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Editoria/Sônia Amorim: ativista, blogueira, escritora, professora universitária, palestrante e "canalhóloga"
Desafinando o Coro dos Contentes...
Quem o diz é o grande e respeitado jornalista Zuenir Ventura.
Ao ser agredida, insultada, ofendida por um bando de brucutus adeptos da truculência e do linchamento moral, a blogueira cubana Yoani Sánchez vibrou e aplaudiu a "liberdade de expressão" existente no País.
Hoje ela é notícia de primeira página, mas há quatro anos, quando perguntei, num artigo, “Vocês conhecem Yoani?”, pouca gente aqui sabia que ela já era uma das 100 personalidades mais influentes do mundo, segundo a revista “Time”. Que seu blog “Geração Y” ganhara prêmio no exterior como um espaço em defesa da livre expressão. E que por isso, e porque tinha quatro milhões de acessos por mês, era perseguido pelo governo de Fidel Castro.
A ironia é que o nome era uma herança da influência soviética na Ilha. Segundo a blogueira, a URSS deixara muito pouco, além de carros caindo aos pedaços e de nomes como o dela, começados por ípslon: Yaslis, Yanisleidi, Yoandri, Yusimí, Yuniesky. Eram jovens nascidos em Cuba nos anos 70 e 80, marcados “pela emigração ilegal e frustração”. Foi com essa tribo “cética e descrente do regime” que ela passou a dialogar.
No começo, “Geração Y” era um exorcismo pessoal para expulsar os “demônios da apatia, da dor moral, do medo”. Só que esses demônios habitavam milhares de outros espíritos e, aos poucos, o espaço se transformou numa “praça pública virtual onde há de tudo, gritos, insultos, discussões”. Yoani usa o verso de uma banda de rock local para se definir: “Eu não gosto de política, mas ela gosta de mim”.
Já que em Cuba “até respirar é um ato político”, o seu blog acabou tendo essa função de desabafo, de versão não oficial do cotidiano e suas mazelas, tais como racionamento, baixo padrão de vida, controle de comportamento, corrupção, mercado negro. Acusada por uns de ser agente da CIA e por outros de, no fundo, favorecer o governo mostrando que em Cuba os dissidentes podem se manifestar, Yoani Sánchez pagou caro por sua insubordinação intelectual: foi difamada, perseguida, presa e proibida de viajar.
“Durante seis longos anos tentei 20 vezes sair do meu país de forma temporária e recebi sempre a mesma resposta: a senhora não está autorizada a viajar”, declarou, já no Brasil, onde iniciou uma viagem por vários países da Europa e da América.
Não foi um começo fácil. Além da denúncia de “Veja”, de que há uma “conspiração cubano-petista” para “desmascarar” a blogueira, ela foi alvo em Pernambuco e Bahia de um pequeno grupo de militantes de esquerda, que a recebeu com xingamentos de “traidora” e violência (chegaram a puxar-lhe os cabelos).
Em vez de reclamar dos furiosos protestos que a impediram até de falar, ela deu uma lição de tolerância democrática, preferindo ver no episódio, que em Cuba só é possível quando a favor do governo, uma manifestação de liberdade de expressão a ser comemorada e desejada: “Quero essa democracia no meu país.”
Graças à atuação desastrosa dos esquerdinhas baderneiros em Recife e Feira de Santana, cerceando a liberdade de expressão da blogueira cubana Yoani Sánchez com um festival de ofensas, grosserias e acusações, e impedindo que a ativista se manifestasse devidamente, Yoani acabou sendo convidada a ir a Brasília hoje à tarde, onde pôde falar na Câmara dos Deputados com relativa tranquilidade e esclarecer alguns pontos obscuros. A cidadã cubana se declarou contra o embargo econômico promovido pelos Estados Unidos contra Cuba. E também criticou Guantánamo. E defendeu a libertação de 5 presos cubanos nos Estados Unidos. Yoani comentou a "satanização" de que é vítima em Cuba. A nosso ver, essa "demonização" é promovida também em alguns setores autodenominados "progressistas" da blogosfera brasileira.
Facebook de Yoani
No Congresso, Yoani diz que é satanizada
Blogueira cubana afirmou que teve o "dia mais louco de sua vida" e criticou embargo econômico a Cuba
Jailton de Carvalho e Cristiane Jungblut
Yoani é recebida pelo deputado Otávio Leite (PSDB/RJ) em sua chegada a Brasília para visita à Câmara dos Deputados, onde debateu liberdade de expressão. Foto: André Coelho
BRASÍLIA - Depois de enfrentar protestos em Salvador e no Recife, a blogueira cubana Yoani Sánchez afirmou que teve o “dia mais louco de sua vida” após uma sessão de desagravo no Congresso brasileiro, na tarde desta quarta-feira. Após uma chegada tumultuada, em que foi acompanhada por parlamentares e curiosos, Yoani discursou contra a censura política e disse que vem sendo satanizada desde que criou seu blog, o Generación Y. Ela criticou ainda a carestia, a escassez e a falta de liberdade para manifestação política em Cuba. Às 15h30m, a dissidente partiu para o aeroporto, rumo a São Paulo, e afirmou que está exultante com a recepção que teve no Congresso.
- Este é o dia mais louco da minha vida. Eu pensava uma coisa e aconteceu outra - disse a blogueira antes de deixar o local.
Yoani confirmou que tem uma agenda enorme no país, mas que não se sente cansada. Ela, que pretende voltar ao país em breve, afirmou que o “brasileiro tem adrenalina, vitamina”.
Após a sessão, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) reforçou a crítica aos que se manifestaram contra a blogueira. Segundo ele, a viagem dela ao Brasil representa uma oportunidade de reforçar o movimento contra o bloqueio econômico imposto a Cuba e pela liberação dos presos cubanos nos Estados Unidos.
- Eles (os críticos) estão gastando energia na direção errada - disse.
Durante a sessão, em resposta ao deputado Glauber Braga (PSB-RJ), Yoani se manifestou contra o bloqueio econômico dos Estados Unidos a seu país e contra a prisão na Baía de Guantánamo. A blogueira também defendeu a libertação de cinco presos cubanos nos EUA, que estariam sem direito a visitas.
- Cuba não é um partido, não é uma ideologia, não é um homem. Cuba é a diversidade, com muitas flores - disse Yoani.
O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) voltou a cobrar explicações do governo brasileiro e do embaixador cubano sobre uma reunião em que teria sido entregue um dossiê sobre a blogueira, durante a qual teria sido preparado um esquema de investigação da blogueira em sua viagem pelo Brasil. Ele afirmou que está tentando agendar uma viagem dela a Curitiba.
O deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) disse que Yoani é “simples, honesta e talentosa como escritora”. Ele criticou os grupos que a acusam de estar sendo financiada pela CIA.
- Se tem a mão da CIA em algum ponto desse processo, o que eu não acredito, seria mais uma ação dessas turmas fascistoides - disse Sirkis.
Um grupo de aproximadamente 30 militantes do Comitê de Defesa da Revolução Cubana e outras entidades foi proibido de entrar na sala da comissão de Constituição e Justiça, para acompanhar os debates. Segundo o segurança, só poderiam entrar funcionários e jornalistas credenciados na sala. Do lado de fora, o grupo gritou palavras de ordem contra a blogueira.
Tumulto na chegada ao Congresso
Houve confusão na chegada de Yoani ao Congresso. A entrada do prédio ficou tomada de parlamentares e curiosos. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ministro Dias Toffoli, do STF, passaram quase despercebidos. Já o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), deixou a Casa minutos antes da chegada da blogueira, alegando que iria gravar um vídeo para seu partido. Por isso, quem presidia a sessão na sua chegada era o deputado Simão Sessin (PP-RJ).
A blogueira foi recebida por parlamentares da oposição, como os líderes do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), e do PSDB, Carlos Sampaio (SP). Yoani seguiu para o Plenário, com uma legião de parlamentares, curiosos e fotógrafos no seu encalço. A entrada da cubana no Plenário gerou mais confusão, porque estava ocorrendo uma sessão extraordinária para votar a MP 582. Os parlamentares reclamaram que a sessão foi mantida, e ela teve que ir para uma comissão temática da Casa.
Indagada se estava satisfeita com a viagem ao Brasil, ela disse que mesmo com manifestações de ontem estava feliz.
- Era tudo que eu esperava multiplicado por dez. O Globo Online, com adaptações. Destaques do ABC! *
Ao promover agressões verbais e barulhaço, impedindo que a blogueira dissidente cubana, Yoani Sánchez, expusesse seus pontos de vista sobre o regime cubano e respondesse as acusações que lhe fazem, os "geniais" representantes da esquerda burra e mal-educada simplesmente acabaram por proporcionar um prato cheio e enorme de munição aos rola-bostas da direita raivosa, na mídia e no parlamento.
Yoani não se deixou intimidar, administrou bem os insultos e quase linchamento que vivenciou em Pernambuco e na Bahia, e acabou recebendo um convite para ir a Brasília, para falar em comissão na Câmara.
Antes de deixar Salvador, a polêmica blogueira declarou ao portal G1: “Saio da Bahia bastante satisfeita. Não me importei com os protestos. Respeito a liberdade de expressão. Os abraços da Bahia foram mais quentes que os insultos e eu não dou adeus à Bahia, dou um até logo...”
Muitos que criticam a blogueira, que, aliás, escreve muitíssimo bem, jamais tiveram o cuidado de pelo menos conhecer o seu blog - o Generación Y - e se limitam a repetir mecanicamente, ad infinitum, as críticas dos defensores do regime que vigora na ilha.
Abaixo, o post de ontem do blog de Yoani, onde ela comenta as agressões que sofreu por parte de um "piquete de extremistas". Podiam ter passado sem essa!...
Talvez vocês não saibam – porque não se conta tudo num blog – porém o primeiro ato de repúdio que vi na minha vida foi quando só tinha cinco anos. A agitação no casarão chamou a atenção das duas meninas que éramos minha irmã e eu. Assomamos a grade do corredor estreito para olhar para o piso de baixo. As pessoas gritavam e levantavam o punho em volta da porta de uma vizinha. Com tão pouca idade não tinha a menor ideia do que se passava. Mais ainda, quando agora relembro o acontecimento apenas tenho a recordação do frio do corrimão nos meus dedos e um curto instante dos que vociferavam. Anos depois pude ordenar aquele caleidoscópio de evocações infantis e soube que havia sido testemunha da violência desatada contra quem queria emigrar pelo porto de Mariel.
Pois bem, desde aquilo tenho vivido então vários atos de repúdio de perto. Seja como vítima, observadora, ou jornalista… Nunca – vale a pena esclarecer – como participante. Recordo um especialmente violento que experimentei junto às Damas de Branco, onde as hordas da intolerância nos cuspiram, empurraram e até puxaram os cabelos. Porém o de ontem à noite foi inédito para mim. O piquete de extremistas que impediu a projeção do filme de Dado Galvão em Feira de Santana era algo mais do que uma soma de adeptos incondicionais do governo cubano. Todos tinham, por exemplo, o mesmo documento – impresso a cores – com uma fieira de mentiras sobre minha pessoa, tão maniqueístas como fáceis de rebater numa simples conversação. Repetiam um roteiro idêntico e guiado, sem ter a menor intenção de escutar a réplica que eu poderia lhes dar. Gritavam, interrompiam, num momento tornaram-se violentos e de vez em quando exibiam um coro de palavras de ordem dessas que já não são ditas em Cuba.
Contudo, com a ajuda do Senador Eduardo Suplicy e a calma ante as adversidades que me caracteriza, conseguimos começar a falar. Resumo: só sabiam berrar e repetir as mesmas frases, como autômatos programados. Assim a reunião foi muito interessante. Eles tinham as veias do pescoço inchadas, eu esboçava um sorriso. Eles me faziam ataques pessoais, eu conduzia a discussão ao nível de Cuba que sempre será mais importante que esta humilde servidora. Eles queriam me linchar, eu conversar. Eles obedeciam a ordens, eu sou uma alma livre. No fim da noite sentia-me como depois de uma batalha contra os demônios do mesmo extremismo que atiçou os atos de repúdio daquele ano oitenta em Cuba. A diferença é que desta vez eu conhecia o mecanismo que fomenta estas atitudes, eu podia ver o longo braço que os move desde a Praça da Revolução em Havana.
Tradução e administração do blog em língua portuguesa por Humberto Sisley de Souza Neto
LIBERDADE DE EXPRESSÃO Precisou que as autoridades baianas colocassem policiais civis e militares para escoltar a cidadã cubana Yoani Sánchez, que legalmente visita o Brasil, para que a turba que só faltava linchá-la se acalmasse e assumisse um mínimo de equilíbrio e compostura. Houve protestos, gritos e tumulto, claro, no debate que aconteceu ontem em Feira de Santana (BA), mas finalmente a mundialmente famosa blogueira cubana Yoani Sánchez conseguiu responder algumas indagações e esclarecer posições críticas que tem sobre o regime cubano, que combate. Entre outras coisas, vejam só, ela declarou que quer uma imprensa livre em Cuba: “Não uma imprensa que traga meus rancores com o governo, sobre o que já vivi, mas uma imprensa livre, séria e objetiva, que informe com qualidade, mas que também possa opinar livremente e levar a discussão das questões a todos”, disse sobre o seu "sonho", como chamou. Alguém pode ser contra isso? Nós, aqui, do Abra a Boca, Cidadão! somos a favor e aplaudimos sua iniciativa. Liberdade de Expressão é garantia constitucional. Esses esquerdinhas aloprados só fazem, com tais freges, comprometer a imagem da esquerda séria e verdadeiramente progressista. Leiam mais, abaixo, sobre o debate que finalmente aconteceu e vejam também a Nota de Repúdio às agressões sofridas pela blogueira, divulgada pela Associação Bahiana de Imprensa.
Facebook de Yoani Sánchez
Yoani Sánchez afirma desejo de criar um "meio de imprensa livre" em Cuba
Blogueira cubana participou de um debate que reuniu cerca de mil pessoas. Evento foi marcado por uma plateia formada por simpatizantes e opositores.
Yoani Sánchez participa de debate em ginásio em Feira de Santana, na Bahia (Foto: Egi Santana/G1)
A blogueira Yoani Sánchez afirmou o desejo de criar "meio de imprensa livre” em Cuba durante o debate realizado no ginásio de uma faculdade particular em Feira de Santana nesta quarta-feira (19) à noite, o último compromisso na primeira cidade que visita depois de deixar a ilha caribenha beneficiada com a reforma migratória.
Mais de mil pessoas, entre estudantes, militantes e membros da sociedade civil, participaram do evento, que durou pouco mais de uma hora. Para ela, a experiência de percorrer pelo menos 12 países em 80 dias, como pretende, trará conhecimento para ela tentar implantar um veículo de comunicação no território cubano. Opositores a blogueira compareceram ao debate (Foto: Egi Santana/G1)
“Não uma imprensa que traga meus rancores com o governo, sobre o que já vivi, mas uma imprensa livre, séria e objetiva, que informe com qualidade, mas que também possa opinar livremente e levar a discussão das questões a todos”, disse sobre o seu "sonho", como chamou.
Mais uma vez, Yoani ouviu muitos gritos de protesto como "Viva Fidel" e "Viva a revolução" em sua passagem pela Bahia e, desta vez, também aplausos dos que foram favoráveis ao discurso.
Yoani comentou sobre a influência do blog "Generación Y", em que é autora, na sua formação de cidadã. “Esse blog mudou minha vida, me fez uma cidadã melhor, me fez compreender a magnífica capacidade do ser humano para exercer a solidariedade. A solidariedade, por exemplo, de todos os tradutores voluntários que traduzem o meu blog a 20 línguas. O problema é que o sistema que está acostumado a ordenar a solidariedade não entende as espontaneidades”, completou. Divergências A estudante de medicina da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Ana Karen, disse que já passou um mês em Cuba para viver a experiência do sistema de saúde da ilha.
“Acredito que os cubanos chorariam ao ouvir as críticas que essa senhora [Yoani] está aqui a dizer. Eu convido qualquer pessoa que esteja nesse local para ir a Cuba e vivenciar o que é o processo da revolução cubana”, criticou. Na opinião da estudante, o regime político cubano deu certo, mas não teria prosperado por conta das sanções econômicas. Em sua pergunta à blogueira, ela questionou a relação de Yoani com seus financiadores, como referenciou. Debate com Yoani Sánchez em Feira de Santana, na Bahia (Foto: Egi Santana/G1)
Por outro lado, Alcilene Bandeira, que também contou ter vivido na ilha, classificou o modelo de governo como tirano e excludente. “Quem vê de longe acha lindo e maravilhoso. Quando eu estive lá, através do Centro Latino de Educação Sexual, os turistas não podiam ficar perto dos cubanos. Foi tirada a liberdade dos cubanos. Foi tirada a alma, porque a alma, a liberdade, cria, constrói”, opinou.
Ela perguntou à blogueira se os nativos ainda são retirados dos locais por conta da presença de turistas. A blogueira respondeu: “Somente em 2008, nós, cubanos, pudemos nos hospedar, em mais de quatro décadas, em hotéis do país. Isso era como um apartheid doloroso, sofrido, que ninguém denunciava. Com isso, terminou uma segregação em uma parte, mas não todo. Por exemplo, há algumas zonas políticas que os cubanos continuam impedidos de se hospedar em hoteis”, disse. Yoani Sánchez participa de debate em ginásio em Feira de Santana, na Bahia (Foto: Egi Santana/G1)
Filme A blogueira cubana Yoani Sánchez desmarcouo tour que faria em Salvador e adiou o horário de ida a São Paulo, ambos compromissos previstos para a quarta-feira (20), para comparecer à Câmara dos Deputados, em Brasília, onde deve assistir ao filme "Conexão Cuba-Honduras", do cineasta Dado Galvão.
A exibição seria feita na segunda-feira (19), no espaço Parque do Saber, em Feira de Santana, mas foi cancelada. Antes, um grupo protestou em defesa do regime político em Cuba e contra a postura da blogueira.
A sessão ocorrerá ao meio-dia, no plenário 1 da Câmara. O convite foi formalizado pelo deputado Otávio Leite (PSDB-RJ). “Entendemos que esse assunto deveria ser debatido dentro desta Casa. Não é possível que ela [Yoani] não tenha conseguido, até o presente momento, se colocar em razão das ofensas. Ela tem sofrido um verdadeiro corredor polonês, está sendo impedida de manifestar o que ela veio dizer aqui no Brasil”, enfatizou o líder do PSDB, Carlos Sampaio (PSDB-SP). G1 Destaques do ABC! ABI repudia manifestações que tentam calar a jornalista cubana Yoani Sánchez
As manifestações de membros do PT e do PCdoB contra a jornalista cubana Yoani Sánchez, em Feira de Santana, impedindo-a de falar, receberam, nesta terça-feira (19/2), o repúdio da Associação Bahiana de Imprensa, que divulgou nota lamentando o ocorrido.
Diz a nota da ABI:
A Associação Bahiana de Imprensa - ABI - instituição com 82 anos de existência dedicando-se à defesa da liberdade de expressão do pensamento, repudia veementemente as manifestações anti-democráticas com que alguns grupos, usando de violência verbal, agridem a jornalista cubana Yoani Sánchez que ora visita a Bahia.
Ao invés de tentar silenciá-la, é preciso louvar os seus esforços em favor dos Direitos Humanos e auto-determinação dos povos, a começar pela liberdade de comunicação e pelo respeito ao direito de ir e vir, condições inerentes às sociedades modernas e civilizadas.
Daí a necessidade de que, à jornalista Yoani Sánchez, sejam asseguradas plenas condições para a exposição de suas ideias e informações, impedindo-se os atos de intolerância daqueles que abominam o contraditório, por não entendê-lo, ou não o desejarem como uma forma de aprimoramento da democracia.
A nota é assinada pelo presidente da ABI, Walter Pinheiro.
Facebook de Yoani Ela não é uma assassina. Ela não cometeu qualquer crime. Se ela é rica, milionária, sorte dela. Se é contra o regime cubano, se recebe dinheiro do governo americano, se é agente da CIA... isso não é motivo para inviabilizar sua viagem ao Brasil, pelo contrário. É oportunidade para esclarecer estes pontos obscuros ou polêmicos de sua vida de ativista e blogueira. A blogosfera que se autodenomina "progressista" está cheia de posts ofendendo e insultando a blogueira cubana Yoani Sánchez, de certa forma insuflando esse ódio manifestado nos protestos agressivos de que ela vem sendo objeto desde que desembarcou ontem de madrugada no Recife. Gente que provavelmente nunca se deu ao trabalho de acessar o blog Generación Y, não conhece os posts da blogueira, ouviu dizer de suas opiniões sobre o regime cubano, gente que até escreve errado o seu nome!... Mas que se acha no direito de ficar repetindo como maritacas o nhenhenhém contra ela. Querem criticar, dar lição de moral, calar, silenciar... e nem sabem ao certo o nome da blogueira... Esquerda burra, atrasada, ignorante, boçal, mal-educada, analfabeta e totalitária.
Faixa estampada com o nome errado da blogueira...
Polícia Militar da Bahia passa a escoltar Yoani Sánchez após protestos
Blogueira cubana e colunista do "Estado" lamentou situação mas elogiou "liberdade de expressão" no Brasil
Guilherme Russo, enviado especial a Feira de Santana
FEIRA DE SANTANA (BA) - Sobre o esquema policial atípico em Feira de Santana (BA), a blogueira cubana e colunista do Estado, Yoani Sánchez, concedeu uma entrevista coletiva na manhã desta terça-feira, 19. Na noite anterior, ela havia enfrentado um intenso protesto, que impediu a exibição do documentário Conexão Cuba-Honduras, do cineasta Dado Galvão. Então, o prefeito da cidade baiana, José Ronaldo de Carvalho (DEM), que esteve no local da manifestação, pediu ao comando da Polícia Militar da localidade que garantisse a segurança da ativista durante sua visita.
Yoani passa a ser escoltada em Feira de Santana
Reginaldo Pereira/Efe
Pelo menos 14 policiais militares e seis guardas municipais vigiaram o entorno da Câmara de Dirigentes Lojistas, no centro de Feira de Santana, onde Yoani chegou escoltada por um carro de polícia, para conceder a entrevista. Preocupados com possíveis protestos, os organizadores da viagem da cubana à Bahia cancelaram as visitas da blogueira ao mercado de arte e ao Museu do Sertão, anteriormente programadas para ocorrer nesta manhã.
Yoani está preocupada com sua segurança, apesar de elogiar a "pluralidade" e a "liberdade para se manifestar" existentes na sociedade brasileira. "Agradeço muito (o reforço na segurança). Foi um gesto muito positivo me blindar com essa proteção. Mas lamento que a situação tenha chegado a esse ponto, pois sou uma pessoa que utiliza a palavra, não uso armas", disse a dissidente ao Estado, pouco após o término da entrevista coletiva, que durou cerca de duas horas. Ela também lamentou que "a visita de uma filóloga" tenha se convertido em "uma situação de risco físico."
Na noite desta terça-feira, Yoani deve participar de um debate, programado para 19h, na Unidade de Ensino Superior de Feira de Santana (UNEF).
Aeroportos
Além do protesto que impediu a exibição do documentário e acabou resultando em um debate improvisado pelo senador Eduardo Suplicy (PT), que esteve no local, a União da Juventude Socialista (UJS) organizou na segunda-feira outras duas manifestações, quando a blogueira passou pelos aeroportos do Recife e de Salvador, a caminho de Feira de Santana. A entidade promete organizar mais mobilizações de repúdio à presença de Yoani no Brasil.
LIBERDADE DE EXPRESSÃO As acusações são várias: Agente da CIA, blogueira milionária, mercenária, traidora, farsante... Mas não a deixam falar, se defender, explicar, expor suas ideias. Estes são os grandes "democratas" brasileiros: 20, 40, 80 cidadãs e cidadãos, barulhentos e intolerantes, que não nos deixam ouvir o que a polêmica blogueira cubana tem a dizer. Além de impedirem a exibição do documentário "Conexão Cuba Honduras", com apupos, vaias, ofensas e agressividade, os manifestantes também tumultuaram e inviabilizaram o debate que se tentou articular, interrompendo a fala da blogueira com gritos, insultos e acusações. Democracia é uma coisa. Falta de educação e incivilidade é outra.
Facebook de Yoani Manifestantes impedem exibição de filme com presença de dissidente cubana
Flávia Marreiro
Enviada especial a Feira de Santana
Grupos de manifestantes ligados a movimentos estudantis e sociais, ao PC do B e ao PT impediram nesta segunda-feira (18) a exibição de um filme em Feira de Santana, na Bahia, com a presença da blogueira cubana Yoani Sánchez.
Aos gritos de "traidora", "Cuba sim, ianques não", os militantes tomaram o salão da Casa do Saber, um planetário cedido pela prefeitura para a exibição de "Conexão Cuba Honduras", do cineasta baiano Dado Galvão, que tem como uma das protagonistas a ativista cubana, que chegou ontem ao Brasil.
Quando Sánchez chegou ao local, os ânimos se exaltaram e a blogueira chegou a ser recolhida na sala de diretoria, enquanto o senador Eduardo Suplicy (PT) tentava uma negociação com os manifestantes.
Com chapéu com estrela de Che Guevara, o ex-vereador do PT Angel Almeida negociou a mudança do evento: de exibição de documentário a debate, com participação dos militantes.
Quase uma hora depois, a blogueira, que pode sair de Cuba após 20 tentativas frustradas, finalmente começou a falar, de pé, por 15 minutos: "Vivo numa sociedade onde opinião é traição", começou.
Mário Bittencourt/Folhapress
Grupo de manifestantes mostra cartaz com frases contra a blogueira
cubana Yoani Sánchez, durante encontro em Feira de Santana, na Bahia
As vaias tomaram mais uma vez o ambiente -- o vereador paramentado de Che mais uma vez conteve os ânimos. E foi assim em vários momentos.
A exibição frustrada foi o auge de uma jornada já tumultuada por protestos, que começaram na primeira escala de Sánchez, em Recife -- ela teve até o cabelo puxado --, e seguiram em seu desembarque em Salvador.
"Protesto faz parte da democracia, agressividade não", disse Dado Galvão. "É uma cidade pacata", queixou-se. "É o que a 'Veja' disse que ia acontecer".
"Acabou tensionando tudo", admite Jader Dourado, do movimento de bairros de Feira de Santana e que foi candidato a vereador pelo PT na cidade.
Ele negou qualquer orientação nacional para a mobilização. "Soubemos da visita e fizemos uma reunião com as organizações na sexta-feira. Era um convite aberto e irrestrito."
Na platéia, líderes do protesto no aeroporto de Salvador ajudavam a mobilização local. Entre eles, Caio Botelho, da UJS (União da Juventude Socialista), ligada ao PC do B. Panfletos contra a blogueira.
Ambos prometem repetir os protestos na agenda de hoje de Sánchez, que inclui um debate em uma universidade de Feira de Santana. Em São Paulo, para onde Sánchez segue amanhã, os protestos também devem ser organizados, informaram os militantes.
"Todo mundo está se organizando em todo o território", diz Dourado.