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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Yoani Sánchez: "Eu sou uma alma livre!"


LIBERDADE DE EXPRESSÃO


Nós aqui não endossamos as críticas da blogueira Yoani Sánchez ao regime cubano e à vida em Cuba, e nem poderíamos, já que não conhecemos a Ilha.

Rechaçamos, sim, governos ditatoriais, violações de direitos humanos e atentados à liberdade de expressão, como os que aconteceram em Recife, Feira de Santana e São Paulo, esta semana, tentando colocar uma mordaça na ativista cubana.

Linchamento moral, bullying, difamação, constrangimento ilegal... os ilícitos foram vários.

Felizmente a cubana tirou de letra a selvageria e encarou os baderneiros: "Eu sou uma alma livre!" disse, olhando fixamente aos que a insultavam, e acrescentou: "Não me assustam os repressores!"

A mundialmente famosa blogueira cubana acabou convidada a ir a Brasília e falou no Congresso Nacional. Vários veículos da grande imprensa abriram espaços para que a voz da dissidente cubana ecoasse suas críticas e autodefesa. Amanhã ela será a entrevistada no Canal Livre, da TV Bandeirantes, e na segunda no Roda Viva, da TV Cultura.

Que a esquerda burra, truculenta, fascista e jurássica, que promoveu esse festival de violência e falta de civilidade, aprenda a lição!

Viva Cuba, Viva o Povo Cubano, Viva a Liberdade de Expressão !!!

                                                                        Facebook/Twitter Yoani Sánchez

Entrevista

Yoani: "Tentam me calar porque divulgo a Cuba real"

A blogueira cubana Yoani Sánchez descreve um sistema de saúde à beira do colapso e uma economia na qual, para sobreviver, é preciso roubar do estado


Branca Nunes e Duda Teixeira


“Solidariedade, pluralidade e, principalmente, o desejo de voltar”. Apesar das manifestações hostis de um grupo de simpatizantes da ditadura dos irmãos Castro que enfrentou na passagem pelo Brasil, a frase resume a lembrança que Yoani Sánchez levará do país. O recado aos baderneiros ligados a partidos de esquerda é igualmente conciso: ela sugere que morem em Cuba para conhecer a “realidade de um mercado racionado, dualidade monetária, falta de liberdade e impossibilidade de se manifestar na rua”.

Com os intermináveis cabelos castanhos presos num rabo de cavalo, saboreando uma pastilha para aliviar a rouquidão e com a expressão serena de quem efetivamente acredita no que diz, a jornalista cubana relatou nesta sexta-feira à reportagem de VEJA um pouco do cotidiano dos moradores da ilha no Caribe. Leia trechos da entrevista.

Como a senhora viu as manifestações hostis dos últimos dias?

Por um lado me sinto feliz por estar num país onde existe liberdade democrática e pluralidade. O problema é quando essas manifestações impedem e boicotam algo tão pacífico quanto a apresentação de um documentário ou uma sessão de autógrafos. Acho contraditório usar um espaço democrático para impedir que alguém se expresse livremente.

A senhora ficou amedrontada? 


Não, porque conheço esses métodos do meu país: a coação e a difamação. Infelizmente, nos últimos anos vivi situações semelhantes em Havana e outras cidades.

Eles conhecem a realidade cubana? 


Lamentavelmente, a maioria não conhece meu país, minha história ou meus textos. Eles acreditam numa Cuba estereotipada, uma ilha de esperança, com liberdade para todos. Cuba não vive um comunismo, mas um capitalismo de estado. Recomendaria que cada um deles morasse um tempo em Cuba para viver na pele a realidade de um mercado racionado, dualidade monetária, falta de liberdade, impossibilidade de se manifestar na rua. Depois desse tempo, duvido que continuem a defender o governo cubano. Tentam me calar porque divulgo uma Cuba menos parecida com o discurso político e mais parecida com a rua. Uma Cuba real.

Que Cuba é essa? 


Uma Cuba linda, mas difícil. É importante diferenciar Cuba de um partido, de uma ideologia, de um homem. Ela é muito mais do que isso. É um país onde as pessoas precisam esconder suas opiniões com medo de represálias, onde muitos jovens querem emigrar por falta de expectativa, onde o estado tenta controlar todos os detalhes da vida. Onde colocar um prato de comida em cima da mesa significa submergir-se diariamente à ilegalidade para conseguir dinheiro.

Muitas pessoas de vários países costumam elogiar o sistema de saúde e o sistema educacional de Cuba. Esses elogios são pertinentes? 


Nos anos 70 e 80, Cuba viveu o florescimento de toda a estrutura de saúde e educação. Foram construídas escolas e postos de saúde em toda parte graças aos subsídios soviéticos. Quando a União Soviética caiu, Cuba teve que voltar à realidade econômica. Os professores imigraram por causa dos baixos salários, a qualidade diminuiu e a doutrina aumentou. Exatamente como na área da saúde. Hoje, quando um cubano vai a um hospital, leva um presente para o médico. É um acordo informal para que o atendam bem e rápido. Levam também desinfetante, agulha, algodão, linha para as suturas. O governo usa a existência de um sistema gratuito de saúde e educação para emudecer os críticos, silenciar a população. Não passo todos os dias doente ou aprendendo, quero ler outros jornais, viajar livremente, eleger meu presidente, poder me manifestar, protestar.

Como funciona o sistema de aposentadoria em Cuba? 


Esse é um dos setores mais pobres. Um aposentado ganha cerca de 15 dólares conversíveis por mês. Como a maioria dos cubanos não vive do salário, mas do que pode roubar do estado dentro do local de trabalho, quando se aposenta ele perde essa fonte de renda. Em Havana é possível ver muitos velhos vendendo cigarros nas ruas. 

Que tipo de racionamento existe em Cuba e como ele funciona? 


Cada cubano tem direito a uma cota mensal de alimento com preços subvencionados pelo estado. Estudos dizem que é possível se alimentar razoavelmente bem por duas semanas com essa cota. Nela existe arroz, açúcar – que por sinal é brasileiro –, um pouco de café, azeite e, às vezes, frango. Para sobreviver a outra metade do mês os cubanos precisam ter os pesos conversíveis. O salário médio na ilha é de 20 dólares. Um litro de leite custa 1,80 dólares. Por isso, as pessoas apelam para a ilegalidade: roubam do estado e vendem no mercado negro, prostituem-se, exercem atividades ilegais, como dirigir táxis ou vender produtos para os turistas. Graças a isso e às remessas enviadas pelos cubanos exilados é possível sobreviver. Uma revolução que rechaçou esses exilados agora depende deles.

A senhora disse que os gritos de ordem dos manifestantes brasileiros já não se escutam mais em Cuba. Qual lhe surpreendeu mais?


“Cuba sim, ianques não”, por exemplo. É uma expressão fora de moda. Em Cuba não usamos mais a palavra ianque para os americanos. Ela é usada apenas nos slogans políticos. Falamos yuma, que não é pejorativo. Ao contrário, mostra um certo encanto em relação a eles. A propaganda oficial, de ataques aos Estados Unidos e ao imperialismo, criou um sentimento contrário ao esperado. A maioria dos jovens hoje é fascinada pelos americanos. Até acho ruim esse enaltecimento por outro país, mas é uma realidade.

O que os cubanos nascidos depois da revolução acham de figuras como Fidel Castro e Fulgêncio Batista? 


Nasci em 1975, quando tudo já estava burocraticamente organizado. Na escola, apresentavam Fidel como o pai da pátria. Era ele quem decidia quantas casas seriam construídas, o que iríamos vestir. Na juventude, Fidel passou a ser uma figura distante. Diferente dos nossos pais, que viveram uma fascinação pela figura de Fidel, minha geração é mais crítica. O Fulgêncio Batista era o ditador anterior. A revolução tirou um ditador do poder e se converteu em uma ditadura.

As gerações mais antigas continuam fiéis à revolução? 


Existem os que creem realmente na revolução, sem máscaras nem oportunismo, um pequeno grupo. Os que já não creem, mas não querem aceitar que se equivocaram, porque entregaram a ela seus melhores anos, e aqueles que deixaram de acreditar no sistema e se transformaram em pessoas críticas.

Em 2007, o governo brasileiro deportou os boxeadores cubanos Guilhermo Rigondeaux e Erislandy Lara, que tentavam o exílio na Alemanha. Qual sua opinião sobre isso? 


O governo brasileiro teve um triste papel neste caso, de cumplicidade. Quando os atletas retornaram, o governo cubano fez um linchamento público na imprensa oficial, com vários insultos. Fidel Castro falou na televisão que um deles foi visto com uma prostituta na praia. Os filhos e a mulher desse homem foram expostos a isso. Foi um episódio bastante lamentável.

Por que a ditadura cubana ainda tolera suas críticas? 


Penso que a visibilidade que alcancei me protege. Sou vigiada constantemente, meu telefone é grampeado e existe uma série de mecanismos e estratégias para matar a minha imagem. Se não podem matar a pessoa, matam sua imagem.

A senhora é frequentemente acusada de receber dinheiro de governos contrários a Cuba para manter seu blog. Qual a origem desses rumores? 


Faz parte da estratégia de difamação: não discutir as ideias, mas a pessoa. Para ter um blog é preciso muito pouco dinheiro. O meu está num software livre, o wordpress, e fica hospedado num servidor da Alemanha que custa 36 euros por ano. Em 2006, um amigo alemão pagou vários anos a esse servidor. Quanto à conexão, aprendi alguns truques. Por exemplo, vou a um hotel e compro um cartão de conexão que custa 6 dólares a hora. Como preparo quatro ou cinco textos em casa, programo para que sejam publicados em dias diferentes. Com esse método, consigo me conectar mais de cinco vezes com um único cartão. No twitter, publico via mensagem de texto.

Que lembranças levará do Brasil? 


Muita solidariedade, pluralidade e, principalmente, o desejo de voltar. O pão de queijo também me encantou. Vou levar uma mala cheia deles para Cuba.

Veja Online

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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Yoani Sánchez, a inveja e a intolerância humana


LIBERDADE DE EXPRESSÃO


Não são "só" os dinossáuricos esquerdinhas, com sua descabida, ridícula e colossal truculência, que se encontram incomodados com a visita da blogueira cubana ao Brasil. 

Famosos jornalistas estão visivelmente perturbados com o espaço que a ativista cubana conseguiu, até falando no Congresso Nacional!

A blogosfera autodenominada "progressista", então, parece em "estado de choque". Os tais "blogueiros sujos" estão quase todos mudos, talvez torcendo para que a visita da cidadã cubana termine logo. Alguns deles também fomentam, discretamente, o ódio à blogueira cubana, difundindo inverdades e suspeitas de modo leviano e covarde.

Inveja pelo estrondoso sucesso da cidadã cubana no mundo todo? Ressentimento pelos milhões de acessos ao seu blog e prêmios internacionais que recebeu?

A todos os que a criticam, ridicularizam e menosprezam, aos que reproduzem acusações irresponsáveis, aos que não permitem que ela expresse suas ideias: CONHEÇAM o Generación Y, o blog da ativista cubana Yoani Sánchez; LEIAM  o que ela escreve.

Yoani é uma escritora talentosíssima, com um domínio magistral da escrita. É fascinante ler o texto simples e ao mesmo tempo artesanalmente trabalhado que ela produz.

Gostem ou não, ela é uma grande escritora, blogueira, jornalista e ativista, que apesar das limitações materiais e cerceamento à liberdade de expressão que sofre em seu país, criou um baita blog, mundialmente acessado e lido.

Yoani com o "sombrero nordestino" (chapéu-de-couro) 
que ganhou de presente. Twitter


YOANI SÁNCHEZ NO BRASIL
A visita que virou um circo

Ligia Martins de Almeida

Nos últimos dias os jornais têm falado muito de uma cubana em visita ao Brasil. Conhecida blogueira, Yoani Sánchez despertou a ira de extremistas no Nordeste, onde elogiou a liberdade de manifestação e comentou que estava acostumada com agressões. Acabou – suprema ironia – andando com escolta no país que se orgulha de uma recém-conquistada democracia. Por sorte, alguns políticos de Brasília saíram em defesa dela, dizendo que não é da nossa tradição maltratar os visitantes.

Delicada, educada e simpática, a cubana de 37 anos merecia um tratamento melhor dos extremistas de esquerda e, da imprensa, um qualificativo mais adequado do que “blogueira”. Merecia, no mínimo, ser chamada de jornalista ou escritora, já que seu texto – o blog Generación Y merece ser lido – é da melhor qualidade. Ela própria recomendou aos seus opositores que lessem o que escreve para descobrirem que ela não é financiada pelos Estados Unidos e muito menos uma traidora de Cuba. [!!!]

Yoani se negou a falar do Brasil porque não quer repetir o erro das pessoas que ficam uma semana em Cuba e tentam explicar o país a ela, conforme afirmou ao Estado de S. Paulo (19/2/). Em suas crônicas diárias, escreve sobre os problemas da educação, da saúde, da pobreza, mas também fala de cachorros, de teatro e de mulheres, dando, aos leitores de fora de Cuba, um retrato realista de sua terra.

Entre especulações sobre conspirações governamentais cercando a visitante, proteção policial e manifestações, a autora do Generación Y continua conhecendo o Brasil que a fascinou na chegada pela rapidez da internet. E a imprensa segue acompanhando seus passos.

Melhores momentos

O primeiro dia, segundo a Folha de S. Paulo (19/2):

“Recebida sob protestos em Recife, Salvador e Feira de Santana nesta segunda-feira (18), Sánchez afirmou que em Cuba as manifestações contrárias ao governo são repelidas com truculência pelas autoridades. ‘Contra o governo, os protestos não duram um minuto. Quem é contra é agredido e torturado’, contou a blogueira. Sánchez também negou que recebe financiamento de grupos ligados a grandes meios de comunicação e falou sobre o que chama de ‘Reforma Raulista’. ‘Eu creio que a direção esteja correta, com melhoras econômicas. O problema é a velocidade e a profundidade que não são suficientes para o que necessita a nação e a velocidade é desesperadora’, afirmou. Perguntada se era de esquerda ou direita, ela respondeu: ‘Eu sou por Cuba, não creio mais em definições de direita ou esquerda, pois sou pelo século 21, um governo não pode dizer que é de esquerda com ações retrógradas. Sou pró-Cuba’, completou.”

O segundo dia, pelo jornal Estado de S. Paulo (20/2):

“A chegada de Yoani ao Congresso foi marcada por tumulto. Na Câmara dos Deputados, alguns parlamentares a aplaudiram e outros protestaram contra a interrupção da votação de uma medida provisória que estava ocorrendo no momento. Houve bate-boca entre os parlamentares. Ela chegou a subir no palanque, mas não falou aos presentes. Logo em seguida, a comitiva da blogueira deixou o plenário e seguiu para a sala dos trabalhos da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional.”

A pergunta que Yoani deve estar se fazendo, a essa altura, é se os manifestantes não têm nada melhor a fazer do que defender um regime político que não conhecem. Quando gritaram com ela na Bahia, respondeu com um sorriso. Sorriso que repetiu em Brasília. onde, certamente, ninguém teve tempo de contar que do lado de fora do Congresso Nacional havia gente protestando contra o presidente do Senado – e que em algumas fotos tiradas lá dentro estão parlamentares condenados por corrupção e outros sob investigação. De sua visita ao Brasil, Yoani declarou que vai levar a lembrança do pluralismo político. E disse que os cubanos e brasileiros são iguais – a não ser pela liberdade, que os cubanos não têm.

Tem razão a jornalista cubana ao dizer que no Brasil temos liberdade. Pena que aqueles jovens que protestavam contra ela conheçam pouco da história recente do país, quando a censura e o medo eram parte da nossa realidade. E por isso não dão valor ao direito de dizer o que pensam. Nem mostram respeito por uma pessoa que luta pelo direito de poder dizer o que sente. A mídia, felizmente, está fazendo a sua parte, mostrando o circo em que se transformou a viagem de Yoani Sánchez ao Brasil.

Tomara que a imprensa ainda possa registrar bons momentos de Yoani no país, com direito a conversas tranquilas, passeios descontraídos e a civilidade que a jornalista certamente sonhava encontrar por aqui.


Ligia Martins de Almeida é jornalista.


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Esquerda burra volta a atacar Yoani Sánchez


LIBERDADE DE EXPRESSÃO


Desta vez foi em São Paulo, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, ontem à noite, quando estava acontecendo uma conversa da blogueira cubana Yoani Sánchez com blogueiros, e em seguida haveria uma sessão de autógrafos do seu livro De Cuba, com carinho.

Há flagrante violação do direito fundamental à livre expressão do pensamento e uma certa incompetência por parte dos organizadores destes eventos, que já deveriam ter requerido reforço policial para a proteção da blogueira e interessados em ouvi-la.

Essa esquerda totalitária e brontossáurica é adepta do pensamento único. São fascistas, violando as leis do País e confrontando as autoridades e o Estado de Direito. 

Esta blogueira que vos escreve e este brioso blog, amigos de Cuba e do Povo Cubano, defendem a liberdade de expressão e o direito de Yoani Sánchez transitar livremente pelo País, compartilhando suas ideias publicamente, sem riscos de sofrer violência moral, psicológica ou física. Yoani não é criminosa. É uma blogueira ativista que viaja ao Brasil legalmente e tem todo o direito de discordar do regime cubano.


Este "festival de intolerância e truculência" precisa acabar.


                          Yoani Sánchez em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo
                          transmitida pela internet, ontem de manhã. Print-screen.


"São Paulo das Alturas"

                                                        Yoani Sánchez (Twitter)



O Twitter de Yoani 




Manifestação cancela noite de autógrafos de Yoani em São Paulo

Blogueira cubana tentou responder perguntas por 30 minutos, mas sua fala foi interrompida diversas vezes

Marcelle Ribeiro (Facebook/Twitter)


Manifestantes interrompem noite de autógrafos de blogueira cubana 

em São Paulo   Paulo Whitaker/Reuters

SÃO PAULO - A noite de autógrafos que a blogueira cubana Yoani Sánchez faria no auditório da Livraria Cultura no Conjunto Nacional, na região central de São Paulo, foi cancelada devido ao tumulto causado por manifestantes contrários a ela. A blogueira cubana tentou responder perguntas de um público de cerca de 300 pessoas no local por 30 minutos, mas sua fala foi interrompida diversas vezes por dezenas de pessoas que gritavam frases como “Sai fora blogueira imperialista, a América Latina vai ser toda comunista”, “Mercenária” e “Funcionária da CIA”.

A confusão começou antes mesmo do início do evento, nos corredores do prédio. Dezenas de manifestantes contrários à blogueira discutiram com pessoas que foram defendê-la com cartazes. Com cartazes com os dizeres “Viva Raul Castro” e “Cuba, 0% analfabetos’, os que foram protestar contra a blogueira pareciam estar em maior número e faziam mais barulho. Entre eles havia muitos jovens e alguns carregavam uma bandeira do PCB. Na internet, o Facebook do Movimento Paulista de Solidariedade a Cuba convocou para o protesto.

Em menor número, o grupo favorável a Yoani gritava “Fora Fidel” e chamava o líder cubano de carniceiro em cartazes. O policiamento foi reforçado no local.

Durante a palestra, a blogueira foi questionada pela organização sobre o que achava do protesto.

- Adoraria que quando Raúl Castro estivesse dando um discurso os cubanos pudessem se manifestar assim - disse. - As pessoas gritam quando não têm argumentos - complementou.

A dissidente disse que mesmo que acabe o bloqueio americano a Cuba isso não mudaria muita coisa no país. Para ela, os cubanos não vão às ruas protestar porque têm medo da violência da polícia e do sistema.

- Mudaria muito pouco. É difícil falar do futuro. Cuba é um país que tem poucos recursos para comprar fora. Não se muda o governo porque há o medo paralisante, de que um vizinho te delate. As pessoas pensam “não quero que aconteça comigo o mesmo que aconteceu com a Yoani”.

Ela criticou ainda a reforma migratória do governo cubano, dizendo que ela é insuficiente.

- Se você ler o decreto lei da reforma migratória verá que a entrada e a saída do país não é um direito e sim uma autorização que se dá.

A organização do evento pediu para que os interessados no autógrafo da cubana deixassem seus exemplares no local, para que ela assinasse posteriormente.


O Globo Online

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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Yoani: uma "pequena cidadã" com uma grande responsabilidade


Yoani Sánchez na Câmara dos Deputados em Brasília








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Yoani dá "lição de tolerância democrática" à esquerda totalitária


Quem o diz é o grande e respeitado jornalista Zuenir Ventura.

Ao ser agredida, insultada, ofendida por um bando de brucutus adeptos da truculência e do linchamento moral, a blogueira cubana Yoani Sánchez vibrou e aplaudiu a "liberdade de expressão" existente no País.

E não se intimidou, declarando em alto e bom tom:

"Não me assustam os repressores!"

                                                                              Facebook de Yoani Sánchez


E Yoani enfim chegou

Zuenir Ventura, O Globo

Hoje ela é notícia de primeira página, mas há quatro anos, quando perguntei, num artigo, “Vocês conhecem Yoani?”, pouca gente aqui sabia que ela já era uma das 100 personalidades mais influentes do mundo, segundo a revista “Time”. Que seu blog “Geração Y” ganhara prêmio no exterior como um espaço em defesa da livre expressão. E que por isso, e porque tinha quatro milhões de acessos por mês, era perseguido pelo governo de Fidel Castro.

A ironia é que o nome era uma herança da influência soviética na Ilha. Segundo a blogueira, a URSS deixara muito pouco, além de carros caindo aos pedaços e de nomes como o dela, começados por ípslon: Yaslis, Yanisleidi, Yoandri, Yusimí, Yuniesky. Eram jovens nascidos em Cuba nos anos 70 e 80, marcados “pela emigração ilegal e frustração”. Foi com essa tribo “cética e descrente do regime” que ela passou a dialogar.

No começo, “Geração Y” era um exorcismo pessoal para expulsar os “demônios da apatia, da dor moral, do medo”. Só que esses demônios habitavam milhares de outros espíritos e, aos poucos, o espaço se transformou numa “praça pública virtual onde há de tudo, gritos, insultos, discussões”. Yoani usa o verso de uma banda de rock local para se definir: “Eu não gosto de política, mas ela gosta de mim”.

Já que em Cuba “até respirar é um ato político”, o seu blog acabou tendo essa função de desabafo, de versão não oficial do cotidiano e suas mazelas, tais como racionamento, baixo padrão de vida, controle de comportamento, corrupção, mercado negro. Acusada por uns de ser agente da CIA e por outros de, no fundo, favorecer o governo mostrando que em Cuba os dissidentes podem se manifestar, Yoani Sánchez pagou caro por sua insubordinação intelectual: foi difamada, perseguida, presa e proibida de viajar.

“Durante seis longos anos tentei 20 vezes sair do meu país de forma temporária e recebi sempre a mesma resposta: a senhora não está autorizada a viajar”, declarou, já no Brasil, onde iniciou uma viagem por vários países da Europa e da América.

Não foi um começo fácil. Além da denúncia de “Veja”, de que há uma “conspiração cubano-petista” para “desmascarar” a blogueira, ela foi alvo em Pernambuco e Bahia de um pequeno grupo de militantes de esquerda, que a recebeu com xingamentos de “traidora” e violência (chegaram a puxar-lhe os cabelos).

Em vez de reclamar dos furiosos protestos que a impediram até de falar, ela deu uma lição de tolerância democrática, preferindo ver no episódio, que em Cuba só é possível quando a favor do governo, uma manifestação de liberdade de expressão a ser comemorada e desejada: “Quero essa democracia no meu país.”

O Globo

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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Yoani denuncia a "satanização" de que é vítima


Graças à atuação desastrosa dos esquerdinhas baderneiros em Recife e Feira de Santana, cerceando a liberdade de expressão da blogueira cubana Yoani Sánchez com um festival de ofensas, grosserias e acusações, e impedindo que a ativista se manifestasse devidamente, Yoani acabou sendo convidada a ir a Brasília hoje à tarde, onde pôde falar na Câmara dos Deputados com relativa tranquilidade e esclarecer alguns pontos obscuros.

A cidadã cubana se declarou contra o embargo econômico promovido pelos Estados Unidos contra Cuba. E também criticou Guantánamo. E defendeu a libertação de 5 presos cubanos nos Estados Unidos.

Yoani comentou a "satanização" de que é vítima em Cuba. A nosso ver, essa "demonização" é promovida também em alguns setores autodenominados "progressistas" da blogosfera brasileira.

                                                                                              Facebook de Yoani


No Congresso, Yoani diz que é satanizada

Blogueira cubana afirmou que teve o "dia mais louco de sua vida" e criticou embargo econômico a Cuba

Jailton de Carvalho e Cristiane Jungblut



Yoani é recebida pelo deputado Otávio Leite (PSDB/RJ) em sua chegada a Brasília

para visita à Câmara dos Deputados, onde debateu liberdade de expressão. 
Foto: André Coelho

BRASÍLIA - Depois de enfrentar protestos em Salvador e no Recife, a blogueira cubana Yoani Sánchez afirmou que teve o “dia mais louco de sua vida” após uma sessão de desagravo no Congresso brasileiro, na tarde desta quarta-feira. Após uma chegada tumultuada, em que foi acompanhada por parlamentares e curiosos, Yoani discursou contra a censura política e disse que vem sendo satanizada desde que criou seu blog, o Generación Y. Ela criticou ainda a carestia, a escassez e a falta de liberdade para manifestação política em Cuba. Às 15h30m, a dissidente partiu para o aeroporto, rumo a São Paulo, e afirmou que está exultante com a recepção que teve no Congresso.

- Este é o dia mais louco da minha vida. Eu pensava uma coisa e aconteceu outra - disse a blogueira antes de deixar o local.

Yoani confirmou que tem uma agenda enorme no país, mas que não se sente cansada. Ela, que pretende voltar ao país em breve, afirmou que o “brasileiro tem adrenalina, vitamina”.

Após a sessão, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) reforçou a crítica aos que se manifestaram contra a blogueira. Segundo ele, a viagem dela ao Brasil representa uma oportunidade de reforçar o movimento contra o bloqueio econômico imposto a Cuba e pela liberação dos presos cubanos nos Estados Unidos.

- Eles (os críticos) estão gastando energia na direção errada - disse.

Durante a sessão, em resposta ao deputado Glauber Braga (PSB-RJ), Yoani se manifestou contra o bloqueio econômico dos Estados Unidos a seu país e contra a prisão na Baía de Guantánamo. A blogueira também defendeu a libertação de cinco presos cubanos nos EUA, que estariam sem direito a visitas.

- Cuba não é um partido, não é uma ideologia, não é um homem. Cuba é a diversidade, com muitas flores - disse Yoani.

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) voltou a cobrar explicações do governo brasileiro e do embaixador cubano sobre uma reunião em que teria sido entregue um dossiê sobre a blogueira, durante a qual teria sido preparado um esquema de investigação da blogueira em sua viagem pelo Brasil. Ele afirmou que está tentando agendar uma viagem dela a Curitiba.

O deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) disse que Yoani é “simples, honesta e talentosa como escritora”. Ele criticou os grupos que a acusam de estar sendo financiada pela CIA.

- Se tem a mão da CIA em algum ponto desse processo, o que eu não acredito, seria mais uma ação dessas turmas fascistoides - disse Sirkis.

Um grupo de aproximadamente 30 militantes do Comitê de Defesa da Revolução Cubana e outras entidades foi proibido de entrar na sala da comissão de Constituição e Justiça, para acompanhar os debates. Segundo o segurança, só poderiam entrar funcionários e jornalistas credenciados na sala. Do lado de fora, o grupo gritou palavras de ordem contra a blogueira.

Tumulto na chegada ao Congresso

Houve confusão na chegada de Yoani ao Congresso. A entrada do prédio ficou tomada de parlamentares e curiosos. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ministro Dias Toffoli, do STF, passaram quase despercebidos. Já o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), deixou a Casa minutos antes da chegada da blogueira, alegando que iria gravar um vídeo para seu partido. Por isso, quem presidia a sessão na sua chegada era o deputado Simão Sessin (PP-RJ).

A blogueira foi recebida por parlamentares da oposição, como os líderes do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), e do PSDB, Carlos Sampaio (SP). Yoani seguiu para o Plenário, com uma legião de parlamentares, curiosos e fotógrafos no seu encalço. A entrada da cubana no Plenário gerou mais confusão, porque estava ocorrendo uma sessão extraordinária para votar a MP 582. Os parlamentares reclamaram que a sessão foi mantida, e ela teve que ir para uma comissão temática da Casa.

Indagada se estava satisfeita com a viagem ao Brasil, ela disse que mesmo com manifestações de ontem estava feliz.

- Era tudo que eu esperava multiplicado por dez.


O Globo Online, com adaptações.

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Yoani Sánchez: "Não me assustam os repressores!"



LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Ao promover agressões verbais e barulhaço, impedindo que a blogueira dissidente cubana, Yoani Sánchez, expusesse seus pontos de vista sobre o regime cubano e respondesse as acusações que lhe fazem, os "geniais" representantes da esquerda burra e mal-educada simplesmente acabaram por proporcionar um prato cheio e enorme de munição aos rola-bostas da direita raivosa, na mídia e no parlamento.
Yoani não se deixou intimidar, administrou bem os insultos e quase linchamento que vivenciou em Pernambuco e na Bahia, e acabou recebendo um convite para ir a Brasília, para falar em comissão na Câmara.
Antes de deixar Salvador, a polêmica blogueira declarou ao portal G1:

“Saio da Bahia bastante satisfeita. Não me importei com os protestos. Respeito a liberdade de expressão. Os abraços da Bahia foram mais quentes que os insultos e eu não dou adeus à Bahia, dou um até logo...”
Muitos que criticam a blogueira, que, aliás, escreve muitíssimo bem, jamais tiveram o cuidado de pelo menos conhecer o seu blog - o Generación Y - e se limitam a repetir mecanicamente, ad infinitum, as críticas dos defensores do regime que vigora na ilha.


Abaixo, o post de ontem do blog de Yoani, onde ela comenta as agressões que sofreu por parte de um "piquete de extremistas".

Podiam ter passado sem essa!...


O velho ato de repúdio


Talvez vocês não saibam – porque não se conta tudo num blog – porém o primeiro ato de repúdio que vi na minha vida foi quando só tinha cinco anos. A agitação no casarão chamou a atenção das duas meninas que éramos minha irmã e eu. Assomamos a grade do corredor estreito para olhar para o piso de baixo. As pessoas gritavam e levantavam o punho em volta da porta de uma vizinha. Com tão pouca idade não tinha a menor ideia do que se passava. Mais ainda, quando agora relembro o acontecimento apenas tenho a recordação do frio do corrimão nos meus dedos e um curto instante dos que vociferavam. Anos depois pude ordenar aquele caleidoscópio de evocações infantis e soube que havia sido testemunha da violência desatada contra quem queria emigrar pelo porto de Mariel.

Pois bem, desde aquilo tenho vivido então vários atos de repúdio de perto. Seja como vítima, observadora, ou jornalista… Nunca – vale a pena esclarecer – como participante. Recordo um especialmente violento que experimentei junto às Damas de Branco, onde as hordas da intolerância nos cuspiram, empurraram e até puxaram os cabelos. Porém o de ontem à noite foi inédito para mim. O piquete de extremistas que impediu a projeção do filme de Dado Galvão em Feira de Santana era algo mais do que uma soma de adeptos incondicionais do governo cubano. Todos tinham, por exemplo, o mesmo documento – impresso a cores – com uma fieira de mentiras sobre minha pessoa, tão maniqueístas como fáceis de rebater numa simples conversação. Repetiam um roteiro idêntico e guiado, sem ter a menor intenção de escutar a réplica que eu poderia lhes dar. Gritavam, interrompiam, num momento tornaram-se violentos e de vez em quando exibiam um coro de palavras de ordem dessas que já não são ditas em Cuba.

Contudo, com a ajuda do Senador Eduardo Suplicy e a calma ante as adversidades que me caracteriza, conseguimos começar a falar. Resumo: só sabiam berrar e repetir as mesmas frases, como autômatos programados. Assim a reunião foi muito interessante. Eles tinham as veias do pescoço inchadas, eu esboçava um sorriso. Eles me faziam ataques pessoais, eu conduzia a discussão ao nível de Cuba que sempre será mais importante que esta humilde servidora. Eles queriam me linchar, eu conversar. Eles obedeciam a ordens, eu sou uma alma livre. No fim da noite sentia-me como depois de uma batalha contra os demônios do mesmo extremismo que atiçou os atos de repúdio daquele ano oitenta em Cuba. A diferença é que desta vez eu conhecia o mecanismo que fomenta estas atitudes, eu podia ver o longo braço que os move desde a Praça da Revolução em Havana.

Tradução e administração do blog em língua portuguesa por Humberto Sisley de Souza Neto



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