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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Brasileiros pedem desculpas a Yoani Sánchez


YOANI SÁNCHEZ NO BRASIL


Felizmente é uma minoria - mal-educada, grosseira, tacanha, autoritária, tosca, anacrônica... - que promove ataques, difamação e linchamento moral da escritora e blogueira cubana Yoani Sánchez.

"Filhotes da ditadura", democratas de "meia tigela", não respeitam os direitos da cidadã cubana de vir ao Brasil, participar de eventos, dar entrevistas e palestras e expressar suas opiniões.

Por sorte a ativista cubana sabe bem o que é intimidação e constrangimento, e vem recebendo muitas manifestações de carinho e solidariedade por onde passa. No Recife, um advogado mandou instalar um outdoor com pedido de desculpas à blogueira!!!

Hoje Yoani se despede do Brasil passeando e sendo tietada no Rio de Janeiro. Em seu Twitter, ela nos contou horas atrás:

"Calor humano por todos lados..."

"La gente en la calle con mucho cariño hacia mí. Muchos gritan Viva Cuba Libre!!!"

                                                            Facebook/Yoani Sánchez


BLOGUEIRA
Outdoor na Agamenon Magalhães pede desculpas a Yoani Sánchez


Peça foi assinada pelo advogado Silvio Amorim


Foto: Clemilson Campos/JC Imagem



Quem passa pela Avenida Agamenon Magalhães, uma das mais importantes e movimentadas do Recife, pode perceber um outdoor fazendo referência à passagem da cubana Yoani Sánchez pelo País. Mais: a peça, colocada na tarde deste sábado (23), é um pedido de desculpas pela hostilidade com que a blogueira foi tratada quando esteve no Brasil, inclusive em Pernambuco. A peça foi assinada pelo advogado Silvio Amorim.

"Fiquei envergonhado com tudo que Yoani passou aqui no Brasil. Uma pessoa que sofreu tanto na vida em Cuba, consegue um visto para deixar o país dela, vem ao Brasil e é tratada daquele jeito, com protestos e falta de respeito. O que fizeram com Yoani está longe de ser liberdade de expressão. Foi desrespeito, canalhice", disse Silvio Amorim.

O advogado lembrou dom Helder Câmara ao falar sobre o caso. "Dom Helder foi várias vezes a outros países, durante a ditadura militar, e nunca foi hostilizado dessa forma. Se tivesse sido, ficaríamos revoltados. Por que tratar Yoani daquele jeito? Fiz o outdoor na esperança que, de alguma forma, ela fique sabendo que a grande maioria dos brasileiros e sobretudo dos pernambucanos não concorda com a forma como ela foi tratada aqui".

Por onde passou, Yoani foi alvo de protestos. Em Pernambuco, o protesto aconteceu no Aeroporto dos Guararapes. Em Feira de Santana, na Bahia, os protestos foram mais pesados e alguns eventos precisaram ser cancelados. Em entrevista, a blogueira disse que o protesto era uma forma de expressão que ela não tinha em Cuba, mas a violência com que eles estavam acontecendo no Brasil a assustava.

Jornal do Commercio Online

Destaques do ABC!

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Blogosfera "progressista" semeia ódio contra Yoani Sánchez


OPINIÃO


Falsos, antidemocratas, partidários do pensamento único, alguns representantes da blogosfera dita "progressista" participam do linchamento moral contra a cidadã cubana Yoani Sánchez, ativista e blogueira. Hoje tem gente na blogosfera "descendo do salto" e dando um piti, de forma infantiloide, tosca e ridícula.

Eu sei do que estou falando, pois fui vítima da ignorância desse grupelho. Não admitem independência, pensamento autônomo, diversidade de opinião.

Teria sido muito mais educado e republicano da parte deles convidar a mundialmente famosa blogueira cubana para um debate no tal Centro de Estudos da Mídia Alternativa, em vez de ficarem, covardemente, reproduzindo ataques e participando de bullying virtual contra ela. E insuflando ódio de seus leitores a uma cidadã cubana, blogueira e tuiteira, que escreve sobre o dia a dia do país em que nasceu e vive há 37 anos.

Intolerância. Truculência. Totalitarismo. Ressentimento. Inveja.

A alma humana é mesmo insondável.

Os vários prêmios internacionais recebidos por Yoani Sánchez, seus milhares de seguidores e acessos no mundo todo, podem estar mexendo com a indisfarçável vaidade e a dolorosa mediocridade de alguns colegas de blogosfera.

Abaixo um artigo publicado antes do embarque de Yoani para o Brasil, já prevendo o festival de baixarias que ela teria que encarar.


                                                         Yoani Sánchez/Facebook

Os ataques rasteiros a Yoani Sánchez

A mulher é uma ricaça, regressou a Cuba só para lucrar com a infelicidade alheia, e de lá sai apenas para confabular com reacionários.


Daniel Lopes (17/02/2013)



— O PC cubano vai ao Photoshop –

A jornalista e ativista pró-democracia Yoani Sánchez enfim está saindo de Cuba para uma passagem por vários países, entre os quais o Brasil. Os veículos mais respeitáveis da esquerda ainda não publicaram seus textos ok-a-causa-dela-é-justa-mas-ela-também-não-é-nenhum-anjo. Mas ativistas e sites das camadas mais baixas, mas não pouco influentes, da banda progressista nacional já se movimentam há alguns dias, e se movimentarão ainda mais nos dias que seguem. Não, eles não acham que Yoani seja um anjo.

Uma das denúncias mais frequentes e toscas que se faz à blogueira é a de sua condição de “rica”. Sem dúvida, o salário pago a ela pelo jornal espanhol El País é bem razoável, apesar de não lhe transformar numa milionária. (Uma variante desse ataque é a linha do PC cubano de que a escritora “recebe dinheiro de potências estrangeiras”.) O que ela ganha, faz por merecer: por seu texto de qualidade, sua condição de dissidente célebre e seu papel de correspondente de um dos jornais mais respeitáveis do mundo na capital da última ditadura do continente americano. Para quem estiver realmente preocupado, há muitos outros trabalhadores com ocupação mais lamentável em Cuba – por exemplo, diretores de prisões que guardam presos políticos – e, possivelmente, com melhores salários.

Outros ataques apontam o fato de, embora Yoani ter passado os últimos tempos reclamando que não podia sair de Cuba, ela na verdade já ter conseguido sair, anos atrás, mas mesmo assim resolveu voltar. Esse é o argumento “Cuba: ame-a ou deixe-a”. Porque ninguém deve ter o direito de ficar num país se for para fazer oposição cerrada ao governo, ou tem? Yoani é cubana e com orgulho. Conhece como poucos a cultura do país. Não passa pela cabeça dos críticos que, ao manter campanha permanente contra a gerontocracia, ela honestamente queira o melhor para o país, porque os críticos associaram a gerontocracia ao melhor de Cuba.

O fato de Yoani ter saído e regressado a Cuba prova, na cabeça dessa esquerda com que estamos preocupados, que o regime cubano não pode ser tão ditatorial quanto dizem. Mas, sim, ele é. Não ter permitido a volta da blogueira lá atrás teria sido uma amostra de autoritarismo, da mesma forma que foi uma amostra de autoritarismo ter permitido a entrada mas não futuras saídas. E agora que Yoani pôde sair? Isso indica um relaxamento nesse ponto específico, relaxamento que se deve em grande parte a uma pressão internacional e nada a quem nunca achou que havia algo para relaxar, pra começo de conversa. Que ninguém se engane, porém: ainda há um longo caminho até a democratização.

Um intelectual bastante referenciado pelos ativistas brasileiros “pró-Cuba” é o sociólogo francês Salim Lamrani. Nunca ouviu falar? Não se preocupe, eu apresento. Lamrani é um professor universitário cuja especialidade é Cuba, e as relações desta com os Estados Unidos. Na opinião do professor Lamrani – que já subscreveu seu nome em vários manifestos por um mundo melhor –, virtualmente não há problemas em Cuba e, quando os há, é unicamente por culpa do bloqueio econômico estadunidense. No texto mais recente do destemido ensaísta traduzido no Brasil, publicado no Opera Mundi, ele jura que existe plena liberdade para debates na ilha e que Raúl Castro é “o verdadeiro dissidente” do pedaço. Pois é. Percepções em contrário existem apenas por culpa do “Ocidente” – essa entidade que, quando não está fazendo mal ao mundo, está interpretando mal o bem que se faz no mundo.

Salim Lamrani é a única autoridade que Altamiro Borges evocou para passar adiante bobagens contra Yoani Sánchez. Intelectualmente, Altamiro não existe. Se o cito aqui é porque ele personifica a chamada blogosfera progressista brasileira, e tem muitos milhares de leitores e seguidores. Ele também é “secretário nacional de Questão da Mídia” do Partido Comunista do Brasil, agremiação da base de apoio do governo federal, o que mostra como a defesa da “democratização da mídia” está muitas vezes nas mãos de apologistas de ditaduras. O PCdoB, por sua vez, é um exemplo acabado de falência moral na esquerda. Tendo nascido entusiasta de Mao Zedong e lutado para emplacar um maoísmo adaptado às condições brasileiras, as bases do partido se mostram há algum tempo menos empolgadas com a China – país que chegou naquele estágio do socialismo em que falar mal do capitalismo dá cadeia – e mais afeitas a experiências mais próximas como Cuba e socialismos do século 21.

Uma linha que vai correr solta quando Yoani estiver pelo Brasil será a de que ela veio apenas ou principalmente para participar do Fórum da Liberdade, “de direita”. Primeiro: não, não veio. Segundo: bem, meus amigos, eu aposto que a moça adoraria receber um convite para debater Cuba, digamos, na sede da União Nacional dos Estudantes. Mas, se este e outros locais estão com as portas fechadas – ocorrendo também de, no caso da UNE, serem na verdade propagandistas do regime caribenho –, o que a jornalista deveria fazer? Falar apenas em praça pública? Esperar até que a esquerda se revolte contra a ditadura de esquerda e aí então lhe convide para um chá? No início do ano passado, Yoani teria gostado de vir ao Brasil para o lançamento do documentário Conexão Cuba-Honduras. Na ocasião, o senador Eduardo Suplicy soltou uma carta aberta ao embaixador de Cuba no Brasil, Carlos Zamora Rodríguez, intercedendo em prol da dissidente. Em vão.

Por outro lado, o que o senhor Rodríguez fez, agora, foi transformar a embaixada cubana em Brasília num centro para propagação de calúnias contra Yoani Sánchez. De acordo com o apurado pela Veja, gente do PT, do PCdoB e da CUT esteve reunida com representantes da ditadura, entre os quais um “conselheiro político” (Rafael Hidalgo) e o próprio embaixador. Na ocasião, foi apresentado um “dossiê” recheado de informações supostamente constrangedoras sobre Yoani, para serem espalhadas durante sua passagem pelo Brasil.

Independente do escalão, a presença de gente do PCdoB numa reunião dessas jamais me surpreenderia. Da CUT, deve ter sido gente pequena, nos dois sentidos. Do PT, idem. Exceto pela presença de Augusto Poppi Martins, nada menos que assessor do influente ministro Gilberto Carvalho. Isso é preocupante e justificaria a presença de Carvalho para prestar esclarecimentos no Congresso. Poppi Martins recebe salário para ser “coordenador geral de Novas Mídias” da Secretaria-Geral da presidência.


Amálgama

Destaques do ABC!

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Protestos contra Yoani terminam no McDonald's


RIR PRA NÃO CHORAR



                                                        Do Facebook de Yoani Sánchez

Protesto Revolucionário contra Yoani Sánchez termina no McDonald's

EMMANUEL GOLDSTEIN 

Para comemorar mais um dia cansativo de protestos democráticos contra a blogueira Yoani Sánchez, grupos de manifestantes progressistas ligados a UJS (União da Juventude Socialista), ao PC do B e ao PT, fizeram uma pausa na Revolução para comer os lanches deliciosos preparados por uma empresa capitalista em um shopping no Conjunto Nacional, na região central de São Paulo.

Inicialmente houve uma votação para escolher a rede de "fast food" que mataria a fome revolucionária. Entre as diversas opções (Bob's, Subway, McDonald's, Burger King, etc.), o McDonald's venceu com ampla vantagem. Somente um manifestante discordou da decisão e afirmou categoricamente que "a metade dos votos foi comprada". "Não existem provas concretas de que os votos foram comprados", disse o líder do PT.


Para resolver o imbróglio, criou-se um Tribunal Revolucionário. Após um julgamento justo e sumário, com direito à ampla acusação e nenhuma defesa, o agente provocador foi democraticamente expulso. "Sempre desconfiei que ele fosse um direitista agente da CIA", declarou o Promotor Revolucionário de Acusação (nomeado pelo líder do PT).

A maioria optou pelo McLanche Feliz. "O MST sempre come aqui no McDonald's. No meu McLanche Feliz veio o Toonix Punk. Batizei ele de Vladimir Lênin!", disse um militonto da UJS.

Enquanto lanchavam e conversavam, surgiu uma discussão séria sobre a abolição da propriedade privada e a estatização dos meios de produção do McDonald's. "... pelo bem e pela felicidade de nosso povo e dos trabalhadores de todo o mundo!", berrou um militante do PC do B.


"A vitória alcançada na Revolução Cubana repercute ainda de maneira profunda nos corações revolucionários da classe operária. O McDonald's deve ser convertido em patrimônio dos povos, a serviço da humanidade! McStalin para todos!", declarou um militante do PT.

Terminado os comes e bebes, os revolucionários socialistas tupiniquins foram fumar maconha no vão livre do MASP. "A maconha aumenta as capacidades cognitivas e a inteligência", declarou o líder da UJS.







Comentários

Luis 23-02-2013 13:08
Estava no banheiro e perguntei para um dos revolucionários que ali estava com a bandeira de Cuba e um pano na mão: - O que acontece companheiro?. ele respondeu: "esses... FDP, pisaram no meu Nike novinho".

Bia 22-02-2013 15:59
Bom saber q n sou a [unica que acredita nesses meteoros fake. ah...ujs [e ujs. Esperavam o que?!

Alexandre Oliveira 22-02-2013 14:00
"Terminado os comes e bebes, os revolucionários socialistas tupiniquins foram fumar maconha no vão livre do MASP."
Como não poderia deixar de ser... Sensacional!

Vanguarda Popular

Destaques do ABC!

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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Yoani Sánchez: "Eu sou uma alma livre!"


LIBERDADE DE EXPRESSÃO


Nós aqui não endossamos as críticas da blogueira Yoani Sánchez ao regime cubano e à vida em Cuba, e nem poderíamos, já que não conhecemos a Ilha.

Rechaçamos, sim, governos ditatoriais, violações de direitos humanos e atentados à liberdade de expressão, como os que aconteceram em Recife, Feira de Santana e São Paulo, esta semana, tentando colocar uma mordaça na ativista cubana.

Linchamento moral, bullying, difamação, constrangimento ilegal... os ilícitos foram vários.

Felizmente a cubana tirou de letra a selvageria e encarou os baderneiros: "Eu sou uma alma livre!" disse, olhando fixamente aos que a insultavam, e acrescentou: "Não me assustam os repressores!"

A mundialmente famosa blogueira cubana acabou convidada a ir a Brasília e falou no Congresso Nacional. Vários veículos da grande imprensa abriram espaços para que a voz da dissidente cubana ecoasse suas críticas e autodefesa. Amanhã ela será a entrevistada no Canal Livre, da TV Bandeirantes, e na segunda no Roda Viva, da TV Cultura.

Que a esquerda burra, truculenta, fascista e jurássica, que promoveu esse festival de violência e falta de civilidade, aprenda a lição!

Viva Cuba, Viva o Povo Cubano, Viva a Liberdade de Expressão !!!

                                                                        Facebook/Twitter Yoani Sánchez

Entrevista

Yoani: "Tentam me calar porque divulgo a Cuba real"

A blogueira cubana Yoani Sánchez descreve um sistema de saúde à beira do colapso e uma economia na qual, para sobreviver, é preciso roubar do estado


Branca Nunes e Duda Teixeira


“Solidariedade, pluralidade e, principalmente, o desejo de voltar”. Apesar das manifestações hostis de um grupo de simpatizantes da ditadura dos irmãos Castro que enfrentou na passagem pelo Brasil, a frase resume a lembrança que Yoani Sánchez levará do país. O recado aos baderneiros ligados a partidos de esquerda é igualmente conciso: ela sugere que morem em Cuba para conhecer a “realidade de um mercado racionado, dualidade monetária, falta de liberdade e impossibilidade de se manifestar na rua”.

Com os intermináveis cabelos castanhos presos num rabo de cavalo, saboreando uma pastilha para aliviar a rouquidão e com a expressão serena de quem efetivamente acredita no que diz, a jornalista cubana relatou nesta sexta-feira à reportagem de VEJA um pouco do cotidiano dos moradores da ilha no Caribe. Leia trechos da entrevista.

Como a senhora viu as manifestações hostis dos últimos dias?

Por um lado me sinto feliz por estar num país onde existe liberdade democrática e pluralidade. O problema é quando essas manifestações impedem e boicotam algo tão pacífico quanto a apresentação de um documentário ou uma sessão de autógrafos. Acho contraditório usar um espaço democrático para impedir que alguém se expresse livremente.

A senhora ficou amedrontada? 


Não, porque conheço esses métodos do meu país: a coação e a difamação. Infelizmente, nos últimos anos vivi situações semelhantes em Havana e outras cidades.

Eles conhecem a realidade cubana? 


Lamentavelmente, a maioria não conhece meu país, minha história ou meus textos. Eles acreditam numa Cuba estereotipada, uma ilha de esperança, com liberdade para todos. Cuba não vive um comunismo, mas um capitalismo de estado. Recomendaria que cada um deles morasse um tempo em Cuba para viver na pele a realidade de um mercado racionado, dualidade monetária, falta de liberdade, impossibilidade de se manifestar na rua. Depois desse tempo, duvido que continuem a defender o governo cubano. Tentam me calar porque divulgo uma Cuba menos parecida com o discurso político e mais parecida com a rua. Uma Cuba real.

Que Cuba é essa? 


Uma Cuba linda, mas difícil. É importante diferenciar Cuba de um partido, de uma ideologia, de um homem. Ela é muito mais do que isso. É um país onde as pessoas precisam esconder suas opiniões com medo de represálias, onde muitos jovens querem emigrar por falta de expectativa, onde o estado tenta controlar todos os detalhes da vida. Onde colocar um prato de comida em cima da mesa significa submergir-se diariamente à ilegalidade para conseguir dinheiro.

Muitas pessoas de vários países costumam elogiar o sistema de saúde e o sistema educacional de Cuba. Esses elogios são pertinentes? 


Nos anos 70 e 80, Cuba viveu o florescimento de toda a estrutura de saúde e educação. Foram construídas escolas e postos de saúde em toda parte graças aos subsídios soviéticos. Quando a União Soviética caiu, Cuba teve que voltar à realidade econômica. Os professores imigraram por causa dos baixos salários, a qualidade diminuiu e a doutrina aumentou. Exatamente como na área da saúde. Hoje, quando um cubano vai a um hospital, leva um presente para o médico. É um acordo informal para que o atendam bem e rápido. Levam também desinfetante, agulha, algodão, linha para as suturas. O governo usa a existência de um sistema gratuito de saúde e educação para emudecer os críticos, silenciar a população. Não passo todos os dias doente ou aprendendo, quero ler outros jornais, viajar livremente, eleger meu presidente, poder me manifestar, protestar.

Como funciona o sistema de aposentadoria em Cuba? 


Esse é um dos setores mais pobres. Um aposentado ganha cerca de 15 dólares conversíveis por mês. Como a maioria dos cubanos não vive do salário, mas do que pode roubar do estado dentro do local de trabalho, quando se aposenta ele perde essa fonte de renda. Em Havana é possível ver muitos velhos vendendo cigarros nas ruas. 

Que tipo de racionamento existe em Cuba e como ele funciona? 


Cada cubano tem direito a uma cota mensal de alimento com preços subvencionados pelo estado. Estudos dizem que é possível se alimentar razoavelmente bem por duas semanas com essa cota. Nela existe arroz, açúcar – que por sinal é brasileiro –, um pouco de café, azeite e, às vezes, frango. Para sobreviver a outra metade do mês os cubanos precisam ter os pesos conversíveis. O salário médio na ilha é de 20 dólares. Um litro de leite custa 1,80 dólares. Por isso, as pessoas apelam para a ilegalidade: roubam do estado e vendem no mercado negro, prostituem-se, exercem atividades ilegais, como dirigir táxis ou vender produtos para os turistas. Graças a isso e às remessas enviadas pelos cubanos exilados é possível sobreviver. Uma revolução que rechaçou esses exilados agora depende deles.

A senhora disse que os gritos de ordem dos manifestantes brasileiros já não se escutam mais em Cuba. Qual lhe surpreendeu mais?


“Cuba sim, ianques não”, por exemplo. É uma expressão fora de moda. Em Cuba não usamos mais a palavra ianque para os americanos. Ela é usada apenas nos slogans políticos. Falamos yuma, que não é pejorativo. Ao contrário, mostra um certo encanto em relação a eles. A propaganda oficial, de ataques aos Estados Unidos e ao imperialismo, criou um sentimento contrário ao esperado. A maioria dos jovens hoje é fascinada pelos americanos. Até acho ruim esse enaltecimento por outro país, mas é uma realidade.

O que os cubanos nascidos depois da revolução acham de figuras como Fidel Castro e Fulgêncio Batista? 


Nasci em 1975, quando tudo já estava burocraticamente organizado. Na escola, apresentavam Fidel como o pai da pátria. Era ele quem decidia quantas casas seriam construídas, o que iríamos vestir. Na juventude, Fidel passou a ser uma figura distante. Diferente dos nossos pais, que viveram uma fascinação pela figura de Fidel, minha geração é mais crítica. O Fulgêncio Batista era o ditador anterior. A revolução tirou um ditador do poder e se converteu em uma ditadura.

As gerações mais antigas continuam fiéis à revolução? 


Existem os que creem realmente na revolução, sem máscaras nem oportunismo, um pequeno grupo. Os que já não creem, mas não querem aceitar que se equivocaram, porque entregaram a ela seus melhores anos, e aqueles que deixaram de acreditar no sistema e se transformaram em pessoas críticas.

Em 2007, o governo brasileiro deportou os boxeadores cubanos Guilhermo Rigondeaux e Erislandy Lara, que tentavam o exílio na Alemanha. Qual sua opinião sobre isso? 


O governo brasileiro teve um triste papel neste caso, de cumplicidade. Quando os atletas retornaram, o governo cubano fez um linchamento público na imprensa oficial, com vários insultos. Fidel Castro falou na televisão que um deles foi visto com uma prostituta na praia. Os filhos e a mulher desse homem foram expostos a isso. Foi um episódio bastante lamentável.

Por que a ditadura cubana ainda tolera suas críticas? 


Penso que a visibilidade que alcancei me protege. Sou vigiada constantemente, meu telefone é grampeado e existe uma série de mecanismos e estratégias para matar a minha imagem. Se não podem matar a pessoa, matam sua imagem.

A senhora é frequentemente acusada de receber dinheiro de governos contrários a Cuba para manter seu blog. Qual a origem desses rumores? 


Faz parte da estratégia de difamação: não discutir as ideias, mas a pessoa. Para ter um blog é preciso muito pouco dinheiro. O meu está num software livre, o wordpress, e fica hospedado num servidor da Alemanha que custa 36 euros por ano. Em 2006, um amigo alemão pagou vários anos a esse servidor. Quanto à conexão, aprendi alguns truques. Por exemplo, vou a um hotel e compro um cartão de conexão que custa 6 dólares a hora. Como preparo quatro ou cinco textos em casa, programo para que sejam publicados em dias diferentes. Com esse método, consigo me conectar mais de cinco vezes com um único cartão. No twitter, publico via mensagem de texto.

Que lembranças levará do Brasil? 


Muita solidariedade, pluralidade e, principalmente, o desejo de voltar. O pão de queijo também me encantou. Vou levar uma mala cheia deles para Cuba.

Veja Online

Destaques do ABC!



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Yoani Sánchez, a inveja e a intolerância humana


LIBERDADE DE EXPRESSÃO


Não são "só" os dinossáuricos esquerdinhas, com sua descabida, ridícula e colossal truculência, que se encontram incomodados com a visita da blogueira cubana ao Brasil. 

Famosos jornalistas estão visivelmente perturbados com o espaço que a ativista cubana conseguiu, até falando no Congresso Nacional!

A blogosfera autodenominada "progressista", então, parece em "estado de choque". Os tais "blogueiros sujos" estão quase todos mudos, talvez torcendo para que a visita da cidadã cubana termine logo. Alguns deles também fomentam, discretamente, o ódio à blogueira cubana, difundindo inverdades e suspeitas de modo leviano e covarde.

Inveja pelo estrondoso sucesso da cidadã cubana no mundo todo? Ressentimento pelos milhões de acessos ao seu blog e prêmios internacionais que recebeu?

A todos os que a criticam, ridicularizam e menosprezam, aos que reproduzem acusações irresponsáveis, aos que não permitem que ela expresse suas ideias: CONHEÇAM o Generación Y, o blog da ativista cubana Yoani Sánchez; LEIAM  o que ela escreve.

Yoani é uma escritora talentosíssima, com um domínio magistral da escrita. É fascinante ler o texto simples e ao mesmo tempo artesanalmente trabalhado que ela produz.

Gostem ou não, ela é uma grande escritora, blogueira, jornalista e ativista, que apesar das limitações materiais e cerceamento à liberdade de expressão que sofre em seu país, criou um baita blog, mundialmente acessado e lido.

Yoani com o "sombrero nordestino" (chapéu-de-couro) 
que ganhou de presente. Twitter


YOANI SÁNCHEZ NO BRASIL
A visita que virou um circo

Ligia Martins de Almeida

Nos últimos dias os jornais têm falado muito de uma cubana em visita ao Brasil. Conhecida blogueira, Yoani Sánchez despertou a ira de extremistas no Nordeste, onde elogiou a liberdade de manifestação e comentou que estava acostumada com agressões. Acabou – suprema ironia – andando com escolta no país que se orgulha de uma recém-conquistada democracia. Por sorte, alguns políticos de Brasília saíram em defesa dela, dizendo que não é da nossa tradição maltratar os visitantes.

Delicada, educada e simpática, a cubana de 37 anos merecia um tratamento melhor dos extremistas de esquerda e, da imprensa, um qualificativo mais adequado do que “blogueira”. Merecia, no mínimo, ser chamada de jornalista ou escritora, já que seu texto – o blog Generación Y merece ser lido – é da melhor qualidade. Ela própria recomendou aos seus opositores que lessem o que escreve para descobrirem que ela não é financiada pelos Estados Unidos e muito menos uma traidora de Cuba. [!!!]

Yoani se negou a falar do Brasil porque não quer repetir o erro das pessoas que ficam uma semana em Cuba e tentam explicar o país a ela, conforme afirmou ao Estado de S. Paulo (19/2/). Em suas crônicas diárias, escreve sobre os problemas da educação, da saúde, da pobreza, mas também fala de cachorros, de teatro e de mulheres, dando, aos leitores de fora de Cuba, um retrato realista de sua terra.

Entre especulações sobre conspirações governamentais cercando a visitante, proteção policial e manifestações, a autora do Generación Y continua conhecendo o Brasil que a fascinou na chegada pela rapidez da internet. E a imprensa segue acompanhando seus passos.

Melhores momentos

O primeiro dia, segundo a Folha de S. Paulo (19/2):

“Recebida sob protestos em Recife, Salvador e Feira de Santana nesta segunda-feira (18), Sánchez afirmou que em Cuba as manifestações contrárias ao governo são repelidas com truculência pelas autoridades. ‘Contra o governo, os protestos não duram um minuto. Quem é contra é agredido e torturado’, contou a blogueira. Sánchez também negou que recebe financiamento de grupos ligados a grandes meios de comunicação e falou sobre o que chama de ‘Reforma Raulista’. ‘Eu creio que a direção esteja correta, com melhoras econômicas. O problema é a velocidade e a profundidade que não são suficientes para o que necessita a nação e a velocidade é desesperadora’, afirmou. Perguntada se era de esquerda ou direita, ela respondeu: ‘Eu sou por Cuba, não creio mais em definições de direita ou esquerda, pois sou pelo século 21, um governo não pode dizer que é de esquerda com ações retrógradas. Sou pró-Cuba’, completou.”

O segundo dia, pelo jornal Estado de S. Paulo (20/2):

“A chegada de Yoani ao Congresso foi marcada por tumulto. Na Câmara dos Deputados, alguns parlamentares a aplaudiram e outros protestaram contra a interrupção da votação de uma medida provisória que estava ocorrendo no momento. Houve bate-boca entre os parlamentares. Ela chegou a subir no palanque, mas não falou aos presentes. Logo em seguida, a comitiva da blogueira deixou o plenário e seguiu para a sala dos trabalhos da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional.”

A pergunta que Yoani deve estar se fazendo, a essa altura, é se os manifestantes não têm nada melhor a fazer do que defender um regime político que não conhecem. Quando gritaram com ela na Bahia, respondeu com um sorriso. Sorriso que repetiu em Brasília. onde, certamente, ninguém teve tempo de contar que do lado de fora do Congresso Nacional havia gente protestando contra o presidente do Senado – e que em algumas fotos tiradas lá dentro estão parlamentares condenados por corrupção e outros sob investigação. De sua visita ao Brasil, Yoani declarou que vai levar a lembrança do pluralismo político. E disse que os cubanos e brasileiros são iguais – a não ser pela liberdade, que os cubanos não têm.

Tem razão a jornalista cubana ao dizer que no Brasil temos liberdade. Pena que aqueles jovens que protestavam contra ela conheçam pouco da história recente do país, quando a censura e o medo eram parte da nossa realidade. E por isso não dão valor ao direito de dizer o que pensam. Nem mostram respeito por uma pessoa que luta pelo direito de poder dizer o que sente. A mídia, felizmente, está fazendo a sua parte, mostrando o circo em que se transformou a viagem de Yoani Sánchez ao Brasil.

Tomara que a imprensa ainda possa registrar bons momentos de Yoani no país, com direito a conversas tranquilas, passeios descontraídos e a civilidade que a jornalista certamente sonhava encontrar por aqui.


Ligia Martins de Almeida é jornalista.


Destaques do ABC!

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Esquerda burra volta a atacar Yoani Sánchez


LIBERDADE DE EXPRESSÃO


Desta vez foi em São Paulo, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, ontem à noite, quando estava acontecendo uma conversa da blogueira cubana Yoani Sánchez com blogueiros, e em seguida haveria uma sessão de autógrafos do seu livro De Cuba, com carinho.

Há flagrante violação do direito fundamental à livre expressão do pensamento e uma certa incompetência por parte dos organizadores destes eventos, que já deveriam ter requerido reforço policial para a proteção da blogueira e interessados em ouvi-la.

Essa esquerda totalitária e brontossáurica é adepta do pensamento único. São fascistas, violando as leis do País e confrontando as autoridades e o Estado de Direito. 

Esta blogueira que vos escreve e este brioso blog, amigos de Cuba e do Povo Cubano, defendem a liberdade de expressão e o direito de Yoani Sánchez transitar livremente pelo País, compartilhando suas ideias publicamente, sem riscos de sofrer violência moral, psicológica ou física. Yoani não é criminosa. É uma blogueira ativista que viaja ao Brasil legalmente e tem todo o direito de discordar do regime cubano.


Este "festival de intolerância e truculência" precisa acabar.


                          Yoani Sánchez em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo
                          transmitida pela internet, ontem de manhã. Print-screen.


"São Paulo das Alturas"

                                                        Yoani Sánchez (Twitter)



O Twitter de Yoani 




Manifestação cancela noite de autógrafos de Yoani em São Paulo

Blogueira cubana tentou responder perguntas por 30 minutos, mas sua fala foi interrompida diversas vezes

Marcelle Ribeiro (Facebook/Twitter)


Manifestantes interrompem noite de autógrafos de blogueira cubana 

em São Paulo   Paulo Whitaker/Reuters

SÃO PAULO - A noite de autógrafos que a blogueira cubana Yoani Sánchez faria no auditório da Livraria Cultura no Conjunto Nacional, na região central de São Paulo, foi cancelada devido ao tumulto causado por manifestantes contrários a ela. A blogueira cubana tentou responder perguntas de um público de cerca de 300 pessoas no local por 30 minutos, mas sua fala foi interrompida diversas vezes por dezenas de pessoas que gritavam frases como “Sai fora blogueira imperialista, a América Latina vai ser toda comunista”, “Mercenária” e “Funcionária da CIA”.

A confusão começou antes mesmo do início do evento, nos corredores do prédio. Dezenas de manifestantes contrários à blogueira discutiram com pessoas que foram defendê-la com cartazes. Com cartazes com os dizeres “Viva Raul Castro” e “Cuba, 0% analfabetos’, os que foram protestar contra a blogueira pareciam estar em maior número e faziam mais barulho. Entre eles havia muitos jovens e alguns carregavam uma bandeira do PCB. Na internet, o Facebook do Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba convocou para o protesto.

Em menor número, o grupo favorável a Yoani gritava “Fora Fidel” e chamava o líder cubano de carniceiro em cartazes. O policiamento foi reforçado no local.

Durante a palestra, a blogueira foi questionada pela organização sobre o que achava do protesto.

- Adoraria que quando Raúl Castro estivesse dando um discurso os cubanos pudessem se manifestar assim - disse. - As pessoas gritam quando não têm argumentos - complementou.

A dissidente disse que mesmo que acabe o bloqueio americano a Cuba isso não mudaria muita coisa no país. Para ela, os cubanos não vão às ruas protestar porque têm medo da violência da polícia e do sistema.

- Mudaria muito pouco. É difícil falar do futuro. Cuba é um país que tem poucos recursos para comprar fora. Não se muda o governo porque há o medo paralisante, de que um vizinho te delate. As pessoas pensam “não quero que aconteça comigo o mesmo que aconteceu com a Yoani”.

Ela criticou ainda a reforma migratória do governo cubano, dizendo que ela é insuficiente.

- Se você ler o decreto lei da reforma migratória verá que a entrada e a saída do país não é um direito e sim uma autorização que se dá.

A organização do evento pediu para que os interessados no autógrafo da cubana deixassem seus exemplares no local, para que ela assinasse posteriormente.


O Globo Online

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