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A mais recente leva de documentos secretos divulgados pelo site Wikileaks acabou respingando também no Brasil, com as revelações que colocaram o ministro da Defesa, Nelson Jobim, numa tremenda saia justa. Mas nosso envolvimento não passa de fofocas envolvendo egos e ciúmes entre ministros do governo Lula. Muito mais importante é o debate que está ganhando força e que já colocou a imprensa mundial diante de um dilema bem complicado. Ou ela pega a deixa do Wikileaks e passa a investigar a autenticidade e os detalhes dos documentos publicados, ou vai se acomodar tornando-se cúmplice de uma eventual ação de governos impondo a censura ao site criado pelo australiano Julian Assange. Enquanto os governos buscam formulas legais para acabar com a sequência de documentos secretos trazidos à luz do dia pelo Wikileaks, entre os jornalistas surge um debate que, embora ainda encabulado, já começa a provocar uma aguda divisão em campos opostos. A maioria dos jornais e dos jornalistas não está discutindo a autenticidade ou as conseqüências dos documentos revelados, mas sim as motivações de Assange. Se é um ególatra em busca de fama, se é um terrorista disfarçado de ativista social, se é um estuprador, e por aí vai. Os norte-americanos Robert Niles, do Instituto Poynter, e Jay Rosen, na Universidade de Nova York (NYU) *, ambos professores de jornalismo, defendem a tese de que o Wikileaks pode ter lá seus motivos ocultos, mas uma coisa é real: o site fez aquilo que a imprensa mundial deveria ter feito para expor à luz pública o que corre pelos bastidores da política mundial e que o cidadão comum nunca toma conhecimento. O fenômeno Wikileaks está dividindo os jornalistas em duas correntes, segundo Niles. De um lado estão os que defendem a tese de que a informação deve chegar até o público, não importa os meios e formas, para que o cidadão possa exercer o seu direito de decidir sobre os rumos do país; e do outro, os profissionais que desejam controlar o fluxo da informação para manter os seus empregos. Há também os que acreditam como Jay Rosen, que “se a imprensa realmente patrulhasse os governos, políticos e empresários, a existência do site Wikileaks se tornaria desnecessária”. Talvez esteja aí a chave para recolocar o debate sobre o vazamento de documento secretos no seu verdadeiro contexto. Outro elemento importante para entender a polêmica é a leitura de um texto de Julian Assange, publicado pelo blog Zunguzungu, no qual o criador do Wikileaks diz que se inspira nas idéias do presidente norte-americano Theodor Roosevelt sobre a necessidade da transparência universal e prega uma “conspiração computacional para acabar com o governo invisível“ globalizado. Na sexta-feira (3/12), começou uma guerrilha cibernética em torno da hospedagem do Wikileaks. O site perdeu seu endereço nos Estados Unidos, porque foi retirado do ar pela empresa que o hospedava, e a partir daí teve que migrar sucessivamente para a Suíça, Alemanha, Finlândia e Dinamarca. Tanto o site como Assange estão a um passo de se transformarem em párias mundiais no meio da polêmica sobre liberdade dos fluxos informativos. (postado no Observatório da Imprensa - www.observatoriodaimprensa.com.br 03.12.2010) | ||||||||
Cidadania, Comunicação e Direitos Humanos * Judiciário e Justiça * Liberdade de Expressão * Mídia Digital Editoria/Sônia Amorim: ativista, blogueira, escritora, professora universitária, palestrante e "canalhóloga" Desafinando o Coro dos Contentes...
Tradutor
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
WikiLeaks, o Fenômeno
Dilma anuncia mais três mulheres
A presidenta eleita Dilma Rousseff, que já manifestou seu desejo de ter pelo menos um terço de mulheres no seu ministério, anunciou ontem por meio de sua assessoria mais três nomes femininos: a senadora Ideli Salvatti, Ministério da Pesca e Aquicultura; a jornalista Helena Chagas, Secretaria de Comunicação Social; e a deputada Maria do Rosário, Secretaria de Direitos Humanos.
O Abra a Boca, Cidadão! não é blogue feminista, mas pretende acompanhar com muita atenção o desempenho de todas as mulheres no governo Dilma, sobretudo dos ministérios ligados às suas áreas de interesse: Comunicação e Cidadania. Por isso, reproduz abaixo uma pequena biografia das escolhidas para as secretarias da Comunicação Social e Direitos Humanos.
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República - Helena Chagas
A jornalista Helena Chagas foi a coordenadora de imprensa da presidenta eleita Dilma Rousseff durante a campanha eleitoral e a transição. Colunista do jornal O Globo e também do Jornal de Brasília, ela se destacou como analista política. Na internet, em 2007, experimentou o colunismo online, ao dirigir o Blog dos Blogs, do portal de internet iG.
Em novembro de 2007, assumiu como diretora de jornalismo da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a rede pública de TV, cargo que deixou para entrar na campanha eleitoral. Ela era responsável pela cobertura noticiosa dos veículos televisão, rádio e agência da EBC – que inclui a TV Brasil, a Rádio Nacional, a Rádio MEC e a Agência Brasil.
Antes, a partir de maio de 2006, dirigiu a sucursal de Brasília do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) e foi comentarista de política no jornal matutino da emissora.
Filha do jornalista Carlos Chagas, freqüentou redações desde criança e foi educada numa casa onde a leitura dos jornais era rotineira. Formada pela Universidade de Brasília (UNB) em 1982, Helena iniciou a carreira como repórter do Jornal de Brasília, trabalhou no Diário da Manhã e depois em O Globo, onde foi repórter por dez anos. Em seguida, trabalhou por dois anos na TV Senado, no Estado de S. Paulo e voltou ao Globo para mais um período de 11 anos, quando exerceu as funções de coordenadora de Política, chefe de redação e diretora da Sucursal Brasília.
Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República - Maria do Rosário
Maria do Rosário Nunes iniciou sua militância no movimento estudantil secundarista e no Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul - CPERS/Sindicato. Professora da rede pública, a pedagoga formada e com mestrado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) é especialista em estudos sobre violência doméstica pelo Laboratório de Estudos da Criança da Universidade de São Paulo (Lacri/USP).
Maria do Rosário foi vereadora de Porto Alegre por dois mandatos (1993-1999), tendo presidido as comissões de Educação e de Direitos Humanos. Como deputada estadual (1999-2003), ela foi presidente da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos e vice-presidente da Assembleia Legislativa gaúcha por dois anos.
Em 2002, foi eleita deputada federal, sendo reeleita em 2006, sempre com expressivas votações. No Congresso Nacional, foi relatora da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investigou as redes de exploração sexual de crianças e adolescentes. Representou a Câmara na Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos durante a Ditadura Militar e foi presidente da Comissão Especial da Lei Nacional da Adoção. Desde 2003, coordena a Frente Parlamentar de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente. Foi vice-presidente das Comissões de Direitos Humanos e Minorias, e Educação e Cultura. Em 2009, presidiu a Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal, tendo se destacado, entre tantos temas, por coordenar uma série de debates em todo o Brasil sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE 2011-2020).
Em 2008, Maria do Rosário foi candidata à Prefeitura de Porto Alegre, tendo conquistado 328 mil votos no segundo turno das eleições na Capital gaúcha.
(Portal Brasil - 08/12/2010)
(Portal Brasil - 08/12/2010)
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
Lula, o Amigo do Povo
Tem gente que vai ler o título e o conteúdo deste post, e vai dizer que ele é fruto do fanatismo e da sabujice de uma petista roxa... ou vermelha.
Não sou petista. Nem roxa nem vermelha. Socialista, sim. Mas sem filiação a qualquer partido ou grupo de poder. E com mais de 30 anos "na estrada" do ativismo. Com muito orgulho.
Conheci este presidente ainda operário e sindicalista. Eu, estudante da mais importante universidade do País. Em esferas distintas, lutávamos juntos pela abertura política, pela derrubada do regime de exceção. Mais de trinta anos depois, só sinto gratidão por ter podido viver esse período difícil, conturbado e inesquecível da vida brasileira.
Mais vinte e poucos dias, e o Presidente Amigo do Povo deixa o governo. Ao que tudo indica, para continuar sua surpreendente História de Vida, ampliando sua atuação para o resto do mundo, África, América Latina...
Mas há um quê de saudade, de nostalgia no ar... nos corações mais sensíveis que acompanharam esses 8 anos. O Presidente vem chorando em várias solenidades, em encontros com chefes de Estado, nesse momento de despedida... E o povo mais humilde, a quem ele deu sobretudo confiança e autoestima, começa a manifestar seu reconhecimento, carinho e gratidão.
O Abra a Boca, Cidadão! se permite hoje sair um pouco da esfera de análise política e midiática, para registrar alguns momentos deste encontro entre o grande líder e seu povo. Leia e veja abaixo cenas deste emocionante momento histórico.
Não sou petista. Nem roxa nem vermelha. Socialista, sim. Mas sem filiação a qualquer partido ou grupo de poder. E com mais de 30 anos "na estrada" do ativismo. Com muito orgulho.
Conheci este presidente ainda operário e sindicalista. Eu, estudante da mais importante universidade do País. Em esferas distintas, lutávamos juntos pela abertura política, pela derrubada do regime de exceção. Mais de trinta anos depois, só sinto gratidão por ter podido viver esse período difícil, conturbado e inesquecível da vida brasileira.
Mais vinte e poucos dias, e o Presidente Amigo do Povo deixa o governo. Ao que tudo indica, para continuar sua surpreendente História de Vida, ampliando sua atuação para o resto do mundo, África, América Latina...
Mas há um quê de saudade, de nostalgia no ar... nos corações mais sensíveis que acompanharam esses 8 anos. O Presidente vem chorando em várias solenidades, em encontros com chefes de Estado, nesse momento de despedida... E o povo mais humilde, a quem ele deu sobretudo confiança e autoestima, começa a manifestar seu reconhecimento, carinho e gratidão.
O Abra a Boca, Cidadão! se permite hoje sair um pouco da esfera de análise política e midiática, para registrar alguns momentos deste encontro entre o grande líder e seu povo. Leia e veja abaixo cenas deste emocionante momento histórico.
"Aqui na minha cidade, quando escrevi a primeira vez para você pedindo a cadeira de rodas para minha esposa, muitos riram de mim, achavam que nunca esta carta chegaria às suas mãos. Mas chegou e todos aqueles que acreditaram e não acreditaram ficaram muito felizes, pois nunca nenhum presidente se comunicou com a classe mais pobre. Você fez a diferença."
A mensagem, enviada a Lula em 9 de novembro deste ano, chegou de Rio Tinto, na Paraíba. É uma das 631.977 correspondências recebidas pelo presidente Lula por meio de cartas ou e-mails em oito anos de governo. O tom das mensagens mapeia altos e baixos durante seu governo: a expectativa e a torcida do início, as decepções e conquistas pelo trajeto.
A 26 dias do fim do mandato, Lula continua recebendo cartas. Como na carta de Rio Tinto, o tom agora é de nostalgia.
Muitos pedidos. Ao ler as primeiras cartas chegadas à Presidência, no início de 2003, já era possível ter uma pista da relação que a população teria com o presidente metalúrgico. "Oi, Lula", começam muitas delas, dispensando o cerimonioso "excelentíssimo senhor presidente da República do Brasil". Antes de desfiar suas histórias, muitos exibem uma intimidade e uma expectativa na solução dos problemas que é resumida assim: "O senhor que é do povo como eu vai me entender..."
Quase todos os textos seguem um padrão: quem escreve primeiro faz um elogio, uma crítica ou dá uma sugestão, depois conta um pedaço de sua história e faz um pedido no final. Tem quem procure dinheiro, remédio, emprego, uma casa, um empréstimo para comprar um carro e até a intervenção do presidente para ajudar marido e mulher a salvarem o casamento em crise.
Tem convite de aniversário, pedido de autógrafos, fotos, a oportunidade de viajar com Lula no avião presidencial. Não há nada mais que surpreenda Cláudio Rocha, chefe do Departamento de Documentação Histórica da Presidência (DDH), órgão responsável por receber, catalogar e responder cada uma das cartas que o presidente recebe. Para as opiniões, a resposta é um agradecimento. Para os pedidos, o DDH informa sobre programas do governo que eventualmente atendam àquela demanda.
Uma por dia. Algumas histórias entraram para o folclore da Presidência. Um eleitor escreveu uma carta por dia ao presidente, desde o início do governo. Outro deu de presente a Lula um torno mecânico velho, como o que Lula operava quando jovem. Algumas mulheres são apaixonadas pelo presidente e pedem a oportunidade de trabalhar "cuidando dele".
As cartas que chegaram nas últimas semanas já começam a felicitar Lula e a primeira-dama Marisa Letícia pelas festas de fim de ano, fazem um saldo do governo e despedem-se do presidente. Mas, até na saída, dá tempo de pedir um último socorro. "Tenho a honra de parabenizar o excelente trabalho feito para a nossa nação. (...) Tenho a esperança que um dia volte a comandar esta nação tão carente de homens que olhem para os mais pobres", diz um homem de Livramento de Nossa Senhora, na Bahia. O pedido: "Para finalizar, gostaria de receber uma foto do casal para eu colocar em um pôster na sala da minha residência."
De Alvorada, no Rio Grande do Sul, um porteiro pede que Lula volte à Presidência daqui a quatro anos e conta que voltou a estudar e pretende tornar-se eletricista: "Minha esposa está em tratamento de câncer de mama, por isso que quero fazer um curso de eletricista em Porto Alegre, mas no momento não estou conseguindo pagar o curso, gostaria se fosse possível para o senhor conseguir um desconto no curso aqui no Senai para mim."
"Meu pai é pedreiro. Antes de 2003 o emprego era muito disputado porque tinham poucos, então ele tinha de esperar para pegar um emprego, e agora até escolhe qual ele quer pegar para trabalhar", relata um menino de 10 anos, de Conselheiro Lafaiete (MG), em carta de 29 de outubro. "Quero te pedir uma foto autografada para mostrar que além de bom presidente é um bom homem. Tchau, e até a próxima."
1,4 milhão de lembranças na mudança de Lula
Cada carta, presente e momento do governo Lula foi catalogado e guardado no subsolo do Palácio do Planalto, um acervo que compõe 3 mil caixas de arquivo e que agora seguem viagem para São Paulo, onde farão parte do Instituto Lula.
As polêmicas, as crises e a popularidade do governo refletem-se em números superlativos: foram 1.403.417 itens catalogados pelo DDH em oito anos. Entram aí 355.825 cartas, 287.152 mensagens eletrônicas, 9.697 fotos e vídeos, 9.027 livros, 8.511 presentes, 14.992 textos e bilhetes, e 718.213 material de campanhas feitas por movimentos civis.
Será preciso mobilizar 11 caminhões para transportar todo o material. Cláudio Rocha, chefe do DDH, é quem organiza o trabalho de fazer a mudança de tudo o que cuidadosamente catalogou, arquivou e preservou. "Só nesta semana chegaram mais 14 caixas de livros que estavam no Palácio da Alvorada e ainda precisam ser catalogados aqui", conta. E ainda há mais para chegar. Parte dos presentes fica na residência oficial do presidente.
O desafio do curador do Instituto Lula, que será um misto de memorial com plataforma política do presidente, será organizar um acervo tão plural para visitação pública. São presentes caros (colares de ouro e espadas incrustadas de pedras preciosas enviadas por líderes árabes) e únicos (um capacete usado por Ayrton Senna, camisetas de futebol assinadas por Kaká e Christiano Ronaldo, obras de Antônio Potero e Miró).
A história diplomática e governamental mistura-se ainda à contribuição dos populares. São inúmeras obras de artesanato, bordados, orações escritas, fotos de família, desenhos de criança – pedaços de histórias que formam um mosaico da trajetória brasileira nos últimos oito anos e dão ao acervo um valor inestimável.
TRECHOS
"Sua resposta a um certo jornalista nestes últimos dias foi de uma precisão muito especial. O senhor disse: não sei se estarei vivo até lá. A pergunta era se o senhor seria candidato em 2014. Para o senhor que dizem que és um analfabeto foi um xeque-mate! Quer aprender a aperfeiçoar a arte do carisma, passe aqui em casa uma hora dessas para aprender comigo"
" Tenho a honra de parabenizar o excelente trabalho feito para a nossa nação. Na minha avaliação, foi o melhor presidente do Brasil".
"Creio, oh, senhor presidente, que tudo em sua vida teve origem na luta e na miséria que outrora viveste. Meus sinceros parabéns porque tu foste um vencedor, para muitos um analfabeto, mas para mim um especial, um sábio. Não um sábio qualquer, mas um sábio especial do povo".
"O senhor fez várias coisas boas para o Brasil, mas quero te pedir uma foto autografada para mostrar que o senhor além de um bom presidente é um bom homem".
"É uma honra para mim escrever para o senhor. Parabéns por governar nosso país, é o melhor presidente da história do Brasil. Espero que daqui a quatro anos volte à Presidência. Moro em Alvorada, no Rio Grande do Sul, e trabalho em Porto Alegre de porteiro, mas quero melhorar um pouco e por isso estou terminando os estudos".
(Texto/Agência Estado; Post do blogue Os Amigos do Presidente Lula http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com, 5 de dezembro de 2010)
(Texto/Agência Estado; Post do blogue Os Amigos do Presidente Lula http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com, 5 de dezembro de 2010)
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Dilma dá recado à velha mídia
"Gentileza gera gentileza."
"Pra bom entendedor, um pingo é letra."
Repercutindo ainda a entrevista dada pela presidenta eleita Dilma Rousseff ao jornal americano The Washigton Post, antes de falar a qualquer jornal brasileiro após sua vitória no final de outubro, o Abra a Boca, Cidadão! vê nessa atitude, além de um "tapa com luva de pelica", um recado para essa velha, mofada e esclerosada mídia tupiniquim, defenestrada pela presidenta eleita.
Depois do linchamento moral que sofreu na campanha, o ABC! torcia para que Dilma não se curvasse à Rede Globo e ao Jornal Nacional, que sempre têm tido prioridade nas entrevistas pós-eleições. E se regozijou ao ver a presidenta eleita, dias depois da vitória, conceder sua primeira entrevista exclusiva à TV para duas jornalistas mulheres da Rede Record, deixando às moscas a emissora do Botanic Garden...
Agora, novamente, o ABC! comemora outra atitude sobranceira de Dilma Rousseff, que na entrevista ao Post mostrou também que reconhece e defende os méritos e conquistas do governo Lula, mas tem um perfil autônomo e independente, pensando com a própria cabeça.
O ABC! reproduz abaixo mais um artigo a respeito da entrevista, publicado no Observatório da Imprensa (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/).
"Pra bom entendedor, um pingo é letra."
Repercutindo ainda a entrevista dada pela presidenta eleita Dilma Rousseff ao jornal americano The Washigton Post, antes de falar a qualquer jornal brasileiro após sua vitória no final de outubro, o Abra a Boca, Cidadão! vê nessa atitude, além de um "tapa com luva de pelica", um recado para essa velha, mofada e esclerosada mídia tupiniquim, defenestrada pela presidenta eleita.
Depois do linchamento moral que sofreu na campanha, o ABC! torcia para que Dilma não se curvasse à Rede Globo e ao Jornal Nacional, que sempre têm tido prioridade nas entrevistas pós-eleições. E se regozijou ao ver a presidenta eleita, dias depois da vitória, conceder sua primeira entrevista exclusiva à TV para duas jornalistas mulheres da Rede Record, deixando às moscas a emissora do Botanic Garden...
Agora, novamente, o ABC! comemora outra atitude sobranceira de Dilma Rousseff, que na entrevista ao Post mostrou também que reconhece e defende os méritos e conquistas do governo Lula, mas tem um perfil autônomo e independente, pensando com a própria cabeça.
O ABC! reproduz abaixo mais um artigo a respeito da entrevista, publicado no Observatório da Imprensa (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/).
| ENTREVISTA DE DILMA Ciúmes do Washington Post Por Luciano Martins Costa em 6/12/2010 | |
| Colunistas de jornais e revistas seguem garimpando semelhanças na composição que a presidente eleita Dilma Rousseff parece estar dando ao seu futuro gabinete em relação a atual governo. A tese que repousa como fundo dos comentários é a da continuidade sem retoques, ou seja, afirma-se explicitamente ou nas entrelinhas que a futura presidente vai reproduzir o governo Lula até mesmo na distribuição de cargos entre os partidos aliados. Ao mesmo tempo, o noticiário desses mesmos jornais e revistas vai acumulando indícios de que, em variados assuntos, a presidente eleita manifesta não apenas opiniões, mas também atitudes diferentes daquelas que marcaram os dois mandatos de Lula da Silva. Argumentar contra os fatos é tarefa que exige conhecimento acima do saber comum, e a repetição do bordão de que Dilma é uma criatura do seu antecessor – e, portanto, só pode produzir um governo que seja uma cópia daquele – revela apenas que esses colunistas não dispõem de fontes que os descolem das suposições e dos preconceitos que ainda sobrevivem desde a campanha eleitoral. Primeira exclusiva Os jornais do fim de semana reproduzem notícias que, aos poucos, vão mostrando a personalidade política da futura presidente. E ela não poderia ser mais distinta da do atual chefe de governo. A imprensa nem precisaria esperar pelas manifestações de Dilma Rousseff para mudar de opinião e concluir que ela tem um perfil muito distinto do estilo de seu antecessor: suas biografias são extremamente diferentes e, além disso, ela deve assumir numa circunstância completamente diversa daquela em que Lula chegou ao poder. Uma entrevista de Dilma Rousseff ao jornal americano The Washington Post, publicada no domingo (5/12), consolida algumas dessas diferenças e marca um novo estilo: a presidente eleita afirma, por exemplo, que não concordou com a decisão do governo Lula, que se absteve de apoiar uma resolução da ONU contra o apedrejamento de mulheres no Irã e que, se já estivesse no governo, teria adotado outra posição. A declaração, feita na primeira grande entrevista exclusiva para um jornal, parece ter deixado a imprensa brasileira desconfortável, por duas razões: primeiro, porque revela que discordâncias são naturais no regime democrático, mesmo com relação ao patrono de uma carreira política. Segundo, a imprensa brasileira parece ter ficado enciumada porque a primeira entrevista exclusiva foi feita a um jornal estrangeiro. Depois da lambança que aprontaram durante a campanha eleitoral, os jornalões ainda querem privilégios. | |
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
PIG: Jornalismo ou Futricaria?
No post anterior, o Abra a Boca, Cidadão! se ocupou da entrevista dada pela presidente eleita Dilma Rousseff semana passada ao jornal americano The Washington Post, registrando alguns pontos importantes da fala de Dilma e deixando muito clara sua lealdade a Lula, mas também sua independência e autonomia.
Hoje Folha e Estadão, este em manchete de primeira página, se aproveitando da posição contrária da presidente eleita em relação ao voto do Brasil na resolução da ONU sobre direitos humanos no Irã, manifestada na entrevista ao WP, tentam indispor Lula e Dilma.
O ABC! indaga: dá pra chamar de Jornalismo o que estes veículos fazem? Ou seria meramente a "boa" e velha Futricaria?
Leiam abaixo post esclarecedor publicado no blogue Os Amigos do Presidente Lula (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/).
Hoje Folha e Estadão, este em manchete de primeira página, se aproveitando da posição contrária da presidente eleita em relação ao voto do Brasil na resolução da ONU sobre direitos humanos no Irã, manifestada na entrevista ao WP, tentam indispor Lula e Dilma.
O ABC! indaga: dá pra chamar de Jornalismo o que estes veículos fazem? Ou seria meramente a "boa" e velha Futricaria?
Leiam abaixo post esclarecedor publicado no blogue Os Amigos do Presidente Lula (http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com/).
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Estadão e Folha tentam usar Dilma para apedrejar Lula
Em entrevista ao jornal Washington Post, a presidente eleita Dilma Rousseff foi perguntada sobre a política brasileira em relação ao Irã, e malandramente o jornal introduziu na mesma pergunta a questão "Por que o Brasil apoia um país que permite que as pessoas sejam apedrejadas...?"
Dilma não caiu na armadilha, e deixou claro que existe uma diferença. Ela apoia a política brasileira de buscar a construção da paz no Oriente Médio (ou seja, o caminho do diálogo e não da guerra), e não apoia apedrejamento.
É exatamente a mesma posição adotada pelo governo Lula e pelo Itamaraty. Tanto é que o Presidente ofereceu asilo no Brasil para Sakineh Ashtiani (mulher iraniana condenada à morte por apedrejamento).
O repórter estadunidense insistiu no assunto, contestando: "Mas, o Brasil se absteve de votar sobre a recente resolução sobre os direitos humanos da ONU [contra o Irã]".
Dilma respondeu: "Eu não sou a presidente do Brasil [ainda], mas eu me sentiria desconfortável como uma mulher presidente eleita, para não dizer nada contra o apedrejamento. Minha posição não vai mudar quando eu tomar posse. Eu não concordo com a maneira como o Brasil votou. Não é minha posição."
Na resposta seguinte, defendeu o presidente Lula:
"O presidente Lula tem a sua própria história. Ele é um presidente que defendeu os direitos humanos, um presidente que sempre defendeu a construção da paz."
Dilma fez o certo ao reafirmar a posição dela e a posição brasileira, em defesa dos direitos humanos das mulheres, em todos os tratados internacionais.
Mas a imprensa demo-tucana destacou apenas sua frase onde diz "... não concordo com a maneira como o Brasil votou ..." - querendo "apedrejar" Lula, o Brasil e o Itamaraty.
Estadão chegou ao êxtase, ao publicar como principal manchete de capa. A Folha se conteve mais, e fez "apenas" manchete de capa menor.
Se observarmos bem a resposta, Dilma diz que ela não era a presidente do Brasil ainda. Percebe-se que as razões do voto na ONU deveriam ser perguntadas ao presidente Lula, pois foi quem analisou a fundo as razões junto à diplomacia brasileira; e que ela, pessoalmente, é contra o apedrejamento e, a princípio (sem estar na presidência, para ver todos os ângulos da questão), seria a favor de uma resolução como a citada.
Ora, não há de fato nenhuma controvérsia séria entre o que disse Dilma e a política externa do Presidente Lula, ainda que divergências até mesmo internas dentro de governos sejam perfeitamente normais, imagine entre sucessores, em conjunturas e circunstâncias diferentes.
Neste caso específico, nem o próprio Itamaraty, quando se absteve na ONU, ficou satisfeito com seu voto. O Itamaraty votaria contra apedrejamentos, mas em um texto honesto, sem exploração política, sem segundas intenções.
O apedrejamento é legal no Irã, Arábia Saudita, Paquistão, Sudão, Iêmen, Emirados Árabes Unidos e em 12 estados de maioria muçulmana do norte da Nigéria. Um texto discriminando unicamente um país, como o Irã, deixa de ser uma resolução por direitos humanos no âmbito da cooperação entre os povos na ONU, para ser mais um dos instrumentos políticos de preparação para intervenção militar imperialista no Irã. Se mudasse o texto, o Brasil poderia vir a apoiar.
Na época da abstenção, Celso Amorim declarou:
"A resolução não era de apedrejamento. Não havia uma resolução sobre apedrejamento. Houve uma resolução sobre o Irã onde havia a questão do apedrejamento. Claro que a condenamos e já falamos isso muitas vezes e de forma muito mais efetiva que outros países, porque falamos diretamente e temos condições de diálogo com o governo do Irã...
... Obviamente que condenamos o apedrejamento. Mas conseguimos falar com o interlocutor e isso é mais importante para a senhora (Sakineh) que está ameaçada que colocar um diploma na parede e dizer: Veja, aqui está, recebemos o aplauso...
... Há maneiras de atuar. É muito fácil seguir o que quer a imprensa que é dizer ´nós condenamos´, mas sem nenhum efeito prático", disse Amorim.
Dilma não caiu na armadilha, e deixou claro que existe uma diferença. Ela apoia a política brasileira de buscar a construção da paz no Oriente Médio (ou seja, o caminho do diálogo e não da guerra), e não apoia apedrejamento.
É exatamente a mesma posição adotada pelo governo Lula e pelo Itamaraty. Tanto é que o Presidente ofereceu asilo no Brasil para Sakineh Ashtiani (mulher iraniana condenada à morte por apedrejamento).
O repórter estadunidense insistiu no assunto, contestando: "Mas, o Brasil se absteve de votar sobre a recente resolução sobre os direitos humanos da ONU [contra o Irã]".
Dilma respondeu: "Eu não sou a presidente do Brasil [ainda], mas eu me sentiria desconfortável como uma mulher presidente eleita, para não dizer nada contra o apedrejamento. Minha posição não vai mudar quando eu tomar posse. Eu não concordo com a maneira como o Brasil votou. Não é minha posição."
Na resposta seguinte, defendeu o presidente Lula:
"O presidente Lula tem a sua própria história. Ele é um presidente que defendeu os direitos humanos, um presidente que sempre defendeu a construção da paz."
Dilma fez o certo ao reafirmar a posição dela e a posição brasileira, em defesa dos direitos humanos das mulheres, em todos os tratados internacionais.
Mas a imprensa demo-tucana destacou apenas sua frase onde diz "... não concordo com a maneira como o Brasil votou ..." - querendo "apedrejar" Lula, o Brasil e o Itamaraty.
Estadão chegou ao êxtase, ao publicar como principal manchete de capa. A Folha se conteve mais, e fez "apenas" manchete de capa menor.
Se observarmos bem a resposta, Dilma diz que ela não era a presidente do Brasil ainda. Percebe-se que as razões do voto na ONU deveriam ser perguntadas ao presidente Lula, pois foi quem analisou a fundo as razões junto à diplomacia brasileira; e que ela, pessoalmente, é contra o apedrejamento e, a princípio (sem estar na presidência, para ver todos os ângulos da questão), seria a favor de uma resolução como a citada.
Ora, não há de fato nenhuma controvérsia séria entre o que disse Dilma e a política externa do Presidente Lula, ainda que divergências até mesmo internas dentro de governos sejam perfeitamente normais, imagine entre sucessores, em conjunturas e circunstâncias diferentes.
Neste caso específico, nem o próprio Itamaraty, quando se absteve na ONU, ficou satisfeito com seu voto. O Itamaraty votaria contra apedrejamentos, mas em um texto honesto, sem exploração política, sem segundas intenções.
O apedrejamento é legal no Irã, Arábia Saudita, Paquistão, Sudão, Iêmen, Emirados Árabes Unidos e em 12 estados de maioria muçulmana do norte da Nigéria. Um texto discriminando unicamente um país, como o Irã, deixa de ser uma resolução por direitos humanos no âmbito da cooperação entre os povos na ONU, para ser mais um dos instrumentos políticos de preparação para intervenção militar imperialista no Irã. Se mudasse o texto, o Brasil poderia vir a apoiar.
Na época da abstenção, Celso Amorim declarou:
"A resolução não era de apedrejamento. Não havia uma resolução sobre apedrejamento. Houve uma resolução sobre o Irã onde havia a questão do apedrejamento. Claro que a condenamos e já falamos isso muitas vezes e de forma muito mais efetiva que outros países, porque falamos diretamente e temos condições de diálogo com o governo do Irã...
... Obviamente que condenamos o apedrejamento. Mas conseguimos falar com o interlocutor e isso é mais importante para a senhora (Sakineh) que está ameaçada que colocar um diploma na parede e dizer: Veja, aqui está, recebemos o aplauso...
... Há maneiras de atuar. É muito fácil seguir o que quer a imprensa que é dizer ´nós condenamos´, mas sem nenhum efeito prático", disse Amorim.
domingo, 5 de dezembro de 2010
Dilma: "Não repetirei Lula"
Antes de conceder entrevista a qualquer jornal brasileiro após sua vitória em outubro, a presidente eleita Dilma Rousseff resolveu falar ao jornal americano The Washington Post.
Dilma, que já havia surpreendido ao deixar a Rede Globo e o Jornal Nacional de lado e conceder sua primeira entrevista exclusiva após a eleição à Rede Record/Jornal da Record, mostrou na entrevista ao WP que tem personalidade e fará diferente de Lula, na relação com a mídia e em outros aspectos.
Dilma falou da crise econômica mundial, criticou a política americana de desvalorização do dólar e colocou o Brasil no mesmo patamar dos Estados Unidos, ao sugerir que ambos os países têm um importante trabalho conjunto a desempenhar no mundo.
A presidente eleita fez questão de enfatizar que a posição do Brasil no cenário econômico mundial é muitíssimo diferente da dos Estados Unidos e Europa. "O Brasil não está em depressão", disse ela, afirmando que o governo Lula criou 15 milhões de empregos, tirou 28 milhões de pessoas da pobreza e colocou outras 36 milhões na classe média por meio de políticas de transferência de renda como o Bolsa Família.
"Meus desafios são outros desafios"
Dilma acredita que seu governo será diferente do de Lula, pois avançará a partir de uma base sólida criada por seu antecessor. Porque o Brasil hoje se encontra numa situação muito melhor, ela poderá se dedicar a outros desafios: melhorar a qualidade da saúde e segurança e expandir a infraestrutura no setor de estradas, ferrovias, portos e aeroportos.
Indagada sobre se preparará o Brasil para a Copa do Mundo e Olimpíadas, a presidente eleita lembrou que tem um compromisso muito mais importante: acabar com a pobreza absoluta, tirando 14 milhões de brasileiros da miséria.
"Eu não sou a Presidente do Brasil"
Dilma disse que é surpreendente, mesmo para ela, ser a primeira presidente mulher do Brasil, e acha que chegou a esta posição não por seus méritos, mas porque o País estava preparado para eleger uma mulher, após a administração bem-sucedida, diferente e inovadora do Presidente Lula. "Nós ouvimos as pessoas", afirmou.
E ao ser cobrada sobre a abstenção do Brasil em votação de resolução da ONU que pede o fim das sentenças de apedrejamento no Irã, Dilma lembrou que ainda não é presidente, que o governo Lula sempre defendeu os direitos humanos e a construção da paz, e deixou muito claro que ela considera "medieval" a prática do apedrejamento, que não concorda com a posição do Brasil e não mudará de opinião quando tomar posse.
Dilma, que já havia surpreendido ao deixar a Rede Globo e o Jornal Nacional de lado e conceder sua primeira entrevista exclusiva após a eleição à Rede Record/Jornal da Record, mostrou na entrevista ao WP que tem personalidade e fará diferente de Lula, na relação com a mídia e em outros aspectos.
Dilma falou da crise econômica mundial, criticou a política americana de desvalorização do dólar e colocou o Brasil no mesmo patamar dos Estados Unidos, ao sugerir que ambos os países têm um importante trabalho conjunto a desempenhar no mundo.
A presidente eleita fez questão de enfatizar que a posição do Brasil no cenário econômico mundial é muitíssimo diferente da dos Estados Unidos e Europa. "O Brasil não está em depressão", disse ela, afirmando que o governo Lula criou 15 milhões de empregos, tirou 28 milhões de pessoas da pobreza e colocou outras 36 milhões na classe média por meio de políticas de transferência de renda como o Bolsa Família.
"Meus desafios são outros desafios"
Dilma acredita que seu governo será diferente do de Lula, pois avançará a partir de uma base sólida criada por seu antecessor. Porque o Brasil hoje se encontra numa situação muito melhor, ela poderá se dedicar a outros desafios: melhorar a qualidade da saúde e segurança e expandir a infraestrutura no setor de estradas, ferrovias, portos e aeroportos.
Indagada sobre se preparará o Brasil para a Copa do Mundo e Olimpíadas, a presidente eleita lembrou que tem um compromisso muito mais importante: acabar com a pobreza absoluta, tirando 14 milhões de brasileiros da miséria.
"Eu não sou a Presidente do Brasil"
Dilma disse que é surpreendente, mesmo para ela, ser a primeira presidente mulher do Brasil, e acha que chegou a esta posição não por seus méritos, mas porque o País estava preparado para eleger uma mulher, após a administração bem-sucedida, diferente e inovadora do Presidente Lula. "Nós ouvimos as pessoas", afirmou.
E ao ser cobrada sobre a abstenção do Brasil em votação de resolução da ONU que pede o fim das sentenças de apedrejamento no Irã, Dilma lembrou que ainda não é presidente, que o governo Lula sempre defendeu os direitos humanos e a construção da paz, e deixou muito claro que ela considera "medieval" a prática do apedrejamento, que não concorda com a posição do Brasil e não mudará de opinião quando tomar posse.
sábado, 4 de dezembro de 2010
Lula elogia Imprensa Internacional
Em sua última entrevista a correspondentes estrangeiros que atuam no Brasil, o Presidente Lula ressaltou a cobertura da imprensa internacional ao seu governo, afirmando que as matérias publicadas retratam com fidedignidade os avanços econômicos, políticos e sociais que o Brasil vem conseguindo nos últimos anos. Leia abaixo post do Blog do Planalto sobre os principais pontos da entrevista.
Após oito anos, o presidente Lula voltou a conceder uma entrevista a correspondentes estrangeiros que atuam no Brasil, para falar sobre política, economia, esportes, combate à violência e o futuro pós-Presidência. O encontrou foi realizado na manhã desta sexta-feira (3/12) num hotel da zona sul do Rio de Janeiro e o presidente aproveitou para elogiar a cobertura do Brasil feita pelos jornalistas estrangeiros, afirmando que as reportagens publicadas pelos veículos internacionais são bastante fiéis ao que está acontecendo no País atualmente – com bom acompanhamento da evolução política, econômica e social.
Na última parte da entrevista, Lula falou dos investimentos que acontecem no Brasil bem como as obras de infraestrutura. O presidente brasileiro detalhou, por exemplo, empreendimentos nos setores de refino de petróleo, de ferrovias e de petróleo e energia. Na avaliação do presidente, os números mostram “o volume e a envergadura da solidez do desenvolvimento da economia brasileira. Ou seja, as coisas estão prontas, e vocês podem ter certeza, eu espero que vocês fiquem muito tempo sendo correspondentes aqui no Brasil, de preferência no Rio de Janeiro. Agora, com o Rio de Janeiro mais pacificado, vocês vão poder andar mais na praia, sem ter nenhuma preocupação”.
Entrevista a correspondentes estrangeiros: “Imprensa internacional é fiel aos fatos”
Presidente Lula, entre o governador Sérgio Cabral e o ministro Franklin Martins, durante entrevista a correspondentes estrangeiros, no Rio. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Após oito anos, o presidente Lula voltou a conceder uma entrevista a correspondentes estrangeiros que atuam no Brasil, para falar sobre política, economia, esportes, combate à violência e o futuro pós-Presidência. O encontrou foi realizado na manhã desta sexta-feira (3/12) num hotel da zona sul do Rio de Janeiro e o presidente aproveitou para elogiar a cobertura do Brasil feita pelos jornalistas estrangeiros, afirmando que as reportagens publicadas pelos veículos internacionais são bastante fiéis ao que está acontecendo no País atualmente – com bom acompanhamento da evolução política, econômica e social.
Certamente nós não resolvemos todos os problemas brasileiros, mas nós demos passos extraordinários para resolver problemas que pareciam insolúveis, pareciam crônicos e que ninguém iria consertar, nós começamos a consertar. E eu acho que hoje o grau de otimismo, eu acredito que é o mais extraordinário de qualquer país do mundo hoje. Acho que não tem mais ninguém, no mundo, mais otimista que os brasileiros.Coube à presidente da Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira (ACIE), Mery Galanternyck, a primeira questão. Ela perguntou sobre os planos do presidente Lula a partir de 2011, quando deixará a Presidência da República. Lula recordou que durante entrevista concedida a blogueiros, no Palácio do Planalto, utilizou o termo “desencarnar” para explicar que iria se afastar das atividades políticas por uns meses para só depois retomar o trabalho e, deste modo, ajudar a presidente Dilma Rousseff naquilo que for necessário.
Eu já estou sendo convidado para inaugurar obra. Eu não sou mais presidente. Teve um companheiro que falou: “Presidente, embora o senhor não seja presidente, em fevereiro vai inaugurar tal obra, o senhor não quer vir?”. Eu não posso ir. Querer, eu quero, mas eu não posso. Então, por isso que eu utilizei a palavra “desencarnar”. Eu quero me livrar do mandato presidencial para poder voltar a ser o Lula que eu era antes de ser presidente da República. É isso.Depois, Lula foi indagado por Thomas Mills (ARD), da Alemanha, sobre pontos altos e decepções nos dois mandatos. Lula explicou, então, que não gostaria de ficar respondendo sobre os pontos positivos e os negativos de sua administração. Segundo Lula, após deixar o comando do Brasil “é como se você estivesse colocando água num recipiente para decantar”. E continuou:
Você vai passar por um processo de decantação e você vai se dar conta de coisas importantes que você fez e de coisas importantes que você deixou de fazer. Então, eu acho que nós não conseguimos fazer tudo o que nós queríamos fazer, mas eu acho que nós fizemos mais do que em qualquer outro momento da história deste país. Acho que nós fizemos muito em todas as áreas, muito, muito, muito. Eu, se for comparar com outros governantes, não existe comparação, e eu quero que a Dilma, quando tomar posse, ela comece a comparar o governo dela com o meu e ela faça muito mais, porque aí nós vamos acreditar que é possível cada vez fazer mais e cada vez fazer melhor.O jornalista Igor Varlamov (agência Itar-Tass), da Rússia, aproveitou o tema do dia e o gosto de Lula pelo futebol. Ele indagou sobre a escolha da Fifa por Rússia e Catar para sedes, respectivamente, das Copas do Mundo de 2018 e 2022. “Vai ser muito interessante, quando terminar a Copa do Mundo aqui, a final aqui no Rio de Janeiro, saber que o Brasil estará se preparando para ir jogar em Moscou numa época do ano em que a Rússia está muito bonita, muito verde, nada de neve, nada de frio, e eu achei extraordinário e achei sabedoria da Fifa – e possivelmente tenha a ver com todo o debate que nós fizemos para a Copa do Mundo no Brasil e para as Olimpíadas – é que é preciso descentralizar a Copa do Mundo”, disse.
Então, acho que a Rússia é um país grande, nunca tinha feito uma Copa do Mundo, é justo que a Rússia faça a Copa do Mundo. Portanto, eu dou os parabéns à Fifa por ter escolhido a Rússia, e também o Catar. Fazer uma Copa do Mundo naquela região do mundo, que muitas vezes aparece na imprensa apenas a violência no Oriente Médio ou a quantidade de petróleo. Quem conhece o Catar como eu conheço e alguns de vocês conhecem, sabe que embora seja um país pequeno, eles têm poderio econômico para realizar uma Copa do Mundo excepcional.Ainda na entrevista, Lula falou sobre a operação das tropas federais e do estado do Rio no morro do Alemão, o apoio dos Estados Unidos à indicação da Índia para o Conselho de Segurança da ONU, bem como os vazamentos recentes de telegramas de representações diplomáticas dos Estados Unidos por ONG estrangeira. Segundo ele, a relação entre Brasil e Estados Unidos foi boa com todos os últimos presidentes das duas nações e será mantida com a presidente Dilma Rousseff. Porém, Lula pediu que o governo norte-americano deve dar mais atenção aos países da América Latina e América do Sul.
Na última parte da entrevista, Lula falou dos investimentos que acontecem no Brasil bem como as obras de infraestrutura. O presidente brasileiro detalhou, por exemplo, empreendimentos nos setores de refino de petróleo, de ferrovias e de petróleo e energia. Na avaliação do presidente, os números mostram “o volume e a envergadura da solidez do desenvolvimento da economia brasileira. Ou seja, as coisas estão prontas, e vocês podem ter certeza, eu espero que vocês fiquem muito tempo sendo correspondentes aqui no Brasil, de preferência no Rio de Janeiro. Agora, com o Rio de Janeiro mais pacificado, vocês vão poder andar mais na praia, sem ter nenhuma preocupação”.
E dizer para vocês que esse é o cartão de garantia que a companheira Dilma Rousseff terá para o período do seu governo. Ela vai pegar o Brasil andando a 120 por hora, ela não está com o carro parado no estacionamento, com a bateria estragada, não. Ela está com o carro andando a 120 por hora. Se ela quiser, ela pode apertar um pouquinho o acelerador, chegar a 140, 150, se ela quiser ela vai a 120, e só não pode sair da pista, porque as coisas estão andando bem. Então é esse o Brasil, companheiros, que nós entregaremos à companheira Dilma Rousseff, ao povo brasileiro, no dia 31 de dezembro: um Brasil sólido, um Brasil com perspectiva de se transformar nos próximos seis anos na quinta economia mundial.
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