“Minha felicidade estará sempre ligada à felicidade do meu povo. Onde houver um brasileiro sofrendo, quero estar espiritualmente ao seu lado. Onde houver uma mãe e um pai com desesperança quero que minha lembrança lhes traga um pouco de conforto. Onde houver um jovem que queira sonhar grande, peço-lhe que olhe a minha história e veja que na vida nada é impossível. Vivi no coração do povo e nele quero continuar vivendo até o último dos meus dias. Mais que nunca, sou um homem de uma só causa, e esta causa se chama Brasil.”
Cidadania, Comunicação e Direitos Humanos * Judiciário e Justiça * Liberdade de Expressão * Mídia Digital Editoria/Sônia Amorim: ativista, blogueira, escritora, professora universitária, palestrante e "canalhóloga" Desafinando o Coro dos Contentes...
Tradutor
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Maior legado de Lula: a horizontalização do Poder
ço o que faço porque quero. Faço o que a sociedade me diz que tem de ser fei
O legado do Cara
Raul Longo*
Desde Spartacus (109 - 71 a.C.) muitas lideranças populares fizeram por merecer honras, comendas e elogios. Homens e mulheres. Mas poucos, talvez nenhum, foi tão distinguido quanto o torneiro mecânico Lula da Silva.
O Abra a Boca, Cidadão! reproduz importante artigo-retrospectiva dos pontos altos de Lula na Presidência, que aponta para o legado maior deste governo popular que se encerra: o compartilhamento do poder, sua "horizontalização". Publicado originalmente no blog Quem Tem Medo do Lula? [aqui], que o ABC! recomenda a seus leitores.
O legado do Cara
Raul Longo*
Desde Spartacus (109 - 71 a.C.) muitas lideranças populares fizeram por merecer honras, comendas e elogios. Homens e mulheres. Mas poucos, talvez nenhum, foi tão distinguido quanto o torneiro mecânico Lula da Silva.
Realidade bastante difícil de ser assimilada pelos 4% da população que se mantêm insatisfeita. Insatisfeita mais com a pessoa do que com o desempenho de Lula na Presidência. Desse desempenho pouco ou nada sabem, mas, impossibilitados de superar preconceitos e condicionamentos, jamais haverão de considerar dados e fatos que consagram Lula perante o mundo. Por mais que a situação individual de um desses acompanhe a melhoria de condições de vida de todos os brasileiros, em meio a uma crise financeira mundial, continuarão se sentindo fracassados por serem salvos por alguém de uma classe ou cultura que prejulgam inferior. Incapazes de avaliar as razões que geraram a violência social que indistintamente vitima a todos os brasileiros, mesmo os que não tenham sofrido algum atentado, mas ainda assim tomados pelo temor cotidiano de um sequestro, assalto, bala perdida, estupro ou coisa pior infligida a si ou a um amigo e familiar; não dimensionam quão incontroláveis esses comportamentos sem os programas sociais, a melhoria salarial ou o crescimento de ofertas de emprego consequentes ao desempenho do governo Lula. Mas a insignificância proporcional dessa parcela da população serve apenas para destacar o resultado inédito na política mundial, em avaliação aferida ao final de um segundo mandato de governo. Desempenho inferior após uma reeleição é sempre esperado, mas no Brasil se inverteu essa tradicional relação e Lula termina seu governo inutilizando um coeso esforço de todos os organismos de mídia de seu país que, desde quando liderou reivindicações de reposições salariais em 1977, fomentou o medo e utilizou de preconceitos para desacreditar sua personalidade e caráter. Evidente que depois de 3 décadas destratando e tentando imputar a Lula pechas de ignorante, incapaz, néscio, despreparado, estúpido, corrupto, ladrão, demagogo, aliado de tiranos, chefe de celerados e até estuprador; os profissionais de mídia do Brasil: colunistas, apresentadores de programas de TV e emissoras de rádio, cômicos, articulistas, cronistas, comentaristas, analistas econômicos e políticos dos principais veículos de comunicação, não podem fazer eco aos seus colegas dos Estados Unidos e Europa, ainda que neles tenham se pautado por toda a carreira. Filhos da imprensa estrangeira, agora se veem vexados a esconder as informações de seus mentores. Tem sido uma árdua tarefa o tentar esconder a repercussão internacional do desempenho de Lula, até porque nenhum brasileiro jamais foi tão exaltado pela comunidade das nações e, sem dúvida, muito constrangedor reconhecer que o homem que com tantas certezas profetizaram como o maior desastre político do país, tenha se tornado uma das personalidades mundiais de maior destaque nos tradicionais veículos de comunicação do planeta. Claro que se tenta omitir, mas brasileiros e estrangeiros que muito viajam a negócios ou mesmo a passeio, constantemente relatam sobre a estampa de Lula nas livrarias, bancas de jornal e revistarias dos aeroportos ou ruas de Paris, Nova Iorque, Istambul, Buenos Aires, Tóquio, Cairo, Sidney, Toronto, Johanesburgo, Berlim ou qualquer cidade do mundo. Alguns chegam a mencionar que os closes de Lula se sucedem entre fotos impressas e imagens de telenoticiários, muitas vezes com mais insistência do que a da Rainha da Inglaterra ou do Presidente dos Estados Unidos. Enquanto isso os editores dos principais veículos de comunicação do Brasil, buscando justificar o que antes afirmavam, pescam uma denúncia aqui outra ali entre informações disponibilizadas pela própria transparência do governo que atropela especulações garantindo acesso e conhecimento de seus atos e gastos pelos monitores de computadores domésticos. Dessa forma o melancólico resultado obtido pelos detratores do governo Lula se reduz ao que há muito se evidencia pela queda de índices de audiência e circulação, apesar de outrora terem produzido um dos maiores fenômenos de marketing político da história da democracia: o mito Collor de Melo. Também responsáveis pela manutenção por 2 décadas do mais impopular dos regimes que se impôs ao país: o da ditadura militar, ajudaram a eleger todos seus incompetentes sucessores, mas há 3 eleições se veem sucessivamente derrotados por um operário que além de nordestino e migrante, ainda elegeu para sua sucessão uma mulher. A primeira mulher a presidir o país de uma sociedade secularmente formada ao racismo, elitismo e machismo! Será esse o grande legado dos 8 anos de governo Lula aos brasileiros? Liberar o povo do condicionamento, da inconsciência política, dos preconceitos induzidos por suas elites? Promover a ascensão de uma mulher à presidência? Desmentir e ridicularizar os engodos da mídia? Talvez haja quem entenda assim, mas perceptivelmente Lula é mais reconhecido por ter iniciado o processo de distribuição de renda e desconcentração de riquezas, reduzindo pela metade a miserabilidade que destacava o Brasil como uma das nações mais injustas da Terra. Outros exaltam o efetivo combate à corrupção incrustada na cultura política e no trato com o patrimônio público e que, ao longo do mesmo período do antecessor, se marcou pela inércia de menos de 30 operações da Polícia Federal além da impunidade pelo arquivamento de 6 centenas de processos contra aquele governo. Sob a presidência de Lula se levou a efeito mais de mil operações policiais federais e foram penalizadas autoridades antes consideradas incólumes e blindadas por seus próprios cargos e relações. Mais de 15 mil presos entre juízes, policiais e políticos, inclusive alguns do próprio partido do Presidente e agentes da própria Polícia Federal. Há também os que consideram que apesar de tanto por ainda fazer, a grande herança deixada por Lula é o início dos grandes investimentos na infraestrutura abandonada há muitas décadas. Ou no planejamento do país para um desenvolvimento sustentável e racionalmente distribuído a todos os setores sociais e regiões geográficas. A maioria reconhece em Lula um grande Presidente por ter resgatado o Brasil da pior e mais vergonhosa situação econômica já ocupada em sua história, elevando o país à situação de exemplo de superação da crise financeira internacional. Realmente é algo que impressiona quando lembrado que no governo anterior o país se manteve estagnado e de progressivo apenas o desemprego e o empobrecimento da maioria dos brasileiros, além da deterioração de seus potenciais entregues aos interesses de especuladores estrangeiros. Mas há os que veem na inclusão social o principal legado destes últimos anos ao futuro da nação que já começa a ser notada em publicações científicas internacionais. No acréscimo ao ensino universitário de jovens que antes não teriam perspectivas de futuro algum, se preconiza uma nova participação do Brasil em setores nunca abordados pelo país e se têm no investimento em educação o grande legado do operário semianalfabeto. São mesmo vertiginosos os números registrados em todos os itens do setor. Alimentação escolar, por exemplo: enquanto em 2009 o governo Lula já investira 1 bilhão de reais, nos 8 anos do anterior não se investiu muito mais da metade. Afora as 14 universidades construídas, como nunca no mesmo espaço de tempo, e sequer uma única universidade pública na década anterior. E, assim por diante, em cada um dos 77% de ótimo ou bom e 18% de regular, se encontrará justificações diversas para a opinião pública: seja pela sensível redução dos impactos ambientais, seja pelo igualmente expressivo aumento da produção industrial ou de poder de consumo entre todas as classes. Pelo permanente avanço empregatício em níveis recordes a cada mês, pela superação da crise financeira mundial, os bilhões de dólares em superávit contra o déficit do governo anterior, entre muitos outros legados apontados como principal herança do governo Lula. Mesmo em setores e pontos ainda críticos se apontam inquestionáveis avanços, como no aumento de investimento em saúde pública de 155 milhões para 1,5 bilhões, ou na queda dos juros de 25% para 16%, se encontra motivos de confiança no Brasil que Dilma Rousseff herdou de Lula da Silva, conferindo à Presidente eleita, ainda antes do início de seu mandato, uma aprovação que a indicaria como vitoriosa já no primeiro turno se a eleição fosse hoje. Se assim é no Brasil, nos demais países do mundo os 4% que aqui consideram o governo Lula ruim ou péssimo são ainda mais insignificantes. Tanto entre nações e grupos de orientação socialista quanto entre os principais representantes do capitalismo, como ocorreu com o Conselho de Davos que depositou em Lula suas esperanças para o conturbado cenário econômico, reconhecendo-o como Estadista Global. Será este, então, o grande legado do nordestino migrante, operário e semianalfabeto? Apesar de tão achincalhado, ofendido, destratado, caluniado e aviltado pela imprensa de seu próprio país, os mais tradicionais e destacados veículos de imprensa dos Estados Unidos, da Inglaterra, da França, da Espanha, da Itália, da Alemanha e de diversos outros países dos demais continentes, creditam a Lula expectativas sem precedentes. De Winston Churchil e Roosevelt se esperou a derrota bélica do nazi-fascismo. De Mahatma Gandhi a resistência e libertação do povo da Índia ao jugo do Império Britânico. De John Kennedy a contenção do belicismo estadunidense. De Gorbachev o fim do totalitarismo soviético. De Nelson Mandela a erradicação do apartheid sul-africano. Mas o que o mundo espera do torneiro mecânico Luiz Ignácio Lula da Silva? Sem dúvida os editores do El País, Le Monde ou Times; o Presidente da ONU ou do Fórum Econômico Mundial; os reitores e diretores das instituições acadêmicas e fundações voltadas à promoção do desenvolvimento da civilização, terão muito mais consciência do que esperam de Lula, do que têm os 4% de brasileiros pelos motivos que os exasperam em Lula. Mas os especialistas internacionais realmente distinguem o que terá elevado um migrante do nordeste de um país marcado por tão profundos preconceitos sócio/raciais, à inconteste liderança mundial? Não se trata apenas do tão decantado carisma a que muitos atribuem todo o sucesso de Lula, às vezes até para justificá-lo apesar de nordestino, migrante, operário, etc. e tal. Para superar tão sistemática e intensa mobilização diária de páginas e minutos dos mais poderosos meios de condicionamento de massas e pressões da elite econômica, por mais de 3 décadas, é preciso muito mais do que carisma. Muito mais do que apenas ser competente no exercício do cargo, muito mais do que somente promover justiça social e dirimir desigualdades. Será que o mundo tem real noção do que tornou Luiz Ignácio da Silva a personalidade mundial mais surpreendente e admirável desta primeira década do século XXI? Do por que um operário semianalfabeto e de ideais socialistas entrou para a história como o primeiro Estadista Global por reconhecimento da mais representativa instituição do capitalismo? Talvez a maior pista sobre o real motivo de tantos elogios publicados e proferidos por entidades e organismos internacionais, tantas comendas e honrarias jamais antes concedidas a brasileiro algum, esteja no mais prosaico comentário já proferido sobre Lula, quando Barack Obama usou a linguagem das ruas, do cidadão comum, para indicar ao seu colega australiano o significado do Presidente brasileiro para o mundo. Sem disfarçar uma ponta de inveja, o da Oceania se referiu ao que aqui se afirma como inéditos índices de popularidade ao final de um segundo mandato, mas ainda que confirme Lula como O Cara em seu próprio país, essa popularidade justificará o reconhecimento do chefe de uma nação onde seus governantes sempre primaram pela ostentação de poder e supremacia sobre o hemisfério sul? O que faz de Lula O Cara de Obama e das ruas da Alemanha, da Argentina, Inglaterra ou de países do Oriente e da África onde a população o saúda como a um astro do cinema ou do rock, conforme as matérias que reportam essas visitas na imprensa exterior ao Brasil. Na evolução democrática qualquer cara pode se tornar presidente de algum lugar. Até um negro pôde se tornar o Presidente de um dos países mais racistas do mundo! Até uma mulher pôde se tornar a Presidente eleita em uma sociedade patriarcal e machista como a brasileira! Mas um presidente ser entendido e assumido como O Cara por seu povo, pela humanidade e até pelos dirigentes de nações às quais seus antecessores sempre foram servis e subservientes, é algo bem mais raro! Lula não é O Cara porque Obama disse que é O Cara. Não é O Cara porque pagou a dívida externa e mantêm superávit historicamente recorde depois de receber um déficit igualmente recordista. Não é O Cara porque conquistou respeito para um dos países mais desmoralizados do mundo. Ou porque expandiu fornecimento de luz e energia aos sertanejos nem por ter obtido ao Brasil a confiabilidade da FIFA ou do Comitê Olímpico Internacional. Com tudo isso, futuramente Lula seria lembrado como um bom presidente e, sem qualquer exagero, como o melhor presidente da história da república brasileira. Mas, se mesmo sem o perceber Obama foi extremamente exato no elogio, a principal razão de Lula ser O Cara provavelmente somente será totalmente compreendida ao longo de mais algum tempo. Nem tanto tempo, pois a necessidade de se repensar as estruturas de Poder já é uma realidade muito presente nas mais diversas nações de um mundo em busca de novos caminhos que resolvam o impasse criado por ineficientes sistemas de dominação e exploração econômica que acabaram se comprovando inviabilizadores da progressão e manutenção da civilização humana. Pouco provável que o próprio Obama tenha noção do que tenha justificado seu elogio. Apesar de primeiro negro a dirigir os Estado Unidos, também foi criado numa das mais verticais sociedades do mundo ocidental e ainda levará algum tempo para que possa localizar o real motivo de sua admiração a um ex-líder sindical. Fosse bobo ou ingênuo Obama não teria vencido sequer a renhida disputa pela indicação de seu partido, com ninguém menos do que a esposa de um dos mais populares ex-presidentes norte-americanos. Portanto, ainda que sem ideia das razões que motivaram seu elogio, teve perfeita consciência da repercussão mundial de sua declaração no momento de aparente descontração e de como beneficiaria a si e ao país com tal declaração. Mas o dia em que Obama, Angela Merkel, Luís Zapatero, Sarkozy ou qualquer outro político do mundo prestar mais atenção nos atos e nas declarações de Luiz Ignácio Lula da Silva como Presidente do Brasil, também poderá se tornar O Cara em seu país, mesmo em final de segundo mandato de governo. Arrisco a oferecer uma dica, pedindo para que se atente a uma das tantas frases ironizadas pelos tão “inteligentes” e “argutos” críticos brasileiros às atitudes e falas do Presidente, pois encontrarão o verdadeiro grande legado de Lula na afirmação: “Não faço o que faço porque quero. Faço o que sociedade me diz que tem de ser feito”. Com esta frase o nordestino e operário migrante, semianalfabeto, mostrou que a estrutura e a cultura do Poder estão mudando no Brasil, para que o país alcance uma situação inimaginável ainda ao final do século XX. Desde antes de Machiavel, o Poder já era entendido como algo que só se mantêm através de uma estrutura vertical. A democracia, tal qual se a conhece no mundo, é estabelecida através de uma estrutura vertical gerida por classes dominantes. O comunismo tal qual se o experimentou, foi estabelecido através de uma verticalidade estatal. Lula não inventou o Poder horizontal. Através desse planejamento e modelo algumas nações, notadamente no norte da Europa, vêm obtendo notáveis evoluções em seus índices humanos, o que sem dúvida vem influindo na conduta de muitos dirigentes da União Europeia. O que se destaca na experiência brasileira são a perspicácia e o engenho do governo Lula em implantar tal mudança entre uma elite tão avessa a qualquer evolução e tão retrógrada em sua compreensão social, aliada a exorbitantes poderes obtidos por uma legislação falha, através de concessões corruptas, e acobertada pela leniência de um suspeito e elitista sistema judiciário. O paulatino desmonte dessa estrutura arcaica vem se iniciando pela queda de seu principal sustentáculo. Ao desmascarar a mídia como real veículo de desconstrução do senso democrático e da liberdade individual e coletiva dos cidadãos, o governo Lula possibilita um início, ainda bastante tímido, de uma formação de opiniões realmente livres de condicionamentos a interesses alheios aos dos consumidores de informações. Mas é sobretudo na insustentabilidade de argumentos que justifiquem o autoritarismo de estruturas verticais que se comprovaram exemplarmente ineficazes, que a sociedade brasileira vem se descobrindo melhor saber o que tem de ser feito, do que aqueles que a governaram pela imposição das armas ou pela prepotência de pretensos conhecimentos que só levaram o país à dependência externa, à falência da civilidade e a redução das condições humanas. Sem nenhum saudosismo, a grande maioria da sociedade brasileira reafirmou em Dilma Rousseff sua confiança e reconhecimento na mudança do autoritarismo vertical para a proposição do modelo horizontal de Poder. No entanto, mesmo entre os partidários do governo Lula há os que não se aperceberam que é mais profícuo moldar do que tentar quebrar 500 anos de tão rígida estrutura. E que se o governo ainda dispõe de cargos para inevitáveis e necessárias negociações políticas, é porque agentes governamentais cada vez mais se limitam ao papel de gestores dos anseios sociais, e não de dirigentes como aos que a sociedade brasileira foi submetida por toda sua história. Evidente que os políticos de oposição estão ainda mais confusos e constantemente seus discursos caem no vazio do ridículo ou do extemporâneo. Mas com 4% do eleitorado não garantirão nenhuma sobrevivência política. Ou se apressam a reavaliar propostas e posturas ou, por própria estultícia, desaparecerão do cenário como ocorrerá no Congresso de 2011. Já os senhores do mundo, os dirigentes das grandes nações, os detentores dos grandes capitais, os responsáveis pela estabilidade e manutenção das centenárias e milenares sociedades de Grécia e Espanha, Irlanda e China, Japão e Inglaterra, Portugal, Estados Unidos ou qual país seja, que aproveitem o aprendizado transmitido por Dona Lindu no esforço de manter a família unida a despeito de todas as adversidades. Aprendam com Dona Lindu ou não haverá civilização que sobreviva ao que vem por aí em aquecimento climático, explosão demográfica, cataclismos, surtos epidêmicos, terrorismo, hordas urbanas, contaminações em massa, etc. É aí que o legado do Cara poderá evitar desastres como os que se abatiam sobre o Brasil até o início desta década. Mas para compreender em profundidade esse legado de Dona Lindu, será mesmo preciso mais algum tempo. Afinal, as coisas muito simples por vezes são as mais complexas para quem foi educado no tempo em que se complicava tudo para justificar a verticalidade autoritária do Poder. |
*Raul Longo é jornalista, escritor e poeta. Mora em Florianópolis (SC), onde mantém a pousada “Pouso da Poesia“. É colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
"Jornalismo" 2010: o Brasil tem a imprensa que merece?
O ABC! reproduz excelente artigo encontrado e lido no blog Com Texto Livre e originalmente publicado no site do Observatório da Imprensa. A velha mídia, que neste momento faz retrospectivas muitas vezes jornalisticamente deploráveis e indigentes dos 8 anos do governo Lula, omitindo e deturpando muitos fatos, também pode e deve ser objeto de um olhar crítico de todos nós. Em 2010 eles deitaram e rolaram, tratando a inteligência dos leitores, ouvintes e espectadores com pouco caso. Está mais do que na hora do Brasil ter uma imprensa à altura do importante papel que começa a desempenhar politicamente no mundo. O Brasil não merece isso que está aí...
Jornalismo apressado e mal feito
O jornalismo brasileiro, que já não era muito assertivo, termina 2010 vestido em forma de grande ponto de interrogação, jornalismo que acha, além de improdutivo, entediante investigar os fatos e os dados antes de publicar a matéria.
Washington Araújo
Mais alguns dias e adeus 2010. Tempo de pensar (e repensar) sobre tudo o que foi notícia e não merecia e também sobre tudo o que não foi notícia, e merecia. Momento especialmente propício para refletirmos se realmente o Brasil tem a imprensa que merece. Sim, porque é mais fácil mudar o curso do rio São Francisco do que ver nossa velha imprensa deixar de lado os velhos cacoetes que tanto lhe entortaram a escrita através dos anos. É mais fácil redesenhar a pirâmide da mobilidade social no Brasil do que ver ser resgatada de forma inconteste a credibilidade de parte considerável de nossos meios de comunicação.
Mas é também momento de passar em revista as muitas idas e vindas de uma imprensa quase sempre errática ao longo do ano. Imprensa que não precisou se esforçar muito para nos deixar estupefatos com o pouco caso com que princípios básicos do bom jornalismo foram relegados a segundos e terceiros planos: objetividade jornalística, relevância das pautas, importância e raridade de temas, investigação responsável antes da publicação de denúncias, respeito ao chamado "outro lado" e por aí afora.
Período de altos e baixos e onde os baixos predominaram quase que ininterruptamente. A seguir, o resultado da faina laboriosa de meus dois neurônios de estimação para me contar como foi 2010.
Previsão furada
Mas é também momento de passar em revista as muitas idas e vindas de uma imprensa quase sempre errática ao longo do ano. Imprensa que não precisou se esforçar muito para nos deixar estupefatos com o pouco caso com que princípios básicos do bom jornalismo foram relegados a segundos e terceiros planos: objetividade jornalística, relevância das pautas, importância e raridade de temas, investigação responsável antes da publicação de denúncias, respeito ao chamado "outro lado" e por aí afora.
Período de altos e baixos e onde os baixos predominaram quase que ininterruptamente. A seguir, o resultado da faina laboriosa de meus dois neurônios de estimação para me contar como foi 2010.
Previsão furada
Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope, em entrevista publicada na revista Veja (nº 2127, de 22/8/2009) aposta que o governo, apesar da imensa popularidade do presidente Lula, não conseguirá fazer o sucessor – no caso, a ministra Dilma Rousseff. Também afirma que o PT está em processo de decomposição. Como vimos nem uma coisa, nem outra. Montenegro como vidente tem sido excelente presidente do Ibope.
A longa jornada em busca do fato novo
Recorrente em todo o ano foi a busca desenfreada de vistosos veículos de comunicação por fatos novos, aqui entendidos como aqueles fatos capazes de frear o favoritismo da então candidata governista Dilma Rousseff e, simultaneamente, alavancar a candidatura oposicionista de José Serra. Ao longo do ano foram rotulados como fatos novos coisas antigas, sem qualquer sombra de ineditismo, como a muito falada e pouco conhecida ficha da terrorista "Vanda" nos anos de chumbo, a quebra do sigilo fiscal de quase 4.000 brasileiros – sendo que destes apenas cinco ou seis cidadãos recebiam pesado e explícito apoio da imprensa diária e semanal, escrita, radiofônica e televisiva, cobrando sempre em tom alarmante urgentes providências para se descobrirem os beneficiários de tais malfeitos.
A grande imprensa abdicou de utilizar a percepção, a intuição e a inteligência jornalística para responder a questões importantes como estas: a quem interessaria (no duro mesmo!) a quebra do sigilo fiscal nos últimos meses de 2009 de Eduardo Jorge Caldas Pereira, vice-presidente do PSDB, de seus companheiros de partido, de Samuel Klein (dono da Casas Bahia) e da apresentadora da TV Globo Ana Maria Braga? Quem estaria mais necessitado de um balão de oxigênio que atendesse pelo nome fato novo?
A grande imprensa abdicou de utilizar a percepção, a intuição e a inteligência jornalística para responder a questões importantes como estas: a quem interessaria (no duro mesmo!) a quebra do sigilo fiscal nos últimos meses de 2009 de Eduardo Jorge Caldas Pereira, vice-presidente do PSDB, de seus companheiros de partido, de Samuel Klein (dono da Casas Bahia) e da apresentadora da TV Globo Ana Maria Braga? Quem estaria mais necessitado de um balão de oxigênio que atendesse pelo nome fato novo?
Capas da Folha de S.Paulo
O jornal paulista continuou sua trajetória política de "morde-e-assopra" em busca de um cada vez mais impossível equilíbrio entre ser pró-governo e pró-oposição. Mas não deixou de reduzir a pó sua alegação recorrente de pairar acima dos partidos políticos, suas metas, desafios, anseios e motivações. Isto aconteceu num domingo (5/9/2010), quando estampou em sua capa a manchete que terá carregar durante muitos anos como pura irresponsabilidade jornalística: "Consumidor de luz pagou R$ 1 bi por falha de Dilma". A reportagem atribuía à então candidata Dilma Rousseff um erro na cobrança da tarifa social de energia elétrica quando era ministra das Minas e Energia. Segundo o Tribunal de Contas da União, o desperdício foi de R$ 989 milhões no tempo em que Dilma ocupava aquela pasta (2003-2005). A notícia estava destinada a se contrapor à propaganda eleitoral, que apresentava a candidata à Presidência pelo PT como uma eficiente gestora e colocava em xeque essa imagem.
A propósito, informe-se que a tarifa social foi criada em 2002, ainda durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. As mudanças solicitadas pelo TCU ocorreram em 2007, dois anos depois da saída de Dilma da pasta. A lei que regula a tarifa social foi alterada em 2010.
A inusitada manchete reunindo em poucos caracteres acusação explosiva de erro monumental (falha), cifra impressionante (R$ 1 bi) e ainda o nome bem estampado da candidata-líder (Dilma) em pesquisas de opinião na corrida para o Palácio do Planalto, tinha tudo para chamar a atenção de qualquer observador da mídia minimamente comprometido com o embate petistas versus demotucanos. Alguns tuiteiros se recusaram a aceitar esse papel(ão) do jornal paulista e divulgaram milhares de mensagens de 140 caracteres sugerindo outras manchetes para o jornal da Barão de Limeira. Pincei três: "Em 2000, Dilma aconselhou o FHC: não precisa investir em energia. O risco de racionamento é zero"; "Dilma joga moeda de um real na pista de Congonhas e derruba avião da TAM"; "Erro de Dilma soterra mineiros no Chile e é a principal pedra que impede a saída dos mineiros chilenos da mina".
A propósito, informe-se que a tarifa social foi criada em 2002, ainda durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. As mudanças solicitadas pelo TCU ocorreram em 2007, dois anos depois da saída de Dilma da pasta. A lei que regula a tarifa social foi alterada em 2010.
A inusitada manchete reunindo em poucos caracteres acusação explosiva de erro monumental (falha), cifra impressionante (R$ 1 bi) e ainda o nome bem estampado da candidata-líder (Dilma) em pesquisas de opinião na corrida para o Palácio do Planalto, tinha tudo para chamar a atenção de qualquer observador da mídia minimamente comprometido com o embate petistas versus demotucanos. Alguns tuiteiros se recusaram a aceitar esse papel(ão) do jornal paulista e divulgaram milhares de mensagens de 140 caracteres sugerindo outras manchetes para o jornal da Barão de Limeira. Pincei três: "Em 2000, Dilma aconselhou o FHC: não precisa investir em energia. O risco de racionamento é zero"; "Dilma joga moeda de um real na pista de Congonhas e derruba avião da TAM"; "Erro de Dilma soterra mineiros no Chile e é a principal pedra que impede a saída dos mineiros chilenos da mina".
Jornalismo apressado e mal feito
O jornalismo brasileiro, que já não era muito assertivo, termina 2010 vestido em forma de grande ponto de interrogação, jornalismo que acha, além de improdutivo, entediante investigar os fatos e os dados antes de publicar a matéria. Com bem poucas exceções sobrevivemos doze meses sob o império do "grande Se", sob o domínio do "achismo", desde as coisas mais banais até às mais importantes para o país. Às favas com a busca da verdade, imparcialidade, busca incessante pela objetividade jornalística. É como se as primeiras páginas dos jornais, seus espaços nobres e vistosos, se transformassem do dia para a noite em editoriais alagadiços, transbordando de uma seção a outra, de uma editoria a outra, irrompendo em colunas de notas políticas, avançando por sobre o colunismo social e até mesmo impregnando o espaço dos leitores com a opinião amplamente vociferada em flamejantes editoriais.
Ufa! Mas não fica por aí. Durante a exibição do Jornal da Globo do dia 27/8/2010, o apresentador William Waack perde a paciência e grita "Cala Boca" durante a entrevista da ex-ministra Dilma Rousseff.
Ufa! Mas não fica por aí. Durante a exibição do Jornal da Globo do dia 27/8/2010, o apresentador William Waack perde a paciência e grita "Cala Boca" durante a entrevista da ex-ministra Dilma Rousseff.
Reinações dos especialistas em opinar
Em 2010, as notícias foram divulgadas de forma mais adjetivadas que o normal. Pouco de substância. Opinião quase sempre exacerbada, tingida por cores ideológicas. Quanto mais os grandes jornais e revistas do país tratavam de mostrar ao longo de 2010 seu decantado – mas nunca explícito – não-alinhamento partidário, mais seus colunistas carregavam nas tintas para defender seu candidato ao Planalto.
Fiquemos em apenas uma exemplificação que já estará de bom tamanho. Consideremos, a título ilustrativo, o caso Merval Pereira, principal comentarista de política do jornal O Globo e da rádio CBN, que no curto período de 15/6/2010 a 17/8/2010 criou e tratou de difundir ao máximo sua alcunha para Dilma Rousseff – a laranja eleitoral. Ele escreveu coisas como:
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"De um lado, a candidata oficial, Dilma Rousseff, transformada pelo próprio Lula em sua `laranja´ eleitoral..." (O Globo, 15/6/2010);
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"Ela já era figura proeminente antes mesmo de surgir do bolso do colete de Lula para ser impingida ao eleitorado como sua `laranja eleitoral´" (O Globo, 6/7/2010);
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"...que o seu eventual primeiro mandato será o terceiro de Lula, o que pode transformá-la em uma mera `laranja eleitoral´ do seu mentor" (O Globo, 16/7/2010);
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"... enquanto Dilma a cada dia valoriza mais o papel de `laranja eleitoral´ de Lula..." (O Globo, 11/8/2010);
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"Mas, como não é ele que concorre, e sim uma sua `laranja eleitoral´, a transferência de votos ainda não é total, e possivelmente não será" (O Globo, 17/8/2010).
A conferir se o sapiente comentarista das Organizações Globo irá, a partir do dia 1º de janeiro de 2011, elevar sua criação linguística à condição de pronome de tratamento regular para quando se referir à presidente Dilma Rousseff grafar algo como "Dilma Rousseff, a Presidente Laranja do Brasil".
Fiquemos em apenas uma exemplificação que já estará de bom tamanho. Consideremos, a título ilustrativo, o caso Merval Pereira, principal comentarista de política do jornal O Globo e da rádio CBN, que no curto período de 15/6/2010 a 17/8/2010 criou e tratou de difundir ao máximo sua alcunha para Dilma Rousseff – a laranja eleitoral. Ele escreveu coisas como:
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"De um lado, a candidata oficial, Dilma Rousseff, transformada pelo próprio Lula em sua `laranja´ eleitoral..." (O Globo, 15/6/2010);
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"Ela já era figura proeminente antes mesmo de surgir do bolso do colete de Lula para ser impingida ao eleitorado como sua `laranja eleitoral´" (O Globo, 6/7/2010);
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"...que o seu eventual primeiro mandato será o terceiro de Lula, o que pode transformá-la em uma mera `laranja eleitoral´ do seu mentor" (O Globo, 16/7/2010);
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"... enquanto Dilma a cada dia valoriza mais o papel de `laranja eleitoral´ de Lula..." (O Globo, 11/8/2010);
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"Mas, como não é ele que concorre, e sim uma sua `laranja eleitoral´, a transferência de votos ainda não é total, e possivelmente não será" (O Globo, 17/8/2010).
A conferir se o sapiente comentarista das Organizações Globo irá, a partir do dia 1º de janeiro de 2011, elevar sua criação linguística à condição de pronome de tratamento regular para quando se referir à presidente Dilma Rousseff grafar algo como "Dilma Rousseff, a Presidente Laranja do Brasil".
O falso debate camuflando reais intenções
A imprensa clamou desde a primeira semana do ano até esta semana que no Brasil a liberdade de expressão estava por um triz. O risco vinha embutido em qualquer ideia, qualquer iniciativa, qualquer autoridade do governo que ousasse mencionar a (já) imperiosa necessidade de regulamentar – minimamente que seja – os veículos de comunicação. Para aproveitar o bordão presidencial, tomo a liberdade de, solene como sói acontecer, declarar que nunca antes na história deste país se usufruiu de tanta liberdade – opinião, expressão, imprensa – como nos dias atuais.
Ficou evidente que o combustível por trás da luta por liberdade de expressão no Brasil está na manutenção dos monopólios midiáticos, a liberdade para decidir a seu bel-prazer o que deve ser consumido pela sociedade sem qualquer consulta aos poderes constituídos. A grande imprensa se fecha em copas quando o assunto é a regulamentação dos artigos 223 e 224 da Constituição de 1988. E se abre de par em par quando é defender seus interesses corporativos, quase sempre em benefício direto de não mais que uma dezena de famílias.
Ficou evidente que o combustível por trás da luta por liberdade de expressão no Brasil está na manutenção dos monopólios midiáticos, a liberdade para decidir a seu bel-prazer o que deve ser consumido pela sociedade sem qualquer consulta aos poderes constituídos. A grande imprensa se fecha em copas quando o assunto é a regulamentação dos artigos 223 e 224 da Constituição de 1988. E se abre de par em par quando é defender seus interesses corporativos, quase sempre em benefício direto de não mais que uma dezena de famílias.
Previsão furada de 2010 para 2010
Oscar Quiroga, astrólogo do jornal Estado de S. Paulo que recebeu amplo espaço da revista Veja (2161, 21/4/2010) para reunir a confraria dos astros em apoio ao candidato José Serra à Presidência, afirmou nas páginas da revista que, considerando "a notável coincidência de que no dia 10 de abril, quando sua pré-candidatura a presidente foi formalizada, o planeta Urano tenha atingido a localização em que o Sol se encontrava no momento do seu nascimento", e agregado o fato de que "Júpiter também atingirá a posição de seu mapa natal no fim de maio e de setembro, o que é outro sinal positivo para seu desempenho como candidato à Presidência... seria tolice não arriscar a afirmação de que José Serra deve ser o próximo presidente do Brasil".
Como vimos, os astros ouvidos por Veja entendiam tanto de futuro quanto o deputado eleito Tiririca de processo legislativo.
Como vimos, os astros ouvidos por Veja entendiam tanto de futuro quanto o deputado eleito Tiririca de processo legislativo.
Tipo de não-fato potencializado pela imprensa
O tumulto que aconteceu no dia 20/10/2010 no bairro do Campo Grande, no Rio de Janeiro, entre simpatizantes das candidaturas de Serra e Dilma, teve como maior protagonista uma bolinha de papel que quicou na calva de José Serra. Foi difícil para a imprensa, principalmente a televisiva, informar bem seus telespectadores – cada qual assumindo a versão favorável a seu candidato à presidência. Entretanto, é preciso relatar os fatos como eles aconteceram e, entre os telejornais exibidos na noite daquela quarta-feira (20/10), parece que apenas o SBT Brasil conseguiu mostrar toda a sequência dos acontecimentos.
Na matéria, fica claro que o objeto que atingiu a cabeça do candidato foi uma simples bolinha de papel. Não foi uma pedra, nem um rolo de papel, nem um rolo de adesivos – versão final comprada pelos jornais do dia – como publicaram os principais portais de notícias. Resumo da ópera: o caso Bolinha de Papel virou jogo online no portal UOL com a chamada: "Teste sua pontaria atirando bolinhas de papel no candidato José Serra. Mova o mouse para os lados para apontar e quando Serra aparecer, clique para jogar as bolinhas e marcar muitos pontos."
Na matéria, fica claro que o objeto que atingiu a cabeça do candidato foi uma simples bolinha de papel. Não foi uma pedra, nem um rolo de papel, nem um rolo de adesivos – versão final comprada pelos jornais do dia – como publicaram os principais portais de notícias. Resumo da ópera: o caso Bolinha de Papel virou jogo online no portal UOL com a chamada: "Teste sua pontaria atirando bolinhas de papel no candidato José Serra. Mova o mouse para os lados para apontar e quando Serra aparecer, clique para jogar as bolinhas e marcar muitos pontos."
Capas de Veja
A revista Veja mostrou pouca criatividade para tentar influir na campanha eleitoral de 2010. Bateu – com gosto, muito gosto – no governo Lula. Se fosse contratada pela oposição dificilmente conseguiria realizar melhor trabalho de desconstrução de oito anos de governo. Algumas das recentes edições do carro-chefe da Editora Abril trouxeram na capa, sempre carregando na cor vermelho-escarlate, chamadas como...
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"Lula, o mito, a fita e os fatos" (edição 2140);
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"Caiu a casa do tesoureiro do PT" (edição 2155);
**
"Ele cobra 12% de comissão para o PT" (edição 2156);
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"O monstro do radicalismo" (edição 2173).
Vejamos as edições das três semanas anteriores ao primeiro turno das eleições deste ano: a edição nº 2181, de 8/9/2010, trazia na capa a ilustração em primeiro plano de um polvo se enroscando no brasão da República. Manchete: "O partido do polvo"; e o subtítulo: "A quebra de sigilo fiscal de filha de José Serra é sintoma do avanço tentacular de interesses partidários e ideológicos sobre o Estado brasileiro". A edição nº 2182, de 15/9/2010, repetia na capa a mesma ilustração, sendo que agora o polvo enrosca seus tentáculos em maços de dinheiro.
Manchete: "Exclusivo – O polvo no poder"; subtítulo: "Empresário conta como obteve contratos de 84 milhões de reais no governo graças à intermediação do filho de Erenice Guerra, ministra-chefe da Casa Civil, que foi o braço direito de Dilma Rousseff". A ediçãonº 2183, de 22/9/2010, tem novamente na capa o famoso molusco marinho lançando gigantescos tentáculos dentro do espelho d´água do Palácio do Planalto. A manchete: "A alegria do polvo", um balão daqueles de revista em quadrinhos e delimitado por raios abarcava a interjeição: "Caraca! Que dinheiro é esse?"
Há que se destacar, ainda, o perfil eminentemente partidário da revista Veja: em 54 semanas, nenhuma capa foi dedicada ao sr. Índio da Costa, muito menos ao sr. Paulo Preto, menos ainda ao Dersa e ao Rodoanel de São Paulo. O Brasil ter sido o último a sentir os efeitos da crise econômica mundial e também o primeiro a desta sair... não foi, definitivamente, assunto jornalístico à altura da capa de Veja.
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"Lula, o mito, a fita e os fatos" (edição 2140);
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"Caiu a casa do tesoureiro do PT" (edição 2155);
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"Ele cobra 12% de comissão para o PT" (edição 2156);
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"O monstro do radicalismo" (edição 2173).
Vejamos as edições das três semanas anteriores ao primeiro turno das eleições deste ano: a edição nº 2181, de 8/9/2010, trazia na capa a ilustração em primeiro plano de um polvo se enroscando no brasão da República. Manchete: "O partido do polvo"; e o subtítulo: "A quebra de sigilo fiscal de filha de José Serra é sintoma do avanço tentacular de interesses partidários e ideológicos sobre o Estado brasileiro". A edição nº 2182, de 15/9/2010, repetia na capa a mesma ilustração, sendo que agora o polvo enrosca seus tentáculos em maços de dinheiro.
Manchete: "Exclusivo – O polvo no poder"; subtítulo: "Empresário conta como obteve contratos de 84 milhões de reais no governo graças à intermediação do filho de Erenice Guerra, ministra-chefe da Casa Civil, que foi o braço direito de Dilma Rousseff". A ediçãonº 2183, de 22/9/2010, tem novamente na capa o famoso molusco marinho lançando gigantescos tentáculos dentro do espelho d´água do Palácio do Planalto. A manchete: "A alegria do polvo", um balão daqueles de revista em quadrinhos e delimitado por raios abarcava a interjeição: "Caraca! Que dinheiro é esse?"
Há que se destacar, ainda, o perfil eminentemente partidário da revista Veja: em 54 semanas, nenhuma capa foi dedicada ao sr. Índio da Costa, muito menos ao sr. Paulo Preto, menos ainda ao Dersa e ao Rodoanel de São Paulo. O Brasil ter sido o último a sentir os efeitos da crise econômica mundial e também o primeiro a desta sair... não foi, definitivamente, assunto jornalístico à altura da capa de Veja.
Deu no WikiLeaks
Julian Assange, com seu WikiLeaks, deu uma levantada na moral da velha imprensa ao instrumentalizá-la com formidáveis 250.725 documentos diplomáticos do governo dos Estados Unidos. The New York Times, El País, Le Monde, The Guardian e Der Spiegel foram os principais veículos por ele escolhidos para repercutir segredos diplomáticos que criaram – e continuarão a criar – embaraços ao governo Obama e saias justas à sua secretária de Estado, Hillary Clinton. Sintomático que um expoente do que autodesigna jornalismo científico, claramente gerado nos meios digitais, tenha requerido a experiência e tradição da velha imprensa para "filtrar" dezenas desses documentos e torná-los acessíveis com um mínimo de contextualização possível às massas da sociedade.
Preso por supostos crimes sexuais ocorridos na Suécia, Julian Assange teve inicialmente seu pedido de fiança negado. O recebimento de fundos em contas do WikiLeaks foi literalmente bloqueado pela Mastercard, Visa, PayPal e Amazon. Todas, grandes multinacionais estadunidenses.
No caso do Brasil, onde a grande imprensa tenta nos vender a todo custo a impressão de que a liberdade de expressão está com suas horas contadas, nada de substancial foi publicado, seja na forma de editoriais ou não, em defesa do australiano. E, no entanto, concordo integralmente quando o cineasta Michael Moore o descreve como "um pioneiro da liberdade de expressão, do governo independente e da revolução digital do jornalismo".
A grande novidade em nosso Brejo da Cruz foi, com grande possibilidade de acerto, a importância assumida pela WikiLeaks, seu impressionante grau de articulação e mobilização e seu recado aos Senhores Tradicionais da Mídia, como a dizer: "Baby, e nós... ainda nem começamos!"
Preso por supostos crimes sexuais ocorridos na Suécia, Julian Assange teve inicialmente seu pedido de fiança negado. O recebimento de fundos em contas do WikiLeaks foi literalmente bloqueado pela Mastercard, Visa, PayPal e Amazon. Todas, grandes multinacionais estadunidenses.
No caso do Brasil, onde a grande imprensa tenta nos vender a todo custo a impressão de que a liberdade de expressão está com suas horas contadas, nada de substancial foi publicado, seja na forma de editoriais ou não, em defesa do australiano. E, no entanto, concordo integralmente quando o cineasta Michael Moore o descreve como "um pioneiro da liberdade de expressão, do governo independente e da revolução digital do jornalismo".
A grande novidade em nosso Brejo da Cruz foi, com grande possibilidade de acerto, a importância assumida pela WikiLeaks, seu impressionante grau de articulação e mobilização e seu recado aos Senhores Tradicionais da Mídia, como a dizer: "Baby, e nós... ainda nem começamos!"
Washington Araújo é jornalista e escritor. Mestre em Comunicação pela
UNB, tem livros sobre mídia, direitos humanos e ética publicados no Brasil,
Argentina, Espanha, México. Tem o blog http://www.cidadaodomundo.org
Email - wlaraujo9@gmail.com
Dilma Rousseff X Folha de S. Paulo
Manchete principal de capa da Folha de S. Paulo de hoje, 22 de dezembro: "Para 83%, Dilma vai ser igual ou melhor que Lula". Veja abaixo parte da capa do jornal.

Quem diria?! O Datafolha, instituto de pesquisa do Grupo Folha, cujo jornal Folha de S. Paulo fez campanha intensiva, leviana e feroz contra a então candidata a presidente Dilma Rousseff, Folha de S. Paulo que recorreu à Justiça para ter acesso aos autos do processo da ditadura contra a então "subversiva" Dilma, nos anos 70, procurando utilizar dados da ação para atacar a presidenta eleita, essa mesmíssima Folha de S. Paulo estampou hoje uma manchete extremamente favorável a Dilma e ao governo.
Não teve jeito. Como esconder ou subverter os dados da pesquisa? Obviamente, os resultados da pesquisa poderiam ter sido publicados num espaço menor, sem destaque. Mas foi trombeteado na manchete principal. E como ninguém aqui é "marinheira de primeira viagem", perguntamos: O que quer a Folha de S. Paulo? O que poderia estar por trás desse "afago"?
A Folha de S. Paulo e toda a velha mídia têm interesses relativos à distribuição de verba publicitária governamental, por exemplo. Seria visando tais interesses que a Folha procura de certa forma uma "reconciliação" com a presidenta eleita?
A Folha de S. Paulo tem anunciantes, por exemplo. Grandes empresas, grandes negócios, inclusive com o governo, PAC e companhia ilimitada...
Nossa intenção aqui é sempre que possível ler as entrelinhas, o que pode estar por trás da notícia. Sobretudo no que diz respeito à velha e apodrecida mídia. Dizem que "o brasileiro não tem memória". Mas esta blogueira costuma ter. E a recente campanha eleitoral, ferocíssima contra Dilma Rousseff, foi quase um linchamento moral.
Portanto, reproduzimos a notícia da Folha abaixo, a partir do portal, e sugerimos uma leitura crítica, uma análise e reflexão mais profunda sobre os dados e a interpretação do jornal. Afinal, de boas intenções o inferno está cheio...
Governo Dilma será igual ou melhor que Lula para 83%
Silvio Navarro
São Paulo
22/12/2010
A presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), fará um governo igual ou melhor que o do presidente Lula para 83% dos brasileiros, revela pesquisa Datafolha.
De acordo com o instituto, a expectativa de 53% dos entrevistados é que a gestão da petista seja similar à do antecessor. Outros 30% avaliam que ela se sairá melhor.
A estratificação do levantamento mostra que Dilma obtém seus melhores índices na fatia da população menos escolarizada, mais jovem e que declara renda mensal de até cinco salários mínimos.
Foram ouvidas em todo o país 11.281 pessoas, de 17 a 19 do mês passado.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Para 73%, o futuro governo de Dilma será ótimo ou bom. É o segundo percentual mais alto de expectativa sobre o mandato de um presidente eleito desde a redemocratização do país.
Em dezembro de 2002, a expectativa positiva sobre Lula era de 76%.
Os números de Dilma superam os do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) tanto no primeiro mandato (70%) como no segundo (41%). Fernando Collor (1990-92) obteve 71%.
Não foi feita pesquisa em 2006.
Os picos positivos foram demonstrados no Nordeste do país, especialmente em Pernambuco (78%), no Ceará (79%) e em Minas Gerais (80%). No Sul, o índice de otimismo cai para 68%.
PROMESSAS
O instituto sondou o percentual de confiança dos eleitores sobre o cumprimento de promessas de campanha. Uma parcela de 31% disse acreditar que ela cumprirá a maioria das promessas, outros 59% esperam que cumpra parte delas, e 6% acham que não realizará nenhuma.
Os números são similares ao que o brasileiro esperava de Lula em 2002. À época, 31% acreditavam que ele fosse cumprir suas promessas.
A diferença entre a expectativa em relação a Dilma e a que se tinha sobre o Lula está nas áreas de atuação de governo. Para 18% dos entrevistados, a gestão dela se sairá melhor na saúde. Em seguida, aparecem economia (12%) e educação (12%).
Quando se trata da expectativa sobre a área em que o novo governo terá o pior desempenho, destacam-se saúde (13%), combate à violência e segurança pública (13%).
Antes do primeiro mandato, 27% apostavam que a administração de Lula avançaria no combate ao desemprego, e 18%, na erradicação da fome e miséria. Para 10%, a economia declinaria.
Tanto Lula como Dilma marcam seus índices mais altos de "ruim ou péssimo" quando a expectativa é sobre o combate à corrupção (10% para ele, e 20% para ela).
A exemplo do que ocorreu em relação a Lula (43%), em 2002, agora os entrevistados acreditam que os "trabalhadores" serão os mais beneficiados pelo governo (33%).
Nos demais setores a serem beneficiados, no entanto, não há semelhanças. Em 2002, 14% citavam a agricultura, e 11%, a indústria, como áreas que seriam privilegiadas. Neste ano, aparecem políticos (13%) e bancos (10%).

Quem diria?! O Datafolha, instituto de pesquisa do Grupo Folha, cujo jornal Folha de S. Paulo fez campanha intensiva, leviana e feroz contra a então candidata a presidente Dilma Rousseff, Folha de S. Paulo que recorreu à Justiça para ter acesso aos autos do processo da ditadura contra a então "subversiva" Dilma, nos anos 70, procurando utilizar dados da ação para atacar a presidenta eleita, essa mesmíssima Folha de S. Paulo estampou hoje uma manchete extremamente favorável a Dilma e ao governo.
Não teve jeito. Como esconder ou subverter os dados da pesquisa? Obviamente, os resultados da pesquisa poderiam ter sido publicados num espaço menor, sem destaque. Mas foi trombeteado na manchete principal. E como ninguém aqui é "marinheira de primeira viagem", perguntamos: O que quer a Folha de S. Paulo? O que poderia estar por trás desse "afago"?
A Folha de S. Paulo e toda a velha mídia têm interesses relativos à distribuição de verba publicitária governamental, por exemplo. Seria visando tais interesses que a Folha procura de certa forma uma "reconciliação" com a presidenta eleita?
A Folha de S. Paulo tem anunciantes, por exemplo. Grandes empresas, grandes negócios, inclusive com o governo, PAC e companhia ilimitada...
Nossa intenção aqui é sempre que possível ler as entrelinhas, o que pode estar por trás da notícia. Sobretudo no que diz respeito à velha e apodrecida mídia. Dizem que "o brasileiro não tem memória". Mas esta blogueira costuma ter. E a recente campanha eleitoral, ferocíssima contra Dilma Rousseff, foi quase um linchamento moral.
Portanto, reproduzimos a notícia da Folha abaixo, a partir do portal, e sugerimos uma leitura crítica, uma análise e reflexão mais profunda sobre os dados e a interpretação do jornal. Afinal, de boas intenções o inferno está cheio...
Governo Dilma será igual ou melhor que Lula para 83%
Silvio Navarro
São Paulo
22/12/2010
A presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), fará um governo igual ou melhor que o do presidente Lula para 83% dos brasileiros, revela pesquisa Datafolha.
De acordo com o instituto, a expectativa de 53% dos entrevistados é que a gestão da petista seja similar à do antecessor. Outros 30% avaliam que ela se sairá melhor.
A estratificação do levantamento mostra que Dilma obtém seus melhores índices na fatia da população menos escolarizada, mais jovem e que declara renda mensal de até cinco salários mínimos.
Foram ouvidas em todo o país 11.281 pessoas, de 17 a 19 do mês passado.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Para 73%, o futuro governo de Dilma será ótimo ou bom. É o segundo percentual mais alto de expectativa sobre o mandato de um presidente eleito desde a redemocratização do país.
Em dezembro de 2002, a expectativa positiva sobre Lula era de 76%.
Os números de Dilma superam os do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) tanto no primeiro mandato (70%) como no segundo (41%). Fernando Collor (1990-92) obteve 71%.
Não foi feita pesquisa em 2006.
Os picos positivos foram demonstrados no Nordeste do país, especialmente em Pernambuco (78%), no Ceará (79%) e em Minas Gerais (80%). No Sul, o índice de otimismo cai para 68%.
PROMESSAS
O instituto sondou o percentual de confiança dos eleitores sobre o cumprimento de promessas de campanha. Uma parcela de 31% disse acreditar que ela cumprirá a maioria das promessas, outros 59% esperam que cumpra parte delas, e 6% acham que não realizará nenhuma.
Os números são similares ao que o brasileiro esperava de Lula em 2002. À época, 31% acreditavam que ele fosse cumprir suas promessas.
A diferença entre a expectativa em relação a Dilma e a que se tinha sobre o Lula está nas áreas de atuação de governo. Para 18% dos entrevistados, a gestão dela se sairá melhor na saúde. Em seguida, aparecem economia (12%) e educação (12%).
Quando se trata da expectativa sobre a área em que o novo governo terá o pior desempenho, destacam-se saúde (13%), combate à violência e segurança pública (13%).
Antes do primeiro mandato, 27% apostavam que a administração de Lula avançaria no combate ao desemprego, e 18%, na erradicação da fome e miséria. Para 10%, a economia declinaria.
Tanto Lula como Dilma marcam seus índices mais altos de "ruim ou péssimo" quando a expectativa é sobre o combate à corrupção (10% para ele, e 20% para ela).
A exemplo do que ocorreu em relação a Lula (43%), em 2002, agora os entrevistados acreditam que os "trabalhadores" serão os mais beneficiados pelo governo (33%).
Nos demais setores a serem beneficiados, no entanto, não há semelhanças. Em 2002, 14% citavam a agricultura, e 11%, a indústria, como áreas que seriam privilegiadas. Neste ano, aparecem políticos (13%) e bancos (10%).
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Por que não um Brasil com Dilma e Lula?
"A bola está com a senhora, dona Dilma. Monte o seu time, que eu estarei na arquibancada, de camisa uniformizada, sem corneta, batendo palmas e nunca vaiando, sempre batendo palmas..."
Foi assim que o Presidente Lula respondeu a jornalistas que cobrem o governo em rápida entrevista no Palácio do Planalto, ao lado de Dilma, nos primeiros dias de novembro, logo após a vitória eleitoral de 31 de outubro. Lula deixou muito claro que não interferirá no governo Dilma, e que sempre estará ajudando, não criticando e desestabilizando, como apostam alguns.
Por outro lado, vemos na montagem do ministério que a presidenta eleita
tem mantido muitos ministros que serviram ao governo Lula, inclusive o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, unanimemente execrado na blogosfera. Isso tem provocado críticas de boa parcela da velha mídia, insinuando intervenção do presidente já na organização da nova equipe de governo.
(Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Ora, esses mesmos críticos sempre condenaram a inexperiência política da então candidata Dilma, e colocaram este fato como impeditivo para que fosse eleita para o posto mais importante do País.
Se falta experiência política à presidenta eleita, em Lula esse requisito sobra... Por que então, pensando no melhor para o Brasil, não aceitar algum aconselhamento do Presidente, não manter no comando ministros que tiveram um bom desempenho ou que garantem, talvez, alguma estabilidade, fazendo uma espécie de transição, sem mudanças drásticas num primeiro momento?
Como diria o Mino Carta, até o reino mineral sabia que Dilma foi escolhida para dar continuidade ao bem-sucedido e aprovadíssimo governo Lula. Qual o problema de nos primeiros tempos, enquanto a presidenta se aclimata, manter uma parcela considerável do ministério do seu antecessor?
Em seu pronunciamento ao povo brasileiro logo após confirmada a vitória no dia 31, Dilma, num agradecimento emocionado ao presidente, declarou de forma inequívoca que numa eventualidade não teria pejo de recorrer a Lula:
"Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós. Baterei muito à sua porta, e tenho certeza e confiança que a encontrarei sempre aberta. Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade."
O Brasil é mesmo um país sui-generis, peculiar, único. E dizem até que "Deus é brasileiro"...
Por que então, tendo uma dupla tão afinada, constituída por uma "gerentona" competentíssima e um "gênio" político, ambos dispostos a colocar todo o seu conhecimento, toda a sua aplicação, toda a sua capacidade de trabalho, a serviço do País, por que então o Brasil, que já revolucionou duas vezes, colocando um operário e uma mulher no comando do País, deveria abrir mão da possibilidade de contar ao mesmo tempo com ambos?
Foi assim que o Presidente Lula respondeu a jornalistas que cobrem o governo em rápida entrevista no Palácio do Planalto, ao lado de Dilma, nos primeiros dias de novembro, logo após a vitória eleitoral de 31 de outubro. Lula deixou muito claro que não interferirá no governo Dilma, e que sempre estará ajudando, não criticando e desestabilizando, como apostam alguns.
Por outro lado, vemos na montagem do ministério que a presidenta eleita
tem mantido muitos ministros que serviram ao governo Lula, inclusive o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, unanimemente execrado na blogosfera. Isso tem provocado críticas de boa parcela da velha mídia, insinuando intervenção do presidente já na organização da nova equipe de governo.
(Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Ora, esses mesmos críticos sempre condenaram a inexperiência política da então candidata Dilma, e colocaram este fato como impeditivo para que fosse eleita para o posto mais importante do País.
Se falta experiência política à presidenta eleita, em Lula esse requisito sobra... Por que então, pensando no melhor para o Brasil, não aceitar algum aconselhamento do Presidente, não manter no comando ministros que tiveram um bom desempenho ou que garantem, talvez, alguma estabilidade, fazendo uma espécie de transição, sem mudanças drásticas num primeiro momento?
Como diria o Mino Carta, até o reino mineral sabia que Dilma foi escolhida para dar continuidade ao bem-sucedido e aprovadíssimo governo Lula. Qual o problema de nos primeiros tempos, enquanto a presidenta se aclimata, manter uma parcela considerável do ministério do seu antecessor?
Em seu pronunciamento ao povo brasileiro logo após confirmada a vitória no dia 31, Dilma, num agradecimento emocionado ao presidente, declarou de forma inequívoca que numa eventualidade não teria pejo de recorrer a Lula:
"Sei que um líder como Lula nunca estará longe de seu povo e de cada um de nós. Baterei muito à sua porta, e tenho certeza e confiança que a encontrarei sempre aberta. Sei que a distância de um cargo nada significa para um homem de tamanha grandeza e generosidade."
(Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Por que então, tendo uma dupla tão afinada, constituída por uma "gerentona" competentíssima e um "gênio" político, ambos dispostos a colocar todo o seu conhecimento, toda a sua aplicação, toda a sua capacidade de trabalho, a serviço do País, por que então o Brasil, que já revolucionou duas vezes, colocando um operário e uma mulher no comando do País, deveria abrir mão da possibilidade de contar ao mesmo tempo com ambos?
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
O Brasil com Dilma e sem Lula
"Na minha cabeça funciona a seguinte tese: rei morto, rei posto", declarou o Presidente Lula na entrevista que concedeu no Planalto, junto de Dilma, dias depois da eleição.
O Abra a Boca, Cidadão! não tem motivos para desacreditar das palavras do Presidente da República, e desconfiar que seu comportamento como ex-presidente será diferente do que ele afirma agora.
O ABC! não tem motivo algum para dar crédito às declarações catastrofistas e apocalípticas do candidato derrotado Plínio Sampaio e da cientista política e comentarista Lucia Hippolito (ver posts anteriores), que auguram problemas para a Presidenta Dilma provocados pelo então ex-presidente Lula.
(Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Lula amadureceu muito nos últimos 30 anos. Pessoalmente e politicamente. De líder sindicalista radical a estadista equilibrado, ponderado, respeitado internacionalmente. De inteligência extraordinária, conhece como ninguém cada palmo do terreno que sua sucessora pisará. O "gênio do povo", como o chamou a economista Maria da Conceição Tavares, conhece como ninguém as garras afiadas da elite e da mídia conservadora que a serve...
Tendo consciência de tudo isso, e sabendo que os holofotes de todos os setores da sociedade, dos mais progressistas aos mais retrógrados, estarão a partir de primeiro de janeiro de 2011 focalizados na Primeira Mulher Presidente da República do Brasil, sua preferida, sua escolhida, sucessora e herdeira do seu legado, por que Lula contribuiria de alguma forma para a desestabilização do seu governo?
Como Ministra Chefe da Casa Civil, Dilma foi uma espécie de "Presidente Executiva", a chamada "gerentona do governo Lula", braço direito e mão de ferro do Presidente, cuidando das políticas todas, administrando, cobrando ministros, coordenando, monitorando... O "olho clínico" de Lula viu em Dilma pessoa da maior confiança e da maior competência. Daí sua escolha para dar continuidade a seu bem-sucedido governo.
A troco de quê o ex-presidente Lula tomaria qualquer atitude para comprometer o desempenho da Presidenta? Que interesse teria, qual vantagem Lula auferiria num eventual fracasso de sua sucessora?
O Abra a Boca, Cidadão! confia na sabedoria e maturidade política do Presidente Lula, reconhece e admira o amor do Presidente ao Brasil e ao povo brasileiro, aposta na competência política e gerencial da Presidenta Dilma e, diferentemente das más línguas, que investem e torcem por um rompimento entre Lula e Dilma, prefere acreditar que os dois saberão administrar com habilidade também o relacionamento institucional entre ambos.
O Abra a Boca, Cidadão! não tem motivos para desacreditar das palavras do Presidente da República, e desconfiar que seu comportamento como ex-presidente será diferente do que ele afirma agora.
O ABC! não tem motivo algum para dar crédito às declarações catastrofistas e apocalípticas do candidato derrotado Plínio Sampaio e da cientista política e comentarista Lucia Hippolito (ver posts anteriores), que auguram problemas para a Presidenta Dilma provocados pelo então ex-presidente Lula.
(Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Lula amadureceu muito nos últimos 30 anos. Pessoalmente e politicamente. De líder sindicalista radical a estadista equilibrado, ponderado, respeitado internacionalmente. De inteligência extraordinária, conhece como ninguém cada palmo do terreno que sua sucessora pisará. O "gênio do povo", como o chamou a economista Maria da Conceição Tavares, conhece como ninguém as garras afiadas da elite e da mídia conservadora que a serve...
Tendo consciência de tudo isso, e sabendo que os holofotes de todos os setores da sociedade, dos mais progressistas aos mais retrógrados, estarão a partir de primeiro de janeiro de 2011 focalizados na Primeira Mulher Presidente da República do Brasil, sua preferida, sua escolhida, sucessora e herdeira do seu legado, por que Lula contribuiria de alguma forma para a desestabilização do seu governo?
Como Ministra Chefe da Casa Civil, Dilma foi uma espécie de "Presidente Executiva", a chamada "gerentona do governo Lula", braço direito e mão de ferro do Presidente, cuidando das políticas todas, administrando, cobrando ministros, coordenando, monitorando... O "olho clínico" de Lula viu em Dilma pessoa da maior confiança e da maior competência. Daí sua escolha para dar continuidade a seu bem-sucedido governo.
A troco de quê o ex-presidente Lula tomaria qualquer atitude para comprometer o desempenho da Presidenta? Que interesse teria, qual vantagem Lula auferiria num eventual fracasso de sua sucessora?
O Abra a Boca, Cidadão! confia na sabedoria e maturidade política do Presidente Lula, reconhece e admira o amor do Presidente ao Brasil e ao povo brasileiro, aposta na competência política e gerencial da Presidenta Dilma e, diferentemente das más línguas, que investem e torcem por um rompimento entre Lula e Dilma, prefere acreditar que os dois saberão administrar com habilidade também o relacionamento institucional entre ambos.
domingo, 19 de dezembro de 2010
"Previsões" sombrias para Dilma e o Brasil
"O que será do Brasil com Dilma e sem Lula"
Dando continuidade à série "O que será do Brasil com Dilma e sem Lula", inaugurada ontem, o ABC! tratará hoje da análise da "alma lulista" e do alerta para a presidenta eleita Dilma Rousseff, para o Brasil e para todos nós, feitos pela cientista política Lucia Hippolito, que vislumbra problemas após a posse.
Na semana que passou, na rádio CBN, Lucia Hippolito, em conferência matinal sobre o tema "A despedida de Lula", sugerido pelo âncora Heródoto Barbeiro, dissertou sobre as supostas dificuldades que o Presidente Lula vem demonstrando de deixar o Poder. Segundo a especialista na alma humana, sobretudo a alma lulista, o Presidente se transformou num "cantor das multidões", fazendo uma verdadeira turnê pelo País, com direito a inaugurações "até de pedra fundamental", discursos, lágrimas e todo tipo de comportamento ridículo, abominável e despropositado.
Numa outra conferência radiofônica vespertina, convidada a fazer sua apreciação sobre os 87% de aprovação do governo, Lúcia fugiu do tema, e em seus três minutos habituais, mesmo reconhecendo tal índice "um espetáculo", preferiu discorrer sobre as estranhas atitudes lulistas nos últimos dias. "O Presidente não está feliz, não está conseguindo curtir esse final do governo dele", decretou a cientista, afirmando que Lula tem se mostrado muito mesquinho e arrogante, toda hora criticando os derrotados da última eleição. Como de arrogância e mesquinharia ela entende bastante, talvez algum ensinamento possamos tirar de suas considerações...
O "Balanço de Governo 2003-2010" também foram alvo da sapiência de Lúcia, que ridicularizou o ato, chamando-o de "Pajelança no Palácio do Planalto" e "autolouvação"...
Segundo a grande cientista, Lula "não soube manter uma relação institucional com a Presidência", "transformou a Presidência numa coisa familiar" e age como se fosse continuar no Poder. "Ninguém gosta de perder as delícias do Poder", disse a especialista na alma lulista. O Presidente, que "parece um rei", tem uma "dificuldade pavorosa de deixar o cargo".
Depois de dissecar em três minutos (quanta leviandade!) a alma do Presidente Lula, que se colocou na posição de "Paizão do País", para surpresa dos seus milhões de ouvintes Lúcia declarou "não saber o que está acontecendo" com o Presidente (quanta modéstia!), mas alertou que em 3 de fevereiro, por exemplo, se Lula "não gostar do negócio [!], ele liga pra presidenta e diz: 'Dilma, isto aqui está tudo errado' "... E do alto de seu incontestável saber a cientista vaticinou: "O Presidente pode criar muitos problemas para a presidenta eleita".
Fiquemos atentos, então, todos nós, inocentes e ignorantes que votamos errado duas vezes: num presidente ridículo, que não sabe se comportar no mais alto posto do País, e numa presidenta frágil, fraca, sem personalidade, que permitirá que seu governo seja desestabilizado por um antecessor no mínimo inconveniente...
Dando continuidade à série "O que será do Brasil com Dilma e sem Lula", inaugurada ontem, o ABC! tratará hoje da análise da "alma lulista" e do alerta para a presidenta eleita Dilma Rousseff, para o Brasil e para todos nós, feitos pela cientista política Lucia Hippolito, que vislumbra problemas após a posse.
(Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Numa outra conferência radiofônica vespertina, convidada a fazer sua apreciação sobre os 87% de aprovação do governo, Lúcia fugiu do tema, e em seus três minutos habituais, mesmo reconhecendo tal índice "um espetáculo", preferiu discorrer sobre as estranhas atitudes lulistas nos últimos dias. "O Presidente não está feliz, não está conseguindo curtir esse final do governo dele", decretou a cientista, afirmando que Lula tem se mostrado muito mesquinho e arrogante, toda hora criticando os derrotados da última eleição. Como de arrogância e mesquinharia ela entende bastante, talvez algum ensinamento possamos tirar de suas considerações...
O "Balanço de Governo 2003-2010" também foram alvo da sapiência de Lúcia, que ridicularizou o ato, chamando-o de "Pajelança no Palácio do Planalto" e "autolouvação"...
Segundo a grande cientista, Lula "não soube manter uma relação institucional com a Presidência", "transformou a Presidência numa coisa familiar" e age como se fosse continuar no Poder. "Ninguém gosta de perder as delícias do Poder", disse a especialista na alma lulista. O Presidente, que "parece um rei", tem uma "dificuldade pavorosa de deixar o cargo".
Depois de dissecar em três minutos (quanta leviandade!) a alma do Presidente Lula, que se colocou na posição de "Paizão do País", para surpresa dos seus milhões de ouvintes Lúcia declarou "não saber o que está acontecendo" com o Presidente (quanta modéstia!), mas alertou que em 3 de fevereiro, por exemplo, se Lula "não gostar do negócio [!], ele liga pra presidenta e diz: 'Dilma, isto aqui está tudo errado' "... E do alto de seu incontestável saber a cientista vaticinou: "O Presidente pode criar muitos problemas para a presidenta eleita".
Fiquemos atentos, então, todos nós, inocentes e ignorantes que votamos errado duas vezes: num presidente ridículo, que não sabe se comportar no mais alto posto do País, e numa presidenta frágil, fraca, sem personalidade, que permitirá que seu governo seja desestabilizado por um antecessor no mínimo inconveniente...
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