Tradutor

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Olho por olho e dente por dente? Nem sempre...

A irracionalidade do perdão contra a irracionalidade da violência.

Não é fácil. 

Mas é possível.



Quebrando o ciclo do ódio

O que têm em comum Mark Strohan (texano preso por homicídio e que deverá ser executado no próximo dia 20 de julho) e Rais Bhuyan (bengali, imigrante legal, vivendo nos Estados Unidos há vários anos, cego de um olho)? O traço em comum entre os dois é justamente o olho perdido de Rais Bhuyan. Pois o responsável pela perda parcial de visão do bengali foi justamente Mark Strohan, que o atacou com um tiro no rosto.

Tudo começou no dia 11 de setembro de 2001, data que marca um novo ciclo na história ocidental e do mundo inteiro. O ataque às torres gêmeas plantou o terror e o ódio no centro do hemisfério, deixando um lastro de morte e destruição. Neste dia, Mark Strohan perdeu sua irmã e a inocência que lhe restava no coração. Passou a ser movido pelo desejo de vingança e pelo ódio a tudo e a todos que levassem qualquer proximidade e semelhança com os autores do atentado, responsáveis por sua perda e a dor incurável que ela provocara em sua vida.

Mark Strohan passou a perseguir e atacar imigrantes. Atirava para matar. Com dois, conseguiu seus intentos: um paquistanês e um indiano. Com Rais Bhuyan conseguiu apenas destruir seu olho. O bengali sobreviveu. E Mark Strohan foi preso. Era o dia 21 de setembro, dez dias depois do atentado que mudou o mundo e plantou o ódio no seu coração. O bengali retomou aos poucos sua vida, tendo que aprender a conviver com sua nova situação física. O texano ficou dez anos preso, foi condenado à pena capital e agora sua execução foi marcada.

Há, porém, uma voz que se levanta entre Mark Strohan e sua programada morte: surpreendentemente, a de Rais Bhuyan. O bengali que perdeu parte da visão pela arma do condenado não parece reger-se pela lei do Talião : “Olho por olho, dente por dente”. Mas sim pela compaixão que ensina a ver no outro, qualquer que ele seja, não importa o que haja feito, um irmão em humanidade. No intrincado aparelho judicial estadunidense, Rais Bhuyan luta para transformar a pena de morte decretada para Strohan em prisão perpétua. Não deseja a morte de seu agressor e, pelo contrário, luta para devolver-lhe a vida.

Bhuyan declara haver chegado à decisão de empreender este combate pela vida do homem que atirou em seu rosto e perfurou seu olho após um longo e duro processo de sofrimento e purificação. Dele saiu sem ódio no coração, mas cheio de gratidão por lhe ter sido dada a chance de viver. Sentia em si o desejo de fazer algo pelos outros. E logo essa alteridade em direção à qual se movia a nova compaixão que o habitava recebeu um rosto e um nome: o de Mark Strohan. Após consultar as famílias dos dois outros homens mortos pelo texano e delas receber a aprovação para o que desejava fazer, Rais lançou-se de corpo e alma na luta para libertar Strohan da injeção letal que deverá levá-lo à morte no próximo mês de julho.

Sua conduta chama a atenção e surpreende a opinião pública. Bhuyan tem que dar entrevistas explicando por que, em vez de vingar-se, escolheu perdoar. Como vítima do ódio, não seria mais lógico alegrar-se com a morte do agressor? A esta pergunta ele responde dizendo que deseja quebrar o ciclo do ódio e que o único caminho para isso é o perdão. Não vê Strohan como inimigo, mas como seu semelhante. Entende o que fez como fruto de uma perda de consciência e privação de sentidos. Deseja resgatá-lo como ser humano e dar-lhe a chance de ter sua vida de volta e redescobrir-se como ser humano.

Trabalhando em parceria com a advogada do condenado, Bhuyan tem esperança de conseguir seu intento. Quer encontrar-se com Strohan, falar com ele, declarar-lhe pessoalmente seu perdão. Ao saber disso, o texano chorou muito. Está disposto a receber seu defensor na prisão. O perfume do perdão derramado sobre o ódio e a violência que separou estes dois homens ungiu a distância e inaugurou uma nova aproximação. Uma ponte foi construída, o fosso foi transposto, Bhuyan e Strohan contemplam sua condição de seres criados para o amor e a relação, recém recuperada e renovada.

Contra a irracionalidade da violência, apenas a irracionalidade do perdão pode ter algum poder, alguma eficácia. Porque, como a palavra mesma diz, per-doar é persistir no dom. O dom da vida foi generosamente concedido a Strohan e a Bhuyan. Rompido pela violência de um, é restaurado pelo perdão do outro que persiste na doação. E o dinamismo vital continua em movimento, sem ser lançado no país escuro do “rigor mortis”. Contemplando a maravilha deste milagre, louvamos a Deus que criou a Strohan e a Bhuyan à sua imagem e semelhança.

 
Maria Clara Bingemer é teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio. É autora de diversos livros, entre eles, ¿Un rostro para Dios?, de 2008, e A globalização e os jesuítas, de 2007. Escreveu também vários artigos no campo da Teologia.

Dom Total

*

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Noite de São João: Fé na Festa!

Feriadão, Noite de São João...

Deixemos de lado, por um momento, tristezas e preocupações.

Mágica noite de Alegria e Encantamento.

Fé na Festa!





Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=SoybVzCw-rc&feature=related




Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=-7m3t6vbuDw&feature=fvwrel

*

São João: do Nordeste para o Mundo

Esse País chamado Nordeste...

Alegria! Muita Alegria no Coração!





Video: http://www.youtube.com/watch?v=8AUFgtCNB9o


*

Dilma no Maior São João do Planeta

E a presidenta Dilma Rousseff mostrou ontem que não prestigia só as festas elitistas dos "serpentários midiáticos", como fez meses atrás na majestosa Sala São Paulo, em comemoração aos 90 anos daquele "jornal"...

Dilma só não dançou forró, mas esteve em Caruaru, a Capital do Forró,  para conhecer in loco uma das maiores manifestações da cultura popular planetária: o São João de Pernambuco.

Leia mais abaixo e no Blog do Planalto.

No maior São João do mundo, presidenta Dilma
valoriza cultura popular brasileira  


Presidenta Dilma Rousseff durante visita ao pavilhao da festa 
junina da cidade de Caruaru. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

A presidenta Dilma Rousseff participou, nesta quarta-feira (22/6), de uma das maiores manifestações populares do mundo: a festa de São João em Caruaru (PE). Ao longo do mês de junho, a cidade vive a grande celebração da cultura brasileira, atraindo mais de um milhão de pessoas em homenagem a Santo Antônio, São João e São Pedro. Palhoças, quadrilhas, literatura de cordel, poesia matuta, cantadores, arraiais, shows, exposições, fogueiras, bandeirinhas e comidas típicas marcam o festejo.

Durante todo o mês, mais de 300 artistas e grupos se apresentam na cidade. Os investimentos, somando prefeitura e governos estadual e federal, ultrapassam os R$ 8 milhões. A expectativa do município é que sejam movimentados aproximadamente R$ 80 milhões na economia da cidade, gerando mais de dez mil empregos temporários, entre diretos e indiretos.

Neste ano, são quatro os homenageados: o forrozeiro Avenor Lopes, o teatrólogo Vital Santos e os cantores Jorge de Altinho e Israel Filho. Segundo a prefeitura, “cada um em sua área, os quatro contribuíram para que a cidade ganhasse o título de Capital do Forró, promovendo o maior São João do Mundo”.



Presidenta Dilma Rousseff conversa com o filho do 
Mestre Vitalino, Severino Vitalino, durante visita 
à Casa-Museu Mestre Vitalino. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR


Mestre Vitalino – Mais cedo, ao desembarcar na cidade, a presidenta Dilma visitou a Casa-Museu Mestre Vitalino, que guarda obras do famoso ceramista popular e músico pernambucano Vitalino Pereira dos Santos (1909 – 1963). Filho de lavradores, Vitalino começou, ainda criança, a modelar pequenos animais com as sobras do barro usado por sua mãe na produção de utensílios domésticos para serem vendidos na feira. Ele criou, na década de 1920, a banda Zabumba Vitalino, da qual era o tocador de pífano principal.

Sua atividade como ceramista permaneceu desconhecida do grande público até 1947, quando o desenhista e educador Augusto Rodrigues (1913 – 1993) organizou no Rio de Janeiro a 1ª Exposição de Cerâmica Pernambucana, com diversas obras suas. Seguiu-se, então, uma série de eventos que o tornou conhecido no Brasil e no exterior.

Em 1971, oito anos após sua morte, foi inaugurada no Alto do Moura, no local onde o artista residiu, a Casa-Museu Mestre Vitalino. No espaço, administrado pela família, estão expostas suas principais obras além de objetos de uso pessoal, ferramentas de trabalho e o rústico forno a lenha em que fazia suas queimas.

*

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Um mundo ao avesso, de merda!

Eduardo Galeano.

Praça Catalunya, Barcelona, Espanha.

Maio de 2011.

Um mundo ao avesso, ao contrário, invertido. Dos indignos.

E a energia da dignidade. Dos cidadãos manifestantes. E de todos nós.


Estupendo.



O entusiasmo é uma vitamina "E"– de Entusiasmo -, que vem de uma palavra grega que significa “ter os deuses dentro”. E toda a vez que eu vejo que os deuses estão dentro de uma pessoa ou de muitas, ou da natureza, ou das montanhas, ou dos rios, eu digo: isso é o que me falta pra eu me convencer de que viver vale a pena. E que viver está muito, muito, muito além das mesquinharias da realidade política onde se ganha ou se perde… E da realidade individual, também. Ganhar ou perder na vida… isso importa pouco! Em relação com esse outro mundo que te aguarda. Esse outro mundo possível. Que está na barriga deste.

Vivemos um mundo infame, eu diria. Não nos incentiva muito… Um mundo mal-nascido. Mas existe outro mundo na barriga deste. Esperando… E é um mundo diferente. Diferente e de parto complicado. Não é fácil o seu nascimento. Mas com certeza pulsa no mundo que estamos. Um outro mundo que “pode ser”, pulsando no mundo que “é”. Essas manifestações espontâneas na Espanha são prova disso. E alguns me perguntam: “Mas o que vai acontecer?! E depois?! O que vai ser?!” E eu simplesmente digo o que nasce da minha experiência: Bom… Nada. Não sei o que vai acontecer. E não me importa o que “vai” acontecer. Me importa o que “está” acontecendo. Me importa o tempo que “é”. E o que “é” é o tempo que se anuncia sobre outro possível que acontecerá. Mas o que acontecerá no fim, não sei.

É como se me perguntassem quando me apaixono, quando vivo uma experiência de amor a fundo de verdade, quando sinto que vivo e não me importo se morrerei nesse momento mágico de amor, quando acontece. Pois então… O amor é assim! “É infinito enquanto dura”. E é importante que seja infinito enquanto dura. Não temos que planejar tudo como se estivéssemos fazendo o balanço de um banco. Assim: “Dívida, balanço, saldo. Estatísticas, probabilidade. O que nos espera?”. E o que me importa a merda que nos espera?

Esses tecnocratas de quinta categoria… são uns ignorantes! Não sabem nada de nada (“un carago de nada!”) e ganham uns salários imensos! E, em cada crise que eles desatam, acabam aumentando suas fortunas! Porque são recompensados por essas façanhas que consistem em arruinar o mundo! Esse é um mundo ao contrário: que recompensa os seus arruinadores ao invés de castigá-los. Não tem nenhum preso entre os banqueiros que promoveram, provocaram essa crise no planeta inteiro. Nenhum preso! E, por outro lado, há milhares de presos por terem consumido maconha! Ou por terem roubado uma galinha! Milhares de presos! É o mundo ao avesso! Um mundo de merda! Mas não é o único mundo possível. E cada vez que eu me junto a essas concentrações lindíssimas com os jovens, penso: Há um outro mundo que nos espera.

Esse mundo de merda está grávido de outro. E são os jovens que nos levam para frente. Esses jovens excluídos pelas seleções regidas pelos interesses dos partidos políticos, nos quais eles já não votam! Eu tô chegando agora da América do Sul. Os jovens chilenos não votaram lá no Chile. 2 milhões de jovens chilenos não votaram! Não votaram porque não crêem na democracia que oferecem a eles. E quantos jovens não votaram na Espanha? Não sei. Nem foram contados. Mas, dentro dos 10 milhões de espanhóis que não votaram, deve haver muitos jovens. E não é que não acreditem “na” Democracia. Não! O que acontece é que não acreditam “nessa” democracia manipulada, nesse nome sequestrado pelos banqueiros, pelos políticos mentirosos – “artistas de circo” que oferecem uma pirueta diferente a cada dia.

Havia um velho político no Uruguai, morreu há muitos anos, que não era revolucionário nem nada, era um político do sistema, mas era um homem que conhecia a vida mais que muitos outros. Chamava-se Herrera, falava fanhoso. Quando lhe ofereceram um candidato, na lista do Partido Nacional, perguntado “o que você acha de fulaninho para senador?”, ele disse: “Não, não, não! Porque esse é um redondo!” Ele chamava de “redondo” àqueles que ficavam “redondos” de tanto girar. Era verdade! E na realidade política atual há uma imensa quantidade de “redondos”, que ficam “redondos” de tanto dar voltas. E os jovens têm culpa de não acreditar nos “redondos”? Ou são os “redondos” que têm culpa de os jovens não acreditarem neles?

Bom, eu gosto de estar aqui conversando, porque é disso que eu gosto: jogar conversa fora. Se você tivesse me pedido para eu oferecer minha versão sobre o futuro da humanidade, eu teria dito: não! Eu gosto de jogar conversa fora, conversar com meus iguais, porque são iguais a mim. Porque somos todos iguais na luta por uma vida diferente. E tomara que isso siga vivo, porque senão… pra que merda viver? Se não for porque creio em algo melhor que isso? Mas não quero transmitir nenhuma mensagem para a humanidade.

Eu estive aqui conversando, me filmaram e tal… Tudo bem. Mais nada. Mais do que isso não posso, porque não sou um guru de nada, nem sábio… Além disso, confesso: os intelectuais me dão pena. Eu não quero ser intelectual! Quando me chamam de “distinto intelectual”, eu digo: Não! Não sou! Os intelectuais são os que divorciam a cabeça do corpo. Eu não quero ser uma cabeça que rola por aí. Sou uma pessoa! Sou cabeça, corpo, sexo, barriga, tudo! Mas não um intelectual, esse personagem abominável!

Como dizia Goya: “A razão cria monstros”. Cuidado com quem somente raciocina! Cuidado! Temos que raciocinar e sentir. E quando a razão se separar do coração, comece a tremer. Porque esse tipo de personagem pode levar ao fim da existência humana no planeta. Eu não vejo a vida como eles. Eu acredito nessa fusão contraditória, difícil, mas necessária, entre o que se sente e o que se pensa. Então, quando aparece alguém que só sente, mas não pensa, eu digo: é um sentimental. Mas quando só pensa e não sente, eu exclamo: Ai, que medo! Que horror! Que coisa espantosa! Uma cabeça que rola!

Essa sabedoria não me interessa mais. Me interessa a sabedoria que combina o cérebro com as tripas. Que combina tudo! Sem esquecer nada! Porque a cabeça sozinha é muito perigosa. É como o louvor ao dinheiro, um hino que se lança a cada dia. “Ah, que maravilha a liberdade do dinheiro”. A liberdade do dinheiro é inimiga da liberdade das pessoas. Muito cuidado com o dinheiro livre. É muito pior que um animal selvagem livre. Não! Dinheiro livre, não! Foi isso o que provocou as maiores catástrofes da humanidade.

O importante é que nós, as pessoas, sejamos livres. E plenamente conscientes de que somos parte da natureza. Esse foi o mandamento que Deus esqueceu: “Serás parte da natureza. Obedecerás à natureza de que fazes parte”. Deus se esqueceu porque estava ocupadíssimo… Mas está em tempo de recuperar isso.


Vídeo


O texto acima é do escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano, em depoimento a repórter nas manifestações de rua que acontecem na Espanha.  Transcrito pela querida blogueira Ana Tavares, que o compartilhou com todos nós em seu blog Quem Tem Medo da Democracia?

*

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Latifúndio em festa: negado habeas corpus a Rainha

O Tribunal Regional Federal (TRF) de São Paulo negou ontem o pedido de habeas corpus feito pelos advogados da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos para libertar o dissidente do Movimento dos Sem-Terra (MST), José Rainha Júnior.

Rainha e outras nove pessoas foram presas na quinta, 16, pela Operação Desfalque, da Polícia Federal (PF). O líder sem-terra é acusado por desvio de verbas destinadas a assentamentos da reforma agrária. Ele está na Cadeia Pública de Presidente Venceslau, no Pontal do Paranapanema.

A propósito o ABC! publica artigo sobre a prisão do ativista José Rainha Júnior e a repressão aos trabalhadores do campo.


Ofensiva dos latifundiários

Enquanto os corruptos estão soltos, em mais uma investida do governo contra os trabalhadores sem-terra, a Polícia Federal prendeu o líder José Rainha por suposto desvio de verbas federais

Causa Operária | 18-6-2011 







“Estamos diante da tentativa do governo do PT/PCdoB/PMDB e seus aliados latifundiários assassinos de frear a luta pela reforma agrária”




O líder sem-terra José Rainha Júnior foi preso na cidade o­nde mora na quinta-feira (dia 16) pela Polícia Federal na chamada Operação Desfalque. Para a ação, a Justiça expediu dez mandados de prisão de sem-terra, sete mandados de condução coercitiva (quando a pessoa é encaminhada para depoimento) e 13 mandados de busca e apreensão.
Cerca de 60 agentes da PF estão cumprindo os mandados em Andradina, Araçatuba, Euclides da Cunha Paulista, Presidente Bernardes, Presidente Epitácio, Presidente Prudente, Sandovalina, São Paulo e Teodoro Sampaio, numa clara perseguição ao movimento sem-terra que está incomodando os latifundiários com uma grande concentração de ocupações de terra na região.
As acusações contra José Rainha revelam uma clara perseguição política contra as lideranças sem-terra na região do Pontal do Paranapanema. O suposto esquema de desvio de verbas montado por Rainha não passa de fachada para satisfazer uma antiga vontade dos latifundiários assassinos apoiados pelo governo petista de colocar um freio na luta pela reforma agrária.
As sucessivas tentativas de prisão de José Rainha e inúmeros processos vêm sendo uma maneira sistemática da direita para intimidá-lo. É público e notório que diversas vezes os latifundiários organizados em torno da UDR (União Democrática Ruralista) na região articularam seus representantes no Parlamento e nos tribunais para prenderem e investigarem José Rainha e outras lideranças sem-terra.
A tentativa de prendê-lo é tamanha que possui mais de 80 processos em decorrência de sua militância no movimento sem-terra e estão sob sua coordenação 41 assentamentos e 6,5 mil famílias.
A sua prisão é um reflexo do acirramento das lutas no campo, um dado importante é que aumentaram o número de ocupações de terra neste ano. Só no “Abril Vermelho”, o grupo ligado a Rainha realizou mais de 50 ocupações de terra na região do Pontal, a maior mobilização do tipo nos últimos seis anos.
A presença da Polícia Federal no Pontal mostra a que vieram as forças policiais: simplesmente para reprimir os movimentos sociais e suas lideranças. Por isso devemos repudiar qualquer tentativa do governo de estabilizar a região com o envio de policiais. Assim como está acontecendo na região do Pará o­nde foram assassinados cinco trabalhadores com o envio da Força Nacional de Segurança.
Este fato, somado à o­nda de assassinatos que ocorreram na região Norte do país, só evidencia cada vez mais a ofensiva do latifúndio contra os trabalhadores rurais com a total cobertura do PT e do PCdoB. É preciso denunciar o apoio desses partidos à direita, pois dão cobertura e impulsionam o massacre que está em marcha contra os sem-terra.
Também é necessário iniciar uma campanha pela imediata libertação de José Rainha, preso político da luta pela terra. 
- Pela imediata libertação de José Rainha Jr. e de todos os presos políticos da luta pela terra!
- Abaixo a “Operação Desfalque” e todas as operações policiais para reprimir os movimentos de luta dos trabalhadores da cidade e do campo!