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sábado, 6 de agosto de 2011

S.O.S. Somália: como ajudar / how to help / cómo ayudar / comment aider

Fome na Somália se agrava; saiba como ajudar


Diversas ONGs atuam no Chifre da África e aceitam doações em dinheiro e trabalho voluntário


SÃO PAULO - A divulgação do primeiro relatório sobre o número de mortes provocadas pela crise alimentar na região do Chifre da África revela que mais de 29 mil crianças com menos de 5 anos já morreram de fome nos últimos três meses na Somália - uma média de 300 por dia, quase 15 por hora.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 640 mil crianças somalis estão subnutridas e 3,2 milhões de pessoas - de uma população total de 7,5 milhões - precisam de ajuda imediata para sobreviver.
Nesta semana, a ONU declarou situação de fome em mais três regiões do sul da Somália, elevando a cinco o total de áreas atingidas. A ONU calcula que dezenas de milhares de pessoas tenham morrido em decorrência do atual período de seca, o pior a afetar a Somália em 60 anos.
O alto índice de crianças somalis com desnutrição aguda indica que o número de óbitos entre crianças pequenas aumentará ainda mais. Conheça algumas das formas de ajudar a Somália a combater a fome. E participe divulgando a hashtag#ajudeasomalia no Twitter.



Doações em dinheiro para ajudar a Somália


Cruz Vermelha Internacional (ICRC)
É necessário escolher a operação de destino antes de prosseguir com a doação. Há opções de transferência bancária ou postal.
Agência de Refugiados das Nações Unidas (UNHCR) Doações únicas ou mensais, em dólares e via cartão de crédito. Com apenas US$ 7 (cerca de R$ 11), já é possível comprar um kit de alimentação para uma criança desnutrida.
Programa Mundial de Alimentos (WFP) A agência filiada à ONU permite doações em seis moedas diferentes (R$ não incluso) e o direcionamento da ajuda - para a África ou o local "onde a necessidade for maior".
Care O doador pode optar entre as sugestões ou doar um valor desejado. A doação é feita em dólares. A entidade informa o que pode ser feito com o valor doado.
Médicos Sem Fronteiras (MSF) Opção de pagamento via boleto bancário ou débito automático, em reais. A ONG também informa o que pode ser adquirido com a quantia. Com R$ 30, por exemplo, é possível ajudar uma criança desnutrida por um mês.
Unicef  O órgão do ONU aceita doações em dólares. O valor é automaticamente direcionada para ações nos países do Chifre da África.
Cruz Vermelha do Quênia Para doações específicas para o Quênia, somente via cartão de crédito.
Save the Children Doações feitas em dólares e somente via cartão de crédito. O valor é livre, mas a ONG indica que basta doar US$ 1 (pouco mais de R$ 1,50) por dia durante 100 dias para salvar uma criança da fome.
Igreja Evangélica Luterana Americana (ELCA) A instituição criou uma página específica para doações para a região. Além de opção de cartão de crédito, a página oferece endereço e telefone para quem está nos EUA e quer ajudar.
Action Aid Agência tem página simples para as doações. Basta preencher os dados, estipular o valor e contribuir.
International Medical Corps (IMC) Segundo a ONG, cada dólar doado por um indivíduo é somado a US$ 30 oriundos de doações corporativas. Doações podem ser únicas ou periódicas, apenas via cartão crédito.
Voluntariado Algumas agências, como as Nações Unidas e o Voluntariado Mundial, oferecem programas de voluntariado, local ou à distância.
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Cash donations to help Somalia


International Committee of the Red Cross (ICRC) Donors must choose which operation will receive the donation before proceeding. Bank transfer and postal transfer options available.
The UN Refugee Agency (UNHCR)
One-time or monthly donations, in dollars transfered by credit card. With as little as US$ 7 it is already possible to purchase a food kit for a hungry child.
World Food Programme (WFP) This UN-Affiliated agency receives donations in six different currencies, and the aid is destined to Africa – or “wherever it is needed the most”.
Care Donors may choose between donating a suggested amount or specifying a desired amount. Donations are made in dollars. The organization informs all that can be achieved with the amount chosen.
Doctors Without Borders (MSF) Several donation and payment options available. The organization provides urgent medical care to hundreds of thousands of people in more than 70 countries around the world each year.
Unicef
The UN Agency receives donations in dollars. The amount is immediately directed to aid projects in the Horn of Africa.
Kenya Red Cross
For specific donations to Kenya, by credit card only.
Save the Children Donations are in dollars by credit card only. The amount is not predefined, but the NGO mentions that a daily donation of as little as US$ 1 for a 100-day period is enough to save a child from hunger.
Evangelical Lutheran Church in America (ELCA) The institution has a specific site for donations destined to the region. Other than credit card donation options, the site offers an address and phone number for those in the US willing to help.
Action Aid The agency has a simple site for donations. Donors need only fill in their personal data and decide how much they want to contribute with.
International Medical Corps (IMC) According to this NGO, every dollar donated by individuals is added to US$ 30 donated by corporations. Donations are by credit card only, and can be onte-time-only or recurrent and periodical.
Volunteering Some agencies Like the United Nations and the World Volunteer Web have local-and-direct volunteering programmes. Learn how to help in the following links:
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Donaciones en dinero para ayudar a Somalia

Es necesario elegir la operación de destino antes de proceder a la donación. Las opciones son transferencia bancaria o postal.
Donaciones individuales o mensuales, en dólares y con la tarjeta de crédito. Con sólo 7 dólares, es possible comprar un kit de alimentos para un niño desnutrido.
La agencia afiliada a la ONU permite donaciones en seis divisas diferentes y la ayuda es direccionada a África o el lugar donde "la necesidad sea mayor".
El donante puede elegir un valor dentre las sugerencias o un otro valor deseado. La donación se hace en dolares. La organización informa lo que se puede hacer con la cantidad donada.
Están disponibles varias opciones de pago para las donaciones. La organización proporciona atención médica urgente a cientos de miles de personas en más de 70 países de todo el mundo cada año.
El órgano de la ONU acepta donaciones en dólares. El valor se envía automáticamente a las acciones en los países de la región del Cuerno de África.
Para donaciones específicas a Kenia, sólo a través de tarjeta de crédito.
Las donaciones són hechas en dólares y sólo a través de tarjeta de crédito. El valor es libre, y la ONG indica una donación de US$ 1 por día durante 100 días es suficiente para salvar a un niño de la hambre.
La institución ha creado una página específica para las donaciones a la región. Además de la opción de tarjeta de crédito, la página proporciona la dirección y número de teléfono para cualquier persona que estea en los EE.UU. y quiera ayudar.
Agencia tiene página sencilla para las donaciones. Es necessario solamente rellenar los datos, eligir un valor y contribuir.
Según la ONG, cada dólar donado por una persona es acrecido de US$ 30 más procedentes de donaciones corporativas. Las donaciones pueden ser únicas o periódicas, sólo a través de tarjeta de crédito.
Voluntariado
Algunas agencias, como las Naciones Unidas e la Red Mundial de los Voluntarios ofrecen programas de voluntariado, local o distante. Echa un vistazo a los links y encontrar la manera de ayudar:
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Donnations en argent afin d'aider la Somalie

Croix Rouge Internationale (ICRC) Il est nécessaire de choisir l'opération de destination avant de poursuivre à la donation. Options: transfert bancaire ou par poste.
Agence pour les Réfugiés des Nations Unies (UNHCR) Donnations uniques ou mensuellles, en dollars et par carte de crédit. Avec seulement US$7 il est possible d'acheter un kit d'aliments pour un enfant sous nourri.
Programe Mondial d'Aliments (WFP) Cette agence filliée à l' Nations Unies permet des donnations en six différentes monnaies et dirrectionne l'aide vers l'afrique ou le local de nécéssité majeur.
Care Le donneur peut opter entre des sugéstions ou donner une valeur comme il veut. En dollars. L'agence Care informe ce que pourra être fait avec l'argent reçu.
Médecins Sans Frontières (MSF) Option de payement par avis bancaire ou par débit automatique à la banque. L'agence informera aussi ce que pourra être acheté avec la valeur en question. Avec US$20 il est possible d'aider à nourir un enfant au long d'un móis.
Unicef Cet organe de l'Nations Unies accepte des donnations en dollars. La valeur est automatiquement envoyée aux pays de la Corne de l'Afrique.
Croix Rouge du Kenya Donnations spécifiques par carte de crédit.
Save the Children (Sauvez les Enfants) Donnations en dollars et seulement par carte de crédit. Valeur libre. Cette ong informe qu'en donnant US$1 par jour pendant 100 jours, il est possible de sauver un enfant de la famine.
Église Évangélique Lutherrene d'Ámérique (Elca) Cette institution a créé une page spécifique pour les donnations pour la région. À part les donnations par carte de crédit, la page offre l'adresse et le téléphone pour ceux qui sont aux États Unis et veullent y aider.
Action Aid L'agence a une page simple pour les donnations. Il suffit de remplir les donnés et de stipuler la valeur.
International Medical Corps (IMC) Selon cette ong, chaque dollar donné part un indivu particulier est ajouté à US$30 de donnations corporratives. Donnations uniques ou périodiques par carte de crédit seulement.
Volontariat Quelques agences comme Nations Unies ou Volontariat Mondial offrent des programmes de volontariat, local ou à distance. Accédez aux "links" et découvrez comment en y aider.

Texto: Estadão

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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A surreal magistratura brasileira

Rir pra não chorar... 


Juiz de Direito diz que homem que mata a mulher não é perigoso, porque ele quis matar "só" a mulher dele...

Juiz de Direito José Armando da Silveira, da vara do Tribunal do Júri de Juiz de Fora, em entrevista à TV Panorama, domingo, 31/7/2011


EXTREMO ABSURDO

A entrevista foi anunciada para discutir a nova Lei nº 12.403, de 4 de maio de 2011, que modificou o Código de Processo Penal no atinente à prisão processual, fiança, liberdade provisória, medidas cautelares, etc.

Como todo cidadão de bom senso, aprovo a lei, não só por se tratar de um mecanismo legal de "civilizar" as nossas prisões, como também tornar a pena privativa de liberdade como uma solução para a violência e não um estímulo como é aplicada até o momento, sendo usada a torto e a direito, principalmente contra os pobres deste país.

O que vemos hoje? Pessoas presas por serem pobres e negras. É o primeiro requisito. O motivo, o "crime" vem depois. Diante desse quadro de injustiça, ficamos esperançosos com a nova lei, de que ela possa estancar tanta injustiça com nossa população mais carente.

Daí que, não só eu, mas outras pessoas que assistiram ao programa, ficamos "em choque" ao ouvirmos um juiz de Direito citar como exemplo, num canal de televisão, que a lei liberaria o acusado que matou a mulher porque ele não é perigoso, ele "só" matou a mulher... (completo acima).

Os únicos que a lei não deveria atingir seriam os que tiram a vida, os que matam, seja por quaisquer razões. Sempre pensei que deveria haver um artigo, uma lei, um tratamento, seja o que for, específico, para quem mata. Nenhuma razão, nenhum motivo (torpe ou não) deveria liberar o assassino do cumprimento da sua pena. Por quê? Por causa do exemplo.

Esta é a minha posição: prisão só para quem mata, porque uma vez tirando a vida, comete-se o mais irredutível e covarde dos crimes.

E, no entanto, vem esse juiz dar um péssimo exemplo para a população, neste país onde dezenas de milhares de mulheres são mortas todos os anos por seus maridos ou companheiros, ao dizer que homens que matam suas mulheres não são perigosos, que esses assassinos estão entre os que a lei protege, porque eles "só" matam suas mulheres, não matam a mulher do vizinho.

Não, é surreal! Belisquei-me para acreditar que ouvia tal absurdo.


Significa, então, que essa é a posição do Judiciário?

Um juiz de direito, um representante do Judiciário, com essa declaração absurda, enviou um recado aos homens: você tem direito de matar a "sua" mulher.

Está explicada a matança de mulheres neste país.

O Judiciário é o maior responsável.

Como na frase do pensador polonês S. Jerzy Lec: "Todos somos iguais perante a lei, mas não perante os encarregados de fazê-la cumprir."


Comentário de Vera Vassouras:

Não observo qualquer absurdo no depoimento do juiz. Afinal, não são os Tribunais de todo o mundo demo-crático os autores de assassinatos "seletivos" aos quais se dá o nome de "sentenças", "decisões", "justiça"? Um dia, as viúvas, os órfãos, os despossuídos, os marginalizados, os ofendidos, enfim, a memória dos assassinatos produzidos pelo Judiciário estarão tão evidentes que os cegos não poderão mais fingir que não vêem, os surdos, que não ouvem, e os humanos, que não sentem (lá no fundo da alma) essa barbárie orientada ao direito de matar os mais frágeis. Enfim, o Judiciário mata, afirmando cumprir a lei e os Estados produzem genocídios generalizados, inclusive por meio de guerras, afirmando cumprir "determinações judiciais". A Instituição é assassina desde as origens. Afirmei: desde as origens. Quem tenha olhos, que veja!

Vera Vassouras é Mestra em Filosofia do Direito pela USP, advogada, professora universitária, tradutora, escritora, autora do livro O mito da igualdade jurídica - notas críticas sobre a igualdade formal.


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Jobim: um estranho no ninho

Primeiro de Janeiro de 2011.

Posse de Dilma Rousseff como Primeira Mulher Presidente da República Federativa do Brasil.

A fisionomia da presidenta empossando o ministro da Defesa, indicado por Lula, já não mostrava contentamento. Na presidenta é visível até uma certa contrariedade...

                                                                      Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Sete meses depois... o americanófilo ministro bate asas de volta ao ninho tucano. Por pressão de Dilma (veja posts de ontem), o ministro entregou carta de demissão.

Celso Amorim, ex-ministro das Relações Exteriores no governo Lula, assume o Ministério da Defesa, provocando insatisfação em setores das Forças Armadas.

Vamos acompanhar aqui como a brava presidenta Dilma Rousseff administrará esse momento de faxina geral e desatará esse nó criado com os militares.

Por enquanto, comemoremos a defenestração do deselegante falastrão.

Manda quem pode. Obedece quem tem juízo...

Já vai tarde, Jobim!


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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Até que enfim: Fora, Jobim !!!

Aleluia !!! Aleluia !!!

Jobim desaba !!! 

Nelson Jobim acaba de ser defenestrado do Ministério da Defesa pela presidenta Dilma Rousseff. 

"Ou você pede para sair ou eu saio com você!", foi o ultimato de Dilma hoje à tarde. Jobim acabou de entregar uma carta de demissão à presidenta. Celso Amorim é o novo ministro da Defesa.

Demorou, mas chegou a hora do ministro bater asas de volta ao ninho tucano de onde nunca deveria ter saído.


 
Já vai tarde, Tarzã ridículo e grosseirão !!!


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Dilma pra Jobim: "Ou sai ou sai"

"Ou você pede para sair ou eu saio com você!..."

Esse teria sido o ultimato dado hoje pela presidenta Dilma Rousseff, por telefone, ao ministro da Defesa Nelson Jobim, que neste momento está voltando a Brasília vindo da Amazônia, segundo a Agência Estado.


                                                                                                      AE

É iminente a queda do ministro grosseirão, que deverá ainda esta noite bater asas em direção ao ninho tucano, de onde nunca deveria ter saído.

Aguardemos o epílogo desse pastelão de quinta categoria...



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Faxina geral no Planalto: Fora, Jobim!!!

As possibilidades são grandes: a presidenta Dilma Rousseff, que anda visivelmente contrariada com o estrelismo-língua-solta do ministro da Defesa Nelson Jobim, pode demiti-lo nas próximas horas.

O arquitucano e serrista Nélson Jobim, que vem soltando a língua e criticando o governo em várias oportunidades, produziu mais uma "pérola", em entrevista à revista Piauí. Desta vez, atacando deselegantemente suas colegas de ministério, as ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann. Leia abaixo.

Pode ser a gota d' água que faltava no imenso balde de paciência da presidenta.

Aqui pedimos "faxina geral", presidenta Dilma, e entoamos o coro dos descontentes: Fora, Jobim!!!


Dilma avalia saída de Jobim após declarações polêmicas

Ministro da Defesa chama Ideli de 'fraquinha', diz que Gleisi 'não conhece Brasília' e que governo é 'atrapalhado'



A presidenta

Nova entrevista reacendeu discussões sobre permanência do ministro
Dilma Rousseff vai avaliar ao longo desta manhã se mantém ou não Nelson Jobim no cargo de ministro da Defesa. Em uma entrevista à Revista Piauí, Jobim chama o governo Dilma de "atrapalhado", diz que a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, é "fraquinha", e que Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil, "não conhece Brasília".
Se a presidente decidir mesmo antecipar a demissão de Jobim, um dos nomes cotados é o do atual ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo.
Por conta de outras declarações, Jobim já estava na lista dos auxiliares de Dilma que ela deve tirar do governo na primeira reforma ministerial, no final deste ano ou no início de 2012. Agora, com a entrevista à Piauí, que chega amanhã às bancas, a presidente pode decidir pela demissão imediata de Jobim, desistindo da ideia de não mexer no governo enquanto não assentar a poeira da base aliada levantada pela crise política no Ministério dos Transportes, no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e na estatal Valec.
O ministro viajou ontem à noite para São Gabriel da Cachoeira (AM). Hoje de manhã, ele partiu para Tabatinga (AM), onde, ao lado do vice-presidente da República, Michel Temer, assina um plano de vigilância de fronteiras entre Brasil e Colômbia.
Pela agenda oficial, Jobim deixa a base do Cachimbo (AM) às 20h30, devendo chegar a Brasília perto da meia-noite.
Em recente entrevista concedida ao programa "Poder e Política", veiculado pelos portais do jornal Folha de S. Paulo e UOL, Jobim criou incomodo no Planalto ao fazer questão de revelar que, nas eleições do ano passado, votou no candidato tucano José Serra, o adversário da candidata vencedora, Dilma Rousseff.


Portal iG

Doutores sem doutorado

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem auferindo vários títulos de Doutor Honoris Causa Brasil afora e também no exterior. No início deste ano, na tradicionalíssima Universidade de Coimbra. Muitos mais virão, pois há várias universidades brasileiras e estrangeiras querendo homenagear o grande estadista.

Os títulos atribuídos ao ex-presidente Lula são um reconhecimento público por sua contribuição à sociedade nos campos da política e do ativismo social em prol dos desvalidos. Portanto, pode torcer o nariz a elite besta e ignorante do País: DOUTOR Lula, sim senhor!

O mesmo não se pode dizer desse bando de bachareis despejados na sociedade o tempo todo, uma boa parte diplomada em péssimas faculdadezinhas de fundo de quintal, que se arvoram no direito de serem chamados de doutores. E o que dizer dos representantes da "advocacia de esgoto", que até conseguiram um registro da OAB, mas atuam como chicaneiros, trapaceiros e bandidos, emporcalhando uma profissão tão nobre... Doutores e doutoras, sim. Mas em safadeza, canalhice, bandidagem.

Abaixo, esclarecedor artigo do jurista Marco Antônio Ribeiro Tura.




Doutor é quem faz doutorado


No momento em que nós do Ministério Público da União nos preparamos para atuar contra diversas instituições de ensino superior por conta do número mínimo de mestres e doutores, eis que surge (das cinzas) a velha arenga de que o formado em Direito é Doutor. 

A história, que, como boa mentira, muda a todo instante seus elementos, volta à moda. Agora não como resultado de ato de Dona Maria, a Pia, mas como consequência do decreto de D. Pedro I. 

Fui advogado durante muitos anos antes de ingressar no Ministério Público. Há quase vinte anos sou Professor de Direito. E desde sempre vejo "docentes" e "profissionais" venderem essa balela para os pobres coitados dos alunos. 

Quando coordenador de Curso tive o desprazer de chamar a atenção de (in) docentes que mentiam aos alunos dessa maneira. Eu lhes disse, inclusive, que, em vez de espalharem mentiras ouvidas de outros, melhor seria ensinarem seus alunos a escreverem, mas que essa minha esperança não se concretizaria porque nem mesmo eles sabiam escrever. 

Pois bem! 

Naquela época, a história que se contava era a seguinte: Dona Maria, a Pia, havia "baixado um alvará" pelo qual os advogados portugueses teriam de ser tratados como doutores nas Cortes Brasileiras. Então, por uma "lógica" das mais obtusas, todos os bacharéis do Brasil, magicamente, passaram a ser Doutores. Não é necessária muita inteligência para perceber os erros desse raciocínio. Mas como muita gente pode pensar como um ex-aluno meu, melhor desenvolver o pensamento (dizia meu jovem aluno: "o senhor é Advogado; pra que fazer Doutorado de novo, professor?"). 

1) Desde já saibamos que Dona Maria, de Pia nada tinha. Era Louca mesmo! E assim era chamada pelo Povo: Dona Maria, a Louca! 

2) Em seguida, tenhamos claro que o tão falado alvará jamais existiu. Em 2000, o Senado Federal presenteou-me com mídias digitais contendo a coleção completa dos atos normativos desde a Colônia (mais de quinhentos anos de história normativa). Não se encontra nada sobre advogados, bacharéis, dona Maria, etc. Para quem quiser, a consulta hoje pode ser feita pela Internet. 

3) Mas digamos que o tal alvará existisse e que dona Maria não fosse tão louca assim e que o povo fosse simplesmente maledicente. Prestem atenção no que era divulgado: os advogados portugueses deveriam ser tratados como doutores perante as Cortes Brasileiras. Advogados e não quaisquer bacharéis. Portugueses e não quaisquer nacionais. Nas Cortes Brasileiras e só! Se você, portanto, fosse um advogado português em Portugal não seria tratado assim. Se fosse um bacharel (advogado não inscrito no setor competente), ou fosse um juiz ou membro do Ministério Público você não poderia ser tratado assim. E não seria mesmo. Pois os membros da Magistratura e do Ministério Público tinham e têm o tratamento de Excelência (o que muita gente não consegue aprender de jeito nenhum). Os delegados e advogados públicos e privados têm o tratamento de Senhoria. E bacharel, por seu turno, é bacharel; e ponto final! 

4) Continuemos. Leiam a Constituição de 1824 e verão que não há "alvará" como ato normativo. E ainda que houvesse, não teria sentido que alguém, com suas capacidades mentais reduzidas (a Pia Senhora), pudesse editar ato jurídico válido. Para piorar: ainda que existisse, com os limites postos ou não, com o advento da República cairiam todos os modos de tratamento em desacordo com o princípio republicano da vedação do privilégio de casta. Na República vale o mérito. E assim ocorreu com muitos tratamentos de natureza nobiliárquica sem qualquer valor a não ser o valor pessoal (como o brasão de nobreza de minha família italiana que guardo por mero capricho porque nada vale além de um cafezinho e isto se somarmos mais dois reais). 

A coisa foi tão longe à época que fiz questão de provocar meus adversários insistentemente até que a Ordem dos Advogados do Brasil se pronunciou diversas vezes sobre o tema e encerrou o assunto. 

Agora retorna a historieta com ares de renovação, mas com as velhas mentiras de sempre. 

Agora o ato é um "decreto". E o "culpado" é Dom Pedro I (IV em Portugal). 

Mas o enredo é idêntico. E as palavras se aplicam a ele com perfeição. 

Vamos enterrar tudo isso com um só golpe?! 

A Lei de 11 de agosto de 1827, responsável pela criação dos cursos jurídicos no Brasil, em seu nono artigo diz com todas as letras: "Os que frequentarem os cinco anos de qualquer dos Cursos, com aprovação, conseguirão o grau de Bachareis formados. Haverá tambem o grau de Doutor, que será conferido àqueles que se habilitarem com os requisitos que se especificarem nos Estatutos que devem formar-se, e só os que o obtiverem poderão ser escolhidos para Lentes". 

Traduzindo o óbvio. A) Conclusão do curso de cinco anos: Bacharel. B) Cumprimento dos requisitos especificados nos Estatutos: Doutor. C) Obtenção do título de Doutor: candidatura a Lente (hoje Livre-Docente, pré-requisito para ser Professor Titular). Entendamos de vez: os Estatutos são das respectivas Faculdades de Direito existentes naqueles tempos (São Paulo, Olinda e Recife). A Ordem dos Advogados do Brasil só veio a existir com seus Estatutos (que não são acadêmicos) nos anos trinta. 

Senhores. 

Doutor é apenas quem faz Doutorado. E isso vale também para médicos, dentistas, etc. etc.

A tradição faz com que nos chamemos de Doutores. Mas isso não torna Doutor nenhum médico, dentista, veterinário e, mui especialmente, advogados. 

Falo com sossego. 

Afinal, após o meu mestrado, fui aprovado mais de quatro vezes em concursos no Brasil e na Europa e defendi minha tese de Doutorado em Direito Internacional e Integração Econômica na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 

Aliás, disse eu: tese de Doutorado! Esse nome não se aplica aos trabalhos de graduação, de especialização e de mestrado. E nenhuma peça judicial pode ser chamada de tese, com decência e honestidade. 

Escrevi mais de trezentos artigos, pareceres (não simples cotas), ensaios e livros. Uma verificação no sítio eletrônico do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) pode compravar o que digo. Tudo devidamente publicado no Brasil, na Dinamarca, na Alemanha, na Itália, na França, Suécia, México. Não chamo nenhum destes trabalhos de tese, a não ser minha sofrida tese de Doutorado. 

Após anos como Advogado, eleito para o Instituto dos Advogados Brasileiros (poucos são), tendo ocupado comissões como a de Reforma do Poder Judiciário e de Direito Comunitário e após presidir a Associação Americana de Juristas, resolvi ingressar no Ministério Público da União para atuar especialmente junto à proteção dos Direitos Fundamentais dos Trabalhadores públicos e privados e na defesa dos interesses de toda a Sociedade. E assim o fiz: passei em quarto lugar nacional, terceiro lugar para a região Sul/Sudeste e em primeiro lugar no Estado de São Paulo. Após rápida passagem por Campinas, insisti com o Procurador-Geral em Brasília e fiz questão de vir para Mogi das Cruzes. 

Em nossa Procuradoria, Doutor é só quem tem título acadêmico. Lá está estampado na parede para todos verem. 

E não teve ninguém que reclamasse; porque, aliás, como disse linhas acima, foi a própria Ordem dos Advogados do Brasil quem assim determinou, conforme as decisões seguintes do Tribunal de Ética e Disciplina: Processos: E-3.652/2008; E-3.221/2005; E-2.573/02; E-2067/99; E-1.815/98. 

Em resumo, dizem as decisões acima: não pode e não deve exigir o tratamento de Doutor ou apresentar-se como tal aquele que não possua titulação acadêmica para tanto. 

Como eu costumo matar a cobra e matar bem matada, segue endereço oficial na Internet para consulta sobre a Lei Imperial: 

www.planalto.gov.br/ccivil_03/revista/Rev_63/Lei_1827.htm 

Os profissionais, sejam quais forem, têm de ser respeitados pelo que fazem de bom e não arrogar para si tratamento ao qual não façam jus. Isso vale para todos. Mas para os profissionais do Direito é mais séria a recomendação. 

Afinal, cumprir a lei e concretizar o Direito é nossa função. Respeitemos a lei e o Direito, portanto; estudemos e, aí assim, exijamos o tratamento que conquistarmos. Mas só então. 

PROF. DR. MARCO ANTÔNIO RIBEIRO TURA , 41 anos, jurista. Membro vitalício do Ministério Público da União. Doutor em Direito Internacional e Integração Econômica pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Mestre em Direito Público e Ciência Política pela Universidade Federal de Santa Catarina. Professor Visitante da Universidade de São Paulo. Ex-presidente da Associação Americana de Juristas, ex-titular do Instituto dos Advogados Brasileiros e ex-titular da Comissão de Reforma do Poder Judiciário da Ordem dos Advogados do Brasil. 


Jus Brasil

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