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sábado, 26 de novembro de 2011

USP: uma janela para o mundo



Sou uspiana. Com muito orgulho "bom". 


De família pobre, filha de pai operário e mãe dona de casa, ambos com pouquíssima instrução, sem o primário completo, aluna de escola pública, cheguei à maior, melhor e mais importante universidade brasileira e uma das melhores do mundo por esforço próprio e determinação.


Na Universidade de São Paulo (USP), sempre foi difícil entrar. E saibam que é dificílimo sair, já que professores não costumam presentear alunos com notas altas, como acontece em muitas universidades particulares.


Na USP, consegui um Bacharelado em Letras (Português-Inglês) na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, uma Licenciatura em Língua Portuguesa na Faculdade de Educação e um Mestrado em Comunicação (Jornalismo e Editoração) na Escola de Comunicações e Artes.


                                                                                             Foto: Marcos Santos/USP Imagens


No início do novo milênio, me tornei professora da USP, mas fui demitida pouco depois, pois na universidade também há "bandas podres", gente de pouca estatura intelectual e sem estofo moral, que está ali exclusivamente para proveito próprio e de seus protegidos. Uma "tímida ousada" como Sonia Amorim, que não compactua com bandalheiras, não poderia, mesmo, durar muito lá...


Mas uma coisa é a universidade e outra a bandidagem que atua em alguns setores. Uma coisa é a universidade e outra o governo direitista, privatista, militarista e tacanho que devasta o estado de São Paulo há quase duas décadas. 


Os 10 melhores anos da minha vida foram passados dentro da USP, assistindo aulas, estudando nas bibliotecas, conversando com a moçada nos corredores e lanchonetes, jogando tênis no CEPÊ, ouvindo importantes palestras, conferências e concertos nos auditórios, caminhando, passeando e namorando nos aprazíveis jardins e gramados e nas alamedas arborizadas... e participando, claro, de assembleias, passeatas, atos públicos e outras tantas agitações do movimento estudantil contra a ditadura militar e outras mobilizações.


Mais do que os diplomas e certificados, na USP adquiri ou reforcei essa inclinação libertária, essa postura democrática e cidadã e uma abertura e respeito pela diversidade natural e cultural do mundo.


Abaixo publico artigo que oferece mais um ponto de vista sobre os recentes e lamentáveis acontecimentos na universidade.


USP - UNIFORMES.UNIFORMIZANTES.UNIFORMIZADORES E UNIFORMIZADOS

Vera Vassouras*

“Quem não tem entendimento, use de sua visão interior, de seu ouvido interior para penetrar no coração das coisas, e não precisará de conhecimento intelectual” (Ch`uang-Tse)

A Universidade é de “São Paulo”, localizada na cidade de “São Paulo”, capital do estado de “São Paulo”. Afinal, o que esperam os estudantes da “Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de Santo Paulo”?

Uma Universidade que homenageia, na denominação, um soldado romano só pode afirmar-se na guerra, jamais no diálogo.

A filosofia está cimentada em bases católicas, apostólicas e romanas, portanto, uma ciência de origem bárbara, disforme. Não há filosofia (entenda-se pensamento) africana, asiática, enfim. Somente a filosofia grego-romana em prática na Grécia atual (na base do cassetete) e adotada pelo chamado mundo civilizado (com base em destruição) é aprendida nas faculdades de filosofia. Não há crítica ao pensamento, apenas e raríssimas vezes, quando a manada à qual denominam estudantes se movimenta sem o toque das esporas, entra no palco do circo estudantil, a partir da REI-toria, os Uniformes, seus cassetetes e gases de pimenta, em nome da ciência da pacificação do imperialismo romano. Filosofia cristã.

Por outro lado, os UNIFORMIZANTES, autodenominados professores de ciências, letras e filosofias, decidem publicar os motivos da revolta dos UNIFORMIZADOS, ancorados pelos vende-DORES da comunicação. Os mestres da desinformação. Todos contra o poder de criação da juventude, a alegria da revolta, o desejo de liberdade.

Os UNIFORMIZADOS, tratados como manada criminosa, impulsionados pela sensibilidade racional decorrente da ruptura do pensamento uniformiza-dor, tentam, com seu corpo físico, enfrentar os Uniformes, os Uniformizantes e os Uniformizadores, enquanto a floresta envia suas mensagens para acordar as consciências em busca de um futuro no qual a filosofia, as ciências e as letras sejam usadas para a formação de seres humanos, cuja liberdade de pensamento e ação não estejam fraturados por cassetetes e bombas, demonstrando, no interior de seus centros de cultura, a prática secular da civilização bárbara. Ao invés de diálogo: (alguém se lembra de Sócrates?) violência, violência, violência. A Faculdade é a jaula.

Sem liberdade, sem possibilidade de escolhas, sem direção humanística, acuados pela prática do direito penal ao inimigo, na impossibilidade de escolha de seus dirigentes, na aceitação forçada de programas fundamentados em ideologias de dominação, que futuro tem uma filosofia que, na prática, é incapaz de dialogar? Os estudantes estão a experimentar o resultado de uma tradição.

Incapazes de dialogar, ainda que se intitulem cientistas, recorrem aos professores substitutos: a milícia uniformizada para ministrar suas aulas. Na prática.

Uma Faculdade de Filosofia na qual os dirigentes INSISTEM EM MONOLOGAR COM O CASSETETE, NÃO DIALOGAR COM PALAVRAS, É UMA AFRONTA À INTELIGÊNCIA. É uma entidade putrefata e merece ser demolida em nome da evolução da espécie, neste planeta dos macacos.

* Vera Vassouras é advogada, Mestra em Filosofia do Direito pela USP, professora universitária, tradutora e escritora, autora de O mito da igualdade jurídica no Brasil - notas críticas sobre a igualdade formal.

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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

São Paulo e o Império da Arrogância



Tudo é linguagem, nos ensina a semiótica, ciência dos signos. Palavras, roupas, gestos, atitudes. Tudo, absolutamente tudo. Vivemos todos imersos num universo de signos. É preciso aprender a "ler" os signos, os sinais.


USP, Alckmin, Opus Dei, militarização, retrocessos...


Na cidade e no estado de São Paulo, os sinais não são nada alvissareiros. São Paulo vem andando para trás há algumas décadas.


Há uma revolução mundial em curso, ainda nos seus primeiros passos, bradando por civilização, democracia, justiça, abertura, transparência, igualdade, liberdade... Mas em São Paulo, nas administrações estadual e municipal, imperam a tacanhice, a truculência, a prepotência. 


Arroganciocracia.


Cidade e estado nas mãos de tecnocratas e "gestores", como eles gostam de se autodenominar, limitados, bitolados, quadrados. Toscos. Na contramão da história.  Numa dessintonia total com a sociedade planetária que começamos a construir.


Uma lástima. Um despropósito. Puro descalabro. São Paulo não é isto. São Paulo não merece isto. São Paulo é infinitamente maior que estes broncos, saídos das cavernas.


Cidadãos paulistas e paulistanos, 2012 é ano eleitoral: eleições municipais. E em seguida, 2014, plano estadual. Teremos a oportunidade de mudar radicalmente o que aí está. Acordem deste sono profundo!


Cidadania Paulistana: vamos realinhar São Paulo com a mentalidade progressista, avançada, que borbulha em todo o planeta.


Por uma Primavera Paulista e Paulistana Já!



Como no tempo das ditaduras




A PM na USP faz parte de uma política 

filo-fascista de Geraldo Alckmin, 
que só ataca no varejo. Foto: André Lessa/AE

No dia 27 de outubro, a Polícia Militar, no campus da Universidade de São Paulo, desnudou a política de segurança pública do governador Geraldo Alckmin. Uma política de matriz filo-fascista conhecida desde o chamado massacre da Castelinho. Embora violenta, tal política foi desmoralizada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), que se espalha e difunde o medo, sem ser contrastado com eficácia, pela periferia da capital paulista.

Enquanto o Rio de Janeiro, depois da chegada de José Mariano Beltrame à secretaria e sua decisão de pôr fim ao populismo bélico do governador Sérgio Cabral, investe na pacificação, o governador de São Paulo, ainda que sem Saulo de Castro a papaguear máximas malufistas na pasta da Segurança Pública, insiste na militarizada, direitista e populista linha conhecida por Lei&Ordem e as derivantes Tolerância Zero e War on Drugs (Guerra às Drogas).

Leia mais:

‘Prende e arrebenta’
Lei das algemas? Só para influentes
Ocupação patética, reação tenebrosa


Nelas sucumbiram Felipe Calderón, presidente mexicano, e George W. Bush, que perseguia com a polícia federal usuários terapêuticos de maconha e bateu à porta da Corte Suprema de Justiça para postular a declaração de inconstitucionalidade de leis estaduais que permitiam aos doentes o uso de maconha para finalidade terapêutica, por indicação médica. E não deve ser esquecido Rudolph Giuliani, morto politicamente por colocar, quando no segundo mandato de prefeito de Nova York, sob permanente suspeita de autoria de crimes, negros e latino-americanos e por encetar perseguições cotidianas, com prisões de bebedores de cerveja apanhados ou por embriaguez ou por terem urinado nas ruas.

A war on drugs de Alckmin ataca no varejo, ou seja, mira no ilícito de menor potencial ofensivo, sujeito a juizados de pequenas causas criminais. O último solar exemplo acaba de acontecer com a detenção de três universitários que consumiam, para fins lúdicos recreativos (não medicinal), maconha no campus da USP. A polícia não reprime os grandes traficantes e adere ao truísmo bushiano-religioso de que sem consumo não haveria oferta. Assim, sai atrás dos maconheiros e não dos traficantes. Um dos maiores traficantes do planeta, Juan Carlos Abadia, fixou residência e operou durante anos em São Paulo, sem ser molestado pela polícia paulista.

Após a consumação, por pessoas estranhas ao campus da USP, de crimes graves, celebrou-se um acordo, pelo prazo de cinco anos, voltado “a reforçar a proteção” à população do campus da USP. Esse acordo foi firmado pelo comando da PM e por Grandino Rodas, aquele que não encabeçava a lista de selecionados para o múnus de reitor, mas acabou escolhido pelo então governador José Serra, apesar das inúmeras trapalhadas à frente da Faculdade de Direito.

À época, o acordo contou com a aprovação da maioria dos universitários, ainda sob comoção decorrente do latrocínio (matar para roubar) do estudante Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos. Hoje, e sabedores da política de segurança do governo Alckmin, os universitários e os trabalhadores do campus desejam a revisão do tal acordo e cogitam uma greve geral.

Com a detenção dos três estudantes surpreendidos a fumar maconha em estacionamento para automóveis, houve reação desproporcional, radical, por parte dos colegas dos detidos. O exagero daqueles que se sentiram ameaçados por policiais num território tradicionalmente livre, de ideais libertários. Outro caminho deveria ter sido trilhado pelos universitários que estão legitimados a postular a revisão do acordo com a PM e a exigir segurança por meio de um adequado corpo de funcionários da própria USP, ainda que Grandino Rodas prefira a PM.

Do confronto entre estudantes e policiais, chegou-se à ocupação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, à migração, por uma minoria enfurecida e derrotada em assembleia, para o prédio da reitoria e a reintegração coercitiva da posse. Aí, a Polícia Civil Judiciária perpetrou a ilegalidade de enquadrar os universitários como criminosos organizados em quadrilha e bando.

Uma PM despreparada para tratar com universitários foi a causa imediata de tamanho tumulto. Em agosto de 2007, a mesma PM invadiu a Faculdade de Direito da USP e isso levou o saudoso professor Goffredo da Silva Telles a elaborar uma segunda Carta aos Brasileiros, onde advertiu sobre os resquícios autoritários e proclamou o Território Livre.

A causa do desacerto no campus, frise-se, decorre da política eleita por Alckmin, num tempo em que o direito penal se humaniza. Até para crimes graves usam-se institutos que isentam de processos, condenações ou penas: plea bargaining, pattegiamento, delação premiada, desassociação, bagatela-insignificância. Além disso, ensina a máxima romana que “de minimis non curat praetor”.

Pano rápido: “Todos os estudantes foram conduzidos à delegacia, sem que fosse necessário nem um disparo”, vangloriou-se o secretário de Segurança. Pelo que disse, disparos de arma de fogo tinham sido previstos.



Walter Maierovitch


CartaCapital


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terça-feira, 8 de novembro de 2011

USP: Ensaio sobre a covardia



E sobre a prepotência, a truculência, a arrogância, a ignorância...


Um "revival" dos melhores momentos da ditadura.


                                                                                                               UOL/Rahel Patrasso


                          Aluno lendo poesia para policiais da Tropa de Choque da PM /Reuters                                                                                                            
                                                                              

                                      A Força e o Lirismo                                       O Globo