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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

PRESIDENTA Dilma na festa da Folha

A presidenta Dilma Rousseff "sobreviveu" ao convívio por algumas horas com as mais peçonhentas cobras criadas da mídia e da política brasileira, e já se encontra em Brasília, para um novo dia de trabalho digno e edificante.

Como autoridade máxima do País, a presidenta compareceu ontem na cerimônia de comemoração dos 90 anos do jornal Folha de S. Paulo, um dos órgãos do PIG, Partido da Imprensa Golpista, na denominação do jornalista-blogueiro Paulo Henrique Amorim.

Importante: no discurso da presidenta, ela deixa claro que está ali como "Presidente da República". Deduzimos daí que a mulher Dilma, a ex-guerrilheira Dilma, a cidadã Dilma jamais iria a tal comemoração. Aqui, portanto, uma pista da razão do comparecimento. Como presidenta é conveniente, é adequado, que ela "não vire as costas" a um dos órgãos do Quarto Poder.

Além da mediocridade midiática, muitas nulidades da política estiveram presentes, entre elas o ex-governador e candidato derrotado José Serra, o ex-presidente invejoso-rancoroso FHC e o ex-presidente defenestrado Fernando Collor.

Luiz Inácio Lula da Silva, maior, melhor e mais importante presidente que este país já teve, felizmente não compareceu. Ou porque não foi convidado. Ou porque teve algum outro compromisso. Ou porque convidado teve a hombridade de recusar o convite.

Saiba nossa opinião a respeito da participação da presidenta, nos posts Por que Dilma vai ao "serpentário midiático"? e Onde Dilma foi mais feliz? 

Abaixo o discurso frio, burocrático e previsível da mandatária da nação.



Presidenta Dilma Rousseff discursa durante comemoração dos 90 anos de fundação da Folha de S. Paulo _(São Paulo, SP, 21/02/2011) _Foto: Roberoto Stuckert Filho/PR
                                                  Foto: Roberto Stuckert Filho/PR


Eu queria desejar boa noite a todos os presentes.

Cumprimentar o sr. Michel Temer, vice-presidente da República, o nosso governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, e a senhora Lu Alckmin. Queria cumprimentar o senador José Sarney, presidente do Senado. Queria cumprimentar também o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Cumprimentar o presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marco Maia. O ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal, por meio de quem cumprimento os demais ministros do Supremo presentes a esta cerimônia.

Queria cumprimentar a família Frias, o Luiz, o Otavio, a Maria Cristina, e queria cumprimentar também o senhor José Serra, ex-governador do Estado.

Dirijo um cumprimento especial também aos governadores aqui presentes e também aos ministros de Estado que me acompanham nesta cerimônia. Cumprimento o senhor Barros Munhoz, presidente da Assembleia Legislativa do Estado.

Queria cumprimentar também todos os senadores, deputados e senadoras, deputados e deputadas federais, deputados e deputadas estaduais. Queria cumprimentar o senhor Paulo Skaf, presidente da Fiesp. Dirigir um cumprimento especial aos representantes das diferentes religiões que estiveram neste palco.

Dirigir também um cumprimento a todos os funcionários do Grupo Folha. Queria cumprimentar os senhores e as senhoras jornalistas. E a todos aqueles que contribuem para que a Folha seja diariamente levada até nós.

Eu estou aqui representando a Presidência da República, estou aqui como presidente da República. E tenho certeza que cada um de nós percebe, hoje, que o Brasil é um país em desenvolvimento econômico acelerado. Que aspira ser, ao mesmo tempo, um país justo, uma nação justa, sem pobreza, e com cada vez menos desigualdade. Para todos nós isso não é concebível sem democracia. Uma democracia viva, construída com esforço de cada um de nós, e construída ao longo destes anos por todos aqui presentes. Que cresce e se consolida a cada dia. É uma democracia ainda jovem, mas nem por isso mais valorosa e valiosa.

A nossa democracia se fortalece por meio de práticas diárias, como os diferentes processos eleitorais. As discussões que a sociedade trava e que leva até as suas representações políticas. E, sobretudo, pela atividade da liberdade de opinião e de expressão. E, obviamente, uma liberdade que se alicerça, também, na liberdade de crítica, no direito de se expressar e se manifestar de acordo com suas convicções.

Nós, quando saímos da ditadura em 1988, consagramos a liberdade de imprensa e rompemos com aquele passado que vedava manifestações e que tornou a censura o pilar de uma atividade que afetou profundamente a imprensa brasileira.

A multiplicidade de pontos de vista, a abordagem investigativa e sem preconceitos dos grandes temas de interesse nacional constituem requisitos indispensáveis para o pleno usufruto da democracia, mesmo quando são irritantes, mesmo quando nos afetam, mesmo quando nos atingem.

E o amadurecimento da consciência cívica da nossa sociedade faz com que nós tenhamos a obrigação de conviver de forma civilizada com as diferenças de opinião, de crença e de propostas.

Ao comemorar o aniversário de 90 anos da Folha de S.Paulo, este grande jornal brasileiro, o que estamos celebrando também é a existência da liberdade de imprensa no Brasil.

Sabemos que nem sempre foi assim. A censura obrigou o primeiro jornal brasileiro a ser impresso em Londres, a partir de 1808. Nesses 188 anos de independência, é necessário reconhecer que na maior parte do tempo a imprensa brasileira viveu sob algum tipo de censura. De Líbero Badaró a Vladimir Herzog, ser um jornalista no Brasil tem sido um ato de coragem. É esta coragem que aplaudo hoje no aniversário da Folha.

Uma imprensa livre, plural e investigativa, ela é imprescindível para a democracia num país como o nosso, que além de ser um país continental, é um país que congrega diferenças culturais apesar da nossa unidade. Um governo deve saber conviver com as críticas dos jornais para ter um compromisso real com a democracia. Porque a democracia exige sobretudo este contraditório, e repito mais uma vez: o convívio civilizado, com a multiplicidade de opiniões, crenças, aspirações.

Este evento é também uma homenagem à obra e ao legado de um grande empresário. Um homem que é referência para toda a imprensa brasileira. Octavio Frias de Oliveira foi um exemplo de jornalismo dinâmico e inovador. Trabalhador desde os 14 anos de idade, Octavio Frias transformou a Folha de S.Paulo em um dos jornais mais importantes do nosso país. E foi responsável por revolucionar a forma de se fazer jornalismo no nosso Brasil.

Soube, por exemplo, levar o seu jornal a ocupar espaços decisivos em momentos marcantes da nossa história, como foi o caso da campanha das Diretas-Já. Soube também promover uma série de inovações tecnológicas, tanto nas versões impressas dos seus jornais, como nas novas fronteiras digitais da internet.

Reafirmo nessa homenagem aos 90 anos da Folha de S.Paulo meu compromisso inabalável com a garantia plena das liberdades democráticas, entre elas a liberdade de imprensa e de opinião.

Sei que o jornalismo impresso atravessa um momento especial na sua história. A revolução tecnológica proporcionada pela internet modificou para sempre os hábitos dos leitores e, principalmente, a relação desses leitores com seus jornais. Como oferecer um produto que acompanhe a velocidade tecnológica e não perca a sua profundidade? Como aceitar as críticas dos leitores e torná-las um ativo do jornal?

Sei que as senhoras e os senhores conhecem a dimensão do desafio que enfrentam, e que, com a mesma dedicação com que enfrentaram a censura, irão encontrar a resposta para esse novo desafio. E desejo a vocês o que nesse caminho sintetiza melhor o sucesso: que dentro de 90 anos a Folha continue sendo tão importante como agora para se entender o Brasil.

É nesse espírito que parabenizo a Folha pelos seus 90 anos. Parabenizo cada um daqueles que contribuem, e daquelas que contribuem, para que ela chegue à luz. A todos esses profissionais que lhe dedicam diariamente o melhor do seu talento e do seu trabalho.

Por fim, reitero sempre, que no Brasil de hoje, nesse Brasil com uma democracia tão nova, todos nós devemos preferir um milhão de vezes os sons das vozes críticas de uma imprensa livre ao silêncio das ditaduras.

Muito obrigada.









segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Onde Dilma foi mais feliz?

Entre amigos, companheiros, gente simples do povo, no Nordeste, ao longo do dia...


         Presidenta Dilma Rousseff assiste apresentação do grupo Samba de Parea da Mussuca após cerimônia de abertura do XII Fórum dos Governadores do Nordeste


Ou à noite, entre inimigos declarados, falsos amigos e raposas velhas da política e da mídia, no "serpentário" paulistano?


Presidenta Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer durante comemoração dos 90 anos de fundação da Folha de São Paulo _(São Paulo, SP, 22/02/2011) _Foto: Roberto Stuckert Filho/PR



Fotos: Roberto Stuckert Filho/PR



Por que Dilma vai ao "serpentário midiático"?

A política brasileira tem alguns mistérios "insondáveis", mesmo...

Após passar o dia no XII Fórum de Governadores do Nordeste, em Aracaju, Sergipe, a presidenta Dilma embarcará para São Paulo no final da tarde, devendo participar à noite da comemoração dos 90 anos do jornal Folha de S. Paulo. Haverá um ato ecumênico com representantes de diversas correntes religiosas. Dilma deve assistir também um concerto da Orquestra Sinfônica do Estado, que tocará Villa-Lobos, na Sala São Paulo, no bairro da Luz. Está previsto também um pronunciamento da presidenta.

A Folha de S. Paulo é aquele jornal que apoiou a sangrenta e feroz ditadura militar, que perseguiu, prendeu e seviciou centenas de brasileiros, entre eles a presidenta, na época militante revolucionária. A Folha de S. Paulo é aquele jornal que, se não comandou, foi um dos veículos da mazela midiática mais empenhados na campanha sórdida contra a então candidata Dilma Rousseff na recente eleição presidencial. A Folha de S. Paulo é aquele jornal que no dia 5 de abril de 2009 publicou a ficha falsa da então "terrorista" Dilma nos anos 70...

Presidenta eleita, Dilma não escapou das perseguições da Folha de S. Paulo, que entrou com pedido no Superior Tribunal Militar para ter acesso aos autos do processo da ditadura contra a então jovem subversiva. O jornal chegou a explorar partes do processo, estampando em suas páginas trechos selecionados... 

Imagino que Maquiavel e outros eminentes teóricos da ciência política expliquem a atitude da presidenta ao aceitar o convite para por algumas horas adentrar no "serpentário político-midiático" que será armado na belíssima sala de concertos.

Mas... como gostamos de "abrir a boca" e indagar, perguntamos: Presidenta, será que o vice ou algum ministro... por exemplo, o próprio ministro das Comunicações Paulo Bernardo, não poderia representá-la nesse compromisso? Sair do Nordeste, depois de um dia exaustivo de reuniões com os governadores, e em vez de ir pra casa tomar uma ducha, jantar, relaxar... vir direto pra São Paulo e se atirar nos braços de alguns dos seus algozes?!...

Dizem que o Brasil não tem memória. Esta reles blogueira costuma ter. Para os que não têm, publico abaixo a ficha falsa da presidenta Dilma, estampada na Folha de S. Paulo em 5 de abril de 2009.




FICHA CRIMINAL

A República dos Doutores

Em 28 de janeiro último, a Universidade Federal de Viçosa homenageou o ex-presidente Lula com o título de Doutor Honoris Causa, honraria equivalente a um doutorado acadêmico.

E parece que o "Doutor Lula" não ficará "só" com um doutorado. Segundo dizem, há quarenta (!) universidades, até do exterior, que já se manifestaram no sentido de conceder tal título ao ex-presidente.

No entendimento desta reles blogueira, que condena o emprego indiscriminado do tratamento "doutor", o título concedido a Lula é merecidíssimo. Já foi dito aqui em post sobre o assunto, no dia 29 de janeiro: Lula é Doutor em Política, em Comunicação, em Solidariedade, em Cidadania, em Povo, em Brasil. No mínimo.


Encerrando estas nossas reflexões sobre o tema, publico abaixo um artigo do psicanalista italiano radicado no Brasil, Contardo Calligaris.
 




A república dos doutores


Numa época, as universidades particulares procuravam ansiosamente por doutores. O fato é que, para autorizar novos cursos, o Ministério da Educação exige que o corpo docente inclua pesquisadores qualificados, ou seja, doutores.


Ultimamente, as universidades particulares descobriram que o salário dos doutores é caro. Na medida do possível, querem substituí-los por mestres e graduados.


Esse cálculo poderia comprometer a qualidade do ensino. Mas não é o caso de preocupar-se: os donos das universidades particulares não acharão os mestres e os simples graduados necessários para efetuar a substituição, pois, no Brasil do começo do século 21, só há doutores. Prudente de Moraes pode festejar: a República dos Bacharéis se pós-graduou.


Faça a prova: ligue para advogados, psicólogos, arquitetos e outros profissionais liberais. Ouvirá: "A doutora está em consulta", "Vou ver se o doutor pode atender". Ligue para uma agência de publicidade, um escritório comercial ou uma empresa e tente falar com um dirigente (engenheiro, arquiteto, administradora etc.). É a mesma coisa: "O doutor está em reunião", "Quer deixar um recado para a doutora?".


Mas, trégua de brincadeiras. Em geral, esses profissionais não se apresentam como doutores num encontro com membros de sua classe social. Eles são doutores para suas secretárias e, graças a elas, para quem telefona.


Algumas semanas atrás, para assinar um contrato, fui até um elegante escritório comercial, na área de São Paulo (ao redor da avenida Berrini) que se apresenta como cartão-postal da modernização. Anunciei ao porteiro que eu devia encontrar o senhor E., que estava me esperando. O porteiro, modulando a voz de modo a acentuar a correção de minhas palavras, perguntou: "Você quer ver o doutor E.? E você é o senhor...?". Ele parecia treinado para produzir uma tentativa de intimidação social. Não achei graça e retruquei: "Ah, o senhor E. é doutor? Ele é médico ou tem doutorado em alguma outra especialidade?". O porteiro ficou atônito: como ele deveria reagir a essa resposta imprevista?


As regras do uso legítimo do título de doutor dizem que doutores são os que completam um doutorado e, por consideração especial, os médicos. Não sei se o porteiro conhecia essas regras. No entanto, graças a uma sabedoria vital em nosso mundo, ele sabia certamente que o título de doutor do senhor E. não designa uma excelência acadêmica, mas serve para significar uma distância social.


No caso, não há diferença nenhuma entre ser doutor e ser marquês de Carabás: ambos são títulos cujo uso vale como um gesto de submissão, como uma genuflexão. Reconhecendo que o senhor E. pertence a outra casta, o porteiro me convidava a dar prova da mesma deferência.


Ora, a modernidade triunfa quando a diversidade das origens, das funções sociais e das condições econômicas não altera o fato de que somos todos essencialmente iguais.


Na adolescência, participei da fundação de um pequeno círculo liberal "extremista", em que a gente praticava o costume jacobino de chamar os outros de "cidadão" ou "cidadã" (título que era para nós uma honra suprema), acompanhado da função de cada um: cidadão professor, cidadã estudante, cidadão carpinteiro. Um pouco mais tarde, sonhei com um mundo em que nos chamaríamos um ao outro de "companheiro" ou "companheira".


Isso acontecia numa outra sociedade de doutores, a Itália dos anos 60. A sociedade italiana acabava de se tornar republicana e vivia um conflito agudo entre a modernização acelerada, as desigualdades econômicas violentas e a nostalgia das antigas hierarquias. Com isso, as diferenças sociais modernas (diferenças de formação e de função) eram extraviadas e usadas como indicadores de privilégio e de casta. "Doutor", um título que deveria assinalar a competência específica de um cidadão, era usado para afirmar que ele pertencia à tribo dos abastados.


Entre parênteses: a universidade italiana, cúmplice do atraso nacional, chamava de "doutor" qualquer graduado.


A alusão a uma educação superior, que é contida no título "doutor", serve também para justificar o privilégio: se alguém é doutor, "merece" ser rico. Com isso, a classe média, sempre ameaçada por seu retrocesso, pode acreditar que seu privilégio não seja arbitrário e efêmero. Explica-se assim o mistério das reuniões de condomínio em que todos os condôminos são doutores e doutoras.


Enfim, é provável que o uso de "doutor" como índice e justificação do privilégio social seja um sintoma constante em todas as sociedades em que formas arcaicas de domínio desvirtuam as formas modernas da diferença social. "Doutor", nessas sociedades, não é médico nem pós-graduado: é quem tem cartão de crédito, acesso à sala VIP do aeroporto e carro importado.


Nota. A república dos doutores é especialmente risível hoje, quando a hierarquia social que parece contar é aquela produzida pela notoriedade. Nessa hierarquia, o que importa não são os títulos, mas os nomes próprios, à condição que sejam reconhecíveis. Você acha que Giorgio Armani e Paulo Coelho querem ser chamados de dr. Armani e dr. Coelho?


Contardo Calligaris

domingo, 20 de fevereiro de 2011

"AeroDilma" incomoda a mídia

Como nossa mídia tradicional é ignorante, mesquinha, tacanha, caipira!

 
No blog do Josias de Souza, na Folha, o jornalista publicou um post sobre um jatinho executivo luxuosíssimo que passou a servir à presidenta Dilma.




Trata-se do Lineage 1000, fabricado pela Embraer.
A aeronave comporta 19 pessoas. "É o maior, mais luxuoso e mais caro jato executivo fabricado pela empresa (coisa de US$ 50 milhões)", afirma o jornalista.
De acordo com a Aeronáutica, o uso do avião “não acarretará novos custos financeiros” para o governo, pois ele pertence à Embraer, sendo cedido à FAB, para uso temporário.
Enquanto os outros dois aviões da Presidência passarão por manutenção programada, o requintado jato poderá ser usado pela presidenta.
Como mostra o vídeo, o confortável e luxuoso Lineage dispõe de sala de estar, sala de reunião, sala de refeições e uma suíte com cama, armários e ducha. Os passageiros têm acesso WI-FI à internet e a cinco TVs LCD espalhadas pelos ambientes.
A presidenta poderá usar o avião para viagens nacionais e internacionais. O Lineage tem autonomia para trajetos Brasília-Nova York ou São Paulo-Miami.
A aeronave será de uso temporário, enquanto os outros aviões passam por manutenção.

O jornalista termina o post com o descabido comentário: "O diabo vai ser abdicar do luxo depois de tê-lo experimentado".
E acrescentamos: O diabo é aguentar esse jornalismo vira-lata, que preferiria ver a presidenta andando de "teco-teco" ou em alguma "sucata voadora"... O diabo é esse jornalismo preconceituoso, que acha que presidentes populares como Lula e Dilma não têm direito a luxo e conforto. O diabo é esse jornalismo tacanho, fútil, ignorante e caipira, que se encanta diante da luxuosa e avançada tecnologia aeronáutica, mas se amesquinha, se apequena ao considerar que uma presidenta com a história de vida de Dilma, com comprometimento com causas e mudanças tão importantes para o País, possa se deslumbrar, se apegar a uma bobagem como essa... 

Folha.com

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Dilma está certa: primeiro a banda larga

Desde que o jornalista-blogueiro PHA começou a criticar o ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, logo no início do governo Dilma, afirmando que o ministro estava "com medo da Globo" e que a Lei da Mídia não seria implementada, estou para escrever um post a respeito.

O ministro declarou que a prioridade do governo é universalizar a banda larga. Isso não quer dizer que o governo descartou a necessária regulação da mídia.

No meu entendimento, trata-se de uma "estratégia" do governo. Mexer no "vespeiro" da mídia tradicional, "botar o dedo na ferida" daquela meia-dúzia de "coronéis midiáticos" e seus feudos, vai gerar muito estardalhaço. E é claro que o governo vai receber "chumbo grosso" das mazelas da comunicação. Ou seja, represálias.

Inteligente e estratégica, a presidenta Dilma determinou ao ministro que primeiro trabalhe para democratizar a internet rápida. E aí, claro, terá muito mais apoio da sociedade para atacar os latifúndios midiáticos.

Essa sempre foi a minha interpretação das falas do ministro.

Me pareceu "à época" (menos de 2 meses) tão óbvio, que estranhei o açodamento, a precipitação nas críticas ferozes do jornalista-blogueiro ao ministro e ao governo.

Hoje li um post a respeito, que compartilho aqui, e que vai na direção do meu raciocínio inicial.

Governo da presidenta Dilma está certo: PNBL tem que vir antes da Ley de Medios


Para quem ainda tinha dúvida, Tunísia e Egito ensinaram o caminho: a comunicação via internet pode ajudar a derrubar ditaduras. No nosso caso, a da comunicação.

Do que adiantaria colocar para votação a Ley de Medios
agora, com o Governo e o Congresso começando a dar os primeiros passos? Quem teria a lucrar com isso? Já toquei neste assunto aqui: Tres propostas de Comparato. Sem a primeira, as outras duas são arapucas.

Alguém imagina que Rede Globo, Abril, Folha e Estadão vão ficar apenas repercutindo as discussões? Eles vão usar de todas as suas (ainda) poderosas estruturas de comunicação para fragilizar o governo, denunciar suposta censura à imprensa livre, perseguição política (a la RCTV
na Venezuela) para fazer com que a Ley de Medios seja aprovada como uma Lei de Medos: covarde, pequena, atendendo aos interesses desses poderosos meios de comunicação.

Por isso o Plano Nacional de Banda Larga deve vir antes. Com o acesso à informação livre, via internet, chegando à maioria dos brasileiros, teremos uma massa maior para fazer frente ao poderio de comunicação do chamado PIG.

Atualizando uma famosa frase da década de 60 do século passado, de Marshall McLuhan, "o meio é a mensagem". Informação livre, de várias fontes, comunicação de mão dupla, e não mais, nunca mais, verticalizada, de Marinhos, Civita, Frias, Mesquitas para baixo, nos dizendo o que devemos ver da realidade e como interpretá-la.

Computadores baratos, celulares com acesso à internet, banda larga acessível vão transformar a democracia representativa em que vivemos em uma democracia participativa.

Aí sim a Ley de Medios vai para votação. E nós com ela contra os que são contra ela.


Blog do Mello

Doutores ou caipiras?

O assunto "uso adequado do tratamento doutor" é aqui apenas uma desculpa para pensar o Brasil. Isso é o que nos move e o que verdadeiramente nos interessa. Daí mais um artigo a respeito.


Um país de caipiras

Prof. José Breves Filho


Lembro-me de uma vez em que o ex-presidente FHC disse, em visita a Portugal, que nosso Brasil é um país de caipiras. Lembro também que a imprensa caiu matando suas palavras e houve um movimento de reação, por parte de alguns sociólogos, filósofos e pensadores brasileiros. Na verdade, ele foi mal interpretado e tiraram dele a única oportunidade de proferir algo que, realmente, faz sentido, já que nosso EX se notabilizou por escrever suas teses e agir de forma, exatamente, contrária a seus escritos.


Recordei, então, um fato histórico da época em que o Brasil era colônia de Portugal e, depois, Império (alguns estudiosos da história do Brasil asseveram que só mudamos de colonizadores). Como era chique estudar fora do país e, ainda, não havia aqui boas universidades, os fazendeiros endinheirados mandavam seus filhos para a Europa, porém, antes, reuniam a criadagem e diziam: "Meu filho vai estudar na Europa, quando voltar, quero que todos o chamem de doutor".


Neste momento em que estou escrevendo, veio à minha mente uma palestra proferida pela pesquisadora Emilia Ferrero, em Belo Horizonte-MG (ano de 1989), na qual ela começou fazendo o seguinte comentário, num tom irônico: "Não sei como o Brasil, um país cheio de doutores, pode estar atolado na miséria, na corrupção, e continua com grandes desigualdades sociais e econômicas". (Não sei por que... mas tive vontade de lembrar que ela é argentina e viveu muitos anos no México.) Em seguida, a discípula de Piaget, criador da teoria construtivista, afirmou que, nos países mais desenvolvidos, um médico, engenheiro, dentista e advogado não são chamados de doutor, porque doutor é um título e não um pronome de tratamento.


Ao refletir sobre essa insólita situação, pensei que, para um bom juiz de Direito (essa ressalva nem precisaria, uma vez que o outro não é juiz e sim árbitro de futebol), seria interessante julgar um desses profissionais por falsidade ideológica, isto é, por usar um título que não possui.


Mas e os doutores, como estão? As universidades estão lotadas de doutores, alguns destemperados ou cheios de esquisitice. Há, também, aqueles que estão nos divãs, ou tomam remédio controlado, pois não conseguiram resolver uma questão, aparentemente, simples: Como utilizar o conhecimento acadêmico para crescer como ser humano, ou melhor, crescer como gente.


Existem, também, os vaidosos que, no auge da “envelhescência”, colocam brinco na orelha, roupas extravagantes, para travestir o visual, na medida em que, conscientes de que fracassaram, não sabem o que fazer com o conhecimento adquirido.


Por favor, caro(a) leitor(a) deste artigo, vá a uma universidade qualquer, desta linda capital, assistir a uma aula, ministrada por um doutor. Você poderá ter uma surpresa, quer dizer, diante de uma sumidade, perceber que o doutor sumiu em sala de aula. Em outras palavras, não se organiza em seu trabalho acadêmico e não consegue dar sentido a seu labor. Enfim, do doutor, você poderá ver, apenas, uma vaidade digna dos boçais, ou seja, de gente tola e vazia de conteúdo. Dessa forma, poderá concluir que a sabedoria está bem distante do conhecimento, como diz Rubem Alves.

José Breves Filho - breves@ifce.edu.br