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sábado, 10 de setembro de 2011

Blogueira Paulistana continua ameaçada


Enquanto a blogueira aguarda que as autoridades policiais e judiciárias da cidade de São Paulo tomem medidas repressivas efetivas para retirar os agressores da blogueira de dentro da sua casa, ela estará aqui, vez por outra, entremeando seus posts sobre mídia, política e direitos humanos com relatos a respeito de sua absurda e insustentável situação pessoal. Que, acreditem, é de interesse público. A seguir, reprodução do post de ontem, com algumas mudanças e acréscimos, incluindo um vídeo que fala da necessária e urgente repressão à violência.

Chico, 12 anos. Arthur, 5 anos. Estes são os encantadores cães de estimação da escritora e blogueira paulistana Sonia Amorim.

                                                                             Chico, anos atrás, 
        em Monte Verde/MG.






                                                                            



 Arthur, correndo no quintal










Chico e Arthur, os dóceis e adoráveis cães da blogueira, continuam ameaçados de morte por LUANA CRISTINA SANDES DOS SANTOS e MAURÍLIO ALVES DE LIMA SANTOS, inquilinos violentos da blogueira, que se recusam a deixar a casa da cidadã, mesmo tendo seu contrato de locação rescindido, vencido o prazo legal de desocupação e sendo criminalmente processados pela blogueira por agressões e violências várias.


Os agressores, como já relatado aqui, depois de 7 (sete) meses de convivência pacífica com a blogueira, passaram, do dia para a noite, sem qualquer motivo, passaram a injuriá-la, caluniá-la e difamá-la, dentro e fora de sua casa, tentando agredi-la fisicamente e ameaçando de morte a ela e a seus cães.


Os agressores, processados criminalmente pela blogueira no Proc. n. 0015365, 1a. Vara Criminal e do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra Mulher, Foro Regional Penha de França, cidade de São Paulo, parecem apostar na impunidade. Só isso pode explicar o descaramento com que continuam morando de graça na casa da blogueira que insultam e ameaçam, consumindo irresponsavelmente água e luz bancadas pela blogueira e dando continuidade a constrangimentos, violências e outras baixarias contra a cidadã. Com o silêncio cúmplice de alguns familiares.


Dias atrás, ao sair da garagem com seu carro, acompanhada do seu cão Chico, a blogueira ouviu da agressora LUANA, apontando o dedo em direção ao animal: "Eu vou matar o seu cachorro"...


Maus-tratos e morte de animais, silvestres ou domésticos, é CRIME. Vejam o que diz a Lei dos Crimes Ambientais.


Lei Federal nº. 9.605/98, artigo 32:

É considerado CRIME praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos.

Pena - Detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano e multa.

Parágrafo 1°. - Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animais vivos, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.

Parágrafo 2°. - A Pena é aumentada de 1 (um) terço a 1 (um) sexto, se ocorrer a morte do (s) animal (s).


É bom esclarecer: as violências que a blogueira vem sofrendo dentro de sua casa desde abril deste ano nada têm a ver com Lei do Inquilinato. Trata-se de CÓDIGO PENAL. Trata-se de CRIME. E VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS.


A quem interessa tumultuar e destruir a vida da blogueira? Quem se esconde covardemente por trás destes agressores? Quem são os mandantes de tais violências? Quem banca esta patifaria toda?


Com a palavra a Polícia do Estado de São Paulo. Com a palavra o Poder Judiciário do Foro Regional Penha de França, cidade de São Paulo. Com a palavra a Promotoria Criminal do Ministério Público do Estado de São Paulo.


Basta de Violência! Chega de Impunidade!


E POLÍCIA para quem precisa ...


Veja o vídeo. Vamos cantar junto com os Titãs: 


                               "Dizem que ela existe pra ajudar
                                            Dizem que ela existe pra proteger
                                            Eu sei que ela pode te parar
                                            Eu sei que ela pode te prender...


                                            POLÍCIA para quem precisa
                                            POLÍCIA para quem precisa de POLÍCIA..."




Link do vídeo



JUSTIÇA JÁ !!!



*





                                                                                                         

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

SP: blogueira Sonia Amorim continua sob ameaças


Chico, 12 anos. Arthur, 5 anos. Estes são os encantadores cães de estimação da escritora e blogueira Sonia Amorim.

                                                                             Chico, em Monte Verde - MG






                                                                             




                       Arthur, correndo no quintal










Chico e Arthur, os dóceis e sociáveis cães de estimação da blogueira, continuam sendo ameaçados de morte por LUANA CRISTINA SANDES DOS SANTOS e MAURÍLIO ALVES DE LIMA SANTOS, violentos inquilinos da blogueira, que se recusam a deixar a casa da cidadã, mesmo sendo por esta criminalmente processados.


LUANA e MAURÍLIO, como já relatado aqui, depois de 7 (sete) meses de convivência harmônica, passaram, do dia para a noite, sem qualquer motivo, passaram a injuriar, caluniar e difamar a blogueira, dentro de sua casa, tentando agredi-la fisicamente e ameaçando de morte a ela e a seus cães.


LUANA e MAURÍLIO, processados criminalmente pela blogueira no Proc. n. 0015365, 1a. Vara Criminal e do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra Mulher, Foro Regional Penha de França, cidade de São Paulo, ao que tudo indica, apostam na impunidade. Só isso pode explicar o descaramento com que continuam morando às custas da blogueira que violentam, consumindo irresponsavelmente água e luz bancadas pela blogueira e dando seguimento a ameaças, constrangimentos e violências contra a cidadã. Com a cumplicidade de familiares.


Há dois dias, ao sair da garagem com seu carro, acompanhada pelo cão Chico, a blogueira ouviu da agressora LUANA, apontando o dedo em direção ao animal: "Eu vou matar o seu cachorro"...

["Artigo 32 da Lei Federal nº. 9.605/98:

É considerado CRIME praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos.

Pena - Detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano e multa.

Parágrafo 1°. - Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animais vivos, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.

Parágrafo 2°. - A Pena é aumentada de 1 (um) terço a 1 (um) sexto, se ocorrer a morte do (s) animal (s)."]


As violências que a blogueira vem sofrendo dentro de sua casa desde abril deste ano nada têm a ver com Lei do Inquilinato. Trata-se de CÓDIGO PENAL. Trata-se de CRIME. E VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS.


A quem interessa tumultuar e destruir a vida da blogueira? Quem se esconde covardemente por trás destes agressores? Quem são os mandantes de tais violências? 


Com a palavra a Polícia do Estado de São Paulo. Com a palavra o Poder Judiciário do Foro Regional Penha de França, cidade de São Paulo.


Basta de Violência! Chega de Impunidade!


JUSTIÇA JÁ !!!




quinta-feira, 8 de setembro de 2011

SP: fracassa protesto chique demotucano



Eles se dizem "apartidários", "suprapartidários"... mas tirando os "inocentes úteis" que muitas vezes pegam carona nesses movimentos, são na verdade, em sua maioria, golpistas, aquela fatia sempre descontente quando se trata de criticar governos populares como os que vêm conduzindo o Brasil há quase 9 anos.


Movimentos contra corrupção e outras mazelas brasileiras, inclusive as Mazelas do Judiciário, sim! O ABC! apoia, noticiará e participará. Movimentos elitistas, golpistas, pseudo democráticos, que visam apenas denegrir e desestabilizar o governo da Presidenta Dilma Rousseff, serão rechaçados, desmascarados, e levarão "chumbo grosso" desta blogueira e deste blog!


A seguir um post do jornalista-blogueiro Ricardo Kotscho, em que faz um lúcido balanço das manifestações de ontem em São Paulo e outras capitais.


Protesto chique em SP lembra fracasso do “Cansei”




Eles não aprendem e não desistem. Derrotados três vezes nas eleições presidenciais, os valentes da fina flor paulistana foram de novo às ruas para protestar "contra tudo o que está aí". Desta vez, o álibi foi a Marcha Contra a Corrupção organizada nas redes sociais em várias regiões do país.

Em São Paulo, apesar dos esforços de alguns blogueiros histéricos, o protesto fracassou: segundo a Polícia Militar, apenas 500 pessoas se animaram a sair de casa neste belo feriado de 7 de setembro com muito sol para ir à avenida Paulista levantar cartazes contra a corrupção.

A personalidade mais conhecida identificada pela imprensa foi a socialite Rosangela Lyra, sogra do jogador Kaká e representante da Dior no Brasil.

Era a mesma turma chique do "Cansei", um "movimento cívico" criado em julho de 2007, para protestar contra o "caos aéreo", pelo presidente da OAB paulista, Luís Flávio Borges D´Urso, agora pré-candidato do PTB de Roberto Jefferson a prefeito de São Paulo, mas nem ele foi visto hoje [ontem] na avenida Paulista.

De outro líder do "Cansei", o executivo Paulo Zotollo, ex-presidente da Phillips, não se ouviu mais falar. Na época, ele causou um enorme dano para a imagem da empresa ao declarar em entrevista ao jornal "Valor":

"Não se pode pensar que o país é um Piauí, no sentido de que tanto faz como tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado".

O Piauí ainda existe, virou até nome de revista, vai bem, cresce e seu povo está melhorando de vida, ao contrário do infeliz executivo que apenas vocalizou o que pensava boa parte da elite paulistana sobre os nordestinos, quando o presidente do país era o pernambucano Lula.

A direção da OAB nacional na época, que ainda não era dominada por tipos como Ophir Cavalcante (quem?), o novo Álvaro Dias predileto da mídia, decidiu não participar do movimento e criticou a sessão paulista da entidade.

O então presidente da OAB-RJ, Wadih Dammus, resumiu do que se tratava. "O Cansei é um movimento de fundo golpista, estreito e que só conta com a participação de setores e personalidades das classes sociais mais abastadas de São Paulo".

Foi o que se viu no 7 de setembro de protestos na avenida Paulista. São os mesmos. Só mudou o mote.

Em tempo (atualizado às 19h12, de ontem):

No final da tarde desta quarta-feira, 7 de setembro de 2011, os números sobre o tamanho das manifestações em São Paulo variavam nos portais da grande mídia, que ajudaram a promover os protestos na avenida Paulista.

Segundo a "Veja", em nova manifestação promovida à tarde, no mesmo local, havia entre 2 e 4 mil pessoas no protesto, dependendo do informante e do blogueiro.

No portal da "Folha", o maior jornal do país, a multidão de protestantes chegou ao máximo de 700 manifestantes, em seus diferentes informes ao longo do dia.

Até o final da tarde, segundo o portal do "Estadão", um dos mais empenhados promotores das manifestações na avenida Paulista, em nenhum momento, até as 19 horas, o protesto passou de 500 participantes.

Seja como for, foi bem menos gente do que o registrado na maior manifestação do fracassado "Cansei", promovida no dia 17 de agosto de 2007, na praça da Sé, em São Paulo, com o apoio da Febraban (a federação dos bancos) e da Abert ( a associação das grandes emissoras de televisão), entre outras mais de 60 entidades da "sociedade civil organizada".

Segundo a Polícia Militar, havia 5 mil pessoas naquele dia em São Paulo protestando contra o "caos aéreo" do governo Lula e outras mazelas nacionais.

A grande imprensa brasileira, que se uniu para promover o golpe militar de 1964 e eleger Fernando Collor em 1989, parece ter perdido seu poder de mobilização. E seus blogueiros, colunistas e editores amestrados continuam latindo para cada vez menos gente.

Balaio do Kotscho

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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Indignação seletiva e revolução fajuta



A República se sustenta sobre três pilares: os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. 


O câncer da corrupção se alastra em todas as direções, de alto a baixo, nos três poderes da República. E não é de hoje.


Mas ao ver as fotos das marchas contra a corrupção que acontecem em vários pontos do Brasil hoje, feriado da Independência, chama a atenção a quase ausência de faixas e cartazes contra a corrupção no Mais Poderoso dos Poderes da República. Ataca-se o "mau político", o "político ladrão", com razão, mas esquece-se do "mau juiz", do "magistrado corrupto"... Por quê?! Até parece que o Judiciário é um "reino angelical"...


O ABC! apoia toda manifestação contra a corrupção. Desde que inclua a corrupção no Judiciário.


Abaixo a Banda Podre do Poder Judiciário !!!


A seguir algumas reflexões interessantes sobre toda essa movimentação hoje, em Brasília, São Paulo e outras capitais.



A revolução não partirá do vão livre do Masp

Manifestantes se unem contra corrupção, em SP. Foto: Rennato Testa
Manhã fria e sem nuvens em São Paulo, e eles já se aglomeravam no vão livre do Masp, na avenida Paulista. Alguns cartazes (um deles citava a “justiça de Deus”), um certo barulho, alguns apitos, uma pitada de indignação e uma aparente desorientação representada pelo desavisado que errou de presidente ao erguer uma placa de “fora Lula, fora corrupção”… São dezenas (talvez duas centenas), a maioria jovens, protestando, no Dia da Independência, contra a corrupção.
Na organização do evento, espalhada pelas redes sociais, os pontos de exclamação se proliferam como lanças afiadas. Não se sabe exatamente o alvo, mas estão ali, exigindo que não sejamos omissos. Nada contra as boas intenções, mas o discurso que antecede a exclamação, mesmo que dentro de míseros 140 caracteres, propaga antes a preguiça que a indignação.
Em São Paulo, os mesmos pontos de exclamação já foram mais simpáticos. Mais bem-humorados também. Outro dia o Facebook ajudou a levar a Higienópolis uma galera que queria dar as caras e mostrar que, diferentemente da população local, não tinha vergonha de ser “diferenciada”. Foi a maneira encontrada para avisar que a questão do transporte público era mais nobre que o eventual incômodo causado pela democratização do acesso ao bairro. Funcionou: a associação de senhoras e senhores que reivindicava o direito ao isolamento se calou, o governador se manifestou, e a questão passou a ser discutida com seriedade. Ponto para os manifestantes.
Questão pontuais, e mais que legítimas, também levaram manifestantes às ruas em São Paulo em tempos recentes. Na intenção de escancarar o repúdio à opressão masculina, ainda reinante em rodas de conversa e abordagens pelas ruas, mulheres organizaram a Marcha das Vadias pelo direito de usar saia sem precisar ser agredida. Ponto para elas.
Mesmo a mais polêmica das marchas, a da maconha, propunha-se a provocar uma discussão pública: seremos obrigados a tomar bala perdida em nossas casas por um combate ao tráfico que enxuga gelo e pode ser desatado de outros modos? Ponto para os manifestantes, que chamaram a atenção para a imprensa e os órgãos públicos para a discussão, gostem dela (e da fumaça) ou não.
Mas o que seria protestar contra a corrupção? A organização, por meio do Facebook, explica: é uma “guerra contra o mau político, contra a corrupção que assola nas esferas federal, estaduais e municipais, contra as obras superfaturadas, contra as licitações viciadas e fraudulentas, contra os desvios de verbas, contra o ‘retorno’ (comissão) cobrado por políticos e funcionários públicos para liberação de verbas públicas, e contra a degradação da nação está começando (sic)”.

No Brasil, todos querem ser um cara-pintada quando crescer. Falta direcionar o revide. Foto usada no perfil do protesto no Facebook
Faltou pedir para que as pessoas saiam às ruas – com bandeiras e fitas verde e amarelas, frise-se – contra a maldade humana, contra o frio, contra os enjoos nos navios, contra a gripe, contra a frieira, contra aquelas malditas tomadas de três pontas, contra o mau futebol, contra o provedor de internet que só garante 10% da velocidade e contra o suco de laranja a 4 reais. Um manifesto contra tudo isto que está aí teria somente o mesmo efeito: um grande grito por mudanças para que tudo continuasse exatamente igual, salvo a indignação e a sensação de distinção de quem afirma não compactuar com os desmandos de mandatários que, colocados assim, parecem distantes de tudo, numa outra realidade.
Os pontos de exclamação – tanto contra a corrupção como contra as tomadas de três pontas – são justos. Denotam preocupação com o estado das coisas, num certo modo, digamos, paulistano de demonstrar indignação. E que, na prática, nada traz de novo, ainda que os pontos de exclamação estejam afixados em cartazes impressos em mimeógrafos, impressoras a laser ou na fluidez do Facebook. No Brasil, a experiência da queda do primeiro presidente eleito, sem base no Congresso e na grande imprensa, deu a impressão de que sair de preto às ruas em sinal de protesto era causa e não efeito de algo já consolidado. Desde então, todos querem ser um cara-pintada quando crescer. Todos querem sair caminhando e cantando e seguindo a canção e ter uma causa. Mas a canção, num país de democracia minimamente consolidada e órgãos de controle minimamente operantes, passa a ser outra.  Tirar o feriado para pedir o fim da corrupção, nesses termos e alguns pontos de exclamação, só faz lembrar uma antiga música em que Raul Seixas dizia: “O que você quer em sua vida é só paz, muitas doçuras, seu nome em cartaz, mas fica arretado se o açúcar demora, e você chora, você berra, você pede, implora…”
Pode não parecer, mas o combate à corrupção é feito sem estardalhaço. É feito por meio de pressão, e mais pressão, sobre quem permite pequenas brechas que possibilitam desvios e travam a transparência no País. Enquanto pontos de exclamação pipocam nas telas do computador e apitos na Paulista, uma discussão sobre reforma política é desenhada em Brasília: nos corredores do Congresso, debate-se as formas de financiamento de campanhas (“te ajudo hoje, você me ajuda amanhã”), a regulação do lobby (“quem são eles?”), emendas parlamentares (“por oito reais para minha base, voto com o governo até para enforcar a mãe”). Amadurece, ao mesmo tempo, a hora para novos debates, num País que ainda discute de que maneira delitos políticos são passíveis de punição. Vide o caso Jaqueline Roriz, cujo escrutínio da opinião pública passou ao largo de uma votação secreta.
Talvez  seria pedir demais que se entendesse os mecanismos de corrupção – de duas vias, quase sempre, entre público e privado – antes de sair às ruas pedindo a extinção de um inimigo que poucos reconhecem o rosto. Sem isso, a manifestação passa a ter como alvo a representação pública, a própria democracia, e não o corruptor em si – mas para isso, e aí sim seria pedir muito, é preciso dar nome aos bois. Que tal o das grandes construtoras ou outras grandes detentoras de contratos públicos cujos diretores aplaudimos de pé quando aparecem na tevê para dar palestras ou testemunhos sobre como vencer na vida?
Como lembra o cientista político Leonardo Avritzer, da UFMG, em recente artigo nesta CartaCapital, “sem corrigir alguns processos na organização do Estado e do sistema político, a corrupção voltará a estar presente nestes mesmos lugares”, faça a presidenta Dilma Rousseff a “faxina” que quiser. Porque todos os debates acima colocados ainda engatinham. E engatinham com ou sem o grito dos indignados, hoje patrocinados pela OAB e pela CNBB.
Diante de tudo isso, é possível garantir que, enquanto algumas dúzias de paulistas gritam contra a corrupção, os probos que livraram Roriz e se aboletam sobre obras públicas (para desviar o “nosso dinheiro que pagamos com tanto sacrifício”, como diz o protesto) riem. Ou dormem neste feriado.
Nesse cenário, o vago protesto contra a corrupção não deixa de ser didático. Ao menos mostra que, enquanto ingenuidade e instrumentalização política marcharem juntas, fica quase impossível dizer que, no Brasil, a revolução ainda será Twittada, como no mundo árabe. Quando o for, ela não partirá do vão livre do Masp.

Brava Gente Brasileira






Dilma
                  Presidenta Dilma Rousseff e família - Desfile 7 de Setembro de 2011 - Brasília - BR
                                                                                                                  Foto: Agência Brasil


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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Falta democracia na internet?



Renato Janine Ribeiro foi meu professor de Filosofia Política na Universidade de São Paulo (USP). Aluna de Letras, queria me aprofundar também em Política. Afinal, estávamos nos anos de chumbo, e o movimento estudantil "fervia" dentro da universidade e nas ruas, em passeatas e outras manifestações para a derrubada da brutal ditadura militar. 


Jovem professor, mas já intelectual vigoroso, pelas mãos de Renato nós, estudantes embevecidos com o conhecimento que recebíamos e com a vontade de mudar o mundo, sorvemos as ideias de Rousseau, Hobbes, Locke... Aulas fascinantes, de um professor apaixonado pelo saber e pela docência.


Hoje, Renato Janine também atua na blogosfera e na imprensa em geral, com importantes artigos e outros textos. Tratando inclusive de assuntos menos acadêmicos e de maior interesse social, como o que publico abaixo.



A internet não é tão democrática


Renato Janine Ribeiro


Sou fã da internet. Graças a ela, confiro datas, citações e muito mais, cada vez que escrevo. Descubro autores e ideias novas. Tenho, claro, que tomar cuidado com o que leio, porque há informações sem conhecimento, afirmações sem base. Mas também acho democrático que a rede permita difundir valores que antes não tinham lugar. Um jornal é um produto caro, por seus custos industriais e de distribuição. Daí que seja difícil fazer um jornal, como antes se dizia, alternativo. Já um blog pode ser barato - e servir de contraponto aos jornais maiores, expondo valores diferentes (como os blogs de esquerda fazem, no Brasil), oferecendo análises, algumas delas boas, ou, ainda, produzindo informação própria (o que é o mais raro - só lembro o caso de Geisy Arruda, revelado pelo Boteco Sujo).


Mas a maior esperança que muitos tiveram, inclusive eu, foi que a internet se mostrasse uma grande ágora, o espaço de uma cidadania global, um fórum de democracia quase-direta. A palavra grega - que significa a praça onde os cidadãos deliberam sobre assuntos públicos - parecia caber perfeitamente ao terreno virtual, em que todos adquirem igual cidadania e debatem temas de interesse geral. Ao pé da letra, a internet é republicana, porque abre lugar para a "res publica", a coisa pública. Assim, quando concorri à presidência da SBPC, em 2003, criei uma página na Web para a campanha; ela até surtiu efeito, pois tive uma boa votação (tratei do assunto em meu livro "Por uma nova política", Ateliê editorial).


Rede facilita a pressa e a intolerância


Ora, o que lamento é que, ao contrário do esperado, o espaço virtual exponha pouca divergência e pouca reflexão. Quase sempre, escreve num blog quem compartilha as ideias do blogueiro. Esse é o primeiro problema. A internet é democrática porque torna mais fácil surgir a divergência, limita o quase-monopólio da mídia tradicional, impressa ou não - mas a divergência que ela admite está no confronto entre os sites, não dentro de um site que seja, ele mesmo, democrático. Ou seja, a internet é democrática porque encontramos URLs para todos os gostos - mas não porque algum portal abrigue uma discussão inteligente sobre um assunto de relevo. A democracia dela está em que os vários lados têm como e onde se expressar. Mas não está na tolerância. A internet é democrática na luta entre os sites - não dentro deles, embora alguns tentem, heroicamente, fazer funcionar a democracia do debate e do respeito mútuos.


Os leitores são mais radicais, às vezes, que os próprios blogueiros. Vejamos o blog de Luis Nassif que, por exemplo, não esconde seu respeito pelas "raposas políticas" mineiras e publica posts de quem diverge dele. Só que os comentários dos leitores estão, na maioria, divididos entre a condenação, a ridicularização e a acusação. O debate esquenta, mas isso não quer dizer que os leitores respeitem a opinião alheia. Isso também acontece em órgãos da imprensa. É comum os leitores radicalizarem a posição do jornal ou do blog.


Até aqui, discuti o caráter pouco democrático - considerando um aspecto fundamental da democracia, que é o respeito ao outro, a liberdade de divergir - da internet. Mas há outro ponto importante. É que a democracia funciona melhor quando ela é produtiva. Em outras palavras, se a democracia não melhorar as condições de vida mas, ao contrário, piorá-las, nosso apreço por ela dificilmente se manterá. É triste lembrar isso, mas a democracia não é fim em si. Quando a República de Weimar levou a Alemanha a um impasse, deu no nazismo. Os constitucionalistas aprenderam com isso e as constituições recentes evitam ao máximo as falhas que permitiram o advento do regime mais criminoso da história moderna.


A questão, então, é: a internet, enquanto espaço em que se exprimem diferentes opiniões, não tanto no interior de cada unidade sua (portal, blog, site), mas delas entre si, é produtiva? Ela gera ideias novas, propostas, mudanças? Receio que pouco. Noto isso pela fraqueza da argumentação. É frequente haver comentários que são reações epidérmicas irritadas, imediatas, mais do que um pensamento. Nada proíbe as pessoas de se exprimirem. Nada as obriga, também, a pensar. Mas, quando se torna fácil divulgar urbi et orbi o que cada um acha, muitos sentem que é mais fácil escrever do que ler.


Hemingway dizia, de um desafeto: "He is not a writer. He is a typist". Pois há pessoas que não escrevem, digitam. Ou que escrevem sem ter lido o assunto em pauta e, pior, emitem julgamentos peremptórios. Recentemente, notei isso quando postei no Facebook um artigo de um analista que respeito, colaborador aqui no Valor, e algumas pessoas o atacaram severamente. Direito delas. Mas uns três confessaram só ter lido minha chamada de 420 caracteres, não o artigo que estava linkado. Ora, como se pode julgar algo ou alguém sem ler? Por espantoso que pareça, esse pequeno fato transmite a impressão de que é mais fácil escrever do que ler. Fácil, talvez seja; mas não quer dizer que seja melhor. Sempre houve mais leitores do que escritores. A internet inverte esse dado, talvez, mas ganha-se com isso? É perigoso quando as pessoas nem escutam direito o pensamento dos outros.


Em suma, o que falta para a internet ser o tão almejado espaço de criação democrática de ideias e projetos? Primeiro, o respeito ao outro. Segundo, uma argumentação racional. Não basta reagir com o fígado. Talvez, terceiro, seja preciso tempo: ler com atenção, refletir, só depois postar. A internet favorece a imediatez. Isso não ajuda a amadurecer o pensamento. Mas ela continua sendo uma arma poderosa, notável. Só que é preciso melhorá-la, e muito.


Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo. E-mail: rjanine@usp.br

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Viva Cuba !!! Viva a Líbia !!!



Cuba não reconhece o Conselho Nacional de Transição da Líbia

O Ministério das Relações Exteriores efetuou a retirada do seu pessoal diplomático na Líbia, onde a intervenção estrangeira e a agressão militar da Otan agudizaram o conflito e impediram o povo líbio de avançar para uma solução negociada e pacífica, no pleno exercício da sua autodeterminação.

A República de Cuba não reconhece o Conselho Nacional de Transição nem nenhuma autoridade provisória e só dará o seu reconhecimento a um governo que se constitua nesse país de maneira legítima e sem intervenção estrangeira, mediante a vontade livre, soberana e única do povo irmão líbio.

O embaixador Víctor Ramírez Peña e o primeiro secretário Armando Pérez Suárez, acreditados em Tripoli, mantiveram uma conduta impecável, estritamente apegada ao seu estatuto diplomático, correram riscos e acompanharam o povo líbio nesta trágica situação. Foram testemunhas diretas dos bombardeios da Otan sobre objetivos civis e da morte de pessoas inocentes.

Com o grosseiro pretexto da proteção de civis, a Otan assassinou milhares deles, desconheceu as iniciativas construtivas da União Africana e de outros países e, inclusive, violou as questionáveis resoluções impostas pelo Conselho de Segurança, em particular com o ataque a objetivos civis, o financiamento e fornecimento de armamento a uma parte, bem como a instalação de pessoal operacional e diplomático no terreno.

As Nações Unidas ignoraram o clamor da opinião pública internacional, em defesa da paz, e tornaram-se cúmplices de uma guerra de conquista. Os fatos confirmam as advertências prévias do comandante em chefe Fidel Castro Ruz e as oportunas denúncias de Cuba na ONU. Agora sabe-se melhor para que serve a chamada "responsabilidade de proteger" nas mãos dos poderosos.

Cuba proclama que nada pode justificar o assassinato de pessoas inocentes.

O Ministério das Relações Exteriores reclama o fim imediato dos bombardeios da Otan que continuam a ceifar vidas e reitera a urgência de que se permita ao povo líbio encontrar uma solução pacífica e negociada, sem intervenção estrangeira, no exercício do seu direito inalienável à independência e à autodeterminação, à soberania sobre os seus recursos naturais e à integridade territorial dessa nação irmã.

Cuba denuncia que a conduta da Otan destina-se a criar condições semelhantes para uma intervenção na Síria e reclama o fim da ingerência estrangeira nesse país árabe. Apela à comunidade internacional para que impeça uma nova guerra, insta as Nações Unidas a cumprirem seu dever de salvaguardar a paz e proteger o direito do povo sírio à plena independência e autodeterminação.

Ministério das Relações Exteriores de Cuba
Havana, 3 de Setembro de 2011

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Uma pequena ilha com uma moral maior que o Ocidente

A coragem e a dignidade de Cuba é motivo de alegria para todos os homens livres. Enquanto dezenas de países se ajoelharam diante do imperialismo norte-americano, francês e britânico, a pequena ilha do Caribe disse não ao genocídio que cometem na Líbia para roubar petróleo, e ao governo fantoche que tentam implantar no país.

A moral de Cuba é maior que todo o Ocidente. Viva Cuba!

Associação dos Apoiadores do Livro Verde no Brasil