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terça-feira, 26 de julho de 2011

E os Murdoches tupiniquins?

Abaixo reproduzo lúcido artigo que faz um "resumo da ópera" do caso Murdoch e alerta a todos nós sobre os métodos do "jornalixo" murdochiano e seus eventuais "simpatizantes" na velha mídia brasileira.


Murdoch não é exceção

Murdoch não é exceção alguma, e sim o padrão de empresário da mídia. Suas práticas não diferem em nada se compararmos com os donos dos veículos brasileiros.

Gabriel Brito


Os últimos dias chacoalharam o Reino Unido com um escândalo nos moldes em que seus famosos tablóides adoram se lambuzar. Graças à sanha comercial que pauta os veículos de comunicação da atualidade, uma monumental rede de espionagem sustentada pelo jornal dominical News of The World (NotW) veio à tona, escandalizando toda a comunidade britânica e internacional, especialmente com os desdobramentos que ainda se desenvolvem.

  

Nessa teia criminosa, o jornal de propriedade do bilionário das comunicações Rupert Murdoch conseguiu grampear telefones e mensagens particulares de cerca de 4.000 mil pessoas, entre elas políticos, celebridades, nobres, veteranos das guerras do Iraque e Afeganistão e vítimas de crimes. Em resumo, os protagonistas diários desse tipo de imprensa, antes de sensacionalista, espúria e alienante.


Ligações perigosíssimas

As suspeitas sobre tais práticas já existiam há uns bons anos, mas eram acompanhadas com parcimônia pela mídia local, apesar de contar com alguma ênfase dos rivais da News Corporation, o conglomerado que abarca todos os negócios de Murdoch na comunicação. No entanto, o caso de escuta ilegal da caixa postal de uma garota de 13 anos desaparecida aparenta ter sido o estopim, diante do fato de que ao acessarem e apagarem seus recados, deram esperanças à família de que ainda estivesse viva.

Dessa forma, sucedeu-se aquilo que ninguém queria: uma série de escândalos sendo descortinados a partir do primeiro, desmoralizando as cortejadas instituições da nação e o recém-eleito governo dos Conservadores. No momento, o primeiro-ministro David Cameron tenta convencer a opinião pública e o Parlamento de que não tinha idéia das práticas de Andy Coulson, seu assessor de comunicação que anteriormente fora editor do NotW. Já os números 1 e 2 da Scotland Yard, Paul Stephenson e John Yates, não resistiram aos fatos e já deixaram seus cargos, pois ficou inequívoca a conivência da direção policial com os esquemas de escutas e espionagem contratadas pelo jornal. Além disso, contrataram Neil Wallis, ex-executivo do NotW, como relações públicas... Pra completar, a ex-editora, presa e já solta sob fiança, Rebekah Brooks, tinha passe livre nos corredores, eventos e festejos que envolviam a política, a corte e o que há de influente na sociedade inglesa.

Isto é, a impostura que parecia restringir-se somente a um veículo privado de imprensa explode mundialmente por expor uma série de promiscuidades nas engrenagens do Estado, funcionando em total sinergia com os executivos de redação de uma grande corporação, que após fazerem carreira no folhetim circense foram contratados para trabalhar em altos escalões do governo e até da própria polícia.

Com isso, o castigo por tamanha leniência com um grande barão da mídia veio a cavalo: após anos encostando governos e autoridades na parede com sua rede de chantagem e poder, quando o escândalo virou notícia o foco logo se voltou às autoridades britânicas, após breves esclarecimentos de Murdoch na Câmara dos Comuns, ao lado de seu filho e executivo da News Corp., James.

E assim, Murdoch ganha tempo e forças para se defender com mais contundência nas próximas semanas. Já o governo inglês, com toda a crise financeira que lhe aperta o calo, apenas perde. E a atenção que deveria recair sobre o bilionário de nacionalidades australiana e estadunidense vai se desfazendo em várias direções.


Quem só vê caras...

Já o resto da imprensa comercial acompanha tudo com uma mistura de estupefação e cautela. No primeiro caso, pelo óbvio engulho que causa a qualquer pessoa as ilegalidades do NotW. Já no segundo, para evitar questionar pontos que afetam por tabela toda a mídia, não apenas o império de Murdoch.

Como de costume nos casos que escancaram a inerente corrupção das democracias calcadas nos valores liberais de mercado, a mídia prefere priorizar os desvios de conduta dos personagens envolvidos ao invés de questionar o que permite a um empresário chegar a tal patamar de influência e hegemonia sobre as comunicações e consequentemente sobre a própria sociedade que habita.

Dessa forma, Coulson, Stephenson, Rebekah e, para coroar, Cameron, são os que devem explicações ao público, principalmente ao enorme contingente de espionados. Já o mega-aparato de desinformação e manipulação levantado por Murdoch ao longo de três décadas passa ao largo das discussões. Ainda por cima aproveita-se a oportunidade para desmoralizar a regulamentação na mídia, visto que a Inglaterra dispõe de tal advento e foi lá que esse enorme descalabro ocorreu.


...não vê o capitalismo

Entretanto, ao invés de pararmos para avaliar quem é o mais delinquente de todos, deveríamos voltar a nos questionar novamente sobre a necessidade de mecanismos anti-monopólios e aprimoramentos na regulação midiática. Ou ainda, podemos questionar se a regulação da mídia não é mera quimera em meio a uma sociedade capitalista, inerentemente contraventora e fraudadora, pois o lucro é o céu e o resto não se discute.

Apesar dos ditames do mercado realmente já terem abduzido os profissionais do setor há tempos, não é crível que tal esquema para consecução de informações privilegiadas que resultavam em mais exemplares e anúncios vendidos, com entranhas na direção da Scotland Yard, fosse comandado por subordinados e toda uma numerosa redação sem que o grande capo sequer suspeitasse, mesmo após seus editores terem sido contratados para trabalhar nas instituições estatais...

Mas diante da evidente teia de promiscuidades – como bem descreve o jornalista Luiz Egypto - o movimento de abafa não poderia faltar com seus socorros. Começando pelo próprio parlamento britânico, que mostrou todo seu temor e submissão ao magnata ao chamá-lo para depor como colaborador, não como suspeito, mesmo sendo o chefe dos tais "jornalistas" há anos e tendo acesso livre aos corredores do governo desde os tempos de Thatcher...

Tudo fica ainda mais suspeito quando após relatos estarrecedores o ex-repórter do jornal, Stuart Hoare, aparece morto em casa. Ele havia contado a todos que Coulson o estimulava abertamente a se utilizar das escutas, além de ter revelado alguns podres do jornalismo atual, contando que ele e vários outros profissionais são pagos para seguirem estrelas e celebridades e conviver com elas no mesmo ritmo de extravagâncias e alucinações, em meio a diversões regadas a toda sorte de drogas, bebidas etc. Pode ter sido queima de arquivo ou um mal súbito de quem já estava com a saúde completamente deteriorada por tamanho "empenho profissional", mas torna tudo ainda mais nebuloso.

E para ilustrar porque devemos esquecer os lacaios do magnata que praticaram todos esses delitos contra a privacidade e a reputação das pessoas, deve-se relembrar o tamanho do império de Rupert Murdoch e todo seu poder de destruição, conforme resgatado pelo professor Venício Lima em matéria da France Presse:

“A News Corporation é um império midiático e de entretenimento construído por seu fundador, Rupert Murdoch. Cobrindo uma enorme região geográfica, cotado em bolsa em Sydney e Nova York, o grupo se distingue também pela diversidade de suas atividades, que vão da TV aos jornais, do cinema à internet, contando também com ícones da imprensa conservadora como The Times e Wall Street Journal, e tablóides sensacionalistas como News of the World e New York Post. À frente do conglomerado, Rupert Murdoch, 80 anos, seu presidente-executivo e “self made man” nascido na Austrália, mantém as rédeas de um império de US$ 60 bilhões em ativos e um volume de negócios anual de US$ 33 bilhões no exercício encerrado no fim de junho. (…) Na Inglaterra, adquiriu primeiramente o News of the World e depois o The Sun, o tablóide mais popular da atualidade, o tradicional The Times e o Sunday Times. Também possui, entre outros 175 títulos, o The Australian e o The New York Post. Nos Estados Unidos, país o­nde reside e do qual se tornou cidadão, sua cadeia de notícias a cabo Fox News, que durante a invasão ao Iraque bateu a pioneira CNN em audiência, jamais ocultou seu apoio ao governo do republicano George W. Bush. Além da cadeia Fox, o grupo News Corp. impôs-se na televisão a cabo na Europa (BSkyB na Grã-Bretanha ou Sky na Itália, nascida da fusão Stream/Telepiu) e também na Ásia, com sua filial Star TV. Murdoch também tem interesses no mundo editorial (HarperCollins) e no cinema, com os estúdios Twentieth Century Fox, que produziu êxitos mundiais como Guerra nas Estrelas e Titanic. (…) Em 2007, um dos maiores êxitos do grupo foi a compra da Dow Jones e do Wall Street Journal, por um total de US$ 5,6 bilhões”.
 
É de perder o fôlego somente a leitura do patrimônio de Murdoch. Dessa forma, fica claro porque ele decidiu fechar o NotW imediatamente após a explosão da crise em voga, pois trata-se claramente de apenas um fração mínima de seus negócios "jornalísticos". Com simplicidade, demitiu os 200 redatores do jornal e culpou seus editores executivos pelas iniquidades, apesar de outro ex-editor, Colin Myler, ter declarado após o depoimento de Rupert e James que o segundo sabia no mínimo desde 2008 das escutas. Assim, diante da teia de relações dissecada, não faltam motivos pra suspeitarmos que na verdade todos os citados no caso tinham idéia da existência do esquema.


Aliança com o imperialismo, o belicismo e o financismo, não com a sociedade

Além do monopólio estrondoso, é necessário lembrar que a News Corp. foi aliada de primeira hora dos mais conservadores setores da sociedade norte-americana e européia, dando legitimidade e cobertura épica às invasões do Afeganistão e Iraque, além de participar do processo difamatório de diversos países cujos governos divergem dos EUA e atuam à revelia de suas ordens, tais como Venezuela, Equador, Bolívia, Irã e até outros menos demonizados pela mídia comercial e de direita.

Seu império midiático serve até hoje para os discursos delirantes e ultra-reacionários do Partido Republicano, que atingiu as raias da loucura ao cunhar de nazistas ou socialistas alguns programas de governo do democrata Obama, emprestando terreno fértil também para a ascensão do Tea Party, a nova vertente ultraconservadora da política estadunidense.

Dessa forma, o episódio das escutas ilegais reforça dois entendimentos cada vez mais consolidados. O primeiro é que a mídia comercial jamais servirá a uma comunicação cidadã, que vise justiça e ofereça igualdade de voz e oportunidades a todos os segmentos. Ela estará sempre refém de suas relações políticas e comerciais, vitais para sua sobrevivência e sucesso econômico. A outra necessidade que volta a transparecer, cada vez mais reforçada, é a do controle social da mídia, no sentido de evitar toda sorte de monopólios, oligopólios e burlas que façam um mesmo império ter incontáveis ramificações por todos os locais em que se queira instalar e reinar.


A regulação tem seus limites

No entanto, com uma globalização do capitalismo que não foi acompanhada pela formação de arcabouços jurídicos igualmente globais e fortemente respeitados, não se pode depositar todas as esperanças na regulação a ser estabelecida ou aprimorada por governos de democracias capitalistas, historicamente coniventes com os desserviços da mídia comercial, geralmente muito bem relacionada nos altos escalões de poder.

Murdoch não é exceção alguma, e sim o padrão de empresário da mídia. Suas práticas não diferem em nada se compararmos com os donos dos veículos comerciais brasileiros. Não à toa, não se vêem editoriais enérgicos, as matérias tratam apenas de relatar as delinquências dos subalternos e outros magnatas da estirpe de Roger Cohen até ganham espaço em artigos encomendados para defender um tradicional habitué do ranking Forbes de bilionários.

Seu caso ganhou corpo e virou manchete internacional por conta da sordidez de suas “investigações jornalísticas”, jamais imaginadas pela vasta maioria do público consumidor de seus folhetins e programas. Resta ao governo inglês conseguir abafar o caso e seguir a vida, aos demais governos esconderem melhor suas relações espúrias com barões da comunicação, aos Murdoch continuar tocando seus negócios.

E aos que ficam fora disso, seguir na construção de outra mídia.

Kaos en la Red


segunda-feira, 25 de julho de 2011

"Sorria, você está sendo escravizado"

Há tempos vimos falando no ABC! sobre os Senhores do Mundo, seus escravos, a Servidão Moderna, a barbárie e suas vítimas... Para saber mais, clique aqui.

Indicação do vídeo abaixo, sobre a Nova Ordem Mundial: Vera Vassouras*



Link do video: http://www.youtube.com/watch?v=omWLrmStPuQ


É agora. Está na hora de acordar do sono profundo.

* Vera Lúcia Conceição Vassouras é Mestra em Filosofia do Direito pela USP, advogada militante, professora universitária, tradutora, escritora, autora do livro O mito da igualdade jurídica no Brasil - Notas críticas sobre a igualdade formal.

*

domingo, 24 de julho de 2011

Aos Companheiros de Utopia

Aos meus amigos-irmãos e irmãs, blogueiros e blogueiras, leitores e leitoras, do mundo todo, companheiros e companheiras de utopia, que caminham comigo, nos sonhos e nas batalhas diárias, por um mundo fraterno e igualitário, sem violências de qualquer espécie, um singelo agradecimento por sua companhia e solidariedade.




Link do video: http://www.youtube.com/watch?v=EETQN7AlfTw&feature=fvst 


Los Hermanos                     Os Irmãos

Yo tengo tantos hermanos     Eu tenho tantos irmãos

Que no los puedo contar     Que não os posso contar
En el valle, en la montaña,     No vale, nas montanhas
En la pampa y en el mar     Na planície e no mar
Cada cual con sus trabajos     Cada um com seus trabalhos

Con sus sueños cada cual     Cada um com seus sonhos
Con la esperanza delante,     Com a esperança em frente
Con los recuerdos detras     Com as memórias atrás
Yo tengo tantos hermanos     Eu tenho tantos irmãos
Que no los puedo contar.     Que não os posso contar.

Gente de mano caliente     Gente de mão quente

Por eso, de la amistad     Por isso, da amizade
Con un lloro pa' llorarlo     Com um choro pra chorar
Con un rezo pa' rezar     Com uma oração pra orar

Con un horizonte abierto     Com um horizonte aberto
Que siempre esta mas alla     Que está sempre mais longe
Y esa fuerza pa' buscarlo     E essa força pra buscá-lo

Con tezon y voluntad     Com tesão e vontade
Cuando parece mas cerca     Quando parece mais perto

Es cuando se aleja mas     É quando se distancia mais
Yo tengo tantos hermanos     Eu tenho tantos irmãos
Que no los puedo contar.     Que não os posso contar.

Y asi seguimos andando     E assim seguimos andando
Curtidos de soledad     Curtidos de solidão
Nos perdemos por el mundo     Nos perdemos pelo mundo
Nos volvemos a encontrar.     Nos encontramos novamente.

Y asi nos reconocemos     E assim nos reconhecemos
Por el lejano mirar     Pelo olhar distante
Por las coplas que mordemos     Pelos versos que "mordemos

"Semillas de inmensidad.     Sementes de imensidão.

Y asi seguimos andando     E assim seguimos andando
Curtidos de soledad     Curtidos de solidão

Y en nosotros nuestros muertos     E em nós os nossos mortos
Pa' que nadie quede atras     Pra que ninguém fique para trás

Yo tengo tantos hermanos     Eu tenho tantos irmãos
Que no los puedo contar     Que não os posso contar

Y una hermana muy hermosa     E uma irmã muito bonita
Que se llama LIBERTAD.     Que se chama LIBERDADE.

Música: Atahualpa Yupanqui
Interpretação: Mercedes Sosa

*




 

sábado, 23 de julho de 2011

Cuba e cubanos: solidariedade com o mundo

No início desta semana, na segunda-feira, 18, fiquei alegremente surpreendida com um artigo da conhecida jornalista e blogueira cubana Norelys Morales Aguilera, que escreveu em seu blog Isla Mía (Minha Ilha) sobre as violências de gênero, moral, psicológica, patrimonial e institucional que venho sofrendo. Leia o post aqui.

Ignorada pela velha e apodrecida mídia tradicional e por blogueiros que se autodenominam "progressistas", minha problemática, reafirmo aqui, não é questão particular, mas de interesse público, pois envolve também desídia de várias instituições que têm obrigação constitucional de atuar.

A solidariedade da jornalista-blogueira cubana não é um caso isolado. Cuba tem se mobilizado em várias oportunidades para correr em auxílio de inúmeros países, em diversas ocasiões. Mas tais atitudes são escondidas pelos meios de comunicação tradicionais, que procuram manter a maioria do povo brasileiro desinformada e emburrecida.

Com alegria reproduzo abaixo post do blog do afetuoso e solidário amigo, Gilberto Azevedo, de Recife, falando de solidariedade e egoísmo, da ação concreta de Cuba e dos EUA no mundo.

 A solidariedade e o egoísmo

A SOLIDARIEDADE



O EGOÍSMO



"Esta noite 200 milhões de crianças dormirão nas ruas do mundo, nenhuma é cubana. A cada ano, 80 mil crianças morrem vítimas de doenças evitáveis, nenhuma delas é cubana."   Fidel Castro

Enquanto a mídia conservadora mundial encobre e é conivente com os bárbaros crimes perpetrados pelo imperialismo, notadamente o norte-americano, Cuba age silenciosamente prestando solidariedade em dezenas de países pobres, em especial na América Latina.

São duas posições diametralmente opostas.

Quem não se lembra do terremoto que praticamente destruiu o Haiti, causando 250 mortes, inclusive brasileiros, destacando-se Dona Zilda Arns, e 1,5 milhão de desabrigados?

Enquanto os Estados Unidos mandavam dezenas de milhares de militares, Cuba mandava médicos e enfermeiros para atender os feridos, a maioria em estado grave.

As tropas ianques ocuparam o aeroporto da capital Porto Príncipe, proibindo a aterrizagem de aviões de países que levavam ajuda humanitária mas que não contavam com a simpatia do governo do Pentágono.

Uma brigada de 1.200 médicos está atuando em todo o território haitiano, atendendo as vítimas do terremoto e infectados com cólera, como parte da missão médica internacional de Fidel Castro.

Enquanto os médicos cubanos cuidavam dos feridos e confortavam suas famílias, os militares ianques reprimiam violentamente a população mais pobre.

O mundo deveria se envergonhar dessa situação.

Atualmente, mais de 8.200 estudantes pobres de mais de 30 países estudam medicina em Cuba. Além da gratuidade, esses alunos ainda recebem uma bolsa do governo cubano.

Do Brasil são 684 estudantes pobres que estudam na Escola Latino-americana de Medicina (ELAM). Do Ceará são 33, e 70 já terminaram o seu curso e atuam principalmente no interior do Estado, muitos deles em assentamentos do MST.

Com o apoio do governo do Estado do Ceará, através da Secretaria Estadual de Saúde, os cearenses que estudam na ELAM e que vem passar as férias de meio do ano aqui, realizam jornadas na periferia de Fortaleza e no interior do estado, mais precisamente nas localidades mais carentes.

Este ano, a jornada será realizada no município de Sobral no período de 1º a seis de agosto, contando com o apoio do prefeito Clodoveu (Veveu) Arruda e da Associação de Amizade Brasil-Cuba do Ceará. Esse trabalho é coordenado por Thiago Ponciano, cearense que preside a Associação dos Estudantes Brasileiros em Cuba.

Neste mês de julho, o sistema de saúde da Nicarágua será fortalecido com a chegada de 315 estudantes egressos da ELAM. Eles acabam de concluir o quinto ano do Curso de Medicina e tão logo cheguem a seu país se incorporarão ao sistema nacional de saúde como internos, enquanto cursam o sexto e último ano com professores da brigada médica cubana Che Guevara, que presta serviços há vários anos nessa nação centro-americana.

Segundo informou o doutor Alfredo Rodriguez, chefe da brigada médica cubana, depois de graduar-se como médicos, eles continuarão mais dois anos como residentes em especialidade de Medicina Geral Integral. Ao todo são 425 os estudantes nicaragüenses que concluírão Medicina este ano na ELAM, porém só esses 315 continuarão seus estudos na Nicarágua, enquanto os outros 137 restantes o farão em Cuba. No total são 880 os jovens nicaragüenses a se formarem em Medicina em Cuba e outros 15 em carreiras tecnológicas.

É importante observar que nos Estados Unidos mais de 55 milhões de pessoas não têm acesso a nenhuma assistência básica de saúde. 

O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a aconselhar o presidente Barack Obama a criar um sistema nos moldes do SUS visando à universalização da saúde naquele país.

A colonizada direita brasileira e certos setores ditos de “esquerda” deveriam atentar para o fato de que, enquanto Cuba – apesar do criminoso boicote econômico, financeiro e comercial imposto pelo império do Norte – ajuda países pobres, na maioria latino-americanos, o governo estadunidense proíbe até que laboratórios vendam remédios para tratar crianças cubanas com câncer.

Num flagrante desrespeito aos mais elementares direitos humanos e à autodeterminação dos povos, contrariando orientações das Nações Unidas, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, informou na última sexta-feira 15, ao Congresso do seu país, que prorrogou por mais seis meses a suspensão de uma cláusula da Lei Helms-Burton que permite entrar com um processo contra empresas estrangeiras que negociem com Cuba.

Essa ação unilateral do governo ianque representa a continuidade do cruel e criminoso bloqueio contra a Ilha, que já dura mais de meio século.

O que a velha mídia conservadora, venal e golpista brasileira, vergonhosamente esconde, é que em Cuba a saúde é universalizada e o analfabetismo é zero, e que, com ajuda de professores cubanos a Venezuela e a pobre Bolívia erradicaram o analfabetismo.

A informação é da UNESCO.

O método de alfabetização cubana é o que há de mais avançado no mundo. Professores cubanos atuam em dezenas de países, incluindo o Brasil, sendo dezenas deles no Ceará.

Enquanto Cuba ajuda na educação, o imperialismo, notadamente o norte-americano bombardeia há anos escolas e hospitais no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão, e agora na Líbia.

Por tudo isto e muito mais é que Cuba é exemplo de solidariedade para o mundo.


PORQUE A IVª FROTA DOS EUA FOI REATIVADA

O Senador Bill Nelson do Partido Democrata da Flórida desmembrou em 4 pontos a razão do reativamento da Quarta Frota nas costas do Brasil:

1. O crescimento econômico do Brasil.

2. A agressividade venezuelana.

3. O crescente movimento comercial no Canal do Panamá.

4. E por último - acredite se quiser: O velho Fidel Castro.

Já o jornal francês Figaro foi mais radical para explicar a Quarta Frota:

"Para se contrapor ao fortalecimento da Esquerda no seu quintal os EUA decidiram reativar a Quarta Frota."

PERNAMBUCANO FALANDO PARA E COM O MUNDO

*

sexta-feira, 22 de julho de 2011

DOUTOR Lula, de novo!...

Lula recebe três títulos de Doutor Honoris Causa em Pernambuco

Três universidades pernambucanas outorgaram títulos de Doutor Honoris Causa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (22). As deferências foram feitas pela Universidade de Pernambuco (UPE), pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).


Durante a cerimônia, que ocorreu no teatro Santa Isabel, em Recife, Lula se revelou emocionado. “Vocês não podem imaginar o que ele significa para um pernambucano retirante como eu, que não teve as oportunidades escolares que todo jovem deveria ter, mas que sempre acreditou no potencial libertador da educação”, disse.

                                Lula recebe título de Doutor "Honoris Causa" em Pernambuco. 
Foto: Roberto Pereira/SEI-PE


   Diploma de Doutor "Honoris Causa" da UFRPE. 
                                                               Foto: Instituto Cidadania



O título de Doutor Honoris Causa é concedido por universidades a pessoas eminentes, que não necessariamente sejam portadoras de diploma universitário, mas que tenham se destacado em determinada área por sua boa reputação, virtude, mérito ou ações de serviço que transcendam famílias, pessoas ou instituições.

Com os três títulos recebidos nesta sexta-feira, Lula completa cinco Honoris Causa. O primeiro foi outorgado em janeiro pela Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais. Em março, mais um diploma foi concedido pela Universidade de Coimbra, em Portugal.

Reconhecimento

No documento que justifica a concessão do título, a UFPE destaca: “Com sua travessia política persistente e com o olhar voltado para o coletivo, Lula protagoniza uma ação instituinte na construção de alternativas para o nosso País, na reformulação de projetos, na comunicação dos saberes, dialogando com as experiências da vida, ressignificando a própria história nacional.”

Em nota divulgada pela UFRPE, o reitor Valmar Corrêa de Andrade diz que o título outorgado reconhece “o valor deste mérito ao cidadão pernambucano que, com hombridade e competência soube reconstruir com honradez um novo Brasil.”

Na UPE, a decisão de homenagear Lula foi aprovada por unanimidade no Conselho de Gestão Acadêmico e Administrativo do campus da instituição em Garanhuns.

Instituto Cidadania

A seguir, o ABC! reproduz o discurso integral do Doutor Lula.


Discurso de Luiz Inácio Lula da Silva

Outorga de títulos de Doutor Honoris Causa

Recife, Pernambuco

22 de julho de 2011




É com imensa honra que recebo os títulos de Doutor Honoris Causa das três universidades públicas de Pernambuco.

E a minha honra é maior ainda por recebê-los conjuntamente, em uma única solenidade, neste esplêndido teatro Santa Isabel, de tanta importância na vida cultural pernambucana e brasileira.

Quero, antes de mais nada, agradecer por essa deferência aos magníficos reitores da Universidade Federal, da Universidade Rural e da Universidade de Pernambuco.

Queridos amigos e amigas,

Estejam certos: o dia de hoje, para mim, será inesquecível.

Vocês não podem imaginar o que ele significa para um pernambucano retirante como eu, que não teve as oportunidades escolares que todo jovem deveria ter, mas que sempre acreditou no potencial libertador da educação. Não podem imaginar o que representa voltar ao meu estado natal para receber das universidades pernambucanas o reconhecimento por tudo que o nosso governo fez em prol da educação e da igualdade social no Brasil.

Vou guardar esses três diplomas em um lugar muito especial do meu coração. Vão ficar ao lado daquele que recebi quando me formei torneiro mecânico e dos que me foram conferidos ao ser eleito e reeleito Presidente da República.

Depois de deixar a Presidência, tenho recebido, com muita alegria, diversas homenagens, inclusive de outras universidades brasileiras e estrangeiras. Mas não tenham dúvida: nada se compara, para um filho de Pernambuco, a receber tamanha honraria em sua própria terra.

Digo isso porque Pernambuco, na minha vida, nunca foi só um lugar de origem. Sempre foi mais, muito mais. Foi berço e bússola. Seja pela forte experiência da primeira infância em Caetés, cuja lembrança me acompanha até hoje, seja pela sabedoria humilde e austera de minha mãe, que aqui formou o seu caráter e transmitiu aos seus filhos e filhas o sentido da dignidade da vida e a coragem na luta pela sobrevivência, que são a marca de nossa brava gente pernambucana.

O Pernambuco que fui forçado a abandonar quando criança, graças a Deus pude recuperar na idade adulta – e hoje me sinto, mais do que nunca, conterrâneo de todos vocês. Daí a minha enorme emoção neste momento.

Mais do que um reconhecimento pessoal, no entanto, acredito que vocês estejam homenageando a coragem e determinação do povo brasileiro, que nos últimos oito anos realizou, de modo pacífico e democrático, uma verdadeira revolução econômica e social, dando um salto histórico no rumo da prosperidade e da justiça.

Após a prolongada estagnação das chamadas “décadas perdidas”, o Brasil voltou a crescer de modo consistente, gerando empregos, distribuindo renda, promovendo inclusão social e redução das desigualdades regionais.

Deixamos para trás um passado de frustração e ceticismo. Os brasileiros e brasileiras voltaram a acreditar em si mesmos e na sua capacidade de resolver problemas e superar obstáculos.

Graças a um novo projeto de desenvolvimento nacional, com forte envolvimento da sociedade e intensa participação popular, fomos capazes de tirar 28 milhões de pessoas da miséria e de levar outras 39 milhões para a classe média, no maior processo de mobilidade social que este país já conheceu.

Resgatamos grande parte da nossa dívida com os pobres e excluídos e, ao mesmo tempo, modernizamos o país, preparando-o para os novos desafios do século XXI.

A descoberta de vastas jazidas de petróleo no pré-sal é a face mais visível – mas está longe de ser a única – dessa mudança de patamar científico e tecnológico do Brasil.

Os investimentos do PAC em infraestrutura produtiva e social foram fundamentais para o sucesso do nosso governo.

O PAC uniu o econômico e o social, transformando o Brasil num enorme canteiro de obras e empregos. Por toda parte se viam – e se veem – obras de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, estaleiros, refinarias, usinas hidrelétricas etc. Ao mesmo tempo, não há município brasileiro onde o Governo Federal não tenha realizado – e continue realizando – significativos investimentos em saneamento básico e moradia popular, mudando para valer as condições de vida da população carente.

E nunca é demais lembrar que o PAC foi coordenado com extrema competência e sensibilidade pela querida companheira Dilma Rousseff, hoje presidenta da República.

Caros amigos e amigas,

A educação foi um dos carros-chefe desse novo projeto nacional de desenvolvimento. Orgulho-me de ter criado 14 novas universidades federais e 126 extensões universitárias, nas mais diversas regiões do país, democratizando o acesso ao ensino superior. Sem falar nas 214 novas escolas técnicas federais, que abriram possibilidades inéditas de formação profissional para a juventude.

Dobramos o número de vagas nas universidades públicas.

Garantimos, com o Prouni, que 860 mil jovens de baixa renda pudessem cursar o ensino superior. A oportunidade não foi desperdiçada: os jovens do Prouni têm se destacado em quase todas as áreas, liderando em muitos casos os exames do MEC. Ou seja: bastou uma chance, e a juventude brasileira deu firme resposta ao mito elitista segundo o qual a qualidade é incompatível com a ampliação das oportunidades.

Creio que a homenagem de vocês é, sobretudo, a esse gigantesco esforço que o Brasil realizou no período recente – e que prossegue no atual governo – para resgatar a escola pública, e principalmente a universidade pública.

O que fizemos foi dotar o país de um projeto sistêmico de educação, que faltava ao Estado brasileiro. Esse é o sentido profundo do Plano de Desenvolvimento da Educação, o PDE.

O Brasil está conseguindo, com o PDE, superar a falsa contradição que vigorava nos anos 90, quando as políticas públicas tratavam como antagônicas a educação básica e a universidade.

Buscava-se, com aquele discurso, justificar o abandono a que foi relegada a rede federal de ensino superior. Mas a verdade é que nenhum outro nível de ensino foi realmente fortalecido.

Nosso governo inverteu completamente a equação. Provamos na prática que é possível expandir e qualificar o sistema educacional como um todo, da pré-escola à pós-graduação.

O fato óbvio, naquela época menosprezado, é que cabe à universidade colaborar com a escola pública, provendo-a de educadores de qualidade, que, por sua vez, formarão melhores alunos para o ingresso no ensino superior.

O sistema educacional que não for capaz de criar esse círculo virtuoso estará condenado ao fracasso.

Com a implantação do Reuni, em 2007 – e, antes dele, do Fundeb, em 2005 –, rompemos a lógica excludente e desastrada do passado.

Entre outros avanços, mais do que triplicamos, em oito anos, o investimento em educação, que saltou de 17 bilhões de reais, em 2003, para 65 bilhões de reais, em 2010.

Além disso, tomamos uma decisão ousada e absolutamente necessária: universalizamos os sistemas de avaliação, para que o Brasil conheça de fato a sua realidade educacional e seja capaz de apoiar as regiões e os municípios com maiores dificuldades.

Com a colaboração de vocês, avançamos muito. Mas o Brasil pode fazer mais e melhor. Tenho certeza de que a equipe liderada pela presidenta Dilma vai consolidar essas conquistas e promover transformações ainda maiores.

Companheiras e companheiros,

Na Presidência da República, tive sempre presente, como referência moral e política, a extraordinária história de lutas do povo pernambucano.

Procurei honrar essa trajetória libertária e a inigualável contribuição que Pernambuco deu à Independência e ao progresso social do Brasil.

A população brasileira precisa conhecer melhor o papel de vanguarda que, ao longo dos séculos, Pernambuco desempenhou na construção da nacionalidade e na conquista dos direitos das classes populares.

Sem a audácia de Pernambuco, o Brasil não seria hoje a nação livre e soberana que é, nem teria a liberdade e a justiça social como as suas maiores bandeiras.

Refiro-me, por exemplo, à Batalha dos Guararapes, no século XVII, que resultou na expulsão dos holandeses do Brasil. Aquela vitória foi crucial para garantir a unidade territorial do nosso país. E ali, não podemos esquecer, estavam juntos os três grupos raciais que constituíram a nação brasileira, representados por seus chefes militares: Vidal de Negreiros, branco; Felipe Camarão, índio; e Henrique Dias, negro.

Logo viria a Revolta dos Mascates, contra os privilégios abusivos dos senhores de engenho e dos comerciantes ricos.

Em 1817, a gloriosa Revolução Pernambucana exigiu o fim do poder autocrático e a instauração de um regime constitucional no país.

Os ideais democráticos de 1817 ressurgiram em 1824, na chamada Confederação do Equador. Inspirado pelo admirável Frei Caneca, o movimento protestava contra a dissolução da Assembleia Nacional Constituinte e exigia um caminho autônomo para o país. Não por acaso, os elitistas e conservadores do Império taxavam Pernambuco de “a província rebelde”. Bendita rebeldia, diríamos hoje!

A Revolução Praieira de 1848 foi, segundo Joaquim Nabuco, a primeira do país a incorporar programaticamente a questão social. Além da Abolição da Escravatura, ela já reivindicava, antecipando-se aos tempos vindouros, direitos sociais e trabalhistas para o povo pobre. E, por isso mesmo, sofreu repressão duríssima, de uma crueldade quase inacreditável.

Na luta contra a escravidão, Pernambuco mais uma vez esteve na linha de frente, elegendo deputado o próprio Nabuco, um dos maiores próceres abolicionistas.

Já no século XX, Pernambuco foi precursora das Frentes Populares.

Em 1946, o saudoso Barbosa Lima Sobrinho elegeu-se governador do estado, e seu secretário da Fazenda era um jovem chamado Miguel Arraes.

E vieram a seguir as eleições de Pelópidas da Silveira e do próprio Arraes, que se tornaria um dos grandes líderes progressistas do país, e que deixou muitos herdeiros políticos, entre eles meu querido companheiro governador Eduardo Campos.

Foi da Arquidiocese de Olinda e Recife que o cearense e carioca Dom Hélder Câmara pregou o evangelho da justiça ao Brasil e ao mundo.

É importante lembrar também quer este é o estado de Gregório Bezerra, Josué de Castro, Davi Capistrano e Paulo Freire, com seu respeito pela inteligência dos oprimidos. Mais do que isso: com sua profética defesa da capacidade de governo das classes populares. E o paraibano e pernambucano Celso Furtado, criador da Sudene e coordenador do primeiro autêntico plano de metas que este país já teve, cuja obra inspirou, 50 anos depois, o novo projeto nacional de desenvolvimento implementado por nosso governo.

E olhem que eu nem falei dos grandes poetas e ficcionistas pernambucanos, que deram ao Brasil uma profunda compreensão de sua identidade, de sua mescla de culturas e de seu vasto horizonte civilizatório: Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto e Ariano Suassuna, para citar apenas três dos inúmeros talentos eruditos e populares desta terra.

Meus amigos e minhas amigas,

Peço licença, ao receber este triplo título de Doutor Honoris Causa, para fazê-lo em nome da tradição libertária de Pernambuco e de todos os brasileiros e brasileiras que contribuíram para o sucesso do nosso governo, tornando o Brasil um país muito mais próspero e justo, e incomparavelmente mais respeitado no mundo.

Muito obrigado.







Brasil: latifúndio de injustiças

No Brasil, muitos que têm um pouco mais de dinheiro (sabe-se lá como adquirido...) acham que podem tudo: tirar proprietários de suas casas, sob que alegação for, dar golpes, cometer falcatruas, lesar, expoliar, sequestrar, roubar, matar...

O capital é desaforado e canalha. E conta com a cumplicidade de parcela considerável das instituições que deveriam proteger a cidadã e o cidadão desvalidos. E dispõe ainda do silêncio da grande, velha e apodrecida mídia.

O Abra a Boca Cidadão! apoia incondicionalmente as cidadãs e os cidadãos guerreiros do Açu/RJ e oferece este espaço para difundir a luta destes camponeses contra a iniquidade capitalista.

Leiam abaixo e sobretudo vejam o vídeo, indicados pela combatente cidadã e defensora Vera Vassouras.




Raul Longo aprecia o Sambaqui

Raul Longo

Enquanto éramos seguidos por duplas intimidadoras ao sairmos de nossas casas, mesmo para ir até a esquina fazer compras ou conversar com os amigos. Em nossas manifestações tínhamos de nos conter perante as provocações e ofensas de especuladores interessados em empreendimentos paralelos à instalação do megaestaleiro que se anunciava como o maior da América Latina. Pela internet recebíamos diversas acusações a nos prejulgar como defensores de propósitos individuais. Pela imprensa local, acusados de contrários ao desenvolvimento do estado e de melhorias para aqueles mesmos a quem defendíamos.

Companheiros políticos tiveram suas candidaturas alijadas do esforço promocional da campanha partidária ao pleito de 2010. Embarcações de pescadores foram apreendidas sob alegações inéditas da Marinha local e tivemos de nos cotizar em pagamento de pesadas multas para a liberação de seus instrumentos de trabalho e sustento.

Éramos submetidos a constantes inverdades sobre os motivos e caráter de nossa luta, nossa própria realidade individual e a realidade de nossa região.

Já tivemos oportunidade de agradecer àqueles que nos apoiaram, mas aproveitamos para novamente indicar alguns dos que nos foram mais prestativos e se destacaram pela pronta resposta e sensibilidade às evidências do que expúnhamos quanto a inviabilização do histórico direcionamento cultural, econômico e social da região compreendida no entorno à Ilha de Santa Catarina.

Se fomos vitoriosos naquela luta, devemos também a participação do sítio “Dilma na Rede, o blog “Quem Tem Medo do Lula?” e atual “Quem Tem Medo da Democracia?”, administrado pela jornalista Ana Helena Tavares do Rio de Janeiro. A “redecastorphoto” do Castor Filho, o Grupo Beatrice do Adauto Melo.

Também nos auxiliou o “Assaz Atroz", do escritor Fernando Soares Campos do Rio de Janeiro e, aqui em Florianópolis, destacaram-se o blog “Faaala Sambaqui” da profissional em comunicação social Angelita Brandão, o blog “Sambaqui na Rede e o “Portal Daqui, ambos do jornalista e historiador Celso Martins; além do “Portal Desacato”, do ativista Raul Fittipaldi.

Mas não foram os únicos. Muitos integrantes de listas de debates e discussões políticas e sociais foram capazes de dimensionar a amplitude social do evento e nos alentaram com informações e avaliações sobre a absurda desproporção entre as condições de sobrevivência de uma população de cerca de 500 mil ou mais pessoas, e o capricho empresarial do maior conglomerado capitalista do país.

A todos os que nos ajudaram na divulgação do que então aqui se pretendia cometer, pedimos que nos ajudem mais uma vez na divulgação do mesmo despropósito pelo mesmo empreendimento no Estado do Rio de Janeiro.

Para implantar seu projeto em Santa Catarina, irresponsavelmente o empresário Eike Batista adquiriu extensa área que abrange dois municípios de nossa região. Sem qualquer prévia consulta sobre a realidade local e através do apoio político dos principais partidos do estado e das agremiações de elite, tentou nos impor suas assumidas e propagadas pretensões de ilimitado enriquecimento.

Sem nenhuma demonstração de sensibilidade humana ou preocupação ambiental, armou audiências públicas através das quais propagou publicitariamente as conquistas de suas empresas. Aqueles que ousaram contestar expondo razões de desacordo ao empreendimento, foram noticiados pela imprensa local como bêbados e baderneiros. Reagimos comparecendo à última assembleia com exibição de nossas manifestações culturais, narizes de palhaços e apitos, sem nos deixar intimidar pelos 9 guarda-costas postados em prontidão de ataque e as teleobjetivas constantemente miradas contra nossas crianças por 2 fotógrafos típica e ridiculamente caracterizados de escolta árabe.

Contamos 9 ônibus de alto luxo que transportaram a população das periferias de Biguaçu, a ser utilizada como claque. Iludidos pelo prefeito daquele município com o anúncio de criação de 4 mil empregos em atividades para as quais nunca tiveram qualquer formação ou experiência, foi graças a ostentação da força e do poder da empresa OSX, que pudemos, então,  informá-la sobre a omitida extinção de no mínimo 20 mil empregos em atividades tradicionais da região: pesca, maricultura, agricultura, gastronomia, artesanato, comércio e turismo.

Para compensar, Eike Batista nos acusou pela programação nacional de TV de sermos meia dúzia de eco-xiitas preocupados em defender um cardume de golfinhos. Até então éramos poucos, sim, e o empresário sabia de nossa impossibilidade de demonstrar que os golfinhos de nossa luta éramos nós mesmos. Mas, talvez por essa declaração, nos angariou o apoio de jornalistas como o Paulo Henrique Amorim.  

Insistindo em ignorar a realidade mesmo quando advertidos por especialistas por eles mesmos contratados para avaliação técnica dos impactos sócios/ambientais, tentaram omitir a existência do laudo indicativo de riscos irreversíveis a serem potencializados pelo empreendimento. E hoje processam o cientista Simões Lopes por termos logrado a divulgação daquele documento ignorado e escamoteado pela inconsequente presunção de que a imediata progressão econômica de poucos, deva prevalecer sobre as condições de sobrevivência de toda uma população.

Lamentaremos profundamente se o oceanógrafo Simões Lopes for penalizado por termos utilizado de sua correção científica para comprovarmos as evidências dos motivos de nossa luta. Correção confirmada por reconhecidos cientistas e doutores de instituições privadas e públicas que apontaram erros elementares e grosseiros na análise final, arranjada em substituição a de Simões Lopes para corresponder aos intentos do projeto.

Talvez por mero lapso e não por provocação a estes cientistas, naquela última audiência pública o diretor da empresa contratada para estudo substitutivo ao de Simões Lopes, mais de uma vez se referiu aos golfinhos como “bicho”. Embora nossa luta não fosse pelos golfinhos ou qualquer outro animal que não o ser humano, em momento algum nos pareceu que fizéssemos mais diferença do que uma barata de praia.

No entanto, não há no que nos lamentarmos sobre nós mesmos. Afinal, com a colaboração de tantos em todo o Brasil, apesar de sermos realmente poucos no início, terminamos vencendo. Para lamentar só nos restou a lembrança das sanções sofridas por técnicos e cientistas que mantiveram a prerrogativa de defesa dos interesses públicos. E também aos que os sancionaram e ameaçaram publicamente: superiores hierárquicos, autoridades e políticos que ao priorizar os interesses do empresário Eike Batista em detrimento da responsabilidade pública, perderam nosso apoio e credibilidade.

A esses lamentamos muito, pois sabemos quanta falta faz à história do Brasil, e de Santa Catarina em particular, o devotamento aos reais interesses do futuro de sua gente. Devoção da qual os acreditávamos imbuídos.

A eles por certo em nada comoverá os depoimentos registrados pelo vídeo acessado pelo link abaixo, mas não podemos deixar de divulgá-lo, pois ao contrário das ilações dos que nos prejulgaram sem conhecimento de nossas história e realidade, não somos contrários ao implemento e evolução da indústria naval brasileira. Regozijamo-nos pela recuperação de setor tão vital a um país com nossa extensão costeira, mas não nos conformamos com o financiamento do desenvolvimento através de custos humanos.

Temos confiança de que o slogan utilizado pelo governo Dilma Rousseff: “país rico é país sem pobreza”, se exemplificará no impedimento a que os depoentes desse vídeo sejam levados à mesma miséria e degradação humana a que seriam relegados os cidadãos da Grande Florianópolis, se não tivéssemos lutado nem recebido apoio de todo o Brasil e mesmo de brasileiros e estrangeiros que vivem no exterior.

Se incompreendidos por muitos que nos acusaram de defender interesses pessoais, ainda mais foram os que nos escreveram prestando esse apoio hoje igualmente necessário aos moradores  de São João da Barra no Estado do  Rio de Janeiro.

Por mera questão de responsabilidade humana e por termos passado exatamente pelo que agora passa a população aí documentada, tomamos a iniciativa de daqui de Florianópolis novamente recorrer a todos, para que ali não sucumbam aos pesados métodos de “persuasão” financiados pela maior riqueza individual do Brasil.

À nossa vitória, pela qual também devemos reconhecimento ao Ministério Público Federal e Ministério Público Estadual de Santa Catarina, não pode corresponder a derrota de outros brasileiro em qualquer parte do país. E muito nos preocupa a impressão de que embora em São João da Barra sejam pessoas tão simples quanto nossos pescadores, lá não contam, como aqui pudemos contar, com a participação de proprietários de residências e imóveis de alto padrão e empresários de valorizados setores de turismo e comércio. Por essa razão pedimos a atenção daqueles que se mantêm atentos as condições humanas de todo o povo brasileiro.  

Assim como não admitimos o absoluto desrespeito à nossa cultura, nossa história, nossas vidas e humanidade, também não podemos admitir o que está se passando com a população do litoral do Rio de Janeiro e sabemos bem do que se trata. Pedimos à todos que nos apoiaram que também apoiem a gente de São João da Barra do estado do Rio Janeiro, vitimada pelos mesmos intentos e a mesma prepotência e irresponsabilidade que nos atingiu no ano passado.

Indústria naval, sim. Mas sem o afogamento e inviabilização de condições de sobrevivência das comunidades litorâneas. Somos uma das maiores costas litorâneas do mundo e inadmissível que pelo aproveitamento desse potencial se aceite a eliminação de insuperável potencial maior: o humano.

A seguir vídeo e comentário enviado pela ativista Isabella Vitória

Recebi este video de um companheiro e repasso a vocês! Trata-se de uma pequena mostra das atrocidades cometidas pelo grande capital, no Estado do Rio de Janeiro. Já não conseguimos mais estabelecer as diferenças entre as ações do Estado e do Grande Capital. É revoltante.





quinta-feira, 21 de julho de 2011

Juiz beneficia assassinos de ativistas

Pois é. A história se repete. Mais um juiz com suas decisões estapafúrdias beneficia criminosos. Mais uma vez o Judiciário deixa a desejar.

E como não há controle da sociedade, nosso papel é o de ficar nas "arquibancadas", apreciando o "show". Ou, quem sabe, melhor ainda, ignorando o que se passa debaixo do nosso nariz...

Estamos cansados. Estamos exaustos. Estamos fartos. Não aguentamos mais isto. Vira-e-mexe, a história se repete.

Um casal de ativistas... vejam a foto abaixo. Gente simples, bonita, bem intencionada, lutando por direitos, seus e de outros, barbaramente assassinados. E os responsáveis pelo crime? Na jaula, como aconteceria em países civilizados? Não. Passeando por aí, flanando, "soltinhos da silva", graças ao "bom coração" de um juiz...

Chega de impunidade!



Decisões de juiz beneficiam matadores de casal extrativista de Nova Ipixuna



Após quase dois meses dos assassinatos de José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo Silva, a polícia civil do Pará concluiu as investigações e apontou como mandante dos crimes o fazendeiro José Rodrigues Moreira e como executores os pistoleiros Lindonjonhson Silva Rocha (irmão de José Rodrigues) e Alberto Lopes do Nascimento. Mesmo identificando os executores e um mandante do crime, nenhum deles foi preso, todos encontram-se livres em lugar não sabido, graças a decisões do juiz Murilo Lemos Simão da 4ª vara penal da comarca de Marabá. No curso das investigações, a polícia civil pediu a prisão temporária dos acusados, mesmo com parecer favorável do Ministério Público o juiz negou o pedido. De posse de novas provas sobre a participação dos acusados a polícia ingressou com um segundo pedido, dessa vez, requereu a prisão preventiva de todos, o pedido chegou novamente às mãos do juiz com parecer favorável do MP e, mais uma vez, o juiz negou o pedido. Na semana passada, no final das investigações, a polícia civil ingressou com um terceiro pedido de prisão e, até o momento da divulgação do nome dos acusados em entrevista coletiva, o juiz não tinha decidido sobre mais esse pedido.


Casal de ativistas assassinado                                                          France Presse


Ao negar a decretação da prisão dos acusados por duas vezes, o juiz contribuiu para que esses fugissem da região e, mesmo que sejam decretadas suas prisões, a prisão do grupo se torna ainda mais difícil. O mesmo juiz decretou o sigilo das investigações sem que o delegado que presidia o inquérito ou o Ministério Público tenha solicitado. Muitos outros crimes de grande repercussão já ocorreram no Estado do Pará (Gabriel Pimenta, Irmã Adelaide, massacre de Eldorado, José Dutra da Costa, Irmã Dorothy) e, em nenhum deles, foi decretado segredo de Justiça. As decisões do juiz Murilo Lemos constituem mais um passo em favor da impunidade que tem sido a marca da atuação do Judiciário paraense em relação aos crimes no campo no Estado.

Desde o início das investigações as testemunhas ouvidas já indicavam a possível participação de José Rodrigues como um dos mandantes do crime, ao lado de outros fazendeiros e madeireiros do município. José Rodrigues pretendia ampliar sua criação de gado para dentro da reserva extrativista. No entanto, a área que ele dizia ter comprado já estava habitada por três famílias extrativistas. Na tentativa de expulsar as famílias, José Rodrigues levou um grupo de policiais entre civis e militares até o local, expulsou os trabalhadores, ateou fogo em uma das casas e levou um trabalhador detido até a delegacia de Nova Ipixuna. Na delegacia o trabalhador foi pressionado pelos policiais e José Rodrigues a assinar um termo de desistência do Lote. José Cláudio e Maria além de denunciarem a ação ilegal dos policiais ao INCRA apoiaram a volta dos colonos para os lotes.

Meses antes de suas mortes, José Cláudio e Maria denunciaram as ameaças que estavam sofrendo e apontavam fazendeiros e madeireiros como os ameaçadores. As dezenas de depoimentos colhidos durante as investigações apontam para a participação de outras pessoas na decisão de mandar matar José Cláudio e Maria. Razão pela qual as entidades abaixo relacionadas defendem a continuidade das investigações. As entidades esperam ainda que o inquérito presidido pela Polícia Federal, e não concluído ainda, possa avançar na identificação de outros acusados pelos crimes.

Pelo exposto exigimos: a decretação das prisões de todos os acusados e suas prisões imediatas, o fim da impunidade e a conclusão das investigações das mortes dos trabalhadores assassinados na região após a morte de José Cláudio e Maria.

Marabá, 19 de julho de 2011.

Comissão Pastoral da Terra – CPT Marabá.


FFETAGRI Regional Sudeste

Dignitatis



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