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terça-feira, 21 de outubro de 2014

Aécio Neves: a mentira na política


ELEIÇÕES 2014



"Estão em jogo a vida e o futuro de milhões de pessoas. Elas têm todo o direito de conhecer quem pretende ocupar o cargo mais alto da República."



O cínico


Aécio perde batalha da verdade


Ricardo Melo, Folha de S. Paulo

(Reproduzido de O Cafezinho)


A frase atribuída ao nazista Joseph Goebbels — uma mentira repetida mil vezes se transforma em verdade — tem sido a resposta preferida do candidato Aécio Neves e sua equipe diante de críticas. O problema é quando a verdade, repetida mil vezes, continua sendo verdade, sem contraponto ou contraditório capaz de desmenti-la.

O candidato tucano construiu uma pista de pouso em propriedade familiar. A chave da mordomia ficava na mão de parentes, os quais, aliás, ele empregou aos montes. Tudo documentado. Nenhum estudo, mesmo fabricado às pressas, provou a necessidade da obra. Isso não é uma questão íntima. É dinheiro público queimado para fins pessoais. Existe uma ação em curso, por improbidade administrativa. É um fato, não depoimento selecionado de delação desesperada, desculpe, premiada.

O governo de Minas destinou uma gorda fatia de publicidade para empresas de telecomunicações dos Neves. Nem o candidato nega. É deselegante perguntar como o rapaz lida quando se encontram o público e o privado? Cabe aos brasileiros descobrir o montante, pois envolve gente disputando a Presidência. “Não registramos quanto foi gasto”, respondem o tucano e seu staff.

Documentos do Tribunal de Contas de Minas Gerais apontavam suspeitas de irregularidades no governo do atual senador. A capivara foi citada durante um dos debates. Horas depois, a papelada desapareceu do site oficial do tribunal, uma instância pública (!). Tomou Doril. Sumiu. E nada se faz a respeito.

O drible no bafômetro e outros momentos pouco edificantes da rotina noturna do senador estão fartamente documentados na internet e imprensa escrita. Não são montagem, assim como não é falso o stand-up daquele artista de fim de noite que relacionou Maradona e Aécio quanto ao consumo de drogas. Hoje o mesmo personagem posa de aecista desde criancinha. Mas nunca desmentiu a performance.

Balela a história de que trazer a público tudo isso é baixaria etc. etc. Isso é falta de argumento de quem não tem resposta.

Pense bem: quantas vezes já não deparamos com indivíduos brilhantes (o que não é propriamente o caso…), mas com uma trajetória errática, que seríamos incapazes de indicar para uma função, mesmo menor, numa empresa? Não há nisso preconceito nenhum; somente o desejo de saber qual é a pessoa certa para o lugar certo.

“Ah, mas e os programas, as propostas?”, indagam os puritanos habituais. Bem, todos conhecem o que pensam tanto Dilma quanto Aécio e seu braço direito, Armínio Fraga.

A primeira pelo que ela e seu partido fizeram nos últimos tempos no Planalto. Aécio, pelo que ele e sua equipe revelam em entrevistas e jantares. Coisas como corte de gastos sociais, esvaziamento de bancos públicos, encolhimento de salários, facão nas empresas, tarifaço, mudança nas leis trabalhistas e por aí vai. As tais medidas impopulares. Para ele, sem isto o Brasil vai piorar. Acredite quem quiser.

Com a campanha perto do fim, supostas regras de etiqueta surgem para esconder o essencial. Cortina de fumaça. Estão em jogo a vida e o futuro de milhões de pessoas. Elas têm todo o direito de conhecer quem pretende ocupar o cargo mais alto da República.

Pesquisas são só pesquisas. A depender delas, o PT não teria ganho no primeiro turno na Bahia e em Minas Gerais, Aécio não teria os votos obtidos em São Paulo, e o PMDB estaria fora do segundo turno no Rio Grande do Sul.

A questão não é satanizar institutos. É dar aos seus levantamentos o peso que merecem. Mais do que nunca, o primeiro turno mostrou que a palavra final é do eleitor, não de pesquisados. Da mesma forma que é patética a tática de carimbar como mentiras verdades inapagáveis, registradas em vídeo, áudio e folhas de papel.


Destaques do ABC!

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domingo, 19 de outubro de 2014

Eleições 2014: até tu, TSE ???!!!


GOLPE EM ANDAMENTO



Construir aeroporto particular, com dinheiro público (R$ 13,9 milhões !!!), na fazenda do "titio", pode. O que a mídia alternativa vem chamando de "Aécioporto"...

Mas denunciar no horário eleitoral a existência do tal aeroporto e pedir explicações ao então "governador de Minas", aquele que mandou construir a obra em terras da família... isso o egrégio Tribunal Superior Eleitoral proíbe.

Ah, tá. Entendi. To entendendo...

Cometer crime, pode. Denunciá-lo, não.

Tristes Trópicos, onde a justiça tem cara de justiça, cheiro de justiça, jeitão de justiça, mas nada a ver com justiça...



Proibir falar de Cláudio é um atentado contra a democracia



Publicar o pecado não pode

A decisão do TSE de proibir menções ao aeroporto de Cláudio me lembrou uma das melhores frases de Machado de Assis.

“O maior pecado depois do pecado é a publicação do pecado”, escreveu Machado.

Quer dizer: o problema, sob a estranha lógica do TSE, não é a existência de um aeroporto de uso privado construído com dinheiro público no governo Aécio em Minas.

O problema é falar nele.

É uma pancada na democracia. Não basta a mídia não cobrir o assunto, em seu esforço épico para eleger Aécio. Agora, também na propaganda eleitoral o caso não pode ser explorado.

Quem acredita na explicação do TSE, como dizia Wellington, acredita em tudo. A campanha tem que ser propositiva, esta a alegação.

É uma bobagem que vem envolta em pretensos ares civilizatórios.

O real objetivo das campanhas é permitir que os eleitores conheçam os candidatos.

Num mundo menos imperfeito, isso seria feito pela mídia. Mas não é o que acontece.

Quando a mídia informou a sociedade sobre as rádios de Aécio – um palanque permanente e indecente?

Quando a mídia contou que aos 25 anos Aécio, o Senhor Meritocracia, ganhou o cargo de diretor da Caixa Econômica Federal?


Quando a mídia noticiou que aos 17 anos Aécio tinha um emprego público em que deveria estar em Brasília no mesmo momento em que estudava no Rio?

Nunca.

O TSE exorbitou.
Caso algum candidato se sinta vítima de calúnia no programa eleitoral, que recorra à Justiça.

Aécio ao longo de toda a vida foi protegido. Em Minas, a mídia foi sempre controlada, por meio de publicidade, para não publicar coisas ruins sobre ele.

Jornalistas locais disseram que já sabiam faz tempo do aeroporto de Cláudio, mas eram impedidos de escrever sobre o assunto.

Democracia? Liberdade de expressão? Transparência? Meritocracia?

Quer dizer: justo quando os brasileiros podem conhecer um contendor para a presidência, o TSE ajuda na blindagem.

É um gesto simplesmente indefensável.

Se falar em Cláudio não é “propositivo”, falar na Petrobras é?

Desde que vi os togados do STF na televisão no julgamento do Mensalão, perdi todas as expectativas sobre a Justiça nacional.

Mas, ainda assim, pela mão do TSE, ela conseguiu se superar em obtusidade nesta decisão.


* O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.


Destaques do ABC!

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