Cidadania, Comunicação e Direitos Humanos * Judiciário e Justiça * Liberdade de Expressão * Mídia Digital Editoria/Sônia Amorim: ativista, blogueira, escritora, professora universitária, palestrante e "canalhóloga" Desafinando o Coro dos Contentes...
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quarta-feira, 13 de abril de 2011
SP: notícias da blogueira cidadã
Desde o início da noite de segunda-feira, 11 de abril de 2011, enfrento problemas com a conexão à internet, sem poder acessar minhas contas de email em quatro provedores. Sem poder me comunicar com amigos, conhecidos, parentes e companheiros blogueiros. Meu telefone fixo, ao que tudo indica, encontra-se grampeado há muitas semanas.
Quero começar meu dia aqui no blog agradecendo ao apoio que venho recebendo. Não vou citar nomes, até para protegê-los de eventuais represálias. Venho trocando muitas mensagens e fui objeto de um post de um blogueiro paulistano revolucionário e solidário. Uma amiga e blogueira paranaense vem me ajudando há meses, me ouvindo, acompanhando minha vida, me auxiliando agora na comunicação nessa fase de tentativas de "amordaçamento". Venho recebendo de três blogueiros nordestinos, já há muito tempo, apoio, solidariedade, carinho. Um deles me ajuda também com recursos técnicos do blogger, que eu não domino. A todos eles meu agradecimento emocionado por toda a solidariedade e apoio concreto. Recebam cada um de vocês um abraço forte de uma reles blogueira cidadã.
Enquanto me restar este espaço aqui, vou continuar escrevendo meus posts diários como sempre fiz, entremeando-os com posts sobre essa questão particular, por ser de interesse público.
Ontem fiz e recebi vários contatos para tentar solucionar o problema da conexão. Muito blablablá, mas nada de efetivo. Enquanto aguardo providências concretas da companhia responsável, vou conversando com vocês por aqui.
Mais tarde eu volto. Tenho que cuidar agora de algumas tarefas da casa e dos meus dois "meninos", Chico e Arthur, dois cãezinhos amorosos, leais, que não me largam um minuto. São verdadeiramente a minha família.
*
terça-feira, 12 de abril de 2011
São Paulo: violências contra mulheres
Quando se fala em violência contra a mulher imediatamente se pensa em sangue: espancamentos, hematomas, cara inchada, ferimentos, olho roxo, tapas, murros, cortes, socos, pontapés, escoriações etc. etc. E a primeira ideia que vem é a de um marido ou companheiro truculento, autoritário, ignorante, que se vale de sua força física para subjugar, humilhar e ferir uma esposa ou companheira por meio da covarde violência física.
Essa é "apenas" uma das modalidades de violência contra a mulher. A mais visível, talvez a mais chocante, a que muitas vezes "dá mídia".
Mas há outras tantas modalidades. Muitas delas surdas, silenciosas, quase invisíveis. E seus agentes vão muito além de maridos e companheiros. E tais violências são igualmente covardes e perversas.
Atentem para isso: violência contra a mulher constitui VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES.
E além de violência perpetrada por particulares e até parentes, como os jornais e TV nos mostram à saciedade, há também a Violência Institucional.
Tudo isso representa violência contra a mulher. E precisa ser denunciada, investigada, combatida, sancionada.
Portanto, a questão pode ser muitíssimo mais ampla e dolorosamente mais grave.
Isto é um alerta e uma denúncia.
Leiam, divulguem, reproduzam se possível.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Cidadã em risco
Sempre defendemos aqui a cidadania ativa: que a cidadã e o cidadão esbulhado em seus direitos reclame, denuncie, indague, proteste, compartilhe com outros cidadãos, torne público, critique, exponha... enfim, leve ao conhecimento das autoridades constituídas, para que sejam tomadas as medidas, judiciais ou não, cabíveis. E traga também ao conhecimento público.
Agora, o Estado brasileiro precisa fazer sua parte: acolher a manifestação do cidadão, dar-lhe proteção quando sua vida e integridade física estiverem em risco etc. etc. E com presteza, com agilidade.
O Judiciário precisa ser saneado, higienizado. Precisa sofrer uma faxina geral, para expurgar de seus quadros a bandidagem de terno e gravata e de sapato de bico fino...
Ninguém aqui é ingênuo ou está dizendo que é fácil.
Os outros dois pilares da República - Legislativo e Executivo - já passam por um controle social da cidadania e da mídia. Mas o Todo-Poderoso Judiciário há séculos faz e desfaz, muitas vezes com a maior desfaçatez, e nada acontece.
Abaixo a Ditadura do Judiciário!
E proteção imediata, urgente, para a cidadã que enfrentou os assassinos fardados e os denunciou na hora, ao presenciar a execução que cometeram em cemitério da Grande São Paulo. Leia aqui.
Dona Maria da Paz ou Dona Esperança, como a nomeamos aqui, foi exposta pela Corregedoria da Polícia Militar (veja abaixo), que divulgou o áudio da conversa entre a cidadã e os criminosos sem proceder a uma alteração de voz para preservação de sua identidade. Um absurdo!
E pelas notícias na mídia, já sabemos que a cidadã tem 42 anos, é professora, casada e tem três filhos. Ferraz de Vasconcelos não é São Paulo. É um município pequeno, comparado a outras cidades do estado. Por que divulgar tanta informação sobre uma pessoa em situação de risco?
Proteção integral para a cidadã e outros tantos que têm a coragem e a dignidade de encarar essas situações constrangedoras e ameaçadoras!
Mulher que denunciou execução se diz traída pela Corregedoria, diz jornal
Testemunha de ação de policiais em cemitério foi ouvida pelo “Agora”.
Ela reclama da divulgação de sua voz em gravação para o telefone 190.
G1 SP
A mulher que denunciou uma execução feita por policiais militares dentro de um cemitério de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, disse em entrevista ao jornal “Agora” que se sente traída pela Corregedoria da PM devido à divulgação da ligação que fez para o telefone 190. A testemunha reclamou que a gravação foi divulgada sem que sua voz fosse alterada, sendo que a Corregedoria havia prometido que ia preservar sua identidade.
“A Corregedoria prometeu me preservar e eu acreditei”, afirmou a mulher ao jornal. “O que a gente quer é que o processo corra. Se eu fiz alguma coisa, é o que era para ser feito.”
A testemunha afirmou que teme que seu nome e dados pessoais sejam divulgados. O Comando da PM não se manifestou sobre o assunto.
A mulher ligou para o 190 após ver dois policiais executarem um homem dentro do cemitério no dia 12 de março. Os policiais perceberam que ela havia presenciado o crime e a mulher chegou a confrontá-los.
Os dois policiais, um com 18 e outro com cinco anos de carreira na PM, estão presos no Presídio Romão Gomes e respondem a um inquérito policial militar. Segundo o coronel, o soldado veterano se envolveu antes em três ocorrências de resistência seguida de morte.
Segundo a polícia, o homem morto, Dileone Lacerda de Aquino, de 27 anos, tinha cumprido pena em Bauru, no interior de São Paulo, e havia sido preso antes por suspeita de roubo, desacato, receptação, formação de quadrilha e resistência à prisão.
O suspeito se envolveu em um roubo a um furgão de uma empresa de cosméticos no Itaim Paulista, Zona Leste da capital. Na tentativa de fuga, ele bateu o carro contra o muro de um condomínio e foi alvejado na perna esquerda pelos policiais. Em seguida, os policiais o colocaram no carro de polícia e o levaram até o cemitério. Lá, deram o tiro no peito que o matou. Em seguida, colocaram o corpo de volta no carro de polícia e o levaram até um pronto-socorro. Foi nesse momento que a denunciante presenciou a ação criminosa.
*
“A Corregedoria prometeu me preservar e eu acreditei”, afirmou a mulher ao jornal. “O que a gente quer é que o processo corra. Se eu fiz alguma coisa, é o que era para ser feito.”
A testemunha afirmou que teme que seu nome e dados pessoais sejam divulgados. O Comando da PM não se manifestou sobre o assunto.
A mulher ligou para o 190 após ver dois policiais executarem um homem dentro do cemitério no dia 12 de março. Os policiais perceberam que ela havia presenciado o crime e a mulher chegou a confrontá-los.
Segundo a polícia, o homem morto, Dileone Lacerda de Aquino, de 27 anos, tinha cumprido pena em Bauru, no interior de São Paulo, e havia sido preso antes por suspeita de roubo, desacato, receptação, formação de quadrilha e resistência à prisão.
O suspeito se envolveu em um roubo a um furgão de uma empresa de cosméticos no Itaim Paulista, Zona Leste da capital. Na tentativa de fuga, ele bateu o carro contra o muro de um condomínio e foi alvejado na perna esquerda pelos policiais. Em seguida, os policiais o colocaram no carro de polícia e o levaram até o cemitério. Lá, deram o tiro no peito que o matou. Em seguida, colocaram o corpo de volta no carro de polícia e o levaram até um pronto-socorro. Foi nesse momento que a denunciante presenciou a ação criminosa.
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domingo, 10 de abril de 2011
Os 100 dias de Dilma
Não farei hoje balanço algum dos 100 dias da presidenta Dilma Rousseff no comando do País. Outros farão.
Foram dias muito movimentados. Dias de trabalho, de seriedade, de firmeza. E também de doçura.
Além de políticos, empresários, sindicalistas, autoridades de vários poderes e do presidente dos EUA e família, a presidenta Dilma recebeu no palácio atletas paraolímpicos, a jogadora de futebol Marta, a cantora Shakira, Hebe, Bono Vox e o U2... outros tantos.
Só faltou, presidenta, receber as cidadãs e cidadãos brasileiros sem terra, representados pelo MST, que querem e têm todo o direito de ser recebidos pela senhora.
Ficamos aguardando este momento para os próximos dias.
Para comemorar este período tão significativo para a senhora e para todos nós, escolhi apenas uma imagem.
Receba, presidenta, artistas e gente que está na mídia. Ouça o que têm a dizer. Afinal, a senhora é presidenta de todos nós. Mas nunca se esqueça dos compromissos que assumiu com o Povo Brasileiro.
Dilma e seu povo

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Foram dias muito movimentados. Dias de trabalho, de seriedade, de firmeza. E também de doçura.
Além de políticos, empresários, sindicalistas, autoridades de vários poderes e do presidente dos EUA e família, a presidenta Dilma recebeu no palácio atletas paraolímpicos, a jogadora de futebol Marta, a cantora Shakira, Hebe, Bono Vox e o U2... outros tantos.
Só faltou, presidenta, receber as cidadãs e cidadãos brasileiros sem terra, representados pelo MST, que querem e têm todo o direito de ser recebidos pela senhora.
Ficamos aguardando este momento para os próximos dias.
Para comemorar este período tão significativo para a senhora e para todos nós, escolhi apenas uma imagem.
Receba, presidenta, artistas e gente que está na mídia. Ouça o que têm a dizer. Afinal, a senhora é presidenta de todos nós. Mas nunca se esqueça dos compromissos que assumiu com o Povo Brasileiro.
Dilma e seu povo

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
sábado, 9 de abril de 2011
Terror no Rio de Janeiro: como explicar?
A execução de dez meninas e dois meninos, alunos de uma escola no bairro do Realengo, Rio de Janeiro, e o ferimento de outras crianças da mesma idade, por um atirador que alvejava suas vítimas com dois revólveres e requintes de crueldade, e que acabou se suicidando, chocou toda a sociedade brasileira e vem repercutindo até internacionalmente.
Os especialistas já estão a postos formulando as primeiras análises sobre o perfil do assassino, Wellington Menezes de Oliveira, de 24 anos.
A questão é complexa. Sair "atirando pra todos os lados", culpando o governo, o sistema educacional sucateado, a pobreza, a carência, a falta de oportunidades nas classes menos favorecidas, parece ser a possibilidade mais fácil de explicação. Mas será a verdadeira?
No post anterior já lembramos de Suzane von Richthofen. Bem nascida, de classe média alta, moradora de bairro nobre de São Paulo, estudante de Direito (!) da PUC, a segunda melhor da cidade, de pai engenheiro e mãe psiquiatra, aliou-se ao namorado e ao irmão deste e ao que tudo indica planejou toda a ação criminosa. Seus pais, enquanto dormiam, foram assassinados com barras de ferro pelos dois rapazes, enquanto Suzane aguardava friamente o desfecho do crime em outro cômodo. Depois de revirarem a casa toda para simular um latrocínio (roubo seguido de morte), ela e o namorado foram para um motel.
Neste caso, não há como culpar o governo, o sistema educacional, já que Suzane era endinheirada e frequentou as melhores escolas particulares de São Paulo.
Poderíamos lembrar também, entre outros, o triste caso da menina Eloá e seu algoz e namorado, Lindemberg Fernandes, que ocupou as manchetes principais da mídia dias e dias.
Já dissémos aqui: os psicopatas estão em toda a parte. No meio de todos nós. Nas nossas famílias, em nossos ambientes profissionais, na política, na mídia, na blogosfera... em toda a sociedade.
Não sou psicóloga, psiquiatra ou estudiosa da mente ou do comportamento humano. Mas uma das possibilidades que vejo para tentar entender o massacre chocante das crianças, que infelizmente pode fomentar outros, pela espetacularização do crime promovida pela mídia, é analisar pelo viés da psicopatia, um transtorno de personalidade que produz feras predadoras desprovidas de qualquer freio moral, que ameaçam todos nós, destruindo nossas vidas, simbolicamente ou não.
A sociedade precisa despertar e ficar atenta a estes predadores disfarçados de pessoas do Bem, que podem produzir danos irreparáveis na vida de todos nós.
Entrevista com a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva à revista Única nos ajuda a refletir sobre esse perigo que todos corremos.
Mentes perigosas: o psicopata mora ao lado
Os especialistas já estão a postos formulando as primeiras análises sobre o perfil do assassino, Wellington Menezes de Oliveira, de 24 anos.
A questão é complexa. Sair "atirando pra todos os lados", culpando o governo, o sistema educacional sucateado, a pobreza, a carência, a falta de oportunidades nas classes menos favorecidas, parece ser a possibilidade mais fácil de explicação. Mas será a verdadeira?
No post anterior já lembramos de Suzane von Richthofen. Bem nascida, de classe média alta, moradora de bairro nobre de São Paulo, estudante de Direito (!) da PUC, a segunda melhor da cidade, de pai engenheiro e mãe psiquiatra, aliou-se ao namorado e ao irmão deste e ao que tudo indica planejou toda a ação criminosa. Seus pais, enquanto dormiam, foram assassinados com barras de ferro pelos dois rapazes, enquanto Suzane aguardava friamente o desfecho do crime em outro cômodo. Depois de revirarem a casa toda para simular um latrocínio (roubo seguido de morte), ela e o namorado foram para um motel.
Neste caso, não há como culpar o governo, o sistema educacional, já que Suzane era endinheirada e frequentou as melhores escolas particulares de São Paulo.
Poderíamos lembrar também, entre outros, o triste caso da menina Eloá e seu algoz e namorado, Lindemberg Fernandes, que ocupou as manchetes principais da mídia dias e dias.
Já dissémos aqui: os psicopatas estão em toda a parte. No meio de todos nós. Nas nossas famílias, em nossos ambientes profissionais, na política, na mídia, na blogosfera... em toda a sociedade.
Não sou psicóloga, psiquiatra ou estudiosa da mente ou do comportamento humano. Mas uma das possibilidades que vejo para tentar entender o massacre chocante das crianças, que infelizmente pode fomentar outros, pela espetacularização do crime promovida pela mídia, é analisar pelo viés da psicopatia, um transtorno de personalidade que produz feras predadoras desprovidas de qualquer freio moral, que ameaçam todos nós, destruindo nossas vidas, simbolicamente ou não.
A sociedade precisa despertar e ficar atenta a estes predadores disfarçados de pessoas do Bem, que podem produzir danos irreparáveis na vida de todos nós.
Entrevista com a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva à revista Única nos ajuda a refletir sobre esse perigo que todos corremos.
Mentes perigosas: o psicopata mora ao lado
| Por Rose Domingues |
| Única – Hoje existem muitas séries na TV a cabo, principalmente, mostrando casos de psicopatas, mas qual é a definição exata para eles? Ana Beatriz - Psicopata é o indivíduo que apresenta um transtorno de personalidade, que se caracteriza por total ausência de sentimento de culpa, arrependimento ou remorso pelo que faz de errado. Falta de empatia com outro e emoções de forma geral (amor, tristeza, medo, compaixão, etc.). Os psicopatas são frios e calculistas, mentirosos contumazes, egocêntricos, megalômanos, parasitas, manipuladores, impulsivos, inescrupulosos, irresponsáveis, transgressores de regras sociais, muitos são violentos e só visam ao interesse próprio. Nós, latinos, afetivos, passionais, temos dificuldade de admitir que existem pessoas más. Única – Onde estes "transgressores" estão? Ana Beatriz - Eles estão infiltrados em todos os meios sociais, credo, sexo, cultura e são capazes de passar por cima de qualquer pessoa apenas para satisfazer seus sórdidos interesses. Podemos dizer que são verdadeiros "predadores sociais", almejam somente o poder, status e diversão e usam as pessoas apenas como troféus ou peças do seu jogo cruel. Única - Psicopata é qualquer maluco ou louco? Ana Beatriz - Não. É muito comum as pessoas associarem psicopatia com loucura, mas isso é uma ideia equivocada. "Loucura" é o que a medicina denomina surto psicótico (alucinações ou delírios), como ocorre com os portadores de esquizofrenia, por exemplo. Já os psicopatas sabem exatamente o que estão fazendo, que estão infringindo regras sociais, e que a vítima está sofrendo com suas atitudes maquiavélicas, imorais e antiéticas. Os psicopatas não apresentam problema algum de ordem cognitiva ou deficiência de raciocínio. A deficiência deles está no campo das emoções: aquilo que nos vincula afetivamente com o outro ou com todas as coisas do universo. Única - Todo psicopata é um serial killer? Ana Beatriz - Isso também é um grande equívoco. Somente uma pequena parcela dos psicopatas é serial killer ou assassino em série. A maioria sequer matou uma pessoa ou até mesmo apresenta uma aparência perversa. Para entender isso, é preciso ter em mente que existem níveis variados de psicopatia: leve, moderada e severa. O psicopata leve (a maioria) é aquele que vive de golpes, roubos, fraudes, estelionatos, que engorda ilicitamente suas contas bancárias com o dinheiro público, etc. Única – A senhora está dizendo que um amigo que nos "dá uma rasteira" no trabalho pode ser um psicopata... Ana Beatriz – Exatamente! Os que detêm a psicopatia leve estão disfarçados de líderes religiosos, bons políticos, executivos bem sucedidos, bons amigos, bons amantes... eles podem arruinar empresas, destruir lares, se promover à custa dos outros, mas não sujam suas mãos de sangue. Geralmente são charmosos, sedutores, inteligentes, aparentam ser pessoas "do bem", possuem grande poder de persuasão e habilidade para enganar quem quer que seja. Estão do lado de fora das grades, convivendo com todos nós, sem levantar suspeitas de quem realmente são. Mas todos deixam marcas de destruição por onde passam. Única - Um assassino pode não ser psicopata e um psicopata pode jamais matar... Ana Beatriz – Existem assassinos passionais que jamais matariam novamente. Um exemplo é a mulher que matou o estuprador do filho dela de 4 anos. Ela nada tem de psicopata. Ao contrário, apesar da violência, o crime dela pode ser compreensível para muitas mães. Ao passo que um psicopata pode nunca ter a necessidade de assassinar, resolvendo suas questões matando vidas afetivas e financeiras, prejudicando pessoas de forma irreversível, mas sem matá-las. Na população carcerária, segundo pesquisas feitas no Canadá e nos Estados Unidos, há de 20% a 25% de psicopatas. Única - Como reconhecer um psicopata e se proteger? Ana Beatriz - Reconhecer um psicopata não é uma tarefa tão fácil até porque, como já dito, a maioria não tem aparência de mau ou descuidada. Inclusive os profissionais da área médica e psicológica podem ser facilmente enganados por eles, uma vez que eles são os verdadeiros atores da vida real. Mas há algumas características básicas entre eles: falam muito de si mesmos, mentem e não se constrangem quando descobertos, têm postura arrogante e intimidadora por um lado, mas são charmosos e sedutores por outro. Única – A senhora explica em seu livro que os "bajuladores excessivos" ou chefes que praticam "assédio moral" podem ter a patologia? Ana Beatriz – Os psicopatas da vida real costumam contar histórias tristes, em que são heróis e generosos. Manipulam as pessoas por meio de elogios desmedidos. Se tiver de começar a desconfiar de alguém, desconfie sim dos "bajuladores excessivos". Chefes também podem ser psicopatas – o que costuma se manifestar pelo assédio moral aos funcionários. Um dado interessante é que eles não sentem compaixão ou remorso. Mas sabem, cognitivamente, o que é ter esses sentimentos. Daí representarem tão bem – e às vezes exageradamente – o papel de vítima. Única - A partir de que idade é possível diagnosticar a psicopatia? Ana Beatriz - A medicina só pode dar o diagnóstico de psicopatia a partir dos 18 anos. No entanto, ninguém se transforma em psicopata de um dia para o outro. O indivíduo já nasce psicopata. Assim, fica claro que uma criança e um adolescente também apresentam condutas maldosas ou são genuinamente perversos. Isso se percebe nos maus-tratos com os irmãos, coleguinhas e animais, nas mentiras recorrentes, roubos de pertences dos outros, transgressões de regras sociais, e especialmente na falta de afeto. Única – Quem são as vítimas preferidas dos psicopatas? Ana Beatriz – Quase sempre pessoas generosas, em especial aquelas que não acreditam no mal e costumam tentar justificar as atitudes de todo mundo. Se nós queremos nos defender e não compactuar com essas pessoas é preciso entender que o mal existe verdadeiramente. É preciso ter cautela sempre quando não se conhece alguém ainda muito bem. Checar seus hábitos, saber um pouco do seu passado, ficar atento ao joguinho "da pena", "do coitadinho". Única - Qual é o tratamento? Existe cura? Ana Beatriz - Em se tratando de saúde mental, só podemos falar em tratamento para as pessoas que estão em sofrimento e apresentam intenso desconforto emocional, que as impede de manter uma boa qualidade de vida. Por mais bizarro que possa parecer, os psicopatas parecem estar inteiramente satisfeitos consigo mesmos e não apresentam constrangimentos morais ou sofrimentos emocionais como depressão, ansiedade, culpas ou baixa autoestima. Assim, não é possível tratar um sofrimento inexistente. Única - A legislação brasileira está atualizada no que diz respeito à punição dos psicopatas? Ana Beatriz - O problema do Brasil é que ele agrupa os psicopatas e os doentes mentais na mesma legislação, porém a psicopatia não se enquadra nas doenças mentais padronizadas. Por ser um transtorno de personalidade, ela resulta em um indivíduo cujo "modo de ser" se limita a condutas antissociais com enorme potencial destrutivo. Se um criminoso psicopata for condenado sem esse diagnóstico, cumpre a prisão, mas ao sair da cadeia, a sociedade corre os mesmos riscos de antes. Caso este mesmo indivíduo seja diagnosticado como psicopata, é considerado um doente mental e se beneficia de um tratamento psiquiátrico em manicômio judiciário. Como não há cura, teoricamente ele deveria ficar por lá pelo resto da vida, o que não acontece na prática. Única - Como é o cenário em outros países? Ana Beatriz - Em países como o Canadá, Inglaterra, Austrália e em alguns estados dos EUA, onde se aplica a escala Hare (check list para psicopatia), o psicopata cumpre penas bem mais rigorosas: prisão perpétua em celas específicas com isolamento. Única – Há muitos psicopatas no mundo? O percentual de homens psicopatas é maior por quê? Ana Beatriz – Mais do que se imagina, cerca de quatro em cada 100 pessoas são psicopatas, segundo estatísticas norte-americanas. Mais homens que mulheres. São três homens para cada mulher. Mas não sabemos se as mulheres não estão sendo subdiagnosticadas. Isso porque eles são naturalmente mais impulsivos e agressivos que as mulheres. Já elas apresentam uma perversidade mais sutil, camuflada, no campo das intrigas. Mas seja lá como for não existe nenhuma pesquisa que aponte por que existem mais homens psicopatas que mulheres. |
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Tragédia no Rio de Janeiro: o psicopata mora ao lado
Primeira coisa a esclarecer: psicopatas não são loucos. Psicopatia não é sinônimo de demência ou insanidade.
Psicopatia é transtorno de personalidade, não doença mental. Psicopatas nascem psicopatas.
Mas afinal, o que é um psicopata?
A psiquiatra carioca Ana Beatriz Barbosa Silva é autora de um livro campeão de vendas, lançado há dois anos atrás, e ainda hoje na lista dos mais vendidos, que nos alerta para esse verdadeiro desastre social: Mentes perigosas: o psicopata mora ao lado.
Ana Beatriz considera que o fenômeno da psicopatia precisa ser exposto, explicado, esclarecido para toda a sociedade. Psicopatas são portadores de mentes sombrias, são criaturas das trevas, vampiros da vida real, monstros sem escrúpulos, feras predadoras. Por onde passam, deixam um rastro de maldades, perversidades e destruição.
Psicopata é uma pessoa fria, insensível, calculista, manipuladora, fingida, golpista, mentirosa contumaz, egocêntrica, megalomaníaca, irresponsável, imoral, antiética, desprovida de qualquer escrúpulo.
Aquele parente ou "amigo" mau-caráter, que só pensa em levar vantagem em tudo, lesando os demais sem qualquer sentimento de culpa ou remorso, pode ser um psicopata.
Psicopatas são predadores sociais. Enganadores, embusteiros, farsantes, muitas vezes sedutores. Só almejam o benefício próprio, o poder, o status, a vantagem, a diversão.
Os pesquisadores dizem que 4 a 5% da população mundial apresenta tal transtorno da personalidade. Mas pelos estragos que semeiam o número pode ser bem maior.
Existem graus de psicopatia: leve, moderada ou severa. O psicopata leve vive de golpes, roubos, fraudes, estelionatos. Pode nunca ter necessidade de assassinar. O que faz é matar vidas afetivas, arruinar vidas financeiras, prejudicar pessoas de modo irreversível.
Pessoas generosas, de bom coração, são as vítimas preferenciais dos psicopatas.
Segundo Ana Beatriz, psicopatas são deficientes emocionais. Não desenvolvem vínculo afetivo com ninguém. "Em suas veias corre um sangue gélido."
Que "cara" tem um psicopata?

Suzane von Richthofen, que mandou
matar os pais com barras de ferro

Assassino que matou 12 crianças a tiros em escola no Rio de Janeiro
A minha, a sua, a cara de todo mundo. Costumam se apresentar como "pessoas do bem". Nem sempre têm qualquer aparência de assassino ou delinquente.
Pais e mães de família, executivos bem-sucedidos, políticos corruptos, empresários, líderes religiosos, bons e insuspeitos amigos, grandes amantes, marido, esposa, empregado, criminosos do colarinho branco... os psicopatas estão infiltrados em todas as esferas da sociedade.
Os casos mais graves chegam na mídia como assassinos em série, pais que matam filhos, filhos que matam pais, ladrões, golpistas, estelionatários, estupradores, homens que espancam mulheres, sequestradores, gangues que ateiam fogo em pessoas e por aí vai...
A psicopatia se manifesta bem cedo. Aquela criança que maltrata irmãos, coleguinhas, animais; que mente e comete pequenos roubos, já pode ser um psicopata em formação.
"Na matemática desprezível dos psicopatas, só existe o acréscimo unilateral e predatório; somente eles são os beneficiados", alerta a doutora Ana Beatriz.
Para nos defendermos destes predadores, precisamos todos conhecer suas artimanhas, desconfiar de seus mesquinhos interesses, sondar suas almas sórdidas, ficar atentos a seus joguinhos de "pena" e "vítima", a bajulações desmedidas, e sobretudo passar a acreditar que o mal existe, não tem cura, e que esses parasitas não pensarão duas vezes diante da possibilidade de destruir suas vítimas, sem dó nem piedade.
Psicopatia é transtorno de personalidade, não doença mental. Psicopatas nascem psicopatas.
Mas afinal, o que é um psicopata?
A psiquiatra carioca Ana Beatriz Barbosa Silva é autora de um livro campeão de vendas, lançado há dois anos atrás, e ainda hoje na lista dos mais vendidos, que nos alerta para esse verdadeiro desastre social: Mentes perigosas: o psicopata mora ao lado.
Ana Beatriz considera que o fenômeno da psicopatia precisa ser exposto, explicado, esclarecido para toda a sociedade. Psicopatas são portadores de mentes sombrias, são criaturas das trevas, vampiros da vida real, monstros sem escrúpulos, feras predadoras. Por onde passam, deixam um rastro de maldades, perversidades e destruição.
Psicopata é uma pessoa fria, insensível, calculista, manipuladora, fingida, golpista, mentirosa contumaz, egocêntrica, megalomaníaca, irresponsável, imoral, antiética, desprovida de qualquer escrúpulo.
Aquele parente ou "amigo" mau-caráter, que só pensa em levar vantagem em tudo, lesando os demais sem qualquer sentimento de culpa ou remorso, pode ser um psicopata.
Psicopatas são predadores sociais. Enganadores, embusteiros, farsantes, muitas vezes sedutores. Só almejam o benefício próprio, o poder, o status, a vantagem, a diversão.
Os pesquisadores dizem que 4 a 5% da população mundial apresenta tal transtorno da personalidade. Mas pelos estragos que semeiam o número pode ser bem maior.
Existem graus de psicopatia: leve, moderada ou severa. O psicopata leve vive de golpes, roubos, fraudes, estelionatos. Pode nunca ter necessidade de assassinar. O que faz é matar vidas afetivas, arruinar vidas financeiras, prejudicar pessoas de modo irreversível.
Pessoas generosas, de bom coração, são as vítimas preferenciais dos psicopatas.
Segundo Ana Beatriz, psicopatas são deficientes emocionais. Não desenvolvem vínculo afetivo com ninguém. "Em suas veias corre um sangue gélido."
Que "cara" tem um psicopata?

Suzane von Richthofen, que mandou
matar os pais com barras de ferro

Assassino que matou 12 crianças a tiros em escola no Rio de Janeiro
A minha, a sua, a cara de todo mundo. Costumam se apresentar como "pessoas do bem". Nem sempre têm qualquer aparência de assassino ou delinquente.
Pais e mães de família, executivos bem-sucedidos, políticos corruptos, empresários, líderes religiosos, bons e insuspeitos amigos, grandes amantes, marido, esposa, empregado, criminosos do colarinho branco... os psicopatas estão infiltrados em todas as esferas da sociedade.
Os casos mais graves chegam na mídia como assassinos em série, pais que matam filhos, filhos que matam pais, ladrões, golpistas, estelionatários, estupradores, homens que espancam mulheres, sequestradores, gangues que ateiam fogo em pessoas e por aí vai...
A psicopatia se manifesta bem cedo. Aquela criança que maltrata irmãos, coleguinhas, animais; que mente e comete pequenos roubos, já pode ser um psicopata em formação.
"Na matemática desprezível dos psicopatas, só existe o acréscimo unilateral e predatório; somente eles são os beneficiados", alerta a doutora Ana Beatriz.
Para nos defendermos destes predadores, precisamos todos conhecer suas artimanhas, desconfiar de seus mesquinhos interesses, sondar suas almas sórdidas, ficar atentos a seus joguinhos de "pena" e "vítima", a bajulações desmedidas, e sobretudo passar a acreditar que o mal existe, não tem cura, e que esses parasitas não pensarão duas vezes diante da possibilidade de destruir suas vítimas, sem dó nem piedade.
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Criticar, só, não mudará nada. Falar mal, escrever desancando delinquentes e autoridades... nada disso tem força suficiente para transformar certas coisas no mundo.
Quando perceber que a causa é justa, ultrapasse a etapa do falatório, do blablablá.
Mostre ao infrator que você está ciente dos ilícitos que ele comete.
Uma forma de fazer isso é aderir a manifestos, assinar petições, escrever de forma educada e cordial às autoridades pedindo que intervenham em caso de injustiças.
Sua assinatura é mais poderosa do que você pensa.
Quando perceber que a causa é justa, ultrapasse a etapa do falatório, do blablablá.
Mostre ao infrator que você está ciente dos ilícitos que ele comete.
Uma forma de fazer isso é aderir a manifestos, assinar petições, escrever de forma educada e cordial às autoridades pedindo que intervenham em caso de injustiças.
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Link do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=ptG7MpiQuCo
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