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domingo, 19 de outubro de 2014

Eleições 2014: O fascismo bate à porta


GOLPE EM ANDAMENTO: DEMOCRACIA EM RISCO



A ignorância encontra-se mobilizada nos setores mais obtusos da sociedade, dispostos a tudo para defender seus interesses mesquinhos, supostamente ameaçados pelo governo do povo.

Pensávamos que o Brasil tivesse avançado, mas... ledo engano. Celulares de última geração, parafernália eletrônica, carros de luxo, estômagos abarrotados, roupas de grife... não desemburrecem nem emancipam ninguém.

Analfabetismo político levado às últimas consequências há uma semana do segundo turno das eleições presidenciais.

Campanha irrigada por violência, intolerância e ódio, muito ódio.





O fascismo à espreita na reta final

 Paulo Moreira Leite


Atos de violência e intimidação são resultado previsível de uma política de criminalização da política e dos políticos


Na quinta-feira, quando Dilma teve uma queda de pressão no SBT, um médico gaúcho usou o twitter para mandar essa “#%&!##”chamar um “médico cubano”.

(Dois dias antes, ao sair do carro no estacionamento da TV Band, para o debate anterior, a presidente foi recebida pelos gritos de um assessor parlamentar adversário. Ouviram-se coisas como “vaca”, “vai para casa…”)

No Rio, o cronista Gustavo Duvivier passou a receber diversos tipos de ameaça depois que publicou um texto onde deixou clara sua preferência por Dilma.

Agressores avançaram sobre o escritor Enio Gonçalves Filho, blogueiro com momentos de boa inspiração — e que é cadeirante — quando ele se dirigia ao Churrasco dos Desinformados, na Praça Roosevelt. Enio se dirigia a um protesto para responder ao comentário de Fernando Henrique Cardoso sobre a vantagem de Dilma nos estados do Nordeste (“O PT está fincado nos menos informados, que coincidem de ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT. É porque são menos informados,” disse FHC).

No meio do caminho, três sujeitos avantajados tentaram obrigar Enio a tirar sua camisa vermelha — ele é petista — e chacoalhavam sua cadeira de rodas.

Uma comunidade de quase 100 mil usuários numa rede social, que se declaram profissionais da classe médica brasileira, se tornou palco de uma guerra dentro da corrida presidencial. Com o título de “Dignidade Médica”, as postagens do grupo pregam “castrações químicas” contra nordestinos, profissionais com menor nível hierárquico, como recepcionistas de consultório e enfermeiras, e propõe um “holocausto” contra os eleitores de Dilma.

A maioria dos estudiosos costuma ligar a emergência do ódio político, sentimento que está na base dos movimentos fascistas, a situações de crise econômica, quando a maioria das pessoas não enxerga uma saída para suas vidas nem para suas famílias. Embora a economia brasileira tenha crescido pouco em 2014, ninguém definiria a situação do Brasil como catastrófica.

Ao contrário do que ocorria na Europa dos anos 20 e 30, que viu nascer os regimes de Benito Mussolini e Adolf Hitler, o Brasil não se encontra numa situação de superinflação nem de desemprego selvagem. A média dos últimos quatro anos de inflação é a segunda mais baixa da história do IBGE — numa linha que vai até 1940.

O desemprego é o menor da história e continua caindo. Nada menos que 123.000 novos postos de trabalho foram criados em setembro 2014. É inegável que ao longo dos anos ocorreram avanços na distribuição de renda, no combate a desigualdade, na ampliação dos direitos das maiorias que passavam excluídas pela história.

A intolerância de 2014 tem origem política e tem sido estimulada pelos adversários do PT e Dilma. Procura-se questionar a legitimidade de suas decisões e rebaixar moralmente os eleitores que os apoiam.

Em 2006, quando Lula foi reeleito, um ano e meio depois das denúncias de Roberto Jefferson, o Estado de S. Paulo publicou uma reportagem tentando sustentar que “a aceitação da corrupção na política está mais presente entre os eleitores de baixa renda”.

Ao fazer pesquisas que associavam valores morais aos anos de educação formal de um cidadão, o estudo A Cabeça do Brasileiro sugeria que a baixa escolaridade — condição da maioria da população — tornava a parcela menos educada da população mais vulnerável ao “jeitinho” e outras práticas condenáveis.

Procurando entender a origem do fascismo nas primeiras décadas do século passado, Hanna Arendt deixou lições que podem ser úteis para o Brasil de 2014.

Hanna Arendt usava uma expressão interessantíssima — “amargura egocêntrica” — para definir a psicologia social dessas pessoas que integravam movimentos de vocação fascista. Ela escreveu: “a consciência da desimportância e da dispensabilidade deixava de ser a expressão da frustração individual e se tornava um fenômeno de massa”.

É sempre interessante recordar um levantamento feito em 2011 pelo instituto Data Popular. Entrevistando 18 000 cidadãos na parte superior da pirâmide de renda, o DataPopular descobriu que:

55,3% concordam que deveria haver produtos para ricos e pobres

48,4% concordam que a qualidade dos serviços piorou com o maior acesso da população

62,8% concordam que estão incomodados com o aumento das filas

49,7% concordam que preferem frequentar ambientes com pessoas do seu nível social

16,5% concordam que pessoas mal vestidas deveriam ser barradas em alguns lugares

26,4 % concordam que o metrô aumenta a circulação de pessoas indesejáveis na região em que moram

17,1% concordam que todos os estabelecimentos deveriam ter elevadores separados.


A intolerância e o ódio cresceram no Brasil com uma consequência inevitável de um movimento destinado à criminalização da política e dos políticos — em particular do Partido dos Trabalhadores, nascido para ser “aquela parede protetora” das classes assalariadas e dos mais pobres, para usar uma expressão de Hanna Arendt. Pela destruição das barreiras de classe, que permitem distinguir um partido de outro, os interesses de uns e de outros, firmou-se o conceito de que nossos homens públicos são autoridades sem escrúpulo e bandidos de alta periculosidade, sem distinção, descartáveis e equivalentes, “não apenas perniciosas, mas também obtusas e desonestas, ” como escreveu a mestra.

As atitudes agressivas e tentativas de humilhação nasceram durante o julgamento da AP 470, no qual se assistiu a um espetáculo seletivo de longa duração. Enquanto os acusados ligados ao PT e ao governo Lula eram julgados em ambiente de carnaval cívico-televisivo, num espetáculo transmitido e estimulado por programas de TV, os acusados do PSDB, envolvidos nos mesmos esquemas, dirigidos pelas mesmas pessoas — e até com mais tempo de atividade — foram despachados para tribunais longe da TV, a uma distância de qualquer pressão por celeridade. Sequer foram julgados — embora a denúncia seja anterior.

Há outros componentes no Brasil de 2014. A referência sempre odiosa aos médicos cubanos que respondem pelo atendimento de brasileiros que nossos doutores verde-amarelos não têm a menor disposição de atender, revela o casamento do preconceito com um anticomunismo primitivo, herança viva da ditadura de 1964. Permite ao fascismo recuperar o universo Ame-o ou Deixe-o, assumir-se como aliado da ditadura sem dizer isso de forma explícita.

O progresso social dos últimos anos ajudou a criar ressentimento de camadas de cima que se vêem ameaçadas — em seu prestígio, mais do que por outra coisa – em função do progresso dos mais pobres, essa multidão despossuída que na última década conseguiu retirar uma fatia um pouco mais larga do bolo da riqueza do país.

Em 2010, a vitória de Dilma Rousseff foi saudada em São Paulo por um grito no twitter: “Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!”, escreveu uma estudante de Direito. Três anos mais tarde, ela foi condenada um ano e cinco meses de prisão, mas teve a pena transformada em prestação de serviços comunitários.

“O que perturba os espíritos lógicos é a indiscutível atração que esses movimentos exercem sobre a elite “, escreveu Hanna Arendt.

Richard Sennet, um dos principais estudiosos das sociedades contemporâneas, definiu o ressentimento como a convicção de que determinadas reformas em nome do povo “traduzem-se em conspirações que privam as pessoas comuns de seu direito e seu respeito”. Os benefícios oferecidos aos mais pobres resultam em insegurança e insatisfação por parte dos cidadãos que estão acima das políticas sociais dirigidas às camadas inferiores, explica Sennet, para quem essas pessoas têm o sentimento de que o governo “não conhece grande coisa de seus problemas, apesar de falar em seu nome”.

Mas quais seriam estes problemas? Hanna Arendt falou em “amargura egocêntrica”.

Na década de 1950, poucas medidas de Getúlio Vargas despertaram o ódio de seus adversários como a decisão de aumentar o salário mínimo em 100%. Pouco importava que esse número se baseasse na inflação do período anterior, de inflação altíssima. A questão é que, com um salário desses, um operário da construção civil poderia ganhar o mesmo que um militar de baixa patente e outros funcionários públicos — e isso era inaceitável num país onde o trabalho de um pedreiro era visto como a herança da escravidão.

O fim da história nós sabemos.




Destaques do ABC!

*

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Dilma: "Nossa luta é a dos construtores do futuro"


ELEIÇÕES 2014





Trechos do discurso da vitória no primeiro turno


Quero agradecer a presença de todos, a essa hora, desse domingo, mas é um momento especial pra todos nós. Mais uma vez o povo brasileiro me honrou em dar essa vitória nesse primeiro turno.

Minhas primeiras palavras ao celebrar essa vitória, são antes de tudo, de agradecimento, porque a gente tem a obrigação de agradecer aqueles eleitores anônimos que saíram de casa e registraram seu voto. Deles, eu recebo um recado simples: de que eu devo continuar na luta pra mudar ainda mais o Brasil.

Falando em luta, quero saudar a militância guerreira do meu partido e dos partidos aliados. Quero agradecer meu querido amigo e líder, o presidente Lula. Sem o presidente Lula eu não teria realizado meu sonho de fazer um Brasil melhor.

A luta continua. E a luta será mais uma vez gloriosa, porque é a luta da maioria do povo brasileiro. Essa luta é a luta dos construtores de futuro. Que não deixarão jamais o Brasil voltar pra trás.

Quero dizer pra vocês que entendi completamente os recados das ruas. O povo brasileiro anseia por mais avanços. É uma responsabilidade que nós que defendemos esse projeto temos que assumir perante a história.

Eu sou a primeira pessoa a querer mais. A querer fazer sempre mais. Meu compromisso é que a vida de cada brasileiro e brasileira melhore cada vez mais.

O meu governo tem um fundamento moral, baseado em dois valores: o primeiro é igualdade de oportunidades e o outro o combate à corrupção.

E tenho certeza, certeza absoluta, que temos que fazer a reforma política. Essa é a reforma das reformas. O primeiro passo é mobilizar a população num plebiscito popular.

O povo brasileiro vai dizer no dia 26/10 que não quer os fantasmas do passado. Teremos novamente uma disputa com o PSDB que, no passado, governou para 1/3 da população.

Jamais promoveram políticas sociais inclusivas. Não fizeram isso quando puderam. O PSDB, que sucateou as universidades federais, elitizando-as.

O PSDB, que no passado não defendeu aposentados, e, com o perdão da palavra, eles chamavam de vagabundos.

O povo brasileiro não quer de volta aqueles que trouxeram o racionamento de energia. Aqueles que envolveram nossas empresas em privatização, como Petrobras, Banco do Brasil e Furnas.

Se junte a nós nessa caminhada que já começou!

Conclamo, antes de tudo, vocês que melhoraram de vida nos últimos 12 anos, venham se juntar a nós. Para mantermos e ampliarmos as conquistas desses 12 anos.

É um orgulho para todos nós que as eleições tenham ocorrido bem.

Vamos lutar, porque a luta é o modo do Brasil avançar. Precisamos de vocês!



Vídeo do discurso 





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sábado, 4 de outubro de 2014

Lula: "Como era o Brasil antes de Lula governar o País?"


ELEIÇÕES 2014





"Um gênio da política" (Maria da Conceição Tavares).



Lula aos indecisos: Como era o Brasil antes do PT?

Saul Leblon, na Carta Maior



Lula pede que o último dia da campanha não seja o derradeiro da militância. E que a partir desta sexta-feira, comece um mutirão boca a boca, porta a porta.


Ex-presidentes costumam dar expediente em institutos e fundações de carpete macio, gabinetes de mogno e mesas de vidro com aço escovado.

Telefonemas bajuladores e audiências reverenciais compõem uma rotina colorida, fatiada de almoços elegantes e recepções requintadas. Amenidades bocejam 24 horas por dia no seu entorno.

Bons negócios, comendas, lavanda inglesa e gravatas de seda italiana.

Mas tem um deles que destoa do figurino de voz macia e boutades autocentradas.

Debaixo da garoa fina desta quinta-feira, protegendo a cabeça branca com chapéu de boiadeiro que destoa do blusão esportivo, a voz rangendo idade, cansaço, estrada, o rosto vincado, lá está ele em Diadema, no cinturão vermelho de São Paulo, em cima de uma carroceria, puxando a carreata que fecha o primeiro turno da campanha de 2014.

Alguém poderia imaginar que estamos falando de FHC?

Não. Quem está ali com uma mão agarrada ao microfone e a outra a gesticular, alternando uma e outra, a voz rouca modulando altos e baixos de ironia e indignação, mestre na oralidade, é o único ex-presidente capaz de fazer isso como se fosse um novato, a suar a camisa para provar que suas ideias pertencem ao mundo através da ação.

O novato no caso é o político que alia a garra de um jovem militante à experiência de maior líder popular do Brasil.

Duas vezes presidente da República, ele dá o exemplo da volta às origens que cobra do PT.

Levar a disputa às ruas.

Definir o campo de classe dos interesses em jogo.

Voltar às bases, ouvir, falar, engajar e aí nunca mais se omitir.

É isso que ele tem feito com intensidade assustadora para a idade e o susto de um câncer diagnosticado há três anos , em 29 de outubro de 2011.

Lula fará 69 anos no dia seguinte ao pleito de 5 de outubro próximo. A contrariar o fardo dos outubros, nos últimos nove dias ele visitou nove cidades, fez mais de 15 comícios.

Na terça feira, de dia, estava na Capela do Socorro; à noite em Cidade Tiradentes, agora em Diadema. Fala duas, três vezes por dia. Como fazia no governo.


Fosse FHC, as câmeras de televisão estariam formando uma parede entre o orador e a plateia reunida em frente a um supermercado em Diadema.


Mas é Lula; e sendo Lula quem é, tem que ser escondido pelo que representa, pelo que já fez, pelo que ainda fará e hoje, sobretudo, pelo que ainda fala e faz.


Ele faz coisas do seguinte tipo: na carreata em Diadema levou anotações com dados do site Manchetômetro, um monitoramento de mídia feito por pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) sobre a cobertura das eleições de 2014.

Durante quase dez minutos Lula dissecou o sentido político dos números frios colhidos pelo Manchetômetro.

Fez manchetes com notícias que não saem nos jornais.

Ao mencionar o tempo ocupado por escaladas negativas contra a presidente Dilma Rousseff no Jornal Nacional ( 1h46m), por exemplo, recorreu à metáfora futebolística e disparou para ninguém mais esquecer: ‘A Globo na campanha presidencial de 2014 dedicou mais tempo dando manchetes contra a Dilma do que a duração de uma partida de futebol’.

Pronto. Não precisava mais nada.

Mas para reforçar ele não hesitou em sacudir a anotação no ar: sabem quantos minutos de noticiário negativo a candidata do PSB teve no mesmo período? Nenhum.

Um mestre na pontuação oral.

Sobrou também para os jornalões da ‘gloriosa imprensa brasileira’, como ele gosta de alfinetar com ironia ácida.

Um número resume todos os demais.

Desde o início da disputa, em 6 de junho, lembrou a voz rouca, mais afiada que nunca, os jornais Folha de SP, Globo e Estadão deram nada menos que 490 manchetes negativas contra Dilma.

Uma intensidade mais de quatro vezes superior a soma das manchetes negativas atribuídas a Aécio e Marina juntos (114).

A conclusão disso tudo altera a voz rouca, que agora adquire um sentimento de indignação diante do qual é impossível ficar indiferente.

Imagine essa cena no Jornal Nacional.

Não acontecerá.

Porque Lula não é FHC e porque FHC jamais diria o que ele vai disparar em seguida. ‘Isso acontece porque neste país não existe liberdade de imprensa, mas sim a doutrina de nove famílias que dominam a comunicação e nutrem ódio pelo PT. Não pelos erros que o PT possa ter cometido’, fuzila a rouquidão indignada. ‘O PT tem defeito? Tem’, prossegue depois de uma pausa. ‘Mas eles nos odeiam não pelos nossos defeitos. E, sim, porque o PT promoveu a ascensão social dos pobres neste país. É por isso que desde o início da campanha eles atacam a Dilma com o equivalente a três manchetes negativas por dia cada um’.

A indignação contra esse cerco, cujo núcleo duro está arranchado no estado de São Paulo, fez o ex-presidente intensificar a campanha de rua no interior e na região metropolitana da capital.

Sua determinação extrai força de uma certeza: é preciso enfrentar e romper o torniquete de aço contra Dilma, contra Padilha e, sobretudo, contra o PT e contra ele próprio. Ou a restauração conservadora pode fechar de vez as portas e frestas sociais e geopolíticas arduamente abertas a unha nos últimos doze anos.


Ao final da carreata, esse orador empenhado faz um apelo acalorado. Lula pede que o último dia da campanha não seja o derradeiro da militância. Que ela continue a falar o que a sua voz já não poderá mais dizer na boleia de um caminhão. E que a partir desta 6ª feira, comece um mutirão boca a boca, porta a porta, voto a voto para buscar o eleitor indeciso e decisivo na arrancada final para a urna.

A senha que ele sugere à militância diante dos recalcitrantes é a sua convicção de que a memória é um pedaço precioso do futuro a ser conquistado nestas eleições.

É com essa certeza que ele faz sua despedida como quem sacode o país pelos ombros para espantar o torpor criado pela doutrinação midiática conservadora e diz: ‘Perguntem às pessoas se elas se lembram como era o Brasil antes de o Lula governar este país’.


*

sábado, 3 de maio de 2014

Dilma arrasa de novo: "Lula e eu fizemos uma revolução social no Brasil"


ELEIÇÕES 2014



Na abertura do 14.o Encontro Nacional do PT que aconteceu ontem à noite, em São Paulo, a Presidenta Dilma Rousseff foi aclamada como candidata do Partido dos Trabalhadores nas eleições de outubro.


Lula aproveitou para declarar de forma definitiva que não será candidato, mas cabo eleitoral de Dilma. E a Presidenta, mais uma vez, foi pra cima da oposição entreguista, que pretende voltar ao poder para engatar uma marcha-a-ré e jogar o Brasil novamente no caos econômico e social do passado recente.

Leiam abaixo o discurso afiado de Dilma, se preparando para a dura (e suja) campanha que se avizinha.


Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula


Dilma é aclamada oficialmente como pré-candidata do PT


A presidenta Dilma Rousseff foi aclamada como pré-candidata do Partido dos Trabalhadores à Presidência da República, nesta sexta-feira (2), no XIV Encontro Nacional do PT. O encontro reuniu as principais lideranças do PT e de partidos aliados, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a própria presidenta Dilma Rousseff e o presidente do PT, Rui Falcão.


Lula começou seu discurso parabenizando a presidenta pela aprovação do Marco Civil da Internet e pelo pronunciamento de 1.o de maio. O ex-presidente lembrou que os números conseguidos em 12 anos de governos progressistas são impressionantes. “Foram desapropriados 49 milhões de hectares de terra”, exemplificou, “isso é 55% do que foi feito desde o descobrimento do Brasil. Precisa fazer mais, mas não podemos esquecer do que foi feito”.

Lula afirmou ainda que o Brasil tem um atraso histórico na área de educação, só tendo sua primeira universidade em 1930, muito depois que outros países latino-americanos. “Nós estamos recuperando isso. Passamos de 3 milhões para 7 milhões de universitários”.

Os dados comparativos do Brasil com outros países do mundo também foram ressaltados por Lula. “Tenho certeza que muita gente aqui não sabe. São dados que deveriam ser notícia, mas não são”, afirmou ao citar que o Brasil é hoje a 7.a economia mundial – e será a 5.a até 2016 -, o 2.o maior país exportador de alimentos, a 4.a indústria naval e o 5.o destino de investimentos externos. “Precisamos ver o que era o país e o que virou hoje”.

A presidenta Dilma lembrou que o Brasil resistiu à crise econômica mundial: “O Brasil não se rendeu. Soubemos defender o emprego e o salário, os dois maiores bens dos trabalhadores”. Ela ressaltou ainda que nosso país foi um dos que melhor passou pela crise, gerando milhões de postos de trabalho, enquanto em diversos outros países, trabalhadores perderam seus empregos.

“Temos o maior programa habitacional do mundo, fizemos o maior programa de ensino técnico da história desse país e levamos médicos a todos os municípios do Brasil”, afirmou Dilma. “Fizemos muito, mas tenho certeza que podemos fazer ainda mais”.

“Eu não fui eleita para arrochar salário de trabalhador, para mudar nome da Petrobras ou para fazer o Brasil se curvar a organismos internacionais. Fui eleita para governar de cabeça erguida e é isso que continuarei fazendo”, desabafou.

Depois de pedir que todos levantassem seus crachás em aprovação à pré-candidatura de Dilma, Rui Falcão lembrou que as pesquisas mostram que o povo brasileiro quer mudança: “Só continuando com Dilma podemos continuar mudando. Só quem mudou tanto pode mudar mais e melhor”.


Instituto Lula



O discurso de Dilma

(A Lula, as primeiras palavras) 

O senhor tem sido o maior líder político que esse país construiu nos últimos anos. Recebo a missão honrosa e desafiadora de ser a pré-candidata do PT à Presidência. Meu respeito e carinho a Lula.

Foi o compromisso com o povo brasileiro que nos uniu e esse compromisso é inquebrantável, não se quebra, não se verga.


Mais uma vez, estou aqui diante de vocês e junto com vocês.

É para você, presidente Lula, a quem primeiro me dirijo, e digo-lhe, com todo carinho e respeito, que este ato tem mais do que uma simples coincidência. Ele é mais uma prova forte e contundente da nossa confiança mútua e dos laços profundos que nos une ao povo brasileiro.

Porque, presidente Lula, foi o compromisso com o povo brasileiro que nos uniu. E esse compromisso é inquebrantável. Quando você assumiu a Presidência, o Brasil era um. Quando a deixou, o Brasil era outro, completamente diferente e muito melhor.

Assim, quando o sucedi na Presidência, tinha a tarefa hercúlea de suceder não um presidente – mas uma verdadeira lenda.

A faixa não pesou em meus ombros porque havíamos trabalhado juntos, anos a fio. Todos os dias, todas as horas, inclusive nas horas mais difíceis, estivemos juntos honrando o nosso compromisso com o povo brasileiro.

Foi isto que me deu ânimo – e experiência - para enfrentar e vencer todo tipo de dificuldades.

A faixa não pesou porque sabia que tinha a meu lado o povo do Brasil, como Lula teve. Dezenas de milhões de brasileiros a tornaram leve. Tivemos também o apoio imprescindível dos partidos aliados. Essa coalizão foi fundamental para a governabilidade. E tivemos, sobretudo, essa incrível e corajosa militância do PT, que nunca nos abandonou.

Mas quando assumi o governo, o mundo era um. Pouco tempo depois, o mundo era outro. A crise econômica e financeira internacional ameaçou não apenas a estabilidade das maiores economias, mas boa parte do sistema político e econômico mundiais.

Porém, o Brasil, dessa vez não se rendeu, não se abateu, nem se ajoelhou! O Brasil soube defender, como poucos, o mais importante: o emprego e o salário do trabalhador – e foi o país que melhor venceu esta batalha!

Dessa vez, nós nos recusamos a fazer o que se fazia no passado. Enfrentamos a crise apostando no futuro do Brasil, apostando na força do nosso povo.

Por isso, temos sido o país que mais está vencendo a luta contra a miséria e reduzindo a desigualdade. O que consolidou o maior programa de habitação popular do nosso continente. O que implantou o maior programa de educação profissional de nossa história. O que levou médicos a todos os municípios brasileiros. O que melhorou a qualidade do ensino em todos os níveis. E acelerou os avanços de nossa infraestrutura física e social.

Fizemos muito, mas precisamos fazer muito mais. Avançamos bem, mas certos obstáculos reduziram, algumas vezes, a nossa marcha. Estas dificuldades e obstáculos são inerentes a todo governo de mudanças.

Mas o que nos faz governos de mudança é justamente a capacidade de vencer os obstáculos colocados pela vida e, também, pelas forças do conservadorismo.

Companheiras e companheiros,

Por que o Brasil, desta vez, não se rendeu, nem se ajoelhou?

Porque nos recusamos a fazer o que se fazia no passado.

No passado, que a nossa oposição tanto defende, o Brasil se defendia das crises arrochando os salários dos trabalhadores, aumentando as taxas de juros a níveis estratosféricos, aumentando o desemprego, diminuindo o crescimento, vendendo patrimônio público.


E não se contentavam em vender o patrimônio do Brasil. Alienavam, com essa política desastrosa, o futuro do País. Alienavam o futuro do nosso povo. E, o que é mais doloroso, a nossa esperança como Nação.

Desta vez, ampliando o que já fazíamos desde o governo Lula, enfrentamos a crise apostando no futuro do Brasil. Apostando na força do nosso povo.

Assim, criamos 4,8 milhões de empregos, em meu governo. Junto com os oito anos de Lula temos o recorde de + de 20 milhões com carteira assinada.

Enquanto os outros países desempregavam, nós abríamos vagas de trabalho.

Foi por fazer diferente do passado, que também elevamos o poder de compra do trabalhador e da classe média. Nos últimos 11 anos o salário do trabalhador teve um ganho real acima de 70%. E essa política, que eles tanto combatem, vai continuar. Tenham certeza!

Foi por isso que criamos uma nova e gigantesca classe média no Brasil. 42 milhões de brasileiros entraram, pela porta da frente, no mercado de trabalho e de consumo. Foi por isso que, Lula e eu, fizemos uma verdadeira revolução social no Brasil, retirando 36 milhões de brasileiros da extrema pobreza.

Ainda ontem reajustei os valores do Bolsa Família em 10%, de modo a assegurar que todos fiquem acima da linha da extrema pobreza, tal como a define a ONU. Nos últimos 3 anos e 4 meses, foram implantadas 6 grandes melhorias no Bolsa Família, que levaram a um aumento real no benefício de 44,3%.

E fizemos muito mais. Implantamos um amplo programa de investimentos públicos.

O Minha Casa Minha Vida já construiu cerca de 1 milhão e 650 mil lares para brasileiros pobres, realizando o sonho da casa própria para muita gente.

Com o pacto pela mobilidade urbana, já estamos investindo 143 bilhões que estão melhorando o transporte e o trânsito nas grandes cidades.

Com o pacto pela Saúde e o Mais Médicos, estamos levando assistência básica de saúde a todos os municípios do Brasil. Em pouco mais de 8 meses, colocamos 14 mil médicos em 3866 municípios, garantindo cobertura de assistência médica para 49 milhões de brasileiros.


E isto, na periferia dos grandes centros, onde moram os trabalhadores e a nova classe média. No Nordeste, no Norte, nos distritos indígenas e nas áreas quilombolas e no interior de nosso País.

Os médicos formados no exterior, que vieram com o Mais Médicos, falam a linguagem universal da solidariedade. O mais importante é que eles melhoram as vidas dos brasileiros.

Com o pacto pela Educação, o mais estratégico para o país, estamos fazendo um esforço monumental, que garantirá o futuro de cada brasileiro (a) e o futuro do País.

Com o Pronatec, o Prouni, o Fies e o Enem construímos, como nunca, um caminho de oportunidades e abrimos as portas da educação para jovens e adultos.

Com o Ciência Sem Fronteiras abrimos o mundo para nossos estudantes se aperfeiçoarem.

Quero reafirmar que, com a nossa decisão histórica de canalizar 75% dos royalties do pré-sal para a Educação, vamos dar um salto de qualidade decisivo para a Educação pública do Brasil.

Nós também estamos empenhados na construção de um Estado realmente republicano, que seja eficiente e representativo de todos os interesses da população brasileira. Isso é algo também inédito na história do Brasil.

Nesse ponto, é preciso dizer uma coisa com absoluta clareza e convicção: os governos do PT foram os que mais combateram e combatem a corrupção no Brasil. Antes de nós, a corrupção era muitas vezes varrida para baixo do tapete. Engavetava-se muito. Investigava-se muito pouco. Agora que as gavetas foram abertas, tudo aparece e tudo é investigado.

Os que me conhecem sabem perfeitamente que nunca admitirei nenhum malfeito ou ilícito, venha de onde vier.

Eu sei que o que envergonha um país não é apurar, investigar, mostrar. O que pode envergonhar um país é não combater a corrupção, é varrer tudo pra baixo do tapete.

Companheiras e companheiros,

Não comprometemos o futuro do Brasil e do seu povo, como eles fizeram. Ao contrário, apostamos que o futuro do País está justamente na força do povo brasileiro.

Mas tem gente achando que é melhor voltar ao passado, em que os pobres e a classe média nunca tinham vez. São poucos os que querem isto. Mas têm amigos, que falam muito.

Nós somos muitos e por isso temos de falar muito mais.

Tem gente que acha, por exemplo, que o salário mínimo está muito alto. Que é preciso reduzi-lo.

Tem gente que acha que o desemprego está muito baixo e que é hora de aumentá-lo. Que o trabalhador brasileiro está ganhando demais, que é hora de voltar a arrochar os salários.

Tem gente que acha que está na hora do Brasil voltar a ter as taxas de juros estratosféricas do passado, para atrair investimentos especulativos, facilitar a vida dos rentistas e dificultar o crescimento e a produção do Brasil.

Tem gente que acha que é preciso acabar com o programa de cotas para afrodescendentes nas universidades, como já tentaram acabar com o Prouni.


Com a desculpa de defender a meritocracia, eles defendem, na realidade, uma universidade para ricos e brancos.


Há forças políticas que detestam ainda mais os programas que tiram as pessoas da miséria. Afinal, eles nunca se preocuparam com os pobres deste país, com a distribuição de renda, com a superação da miséria.

Mas essa é a nossa marca; é a nossa história.

Enfim, minha gente, tem gente que acha que o futuro do Brasil está no passado.


No passado injusto e atrasado (medíocre), o passado do arrocho, do desemprego, do Apagão, do FMI, da universidade para poucos, do rentismo, da venda do patrimônio público.


Não se enganem, essa é a agenda deles. É a agenda do retrocesso. É a volta do Brasil para poucos.


Companheiras e Companheiros,

Eu quero falar para vocês algo que está engasgado na minha garganta. Algo que está guardado no meu peito de cidadã brasileira.

Eu não fui eleita para arrochar salário de trabalhador!


Eu não fui eleita para virar as costas para os pequenos empreendedores do nosso País!


Eu não fui eleita para desempregar trabalhadores e trabalhadoras do Brasil !


Eu não fui eleita para vender ou mudar o nome da Petrobras e entregar o Pré-sal !


Eu não fui eleita para mendigar dinheiro no FMI !


Eu não fui eleita para tornar a saúde do Brasil um privilégio de alguns !

Eu não fui eleita para fazer da Educação um caminho estreito !

Eu não fui eleita para varrer a corrupção para debaixo do tapete, como faziam !

Eu não fui eleita para colocar, de novo, o país de joelhos, como eles fizeram !

Eu não fui eleita para trair a confiança do meu povo !


Eu fui eleita para governar de pé e com a cabeça erguida. E é isso que eu vou continuar a fazer, ao lado do povo brasileiro e com a ajuda dessa militância incrível que sempre nos dá forças e inspiração!


​Companheiras e Companheiros,

Minha agenda é outra. É a agenda de quem está, de fato, ao lado do povo do Brasil.

Minha agenda é a agenda do futuro. A agenda de quem já fez muito e, por isso, pode fazer muito mais.

Nós podemos fazer isso porque nós, do PT, somos a grande força política inovadora do Brasil.

É hora de avançarmos com as reformas profundas que tanto o Brasil precisa. Isso começa com a reforma política, porque sem ela não construiremos a sociedade do futuro que o Brasil quer ver nascer.

Os nossos governos estão promovendo uma verdadeira transformação social no país e isso criou as bases cidadãs para a promoção de uma transformação democrática e política no Brasil.

Encaminhei ao Congresso Nacional uma proposta de consulta popular para que o povo brasileiro possa debater e participar ativamente da reforma política. Sempre estive convencida que sem a participação popular não teremos a reforma política que o Brasil exige. Nossa missão, agora, é realizá-la. Nessa nova campanha presidencial, colocaremos a reforma política como algo estratégico e decisivo para o futuro da democracia brasileira.

Companheiros e Companheiras,

O rancor que os saudosistas do passado têm de nós provém do nosso êxito, não do fracasso pelo qual eles tanto torceram e tanto torcem.

Nós mostramos que outro mundo é possível, que outro Brasil é possível.

Esse novo Brasil não aceitará retrocessos, mesmo que eles sejam travestidos de aparente novidade. Da estranha novidade de medidas que eles denominam de “impopulares” quando deveriam chamá-las “anti-populares”.

O Brasil não voltará no tempo. Não será conduzido pelo rancor, pelo ódio e o ressentimento.

Sabemos de onde viemos e sabemos para onde vamos. Temos a régua e o compasso das grandes lutas populares. Temos a bússola das eternas utopias libertárias e igualitárias. E, em nosso sangue, o sangue que muitos de nós derramamos, corre a democracia.

O único rumo possível para o Brasil é avançar ainda mais em direção a um futuro de maior igualdade, de mais oportunidades para todos, de maior distribuição da renda, de maiores salários para os trabalhadores, de mais direitos, de mais democracia, de mais educação e inovação. Para nós que sempre queremos e lutamos por mudança, toda conquista é apenas um começo.

Quero dar uma palavra sobre a Copa. Ela vai ser um sucesso. Quero transmitir a vocês um comentário feito para mim: “É engraçado, a gente adora futebol! Somos o país do futebol, a gente acompanha todas as Copas, torcendo, e se diverte. Agora que é aqui no Brasil não podemos aproveitar… Por quê? Porque a política não deixa… fica todo mundo criticando, falando mal da Copa…”.

O ​rumo do Brasil é o futuro desejado pela generosidade, a solidariedade e o amor do nosso povo, não o passado acalentado pelo rancor ou pelo ressentimento destes que já derrotamos em 3 eleições presidenciais e que derrotaremos, de novo, nesse próximo pleito.

Tenham certeza disso!

Porque desse novo Brasil que estamos construindo não há volta possível!


Vamos avançar no rumo certo!

Avançar sempre ao lado do povo!



VIVA O PT !


VIVA O BRASIL !


VIVA O POVO BRASILEIRO !


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quinta-feira, 6 de março de 2014

A quem possa interessar: Lula é Dilma e Dilma é Lula!


Às elites podres, burras e mesquinhas, que armam golpe para o Brasil retroceder 50 anos, e aos rola-bostas da mídia predadora, que vira-e-mexe insinuam rompimentos, afastamentos e rusgas entre a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, a resposta de ambos:


Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Lula: Brasil constroi uma Era de Oportunidades





Por que o Brasil é o país das oportunidades

Luiz Inácio Lula da Silva

Passados cinco anos do início da crise global, o mundo ainda enfrenta suas consequências, mas já se prepara para um novo ciclo de crescimento. As atenções estão voltadas para mercados emergentes como o Brasil. Nosso modelo de desenvolvimento com inclusão social atraiu e continua atraindo investidores de toda parte. É hora de mostrar as grandes oportunidades que o país oferece, num quadro de estabilidade que poucos podem apresentar.

Nos últimos 11 anos, o Brasil deu um grande salto econômico e social. O PIB em dólares cresceu 4,4 vezes e supera US$ 2,2 trilhões. O comércio externo passou de US$ 108 bilhões para US$ 480 bilhões ao ano. O país tornou-se um dos cinco maiores destinos de investimento externo direto. Hoje somos grandes produtores de automóveis, máquinas agrícolas, celulose, alumínio, aviões; líderes mundiais em carnes, soja, café, açúcar, laranja e etanol.

Reduzimos a inflação, de 12,5% em 2002 para 5,9%, e continuamos trabalhando para trazê-la ao centro da meta. Há dez anos consecutivos a inflação está controlada nas margens estabelecidas, num ambiente de crescimento da economia, do consumo e do emprego. Reduzimos a dívida pública líquida praticamente à metade; de 60,4% do PIB para 33,8%. As despesas com pessoal, juros da dívida e financiamento da previdência caíram em relação ao PIB.

Colocamos os mais pobres no centro das políticas econômicas, dinamizando o mercado e reduzindo a desigualdade. Criamos 21 milhões de empregos; 36 milhões de pessoas saíram da extrema pobreza e 42 milhões alcançaram a classe média.

Quantos países conseguiram tanto, em tão pouco tempo, com democracia plena e instituições estáveis?

A novidade é que o Brasil deixou de ser um país vulnerável e tornou-se um competidor global. E isso incomoda; contraria interesses. Não é por outra razão que as contas do país e as ações do governo tornaram-se objeto de avaliações cada vez mais rigorosas e, em certos casos, claramente especulativas. Mas um país robusto não se intimida com as críticas; aprende com elas.

A dívida pública bruta, por exemplo, ganhou relevância nessas análises. Mas em quantos países a dívida bruta se mantém estável em relação ao PIB, com perfil adequado de vencimentos, como ocorre no Brasil? Desde 2008, o país fez superávit primário médio anual de 2,58%, o melhor desempenho entre as grandes economias. E o governo da presidenta Dilma Rousseff acaba de anunciar o esforço fiscal necessário para manter a trajetória de redução da dívida em 2014.

Acumulamos US$ 376 bilhões em reservas: dez vezes mais do que em 2002 e dez vezes maiores que a dívida de curto prazo. Que outro grande país, além da China, tem reservas superiores a 18 meses de importações? Diferentemente do passado, hoje o Brasil pode lidar com flutuações externas, ajustando o câmbio sem artifícios e sem turbulência. Esse ajuste, que é necessário, contribui para fortalecer nosso setor produtivo e vai melhorar o desempenho das contas externas.

O Brasil tem um sistema financeiro sólido e expandiu a oferta de crédito com medidas prudenciais para ampliar a segurança dos empréstimos e o universo de tomadores. Em 11 anos o crédito passou de R$ 380 bilhões para R$ 2,7 trilhões; ou seja, de 24% para 56,5% do PIB. Quantos países fizeram expansão dessa ordem reduzindo a inadimplência?

O investimento do setor público passou de 2,6% do PIB para 4,4%. A taxa de investimento no país cresceu em média 5,7% ao ano. Os depósitos em poupança crescem há 22 meses. É preciso fazer mais: simplificar e desburocratizar a estrutura fiscal, aumentar a competitividade da economia, continuar reduzindo aportes aos bancos públicos, aprofundar a inclusão social que está na base do crescimento. Mas não se pode duvidar de um país que fez tanto em apenas 11 anos.

Que país duplicou a safra e tornou-se uma das economias agrícolas mais modernas e dinâmicas do mundo? Que país duplicou sua produção de veículos? Que país reergueu do zero uma indústria naval que emprega 78 mil pessoas e já é a terceira maior do mundo?

Que país ampliou a capacidade instalada de eletricidade de 80 mil para 126 mil MW, e constrói três das maiores hidrelétricas do mundo? Levou eletricidade a 15 milhões de pessoas no campo? Contratou a construção de 3 milhões de moradias populares e já entregou a metade?

Qual o país no mundo, segundo a OCDE, que mais aumentou o investimento em educação? Que triplicou o orçamento federal do setor; ampliou e financiou o acesso ao ensino superior, com o Prouni, o FIES e as cotas, e duplicou para 7 milhões as matrículas nas universidades? Que levou 60 mil jovens a estudar nas melhores universidades do mundo? Abrimos mais escolas técnicas em 11 anos do que se fez em todo o Século XX. O Pronatec qualificou mais de 5 milhões de trabalhadores. Destinamos 75% dos royalties do petróleo para a educação.

E que país é apontado pela ONU e outros organismos internacionais como exemplo de combate à desigualdade?

O Brasil e outros países poderiam ter alcançado mais, não fossem os impactos da crise sobre o crédito, o câmbio e o comércio global, que se mantém estagnado. A recuperação dos Estados Unidos é uma excelente notícia, mas neste momento a economia mundial reflete a retirada dos estímulos do Fed. E, mesmo nessa conjuntura adversa, o Brasil está entre os oito países do G-20 que tiveram crescimento do PIB maior que 2% em 2013.

O mais notável é que, desde 2008, enquanto o mundo destruía 62 milhões de empregos, segundo a Organização Internacional do Trabalho, o Brasil criava 10,5 milhões de empregos. O desemprego é o menor da nossa história. Não vejo indicador mais robusto da saúde de uma economia.

Que país atravessou a pior crise de todos os tempos promovendo o pleno emprego e aumentando a renda da população?

Cometemos erros, naturalmente, mas a boa notícia é que os reconhecemos e trabalhamos para corrigi-los. O governo ouviu, por exemplo, as críticas ao modelo de concessões e o tornou mais equilibrado. Resultado: concedemos 4,2 mil quilômetros de rodovias com deságio muito acima do esperado. Houve sucesso nos leilões de petróleo, de seis aeroportos e de 2.100 quilômetros de linhas de transmissão de energia.

O Brasil tem um programa de logística de R$ 305 bilhões. A Petrobras investe US$ 236 bilhões para dobrar a produção até 2020, o que vai nos colocar entre os seis maiores produtores mundiais de petróleo. Quantos países oferecem oportunidades como estas?

A classe média brasileira, que consumiu R$ 1,17 trilhão em 2013, de acordo com a Serasa/Data Popular, continuará crescendo. Quantos países têm mercado consumidor em expansão tão vigorosa?

Recentemente estive com investidores globais no Conselho das Américas, em Nova Iorque, para mostrar como o Brasil se prepara para dar saltos ainda maiores na nova etapa da economia global. Voltei convencido de que eles têm uma visão objetiva do país e do nosso potencial, diferente de versões pessimistas. 

O povo brasileiro está construindo uma nova era – uma era de oportunidades. Quem continuar acreditando e investindo no Brasil vai ganhar ainda mais e vai crescer junto com o nosso país.

Luiz Inácio Lula da Silva é ex-presidente da República e presidente de honra do PT

Instituto Lula

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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

"STF dá abrigo a torturadores", diz Genro


GOLPE NA DEMOCRACIA



"José Genoino foi brutalmente torturado na época da ditadura e seus torturadores continuam aí, sorridentes, impunes e desafiantes, sem qualquer ameaça real de responderem, na democracia, pelo que fizeram nos porões do regime de arbítrio, abrigados até agora por decisões deste mesmo Tribunal que condena sem provas militantes do PT." 
                                                                       Tarso Genro, ex-ministro da Justiça


Vai ter volta!


STF que condena petistas sem prova dá abrigo a ditadores, diz Tarso Genro



Genro criticou duramente o STF por proteger agentes do Estado brasileiro que praticaram atos de tortura


Fernando Gallo - O Estado de S.Paulo


SÃO PAULO - O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), afirmou, em um artigo publicado no portal Carta Maior, que o mesmo Supremo Tribunal Federal (STF) que "condena sem provas militantes do PT" no caso do mensalão tem tomado decisões que dão abrigo a torturadores da ditadura.

No texto intitulado "A segunda tortura de Genoino", Genro faz uma defesa do deputado federal licenciado José Genoino, preso desde sexta. Segundo o governador gaúcho, Genoino é "um homem honesto, de vida modesta e honrada, que sempre lutou por seus ideais com dignidade e ardor, arriscando a própria vida, em momentos muito duros da nossa História" que "só foi condenado porque era presidente do PT, no momento do chamado mensalão".

Em defesa do colega petista, Genro criticou duramente o STF por proteger agentes do Estado brasileiro que praticaram atos de tortura, em à decisão tomada pela Corte, em 2010, de manter válida a Lei de Anistia brasileira.

"José Genoino foi brutalmente torturado na época da ditadura e seus torturadores continuam aí, sorridentes, impunes e desafiantes, sem qualquer ameaça real de responderem, na democracia, pelo que fizeram nos porões do regime de arbítrio, abrigados até agora por decisões deste mesmo Tribunal que condena sem provas militantes do PT", escreveu o governador, que assumiu a presidência do PT em 2005 justamente quando Genoino deixou o cargo após ser atingido pelas denúncias do mensalão.

No mesmo texto, ele defendeu o ex-ministro José Dirceu, seu desafeto dentro do PT. "Militei sempre em campos opostos a José Dirceu em nosso partido e, em termos pessoais, conheço-o muito pouco, mas não hesito em dizer que foi condenado sem provas, por razões eminentemente políticas, como reconhecem insuspeitos juristas, que sequer têm simpatias por ele ou pelo PT".

Estadão Online

Destaques do ABC!


sábado, 14 de setembro de 2013

A morte do guerreiro e a "justiça" brasileira


Na vida e na morte, se portou com altivez e coragem.

Gushiken Vive!







Nota da Presidenta Dilma Rousseff


A morte de meu amigo Luiz Gushiken é um momento de dor e de reverência. Dor pela ausência que ele fará para todos os que tiveram a felicidade de conhecê-lo, que puderam compartilhar da sua sabedoria e capacidade de pensar como o Brasil poderia ser uma nação mais justa para todos.

Reverência pela serenidade como viveu a vida e enfrentou a morte.

Fundador do PT, deputado federal por três legislaturas, meu colega de ministério no governo Lula, Luiz Gushiken partiu como viveu. Com coragem.

Aos familiares e amigos, deixo as minhas condolências e homenagens a este grande brasileiro.



Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil