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terça-feira, 13 de agosto de 2013

Haddad: gasolina sobe, preço da passagem cai


REVOLUÇÃO EM SÃO PAULO



Prefeito Fernando Haddad, baseado em estudo da Fundação Getúlio Vargas, defende redução da tarifa no transporte público em R$ 1,20, passando de R$ 3,00 para R$ 1,80, por meio do aumento da gasolina em R$ 0,50.

78% da população da cidade seria beneficiada.

Quem tem mais paga pelos que têm menos.

Distribuição de renda por meio do transporte público. Uma espécie de "Bolsa-Busão"... 

As elites, claro, vão chiar!...

Grande impacto social e ambiental.

Banco de Imagens/SECOM/PMSP

 
Estudo da FGV diz que aumento da gasolina pode reduzir tarifa de ônibus

Estudo, que ainda está em fase preliminar, foi apresentado em evento promovido pela Frente Nacional de Prefeitos em parceria com a Rede Nossa São Paulo. A queda no valor da tarifa ocasionaria, ainda, deflação de 0,026%


César Ogata/Secom

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) apresentou nesta terça-feira (13), no evento “Alternativas para o financiamento do transporte público”, realizado pela Rede Nossa São Paulo em parceria com a Frente Nacional de Prefeitos, os resultados preliminares sobre estudo da tarifa de ônibus na capital. De acordo com a FGV, o aumento da gasolina em R$ 0,50 (por litro) aliado à municipalização da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), poderia reduzir a passagem em R$ 1,20, passando a custar R$ 1,80.

A municipalização da Cide começou a ser debatida no último dia 20 de março. A proposta do prefeito Fernando Haddad sobre novas formas de financiamento para transporte público ocorreu em uma reunião da Frente Nacional de Prefeitos, em Brasília, e foi levada ao Congresso para discussão.

“Criar um subsídio cruzado entre o transporte individual e o transporte público vai ter impactos ambientais, sociais e distributivos favoráveis. Não consigo ver contra-indicação, a não ser o fato de que você estará desestimulando o uso do carro para a rotina, para o dia-a-dia. Ou seja, trajetos que podem e devem ser feitos de outra maneira”, disse o prefeito Fernando Haddad, que também é vice-presidente da Frente Nacional de Prefeitos.

Segundo o resultado preliminar, apresentado pelo chefe do Centro de Crescimento Econômico da FGV, Samuel de Abreu Pessoa, a queda no valor da tarifa ocasionaria, ainda, deflação de 0,026% no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ele explica que o estudo utiliza "hipótese de elasticidade nula de demanda" (não considera a migração de usuários devido à mudança de preço). "Essa hipótese é simplificadora e estamos trabalhando em cima dela".

Deflação

Sobre a deflação apresentada no estudo, o prefeito citou a importância do resultado para o cotidiano da população. “A única dúvida que surgiu (em março) e eu não tinha condições de responder era se essa medida teria um impacto inflacionário. Se você usar o dinheiro da Cide para subsidiar o transporte público pelo subsídio cruzado teria um impacto desfavorável pelo ponto de vista do controle da inflação, que todo mundo quer controlar”, afirmou o prefeito Haddad.

O estudo da FGV mostra ainda que a medida beneficiaria 78% da população, que corresponde aos que ganham entre um e 12 salários mínimos. Como ainda está em fase preliminar, o prefeito defende que a sociedade seja consultada sobre o assunto. “A população tem que ser esclarecida, consultas precisam ser feitas a esse respeito. Não é para ser feito um debate açodado, porque isso tudo vai acabar prejudicando a idéia ao invés de favorecer, mas os dados preliminares da FGV não deixam de ser alentadores. É R$ 0,50 contra R$ 1,20, deflação, além de beneficiar, do ponto de vista de renda, 78% da população”.

A ex-prefeita de São Paulo e atual deputada federal, Luiza Erundina, também participou do debate, realizado no SESC Consolação. “O transporte é o insumo da atividade produtiva econômica da cidade e, como tal, não é justo que ele recaia exclusivamente no usuário, seja diretamente, via pagamento da tarifa, seja indiretamente pelos subsídios cada vez mais elevados do lado do poder público para tornar suportável os custos desse serviço para o usuário”, afirmou a deputada.

Para Clemente Ganz, diretor do Dieese, o impacto na vida dos trabalhadores mais pobres seria grande com o benefício mostrado pelo estudo. "Pensando em uma pessoa que utilize duas vezes por dia o transporte público, ela teria uma economia de R$ 60 a R$ 70 por mês. Não é um impacto pequeno. É um efeito enorme sobre a renda disponível dos assalariados", disse.

Saúde e ecologia

O professor da faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em poluição atmosférica, Paulo Saldiva, e o diretor de políticas públicas do Greenpeace, Sergio Leitão, também participaram do debate.

Cide

A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) é um tributo arrecadado pela União e incide sobre combustíveis; 71% da arrecadação ficam para a União e 29% com o Estado. A alíquota da Cide chegou a ser zerada no ano passado.


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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Confrontos e depredações: São Paulo vai parar?


ATIVISMO



Quem são eles e o que querem?


Nós não temos como controlar as pessoas que vêm aqui só para zoar e quebrar tudo. Nossa ação tenta ser pacífica.

Isso tudo é importante porque mostra como temos poder de mobilização. Tudo pela internet.

O movimento é apartidário, mas nós aceitamos todos os partidos que queiram se unir à luta. Em geral, é a polícia que começa a violência. 

Nós somos um movimento social. Queremos transformar a realidade.

Mas, enquanto estivermos irritando a esquerda e a direita, estamos no caminho certo.


"Se a tarifa não baixar, São Paulo vai parar" 
Movimento Passe Livre/Facebook


As faces do movimento que está parando São Paulo

KIKO NOGUEIRA* 

“Nós não temos como controlar as pessoas que vêm aqui para quebrar tudo”.


Thaís Lopes, estudante de jornalismo


O terceiro ato contra o aumento das tarifas de ônibus do Movimento Passe Livre terminou com um saldo de 32 detidos, barricadas, uma agência do Bradesco e uma estação de metrô depredadas e confrontos com a polícia na Estação da Sé, na Paulista e em alguns outros pontos da cidade.

O Diário acompanhou a manifestação que juntou aproximadamente 5 mil pessoas (as fotos são de autoria de Andrés Vera).

Por que terminou assim? Tem de terminar assim? É útil para a causa do Passe Livre que termine assim? “Nós não temos como controlar as pessoas que vêm aqui só para zoar e quebrar tudo”, me disse um membro do MPL que não quis se identificar. “Nossa ação tenta ser pacífica”.

A concentração na esquina da Paulista com a Consolação era relativamente tranquila na tarde feia paulistana. Em comum, todos estavam atendendo à convocação feita pelo Facebook. “Isso tudo é importante porque mostra como temos poder de mobilização. Tudo pela internet”, disse Thais Lopes, estudante de jornalismo. Os membros do MPL batucavam na Praça do Ciclista, no coração da aglomeração. Usavam camisetas pretas com o símbolo da organização e entoavam gritos de guerra como: “Ô motorista, ô cobrador, me diz aí se seu salário aumentou”; “Mãos ao alto, 3 e 20 é um assalto”.

Em torno deles, a multidão de jovens – muitos deles com lenços cobrindo o nariz e a boca. Faixas estendidas. Não eram visíveis bandeiras de partidos como PSTU e PSOL. Mas o MPL era, na verdade, a minoria.

“Nós todos queremos a mesma coisa”, disse Guilherme Kranz, morador de Higienópolis e membro da Juventude Às Ruas. Guilherme distribuía panfletos de sua agremiação. “Há notícias de que até mesmo a Abin (A CIA brasileira) tem se infiltrado e espionado nossos atos e isso num governo de uma ‘ex-combatente’ contra a ditadura”, lia-se.

O homem destacado pelo MPL para falar com a imprensa era Caio Martins. Magro, alto, óculos de aros redondos, Caio mora na Lapa com os pais. “Nós decidimos que eu falaria com vocês numa reunião à tarde. Eu me sinto mais à vontade”, disse. “O movimento é apartidário, mas nós aceitamos todos os partidos que queiram se unir à luta. Em geral, é a polícia que começa a violência”. Caio declarou enxergar uma inspiração no Ocupe e nos protestos em Istambul, na Praça Taksim. “Nós somos um movimento social. Queremos transformar a realidade”.

A passeata seguiu em direção ao centro. A chuva intensa fez com que muitos se refugiassem nas marquises de lojas da Consolação. “Há muitas coisas ruins acontecendo no Brasil. É preciso dar um basta. Gostaria de ver mais famílias aqui”, disse Isadora Lima, de 32 anos, hostess, que aproveitou o dia de folga do trabalho para protestar.

“A USP está engajada, especialmente a FFLECH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas). O transporte tem de ser gratuito”, afirmou Renato Aguilar, morador de uma república e que vai à escola com o circular da USP — o qual, aliás, é gratuito. “Eu não me conformo com essa situação. Sou do coro de maracatu da faculdade e o pessoal do Passe Livre nos convidou a participar”.

A violência teve início na Praça da Sé, com a rotina de gás lacrimogêneo contra pedradas. “Esquecemos o vinagre”, disse Júlio Witer, estudante de geografia, de olhos vermelhos após uma bomba de efeito moral. Muitos levavam lenços embebidos em vinagre para amenizar os efeitos do gás. Sacos de lixo foram usados para acender fogueiras. Mais tarde, grupos se dispersaram e confrontos esparsos prosseguiram por algumas horas. Na Bela Cintra, bexigas com tinta foram atiradas nos policiais. Uma bomba explodiu na estação Brigadeiro do metrô. Os passageiros tiveram de sair por causa da fumaça.

“Não sei se vamos nos isolar. É possível que sim”, disse o estudante Reinaldo Carvalhosa. “Mas, enquanto estivermos irritando a esquerda e a direita, estamos no caminho certo”.

As faces da manifestação:



Adriana Martins, artista plástica


Guilherme Kranz, estudante e membro da Juventude Às Ruas

Stefany Marques, estudante


Enzo Santos, estudante de cinema


Isadora Lima, hostess


Melannie Schisler, estudante de geografia

Júlio Witer, estudante de geografia

Rogério Che, diretor de fotografia

João Paulo Freire, enfermeiro

* Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

Diário do Centro do Mundo

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