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segunda-feira, 11 de junho de 2012

A Fome do Ouro na Era da Insensatez



A propósito da Rio+20, que começa na quinta-feira, 14, e do assassinato do planeta pelo egoísmo humano.




A crise da razão e a destruição do mundo

Mauro Santayana

Grandes pensadores, e não apenas os sacerdotes menores, recorrem ao mito de Adão, a fim de associar o fim da inocência ao pecado. Uma teologia mais alta repelirá a ideia ortodoxa: Deus, existindo, não criaria seres dotados das sementes da inteligência para serem parvos. Ao dotá-los da mente, dotou-os, naturalmente, da dúvida e da busca da verdade. Da busca da verdade, ainda que não do encontro desta mesma verdade. A verdade absoluta, como todas as ideias que ocupam a inteligência do homem, é uma categoria de fé. Apesar da advertência de que só ela nos libertará, nunca a teremos, a não ser cada um de nós em sua própria fé. Aquilo em que cremos – mesmo a dúvida – é a nossa verdade.

Em todos os tempos, convivemos com o conflito entre os grandes pensadores e os reitores das sociedades políticas. O poder – e a tese se alicerça nos fatos históricos – sempre esteve associado ao medo, à loucura e à fome do ouro. Cabe, assim, aos que pensam moderar os desatinos dos poderosos e – quando a situação de insensatez chega ao insustentável – favorecer o retorno à normalidade. Esse retorno se faz com as revoluções, não necessariamente sangrentas. Na visão de Vitor Hugo – e a citação é sedutora – o poder muitas vezes se sustenta em ficções rendosas, e a tarefa da revolução é a de promover o retorno da ficção à realidade.

A realidade está submetida à necessidade, que é a grande legisladora, e que atua, de tempo em tempo, para corrigir os seus desvios, ou seja, restituir o real ao campo do necessário. É assim que podemos pensar um pouco na questão- chave de nossos dias, a da preservação da vida na Terra.

Uma inteligência do Universo, se houvesse alguma além dos homens – mesmo sendo a divina – talvez chegasse à conclusão de que a espécie humana perdeu a sua razão de ser. A mente dos homens – seu atributo maior – abandonou a sua razão essencial, que era a de contemplar o mistério do universo, tanto nas grandes constelações e galáxias, como no voo de um inseto, e buscar o seu sentido. Ao contrário, vem pretendendo fazer do Universo um submisso servidor.

O homem não convive mais com o mundo, mas o agride com a plena consciência do crime. Ele pode, e deve, usufruir dos bens do planeta, mas não destruí-los, sem que se destrua a civilização que conhecemos. Há uma razão para que a visão estética do mundo e a construção de planos mentais se reúnam no vocábulo grego teoria, contemplação. Conciliar a contemplação do mundo com o projeto, que transforma o homem em criador e êmulo da natureza, é associar a ideia do desígnio, de Prometeu, à da esperança, de Epimeteu.

Há quarenta anos que a comunidade internacional se reúne periodicamente, para discutir o estado do planeta. Este Jornal do Brasil, ao noticiar a Primeira Conferência do Meio Ambiente, realizada em Estocolmo, em 1972, deu às matérias um título geral que continua válido: A Terra está doente. A agressão continua, até mesmo no simulacro de providências, que agravam o problema, em lugar de resolvê-lo, como as ONGs e os protocolos daqui e dali, para iludir os bem intencionados e fazer a fortuna dos espertos.

A ciência em pouco tem contribuído para resolver o problema. Ao contrário, as grandes descobertas científicas, sobretudo as do campo da química e da bioquímica, têm agravado o quadro de caquexia geral do planeta – como é o caso dos defensivos agrícolas e da engenharia genética, com as sementes transgênicas. As multinacionais do agronegócio, que criam sementes transgênicas e agrotóxicos assassinos, se associam aos gananciosos produtores de grãos, senhores de vastas extensões de terras férteis.

Esses empreendedores, se optassem por uma agricultura mais racional, teriam, segundo alguns especialistas, mais retorno econômico e preservariam o solo, as águas, o meio ambiente, enfim, o futuro. Um exemplo da insensatez da tecnologia capitalista na produção rural é o caso da superprodução de leite na Europa, com vacas alimentadas com proteínas vegetais – como a soja – importadas dos paises em desenvolvimento. Com o excesso, produzem leite em pó, que é depois reconstituído para alimentar os bezerros – e liberar mais leite para o mercado, ou seja, para a superprodução e o retorno aos bezerros. É o lucrativo ciclo da insensatez.

A razão capitalista impede que esse leite possa salvar da morte milhares de crianças na África. É provável que nessa razão prevaleça a ideia dos clubes de Bilderberg do mundo (que são vários) de que o planeta será muito melhor e mais saudável sem os pobres.

Entre outras formas de tornar impossível a sobrevivência dos homens e de outras manifestações de vida no planeta, encontra-se, em primeiro lugar, esse modelo de produção de nossos dias, que se revela no prefixo trans. É um recurso da tecnologia, como tantos outros, para servir ao lucro imediato, à fome do ouro, a que se refere Lucrécio.

A Conferência que se abre no Rio não conduzirá a resultados realmente importantes se for movida pela ideia de que a ciência e os bons sentimentos poderão salvar o mundo. A questão é política, de poder. E enquanto o poder estiver, como está hoje, na mão dos banqueiros e dos grandes conglomerados industriais, que controlam as universidades, os laboratórios de pesquisas, os grandes meios de informação universal, e remuneram cientistas, tecnólogos e, sobre todos eles, os políticos e os policy makers, o planeta continuará a ser deliberadamente assassinado, em benefício de algumas famílias. Elas mesmas já desertaram da espécie humana e, em seu egoísmo doentio, vivem as ficções rendosas.

O mundo está à espera de que a necessidade imponha aos homens a ação imediata para o retorno à realidade, enfim, à normalidade, à solidariedade que salvará o planeta. E convém lembrar que norma, em latim, é a denominação do esquadro, que marca o ângulo reto, princípio imemorial das construções sólidas.


JB Online
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domingo, 10 de junho de 2012

Lembrando Cássia...



Orgulho Gay, Gay Pride...


O dia colorido e festivo me fez lembrar de Cássia...




Cássia Eterna


Acústico MTV


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São Paulo: a maior Parada do Orgulho Gay do planeta



É hoje. Daqui a pouco começa, ao meio-dia. Na Capital da Diversidade.


E na Mais Paulista das Avenidas...


Parada do Orgulho Gay     Gay Pride Parade




O mundo não é preto e branco. O mundo é colorido.


E direitos homoafetivos são antes de tudo Direitos de Cidadania, Direitos Humanos.


Respeitemos todos a Diversidade Humana!




Mais informações, acesse o site oficial clicando aqui.








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sábado, 9 de junho de 2012

Pensando em Denise...








Quem tem medo de Denise Stoklos?

Sergio Dantas


Eu tenho medo e assumo. Temo seus cabelos semi-pintados e seu olhar inquieto. Temo seus músculos sempre retesados e seus gestos conflitantes.

Assusta-me aquilo que ela anda fazendo sutilmente em minhas convicções frágeis.

Receio a subversão e dúvida que são plantadas em minha alma. Sorrateira que é, aparece de vez em vez mas sempre causa estragos e pequenas demolições.

A cada encontro disfarçado de evento teatral vejo degenerar a identidade que construí como forma de proteção e sobrevivência. Lançadas ao fogo são minhas esperanças de manter-me equilibrado e certo do porvir.

Quando ela surge como Mary Stuart, apela o senso de liberdade e de persistência que sempre evitei para ter paz. Quando, de uma mediunidade não-autorizada, ela ressuscita no palco as terríveis vozes dissonantes que anti-construíram o Brasil tal qual é hoje, arde em meu peito o insano desejo de molestar a ordem vigente. Meu espírito transborda de revoltas e impropérios contra a injustiça e minha monotonia paralisante.

Mas é do seu calendário que mais tenho medo. Abrem-se as cortinas e finalmente enxergamos como são feitos os dias comuns, paradoxalmente marcados na pedra que é eterna. Meu ser medíocre é esbofeteado e desperta-me a fome da transcendência, de sentido e de poesia. Ela dança no palco como se fosse qualquer um, qualquer personagem que somos todos nós e escancara a verdade de que ninguém precisa mais do que não precisa mesmo!

Encena essa tragédia cotidiana com gestos cômicos e revela que os dias e anos passam escondidos de olhos distraídos para significados e afetos. Dita que transformar-se é a única coisa que realmente carecemos.

Pois como a pedra só pode transmutar-se em ouro após um processo alquímico, um homem só será eterno se encontrar sua jornada rumo aos lugares que mais lhe causam temor.

Assim, essa artista medonha e essencial, superlativa e incerta vai comendo meus dias comuns e injetando em meu corpo o câncer que só terá cura com esperança e resistência contra as forças que nos lançam no solo.

Eis meus temores e angústias, sempre ressaltadas e reveladas após o terceiro sinal. Eis-me condenado eternamente a temer e admirar a Denise e o impacto de sua revelia santa em meu próprio calendário da pedra.





Entrevista Vídeo 1



Vídeo 2



Conheça mais sobre esta artista genial clicando aqui.

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Gilmar Mendes: até quando?




Até quando esse senhor continuará tripudiando das instituições e atentando contra a democracia do país? 

Em defesa do STF

Agora, quando a lama da trinca Cachoeira-Demóstenes-Veja se aproxima de sua cadeira, Gilmar Mendes busca a sua defesa dizendo que há um ataque à instituição do STF

Reza uma história, provavelmente fictícia, sobre Tomás de Aquino, um dos maiores filósofos da Idade Média, que, com muita facilidade e ingenuidade, tornava-se a vítima preferida das brincadeiras dos outros frades. Contam que Tomás estava estudando quando um jovem frade veio chamá-lo para ver uma vaca que estava voando. O filósofo apressou-se para chegar até a janela e vasculhar os céus em busca da vaca. Quando se voltou, desapontado com a inexistência do fenômeno, enfrentou a gargalhada coletiva dos frades, com a ferina frase: “Achei que seria mais fácil ver uma vaca voar do que um frade mentir”.

O ensinamento do santo da Igreja Católica deveria estar fixado em local de muita visibilidade no STF, nossa mais alta Corte Judicial. Se é inconcebível imaginar um frade mentir, o que pensar de um membro do Supremo?

A história contada pelo ministro Gilmar Mendes, sobre a conversa que manteve com o ex-presidente Lula no escritório do jurista Nelson Jobim, é tão inconsistente, contraditória e inverossímil que não necessita nem mesmo que a única testemunha do encontro ateste sua falsidade.

A blogosfera progressista já se encarregou de desmascarar a farsa montada (sempre!) com a ajuda da revista Veja.

Na medida em que a farsa foi sendo desmontada, restava o desafio de desvendar o objetivo que moveu a revista direitista do grupo Abril, o ex-presidente do STF e o ex-governador José Serra, a protagonizar mais uma cena patética no cenário político do país. Estes, sim, verdadeiros aloprados da política brasileira.

Além de tentar atingir a imagem do ex-presidente da República, não restam dúvidas de que foi mais uma das tentativas de desviar o foco das investigações da CPMI do Cachoeira que, a cada nova investigação e informação divulgada, causa tremores no prédio do grupo Abril e nas pernas de uma das cadeiras do Supremo.

Ou serão apenas suspeitas infundadas as informações que apontam que as relações do ministro Gilmar Mendes com o senador Demóstenes Torres (ex-Dem) vão além de uma saudável amizade, e os aproximam na penumbrosa trama montada pelo crime organizado de Goiás?

O ministro Gilmar Mendes, pródigo em ocupar espaços na mídia patronal, a quem não esconde sua condição de partido de oposição ao governo Dilma, tem repetido inúmeras vezes que não possui um histórico de mentiras. A partir de quando ele poderá incorporar esse legado em seu curriculum vitae?

Na eleição de 2010 ele atendeu um telefonema do candidato tucano José Serra (sempre!) pedindo para interromper o julgamento de um recurso do PT contra a obrigatoriedade de apresentação de dois documentos na hora de votar. O ministro atendeu o amigo. O senador Álvaro Dias (PSDB/PR) não viu nenhuma interferência de poderes, muito menos pediu uma CPI para investigar a pressão exercida sobre o STF. A Veja silenciou. A única exceção foi um jornalista da Folha de S. Paulo que registrou o momento do telefonema. Depois, tudo voltou à normalidade da dupla: tanto Serra quanto Mendes negaram a existência do telefonema. Esse fato não poderia contar para o curriculum mencionado?

Ao dar uma entrevista para o Jornal Nacional da Rede Globo para explicar seu encontro com Lula, Gilmar Mendes estava tão inseguro e nervoso que, num trecho de 3 minutos da entrevista, foram detectados pela empresa Truter Brasil, que faz análises de arquivos de voz, 11 ocorrências de alto risco – alto risco é a maneira de dizer que a pessoa está mentindo. Não deixa de ser um feito surpreendente para quem não tem um histórico de mentira.

O Ministro Gilmar Mendes e o senador Demóstenes denunciaram, ainda no governo Lula, que seus telefones foram grampeados pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), presidida pelo delegado Paulo Lacerda. Mendes usou o fato para dizer que iria “chamar às falas” o presidente da República. O delegado Lacerda perdeu o cargo na Abin. A Veja usou seus informantes privilegiados para fazer mais uma das suas matérias sensacionalistas, sem nenhum compromisso com a verdade e a ética jornalística. Mais tarde, a investigação da Polícia Federal comprovou que não houve nenhum grampo. Esse fato também não deve entrar para o curriculum, uma vez que a mentira pode ter sido dita pelo Demóstenes e o Gilmar apenas a ouviu.

O ministro aproveitou a invencionice do grampo telefônico para contratar um especialista em serviços de inteligência, um personal araponga. Contratou o ex-agente da Abin, Jairo Martins, o que prestava o mesmo tipo de serviços para Carlinhos Cachoeira e foi quem gravou o vídeo da propina que originou a denúncia do mensalão. Hoje, esse araponga está preso, juntamente com o Carlinhos Cachoeira e o sargento aposentado da Aeronáutica Idalberto Matias, o Dadá – prisões que desfalcaram a equipe de fontes e pauteiros das principais “reportagens” bombásticas da revista Veja.

Agora, quando a lama da trinca Cachoeira-Demóstenes-Veja se aproxima de sua cadeira, Gilmar Mendes busca a sua defesa dizendo que há um ataque à instituição do STF. Seria o mesmo que Demóstenes dizer que quem está sentando no banco dos réus na sua pessoa é o Senado Federal.

Quem atenta contra o STF é o próprio Gilmar Mendes quando faz denúncias vazias e irresponsáveis, como o ataque que fez ao presidente da Venezuela, dizendo que Hugo Chávez “prende juiz”.

Já antes de assumir uma cadeira do STF, quando era Advogado da União no governo de FHC – que nos legou esse ministro – Gilmar Mendes recomendava aos agentes do Poder Executivo a não cumprir determinadas ordens judiciais.

Como Advogado da União, quando sofria derrotas judiciais, esse ex-presidente do STF não hesitava em afirmar que o sistema judiciário brasileiro era um “manicômio judiciário”. Quem, sistematicamente, atenta contra as instituições democráticas do país?

Profético foi o artigo do jurista Dalmo Dallari, escrito em 2002 na Folha de S. Paulo: “Se essa indicação [a de Gilmar Mendes] vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional”.

Quinze senadores votaram contra a indicação de Mendes para o STF. Mas prevaleceu o rolo compressor de FHC e ele assumiu uma cadeira na Corte mais alta do sistema que ele considerava ser um manicômio.

Até quando esse senhor continuará tripudiando das instituições e atentando contra a democracia do país?

Brasil de Fato

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Juízo Final: hora de separar joio e trigo



Ser é quase nada. Parecer é quase tudo. 

Quase.

Ao que tudo indica, estamos em pleno Apocalipse, vivendo um "final dos tempos", um fim de ciclo e início de algo novo no planeta. Cada um de nós, e isto inclui particulares, autoridades e instituições, está sendo "convidado" a se posicionar diante do velho e do novo, do estreito e do largo, do egoísmo e do altruísmo, do ter e do ser.

Ganância, Ladroagem, Corrupção... esta falta de compostura, esta "deselegância" toda, tudo isso pertence a um mundo arcaico, apodrecido, que está rachando, ruindo, desmoronando. As entranhas malcheirosas desse mundo estão sendo expostas, escancaradas à luz do dia.

Não basta usar celular de última geração, se a essência é suja e mesquinha.

Voar ou ciscar o dia todo? Águias ou galinhas?

Na Sociedade Planetária, moderno é ser Cidadão.




Não há figura relevante, no Brasil de hoje, que não esteja sendo julgada

Leonardo Attuch

A proximidade do encerramento do processo do mensalão, considerado por muitos o “julgamento do século”, criou uma situação inédita e inusitada no Brasil. Não há figura relevante no País que não esteja sendo julgada pela sociedade. A começar pelos próprios ministros do Supremo Tribunal Federal. Será que o ministro Ricardo Lewandovski, ao não apresentar seu relatório, joga deliberadamente pela prescrição dos crimes? Será que José Antônio Dias Toffoli, que já advogou para o PT, terá isenção para participar do julgamento? Será que Gilmar Mendes, com a sua notória compulsão pelo microfone, não estaria falando demais? E assim por diante.

Esse julgamento do STF tem sido feito pelos próprios meios de comunicação, que nem sempre revelam sua agenda política, mas se julgam no direito de também pressionar a mais alta corte do País. Por isso mesmo, quem julga também vem sendo julgado. O que há por trás desse artigo? Qual é a intenção velada que existe por trás daquele? Por que A fala com B, com C ou com D?

E se não bastasse o mensalão, há ainda a CPI do caso Cachoeira, que já tem dois governadores convocados: o tucano Marconi Perillo, que terá que explicar a venda de sua casa, e o petista Agnelo Queiroz, que falará dos contatos de assessores com pessoas ligadas à construtora Delta. Mas não são apenas eles. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, também pode vir a ser alvo de uma ação por crime de responsabilidade. E até mesmo o advogado mais caro do País, Marcio Thomaz Bastos, vem sendo questionado por estar recebendo R$ 15 milhões de um contraventor.

São tantos “réus”, no Executivo, no Judiciário, no Legislativo, na imprensa e na advocacia, que quem deve estar rindo à toa diante de tudo isso é o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Quase ninguém fala dos seus crimes, que ao que tudo indica não são poucos. Há tantos pecadores espalhados por aí, que um dos mais notórios, o senador Demóstenes Torres, desandou a falar de Deus e de sua fé no dia do depoimento no Conselho de Ética. Parecia uma freira no convento.

Ao que dizem, no fim dos tempos, no grande Armagedom, o filho de Deus voltará à Terra para julgar “os vivos e os mortos”. Será que esse dia do juízo final já chegou e ainda não fomos avisados?

Brasil 247
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sexta-feira, 8 de junho de 2012

É hora de rever as privatizações tucanas?



Os que promoveram as privatizações no governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso diziam que a ideia era modernizar o Brasil. Na prática, entregaram patrimônio público a preço de banana.


No setor da telefonia, por exemplo, temos serviços ruins a preços de Primeiro Mundo.


Presidenta Dilma: não é hora de rever as criminosas privatizações tucanas?




Quebra da Espanha reabre debate sobre privatização



NOS ANOS 90, QUANDO A AMÉRICA LATINA ESTAVA NO CHÃO, OS ESPANHÓIS FIZERAM A FEIRA POR AQUI; HOJE, ELES SÃO ALVO DA DESCONFIANÇA INTERNACIONAL, PEDEM SOCORRO E USAM SUAS FILIAIS, COMO NO CASO DO SANTANDER E DA TELEFONICA, PARA SOCORRER AS MATRIZES; É HORA DE REVER A DESESTATIZAÇÃO?


247 – Alguns meses atrás, quando retomou o controle da petroleira Repsol, a presidente argentina Cristina Kirchner foi alvo de uma avalanche de críticas. Estaria quebrando contratos e arriscava levar seu país ao precipício, diziam seus detratores. O governo argentino, por sua vez, argumentava que a Repsol, agora YPF, havia perdido a capacidade de investir num setor estratégico da economia, que é a energia.

Hoje, por mais que se tente atenuar ou maquiar a realidade espanhola, não há meio termo. O país, simplesmente, quebrou. Nesta quinta-feira, por exemplo, a agência de risco Fitch rebaixou o país em três níveis e ainda o colocou em viés negativo – a classificação espanhola é próxima à de países em condição de moratória.

Diante do caos, a Alemanha, de Ângela Merkel, prometeu agir, assim como o Fundo Monetário Internacional, que estima em 90 bilhões de euros a necessidade de capitalização dos bancos espanhóis, que sofrem com a bolha imobiliária. Desempregados ou afetados pela crise, os espanhóis simplesmente não conseguem honrar suas hipotecas.

Essa Espanha de hoje é completamente diferente daquela que, nos anos 90, fez a feira na América Latina. Nos processos de privatização do continente, os espanhóis foram os grandes compradores. O Santander levou o Banespa, a Telefonica adquiriu a Telesp e, mais recentemente, a Vivo, enquanto a Iberdrola levou vários ativos na área de energia. 

Esta última empresa, que era sócia da Neoenergia, já fez as malas e anunciou sua intenção de ir embora do País. O Santander, que fez um IPO no Brasil prometendo usar os recursos em investimentos na sua rede nacional, drenou recursos para a Espanha e, na semana passada, apresentou uma proposta indecente à presidente Dilma: a de que o Banco do Brasil, controlado pelo Tesouro Nacional, compre 10% do banco e se torne sócio da crise imobiliária espanhola.

Nada, no entanto, foi tão esdrúxulo quanto o pedido feito pela Telefonica. Cesar Alierta, presidente mundial da companhia, quer que o governo brasileiro facilite a entrada de espanhóis, uma vez que a empresa precisa cortar 6 mil empregos em sua matriz. A alegação é de que seria mão-de-obra qualificada, não encontrável no Brasil.

Erros da privatização?

Na privatização das telecomunicações, em 1998, havia uma corrente que defendia o controle nacional do setor. Prevaleceu o argumento de que isso não era “moderno” e o Brasil permitiu que ativos importantes passassem a ser controlados por italianos, espanhóis e mexicanos. Hoje, o Brasil tem um dos sistemas de telefonia mais caros e ineficientes do mundo. Há monopólios privados na telefonia fixa, o sinal das empresas de telefonia celular é cada vez pior e a chamada banda larga é de má qualidade e não chega a toda a população.

Prova inconteste de que aqueles que fizeram a feira na privatização talvez não estejam mais tão dispostos a investir. Não é chegada a hora de buscar um novo modelo?

Brasil 247


Destaques do ABC!
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