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domingo, 27 de fevereiro de 2011

A sutileza dilmista

Assim como eu gostaria de ler artigo do veterano Mino Carta sobre a ida da presidenta Dilma Rousseff à festa dos 90 anos da Folha de S. Paulo, e saber de seu ponto de vista sobre a controversa participação e sobre as linhas do discurso onde Dilma enaltece o jornal e seu fundador, fiquei feliz em encontrar um texto do veteraníssimo Alberto Dines no Observatório da Imprensa.

Dines não se estende muito, mas viu pontos positivos na presença, atitudes e palavras da presidenta. E detectou alguns traços de uma provável "Doutrina Dilma para a Mídia".

Fiquemos atentos, então, às considerações do respeitadíssimo jornalista e "observador".




O recado da presidente

Alberto Dines


Comentário para o programa radiofônico do OI, 25/2/2011
A participação da presidente Dilma Rousseff nas comemorações dos 90 anos da Folha de S. Paulo ofereceu mais alguns elementos para compor uma "Doutrina Dilma para a Mídia".

A presidente concordou em escrever um texto sobre a efeméride no jornal, mas não mencionou o nome da Folha. Compareceu e discursou no evento na Sala São Paulo (segunda, 21/2) porque ali estavam representados todos os poderes, mas na sua oração embutem-se alguns reparos que não podem ser ignorados. O mais importante deles é a sua saudação a uma imprensa livre e plural.


Novas posições


 O adjetivo plural merece uma análise mais atenta porque raramente é utilizado nas proclamações a favor da imprensa. Ao contrário: sua utilização é mais frequente nos círculos e textos que criticam a concentração e a falta de diversidade da nossa mídia.

A sutil lembrança de que o primeiro periódico brasileiro foi impresso no exterior para escapar do controle da censura inquisitorial também não pode passar despercebida porque, em 2008, tanto a Folha como a maioria dos grandes veículos brasileiros ignoraram ostensiva e coletivamente os 200 anos da entrada do Brasil na Era Gutenberg.

De forma discreta, em clave baixa, a presidente Dilma Rousseff marca novas posições e demarca-se de outras sugerindo indiretamente à imprensa um comportamento menos badalativo e mais perspicaz, menos ruidoso e mais profundo.




Dilma na Bahia: o sertão vai "ferver"...

Depois do "beija-mão" no "andar de cima" (ou seria mais adequado "na cobertura"?), ao som de Villa-Lobos, na majestosa Sala São Paulo, na festa dos 90 anos da Folha, segunda-feira passada, a semana que se inicia promete emoções verdadeiras para a presidenta Dilma, que desembarcará nesta terça-feira em Irecê, em pleno sertão baiano.

Estão previstos um anúncio de reajuste para o programa Bolsa Família e inaugurações, dando início à semana de comemorações pelo Dia Internacional da Mulher. Afinal, 93% dos usuários do cartão do importante programa de distribuição de renda são mulheres.

Apesar de uma região conturbada pelos desequilíbrios climáticos e pelas disputas de poder, acreditamos que a presidenta Dilma se sentirá muito mais à vontade e confortável entre o povo simples e trabalhador, sendo acolhida sem artificialismos ou falsidades.

Abaixo artigo do escritor e jornalista baiano Vitor Hugo Soares a respeito da visita.


  

Visita ao andar de baixo


Antonio Cruz/Agência Brasil
Dilma pisará o solo de uma região emblemática de contrastes e confrontos da política e da economia no Nordeste
Dilma pisará o solo de uma região emblemática de contrastes e confrontos da política
e da economia no Nordeste

Vitor Hugo Soares

De Salvador (BA)


Na terça-feira que vem desembarca na Bahia, em sua primeira viagem ao estado depois da posse, a presidente Dilma Rousseff - ou presidenta para quem preferir, sem querer jogar mais fogo na fogueira de vaidades linguísticas que cerca o assunto desde antes de receber a faixa, em 1º de janeiro deste complicado e intrigante 2011.

A expectativa é de que Dilma trará um saco de guloseimas para adoçar a boca dos habitantes do andar de baixo, a começar pelo anúncio do novo teto do pagamento do programa Bolsa Família, pedra de toque do governo na área social, apontado como crucial para a ascensão de uma mulher pela primeira vez ao posto mais elevado da Nação.

Pela programação oficial, a presidente descerá na capital para uma cerimônia de inauguração ao lado do governador Jaques Wagner (PT) e aliados. Seu destino principal, no entanto, é a cidade de Irecê, a pouco menos de 500 quilômetros de Salvador, em pleno sertão baiano.

Dilma pisará o solo de uma região emblemática de contrastes e confrontos da política e da economia no Nordeste: dos jogos mais pesados e rasteiros de poder nos períodos de chuvas ou de secas; do mandonismo aberto no tempo dos antigos coronéis e chefes políticos, das pressões e tentativas de amedrontamento feitas pelos mandantes atuais, que seguem ameaçando e tentando intimidar os que se opõem, opinam ou simplesmente informam sobre desmandos éticos, políticos ou mazelas administrativas dos poderosos da vez.

É bem o caso das pressões levadas a efeito há duas semanas pelo prefeito petista do município, que, de dentro de um hospital da cidade, ameaçava por telefone um radialista. Este, no ar, apresentava um programa de notícias e comentários de grande audiência na região, e deu informações concretas sobre o abandono do hospital público e dos programas e atendimentos de saúde em Irecê.

As ameaças do prefeito petista ao radialista para que lhe fosse revelada a fonte da informação colhida no hospital caiu na web, graças a um vídeo postado no You Tube. O elevado número de acesso acabou dando ao fato repercussão estadual e nacional na semana passada. E ainda causa tremores e muito desconforto em arraiais do PT às vésperas da visita da presidente Dilma.

A chegada da presidente (a) no Estado e na cidade governados por seu partido está programada para acontecer exatamente dois meses depois de receber a faixa de comando do País. Dias depois de obter do Congresso sem muita conversa a aprovação do salário mínimo de R$ 545, ao mesmo tempo em que faz acenos de máxima austeridade nos gastos públicos, independência na política externa, defesa plena da liberdade de expressão e de imprensa, tudo envolto em discursos e acenos simpáticos e de linguagem agradável aos ouvidos dos habitantes do andar de cima.

Não só no âmbito da frágil e desconectada oposição, mas principalmente em setores mais nervosos e preocupados da aliança governista, já há quem enxergue semelhanças com a personagem de uma narrativa fantástica do argentino Julio Cortázar, incluída no livro "História de Cronópios e Famas": a membro da família que tinha medo de cair de costas.

"Há anos que a família luta para curá-la da obsessão, mas chegou a hora de confessar nosso fracasso. Por mais que nos esforcemos, a tia tem medo de cair de costas; e sua inocente mania nos afeta a todos, a começar por meu pai que a acompanha fraternalmente a toda parte e vai olhando o chão para que a tia possa andar despreocupada, enquanto minha mãe se esmera em varrer o pátio várias vezes por dia, minhas irmãs apanham as bolas de tênis com que se divertem inocentemente no terraço, e meus primos apagam todos os rastos atribuídos aos cachorros, gatos, tartarugas e galinhas que proliferam lá em casa. Mas de nada adianta, a tia só resolve atravessar os quartos depois de prolongada vacilação, intermináveis observações oculares e palavras desaforadas a qualquer menino que passar por lá nesse momento", escreve Cortázar em trecho marcante de sua narrativa impagável e exemplar.

Voltemos a Irecê, onde a presidente Dilma anuncia no dia 1º de março os novos valores para pagamento do Bolsa Família, em ato pensado para abrir as atividades relacionadas ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, e ao qual este ano o governo, por motivos óbvios, pretende emprestar relevância especial.

Dados do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome revelam que 93% dos usuários do cartão são mulheres. Por isso, o governo considera o programa crucial para melhorar a situação econômica das mulheres.

O Bolsa Família foi reajustado pela última vez em setembro de 2009. Os valores pagos hoje pelo programa variam de R$ 22 a R$ 220, dependendo da quantidade de filhos e da renda de cada família beneficiada. O valor médio pago pelo Bolsa Família é R$ 94. O valor do novo reajuste ainda não está definido. O martelo será batido em reunião da ministra de Desenvolvimento Social e Combate a Fome, Tereza Campello, com Dilma Rousseff, antes da viagem para o anúncio oficial.

Olhos na Bahia, portanto, que na terça-feira Irecê - antigo bastião do carlismo no sertão, tomado agora pelo PT - vai ferver.

A conferir.


Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site-blog Bahia em Pauta ( http://bahiaempauta.com.br/).

Portal Terra





sábado, 26 de fevereiro de 2011

Dilma e a "rebelião da toga"

Todos nós aguardamos com ansiedade o desfecho do "caso Battisti", que voltou ao STF por interferência do ministro Cezar Peluso. O presidente do Supremo, contrariando a expectativa de muitos ativistas e juristas, não libertou o escritor italiano Cesare Battisti após o presidente Lula decidir soberanamente por sua não extradição para a Itália.

Em início de governo, mais um "desafio" vindo do Judiciário é apresentado para a presidenta Dilma encarar.

Uma questão que envolve "reposição salarial", de cunho portanto econômico, está sendo colocada como questão política pela Associação dos Juízes Federais, envolvendo a relação independente e harmônica dos três poderes da República.

A AJF não aceita a decisão da presidenta Dilma de não negociar com a categoria, afirma que não se deixará intimidar e cogita colocar na interlocução com o governo o ministro da Defesa e jurista Nelson Jobim e o também jurista vice presidente Michel Temer.

Abaixo a notícia detalhada. Vamos acompanhar o desenrolar da questão aqui, e ver como se sai a presidenta Dilma diante das pressões e ameaça de uma eventual "rebelião da toga".



Juiz insinua que governo trata categoria como sindicato de motorista


Presidente da Associação dos Juízes Federais afirma que Planalto não pode igualar Judiciário a outras categorias; sindicato de motoristas promete processo


Fausto Macedo/O Estado de S. Paulo

A toga se declarou nesta sexta-feira "perplexa, chocada" com a decisão da presidente Dilma Rousseff (PT) de não negociar com a categoria, que reivindica reajuste de 14,79% a título de reposição de perdas inflacionárias. "O governo não pode tratar sua relação com outro poder, que é independente, como se estivesse negociando com sindicato de motorista de ônibus", declarou o presidente da Associação dos Juízes Federais, Gabriel Wedy.

Para Wedy, "o governo precisa evidentemente fazer essa distinção, não pode desconhecer o magistrado como agente político do Estado". A entidade subscreve mandado de injunção ao Supremo Tribunal Federal, por meio do qual os magistrados pleiteiam a reposição sob argumento de que a omissão do Congresso lhes subtrai direito constitucional de irredutibilidade de vencimentos.

Em agosto de 2010, o STF enviou projeto de lei ao Legislativo reivindicando os quase 15%, mas não houve resposta até agora dos parlamentares. A pretensão dos magistrados esbarra na disposição do Palácio do Planalto de promover um ajuste nas contas públicas após o corte de R$ 50 bilhões do orçamento.O governo avisa que não vai se curvar a pressões.

"Ficamos impressionados com essa reação do governo em início de gestão dizendo que vai ficar mais um ano descumprindo a Constituição", afirma Gabriel Wedy. "O governo foi muito inábil, com uma declaração duríssima." "Causa espanto o governo nos comparar a outras categorias", insiste. "Falta tato político ao governo. É importante que a presidente Dilma realize uma interlocução de forma mais qualificada com o STF e com a magistratura do País. Não se está discutindo aumento de salário, mas a funcionalidade do teto constitucional."

Os magistrados elegeram o ministro Nélson Jobim (Defesa) para o papel de negociador e vão pedir a ele que aceite a missão. Na próxima semana vão solicitar reunião com Jobim, a quem consideram qualificado para levar ao governo os argumentos e as razões da classe. Jobim foi ministro da Justiça e presidente do STF. "Ele criou o teto constitucional, quando presidiu o Supremo", destaca Wedy. "É muito respeitado por toda a magistratura e pode resolver esse impasse pela habilidade que tem como jurista e constitucionalista. Pode assessorar a presidente Dilma, tem o perfil ideal."

Michel Temer, vice presidente da República, também poderá ser assediado, segundo planeja a toga. "Temer pode auxiliar o governo para a elevação do nível do debate como constitucionalista que é, tornando-o mais técnico, qualificado e menos emotivo", avalia o presidente da associação dos juízes. "Queremos resolver o impasse."

Os juízes consideram o teto moralizador. "Quando o teto para o funcionalismo foi criado tinha servidor público que ganhava R$ 80 mil de salário", anota Wedy. "Nós defendemos o teto. A questão envolve muito mais direito constitucional do que economia. Por isso, precisamos qualificar o debate."

"O governo não pode ignorar o fato de que os juízes são agentes políticos do Estado com garantias constitucionais que não são nossas, mas da sociedade", adverte o presidente da Associação dos Juízes Federais. Essa declaração de endurecimento do governo, esse tipo de balão de ensaio largado pelo governo não vai nos intimidar, não vai fazer com que a gente pare de negociar." Para os juízes, "a negociação entre um poder de Estado e outro se dá em moldes diferentes da relação entre o governo e um sindicato".

Wedy observa que consta do artigo 2.º da Constituição que os poderes são independentes e harmônicos. "O governo precisa ter a dimensão que está negociando com um outro poder de Estado, que é o STF."

(colaboração Lucas de Abreu Maia)

Portal O Estado



sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Dilma na Folha: a "mineiridade" explica...

Andei lendo muita coisa na blogosfera sobre a polêmica ida da presidenta Dilma na festa dos 90 anos da Folha de S. Paulo, e reproduzo abaixo comentário de um leitor do Blog do Mello, sr. Giovani, a respeito.

Não deixa de ser um ponto de vista interessante, curioso, que vale a pena ser considerado.



Mello,

 
Eu sou mineiro e vou dizer a você como funciona a cabeça dos mineiros.


O que a Dilma fez foi dar um "rabo-de-vaca" (drible do futebol) na velha mídia. Ela finge que vai para um lado e na verdade, move-se para o outro lado.

Como assim?

É assim que o mineiro age? Sim. Ele faz você pensar que está concordando com tudo o que você está fazendo e falando, porém, enquanto isso, sozinho, longe das câmeras, sem alarde, ele tece os seus próprios planos...

Traição... dirão uns.

Duas caras... dirão outros.

Desonestos... gritará alguém.

Desconfiado... respondo eu.

A questão é simples:

Eles fizeram o convite justamente para que ela declinasse!!! Assim eles - velha mídia - teriam carta branca para sentar o pau e começar a distenção.

Como a Dilma não é boba, nem nada, tratou de ir e FAZER BONITO.

O que vai acontecer é que a Dilma vai atender, A TODOS OS VEICULOS, sempre que solicitada. Porém, deixará sempre o seu ponto de vista. Eles - velha mídia - ficarão com a pulga atrás da orelha...

Aí.... quando a situação do SBT for definida...

Aí.... quando o PNBL for implantado...

Aí... quando a internet tiver a força necessária...

Aí... quando a questão do campeonato brasileiro for definida...

Aí... quando o Estadão pedir concordata...

Aí... a Dilma terá as ferramentas para enfraquecer mais um pouco a velha mídia.

Não será no governo dela que teremos ainda - infelizmente - a democratização dos meios de comunicação. Vai demorar mais um pouco.

Isso não se faz, na base da birra... da cara feia... do agora você me paga!!!

Temos que criar alternativas para o povo. (A internet seria uma delas)

Queira você ou não, temos assuntos mais importantes no Brasil do que se preocupar com o que o William Bonner diz ou deixa de dizer no JN. Aliás ele já é passado...

Enfim, mineiramente a Dilma criará, do JEITO dela, os caminhos para essa transformação.

Continue vigilante.

Você é uma peça importante deste jogo.

Apenas tenha paciência e tente entender como os mineiros jogam esse jogo. É diferente dos paulistas, diferente dos cariocas...

A última vez que um mineiro foi presidente, ele criou o Real (Itamar Franco) e antes deste, JK, apenas mudou a capital do país de lugar.

Não duvide da capacidade dos mineiros.

Obs: O menino do rio (Aécio Never) não serve como exemplo de político mineiro. Ele é apenas o mal a ser combatido diariamente.












Raiou a manhã

Aos meus companheiros e companheiras de jornada...

o meu carinho.





Morning has broken  Raiou a manhã   Cat Stevens

MORNING HAS BROKEN  Raiou a manhã

LIKE THE FIRST MORNING 
Como se fosse a primeira
BLACKBIRD HAS SPOKEN 
O pássaro cantou
LIKE THE FIRST BIRD 
Como se fosse o primeiro
PRAISE FOR THE SINGING  Louvamos
o canto
PRAISE FOR THE MORNING  Louvamos a
manhã
PRAISE FOR THEM SPRINGING  Louvamos o
brotar dessas coisas
FRESH FROM THE WORLD 
Recém-chegadas ao mundo
SWEET THE RAIN'S NEW FALL 
Docemente cai a primeira chuva
SUNLIT FROM HEAVEN 
Iluminada pelos céus
LIKE THE FIRST DEW FALL
Como o primeiro orvalho
ON THE FIRST GRASS  Sobre
a primeira grama
PRAISE FOR THE SWEETNESS OF THE WET GARDEN  Louvamos a
doçura do jardim orvalhado
SPRUNG IN COMPLETENESS 
Brotado por completo
WHEN HIS FEET PASS 
Quando Ele passa
MINE IS THE SUNLIGHT 
Minha é a luz do sol
MINE IS THE MORNING 
Minha é a manhã
BORN OF THE ONE LIGHT EDEN SAW PLAY  Nascida de uma luz que o
 Éden viu vibrar
PRAISE WITH ELATION  Louvamos
com alegria
PRAISE EVERY MORNING
  Louvamos cada manhã
GOD'S RECREATION OF THE NEW DAY 
A recriação divina de um novo dia







quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Dilma e a "Brava Gente Brasileira"

Às vezes, quando passamos por algum problema, algum aborrecimento ou contratempo, precisamos recorrer a uma "compensação", que nos conforte, nos devolva o equilíbrio, a alegria...

Acontece muito com nós, mulheres. E aí, um presente, singelo que seja, que se dá a si mesma, pode ser a saída.

No meu caso não funciona muito. Pra mim, a palavra mágica é "chocolate"...

E como agora de manhã não vejo nenhum bombom, nenhum tabletinho que seja da iguaria, aqui por perto, para devorar, me ocorreu "compensar" os aborrecimentos dos últimos dias "provocados" pela presidenta Dilma, recorrendo a ela mesma...

Quem me acompanha aqui, meus "companheiros de jornada na blogosfera", não "seguidores", mas companheiros, quem me acompanha sabe que sou fã da presidenta, que desde meados de outubro estou aqui diariamente, me empenhando para que a belíssima história de vida dela continue sempre ascendendo... para o bem do País e de todos nós, claro!

Pra mim foi duríssimo vê-la aos beijos e abraços com as cobras criadas da escumalha político-midiática, seus algozes. Nossos algozes. Algozes do povo brasileiro.

Então... pra levantar do "tropeço", reequilibrar, continuar a caminhada... não havendo um pedaço sequer de chocolate, fui buscar amparo nela mesma. Fui buscar alguns de seus recentes "melhores momentos".

"Mulher não é só coragem. É carinho também", afirmou emocionada a presidenta em seu discurso de posse.

Então... publico abaixo algumas imagens dela, para trazer a todos nós um pouco de alento, um tanto de carinho, para aquecer, confortar e colocar um pouco de alegria nos nossos corações.


Dilma e a "Brava Gente Brasileira"


Presidenta Dilma Rousseff cumprimenta atletas paraolímpicos durante encontro no Palácio do Planalto _(Brasília, DF, 02/02/2011) _ Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Presidenta Dilma Rousseff recebe, no Palácio do Planalto, a delegação brasileira de atletas paraolímpicos _(Brasília, DF, 02/02/2011) _ Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Presidenta Dilma Rousseff e a atleta Terezinha Guilhermina durante encontro com a delegação brasileira de atletas paraolímpicos, no Palácio do Planalto _(Brasília, DF, 02/02/2011) _ Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Presidenta Dilma Rousseff posa para foto com a delegação brasileira de atletas paraolímpicos durante encontro no Palácio do Planalto _(Brasília, DF, 02/02/2011) _ Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Fotos de Roberto Stuckert Filho/PR, dia 2 de fevereiro de 2011, quando a presidenta Dilma recebeu no Planalto a vitoriosa delegação de atletas paraolímpicos.




quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Dilma e a festança da ditadura midiática

E hoje o conhecido jornalista e blogueiro Altamiro Borges se manifestou sobre a ida da presidenta Dilma à festa dos 90 anos do jornal Folha de S. Paulo.

Vejam os leitores que o que a reles blogueira disse aqui, as críticas e reflexões que fez em vários posts, na segunda, terça e hoje, estão muito próximas das do experiente jornalista.

Infelizmente a luz amarela acendeu...


E Dilma foi à festa dos algozes da Folha


Por Altamiro Borges

O exercício de poder produz cenas constrangedoras! A presença de Dilma Rousseff na festa dos 90 anos da Folha é um exemplo típico do chamado “cretinismo institucional”. No passado distante e recente, este veículo esteve em campos diametralmente opostos ao da atual presidenta. Hoje, ele tenta disfarçar o seu oposicionismo. Amanhã, quem sabe como se comportará!

A ditadura no passado distante

No passado distante, a Folha foi um dos baluartes da direita brasileira. Em manchetes e editoriais, ela clamou pelo golpe militar de 1964; ajudou a criar um clima de instabilidade no país para justificar a deposição ilegal do presidente João Goulart. Depois, o seu fundador, Otávio Frias, foi um dos principais aliados dos “generais de linha dura”. A empresa chegou a ceder as suas peruas para transportar presos políticos à tortura. Já nos estertores do regime militar, ela mudou de lado e abraçou a bandeira das Diretas-Já.

Neste período sombrio, a jovem militante Dilma Rousseff participava da resistência à ditadura. Com diferentes métodos de luta, num contexto totalmente adverso, vários patriotas e democratas deram sua vida pela democracia no Brasil. A atual presidenta foi presa e torturada. Escapou da morte por pouco. Para o “seu” Octávio, chefão da Folha, Dilma Rousseff seria mais uma “terrorista”, “subversiva”, “comunista” – apta a ser enviada ao pau-de-arara, a levar choques elétricos, a figurar na lista dos “desaparecidos”.

O golpismo no passado recente

Superada a ditadura, a Folha manteve sua visão de classe. O ecletismo da sua linha editorial só serviu para ludibriar os ingênuos. Conquistada a eleição direta, o jornal elitista e preconceituoso fez de tudo para evitar a chegada do “peão” Lula à presidência. No reinado de FHC, ele foi um defensor militante dos dogmas regressivos e destrutivos do neoliberalismo. A partir da vitória de Lula, em 2002, o diário deixou de lado o seu falso pluralismo e abusou do denuncismo vazio, do oposicionismo golpista.

Para evitar a continuidade do ciclo político aberto pelo operário-presidente, a Folha estampou na capa uma ficha policial fajuta de Dilma - lembrando as manchetes contra os “terroristas” do finado “seu” Frias. O jornal blindou o demotucano José Serra e virou quartel-general da sua candidatura. Seus colunistas de aluguel tentaram justificar o soldo. Josias de Souza, o carona de FHC, não vacilou em usar estereótipos machistas – termos como vadia e vagabunda. Eliane Cantanhêde vibrou com a “massa cheirosa” do PSDB.

Manobra tática ou cedência estratégica?

Toda esta tenebrosa história, distante e recente, foi deixada de lado na festança dos 90 anos do jornal. Os mais otimistas afirmam que Dilma cumpriu o seu papel de chefe de estado, que não tinha como evitar o ritual – junto com ela estiveram os presidentes do Senado e da Câmara, ministros do STF e lideranças políticas de distintos partidos. Já os mais incrédulos criticam a participação da presidenta na homenagem aos algozes da Folha. Alguns suspeitam que sua atitude sinalize nova cedência aos barões da mídia.

Ainda é cedo para tirar conclusões taxativas sobre o significado do seu gesto. A presidenta pode ter decidido ir à “toca dos leões” numa tática para neutralizar ou minimizar os ataques deste veículo. Momentaneamente, a sua visita “diplomática” colocaria na defensiva os filhos do “seu” Frias – e, de quebra, o conjunto da mídia e de seus “calunistas”. Josias de Souza virou fã da Dilma; até o Estadão elogiou a festa do seu rival. Leitores mais hidrófobos devem ter entrado em parafuso. Essa é a hipótese mais otimista.

Um discurso ensaboado

A mais pessimista analisa o gesto não como uma manobra tática ou obrigação de uma estadista, mas sim como opção estratégica de evitar confrontos com os barões da mídia. Numa visão tecnicista e administrativista, Dilma estaria evitando qualquer “marola” – seja com a imprensa golpista ou com o “deus-mercado” (vide o aumento dos juros, o corte dos gastos públicos e a refrega do salário mínimo). Corrobora com esta visão mais negativa o próprio discurso da presidenta no evento festivo – veja íntegra abaixo [já publicado pelo ABC!].

Dilma nada falou sobre seu compromisso de campanha de promover mudanças no marco regulatório para democratizar os meios de comunicação. Nem sequer citou a projeto do seu antecessor sobre regulação da mídia. Ao fazer tantos elogios à Folha, ela não fez sequer uma crítica aos monopólios e às manipulações midiáticas. E a presidente ainda insistiu no erro conceitual ao confundir liberdade de imprensa – que serve hoje unicamente aos monopólios midiáticos – com a garantia da plena liberdade de expressão.

Em síntese, a festança da Folha revela que a ditadura midiática continua exercendo forte poder político e enorme capacidade de sedução – ou de intimidação. Dilma Rousseff, que foi vítima destas corporações no passado distante e recente, parece que ainda carece de uma melhor estratégia para o setor. Em festa, hoje a Folha bajula e acaricia. Amanhã, caso não dobre e enquadre a nova presidenta, o jornal poderá voltar novamente chamá-la de “terrorista”. Aí poderá ser tarde demais para mudanças!