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sábado, 4 de dezembro de 2010

Lula elogia Imprensa Internacional

Em sua última entrevista a correspondentes estrangeiros que atuam no Brasil, o Presidente Lula ressaltou a cobertura da imprensa internacional ao seu governo, afirmando que as matérias publicadas retratam com fidedignidade os avanços econômicos, políticos e sociais que o Brasil vem conseguindo nos últimos anos. Leia abaixo post do Blog do Planalto sobre os principais pontos da entrevista.


Entrevista a correspondentes estrangeiros: “Imprensa internacional é fiel aos fatos”

Presidente Lula, entre o governador Sérgio Cabral e o ministro Franklin Martins, durante entrevista a correspondentes estrangeiros, no Rio. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Após oito anos, o presidente Lula voltou a conceder uma entrevista a correspondentes estrangeiros que atuam no Brasil, para falar sobre política, economia, esportes, combate à violência e o futuro pós-Presidência. O encontrou foi realizado na manhã desta sexta-feira (3/12) num hotel da zona sul do Rio de Janeiro e o presidente aproveitou para elogiar a cobertura do Brasil feita pelos jornalistas estrangeiros, afirmando que as reportagens publicadas pelos veículos internacionais são bastante fiéis ao que está acontecendo no País atualmente – com bom acompanhamento da evolução política, econômica e social.
Certamente nós não resolvemos todos os problemas brasileiros, mas nós demos passos extraordinários para resolver problemas que pareciam insolúveis, pareciam crônicos e que ninguém iria consertar, nós começamos a consertar. E eu acho que hoje o grau de otimismo, eu acredito que é o mais extraordinário de qualquer país do mundo hoje. Acho que não tem mais ninguém, no mundo, mais otimista que os brasileiros.
Coube à presidente da Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira (ACIE), Mery Galanternyck, a primeira questão. Ela perguntou sobre os planos do presidente Lula a partir de 2011, quando deixará a Presidência da República. Lula recordou que durante entrevista concedida a blogueiros, no Palácio do Planalto, utilizou o termo “desencarnar” para explicar que iria se afastar das atividades políticas por uns meses para só depois retomar o trabalho e, deste modo, ajudar a presidente Dilma Rousseff naquilo que for necessário.
Eu já estou sendo convidado para inaugurar obra. Eu não sou mais presidente. Teve um companheiro que falou: “Presidente, embora o senhor não seja presidente, em fevereiro vai inaugurar tal obra, o senhor não quer vir?”. Eu não posso ir. Querer, eu quero, mas eu não posso. Então, por isso que eu utilizei a palavra “desencarnar”. Eu quero me livrar do mandato presidencial para poder voltar a ser o Lula que eu era antes de ser presidente da República. É isso.
Depois, Lula foi indagado por Thomas Mills (ARD), da Alemanha, sobre pontos altos e decepções nos dois mandatos. Lula explicou, então, que não gostaria de ficar respondendo sobre os pontos positivos e os negativos de sua administração. Segundo Lula, após deixar o comando do Brasil “é como se você estivesse colocando água num recipiente para decantar”. E continuou:
Você vai passar por um processo de decantação e você vai se dar conta de coisas importantes que você fez e de coisas importantes que você deixou de fazer. Então, eu acho que nós não conseguimos fazer tudo o que nós queríamos fazer, mas eu acho que nós fizemos mais do que em qualquer outro momento da história deste país. Acho que nós fizemos muito em todas as áreas, muito, muito, muito. Eu, se for comparar com outros governantes, não existe comparação, e eu quero que a Dilma, quando tomar posse, ela comece a comparar o governo dela com o meu e ela faça muito mais, porque aí nós vamos acreditar que é possível cada vez fazer mais e cada vez fazer melhor.
O jornalista Igor Varlamov (agência Itar-Tass), da Rússia, aproveitou o tema do dia e o gosto de Lula pelo futebol. Ele indagou sobre a escolha da Fifa por Rússia e Catar para sedes, respectivamente, das Copas do Mundo de 2018 e 2022. “Vai ser muito interessante, quando terminar a Copa do Mundo aqui, a final aqui no Rio de Janeiro, saber que o Brasil estará se preparando para ir jogar em Moscou numa época do ano em que a Rússia está muito bonita, muito verde, nada de neve, nada de frio, e eu achei extraordinário e achei sabedoria da Fifa – e possivelmente tenha a ver com todo o debate que nós fizemos para a Copa do Mundo no Brasil e para as Olimpíadas – é que é preciso descentralizar a Copa do Mundo”, disse.
Então, acho que a Rússia é um país grande, nunca tinha feito uma Copa do Mundo, é justo que a Rússia faça a Copa do Mundo. Portanto, eu dou os parabéns à Fifa por ter escolhido a Rússia, e também o Catar. Fazer uma Copa do Mundo naquela região do mundo, que muitas vezes aparece na imprensa apenas a violência no Oriente Médio ou a quantidade de petróleo. Quem conhece o Catar como eu conheço e alguns de vocês conhecem, sabe que embora seja um país pequeno, eles têm poderio econômico para realizar uma Copa do Mundo excepcional.
Ainda na entrevista, Lula falou sobre a operação das tropas federais e do estado do Rio no morro do Alemão, o apoio dos Estados Unidos à indicação da Índia para o Conselho de Segurança da ONU, bem como os vazamentos recentes de telegramas de representações diplomáticas dos Estados Unidos por ONG estrangeira. Segundo ele, a relação entre Brasil e Estados Unidos foi boa com todos os últimos presidentes das duas nações e será mantida com a presidente Dilma Rousseff. Porém, Lula pediu que o governo norte-americano deve dar mais atenção aos países da América Latina e América do Sul.

Na última parte da entrevista, Lula falou dos investimentos que acontecem no Brasil bem como as obras de infraestrutura. O presidente brasileiro detalhou, por exemplo, empreendimentos nos setores de refino de petróleo, de ferrovias e de petróleo e energia. Na avaliação do presidente, os números mostram “o volume e a envergadura da solidez do desenvolvimento da economia brasileira. Ou seja, as coisas estão prontas, e vocês podem ter certeza, eu espero que vocês fiquem muito tempo sendo correspondentes aqui no Brasil, de preferência no Rio de Janeiro. Agora, com o Rio de Janeiro mais pacificado, vocês vão poder andar mais na praia, sem ter nenhuma preocupação”.
E dizer para vocês que esse é o cartão de garantia que a companheira Dilma Rousseff terá para o período do seu governo. Ela vai pegar o Brasil andando a 120 por hora, ela não está com o carro parado no estacionamento, com a bateria estragada, não. Ela está com o carro andando a 120 por hora. Se ela quiser, ela pode apertar um pouquinho o acelerador, chegar a 140, 150, se ela quiser ela vai a 120, e só não pode sair da pista, porque as coisas estão andando bem. Então é esse o Brasil, companheiros, que nós entregaremos à companheira Dilma Rousseff, ao povo brasileiro, no dia 31 de dezembro: um Brasil sólido, um Brasil com perspectiva de se transformar nos próximos seis anos na quinta economia mundial.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Blogosfera Cidadã: uma "estrela" do Quinto Poder?

Além de comemorar os marcos históricos na comunicação brasileira que foram as entrevistas do Presidente Lula aos novos atores da mídia - blogueiros "progressistas" e rádios comunitárias - o Abra a Boca, Cidadão! considera que se faz necessário também pensar, entender esse momento e os desafios que se apresentam a todos nós, produtores e consumidores de conteúdo alternativo, independente, desatrelado dos tradicionais grupos midiáticos. E se pergunta que posição ocupará a chamada Blogosfera Independente, Cidadã, Progressista, nesse novo cenário... Alguém arrisca um palpite?

Para oferecer subsídios ao debate e estimular a reflexão de todos nós sobre o papel da Blogosfera e de blogueiros independentes dentro da nova mídia e na sociedade da informação, o ABC! reproduz artigo do jornalista, professor e estudioso Carlos Castilho, publicado em maio último.


Depois do Quarto, surge agora o Quinto Poder

(http://carloscastilho.posterous.com/?page=4)


O batismo oficial no novo jargão aconteceu esta semana em São Petersburgo, na Florida, Estados Unidos durante uma conferência de dois dias entre blogueiros autônomos, especialistas universitários, gurus da internet, empreendedores virtuais e jornalistas profissionais.

A imprensa tradicional, tida como um quarto poder por sua enorme influência na área nacional dominada pelos três outros poderes  (executivo,legislativo,judiciário), tem agora ao seu lado um eclético e emergente quinto poder, formado pelos novos protagonistas da comunicação digital.

Esta é a segunda versão da Sense Makers Conference (literalmente Conferência dos que Criam Sentido) [1], uma reunião destinada a debater as novas tendências na comunicação, a partir de contribuições tanto de especialistas como dos chamados practitioners [2]. O evento é patrocinado pelo Instituto Poynters e na sua versão 2010 contou com 26 participantes.

Ao contrário dos outros quatro poderes, o novo “poder”  não é uma instituição formal, e provavelmente nunca o será, mas um aglomerado cuja marca registrada parece ser o ecletismo dos participantes, a forma quase caótica com que eles se agrupam e a agenda pouco convencional, em termos jornalísticos.

O que estamos assistindo é a emergência de um novo ator dentro da arena da comunicação pública e que pode vir a disputar espaços com a mídia convencional. Se o Quarto Poder era conformado basicamente pelas empresas e indústrias ligadas a produção jornalística, o Quinto Poder seria um aglomerado difuso dos novos produtores independentes de noticias e informações.

Um dos temas mais discutidos em São Petersburgo foi a ausência de objetividade e o caráter militante de blogs, twits e sites comunitários que não ocultam suas opiniões e nem preferências políticas, contrariando as normas do jornalismo profissional.

Consultando os blogs e twits dos participantes é possível verificar que eles colocam a questão da objetividade num contexto específico. Ela estaria na avaliação do conjunto de perspectivas expressas na diversidade de plataformas digitais de notícias e não compactadas num único veículo, como se propõe a imprensa. A objetividade não seria mais uma responsabilidade dos jornais mas uma tarefa do leitor.

Só aí, já temos muito pano para manga porque se de um lado temos o Quarto Poder reivindicando uma posição privilegiada na definição do que é verdadeiro ou falso, do outro temos uma situação inédita em matéria de certificação de credibilidade, causada pela avalancha de informações produzidas pelos blogs, por exemplo.

Tecnicamente seria muito difícil sintetizar milhões de percepções diferentes numa única. Até mesmo os jornais reconhecem esta dificuldade quando criaram o recurso de ouvir os dois lados de um problema. Só que hoje há muito mais do que dois lados e é praticamente impossível um veículo processar todas as versões que circulam na web.

A realidade está mostrando que a alegada objetividade e isenção da imprensa é cada vez menos viável, mas em compensação também não fornece elementos mínimos para estimar o grau de dificuldade que o público terá para peneirar o conteúdo de tantos blogs, twitters, chats, fóruns, listas de discussão e páginas web.

A certificação de credibilidade é um dos grandes desafios da comunicação na era digital. Em questões mais simples, como o comércio eletrônico, ela já está funcionando   bem com base nos chamados sistemas de reputação. Mas para áreas mais complexas como a da informação jornalística, o sistema ainda é sujeito a falhas. A nova alternativa são os algoritmos de autoridade, microsoftwares apoiados em leis da estatística e probabilidade, que já servem de base para os sistemas de reputação.

Ambos ainda são possibilidades, o que deixa muito espaço para a grande conversa entre o quarto e o quinto “poderes”. 

[1] Sense Makers é uma expressão inglesa para designar pessoas capazes de identificar e atribuir significados relevantes a fatos, processos ou dados.
[2] Practitioner é uma pessoa dotada de uma grande experiência numa determinada área e que procura dar uma base teórica a sua prática. É a definição corrente na internet. No dicionário, practitioner é traduzido por praticante. 


quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Lula: "Ativistas da Comunicação, se preparem!"

Mais um encontro histórico. Outro marco na democratização da comunicação.

O Presidente Lula recebeu hoje de manhã para entrevistá-lo no Palácio do Planalto oito comunicadores populares que atuam nas rádios comunitárias: Inês Fortes, Rádio Maria Rosa, de Curitibanos (SC); Geronino Barbosa, Rádio Heliópolis, São Paulo (SP); João Moreno, Rádio Líder, Recanto das Emas (DF); Jerry Oliveira, Rádio 8 de Dezembro, Vargem Grande Paulista (SP); Alexandre Nery, Rádio Santa Luzia, Santa Luzia (MG); Mamede Leão, Rádio Cidade, Ouvidor (GO); Mara Rodrigues, Rádio Fercal, Sobradinho (DF); e Alan Camargo, Rádio Integração, Santa Cruz do Sul (RS). A entrevista foi transmitida pelo Blog do Planalto, emissoras comunitárias e vários blogues.


                                    Secretaria de Imprensa/PR  (Foto: Ricardo Stuckert)

O tema COMUNICAÇÃO dominou a entrevista: cinco dos oito comunicadores fizeram ao Presidente indagações relativas a ações repressivas contra rádios comunitárias no governo Lula, refundação do Ministério das Comunicações com o estabelecimento de um novo marco regulatório, financiamento de novas emissoras, papel fundamental da comunicação comunitária no aprofundamento das conquistas populares e outros.

Lula, que demonstrou apreciar ser entrevistado por gente com cara de povo, menos engravatada e "sem voz empostada", "desaforados e reivindicadores", reconheceu as dívidas que seu governo deixa com a democratização dos meios de comunicação, lembrou dos avanços na pulverização e regionalização da publicidade governamental, chamou a atenção para o fato de uma rádio comunitária poder concorrer hoje "até com a BBC de Londres", e mais de uma vez dirigiu uma espécie de "convocatória" aos ativistas da comunicação, lembrando que o grande debate sobre o marco regulatório que Dilma conduzirá será duríssimo, e exigirá empenho por parte de toda a sociedade.

Ao ser perguntado sobre "se rádio comunitária derruba avião ou derruba tubarão", sem menosprezar o risco de acidentes provocados por interferência na comunicação das aeronaves o Presidente ficou com a segunda opção, deixando claro os grandes interesses que estão em jogo.

A MÁ-FÉ DA VELHA E APODRECIDA MÍDIA



A cara do governo



Marcos Coimbra

Correio Braziliense - 01/12/2010

Sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi



Ninguém votou em Dilma para que o “dilmismo” vencesse o “serrismo”. Só quem quis que a eleição fosse essa foi o próprio Serra, que sabia que perderia se o foco da escolha se alargasse.

A reação de parte da imprensa às informações sobre a composição do governo Dilma é curiosa. Em alguns veículos, chega a ser cômica.

Outro dia, um dos jornais de São Paulo estampou em manchete que Dilma estava “montando o núcleo de seu ministério com lulistas”. O que será que o editor imaginava? Que ela fosse recrutar “serristas” para os postos-chave de sua administração?

Como ensinam os manuais do jornalismo, essa não é uma notícia. Ou será que algo tão óbvio merece destaque? “Cachorro come linguiça” não é um título para a primeira página. No dia em que a linguiça comer o cachorro, aí sim teremos uma notícia (que, aliás, deverá ser impressa em letras garrafais).

Na mesma linha, um jornal carioca achou que era necessário alertar os leitores para o fato de que “Lula está indicando várias pessoas para o governo Dilma”. Em meio a estatísticas sobre quantos nomes já havia emplacado, a matéria era de franca desaprovação.

Na verdade, tanto nessa, quanto na manchete do jornal paulista, estava implícita quase uma denúncia, como se um duplo malfeito estivesse sendo cometido. Por Lula, ao “se meter” na formação do novo governo, ao “tentar interferir” onde, aparentemente, não deveria ter voz. Por Dilma, ao não reagir à intromissão e o deixar livre para apontar nomes.

Quem publica coisas assim dá mostras de não ter entendido a eleição que acabamos de fazer. Não entendeu como Lula, seu principal arquiteto, a concebeu, como Dilma encarnou a proposta, e como a grande maioria do eleitorado a assimilou.

Tudo mundo sabe que, quando Lula formulou o projeto da candidatura Dilma, a ideia central era de continuidade: do governo, de suas prioridades, de seu estilo. Ele nunca disse o contrário e insistiu no uso de imagens que caracterizavam, com clareza, o que ela representava. Para que ninguém tivesse dúvidas, chegou a afirmar que votar em Dilma era a mesma coisa que votar nele. Foi explícito nos palanques, nas declarações, na televisão.

Dilma sempre falou a mesma coisa. Mostrou-se à vontade como representante de Lula e do governo, seja por sua lealdade para com o presidente, seja pela boa razão de que o governo era dela também. Apresentar-se ao país como candidata de continuidade nunca a deixou desconfortável, pois significava defender aquilo a que havia se dedicado nos últimos oito anos.

Isso foi bem entendido pelos eleitores. Desde o primeiro momento e até o fim da eleição, as pessoas olharam para Dilma sabendo qual era a natureza de sua candidatura. Muitas descobriram suas qualidades pessoais, mas o núcleo da decisão de votar em seu nome foi outro, como mostraram as pesquisas.

Ninguém votou em Dilma para que o “dilmismo” vencesse o “serrismo”. Só quem quis que a eleição fosse essa foi o próprio Serra, que sabia que perderia se o foco da escolha se alargasse, se os eleitores olhassem para o que cada candidato representava e não se limitassem a fazer a velha comparação de biografias.

Agora, quando Dilma escuta Lula na montagem do governo, ela apenas cumpre a promessa fundamental de sua candidatura, a razão principal (para alguns eleitores, a única) de ela ter sido votada. Quando dá mostras de que manterá ministros e dirigentes, faz apenas o natural. Se, por exemplo, se comprometeu durante a campanha com a preservação de determinada política, porque razão não seria adequado que o responsável permanecesse?

O governo que está sendo organizado terá a cara da continuidade, política e administrativa. Terá a cara de Lula, do PT e das outras forças partidárias que venceram a eleição. Terá a cara da atual administração, que é aprovada pela maioria da sociedade. Terá a cara de Dilma, pois é ela que o chefiará.

É isso que foi combinado com o país.



(do blogue O Terror do Nordeste  http://terrordonordeste.blogspot.com  postado em 01.12.2010)



BLOGOSFERA CIDADÃ

Uma das vertentes de trabalho deste blogue desde seu início é  "Comunicação, Mídia e Poder", ao lado da vertente mais ampla, "Cidadania e Ativismo". Não poderia ser diferente, uma vez que a editora do blogue há décadas atua profissionalmente na área da comunicação, editando livros e outras publicações, ensinando produção de textos, redação jornalística e matérias afins. E na esfera profissional e pessoal sua atuação tem sido sempre de luta e denúncia contra arbítrio, abuso de poder, injustiças de toda ordem.

Acrescentei hoje mais uma vertente: Blogosfera Independente. Porque o ABC! a partir de agora pretende regularmente voltar sua atenção também para este setor que começa a ganhar uma dimensão inédita e auspiciosa para a construção da cidadania.

Estamos engatinhando aqui no Abra a Boca, Cidadão!

A ideia era e é abrir espaço para informação, opinião, esclarecimento, divergência, denúncia, debate, tratando de questões ligadas aos direitos básicos da pessoa, ajudando a conscientização e o exercício da cidadania ampla, com ênfase nas áreas de liberdades e direitos fundamentais, que incluem a livre expressão do pensamento e a comunicação. 

A Blogosfera Independente, que costumamos chamar aqui de Blogosfera Cidadã, começa a desempenhar um papel extraordinário no cenário da comunicação e da vida brasileira. Essa atuação também receberá do Abra a Boca, Cidadão! um olhar especial, crítico e atento.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

RÁDIOS COMUNITÁRIAS ENTREVISTAM LULA

Mais um encontro histórico. Mais um marco para a democratização da comunicação no Brasil. Depois dos blogueiros "progressistas", chega a vez das rádios comunitárias ouvirem o Presidente Lula amanhã em Brasília. Leia abaixo post do Blogue Com Texto Livre.

Rádios comunitárias irão entrevistar presidente Lula nesta quinta

Depois de conceder entrevista para blogueiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá falar desta vez com as rádios comunitárias. A coletiva acontecerá nesta quinta-feira (2), às 9h. A transmissão será ao vivo e poderá ser acompanhada pela internet pelo Blog do Planalto e pela página da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço). O sinal de áudio estará aberto para todas as emissoras de rádio do país.
Dez rádios comunitárias irão participar da entrevista, que será ancorada pelo jornalista Luciano Seixas. A iniciativa está sendo organizada pela EBC Serviços em parceria com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República e Abraço.

CAOS NO RIO E NA MÍDIA ESPETACULOSA

O Abra a Boca, Cidadão! considera que uma das tarefas de um bom blogueiro é trocar em miúdos para seus leitores artigos, ensaios mais densos, de maior dificuldade de compreensão, muitas vezes escritos por especialistas, pesquisadores da universidade, numa linguagem acadêmica que só iniciados compreendem, textos que trazem idéias, opiniões, conceitos importantes que precisam e valem a pena ser difundidos.  

Celso Lungaretti fez isso ontem em seu blogue Náufrago da Utopia (http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/), a propósito da crise no Rio de Janeiro e sua abordagem pela mídia. Reproduzimos seu post abaixo, que contém um resumo com os pontos principais de um artigo longo, difícil mas fundamental para a compreensão do caos que se instalou no Rio e da cobertura falha e espetaculosa da mídia.


O que a grande imprensa não diz sobre a crise no RJ

No blogue de Luiz Eduardo Soares -- mestre em antropologia, doutor em ciência política, ex-secretário nacional de Segurança Pública (2003) e ex-coordenador de Segurança, Justiça e Cidadania do RJ (1999/2000) -- encontrei a avaliação mais lúcida e consistente de todas que li sobre os últimos acontecimentos na dita  cidade maravilhosa, bem como da forma como estão sendo geralmente abordados pela grande imprensa, em sua faina incessante para fascistizar a sociedade, tangendo-a ao estado policial.

Obrigatório, o artigo de Soares -- A crise no Rio e o pastiche midiático -- é, contudo, desnecessariamente extenso e muitas vezes repetitivo (velho vício acadêmico!).

Tomei a liberdade de copidescá-lo, mantendo sempre as palavras do autor, mas eliminando os trechos supérfluos, inclusive no meio dos parágrafos reproduzidos:
"Não posso mais compactuar com o ciclo sempre repetido na mídia: atenção à segurança nas crises agudas e nenhum investimento reflexivo e informativo realmente denso e consistente, na entressafra, isto é, nos intervalos entre as crises.

Nada que se possa fazer já, imediatamente, resolverá a insegurança. Se desejamos, de fato, resolver algum problema grave, não é possível continuar a tratar o paciente apenas quando ele já está na UTI.

O que as polícias fluminenses deveriam fazer para vencer, definitivamente, o tráfico de drogas?

Em primeiro lugar, deveriam parar de traficar e de associar-se aos traficantes, nos 'arregos' celebrados por suas bandas podres, à luz do dia, diante de todos. Deveriam parar de negociar armas com traficantes, o que as bandas podres fazem, sistematicamente. Deveriam também parar de reproduzir o pior do tráfico, dominando, sob a forma de máfias ou milícias, territórios e populações pela força das armas, visando rendimentos criminosos obtidos por meios cruéis.

A polaridade (polícias versus tráfico) esconde o verdadeiro problema: não existe a polaridade. Construí-la – isto é, separar bandido e polícia - teria de ser a meta mais importante e urgente de qualquer política de segurança digna desse nome. Não há nenhuma modalidade importante de ação criminal no Rio de que segmentos policiais corruptos estejam ausentes.

Sei que há dezenas de milhares de policiais honrados e honestos, que arriscam suas vidas por salários indignos. Considero-os as primeiras vítimas da degradação institucional em curso, porque os envergonha e acua o convívio inevitável com milhares de colegas corrompidos, envolvidos na criminalidade, sócios ou mesmo empreendedores do crime.

Não nos iludamos: o tráfico, no modelo que se firmou no Rio, é uma realidade em franco declínio e tende a se eclipsar, derrotado por sua irracionalidade econômica e sua incompatibilidade com as dinâmicas políticas e sociais predominantes, em nosso horizonte histórico.

O modelo do tráfico armado, sustentado em domínio territorial, é atrasado, pesado, anti-econômico: custa muito caro manter um exército, recrutar neófitos, armá-los (nada disso é necessário às milícias, posto que seus membros são policiais), mantê-los unidos e disciplinados, enfrentando revezes de todo tipo e ataques por todos os lados, vendo-se forçados a dividir ganhos com a banda podre da polícia (que atua nas milícias) e, eventualmente, com os líderes e aliados da facção.

Não só o velho modelo é caro, como pode ser substituído com vantagens por outro muito mais rentável e menos arriscado, adotado nos países democráticos mais avançados: a venda por delivery ou em dinâmica varejista nômade, clandestina, discreta, desarmada e pacífica.

Traficantes se rebelam e a cidade vai à lona. Encena-se um drama sangrento, mas ultrapassado. O canto de cisne do tráfico era esperado. Haverá outros momentos análogos, no futuro, mas a tendência declinante é inarredável.

Quando o tráfico de drogas no modelo territorializado atinge seu ponto histórico de inflexão e começa, gradualmente, a bater em retirada, seus sócios – as bandas podres das polícias - prosseguem fortes, firmes, empreendedores, politicamente ambiciosos, economicamente vorazes, prontos a fixar as bandeiras milicianas de sua hegemonia.

Discutindo a crise, a mídia reproduz o mito da polaridade polícia versus tráfico, perdendo o foco, ignorando o decisivo: como, quem, em que termos e por que meios se fará a reforma radical das polícias, no Rio, para que estas deixem de ser incubadoras de milícias, máfias, tráfico de armas e drogas, crime violento, brutalidade, corrupção?

Essas instituições não foram alcançadas em profundidade pelo processo de transição democrática, nem se modernizaram, adaptando-se às exigências da complexa sociedade brasileira contemporânea.
O modelo policial foi herdado da ditadura. Ele servia à defesa do Estado autoritário e era funcional ao contexto marcado pelo arbítrio. Não serve à defesa da cidadania. A estrutura organizacional de ambas as polícias impede a gestão racional e a integração, tornando o controle impraticável e a avaliação, seguida por um monitoramento corretivo, inviável.

O Jornal Nacional, nesta quinta, 25 de novembro, definiu o caos no Rio de Janeiro, salpicado de cenas de guerra e morte, pânico e desespero, como um dia histórico de vitória: o dia em que as polícias ocuparam a Vila Cruzeiro.

Ou eu sofri um súbito apagão mental e me tornei um idiota contumaz e incorrigível ou os editores do JN sentiram-se autorizados a tratar milhões de telespectadores como contumazes e incorrigíveis idiotas."