda a vergonha se esconde por trás das cortinas do palco no qual a verdade foi proibida de adentrar.

A patologia é hereditária. E a massa só é chamada a partir do centro. Do centro para a periferia e, novamente, da periferia para o centro, neste circo fortalecido pela propaganda e pelos “engenheiros da educação” para o sistema e seu mercado.

Demo-cracia, ARROGÂN-CIO-CRACIA é o seu nome!

Arrogância de castas incultas, arrogância das máfias ainda protegidas por seus soldadinhos de chumbo. Arrogância virtual.

A verdade queima.

(1) Que se entenda por hierarquia, por exemplo, a luz do sol, a verdade inexpugnável, independente de nosso denominado sensualismo, jamais esta hierarquia vulgar e predatória.


(2) Que se entenda por autoridade a sabedoria, a consciência, a liberdade individual, jamais esta autoridade que pretende reduzir pessoas a classificações numéricas de exércitos especializados.


Vera Vassouras é advogada, Mestra em Filosofia do Direito, professora universitária, tradutora e escritora, autora de O mito da igualdade jurídica no Brasil - Notas críticas sobre a igualdade formal.


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Eliana Calmon: "Desafinando o Coro dos Contentes"



A democracia é barulhenta. Indignados nas praças e ruas, "botando a boca no trombone", abrindo a boca cidadã...


Na semana que passou, curiosamente, o embate não veio das manifestações do povo indignado nas praças e ruas, mas brotou nos gabinetes, nos palácios. E daí chegou à velha mídia, quem diria?!... Alvíssaras!


Instalado o embate público entre a Banda Boa e a Banda Podre do Judiciário, entre a turma do "deixa como está pra ver como é que fica" e o pessoal do "Cansei da Bandidagem Togada", a sociedade, surpresa, assistiu e participou.


                                                                 Ministra Eliana Calmon  
                                                         Corregedora Nacional de Justiça


Isso é só o começo.


Há que continuar "desafinando o coro dos contentes".


O ABC! veio para isso. E apoia incondicionalmente a ministra-corregedora-guerreira, a atuação ampla do Conselho Nacional de Justiça e a moralização do Judiciário.


Viva a Democracia! Viva a Liberdade de Expressão!


Por um Judiciário aberto, moderno, não elitista, transparente e cidadão! 


Viva o barulho
A democracia é barulhenta. Movimenta-se. Não é paralítica, como diz Machado de Assis em crônica famosa do fim do século XIX.
Sob essa premissa é que Wadih Damous, presidente da OAB-RJ, analisa o cenário brasileiro, em que casos de corrupção se multiplicam e é destampado o conflito sobre a competência de o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) agir como órgão correcional. Conflito iluminado pela ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, que rasgou o manto da hipocrisia: “Há bandidos escondidos atrás da toga”.
Damous fala dessa situação conturbada em que se insere a ministra.
“A democracia faz com que isso venha à tona. Essas práticas também aconteciam na ditadura, só que não havia Ministério Público livre, Congresso livre e, ademais, a imprensa estava amordaçada.”
Ele prossegue: “A impressão é de que só acontece agora. Mas o que vemos é algo arraigado na administração pública desde a Colônia. O importante é que órgãos como o CNJ possam punir aqueles que se desviam da ética ou praticam irregularidades nas suas funções”.
Viva o barulho! Abaixo o silêncio!

Ministro do STF: "O Judiciário precisaria ser reinventado"



Nesse momento em que a sociedade brasileira assiste e por vezes participa do embate entre a Banda Boa e a Banda Podre do Judiciário, vale a pena ler de novo entrevista do ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, há quase dois anos.



DOMINGO, 3 DE JANEIRO DE 2010

A toga já não esconde o aleijão

Do Blog Gilson Sampaio


O Ministro Joaquim Barbosa nada mais faz do que corroborar a avaliação que o povo faz do judiciário na pequena entrevista abaixo. Na wikipedia pode-se ler um pouco de sua notável biografia. Não será surpresa se o PIG, tucanodemos, FIESP/DASLU, trogloditas golpistas e torturadores de plantão tentarem ‘impixar’ o Ministro que não é branco e nem tem olhos azuis. Ah! sim, na genealogia do Ministro não há sinais de sangue nobre europeu.

A justiça brasileira não passa de uma matriz de um clube fechado, só acessível a ricos e poderosos, com franquias espalhadas pelo país. Há exceções, que o Ministro Joaquim Barbosa representa com muita dignidade. Ainda assim, são acossados, tal como o Juiz De Sanctis, que virou réu no processo contra o escroque Daniel Mendes.

A justiça está nua, a toga não consegue mais esconder o padrão que nos países ditos civilizados é só desvio.

A justiça do país é um só aleijão.

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"O Judiciário teria de ser reinventado"


Ministro do STF diz que juízes têm responsabilidade pelo aumento da corrupção

O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), há dois anos ganhou notoriedade por relatar o processo do mensalão do PT e do governo Lula. Em 2009, convenceu os colegas a abrir processo contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) para apurar se ele teve participação no mensalão do PSDB mineiro. Em entrevista ao GLOBO, Joaquim não quis comentar o mensalão do DEM, que estourou recentemente no governo de José Roberto Arruda, do Distrito Federal. Mas deixou clara sua descrença na política e sua dificuldade para escolher bons candidatos quando vai votar. E o ministro, de 55 anos, não poupou nem os tribunais: "O Judiciário tem uma parcela grande de responsabilidade pelo aumento das práticas de corrupção em nosso país".

Entrevista a Carolina Brígido – O Globo

Por que aparecem a cada dia mais escândalos envolvendo políticos? A corrupção aumentou ou as investigações estão mais eficientes?

JOAQUIM BARBOSA: Há sim mais investigação, mais transparência na revelação dos atos de corrupção. Hoje é muito difícil que atos de corrupção permaneçam escondidos.

O senhor é descrente da política?

JOAQUIM: Tal como é praticada no Brasil, sim. Porque a impunidade é hoje problema crucial do país. A impunidade no Brasil é planejada, é deliberada. As instituições concebidas para combatê-la são organizadas de forma que elas sejam impotentes, incapazes na prática de ter uma ação eficaz.

A quais instituições o senhor se refere?

JOAQUIM: Falo especialmente dos órgãos cuja ação seria mais competente em termos de combate à corrupção, especialmente do Judiciário. A Polícia e o Ministério Público, não obstante as suas manifestas deficiências e os seus erros e defeitos pontuais, cumprem razoavelmente o seu papel. Porém, o Poder Judiciário tem uma parcela grande de responsabilidade pelo aumento das práticas de corrupção em nosso país. A generalizada sensação de impunidade verificada hoje no Brasil decorre em grande parte de fatores estruturais, mas é também reforçada pela atuação do Poder Judiciário, das suas práticas arcaicas, das suas interpretações lenientes e muitas vezes cúmplices para com os atos de corrupção e, sobretudo, com a sua falta de transparência no processo de tomada de decisões. Para ser minimamente eficaz, o Poder Judiciário brasileiro precisaria ser reinventado.

Qual a opinião do senhor sobre os movimentos sociais no Brasil?


JOAQUIM: Temos um problema cultural sério: a passividade com que a sociedade assiste a práticas chocantes de corrupção. Há tendência a carnavalizar e banalizar práticas que deveriam provocar reação furiosa na população. Infelizmente, no Brasil, às vezes, assistimos à trivialização dessas práticas através de brincadeiras, chacotas, piadas. Tudo isso vem confortar a situação dos corruptos. Basta comparar a reação da sociedade brasileira em relação a certas práticas políticas com a reação em outros países da America Latina. É muito diferente.

Como deviam protestar?

JOAQUIM: Elas deviam externar mais sua indignação.

É comum vermos protestos de estudantes diante de escândalos.

JOAQUIM: O papel dos estudantes é muito importante. Mas, paradoxalmente, quando essa indignação vem apenas de estudantes, há uma tendência generalizada de minimizar a importância dessas manifestações.

A elite pensante do país deveria se engajar mais?

JOAQUIM: Sim. Ela deveria abandonar a clivagem ideológica e partidária que guia suas manifestações.

O próximo ano é de eleições. Que conselho daria ao eleitor?

JOAQUIM: Que pense bem, que examine o currículo, o passado, as ações das pessoas em quem vão votar.

Quando o senhor vota, sente dificuldade de escolher candidatos?

JOAQUIM: Em alguns casos, tenho dificuldade. Sou eleitor no Rio de Janeiro. Para deputado federal, não tenho dificuldade, voto há muito tempo no mesmo candidato. Para governador, para prefeito, me sinto às vezes numa saia justa. O leque dos candidatos que se apresenta não preenche os requisitos necessários, na minha opinião. Não raro isso me acontece. Não falo sobre a eleição do ano que vem, porque ainda não conheço os candidatos.

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