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sábado, 9 de abril de 2011

Terror no Rio de Janeiro: como explicar?

A execução de dez meninas e dois meninos, alunos de uma escola no bairro do Realengo, Rio de Janeiro, e o ferimento de outras crianças da mesma idade, por um atirador que alvejava suas vítimas com dois revólveres e requintes de crueldade, e que acabou se suicidando, chocou toda a sociedade brasileira e vem repercutindo até internacionalmente.

Os especialistas já estão a postos formulando as primeiras análises sobre o perfil do assassino, Wellington Menezes de Oliveira, de 24 anos.

A questão é complexa. Sair "atirando pra todos os lados", culpando o governo, o sistema educacional sucateado, a pobreza, a carência, a falta de oportunidades nas classes menos favorecidas, parece ser a possibilidade mais fácil de explicação. Mas será a verdadeira?

No post anterior já lembramos de Suzane von Richthofen. Bem nascida, de classe média alta, moradora de bairro nobre de São Paulo, estudante de Direito (!) da PUC, a segunda melhor da cidade, de pai engenheiro e mãe psiquiatra, aliou-se ao namorado e ao irmão deste e ao que tudo indica planejou toda a ação criminosa. Seus pais, enquanto dormiam, foram assassinados com barras de ferro pelos dois rapazes, enquanto Suzane aguardava friamente o desfecho do crime em outro cômodo. Depois de revirarem a casa toda para simular um latrocínio (roubo seguido de morte), ela e o namorado foram para um motel.

Neste caso, não há como culpar o governo, o sistema educacional, já que Suzane era endinheirada e frequentou as melhores escolas particulares de São Paulo.

Poderíamos lembrar também, entre outros, o triste caso da menina Eloá e seu algoz e namorado, Lindemberg Fernandes, que ocupou as manchetes principais da mídia dias e dias.

Já dissémos aqui: os psicopatas estão em toda a parte. No meio de todos nós. Nas nossas famílias, em nossos ambientes profissionais, na política, na mídia, na blogosfera... em toda a sociedade.

Não sou psicóloga, psiquiatra ou estudiosa da mente ou do comportamento humano. Mas uma das possibilidades que vejo para tentar entender o massacre chocante das crianças, que infelizmente pode fomentar outros, pela espetacularização do crime promovida pela mídia, é analisar pelo viés da psicopatia, um transtorno de personalidade que produz feras predadoras desprovidas de qualquer freio moral, que ameaçam todos nós, destruindo nossas vidas, simbolicamente ou não.

A sociedade precisa despertar e ficar atenta a estes predadores disfarçados de pessoas do Bem, que podem produzir danos irreparáveis na vida de todos nós.

Entrevista com a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva à revista Única nos ajuda a refletir sobre esse perigo que todos corremos. 



Mentes perigosas: o psicopata mora ao lado


Por Rose Domingues   

Única – Hoje existem muitas séries na TV a cabo, principalmente, mostrando casos de psicopatas, mas qual é a definição exata para eles?


Ana Beatriz - Psicopata é o indivíduo que apresenta um transtorno de personalidade, que se caracteriza por total ausência de sentimento de culpa, arrependimento ou remorso pelo que faz de errado. Falta de empatia com outro e emoções de forma geral (amor, tristeza, medo, compaixão, etc.). Os psicopatas são frios e calculistas, mentirosos contumazes, egocêntricos, megalômanos, parasitas, manipuladores, impulsivos, inescrupulosos, irresponsáveis, transgressores de regras sociais, muitos são violentos e só visam ao interesse próprio. Nós, latinos, afetivos, passionais, temos dificuldade de admitir que existem pessoas más.


Única – Onde estes "transgressores" estão?


Ana Beatriz - Eles estão infiltrados em todos os meios sociais, credo, sexo, cultura e são capazes de passar por cima de qualquer pessoa apenas para satisfazer seus sórdidos interesses. Podemos dizer que são verdadeiros "predadores sociais", almejam somente o poder, status e diversão e usam as pessoas apenas como troféus ou peças do seu jogo cruel.


Única - Psicopata é qualquer maluco ou louco?


Ana Beatriz - Não. É muito comum as pessoas associarem psicopatia com loucura, mas isso é uma ideia equivocada. "Loucura" é o que a medicina denomina surto psicótico (alucinações ou delírios), como ocorre com os portadores de esquizofrenia, por exemplo. Já os psicopatas sabem exatamente o que estão fazendo, que estão infringindo regras sociais, e que a vítima está sofrendo com suas atitudes maquiavélicas, imorais e antiéticas. Os psicopatas não apresentam problema algum de ordem cognitiva ou deficiência de raciocínio. A deficiência deles está no campo das emoções: aquilo que nos vincula afetivamente com o outro ou com todas as coisas do universo.


Única - Todo psicopata é um serial killer?


Ana Beatriz - Isso também é um grande equívoco. Somente uma pequena parcela dos psicopatas é serial killer ou assassino em série. A maioria sequer matou uma pessoa ou até mesmo apresenta uma aparência perversa. Para entender isso, é preciso ter em mente que existem níveis variados de psicopatia: leve, moderada e severa. O psicopata leve (a maioria) é aquele que vive de golpes, roubos, fraudes, estelionatos, que engorda ilicitamente suas contas bancárias com o dinheiro público, etc.


Única – A senhora está dizendo que um amigo que nos "dá uma rasteira" no trabalho pode ser um psicopata...


Ana Beatriz – Exatamente! Os que detêm a psicopatia leve estão disfarçados de líderes religiosos, bons políticos, executivos bem sucedidos, bons amigos, bons amantes... eles podem arruinar empresas, destruir lares, se promover à custa dos outros, mas não sujam suas mãos de sangue. Geralmente são charmosos, sedutores, inteligentes, aparentam ser pessoas "do bem", possuem grande poder de persuasão e habilidade para enganar quem quer que seja. Estão do lado de fora das grades, convivendo com todos nós, sem levantar suspeitas de quem realmente são. Mas todos deixam marcas de destruição por onde passam.


Única - Um assassino pode não ser psicopata e um psicopata pode jamais matar...


Ana Beatriz – Existem assassinos passionais que jamais matariam novamente. Um exemplo é a mulher que matou o estuprador do filho dela de 4 anos. Ela nada tem de psicopata. Ao contrário, apesar da violência, o crime dela pode ser compreensível para muitas mães. Ao passo que um psicopata pode nunca ter a necessidade de assassinar, resolvendo suas questões matando vidas afetivas e financeiras, prejudicando pessoas de forma irreversível, mas sem matá-las. Na população carcerária, segundo pesquisas feitas no Canadá e nos Estados Unidos, há de 20% a 25% de psicopatas.


Única - Como reconhecer um psicopata e se proteger?


Ana Beatriz - Reconhecer um psicopata não é uma tarefa tão fácil até porque, como já dito, a maioria não tem aparência de mau ou descuidada. Inclusive os profissionais da área médica e psicológica podem ser facilmente enganados por eles, uma vez que eles são os verdadeiros atores da vida real. Mas há algumas características básicas entre eles: falam muito de si mesmos, mentem e não se constrangem quando descobertos, têm postura arrogante e intimidadora por um lado, mas são charmosos e sedutores por outro.


Única – A senhora explica em seu livro que os "bajuladores excessivos" ou chefes que praticam "assédio moral" podem ter a patologia?


Ana Beatriz – Os psicopatas da vida real costumam contar histórias tristes, em que são heróis e generosos. Manipulam as pessoas por meio de elogios desmedidos. Se tiver de começar a desconfiar de alguém, desconfie sim dos "bajuladores excessivos". Chefes também podem ser psicopatas – o que costuma se manifestar pelo assédio moral aos funcionários. Um dado interessante é que eles não sentem compaixão ou remorso. Mas sabem, cognitivamente, o que é ter esses sentimentos. Daí representarem tão bem – e às vezes exageradamente – o papel de vítima.


Única - A partir de que idade é possível diagnosticar a psicopatia?


Ana Beatriz - A medicina só pode dar o diagnóstico de psicopatia a partir dos 18 anos. No entanto, ninguém se transforma em psicopata de um dia para o outro. O indivíduo já nasce psicopata. Assim, fica claro que uma criança e um adolescente também apresentam condutas maldosas ou são genuinamente perversos. Isso se percebe nos maus-tratos com os irmãos, coleguinhas e animais, nas mentiras recorrentes, roubos de pertences dos outros, transgressões de regras sociais, e especialmente na falta de afeto.


Única – Quem são as vítimas preferidas dos psicopatas?


Ana Beatriz – Quase sempre pessoas generosas, em especial aquelas que não acreditam no mal e costumam tentar justificar as atitudes de todo mundo. Se nós queremos nos defender e não compactuar com essas pessoas é preciso entender que o mal existe verdadeiramente. É preciso ter cautela sempre quando não se conhece alguém ainda muito bem. Checar seus hábitos, saber um pouco do seu passado, ficar atento ao joguinho "da pena", "do coitadinho".


Única - Qual é o tratamento? Existe cura?


Ana Beatriz - Em se tratando de saúde mental, só podemos falar em tratamento para as pessoas que estão em sofrimento e apresentam intenso desconforto emocional, que as impede de manter uma boa qualidade de vida. Por mais bizarro que possa parecer, os psicopatas parecem estar inteiramente satisfeitos consigo mesmos e não apresentam constrangimentos morais ou sofrimentos emocionais como depressão, ansiedade, culpas ou baixa autoestima. Assim, não é possível tratar um sofrimento inexistente.


Única - A legislação brasileira está atualizada no que diz respeito à punição dos psicopatas?


Ana Beatriz - O problema do Brasil é que ele agrupa os psicopatas e os doentes mentais na mesma legislação, porém a psicopatia não se enquadra nas doenças mentais padronizadas. Por ser um transtorno de personalidade, ela resulta em um indivíduo cujo "modo de ser" se limita a condutas antissociais com enorme potencial destrutivo. Se um criminoso psicopata for condenado sem esse diagnóstico, cumpre a prisão, mas ao sair da cadeia, a sociedade corre os mesmos riscos de antes. Caso este mesmo indivíduo seja diagnosticado como psicopata, é considerado um doente mental e se beneficia de um tratamento psiquiátrico em manicômio judiciário. Como não há cura, teoricamente ele deveria ficar por lá pelo resto da vida, o que não acontece na prática.


Única - Como é o cenário em outros países?


Ana Beatriz - Em países como o Canadá, Inglaterra, Austrália e em alguns estados dos EUA, onde se aplica a escala Hare (check list para psicopatia), o psicopata cumpre penas bem mais rigorosas: prisão perpétua em celas específicas com isolamento.


Única – Há muitos psicopatas no mundo? O percentual de homens psicopatas é maior por quê?


Ana Beatriz – Mais do que se imagina, cerca de quatro em cada 100 pessoas são psicopatas, segundo estatísticas norte-americanas. Mais homens que mulheres. São três homens para cada mulher. Mas não sabemos se as mulheres não estão sendo subdiagnosticadas. Isso porque eles são naturalmente mais impulsivos e agressivos que as mulheres. Já elas apresentam uma perversidade mais sutil, camuflada, no campo das intrigas. Mas seja lá como for não existe nenhuma pesquisa que aponte por que existem mais homens psicopatas que mulheres.






quinta-feira, 7 de abril de 2011

Tragédia no Rio de Janeiro: o psicopata mora ao lado

Primeira coisa a esclarecer: psicopatas não são loucos. Psicopatia não é sinônimo de demência ou insanidade.

Psicopatia é transtorno de personalidade, não doença mental. Psicopatas nascem psicopatas.

Mas afinal, o que é um psicopata?

A psiquiatra carioca Ana Beatriz Barbosa Silva é autora de um livro campeão de vendas, lançado há dois anos atrás, e ainda hoje na lista dos mais vendidos, que nos alerta para esse verdadeiro desastre social: Mentes perigosas: o psicopata mora ao lado.

Ana Beatriz considera que o fenômeno da psicopatia precisa ser exposto, explicado, esclarecido para toda a sociedade. Psicopatas são portadores de mentes sombrias, são criaturas das trevas, vampiros da vida real, monstros sem escrúpulos, feras predadoras. Por onde passam, deixam um rastro de maldades, perversidades e destruição.

Psicopata é uma pessoa fria, insensível, calculista, manipuladora, fingida, golpista, mentirosa contumaz, egocêntrica, megalomaníaca, irresponsável, imoral, antiética, desprovida de qualquer escrúpulo.

Aquele parente ou "amigo" mau-caráter, que só pensa em levar vantagem em tudo, lesando os demais sem qualquer sentimento de culpa ou remorso, pode ser um psicopata.

Psicopatas são predadores sociais. Enganadores, embusteiros, farsantes, muitas vezes sedutores. Só almejam o benefício próprio, o poder, o status, a vantagem, a diversão.

Os pesquisadores dizem que 4 a 5% da população mundial apresenta tal transtorno da personalidade. Mas pelos estragos que semeiam o número pode ser bem maior.

Existem graus de psicopatia: leve, moderada ou severa. O psicopata leve vive de golpes, roubos, fraudes, estelionatos. Pode nunca ter necessidade de assassinar. O que faz é matar vidas afetivas, arruinar vidas financeiras, prejudicar pessoas de modo irreversível.

Pessoas generosas, de bom coração, são as vítimas preferenciais dos psicopatas.

Segundo Ana Beatriz, psicopatas são deficientes emocionais. Não desenvolvem vínculo afetivo com ninguém. "Em suas veias corre um sangue gélido."

Que "cara" tem um psicopata?

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Suzane von Richthofen, que mandou
matar os pais com barras de ferro


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Assassino que matou 12 crianças a tiros em escola no Rio de Janeiro


A minha, a sua, a cara de todo mundo. Costumam se apresentar como "pessoas do bem". Nem sempre têm qualquer aparência de assassino ou delinquente.

Pais e mães de família, executivos bem-sucedidos, políticos corruptos, empresários, líderes religiosos, bons e insuspeitos amigos, grandes amantes, marido, esposa, empregado, criminosos do colarinho branco... os psicopatas estão infiltrados em todas as esferas da sociedade.

Os casos mais graves chegam na mídia como assassinos em série, pais que matam filhos, filhos que matam pais, ladrões, golpistas, estelionatários, estupradores, homens que espancam mulheres, sequestradores, gangues que ateiam fogo em pessoas e por aí vai...

A psicopatia se manifesta bem cedo. Aquela criança que maltrata irmãos, coleguinhas, animais; que mente e comete pequenos roubos, já pode ser um psicopata em formação.

"Na matemática desprezível dos psicopatas, só existe o acréscimo unilateral e predatório; somente eles são os beneficiados", alerta a doutora Ana Beatriz.

Para nos defendermos destes predadores, precisamos todos conhecer suas artimanhas, desconfiar de seus mesquinhos interesses, sondar suas almas sórdidas, ficar atentos a seus joguinhos de "pena" e "vítima", a bajulações desmedidas, e sobretudo passar a acreditar que o mal existe, não tem cura, e que esses parasitas não pensarão duas vezes diante da possibilidade de destruir suas vítimas, sem dó nem piedade. 

O poder de uma assinatura

Criticar, só, não mudará nada. Falar mal, escrever desancando delinquentes e autoridades... nada disso tem força suficiente para transformar certas coisas no mundo.

Quando perceber que a causa é justa, ultrapasse a etapa do falatório, do blablablá.

Mostre ao infrator que você está ciente dos ilícitos que ele comete.

Uma forma de fazer isso é aderir a manifestos, assinar petições, escrever de forma educada e cordial às autoridades pedindo que intervenham em caso de injustiças.

Sua assinatura é mais poderosa do que você pensa.





                                           Link do vídeo:  http://www.youtube.com/watch?v=ptG7MpiQuCo






 







quarta-feira, 6 de abril de 2011

Big Brother, Foucault e a Anistia Internacional

Nosso post anterior foi sobre dona "Maria da Paz", que poderíamos chamar também de dona "Esperança", aquela exemplar cidadã brasileira, que armada apenas de sua coragem e hombridade "partiu pra cima" da bandidagem fardada e armada e conseguiu que tais assassinos fossem presos e paguem pelo crime bárbaro que cometeram contra a sociedade.

Acredito que se a presença desta cidadã e do seu olhar incisivo fossem percebidos pelos malfeitores antes do disparo, tal crime hediondo poderia ter sido evitado.

Se qualquer um de nós, até silenciosamente, se manifestar de modo que mostre ao facínora que sua ação criminosa está sendo monitorada, a "coisa" muda de figura. Até porque, além de canalhas, costumam ser covardes.

Então, como Maria da Paz ou Esperança, faça sua parte, cidadão!

Convido vocês a lerem o ótimo post do blog Grito das Cinco e em seguida vejam o vídeo da Anistia Internacional: "Se alguém estiver olhando, a violência pára".



Big Brother, Foucault e a Anistia Internacional


O grande filósofo e professor Michel Foucault dizia que nós agimos de maneira diferente quando somos vigiados,  e que isto serve para educar (adestrar) as pessoas para que essas cumpram normas, leis e exercícios de acordo com a vontade de quem detém o poder.

O livro “1984″ de George Orwell mostra muito bem esta ideia, contando a história de  uma sociedade vigiada com câmeras por todas as partes a serviço de um líder, chamado de “big brother” (sim, infelizmente o nome do reality show faz referência a este ótimo livro).

O  interessante é como este conceito também pode ser usado por uma instituição que defende a liberdade, neste caso a Anistia Internacional. Será que isto é válido se for em prol dos direitos humanos?  O vídeo criado pela agência canadense Agency59 diz que sim. Texto: “Se alguém estiver olhando, a violência para.”







terça-feira, 5 de abril de 2011

Maravilhoso exemplo de dignidade e Cidadania Ativa

A cidadã "Maria da Paz" (vamos chamá-la aqui assim) merece todos os nossos elogios, toda a nossa admiração, todas as nossas homenagens.

"Maria da Paz" assistiu estarrecida a uma execução sumária feita por PMs em cemitério de município da Grande São Paulo, pegou o celular na hora, ligou para o 190 e denunciou o crime.

E não ficou nisso. Minutos depois, abordada pelos policiais assassinos, que inclusive queriam "levá-la para a delegacia" (já imaginaram o que seria feito de "Maria da Paz" no trajeto para a delegacia?!...), enfrentou os facínoras e ainda deu-lhes uma descompostura.

Quantos de nós teriam o sangue frio e a coragem de fazer isso, ainda mais com bandidagem fardada e armada?

Brava Gente Brasileira!



Mulher presencia execução feita por PMs e faz denúncia ao 190 em tempo real


Policiais fizeram BO dizendo que vítima resistiu à prisão, por isso foi morta; testemunha está sob proteção policial


04 de abril de 2011

Bruno Paes Manso - O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Uma ligação para o telefone 190 do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) em março deste ano mostra uma execução em tempo real. A testemunha permanece sob proteção policial. Ela ligou para a PM e descreveu o crime, que foi gravado.

Werther Santana/AE
Werther Santana/AE
Cemitério onde ocorreu o crime em março

"Olha, eu estou no Cemitério das Palmeiras, em Ferraz de Vasconcelos e a Polícia Militar acabou de entrar com uma viatura aqui dentro do cemitério, com uma pessoa dentro do carro, tirou essa pessoa do carro e deu um tiro. Eu estou aqui do lado da sepultura do meu pai."

De onde presenciou o assassinato, a denunciante não conseguia ver a placa nem o prefixo da viatura policial. Enquanto falava com o Copom, ela teve sangue frio para esperar os policiais fecharem a viatura e passar em frente dela para que ela relatasse os dados ao Copom. "Espera só um pouquinho porque eles vão passar por mim agora. Espero que não me matem também. A placa é DJM 0451, o prefixo é 29.411, M 29.411."

Em seguida, o policial autor da execução percebeu a presença da testemunha, parou a viatura e foi em direção a ela. Corajosa, a mulher se antecipou e foi falar com o policial. "Tem um PM vindo na nossa direção. Oi, desculpa, senhor, o senhor que estava naquela viatura? O senhor que acertou o disparo ali? Foi o senhor que tirou a pessoa de dentro? Estava próximo de onde estávamos. Eu estou falando com a Polícia Militar".

Ainda durante a ligação, o policial fala à testemunha que estava socorrendo a vítima, conversa que também foi gravada. E tenta levar a testemunha para a delegacia. "Estava socorrendo? Meu senhor, olhe bem para a minha cara. Eu não vou (para a delegacia). Ele falou que estava socorrendo. É mentira. É mentira, senhor. É mentira. Eu não quero conversar com o senhor. E o senhor tem a consciência do que o senhor faz".

Os policiais militares acusados de execução registram um boletim de ocorrência de roubo seguido de resistência e morte. Alegavam que o homem morto havia resistido à prisão. Mas a iniciativa da testemunha fez a versão dos policiais cair por terra. Dois PMs estão presos no Romão Gomes.

A Polícia Militar manteve o caso sob sigilo para preservar as testemunhas.

(destaques meus)


Tributo a uma mulher desconhecida

Edmundo Leite


Não sei o nome nem quem é a protagonista da denúncia estarrecedora registrada pelo 190 da Polícia Militar, e noticiada pelo Estadão.  Seja quem for essa mulher, qual for sua história de vida,  entrou para um panteão em que poucos teriam lugar.

Seu gesto de coragem ao celular e na frente do policial assassino é um editorial pronto, um libelo contra a injustiça e  a violência, um “Eu acuso” de Zola dos tempos modernos. Com uma simples ligação telefônica, rompeu uma eterna lei do silêncio que costuma imperar em casos semelhantes:  “Diz que já é normal fazer isso aqui, mas não é normal eu assistir isso…”

Não é normal eu assistir isso… Fora a dignidade de não aceitar a violência como coisa normal e de denunciar um crime covarde cometido por quem deveria combatê-los no momento em que a barbárie era cometida, há a coragem indignada de contestar a versão estapafúrdia que o policial quis apresentar ao se perceber flagrado por essa mulher desconhecida. “… Não, não. Eu estava socorrendo o rapaz. Socorrendo? Meu senhor, olha bem pra minha cara.”

Claro que já não falta – inclusive em mensagens aqui no Estadão – gente dizendo que a polícia está certa em matar bandido mesmo infringindo a lei. Não está. A mulher desconhecida lembrou isso aos policiais e à sociedade. Lembrou que não podemos aceitar o crime,  sobretudo de quem deve combater o crime.

Em muitos lugares do mundo existem monumentos ao soldado desconhecido, em homenagem à bravura dos anônimos que lutaram por uma causa que talvez nem soubessem direito qual era. Um monumento a essa mulher desconhecida deveria ser erguido na Zona Leste de São Paulo. Espero que não num cemitério.

Estadão





segunda-feira, 4 de abril de 2011

Bahia: campeã de assassinatos a gays

São Paulo é a "capital da intolerância", como afirmou um famoso blogueiro?

Parece que não.

Segundo o GGB, Grupo Gay da Bahia, a Bahia lidera o ranking da homofobia, com 29 homicídios cometidos em 2010, seguida por Alagoas, com 24, e São Paulo e Rio de Janeiro, empatados, com 23. 

Segundo Luiz Mott, antropólogo fundador do GGB, o risco de um homossexual ser assassinado no Nordeste é "80% maior do que no Sudeste", por causa da intolerância.

Leiam a notícia completa abaixo.



Número de assassinatos de gays sobe 31% no Brasil, afirma entidade

 

Segundo levantamento feito pelo GGB, houve 260 homicídios em 2010; Bahia lidera ranking dos Estados


04 de abril de 2011 | 13h 40

Tiago Décimo - O Estado de S.Paulo
 
SALVADOR - O Grupo Gay da Bahia (GGB) divulgou, na manhã desta segunda-feira, 4, que o montante de assassinatos de homossexuais, travestis e lésbicas aumentou 31,3% em 2010, em relação ao ano anterior, com 260 casos, ante 198 em 2009.

De acordo com o levantamento, realizado anualmente pelo grupo, desde 1980, o Estado que mais concentrou os homicídios foi a Bahia, com 29 registros, seguido por Alagoas, com 24, e São Paulo e Rio, com 23 cada. O estudo é realizado com base em notícias publicadas em jornais e sites.

O Nordeste, segundo o grupo, concentrou 43% dos homicídios contra integrantes das comunidades LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais). Segundo o antropólogo Luiz Mott, fundador do GGB, o risco de um homossexual ser assassinado no Nordeste é "aproximadamente 80% maior" do que no Sudeste, por causa da intolerância. "O Brasil é o campeão mundial de crimes homofóbicos", afirma Mott. "O risco de um homossexual ser assassinado no Brasil é 785% maior que nos Estados Unidos."

Segundo o presidente do GGB, Marcelo Cerqueira, o volume de assassinatos contra LGBT vem crescendo anualmente em todo o País, sem que a administração pública promova políticas de enfrentamento à violência. "Já recebemos documentação sobre 65 casos ocorridos apenas nos três primeiros meses deste ano", afirma. "É preciso que a homofobia seja punida severamente pela polícia e pela Justiça."






Quem recebeu Hebe e Shakira deve receber o MST...

Notícia no portal de O Globo informa que começou na Bahia o "Abril Vermelho", programa de invasão de propriedades rurais e outras manifestações que fazem parte da Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária, do MST. Três fazendas foram invadidas no sul do estado no fim de semana.

Gilmar Mauro, da direção do movimento, afirmou que o governo ignorou o pedido de reunião com a presidenta. Para forçar a abertura de diálogo e negociações, o MST dá início aos protestos, que incluem ocupações de órgãos públicos e marchas com membros do movimento em todo o Brasil. 

Nesses 100 dias de governo, a presidenta Dilma Rousseff já recebeu no Planalto muitos políticos, empresários, lideranças das centrais sindicais, Marta, jogadora de futebol, Shakira, cantora colombiana, estudantes da UNE que faziam manifestações nas proximidades do Palácio e até a primeira-dama da televisão brasileira, Hebe Camargo, a quem deu entrevista e com quem passeou de mãos dadas pelos jardins do Palácio da Alvorada. Sem contar que em "dia útil" e "horário de expediente", Dilma deixou Brasília, voou para o Rio de Janeiro e passou horas no Botanic Garden, de trololó com Ana Maria "Cansei" Braga e o Louro José, com direito até a "omelete de queijo" feito pela presidenta...

Presidenta Dilma: será possível erradicar a pobreza absoluta no Brasil sem fazer a Reforma Agrária? O MST, importante movimento social, reconhecido no mundo inteiro, não merece um espaço em sua agenda? Até quando o MST terá que "mendigar" uma audiência com a senhora, para tratar de assuntos que interessam a todo o País?

Com a palavra, a presidenta Dilma Rousseff.