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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Alencar e Dilma: política e carinho

"Esta, às vezes, dura caminhada me fez valorizar e amar muito mais a vida e me deu sobretudo coragem para enfrentar desafios ainda maiores. Recorro mais uma vez ao poeta da minha terra:
“O correr da vida” – diz ele – “embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.
É com essa coragem que vou governar o Brasil.
Mas mulher não é só coragem. É carinho também."

                    (Dilma Rousseff, discurso de posse no Congresso Nacional)



Reproduzo abaixo parte de notícia do Portal iG sobre a visita da presidenta Dilma ao ex-vice-presidente José Alencar, ontem, em São Paulo.

Também de momentos de ternura e carinho vive a política.


Presidenta Dilma Rousseff e o ministro Gilberto Carvalho durante visita ao ex-vice-presidente José Alencar no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo
                                                                                   Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Emocionado, Alencar canta "A Flor e o Espinho" para Dilma


"Tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor", diz a música que ex-vice cantou na UTI do hospital


Ricardo Galhardo, iG São Paulo | 10/02/2011


Internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital Sírio-Libanês, na capital paulista, o ex-vice-presidente José Alencar recebeu hoje a visita de Dilma Rousseff. No quarto, Alencar cantou três músicas para a presidenta, entre elas "A Flor e o Espinho", de Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha. "Tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor", diz a letra. Segundo o iG apurou, Dilma, Alencar e todos os que se encontravam no quarto choraram com a homenagem.

A canção foi a forma que Alencar encontrou de comemorar a vitória de Dilma na disputa presidencial. Ele havia prometido a ela que dançaria um samba em homenagem ao Rio de Janeiro e um xaxado em homenagem ao Nordeste, lugares onde o apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua sucessora foi determinante para o resultado das eleições.

Como Alencar não está em condições de dançar, ele cantou segurando Dilma pela mão.

No encontro de hoje, o ex-vice disse à Dilma ter "absoluta confiança de que o País está em boas mãos” e que sabe que ela "fará um grande governo". Neste momento, Dilma chorou novamente.





 

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Dilma: primeiro pronunciamento na TV

A presidenta Dilma Rousseff fez hoje seu primeiro pronunciamento ao povo brasileiro em cadeia de rádio e televisão. A propósito da volta às aulas em todo o País, a presidenta falou sobre "Educação".




Dilma começou saudando pais, estudantes e especialmente os professores pelo início do ano escolar, e convocou todos para unidos dar um "salto de qualidade" na Educação.

Investir na melhoria das condições de trabalho dos professores, aumentar o número de creches, acabar com a progressão automática, criar mais escolas técnicas, melhorar todos os níveis de ensino, acelerar a inclusão digital e implantar a internet rápida, com prioridade nas escolas públicas, eliminar falhas do Enem e Sisu foram alguns dos compromissos firmados pela presidenta em sua fala à nação.

"Esta é a grande hora da Educação brasileira", afirmou Dilma.

Continuando seu pronunciamento, a presidenta lembrou que a principal luta do seu governo é o combate à miséria. E que a educação é ferramenta decisiva para superar a pobreza.

A presidenta apresentou, então, a nova marca do governo federal, o que ela chamou de "lema de arrancada" do seu governo:

                   

Finalizando, a presidenta Dilma lembrou que com os esforços de governo e sociedade na superação da miséria, "a única fome deste país será a fome do saber, a fome de grandeza, a fome de solidariedade e a fome de igualdade".

"PAÍS RICO É PAÍS SEM POBREZA"

Apresentada hoje pela ministra Helena Chagas da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República a nova marca do governo federal, criada pelos publicitários João Santana e Marcelo Kertész.






Democracia planetária

Depois do encontro do poder econômico em Davos, Suíça, ao longo desta semana acontece em Dakar, Senegal, o que realmente importa: o encontro da sociedade civil planetária em todos os seus matizes étnicos, ideológicos, culturais, religiosos etc. A diversidade, a pluralidade e a democracia planetária se reunem na África.

Um Outro Mundo é Possível.

Leia abaixo.



A vez da sociedade civil

  


Fórum Social Mundial discute os novos caminhos para o futuro da humanidade.


Fórum Social Mundial discute os novos caminhos para o futuro da humanidade



De Davos na Suíça para Dacar no Senegal. Do frio congelante da Europa, para o calor escaldante da África. Essas são algumas, mas certamente não as maiores diferenças entre o Fórum Econômico Global encerrado na semana passada e o Fórum Social Mundial que está sendo realizado nestes dias. Elas, sem dúvida, vão muito além de questões geográficas e climáticas.

Ambos os encontros tem a nobre missão de discutir, refletir sobre atuais e futuros caminhos para a humanidade. E, terminam aí as suas semelhanças. Davos teve como protagonistas as cerca de 2.500 lideranças empresarias, executivos representantes do poder econômico mundial. Já o fórum de Dacar terá em torno de 100 mil participantes representantes de uma gama variada de etnias, ideologias, culturas, religiões, enfim de uma enorme diversidade que compõe boa parte da sociedade civil planetária. Um espaço aberto de discussão heterogêneo, plural e participativo.


PALCO DA PLURALIDADE

O Fórum Social Mundial tem sido palco em suas diversas edições, de uma série de propostas que colocam o ser humano no centro do processo. São propostas e caminhos que tem em comum, o fato de colocar a economia a serviço do homem e não o homem a serviço da economia. 

Entre as reflexões que definem o fórum está a busca por organizar a sociedade de uma maneira que ela seja capaz de atender as necessidades humanas. Daí vem o slogan sempre presente nesses encontros da construção de, “um outro mundo possível”. Do desenvolvimento de projetos alternativos para um novo modelo civilizatório.

EXEMPLOS

Vale destacar, como exemplo, algumas das discussões que fazem parte do fórum nesses dias:

Princípios para um novo paradigma de civilização,  que tem como objetivo superar as rupturas com a biosfera criando as condições para harmonizar as necessidades de sustentabilidade do planeta com as necessidades de desenvolvimento. Colocar na mesma agenda, o impulso as forças produtivas ao lado da implementação de justiça social, ética, integridade e transparência.

Diálogo, articulação e construção de plataformas de ação, na busca por uma nova relação entre governos e sociedade civil. Uma nova cultura política baseada na ética, transparência, horizontalidade e compartilhamento do conhecimento.

A crítica contundente é outro aspecto marcante do Fórum Social Mundial. Um painel denominado Críticas aos ideais civilizatórios de crescimento e progresso, afirma que o atual modelo de desenvolvimento e crescimento desordenado é responsável por destruições, exclusões e desigualdades. Pelos problemas climáticos e a agressão aos limites do planeta.  Um modelo que valoriza mais o “ter” do que o “ser”.

Chama ainda a atenção propostas polêmicas como a de crescimento zero que visa antes do puro e simples crescimento econômico, a redução da pobreza, das desigualdades e a busca por melhorias na qualidade de vida das pessoas.  


FSM: Rico, plural e democrático

Independentemente dos resultados obtidos no curto prazo, o Fórum Social Mundial é um espaço onde ocorrem momentos inspiradores capazes de trazer à tona, questões importantes sobre o papel a ser desempenhado por governos, empresas e sociedade civil.  Papel que deve levar em conta, acima de tudo, a valorização da diversidade humana baseada em visões de mundo diferentes.

 
Reinaldo Canto é jornalista com 30 anos de profissão. Trabalhou em emissoras de rádio e TV, Record, Globo, SBT, Bandeirantes e Jovem Pan, entre elas. Atuou como assessor de imprensa de grandes empresas. Especializou-se em sustentabilidade e consumo consciente, foi diretor de Comunicação do Greenpeace, coordenador de comunicação do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente e correspondente da Envolverde, Carta Capital e mídias ambientais na COP-15 em Copenhague. É colaborador da Envolverde.

Dilma e Kassab? Nada a ver...

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, quer sair do "moribundo" DEM. E quer também ficar longe do outro "moribundo": José Serra. Pelo menos é o que sugere o noticiário da mídia tradicional, há muitas semanas. As "movimentações" do prefeito indicam isso.

Só alguns setores da blogosfera dita "progressista" continuam dando "quórum" para o "cadáver político" José Serra, que nem no PSDB anda encontrando espaço. Nem na velha mídia. Mas em alguns blogs Serra, perdedor, derrotado, "não sai de cena". Engraçado...

Voltando ao prefeito: Kassab tem feito sondagens junto ao PMDB... tudo a ver, no nosso modesto entendimento. E nos últimos dias, pasmem, anda cogitando se filiar a partidos da esquerda, como PSB e PCdoB! Deus os livre e guarde!

Não sou filiada a partido algum. E nem pretendo ser. Sou uma livre-pensadora, como diz meu perfil aqui do lado. Sempre fui. Quero me manter independente, com uma visão aberta sobre tudo, sem "carteirinha", sem "crachá" de partido algum, de grupelho nenhum. Me considero socialista. Para mim, todos e todas são iguais. Perante a Lei, perante qualquer "autoridade" ou divindade. E como todas e todos são iguais, devem ter acesso às mesmas oportunidades, aos mesmos direitos e deveres de qualquer cidadão. Sem privilégios. Sem protecionismos.

Voltando ao prefeito: fala-se também que Kassab anda cogitando fundar um novo partido. Talvez tenha encontrado portas fechadas nos partidos de esquerda. Tomara! Para tais partidos e seus seguidores acredito que seja a melhor saída.

O oportunista e adesista Kassab, agora que constatou a força de Lula e Dilma, que pode comandar o Brasil pelos próximos oito anos (por que não?), quer mais é encontrar apoio para continuar, sob os holofotes, seu projeto mesquinho de "alpinismo" político.

São Paulo merecia prefeito melhor. Já teve grandes: Prestes Maia, Faria Lima, Luiza Erundina, Marta Suplicy. E já teve descalabros também: Maluf, Pitta e este agora...

A política não é feita com o "fígado", dizem. Esta reles blogueira, nada política, se pudesse aconselhar a presidenta Dilma, diria a ela para ficar longe do prefeito de São Paulo, relacionando-se com ele apenas "administrativamente", em benefício dos brasileiros e brasileiras de São Paulo. Nada mais.

A presidenta Dilma, em função da governabilidade e tudo o mais, já tem que "engolir muitos sapos" peemedebistas. Kassab não lhe trará nada de positivo. Até porque, se São Paulo tiver juízo, começará a se livrar dele e do tucanato nas próximas eleições.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

"Apagão": Dilma cobra melhores explicações

Parece que a presidenta Dilma não ficou nada satisfeita com as explicações técnicas dadas na segunda-feira, 7, pelo ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, sobre as causas do apagão-blecaute-interrupção de energia que aconteceu na madrugada da última sexta-feira em oito estados do Nordeste, afetando 46 milhões de pessoas. Alterando a agenda, Dilma convocou o ministro e outros dirigentes do setor elétrico para uma reunião no final da tarde de ontem, no Planalto.

A presidenta, que conhece muito bem o sistema elétrico brasileiro graças à sua atuação à frente do Ministério das Minas e Energia, quer explicações mais convincentes. Até porque um "mini-apagão" aconteceu ontem no meio da tarde na cidade de São Paulo, causando transtornos.

O que disseram alguns sites jornalísticos ontem à noite, com destaques nossos:

"Tânia Monteiro, da Agência Estado

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff convocou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão e dirigentes do setor elétrico para cobrar explicações sobre o que realmente causou o apagão no Nordeste na semana passada, atingindo oito estados e prejudicando 46 milhões de pessoas.

O motivo da convocação de todos ao Planalto, segundo fontes, foi a insatisfação da presidente com as explicações dadas pelo ministro Lobão, ontem, de que o motivo do apagão teria sido a falha em um cartão de proteção do sistema.

Dilma quer um detalhamento maior sobre o que houve de fato, se houve falha humana ou em que parte especificamente do sistema, porque não se sentiu convencida das razões apresentadas pelo ministro."



"Dilma se reúne com Lobão e diretores do setor elétrico


Presidente mudou agenda no final da tarde, mas pauta não foi divulgada.
Encontro no Palácio do Planalto teve quase três horas de duração.

Do G1, em Brasília

A presidente Dilma Rousseff se reuniu por quase três horas no início da noite desta terça-feira (8) com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e dirigentes do setor elétrico no Palácio do Planalto. A reunião não estava na agenda inicial da presidente, que foi alterada no final da tarde. O Planalto não informou a pauta do encontro.

Lobão deixou a reunião pela saída privativa do Planalto. Os demais participantes da reunião, entre eles o diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Ubner, e o presidente da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), Dilton Daconti, também não deram declarações."




"Dilma convoca reunião com setor elétrico sobre apagões


Presidente não se convenceu com explicações dadas por ministro

Gustavo Gantois, do R7, em Brasília

A cúpula do setor elétrico chegou no final da tarde desta terça-feira (8) ao Palácio do Planalto para uma reunião de emergência com a presidente Dilma Rousseff na qual apresentará um detalhamento sobre o apagão que atingiu oito Estados do Nordeste na semana passada. De acordo com o presidente da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Nelson Hubner, diferentemente do apagão que atingiu 40% do país em 2009, desta vez as razões serão divulgadas mais rapidamente.
- Será mais simples. Não foi um problema que atingiu a dimensão da falha registrada em 2009, então será mais rápido.

O presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Maurício Tolmasquim, disse ao R7 que o encontro foi convocado por Dilma para que fossem apresentados razões sobre as eventuais panes que resultaram no blecaute. Oficialmente, o Ministério de Minas e Energia argumenta que o problema foi causado por um defeito no cartão de proteção da subestação de Luiz Gonzaga, em Jatobá, no interior de Pernambuco. Até o momento, no entanto, o governo não explicou porque houve essa falha.

É exatamente isso que tem incomodado a presidente. De acordo com assessores, Dilma não se convenceu de explicações que foram dadas sobre o tema e cobrou dos responsáveis do setor elétrico justificativas melhores para o problema.

A reunião não estava prevista na primeira versão da agenda de Dilma e assessores da Presidência garantem que a presidente ficou ainda mais irritada quando soube do blecaute que atingiu parte do Estado de São Paulo na tarde desta terça-feira. Nos bastidores, é evidente o desagrado da presidente com a condução da política energética, justamente o setor em que ela se especializou na política.

Além de Lobão, Hubner e Tolmasquim, estão reunidos com Dilma, o presidente da Chesf (Companhia Hidreletrica do São Francisco), Dilton da Conti, e o diretor-presidente do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Hermes Chipp."






terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Prêmio Nobel iraniana pede apoio de Dilma

Direitos Humanos é um tema muito caro à presidenta Dilma, como ficou claro em vários de seus pronunciamentos desde a posse, e até antes. Por sua história de vida e de luta contra a opressão, a intolerância, o arbítrio, o que a levou a ser perseguida, presa e seviciada ainda muito jovem, no início dos anos 70.

No plano internacional, em entrevista ao jornal americano Washington Post, no início de dezembro último, Dilma se mostrou sensível, inclusive, à situação da iraniana Sakineh Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento, apenamento que vem gerando manifestações de protesto e repúdio no mundo todo já há muitos meses.

A presidenta Dilma certamente terá nos Direitos Humanos um foco importante do seu governo, mas é claro que o Brasil não poderá se tornar uma espécie de agência internacional de certificação da situação dos DHs no mundo, como afirmou o assessor especial da Presidência ministro Marco Aurélio Garcia dias atrás.

A presidenta não compactuará com violações de direito e sempre manifestará seu ponto de vista, desde que isso não implique intervenção em assuntos internos de qualquer país e não venha provocar conflitos na política externa brasileira.

Por outro lado, é animador perceber que a presidenta Dilma é vista como "companheira de luta" por perseguidos e injustiçados e por defensores de direitos humanos no mundo todo, como mostram o encontro de Dilma com as Mães da Praça de Maio, em Buenos Aires, e as cartas que a presidenta vem recebendo de lideranças iranianas, por exemplo, como a que publicamos abaixo.

Na carta, a advogada e Prêmio Nobel iraniana Shirin Ebadi cumprimenta Dilma pela vitória nas eleições, se solidariza pelas vítimas nas catástrofes provocadas pelas chuvas na região serrana do Rio de Janeiro, e informa a presidenta Dilma da existência de "leis antimulheres" e de outras vítimas de violações de direito no Irã, além de Sakineh. A advogada chama também a atenção da presidenta para outras penas bárbaras no Irã além do apedrejamento, como amputação de membros, açoitamento e, pasmem, crucificação!



31 de janeiro de 2011

Estimada sra. Dilma Rousseff,

Respeitada Presidente do Brasil,

Como uma iraniana advogada dos direitos humanos e Prêmio Nobel da Paz, eu estou muito feliz em vê-la se tornando a primeira mulher eleita presidente do Brasil. Essa é uma razão de grande alegria e eu a cumprimento e a todas as mulheres pela vitória. Ao mesmo tempo, estou entristecida pela grande perda de vidas de seus compatriotas durante as enchentes recentes; por favor aceite minha profunda solidariedade.

Estimada sra. Presidente,

O seu país é membro do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas e participará nessa qualidade da sessão do organismo em março próximo. Devido a numerosos pedidos feitos a mim por um grande número de iranianos, eu considerei necessário informá-la da situação legal das mulheres em meu país.

O Irã é um país de 75 milhões de pessoas, metade das quais são mulheres. As mulheres iranianas são instruídas e bem sucedidas, de tal modo que 60% dos estudantes universitários são mulheres. Há cerca de 50 anos, as mulheres iranianas ganharam seu direito de voto e têm sido eleitas para o Parlamento. As mulheres iranianas têm presença ativa em todas os níveis das instituições administrativas e sociais.

Infelizmente, apesar das conquistas sociais e culturais das mulheres, desde a Revolução de 1979 foram adotadas leis discriminatórias de gênero que sofrem a veemente oposição das mulheres iranianas e têm sido causa de grande preocupação para elas.

Eu gostaria de trazer brevemente a sua atenção algumas dessas leis antimulheres:

Segundo o Código Penal Islâmico, a vida de uma mulher vale metade da de um homem. Isso significa que, se homens e mulheres forem vítimas de ferimentos similares ou morreram devido a um ato criminoso, a compensação paga aos homens é o dobro da paga às mulheres e seus herdeiros (em caso de morte).

De acordo com o mesmo Código, o testemunho de uma mulher num tribunal vale metade do de um homem.

Segundo a Lei de Família, um homem pode ter quatro mulheres e divorciar-se de qualquer uma delas sem nenhuma causa. Mas obter o divórcio é extremamente difícil para as mulheres e algumas vezes impossível.

De acordo com o Código Civil, o marido é o chefe da família. Uma mulher casada que deseja obter um passaporte ou viajar deve primeiro obter um consentimento escrito do marido.

Estimada sra. Presidente,

As mulheres iranianas saúdam sua oposição ao apedrejamento de uma de suas compatriotas, Sakineh. Tristemente tenho que informá-la que não é apenas Sakineh, mas, segundo informes que eu recebi, há atualmente mais de dez mulheres e homens em prisões iranianas esperando essa punição.

Depois da Revolução de 1979, não apenas o apedrejamento foi introduzido no Código Penal do país, mas também punições como as amputações de membros, crucificação e açoitamento, que foram adotadas e aplicadas.

Segundo o Código Penal Islâmico, a idade de responsabilidade criminal para as meninas é de 9 anos e para os meninos de 15 anos. Desse modo, se uma pessoa de 10 anos comete um crime, a lei trata e pune o acusado do sexo feminino de modo similar a um acusado de 40 anos. Devido a essa lei, pessoas que cometem um crime quando têm menos de 18 anos são executadas regularmente. O Irã executa mais acusados menores de idade do que qualquer outro país do mundo.

A lei iraniana prescreve a pena de morte para 37 crimes, incluindo consumir bebidas alcoólicas, o que é punido com 80 chibatadas nas três primeiras ocorrências, e depois com a pena de morte depois da quarta ocorrência.

Nos últimos dois meses, mais de 400 pessoas foram executadas no Irã, algumas delas sob acusações políticas, incluindo uma mulher chamada Shirin Alam Holi. O Irã executa mais pessoas, numa proporção per capita, do que qualquer outro país.

Estimada sra. Presidente,

Enquanto a sra. lê esta carta, 40 jornalistas e blogueiros estão cumprindo extensas penas de prisão e penando nas prisões iranianas. O Irã se tornou a maior prisão para jornalistas. Alguns advogados foram encarcerados apenas por representarem seus clientes e apresentarem a defesa durante julgamentos. Um deles é Nasrin Sotoudeh, um proeminente e conhecido defensor dos direitos humanos que está preso desde 4 de novembro de 2010. Uma corte inferior o sentenciou a 11 anos de prisão e a 20 anos de proibição da prática da advocacia e de viagens ao exterior.

Estimada sra. Presidente,

É um fato triste que a situação dos direitos humanos no Irã é muito pior do que o que pode ser descrito em poucas páginas. Eu estou agradecida pelo Brasil ter se abstido de um voto em uma resolução sobre a situação dos direitos humanos no Irã na Assembleia Geral da ONU em Nova York em dezembro de 2010. Com sua eleição à Presidência, as mulheres iranianas esperam mais atenção à sua situação e têm a esperança de que o seu governo apoiará resoluções sobre a crise dos direitos humanos no Irã votando "Sim" no Conselho de Direitos Humanos e na Assembleia Geral. Isso sem dúvida demonstrará o compromisso de seu governo com os padrões de direitos humanos e além disso com a liberdade e a democracia.

Sinceramente,

Shirin Ebadi
Defensora de Direitos Humanos e Prêmio Nobel da Paz de 2003


Folha Online
31.01.11