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quinta-feira, 30 de junho de 2011

São Paulo: Opus Dei ataca!


O projeto do deputado estadual do PSDB Orlando Morando de obrigar estabelecimentos de ensino a terem crucifixos, representará um enorme ataque aos direitos democráticos dos cidadãos


Está em tramitação na Assembléia Legislativa de São Paulo uma lei que pode representar um retrocesso ainda maior para as escolas e a população de São Paulo no que diz respeito a garantias dos direitos democráticos dos cidadãos. O Projeto de Lei (PL 256-2011) do deputado do PSDB, Orlando Morando, propõe que todos os estabelecimentos de ensino do estado, seja ele público ou privado, de nível superior ou que tenha apenas a educação infantil, sejam obrigados a ter crucifixos colocados em suas instalações.
O crucifixo deverá “ser mantido em local e em tamanho de fácil visualização, em área de circulação”, segundo o texto do projeto. O projeto também estabelece que o símbolo religioso deve ser custeado pelo Estado, ou seja, com dinheiro público, de um Estado que, pelo menos pela Lei, é laico
Atualmente o ensino religioso é obrigatório na rede pública de ensino do estado de São Paulo. Neste sentido, o projeto do PSDB é mais um passo atrás para a luta pela separação de fato entre o Estado e a igreja. A obrigatoriedade do uso de crucifixos representa a adoço por parte da escola de uma determinada religião, no caso a religião católica. Mais do que isso, a medida representa a adoção de uma religião pelo Estado que, de acordo com a Constituição Federal, deveria ser laico.
A adoção de uma religião oficial pelos estabelecimentos de ensino, principalmente pelo seu papel de educar os jovens e transmitirem a esses diversos conhecimentos científicos, é um ataque a liberdade de consciência. Trata-se da tentativa de obrigar todos os cidadãos a seguirem uma determinada religião. Neste sentido, o projeto do PSDB não é apenas um ataque aos direitos democráticos e uma política retrógrada, ela também vai contra a própria liberdade religiosa, uma vez que iria impor a seguidores de outras crenças a fé católica. 
Um dos princípios da separação da Igreja do Estado é que nenhum dos conceitos admitidos em confissões espirituais pode fazer parte das regras que estruturarão os poderes estatais.  O que nos leva a conclusão que um dos principais objetivos do projeto é justamente atacar ainda mais a laicidade do Estado brasileiro. Na Constituição Federal, no seu artigo 19, fica proibido que o Estado, seja ele representado pelo governo federal, estadual ou municipal estabelecer alianças ou até mesmo promover cultos desta natureza. O texto diz o seguinte:
“Art. 19. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público;”
No texto do projeto o deputado busca justificar seu projeto exaltando o fato de que o crucifixo representaria valores morais que deveriam adotados pela sociedade paulista. A adoção de critérios morais para a criação de leis e normas para a sociedade significa um retrocesso de séculos e a liquidação de um Estado de Direito e do regime jurídico, ou seja, uma volta a Idade Média e aos tempos da Santa Inquisição.
Do estabelecimento de crucifixos até a punição de alunos por não seguirem a moral católica é um passo. O que não poderá acontecer com um aluno que defenda o ateísmo em uma escola dominada pela igreja católica? Quais seriam os próximos passos da igreja nas instituições escolares, proibir as terias de Darwin? Tudo isto está colocado em debate diante desta ofensiva do qual o porta-voz é o deputado tucano.
Este projeto de Lei não pode ser entendido como algo isolado, uma mera ação de um deputado ligado a Igreja. É preciso lembrar que o Estado de São Paulo é governado por Geraldo Alckmin, um dos principais homens da Opus Dei no país e que o governador e o deputado Orlando Morando pertencem ao mesmo partido. Também estamos assistindo uma série de ataques contra as mulheres e seus direitos democráticos e que estes sempre apresentam como justificativa causas “morais” e religiosas. O maior exemplo é a luta da Igreja contra a legalização do aborto.
Neste sentido, a medida é parte da ofensiva da direita que tem como objetivo cassar os direitos democráticos da população, pois o domínio da Igreja católica sob as escolas públicas representa um ataque às liberdades cultural, de consciência, política etc.           

Ciberativismo e rebeldes digitais

Hackers, crackers, ciberativismo, guerrilha eletrônica, revolução virtual... Pululam na mídia expressões para descrever a atuação de ativistas na sociedade tecnológica e planetária em que vivemos.

Ontem publiquei artigo sobre o Anonymous, levantando questionamentos sobre o fenômeno. O texto que reproduzo hoje vai na mesma direção, estimulando reflexões sobre as rebeliões virtuais.


 

REBELIÃO CIBERNÉTICA

A ponta de um iceberg

Carlos Castilho

O que se percebe é uma generalização do sentimento de frustração, desencanto e exclusão em relação ao governo, à política, políticos, empresários, enfim, tudo aquilo que diz respeito à chamada ordem vigente. O que se nota mergulhando no mundo dos comentários online é que os seus frequentadores (que não são poucos) não dão a mínima para a forma como informações foram obtidas, mas o que elas revelam sobre possíveis privilégios e corrupção. Os recentes ataques contra páginas web do governo e de empresas brasileiras podem ser vistos como o fruto da insegurança na rede, mas também levam a uma reflexão sobre o que está por trás de tudo isto. O que podemos detectar por meio da leitura dos comentários postados no Twitter, blogs, redes sociais e fóruns é ainda mais preocupante.

O universo dos jovens que se comunicam pela internet descobriu agora a estratégia do ataque cibernético como forma de ganhar visibilidade e reconhecimento. Trata-se de um recurso muito eficiente e que surpreende o establishment numa área onde ele ainda se move com alguma dificuldade, fruto da pesada herança da cultura industrial/analógica.

Área de confrontação

Os ciberativistas dos grupos Anonymous e LulzSec já conquistaram seguidores no Brasil e a sucessão de ataques registrados no feriadão de Corpus Christi mostra que eles são extremamente ágeis. Seu objetivo não foi tanto roubar informações, mas, principalmente, mostrar presença e revelar debilidades nas redes digitais do governo e de empresas.

A leitura dos comentários como os postados numa notícia sobre os ataques mostra que o apoio aos rebeldes digitais é muito maior do que as críticas ao que a mídia está chamando de terrorismo virtual. É este apoio que deve nos levar a pensar sobre suas causas e não a um debate inócuo sobre segurança na internet – uma rede que é estruturalmente vulnerável por conta de sua arquitetura eletrônica aberta.

Em vez de procurar encontrar ferrolhos e cadeados para os bancos de dados que guardam negociatas e falcatruas, por que não discutir o teor das informações? Verificar quais as que merecem mais crédito e as que devem ser descartadas, em lugar de culpar o mensageiro.

Outra coisa importante: esta rebelião cibernética veio para ficar porque ela se alimenta de uma inconformidade represada, igual à que levou os jovens árabes aos protestos iniciados em abril. O governo chileno sentiu o peso da internet como ferramenta de articulação política durante os recentes protestos estudantis em Santiago e resolveu adotar uma medida de eficácia altamente polêmica: criar um sistema estatal de vigilância das redes sociais.

Tudo isto mostra que a internet e a web deixaram de ser um nirvana tecnológico e que agora entram, para valer, na nossa ecologia política como mais uma área de confrontação entre o status quo e o desejo de mudança. As grandes potências já oficializaram uma guerra cibernética por meio da mobilização de recursos militares para combater um inimigo cujo perfil ainda é pouco claro.

Repressão inútil

Pelas últimas notícias filtradas de dentro do Pentágono por jornais como o The New York Times, a estratégia norte-americana está mais orientada para combater empresas e grupos terroristas conhecidos.

Já a rebelião virtual na base social é bem diferente. Os responsáveis pelos ataques, erroneamente chamados de hackers [na verdade são crackers, os invasores de computadores; hacker é a denominação original recebida pelos pioneiros da internet nos anos 1960 e 70 quando eles criaram as bases dos softwares existentes hoje em dia], são quase todos desorganizados, autônomos, sem base territorial fixa, que se mobilizam mais por idéias do que por metas.Geralmente se identificam pelo grupo a que pertencem até mesmo pelo nome, como é o caso do controvertido Julian Assange, do site Wikileaks.

Grupos como o Anonymous e o LulzSec acabam virando mais marcas de um sentimento vago do que siglas identificadas com propostas políticas concretas. Por isso não adianta reprimi-los porque será inútil, já que usam a tecnologia com muito mais habilidade do que imaginamos. Só nos resta identificar suas idéias e refletir sobre elas.



Do Observatório da Imprensa


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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Anonymous: rebeldia ou criminalidade?

O que é o Anonymous?

Por que são "Anônimos"? Por que usam máscaras e não podem ser identificados? Os meios de que se valem podem ser considerados lícitos?

O discurso deles é irretocável. Tudo o que cada um de nós, cidadãos inconformados com as mazelas plantadas pelo sistema, defende.

Mas nestes tempos sombrios em que vivemos, no mínimo é aconselhável certo cuidado, alguma reserva diante de "fenômenos" que se arvoram em "salvadores do mundo".

Como sabem, a postura do ABC! é de abertura e acolhimento frente a tudo o que combata injustiças, violação de direitos, cerceamento de liberdades, arrogância e truculência. Mas aqui não fazemos apologia à delinquência, ao ciberterrorismo ou coisa que o valha.

Vamos procurar entender e acompanhar o desdobramento desse fenômeno, começando com um artigo da jornalista e blogueira Érika Bento Gonçalves e o vídeo do Anonymous com a "Mensagem ao Povo Brasileiro", que conclama todos nós a deixarmos o conformismo, num tom justiceiro, megalomaníaco e ameaçador.



                         

"Olá povo brasileiro, permitam-me introduzir-me a vocês como anonymous e apenas como anonymous, pois não sou mais do que uma ideia. Uma ideia de um mundo livre, sem opressão e pobreza e que não é comandada pela voz tirânica de um pequeno grupo de pessoas no poder."... Assim começa o vídeo divulgado pelo grupo Anonymous ao povo brasileiro. Um grupo de anarquistas que resolveu usar a internet para movimentar mentes - principalmente jovens - contra governos considerados corruptos e manipuladores. Ou seja, são contra praticamente todos os governos no mundo todo. Esta semana, os Anonymous (associados a outros hacktivistas, como o LulzSec) marcaram presença em sites brasileiros e italianos.

O que antes era apenas uma rebeldia cibernética, hoje, possui mais uma conotação política social com braços espalhados por praticamente todo o mundo. O grupo “Anonymous” (e seus braços) pode ser encontrado nos Estados Unidos, Alemanha, Holanda, Reino Unido, Espanha, Turquia, Portugal, Hungria, Angola e por aí vai. Recentemente, vimos que a “idéia” chegou também ao Brasil, nos recentes ataques aos sites governamentais.

Se a invasão em sites já é um crime, a coisa começa a complicar quando informações confidenciais são furtadas. Não são apenas as licitações fraudulentas que estão vazando por aí, mas os dados pessoais e bancários também. É uma visão mais anárquica (e mais criminosa) do WikiLeaks, organização que recebeu total apoio dos Anonymous quando o mesmo sofreu um grande boicote das instituiçoes financeiras, no ano passado. Os Anonymous orquestraram um ataque em massa aos que levantavam a voz contra Julian Assange, como o MasterCard Inc., Visa Inc. e PayPal, filial do eBay Inc. Sem contar a briga com a Cientologia, em 2008, que fez o Anonymous ganhar fama mundial.

Basta procurar por “Anonymous”, no Facebook ou no Youtube, para ter uma idéia da dimensão do movimento. Nos vídeos e nos sites da organização, os Anonymous se apresentam mascarados como Guy Fawkes (foto), em alusão maior ao filme V de Vingança – creio eu - do que ao personagem real, o soldado inglês morto na forca por traição! Em um dos milhares de posts no Facebook, a organização chama atenção para a máscara do personagem em grafite , convidando os participantes a baixarem a foto e espalharem a marca pelo mundo. Um gráfico que vem acompanhado do lema “A Revolução está chegando”.

Aqui, neste exato momento, senti uma ponta de tristeza. Tenho uma veia rebelde, todos sabem. Gosto de atear fogo, gosto da idéia de uma grande movimentação popular, gosto da idéia de governos corruptos caindo sob os pés de uma multidão que, sem se cansar, fez greve de fome (mascarada de Fawkes, por que não?) ... Ah, tudo isso é tão romântico, tão envolvente! Mas, isso aqui é vida real e, na vida real, as coisas não acontecem bem assim. Principalmente nas mentes mais jovens.

O grafismo, a idéia de superioridade dos hacktivistas e o apelo popular me fez lembrar do filme “A Onda”, um claro exemplo (real) de como um grupo que inicialmente é contra os governos ditatoriais, pouco a pouco, perde o controle sobre os seus integrantes e torna-se tirano, racista e ditador. Tudo aquilo pelo qual lutava contra. E, na vida real, aquilo era apenas uma atividade escolar! E que terminou muito, muito mal.

Anonymous, LulzSec e todos os que surgem todos os dias no cyber espaço correm o risco, não só de terminarem seus dias atrás das grades, mas também de se tornarem tão ruins (ou piores) que seus algozes porque, afinal, estão cometendo atos terroristas igualmente. Rebeldes, revolucionários, anarquistas... adjetivos que – num primeiro momento – nos atraem, nos seduzem, mas que, no final, perdem o controle, como reconheceu um dos membros do Anonymous, de 19 anos, quando foi preso, na Holanda.

Apesar das várias prisões que vêm acontecendo (como a recente prisão de outro jovem de 19 anos, acusado de “mau uso do computador”, além de fraude, na Inglaterra), a atuação cada vez mais frequente destes hacktivistas é algo que não se pode ignorar. Isso representa mais do que o descontentamento com os governos. Representa a fragilidade do sistema em que estamos conectados, hoje. A sua vida, a minha, a dos governos, tudo está armazenado em uma gigantesca rede, um mundo que só é invisível e abstrato aos olhos de leigos da informática. Os experts o vêem (e muito bem). Fazem das brechas e falhas dos sistemas as portas de entrada para a nossa vida privada.

Toda arma é letal quando bem usada e isso serve, também, para o teclado do computador. E, como eles mesmo dizem, “Somos o anonymous, somos uma legião, não perdoamos, não esquecemos”. Quisera usassem todo este “poder” realmente em pról da sociedade, como já fizeram, no passado, quando os “vigilantes” rastrearam a rede virtual e fecharam o cerco contra um pedófilo ajudando a polícia a encontrá-lo e finalmente a prendê-lo.

Sou a favor da livre imprensa, sou a favor da livre expressão, sou a favor de um movimento social contra os governos corruptos, sou a favor de uma sociedade justa, mas, sinceramente, não acho que grupos como Anonymous ou LuzSec possam abrir estes caminhos. É preciso saber impor limites. O que vale também para o WikiLeaks, organização cuja idéia me agrada: publicar o não publicável, mas desde que seja para o bem comum e desde que não seja fruto de um furto. Todo jornalista sabe que as informações estão disponíveis, basta ter contato com a pessoa certa, no lugar certo. Não é preciso invadir nem furtar.

O que estes hacktivistas estão nos mostrando – e que nós devemos aprender com eles - é que é possível se movimentar. E fim.


Que Tal um Cafezinho?
 
Mensagem ao Povo Brasileiro 





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terça-feira, 28 de junho de 2011

O começo do fim

Manifestações na Europa, Oriente Médio e até na África. Ditaduras centenárias sendo sacudidas e até derrubadas pelo alarido das ruas. Guerrilhas eletrônicas, revolução digital, agitações também no mundo virtual.

É. O mundo anda meio conturbado. E tem que andar mesmo. Não podemos mais conviver com a pobreza de bilhões, a opressão, as injustiças de toda a ordem. 

Basta! Chega!

Um outro mundo é possível, nós, os Indignados, o queremos e vamos construí-lo.

Isto é apenas o começo.

Se não nos deixam sonhar, não os deixaremos dormir! 


Começa uma revolução anticapitalista?

"Os protestos e mobilizações na Europa, talvez possam ser a ante-sala de uma revolução anticapitalista", afirma o sociólogo Atilio A. Boron em artigo no Página/12, 21-06-2011. A tradução é do Cepat.

Esta blogueira leu o artigo na Rede Castor Photo


Em uma memorável passagem do Manifesto Comunista, Marx e Engels afirmam que com o seu ascenso a burguesia rasgou impiedosamente o véu ideológico que impedia que os homens e mulheres percebessem a verdadeira natureza de suas relações sociais afogando “o sagrado êxtase do fervor religioso, o entusiasmo cavalheiresco e o sentimentalismo pequeno-burguês nas gélidas águas do cálculo egoísta”.

A atual crise do capitalismo e os crescentes protestos e mobilizações populares contra as políticas de ajuste promovido pelo FMI, o Banco Mundial e o Banco Central Europeu corroboram as palavras proféticas do Manifesto.

A nova crise geral do capitalismo mergulhou as ilusões fomentadas pelos mentores e beneficiários da democracia liberal “nas águas geladas do cálculo egoísta”.

Como dizia um dos cartazes pendurados em Puerta del Sol de Madrid: “Isto não é uma crise, é uma farsa”. E ao lado dessa dolorosa descoberta, segue outra: a farsa não apenas se executava no terreno econômico.

A fraude também foi montada no âmbito político ao ter induzido a maior parte da população a que acreditasse que a sórdida e inescrupulosa plutocracia a que estavam submetidos era uma democracia.

Por isso, a reivindicação exigindo uma “democracia real já” e uma “democracia verdadeira” para substituir a pseudo democracia cujo interesse excludente é a preservação da riqueza dos ricos e o poderio dos poderosos.

A crise teve o efeito de tornar as pessoas conscientes do mundo desenvolvido, de que tanto eles, como nós no Sul global, somos vítimas de um sistema que tendo sido despojado das roupas que escondiam a sua verdadeira natureza de ontem, submetendo a todos a uma “exploração aberta, descarada, direta e brutal”. E o que chamam de democracia é, na verdade, a ditadura da oligarquia financeira, que, como lembrava Che na Conferência de Punta del Este, é incompatível com a democracia.

Dias atrás, o Financial Times de Londres publicou um relatório sobre os salários recebidos pelos altos executivos das maiores empresas. A nota diz que “em relação aos banqueiros, a era da contenção (salarial) terminou”.

Em 2010, enquanto o mundo continuava em sua queda livre na direção do desemprego em massa, as execuções hipotecárias e o empobrecimento generalizado da população, “a remuneração média dos chefes de 15 grandes bancos europeus e dos EUA aumentaram 36% até (atingirem uma média de) 9,7 milhões de dólares”.

Na Espanha, abalada até em seus fundamentos por uma onda de manifestações de “indignação”, o presidente do BBVA, Francisco González, ganha cerca de 8 milhões de dólares por ano, enquanto seu colega do Banco Santander, o mais importante da Espanha, foi mais ambicioso e os seus esforços em prol dos seus investidores, recompensados com 13 milhões de dólares.

Nesta situação cabe perguntar pelo destino dessas orgulhosas e arrogantes pseudo democracias, desmistificadas ao calor de uma crise que demonstrou que são regimes políticos fraudulentos a serviço de oligarquias e da opressão dos povos. Serão estes protestos e mobilizações o precipitar de revolução anticapitalista? Difícil saber, mas parece certo que “os de baixo não podem e não querem continuar vivendo como antes”, para usar a formulação clássica de Lênin.

Os protestos, que agora comovem a Europa, talvez possam ser a ante-sala de uma revolução anticapitalista, mas isso é um processo e não um ato. A luta de classes e a resistência ao imperialismo e seus “cães-de-guarda” no sistema financeiro global (o FMI, o Banco Mundial, o BCE) podem fazer com que o princípio iniciado como um protesto contra o desemprego, a redução salarial e os cortes nas verbas sociais terminem sendo o motor que impulsiona até agora a improvável e imprevisível revolução no coração do capitalismo desenvolvido.

É muito cedo para dizer, mas nós sabemos que a partir de agora as coisas serão diferentes: a de que os condenados da terra não querem continuar vivendo como antes e os ricos estão começando a perceber que eles não podem continuar dominando como antes.

São condições necessárias - embora insuficientes – para uma revolução, o que não é pouca coisa.


Enviado ao blog original por Vanderley Caixe.

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segunda-feira, 27 de junho de 2011

A ditadura blogosférica

Entra ano sai ano, começa encontro termina encontro, e eles continuam os mesmos. Nada muda. A cara dura de sempre, o mesmíssimo deslumbramento. E truculência com as vozes dissonantes. Os Mubaracks blogosféricos.

O resto? Massa de manobra.

Até quando?

Abaixo, um ponto de vista de quem esteve lá. 


Blogueiros Progressistas: democráticos e horizontais, pero no mucho!



Lula fala aos jornalistas durante o 2º BlogProg


#Eblog- [Niara de Oliveira (@NiDeOliveira71)]

Quando decidimos no Eblog participar do 2º BlogProg em BSB, fomos com a disposição de, além da contribuição óbvia na realização da mesa Mulheres na Blogosfera – que estava sem nomes até quinze dias antes do encontro e fatalmente seria cancelada –, participar de forma assertiva e colaborativa.

Embora tenha “brincado” muito nas minhas redes nos dias que antecederam o encontro de que incendiaria/implodiria o BlogProg, fui com o espírito desarmado, disposta a conhecer e, quem sabe até, ser convencida de que o BlogProg não era tão ruim quanto nós da "extrema-esquerda-incendiária" pensávamos ser.

Avalio a presença do #Eblog no #BlogProg como extremamente positiva. Agora, quando criticarmos esse grupo de blogueiros governistas e "chapas brancas", não poderão mais nos acusar de falar sem conhecimento de causa ou de não termos tentado participar e/ou contribuir.

Minha atuação no 2º BlogProg foi crítica como é minha atuação no mundo, mas contribuí na discussão, mediei uma mesa, apresentei propostas e mesmo sendo um tanto quanto ogra, não fui ríspida e nem grosseira com ninguém.

Já não posso dizer o mesmo do ministro Paulo Bernardo, que é muito elogiado pelos blogprog por sua paciência, mas, ao se referir aos meus questionamentos foi grosseiro, porque responder mesmo não respondeu. Mas deve fazer parte, né? Num evento promovido por blogueiros que apóiam o governo, com palestrantes do governo e financiado por estatais, certamente ele esperava um clima crítico calculado.

Abro um parênteses para a matéria da Folha de São Paulo sobre o 2º BlogProg:

Uma carta redigida ao final do "II Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas" pede novo marco regulatório dos meios de comunicação (conjunto de leis e diretrizes que regulam o funcionamento do setor) e faz ataques à mídia.

O evento, que acaba neste domingo (19), em Brasília, contou com a presença de cerca de 400 pessoas que apoiaram o governo Lula e a eleição de Dilma Rousseff.

"A blogosfera consolidou-se como um espaço fundamental no cenário político brasileiro. É a blogosfera que tem garantido de fato maior pluralidade e diversidade informativas. Tem sido o contraponto às manipulações dos grupos tradicionais de comunicação, cujos interesses são contrários a liberdade de expressão no país", diz trecho da carta aprovada hoje.

Os blogueiros pedem ainda a divulgação imediata do projeto redigido pelo então ministro Franklin Martins (Secretaria de Comunicação Social na gestão Lula). "Para que ele possa ser apreciado e debatido pela sociedade. Defendemos, por exemplo, que esse marco regulatório contemple o fim da propriedade cruzada dos meios de comunicação no Brasil."

A abertura do evento, na última sexta-feira (17), contou com a participação de Lula e do ministro Paulo Bernardo (Comunicações), que adotaram o mesmo tom. (19/06/2011, Maria Clara Cabral, Folha de S. Paulo)
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Foi isso. A Folha de São Paulo, embora grande imprensa e distorcedora de fatos como todos nós sabemos e criticamos, dessa vez – e justamente sobre os blogueiros progressistas, sempre tão atingidos e injustiçados – fez um retrato fiel do tal encontro. Fato, e não palavras, é que basta olhar os blogs organizadores, estruturadores, proponentes do encontro, os palestrantes e os patrocinadores para sabermos, politicamente, em que terreno estamos pisando.

Sobre a presença do ex-presidente Lula no encontro, resumo da seguinte forma: O primeiro (?) presidente a conceder uma coletiva a blogueiros amigos foi ao encontro dos amigos blogueiros massagear o ego dos presentes para que estes amenizassem as críticas à coordenação nacional (isto é, seus amigos). Não há outra explicação.

O presidente Lula não disse nada de novo, não fez nenhuma revelação secreta e apenas cutucou o seu ex-ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, agora ministro das Comunicações, que falaria logo depois.

Paulo Henrique Amorim, no sábado pela manhã, se referindo à presença de Lula entre os blogueiros, disse que "foi uma festa muito bonita, mas foi uma festa incompleta", criticando o presidente Lula que tinha muito mais autoridade que o atual governo, e poderia ter deixado toda essa pauta de reivindicações da blogosfera sobre democratização da comunicação e lei dos meios de comunicação se não resolvida, pelo menos encaminhada.

Detalhe: Quando Lula se aproximava do encerramento de sua fala, discretamente, Renato Rovai encaminhava pela mão jornalistas “amigos” para a sala atrás da mesa, para onde o ex-presidente iria após terminar sua intervenção. Enquanto Lula falava para “poucos e bons”, os demais jornalistas da grande imprensa corriam para a saída para tentar registrar sua saída ou entrevista.

De todas as discussões do 2º BlogProg, a mais importante – sem dúvidas – foi “a luta por um novo marco regulatório da comunicação”, no sábado pela manhã com o professor Venício Lima, o jurista Fábio Konder Comparato e a deputada federal Luiza Erundina.

Discussão nevrálgica para democratizar a comunicação e que precede todas as demais questões da pauta da blogosfera.

Nessa mesa propus que o BlogProg chamasse uma blogagem coletiva ampla, de fôlego, sobre democratização da comunicação. A proposta não foi aprovada na plenária final.

Assim como também não se aprovou a moção (queríamos mesmo é que fosse incluído na carta final) de luta pelo fortalecimento do Estado laico e a mesa LGBT enfrentou resistência.

Blogosfera progressista? Não.

É uma blogosfera governista que ainda não percebeu que é apenas uma gota no oceano da blogosfera. Não consegue e nem tem interesse em incluir blogueiros nerds, culturais, de arte, de cinema, animação, juventude e nem mesmo LGBTs ou feministas.

Quanto mais a blogosfera anticapitalista.

E aqui vale salientar o exemplo do Blog Feministas que reúne em sua lista de discussão quase 400 mulheres e tem atualmente em torno de 60 colaboradoras que escrevem periodicamente e vão promovendo uma nova forma de blogar, mais solidária, cumulativa, que amplia e incentiva a formação de novos blogs.

O 3º BlogProg será em junho de 2012 em Salvador, Bahia.

O lobby do governo baiano nessa edição do blogprog foi simplesmente insuperável e já sabemos que o viés político continuará sendo governista. Pelo menos teremos as mesas LGBT e mulheres, mesmo já sabendo que não fazem parte da macrodiscussão “progressista”.

Por fim, gostaria de salientar um detalhe estranho.

Até a véspera do 2º BlogProg Brasília, a coordenação passava a ideia de que estava muito complicado financiar a estrutura toda do encontro e essa foi a desculpa para não ter uma creche no encontro.

Eis que na avaliação de um dos coordenadores gerais, Renato Rovai, surge um excedente de R$ 180 mil reais.

Eu vi mulheres que participaram precariamente do encontro porque precisaram levar seus filhos (afinal, era um final de semana) para o BlogProg e outras que deixaram de participar pelo mesmo motivo.

Tomar a decisão política de não organizar creche num encontro nacional em pleno 2011 é igual a desprezar a contribuição das mulheres.

Sempre que ouço falar em blogosfera progressista fatalmente associo a blogueiros em sua amplíssima maioria homens, héteros, brancos, apoiadores desse governo pseudoesquerda do PT-PMDB-e-mais-tudo-que-couber-num-mesmo-saco e excludentes.

O Eblog é claro em suas posições: Somos anticapitalistas, antimachistas e antihomofóbicos. Queremos uma blogosfera solidária, ampla, inclusiva, combatente e crítica.


Jornalistas convocados por Renato Rovai para se reunirem 

antes da fala de Lula saem discretamente à sala ao lado.



Conceição Oliveira (@Maria_Fro) anuncia a entrada de 

Lula na mesa; jornalistas correm para pegar suas câmeras



Enquanto Lula falava, massageava ego dos tuiteiros que 

ajudaram com a campanha de Dilma nas eleições; 
Jornalistas da imprensa capitalista atrás


Luiza Erundina (PSB), Fábio Konder Comparato e 

Venício Lima na mesa de Democratização da Comunicação

Nota: O Eblog está assumindo a convocação da blogagem coletiva pela democratização da comunicação.


Diário Liberdade

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domingo, 26 de junho de 2011

São Paulo: Festa da Cidadania e da Diversidade



Carta Aberta da Associação da Parada do Orgulho GLBT ao Povo Brasileiro




Carta aberta da APOGLBT para a população brasileira, contra o conservadorismo e o fundamentalismo


Incluir e amparar indiscriminadamente todas as pessoas não seria o princípio básico da religião?

07/06/2011


Em 2010 mais de 260 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais foram assassinados no Brasil, em ataques tipificados pelas autoridades como crimes de ódio. Uma sociedade que vende para o resto do mundo uma imagem de “acolhedora” e “diversa” está com suas mãos sujas de sangue. Nós, brasileiros, carregamos o título de país líder em assassinatos e violência contra LGBT.

Aqui se mata mais homossexuais do que nos países islâmicos em que a homossexualidade ainda é condenada pela lei com a pena de morte. A semelhança entre o Brasil e nações como o Irã, Arábia Saudita e os Emirados Árabes é que aqui a pena de morte aos LGBT também se dá através da fé e da religião, que, na teoria, não têm poder de interferência em nossa constituição, porém, na prática, têm sistematicamente regido a tão profanada Lei dos Homens, que deveria ser isenta e igualitária.

É inegável que a conquista da cidadania tem avançado para a população LGBT; um mérito que não é apenas da militância e do movimento organizado, mas também da nossa sociedade como um todo, que tem se mostrado comprometida contra o preconceito e todas as formas de discriminação.
 

Porém, como toda ação gera uma reação, observamos o recrudescimento dos setores conservadores. Eis que vemos no Brasil o surgimento de uma mobilização capaz de unir fundamentalistas e extremistas de direita, religiosos e nazifascistas, que numa voz uníssona bradam contra os direitos humanos de milhões de cidadãs e cidadãos.

Antes, nossos algozes agiam na calada da noite, nos violentando em becos à surdina, como se, nos atingindo individualmente, pudessem nos exterminar pelas beiradas. Hoje, saem às ruas, fazem abaixo-assinados, manifestam-se na Avenida Paulista e marcham sobre a Esplanada dos Ministérios para barrar a garantia de nossa dignidade.

Trata-se de uma versão brasileira do movimento norte-americano “God Hates Fags”. A diferença é que, aqui, os que creem que “Deus odeia as bichas” são muitos, têm forte representatividade no Congresso, recebem a atenção da imprensa e, infelizmente, ganham adeptos.

Na história da humanidade, o nome de Deus não somente foi usado diversas vezes em vão, como serviu para respaldar a violência e morte de diversas minorias. A escravidão dos negros africanos, a condenação dos judeus e a perseguição às mulheres no período de “caça às bruxas” são exemplos disso. Como herança cultural, ainda temos estabelecido o patriarcalismo e a soberania de brancos como regras informais de nossa civilização ocidental contemporânea. A Inquisição ainda está viva no que diz respeito à homofobia, mas não só a ela.

Em tempos modernos, os inquisidores apenas trocaram a tocha e a fogueira pela lâmpada fluorescente, mas a condenação ainda ocorre em praça pública, consentida e assistida por muitos.

Há quinze anos, a primeira Parada do Orgulho LGBT de São Paulo reuniu 2 mil pessoas para dizer que “somos muitos, estamos em todas as profissões”. Nos dias de hoje, os mais de 3 milhões que nos acompanham, multiplicados pelas mais de 200 Paradas que ocorrem em todo o território nacional, reafirmam isso e vão além.

Estamos em todas as profissões, famílias, lares, escolas, esportes e igrejas. Sim, mesmo sem você saber, sempre existiu e sempre existirá um LGBT ao seu lado, a quem você jamais gostaria de saber ter sido vítima de bullying, humilhação, agressão moral, violência física, sexual ou homicídio. Incluir e amparar indiscriminadamente todas as pessoas não seria o principio básico da religião?

Se “quem ama conhece a Deus”, qual seria a determinação religiosa para aqueles que professam o ódio e a ira? Não é condenável levantar falsos testemunhos sobre a compreensão da complexidade humana, assim como sobre toda e qualquer ação que visa proporcionar o reconhecimento da existência de uma população comum? Se para os crédulos, Deus não faz acepção de pessoas e todos são iguais perante a Ele, porque insistem em nos manter à margem?

Respeitosamente, nos apropriamos da frase “Amai-vos uns aos outros” para pedir fim à guerra travada entre religião e direitos humanos, financiada pelas brasileiras e brasileiros que dão voz aos fundamentalistas e extremistas que ocupam as cadeiras do Parlamento e espaço nas mídias. Nós, os perseguidos, apesar de já estarmos calejados de oferecer a outra face, usamos de suas crenças para dizer: “Perdoai-os. Eles não sabem o que fazem”.



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São Paulo: a maior Parada do Orgulho Gay do mundo

É hoje.

É na Capital da Diversidade e da Tolerância.

É na cidade de São Paulo.




A maior Parada do Orgulho Gay do mundo.

A 15a. edição da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, a maior do mundo, acontece hoje aqui, na cidade de São Paulo, com a expectativa de reunir na Avenida Paulista e em outras vias importantes 3,5 milhões de manifestantes, dançando, cantando, defendendo seus direitos de cidadania com alegria e bom humor ao som de 16 trios elétricos.

Ontem foi a vez de Paris e Berlim.

O tema deste ano, em resposta ao conservadorismo e à homofobia das religiões, é:


                               "Amai-vos uns aos outros"


Saiba mais sobre toda a programação, acompanhe ao vivo a transmissão, acessando o site da Parada do Orgulho Gay.

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